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domingo, 12 de janeiro de 2020

O Bando de Jesse James (The Long Riders) 1980

As Origens, façanhas e o destino final do bando de Jesse James, são contados num retrato simpático dos assaltantes de bancos compostos por irmãos, que iniciam os seus lendários ataques por vingança. 
"The Long Riders" era mais uma entrada (entre muitas) nos westerns sobre o bando dos irmãos James-Younger, os famosos assaltantes de bancos, mas também um dos esforços mais interessantes para cobrir o território. O realizador Walter Hill tem um dos seus melhores trabalhos por detrás das câmeras, o seu primeiro filme directamente no território do Western, com um certo pendor Peckinpah-esque (talvez um pouco demais, até) capturando a brutalidade e a violência sangrenta do pistoleiro ocidental. Hill tem fama de ser o verdadeiro sucessor de Peckinpah, a até chegaram a trabalhar juntos, e, definitivamente, este foi dos filmes que mais ajudou a criar o mito. 
Grande parte do filme conta a história da queda do bando dos irmãos James-Younger, como a agência de detetives Pinkerton conseguiria apanhá-los nas suas casas das famílias do Missouri, enquanto os cofres tornavam-se cada vez mais difíceis de arrombar. Para dar maior realismo, o elenco de irmãos na tela é interpretado por irmãos na vida real - os três Carradines (David, Keith e Robert) como os Youngers, os dois Quaids (Dennis e Randy) como o Millers, e dois Keaches (Stacy e James) como os irmãos James. Mesmo o elenco de apoio tem irmãos na forma de Christopher Guest e Nicholas Guest como os irmãos Ford. Curiosamente, os irmãos não são pintados nem como bons, nem como maus, eles têm respeito uns pelos outros, mas irão cometer alguns atos hediondos, incluindo assassinatos, que só pode ser visto como repreensível. 
O filme foi selecionado para a competição da Palma de Ouro. Foi o único filme de Walter Hill a ser selecionado para a Palma de Ouro, até hoje.

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sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Capítulo 11 - Western

Estávamos muito reduzidos no que tocava a Westerns lançados durante os anos 80. Não mais do que uma dezena (ou nem tantos), dignos de nota, de um género que nunca se recompôs do desastre financeiro que foi o seu último épico, "As Portas do Céu", de Michael Cimino. Mas o Western não estava esquecido, enquanto era comum passar na televisão, agora tinha outra fonte de divulgação, o mercado de VHS, principalmente a venda directa, que aos poucos lançava todos os seus grandes sucessos.

As Portas do Céu (Heaven's Gate) 1980
1890, Estado de Wyoming, EUA. Um xerife (Kris Kristofferson) faz o possível para proteger fazendeiros imigrantes dos ricos criadores de gado, em guerra por mais terras. Ao mesmo tempo, ele luta pelo coração de uma jovem (Isabelle Huppert) contra um pistoleiro (Christopher Walken).
Tal como as colunas de fumo e as nuvens de poeira que sopram em qualquer épico com mais de 200 minutos, o desastre incial crítico e comercial deste filme de Michael Cimino perdurará para sempre, obscurecendo as suas maiores qualidades artísticas, que digamos que eram muito boas, levando o filme hoje a ser muito mais apreciado do que era na altura.
"Heaven’s Gate" marcava o fim de uma época. Produzido e distribuído pela Unites Artists, o estúdio fundado pelo realizador D.W. Griffith, e pelos actores Charles Chaplin, Douglas Fairbanks, e Mary Pickford, como forma de escapar ao controle dos grandes estúdios sobre a sua arte, este filme era suposto ser o ponto mais alto da chamada “New Hollywood”, que tinha tomado conta do cinema nos anos 70, formada por jovens realizadores como Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, o próprio Cimino, entre outros, e que eram um cruzamento entre o cinema de arte europeu, e o cinema clássico de Hollywood. Se este filme tivesse vingado, a história do cinema seria muito diferente hoje em dia.

