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segunda-feira, 25 de abril de 2022

Casino Royale (Casino Royale) 1967

Quando o chefe “M” (John Huston) da agência secreta é assassinado, James Bond (David Niven) deixa a reforma de espião para ajudar a esmagar a SMERSH, o grupo de assassinos possivelmente responsáveis. E para proteger a sua verdadeira identidade, o nome de Bond é dado a vários agentes, incluindo Evelyn Tremble (Peter Sellers) e o sobrinho neurótico de Bond, Jimmy (Woody Allen).
"Casino Royale" é a paródia original, estabelecendo os precedentes para os filmes de Austin Powers no final dos anos 90. A presença de cinco realizadores aliada ao enredo excessivamente complicado, torna o filme quase impossível de se seguir. Uma sátira ao mais alto grau, foi o primeiro filme não oficial de James Bond, mas é desnecessário compará-lo a qualquer filme de série. O elenco de celebridades está embaraçosamente em piadas ridiculas atrás de piadas ridiculas, mas o mais valioso do filme é mesmo a banda sonora da autoria de nomes como Burt Bacharach, Herb Albert e Dusty Springfield.
John Huston, Ken Hugues e Robert Parrish foram alguns dos realizadores associados ao projecto, enquanto que o elenco contava ainda com Ursula Andress, Orson Welles, Deborah Kerr, William Holden, Charles Boyer, Jean-Paul Belmondo, Barbara Bouchet, entre tantos outros. A banda sonora conseguiu uma nomeação para os Óscares. 

domingo, 3 de abril de 2022

Que há de Novo, Gatinha? (What's New Pussycat) 1965

 Michael James, um conhecido mulherengo, quer desesperadamente ser fiel à sua noiva Carole, mas depara-se com sérios problemas, já que todas as mulheres que conhece apaixonam-se por ele. O seu psicanalista, o Dr. Fassbender (Sellers), também não pode ajuda-lo, porque anda ocupado a cortejar uma das suas pacientes, que por sua vez está interessada em Michael. Uma catástrofe aparece no horizonte, quando todos os personagens se hospedam no mesmo hotel para passar o fim de semana, sem saberem uns dos outros.
Supostamente baseado na vida amorosa de Warren Beatty, apontado para ser o protagonista mas depois substituído por Peter O´Toole, com o próprio título a ser uma das suas famosas expressões, tinha Woody Allen com um dos seus primeiros trabalhos (como argumentista e um dos principais papéis). As suas obsessões familiares com os problemas que o amor e o sexo trazem para uma relação são cómicas, mas são muito mais cruas do que os argumentos que Allen escreveria mais tarde, e a sua personalidade de gozador e apaixonado estão já quase totalmente formados aqui. 
Com realização de Clive Donner, o elenco, para além de O´Toole, Allen e Peter Sellers. contava com uma constelação de estrelas: Romy Schneider, Capucine, Paula Prentiss e Ursula Anderss. 

sábado, 5 de novembro de 2016

Capítulo 3 - Comédia

A prateleira das comédias era sempre das mais concorridas nos clubes de vídeo.Quem procurava uma comédia era sempre pelo sentimento de se divertir, optando por um passatempo inofensivo, por uma diversão que permitia descarregar os maus humores acumulados. Principalmente os anos 80, foram ricos em comédias marcantes, desde os filmes da equipa conhecida por ZAZ, ás comédias românticas que tiveram o seu ponto mais alto em "When Harry Meet Sally".  Vamos lá então conhecer algumas comédias do tempo do VHS.

Os Amigos da Onça (Buddy, Buddy) 1981
Num quarto de hotel Victor Clooney (Jack Lemmon), um homem desajeitado, tenta suicidar-se por ter sido abandonado pela mulher e acaba por perturbar Trabucco (Walter Matthau), um assassino profissional que tem um "contrato" com a Máfia para eliminar uma testemunha.
O derradeiro filme de Billy Wilder é uma comédia negra baseada numa peça de Francis Weber, que já tinha sido adaptada para o cinema francês em 1973, por Edouard Molinaro, num filme chamado "L'Emmerdeur", com o argumento a ser escrito em conjunto pelo próprio Wilder e o seu colaborador habitual, I.A.L. Diamond.
Infelizmente não teve a melhor recepção possível, tanto a nível crítico como comercial, mas no final da década acabaria por ser considerado das melhores comédias dos anos 80. Era a quinta colaboração entre Walter Matthau e Jack Lemmon, uma das duplas de maior sucesso no território da comédia. Só voltariam a colaborar juntos em 1993, com "Grumpy Old Men".
O elenco conta ainda com Paula Prentiss e Klaus Kinski.

