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sábado, 16 de setembro de 2017

A Long Weekend in Pest and Buda (Egy hét Pesten és Budán) 2003

Uma interessante história que explora a Húngria moderna, e os laços com o passado que muitos ainda têm. Ivan (Iván Darvas) está a morar na Suíça, mas é obrigado a voltar à sua Hungria natal depois de décadas de um exílio auto-imposto, para visitar Mari (Mari Töröcsik), uma ex-amante agora gravemente doente. Depois de chegar é confrontado com segredos do passado e também problemas do presente que mudarão a sua vida.
"A Long Weekend in Pest and Buda" dirigido por Károly Makk, volta a reunir Makk com as duas estrelas do filme "Amor" de 1971, Mari Töröcsik e Iván Darvas, passados mais de trinta anos. Embora não é uma sequela, utiliza algumas sequências deste filme, e também de "Merry-Go-Round" de Zoltán Fábri, em flashbacks. A idéia para o filme veio de uma sugestão de Marc Vlessing, o produtor, que queria que Makk fizesse um filme que olhasse para o passado recente da Húngria. Nesta altura (1997), Vlessing e Makk estavam em Londres, a dar os toques finais em "The Gambler", uma adaptação de um livro de Fyodor Dostoyevsky. "A Long Weekend in Pest and Buda" acabaria por ter uma longa gestação, em parte por causa dos problemas habituais de encontrar apoio financeiro, que não eram fáceis de encontrar. Desde o início da produção que Makk estava interessado em incluir os actor de "Amor", apesar de qualquer idéia que isso tenha levantado deste filme ser uma continuação, ou mesmo um remake, do filme anterior. A história de Ivan, e o seu antigo amor, Mari, também se tornou na história das suas gerações.
Mas o filme é também a história do encontro de Ivan com a sua filha, Anna, e o modo como eles lidam um com o outro, ora aproximando-se ora afastando-se. Por isso o filme nunca adopta a técnica de "Amor", de mudar o interesse narrativo de um personagem para outro. A perspectiva é sempre a de Ivan, mas o filme recusa-se a deixá-lo sozinho, oferecendo-lhe através da reconciliação com a sua filha, uma libertação da dor com o passado.
Mais um filme bastante raro, com legendas em inglês.

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quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Hungarian Requiem (Magyar rekviem) 1990

Em 1956 houve uma revolta do povo húngaro contra os seus senhores russos, que permitiram os húngaros florescerem por uns breves instantes, para depois os suprimirem. Suspeita-se de que os governantes do país sabiam desta revolta antecipadamente, mas permitiram que ela iniciasse e continuasse para identificar quem era mais activo. Neste filme estamos em 1958, e sete homens muito diferentes esperam nas suas celas para serem levados e executados. Os seus sonhos, fantasias e lembranças aliviam o que de outra forma parece ser uma situação repetitiva. Eles são um velho professor, um oficial, um marinheiro durão, um polícia que trocou de barreira durante a revolução, um cigano assustado, um lutador pela liberdade, e um jovem acabado de fazer 18 anos...
Co-produção húngara/alemã baseada num livro de Mihály Kornis. Coma atmosfera mortífera de uma cela como pano de fundo, as memórias poéticas, sonhos e fantasias de amor e liberdade temporária destes homens acalmam a tensão insuportável desta poderosa evocação da resistência. Era uma homenagem de Karóly Makk, um homem que já tinha realizado o primeiro filme de amor homossexual no seu país, à resistência húngara que lutou bravamente contra os russos. Um destaque especial para o actor francês Mathieu Carrière num dos papéis centrais do filme. 
Como o filme em si é sobre a repressão e opressão da revolução húngara de 1956, é uma interessante informação secundária que os julgamentos do ministro do interior húngaro do período (1957-61) Béla Biszku, que ordenou que os soldados abrissem fogo sobre a multidão, e depois fosse responsável pela execução de milhares de pessoas, tinham acabado de começar em Budapeste.  
É um belíssimo drama político de Makk, que não merece cair no esquecimento. Legendas em inglês.