Silverado (Silverado) 1985
Kevin Kline, Scott Glenn, Kevin Costner e Danny Glover são quatro heróis involuntários que têm no seu caminho a esquecida Silverado, a cidade em que os seus pais vivem e que foi tomada por um xerife corrupto e por um cruel ladrão de terras. Está nas suas habilidades com as armas a salvação da cidade. Mas primeiro eles têm que tirar uns aos outros da cadeia e aprender quem são os seus verdadeiros amigos.
"Silverado" era um retrocesso do Western que não se incomodava de  tentar reinventar o género numa nova fórmula. Abrange todos os velhos clichés e fórmulas dos velhos tempos, actualizando-os com uma nova geração de estrelas que não cresceu a vê-los. Na altura do seu lançamento foi considerada uma grande revisão, mas com o passar dos anos, e a quantidade de tempo entre o seu lançamento e o declínio do western, já não parece um filme tão importante.
Mesmo assim merece ser visto ou revisto, não só pelo realizador, Lawrence Kasdan, como pelo fantástico elenco, que para além dos nomes mencionados em cima, contava ainda com John Cleese, Rosanna Arquette, Brian Dennehy, Jeff Goldblum, Linda Hunt, Jeff Fahey,  entre outros.

O Bando de Jesse James (The Long Riders) 1980
"The Long Riders" era mais uma entrada (entre muitas) nos westerns sobre o bando dos irmãos James-Younger, os famosos assaltantes de bancos, mas também um dos esforços mais interessantes para cobrir o território. O realizador Walter Hill tem um dos seus melhores trabalhos por trás das câmeras, o seu primeiro filme directamente no território do Western, com um certo pendor Peckinpah-esque (talvez um pouco demais, até) capturando a brutalidade e a violência sangrenta do pistoleiro ocidental. Hill tem fama de ser o verdadeiro sucessor de Peckinpah, a até chegaram a trabalhar juntos, e, definitivamente, este foi dos filmes que mais ajudou para o mito. 
Grande parte do filme conta a história da queda do bando dos irmãos James-Younger, como a agência de detetives Pinkerton conseguiria apanhá-los nas suas casas das famílias do Missouri, enquanto os cofres tornavam-se cada vez mais difíceis de arrombar. Para dar maior realismo, o elenco de irmãos na tela é interpretado por irmãos na vida real - os três Carradines (David, Keith e Robert) como os Youngers, os dois Quaids (Dennis e Randy) como o Millers, e dois Keaches (Stacy e James) como os irmãos James. Mesmo o elenco de apoio tem irmãos na forma de Christopher Guest e Nicholas Guest como os irmãos Ford. Curiosamente, os irmãos não são pintados nem como bons, nem como maus, eles têm respeito uns pelos outros, mas irão cometer alguns atos hediondos, incluindo assassinatos, que só pode ser visto como repreensível. 
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domingo, 4 de dezembro de 2016

Capítulo 9 - Guerra

Estado de Guerra (Southern Comfort) 1981
Uma equipa da Guarda Nacional, num fim-de-semana isolado, em manobras nos pântanos da Louisiana tem de lutar pelas próprias vidas quando enfurecem os habitantes locais ao roubarem-lhes as canoas. Sem armas de fogo e numa terra estranha, a experiência do grupo começa a assemelhar-se à que alguns tiveram na guerra do Vietname.
Provavelmente o melhor filme de Walter Hill até ao momento,  "Southern Comfort" funciona de duas formas, como puro cinema de acção e entretenimento e como uma alegoria extremamente eficaz do envolvimento dos Estados Unidos no Vietname. Vagamente reminiscente de "Fim de Semana Alucinante", de John Boorman, o filme segue um grupo da Guarda Nacional em manobras nos pântanos do Louisiana. Brilhantemente fotografado por Andrew Lazlo, e uma excelente banda sonora de Ry Cooder que inclui música cajum, "Southern Comfort" é um filme emocionante com uma atmosfera perturbadora. Sem se esforçar muito para passar a sua mensagem, Hill evoca a luta americana no sudoeste asiático, colocando um grupo de recrutas sem direcção num terreno desconhecido contra guerrilheiros invisíveis e conhecedores do terreno.
Um elenco muito seguro, embora com diversos actores de segunda linha: Keith Carradine, Powers Boothe, Fred Ward, Peter Coyote, seria a partir deste filme que surgiu toda a idéia deste ciclo.