Os Dias da Rádio (Radio Days) 1987
As décadas de 30 e 40 foram os momentos áureos do rádio nos Estados Unidos. Inspirado por esse período, Woody Allen escreveu e dirigiu "Radio Days", que conta as lembranças de um jovem e a sua família judia em Nova Iorque, durante a Segunda Guerra Mundial. Woody Allen narra alguns episódios fictícios do tempo de ouro do rádio norte-americana, e também conta histórias, como se fosse o protagonista, Seth Green, relembrando a sua infância preenchida pelos programas de rádio da época.
O período entre finais dos anos setenta e final dos anos oitenta, foi também o período de ouro de Woody Allen. Os êxitos sucediam-se, filme após filme, "Annie Hall", "Manhattan", "Stardust Memories", "Zelig", "Broadway Danny Rose", "The Purple Rose of Cairo", "Hannah and Her Sisters", "September", "Another Woman", "Crimes and Misdemeanors", grande parte deles com lançamento no nosso mercado em VHS.
A partir de certa altura Allen começou a reflectir sobre o espectáculo em geral, e o cinema em particular. Allen parece indetificar-se, simultaneamente, com os estilos de um escritor como um Tchekov e de um realizador como como Ingmar Bergman, escolhendo espaços interiores e retratos, em grande plano, de pessoas.

Porky´s (Porky´s) 1982
No sul da Flórida, em 1954, Pee Wee (Dan Monahan), Billy (Mark Herrier), Tommy (Wyatt Knight) e Mickey (Roger Wilson) têm de enfrentar quatro dolorosos anos na Angel Beach High School. Mas as actividades escolares e desportivas estão em segundo plano, porque o principal interesse deles é o sexo. Assim, a vida deles consiste principalmente em observar as raparigas no chuveiro e transformar num inferno a vida dos seus professores, mas são sempre perseguidos por Beulah Balbricker (Nancy Parsons), a professora de ginástica. Acabam por ir parar ao Porky’s, um misto de cabaret e bordel onde o dono (Chuck Mitchell) arranjará uma prostituta por um preço razoável. Mas nem tudo vai acontecer conforme previsto.
Um clássico campy dos anos 80, um dos maiores, dos mais vistos, pelo menos no território da comédia. Alguns anos depois do sucesso de "National Lampoon's Animal House" (1978), Bob Clark introduz-nos a um novo nível de piadas baixas, dando força a um sub-género dentro da comédia, que estava em clara expansão. Bob Clark era um realizador de filmes de terror, que fez por exemplo o clássico "Black Christmas".

Travões Avariados, Carros Estampados (Used Cars) 1980
Rudy Russo (Kurt Russell), um vendedor de carros usados, necessita de dinheiro para concorrer a senador. Assim fala com Luke Fuchs (Jack Warden), o seu chefe, que concorda em emprestar-lhe os 10 mil dólares de que ele precisa. Entretanto, um “acidente” elaborado por Roy Fuchs (Jack Warden), o irmão gémeo de Luke e ferrenho rival nos negócios, mata Luke. Roy também tem uma loja de carros usados do outro lado da rua e espera o momento para reivindicar a propriedade para si. 
Uma hilariante alusão àqueles tipos de vendedores que usam das mais variadas técnicas de persuasão com os seus clientes e conseguem transformar verdadeiras velharias no carro em segunda mão dos seus sonhos. Era o segundo filme de Robert Zemeckis, realizado dois anos depois de "I Want to Hold Your Hand", e a cinco de fazer o primeiro "Regresso ao Futuro". 

terça-feira, 16 de setembro de 2014

O Inimigo Público (Take the Money and Run) 1969



Um filme apresentado como um documentário sobre a vida de um criminoso incompetente e mesquinho, chamado Virgil Starkwell. Descreve a infância e a juventude de Virgil, os seus fracassos numa carreira musical, e a sua obsessão por assaltar bancos. O filme usa uma narração em voice over, e entrevistas com familiares amigos e conhecidos.
O primeiro verdadeiro filme dirigido por Woody Allen pode não ser um dos seus mais conhecidos, mas influenciou mais o seu direcionamento para a comédia do que qualquer outro. Imaginem sketchs dos Monty Phyton misturados com os mockumentários de Christopher Guest, com ambos os estilos a serem totalmente novos na altura do lançamento deste filme. Muito influenciado pelos irmãos Marx, e a comédia muda, o filme é basicamente um conjunto de sketchs, em que Allen e o seu consultor Ralph Rosenblum eventualmente conseguiram colocar alguma ordem. Uma mistura anárquica e autodepreciativa de cenas muitas vezes hilariantes, e alguns fracassos engraçados, que ao contrário do Woody mais recente, parodia, e utiliza a sua vasta riqueza sobre a história do cinema, em vez de, simplesmente copiar os filmes daquela época.
Cada cena perturba o sentido do documentário seriamente, criando um mal estar baseado na comédia. Por um lado é Woody Allen achar que qualquer coisa que vá contra a ilusão da verdade seja engraçada, mas ninguém chega ao fim do filme a pensar que o que acabaram de ver era realmente um documentário. Allen era um escritor de "comics" e argumentista de televisão nesta altura, e as suas piadas eram tão boas que não interessava se ele estava a tentar encontrar a sua rotina no standup. Uma comédia muito inteligente, a não perder.

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