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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Outra Forma de Amar (Egymásra Nézve) 1982

Repressão política e sexual na Hungria, logo depois da revolução de 1956. Em 1958, o corpo de Eva Szalanczky, uma jornalista política era descoberto perto da fronteira. A sua amiga Livia está no hospital com o pescoço partido. O marido de Livia, Donci, está sob prisão. Num flashback ao ano anterior vemos o que leva a esta tragédia. Eva consegue um emprego como escritora, conhece Livia e sente-se atraída por ela. Livia sente o mesmo, mas é casada e tem muitas dúvidas e hesitações. No trabalho, elas procuram os limites das verdades políticas. Em particular elas enfrentam os limites de viver a verdade sexual e emocional. 
Na Hungria o cinema esta sujeito a menos censura do que nos seus vizinhos da Checoslováquia e Polónia, mas mesmo assim, este filme de Károly Makk encontrou muita oposição no país de origem, e Makk sofreu muita pressão para mudar a história. Não apenas o assunto era muito sensível politicamente, mas também foi o primeiro filme da Europa do Leste a lidar com o tema da homossexualidade. Makk, no entanto, já tinha uma grande reputação no Ocidente, em parte devido ao seu filme de 1971, "Love", e assim "Outra Forma de Amar" acabou por ser exibido em Cannes em toda a sua forma, sem cortes nem censura, acabando depois por ser exibido comercialmente nos Estados Unidos e no Reino Unido. 
Baseado num livro de Erzsebet Galgoczi, é um drama envolvente que nos dá um valente soco no estômago. A história é contada em flashback, e sabemos logo de inicio que não vai acabar bem, com Makk a ligar explicitamente a opressão política à opressão sexual. Foi exibido na Selecção Oficial de Cannes, sendo a quinta vez que um filme de Károly Makk entrava na competição. 

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terça-feira, 12 de setembro de 2017

Casa de Respeito (Egy Erkölcsös Éjszaka) 1977

Grande parte do filme passa-se num bordel gerido pela madame (Iren Psota). Quase todas as suas meninas interessam-se pelo Dr. Jeno Kelepei (Gyorgy Cserhalmi), que não é um homem particularmente atraente, nem rico, e de acordo com as meninas, nem a sua "inteligência" as impressiona. No entanto, todas se derretem à sua volta. Um dia Jeno conta à madame que a sua mãe lhe enviou 120 coroas, e a sua renda são 90. Reclama que não lhe sobra muito dinheiro, e gosta de fazer a sua visita habitual ao bordel. Fazem um acordo em que ele poderá viver lá e pagar 90 coroas, mas nunca poderá chegar aos ouvidos da mãe, ou ela não lhe envia mais dinheiro. 
Como este filme é uma comédia, é fácil de adivinhar o que se segue. A mãe, um dia, faz-lhe uma visita inesperada, causando muitos distúrbios no bordel. As jovens têm de manter o seu trabalho em segredo até a mãe de Jeno ir embora, que pensa que aquela moradia é um local com quartos de aluguer. 
Uma comédia baseada num pequeno conto de Sandor Huyady, "The House With The Red Light", "A Very Moral Night" está vagamente ligado aos sucessos anteriores de Károly Makk, "Amor" (Szerelem) e "Jogo de Gatos" (Macskajáték), em primeiro lugar porque em todos estes três filmes são as mulheres as figuras centrais da acção, e em segundo lugar pela fotografia de János Tóth. Ao lado de grandes nomes como Bergman ou Antonioni, Makk tornou-se num especialista no retrato da alma de uma mulher no grande ecrã. 
Talvez a coisa mais encantadora neste filme seja a forma como a pequena e frágil velhinha encanta o bordel, com um grande sorriso sobrenatural, ensinando às jovens prostitutas os maiores segredos da vida, acima de tudo, pelo seu magnífico humor e boa disposição, mesmo perante situações adversas. 
Filme muito raro, tem legendas em inglês.

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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Jogos de Gatos (Macskajáték) 1974

As heroínas do filme são as duas irmãs Szkalla, que quando eram novas eram brilhantes e bonitas, mas agora estão velhas, e vivem separadas uma da outra. Giza é a mais solitária, porque tem de andar presa a uma cadeira de rodas, e vive com o filho em Munique. A outra é a senhora Orbánné, que dá aulas de canto para sobreviver em Budapeste e vive um romance com Csermlényi, um antigo pretendente, que é um tenor já na reforma. Quando está de bom humor ainda tem uma grande proximidade com o seu inquilino, Egérke...
Três anos depois do seu primeiro grande sucesso internacional, e consequente vitória no grande prémio do Júri em Cannes, Karoly Makk regressa com uma história de partir o coração sobre duas irmãs solteiras, que depois de uma vida dolorosa, ainda procuram acreditar na esperança e no amor. Mais uma vez Makk faz-se valer dos desempenhos extraordinários da sua dupla de actrizes, desta vez interpretadas por Margit Dajka e Elma Bulla. "Macskajáték" opõe-se à desolação do mundo exterior com paixão, amor e lealdade.
Além de ter concorrido para a Palma de Ouro em Cannes, "Macskajáték" conseguiu ainda uma nomeação para o Óscar de Melhor filme em Lingua Estrangeira, o segundo da Húngria a conseguir ser nomeado para este prémio, seis anos depois de "The Boys of Paul Street", de Zoltán Fábri, um filme que já por aqui passou num ciclo deste realizador. Os húngaros continuariam a tentar, para conseguir finalmente ganhar um Óscar para "Mephisto", de István Szabó, em 1982. "Macskajáték" teve estreia em Portugal no festival da Figueira da Foz em 1986.
Legendas em Inglês.