Corações de Aço (Casualities of War) 1989
Em 1966, durante a Guerra do Vietname, Meserve (Sean Penn), um sargento, jura vingança, porque outro soldado, que era seu amigo, foi morto pelos vietnamitas. Assim decide "requisitar" uma jovem para ser uma fonte móvel de prazer. Ao comandar uma patrulha de cinco soldados raptam uma jovem e quatro dos soldados violam-na, mas um deles, Eriksson (Michael J. Fox), recusa-se a praticar tal acto e tenta proteger a prisioneira, que acaba por ser assassinada pelos outros. Indignado com tal acontecimento, ele decide denunciar o facto para que os responsáveis sejam julgados.
Onde "Apocalypse Now" de Francis F. Coppola e "Deer Hunter" de Michael Cimino tentam retratar os as ferramentas psicológicas da guerra usando os seus personagens e situações para implicar um contexto maior, Brian de Palma tenta retratar os mesmos problemas aproximando as personagens de pessoas reais. "Casualities of War" não é obrigatoriamente um filme anti-guerra, porque ao contrários dos dois filmes referidos atrás, não se esforça nada para sugerir o que a guerra fez a Meserve ou a Erickson. O ponto é que, más pessoas existem em todo o lado, o caos da guerra apenas lhes deu desculpas para fazerem coisas que não fariam em tempo de paz. De Palma tem como alvo um certo tipo de personalidade, e insinua que as infraestruturas militares permitam que elas permaneçam ocultas ou ignoradas.
Estreou um pouco antes de um outro famoso filme sobre o Vietname, "Born on the 4th of July", e não lhe fica nada atrás.

A Colina dos Heróis (Hamburger Hill) 1987
Durante dez dias do mês de maio de 1969, entre 11 e 20, ocorreu no Vietname uma batalha apelidada de Hamburger Hill, em que soldados norte-americanos batalhavam pela derrocada da fortificada colina chamada HILL 937. O filme acompanha um pelotão de 14 soldados do exército dos EUA que participou dessa feroz batalha.
Não são apenas as balas que passam através das árvores que levam os soldados juntos nas batalhas. Por vezes os seus companheiros de batalha são tudo o que eles têm. Esposas que os traíram, familiares que se tornam estranhos, para muitos dos homens que sobem Hamburger Hill esta é a recompensa vazia que os espera em casa. Escusado será dizer que "Hamburger Hill" é um filme sombrio que tenta recriar o horror da guerra juntamente com os momentos calmos entre as lutas. É uma representação muito menos ostentosa do que "Full Metal Jacket" ou "Apocalypse Now", obras muito mais badaladas que contam a guerra de uma  forma muito mais operística.
Realizado por John Irvin, contava com um elenco de actores então desconhecidos. Alguns deles vieram a destacar-se mais tarde, como Don Cheadle, Dylan McDermott, ou Courtney B. Vance.

Amanhecer Violento (Red Dawn) 1984
Quando a cidade de oito jovens é invadida por soldados soviéticos e cubanos, e gradativamente por forças militares, eles tomam a decisão de fugirem para as montanhas. Os adolescentes adotam então o nome da equipa de futebol do colégio, os Wolverines, e formam uma guerrilha armada contra o comunismo, e em defesa da família, dos amigos e dos Estados Unidos. 
"Red Dawn" foi escrito por Kevin Reynolds (que mais tarde realizaria "Robin Hood - Prince of Thieves" e "Waterworld"), e realizado por John Milius, causando uma onda de pânico na sua estreia, com a preocupação de que fosse levado a sério demais. No entanto, a maioria das mentes mais maleáveis voltou-se para outro tipo de filmes que seria mais popular na década de oitenta, em vez de um apelo às armas. Visto agora, passados mais de trinta anos, é difícil de acreditar que o filme tenha qualquer valor de propaganda diferente do que era habitual. 
Realizado em 1984, com Ronald Regan na Casa Branca, "Red Dawn" é um filme com uma inclinação claramente conservadora. Com John Milius no leme, um realizador que era um conservador assumido, membro da NRA (National Rifle Association), que contava já, entre realizações e argumentos, com uma carreira notável ("Dillinger", "Big Wednesday", "Conan, the Barbarian"), o filme contava com uma série de jovens estrelas, algumas delas chegadas dos filmes de adolescentes realizados por Coppola no ano anterior, como era o caso de Patrick Swayze, C. Thomas Howell, ou Charlie Sheen.
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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

O Lutador da Rua (Hard Times) 1975

Um desempregado durante a Grande Depressão cuja única alternativa é lutar nas ruas. Chaney (Charles Bronson), é um desafortunado que embarca num comboio para Nova Orleans. Lá, no lado mais pobre da cidade, tenta ganhar dinheiro fácil, da única maneira que conhece, com os punhos. Chaney aproxima-se de Speed (James Coburn) e convence-o de que pode ganhar um bom dinheiro para ambos. Ganha algumas lutas ilegais mas Speed tem um débito com um gang de assassinos, o que força Chaney a lutar pela última vez com Street, um monstro enorme numa luta sem regras ou árbitro.
Walter Hill era ainda um novato, e já tinha chamado a atenção como argumentista de dois filmes:  "The Getaway" de Sam Peckinpah, e "The Mackintosh Man", de John Huston, quando teve a hipótese de pegar numa realização pela primeira vez. Escolheu um terreno um pouco diferente dos seus trabalhos como argumentista, um drama bastante tranquilo sobre um lutador viajante, que tenta fazer um pouco de dinheiro para si, da melhor forma que pode.
Co-escrito por Bryan Gindoff e Bruce Henstell, "Hard Times" é um filme perfeito: grandes interpretações de dois tipos duros, uma fabulosa montagem de Roger Spottiswoode, um futuro realizador que também já tinha dado os primeiros passos com Peckinpah, na montagem de "Straw Dogs" e "Pat Garret & Billy the Kid", montagem essa que enfatizava Bronson, nesta altura já na casa dos 50 anos.

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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Os Selvagens da Noite (The Warriors) 1979



Cyrus, o líder do gang mais poderoso de Nova Iorque, os Gramercy Riffs, convoca todos os gangs de Nova Iorque, que são convidados a enviar 9 membros desarmados para uma reunião. É assassinado durante o discurso, e um gang chamado "The Warriors" é considerado culpado da morte de Cyrus. Agora eles têm de atravessar o território dos rivais para alcançar o seu próprio bairro. Lentamente eles atravessam bairros como os do Bronx ou Manhatthan, fugindo da polícia e dos outros gangs rivais que os querem capturar.
Durante o final dos anos 60 e a década de 70 o cinema popular ficou repleto de visões sombrias do futuro, e de uma raça humana cínica e auto-destrutiva. A visão do futuro incluía destinos tão cruéis como a humanidade ser conquistada por macacos muito evoluídos e bem preparados militarmente. O medo do futuro chegou ao auge entre 1978 e 1982, quando a era do "disco" abriu caminho para a década da ganância, com o ciclo pós-apocalíptico, e cinco filmes monumentais a serem lançados neste período. "Dawn of the Dead", "The Road Warrior" (ambos sequelas sobre a sobrevivência do lado mais negro da mente humana), "Blade Runner", "Escape from New York" (feitos com a premissa que um dia as maiores cidades americanas seriam tão perdidas com o crime e a corrupção que a humanidade estaria perdida para sempre). O quinto chamava-se "The Warriors", realizado por Walter Hill, e que era um misto destes dois temas.
Baseado numa banda-desenhada, antecipava, em muito, filmes como "Sin City" ou "300", e desenhava uma analogia entre os protagonistas e aquele grupo de valentes soldados na Grécia antiga, e relatava a história dos 300 como se fosse uma banda desenhada passada para o cinema. Superficialmente é um épico de acção corajosa, uma variação da fórmula Star Wars onde os heróis são os membros de um gang, e os vilões são caricaturados, paródias sangrentas tão variadas, desde jogadores de Baseball, a mímicos das ruas. É uma parábola inteligente sobre a união, com o fim de ultrapassar as adversidades para alcançar uma vida melhor.
Com um elenco de actores desconhecidos, tornou-se um enorme filme de culto durante os anos 80. 