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sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Amor (Szerelem) 1971

Passado no início da década de cinquenta, uma era de perseguição política sob o domínio de Mátyás Rákosi, época em que muitos húngaros foram presos ou executados. Luca (Mari Töröcsik), depois de ver o marido ser preso e não ter mais notícias sobre a sua condição, o estado de saúde, ou sequer saber se ele está vivo ou morto, decide começar a visitar a sogra (Lili Darvas) frequentemente para não deixar que a senhora descubra que o seu filho está preso, fazendo com que a idosa continue a acreditar que o filho está a fazer um filme em Nova Iorque. 
Muitas sequências são inteligentemente interrompidas com imagens de flashbacks, memórias e pensamentos, que nos deixam ler a mente das personagens fornecendo também pistas sobre o relacionamento destas. Algumas destas imagens sugerem que bem lá no fundo a sogra talvez saiba a verdade, mas é mais feliz a acreditar nesta verdade alternativa. As interpretações destas duas mulheres (de Lili Darvas e Mari Törõcsik) são absolutamente incríveis, e são apresentadas muito subtilmente o que evita que o filme se torne demasiado sentimental ou sombrio, apesar do tema ser muito emocional ou político. 
Ao minimizar o aparecimento das forças da autoridade apenas para o mínimo requerido pela narrativa, Makk permite-nos concentrar nos mínimos detalhes sobre o amor, a perda, e a recuperação.
No festival de Cannes de 1971 ganhou o grande prémio do Júri, colocando no mapa do cinema internacional o realizador Károly Makk. As duas actrizes, Torocsik e Darvas também ganharam uma menção especial pelas suas interpretações. Lili Darvas tinha 69 anos na altura, e participaria aqui no seu último filme, depois de uma carreira em que trabalhou sobretudo para a televisão. Falecia em Nova Iorque, três anos depois. 

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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Károly Makk

Os dias de glória do cinema húngaro tiveram lugar a partir de meados da década de sessenta, até finais da década de setenta, principalmente por causa da relativa liberalização do regime comunista, liderado por um apoiante dos soviéticos, János Kádár. Károly Makk estava entre os principais realizadores daquele período, a par de nomes como  Miklós Jancsó, Márta Mészáros, István Szabó, Zoltán Fábri e István Gaál, cujos filmes começaram a ser cada vez mais vistos e aclamados no Ocidente.
Por causa de problemas com a censura, durante o regime anterior, que eram considerados marionetas estalinistas, Makk, que fazia filmes desde 1955, teve de esperar até 1971 para conseguir reconhecimento internacional, numa obra intitulada, simplesmente, "Amor". Este filme, esquisitamente forjado sobre o amor, a falsidade (política e pessoal) e a ilusão, ganhou o prémio do Júri no Festival de Cannes, e menções especiais para as actrizes Darvas e Törőcsik guiando o realizador para uma carreira bastante eclética, que incluía uma nomeação ao Óscar de melhor filme em língua estrangeira com "Cat’s Play" (1974), mas seria com "Another Way" (1982), que atingiria o seu píncaro, uma história sobre um romance lésbico que foi em primeira instância nomeado pela Hungria para a representar nos Óscares, sendo depois a sua candidatura retirada por ordens de Kádár.
Makk nasceu na pequena cidade de Berettyóújfalu,, no leste da Hungria, onde o seu pai, Kálmán, era proprietário de um cinema, dando ao filho hipóteses de ver muitos filmes. Os pais, que tal como muitos húngaros perderam o seu negócio depois do país cair sob o domínio soviético. Ele inicialmente pretendia tornar-se engenheiro, uma profissão que era comum à sua família do lado da mãe. Em vez disso entrou para a indústria cinematográfica nacionalizada, onde trabalhou desde argumentista a realizador.
Károly Makk faleceu no passado dia 30 de Agosto, com 91 anos, e, nos próximos dias vamos aqui prestar-lhe homenagem, com a exibição de alguns filmes, entre os quais os mais importantes. Serão 6 filmes, já a partir de amanhã.