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domingo, 17 de março de 2013

A Fronteira do Perigo (Extreme Prejudice) 1987


De tempos a tempos, aparecem filmes que não conseguem gerar muito interesse nas bilheterias, o que é um completo mistério quando que o filme em questão é realmente muito bom. "Extreme Prejudice" encaixa-se nessa descrição, e é um dos melhores e mais subestimados filmes de acção dos anos 80. Dirigido por Walter Hill (The Warriors, 48 hrs.), é um westen comtemporâneo, interpretado por Nick Nolte (48 Hrs.) como o Texas Ranger Jack Benteen, que se encontra no meio de uma situação complexa, que envolve um grupo clandestino de soldados e o seu ex-melhor amigo Cash Bailey (Powers Boothe), um grande traficante de drogas no México. O filme começa com um grupo de soldados a encontrar-se com o major Paul Hackett (Michael Ironside), no aeroporto de El Paso. Todos têm uma coisa em comum, estão oficialmente dados como mortos nos arquivos militares. Desta forma, podem realizar com êxito operações clandestinas em todo o mundo. Eles são os sargentos Larry McRose (Clancy Brown), Buckman Atwater (William Forsythe), Declan Coker (Matt Mulhern), Charles Biddle (Larry B. Scott) e Lutero Fry (Dan Tullis Jr.). Passando por um agente da DEA, Hackett oferece-se para ajudar Benteen a derrubar Bailey enquanto esconde os seus verdadeiros motivos pelo seu envolvimento com o caso. Trouxe os soldados para roubar o banco onde Bailey mantém o seu dinheiro e um cofre contendo informações sobre os seus sócios. Benteen quer mesmo derrubar Bailey depois de um dos seus homens ter morto o seu parceiro (Rip Torn). Bailey também tem um efeito nociso sobre a vida pessoal de Benteen, já que a sua namorada Sarita (Maria Conchita Alonso) costumava ser romanticamente envolvida com o traficante de drogas.
A conclusão de "Extreme Prejudice" é na verdade uma homenagem ao clássico de Sam Peckinpah "The Wild Bunch", e também um dos melhores filmes de Walter Hill. Por um lado, não se trata apenas de um filme de rotina "policias contra traficantes", Hill realmente leva algum tempo para criar as personagens totalmente, especialmente as personagens de Jack Benteen e Bailey Cash. Nolte tem uma das suas melhores performances, como o duro Texas Ranger. Aparentemente, ele trabalhou com um Texas Ranger da vida real chamado Joaquim Jackson, e baseou-se nele para caracterizar a personagem.
Além de uma grande história, desenvolvida por John Milius e Rexer Fred (conselheiro militar de Apocalypse Now), Extreme Prejudice tem um grande elenco de actores secundários, que já referi em cima .... Powers Boothe, Michael Ironside, Clancy Brown, William Forsythe, Larry B. Scott.. As cenas de acção são muito bem feitas, especialmente a sequência de assalto ao banco e o clímax super violento do filme. 

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48 Horas (48 Hrs) 1982


Eddie Murphy tinha 21 anos quando terminou a segunda temporada de Saturday Night Live, e quando apareceu em "48 Hrs.", uma comédia de acção que passou por cerca de meia dúzia de iteracções antes de aterrar nas suas mãos. Desenvolvido por Lawrence Gordon e Joel Silver, o argumento de "48 Horas" passou pelas máquinas de escrever de pesos pesados ​​como Roger Spottiswoode e E. Steven de Souza, e teria sido revisto pelo realizador Walter Hill até ao momento em que este gritou "Acção!". O projecto também teve um número considerável de actores ligados, (incluindo Clint Eastwood e Richard Pryor), antes dos produtores contratarem Nick Nolte para o papel de um polícia bêbado e solitário de São Francisco, e Murphy como o condenado que Nolte concede dois dias de passe em troca de ajuda num caso. No entanto, com todo o talento por trás das cenas envolvidas, e todos os ajustes ao longo do caminho, "48 horas" acabou por ser o primeiro "Eddie Murphy film." Tal seria o impacto que Murphy tinha em 1982.
O filme em si pode ser dividido em "antes e depois de Murphy." Nos primeiros 20 minutos, 48 Horas é um filme policial duro, cheio de sexo, violência, e o tipo de detalhes sórdidos que se tornou a norma no Harry de Clint Eastwood. Nolte tenta capturar um condenado bastante violento, e decide questionar um dos antigos parceiros do bandido, que está atrás das grades. Temos então uma das mais memoráveis introduções da história do cinema: Murphy, sentado numa cela com os seus óculos escuros e fones nos ouvidos, a cantar a música dos The Police, "Roxanne". Há poucas piadas reais em "48 Horas". Murphy é engraçado todo o filme, o humor é principalmente um desdobramento natural da personalidade do seu personagem.
Porque "48 Horas" foi dirigido pelo especialista económico no género, Walter Hill, o filme move-se sem descanso, com apenas uma cena ou outra desperdiçada nos seus 96 minutos. E porque é um dos primeiros exemplos do buddy-movie policial, apresenta algumas cenas e elementos que mais tarde se tornaram cliché. Seria um filme de acção sólido, mesmo sem Murphy, ancorando Nolte, cuja personagem é tão despenteada e abrasiva que é constantemente ameaçado de prisão por policias que não percebem que ele é um deles. Com Nolte a atirar a Murphy constantes insultos raciais (alguns evidentes, outros subtis), "48 Horas" brinca com a questão de qual destes dois homens tem o poder do seu relacionamento: a figura de autoridade decadente, ou o bem-falante prisioneiro?

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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O Profissional (The Driver) 1978


Ryan O'Neal desempenha o tradicional papel de Steve McQueen, taciturno, lobo solitário (não é uma surpresa, já que o papel tinha sido escrito para McQueen), neste chase-noir (se me é permitido chamá-lo assim) do argumentista e realizador, Walter Hill. É um thriller do velho estilo do "gato e o rato", abrigado num existencialismo auto-consciente, onde o policia e o bandido tentam superar-se um ao outro, e nós ficamos divididos entre torcer pelo "mau", já que os bons não parecem ser muito melhores.
Não nos é dado qualquer nome. O'Neal é o "The Driver", um profissional que conduz, em troca de grandes quantidades de dinheiro, em fugas pelas ruas de Los Angeles, depois de assaltos a bancos e outros delitos penais. É arrogante, mas quem o procura satisfaz todas as suas exigências, porque ele é simplesmente o melhor no que faz. É tenazmente perseguido pelo The Detective (Bruce Dern), que se tornou tão obcecado em derrubar o condutor duma vez por todas, que está disposto a cruzar a linha do procedimento legal  para finalmente apanhar a sua esquiva presa. Neste caso, está a ser ajudado pela The Player (Isabelle Adjani), como uma testemunha ocular que insiste que ele não cometeu o crime. Por vezes é preciso uma mente criminosa para apanhar um criminoso tão perfeito, e o detective faz um acordo (ou uma chantagem) com alguns durões que podiam apanhar uma sentença de prisão prolongada, a fim de estabelecerem um assalto para apanhar o motorista em flagrante. 
Tenso e com sequências de perseguição de carros extremamente bem editadas, que são a verdadeira estrela do filme. O'Neal pode não ter a presença na tela de um Steve McQueen, mas impregna ao seu personagem a complexidade necessária para este tipo de papel. Dern, é o único que tem um papel mais elaborado, rouba a cena como um policia conivente, tão cansado de ser superado, que acabou por perder toda a sua moral. Como um western sobre rodas, "The Driver" explora a ténue linha entre a lei e a ilegalidade, a ordem e o caos, através do cenário da paisagem urbana mais moderna.
Este era o segundo filme de Walter Hill, que então já tinha uma carreira considerável como argumentista, já que tinha escrito o argumento de filmes como: "The Getaway", "The Thief Who Came to Dinner", ou "The Mackintosh Man". Teve uma carreira bastante interessante até meados dos anos 70.
Este filme destoa um pouco neste ciclo, mas não deixa de ser interessante. 

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