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terça-feira, 14 de julho de 2020

El Verdugo (El Verdugo) 1963

A história de um jovem tímido e simplório que se apaixona e casa com a filha do carrasco da região. Cabe-lhe, por sucessão, tomar o seu lugar quando aquele se aposenta. Mau grado escrúpulos e agonias, acabará por cumprir a missão. É tudo uma questão de hábito, dirá por outras palavras, o sogro. Ou como a rotina da morte gera a indiferença.
Em 1963, quando "El Verdugo" estreou no festival de cinema de Veneza, o embaixador espanhol em Roma, Alfredo Sanchez Bella, condenou o filme publicamente como propaganda anti-fraquista. Embora tenha ganho o Prémio Internacional da Crítica, a censura oficial condenou o realizador Luis Garcia Berlanga e paralisou temporariamente a sua carreira. "El Verdugo" teve uma estreia oportuna, pouco tempo antes do lançamento do filme três pessoas foram executadas em Espanha com a pena de morte: Julián Grimau, um comunista, e os anarquistas Francisco Granados Mata e Joaquín Delgado Martínez. Estes incidentes provocaram uma onda de criticas internacionais condenando o atraso do regime de Franco e provocaram um debate sobre a pena de morte em Espanha. Neste contexto sócio-político o filme de Berlanga era entendido como tendencioso e cúmplice da rejeição internacional do franquismo. 
"El Verdugo" não apenas condenava a prática da pena de morte em Espanha como também denunciava a paralisia social que resultava do regime ditatorial opressivo que aparentemente apenas começava a liberalizar. O clima politico repressivo estava em desacordo com as transformações culturais da década de sessenta, e as mudanças sociais que afectavam Espanha, como o rápido desenvolvimento económico e a chegada do turismo em massa. Berlanga ilustra a realidade ambivalente de Espanha, contrastando a persistência de práticas arcaicas com imagens de modernidade representadas pelo turismo em Maiorca. Pode-se argumentar que Berlanga também criticava a natureza repressiva e patriarcal do regime de Franco através do carácter de José Luis e a sua submissão aos mandados do seu sogro. Finalmente Berlanga lança um olhar irónico e crítico para as politicas urbanas franquistas e a dificuldade de encontrar habitações nas áreas urbanas em expansão. 
O extraordinário sentido de humor que opera ao longo desta história trágica faz deste filme uma comédia negra clássica e reflecte o excelente trabalho do co-argumentista Rafael Azcona, cuja experiência anterior com o neorrealismo influenciou claramente a forma e o conteúdo de "El Verdugo". 
Legendas em inglês. 

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quinta-feira, 9 de julho de 2020

Plácido (Placido) 1961

Um grupo de senhoras decidem comemorar a véspera do Natal com um jantar de caridade: cada dona de casa rica da cidade espanhola levaria um sem-abrigo para comer com eles. Um desfile também foi realizado, do qual participou Plácido (Casto Sendra), cuja família vive num banheiro público por causa da dificuldade de pagar o aluguer. Para complicar, o homem humilde tem de pagar a segunda prestação do seu veículo antes da meia-noite.
A filmografia de Luis Garcia Berlanga atinge o seu auge no inicio da década de sessenta, quando ele começa a trabalhar com o argumentista Rafael Azcona. Juntos fizeram, em pouco tempo, dois marcos do cinema espanhol que ofenderam o regime do general Franco, mas foram admirados no exterior: "Plácido" (1961), e "El Verdugo" (1963).
"Plácido" é uma comédia triste. Ao mostrar a moral deformada dos personagens dá-nos uma descrição desmistificante da Espanha da altura, e, por extensão, uma imagem devastadora da condição humana. As façanhas prosaicas de Plácido são usadas para mostrar a miséria dos seus concidadãos. Egoísmo, hipocrisia, e falta de consideração são os principais atributos dos seus personagens, com a burguesia provincial a esforçar-se para manter a aparência dos seus vizinhos e superiores. 
O argumento é contundente na descrição de hipocrisias mas também excecionalmente engraçado. O elenco é fudamental, e não foi por acaso que muitos actores deste filme não só trabalharam com Berlanga várias vezes, como também se tornaram estrelas e defensores da comédia espanhola. E o filme acabou por ser nomeado para o Óscar de Melhor Filme em Língua estrangeira. 
Legendas em inglês.

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domingo, 21 de junho de 2020

Paraíso Esquecido (Calabuch) 1956

No último filme antes da sua morte, o actor Edmund Gween interpreta o professor Jorge Serra Hamilton, um cientista nuclear que foge para uma vila isolada de pescadores do mediterrâneo para impedir que as suas teorias sejam usadas para fins militares. Em Calabuch as pessoas vivem em paz, longe da louca evolução da civilização, movimentando-se ao seu próprio ritmo, sobrevivendo de uma forma modesta, mas cheia de fraternidade e camaradagem. A chegada do professor irá trazer mudanças relevantes nesta pequena localidade.
Terceira longa-metragem de Luis Garcia Berlanga, (quarta se contarmos com "Esa Pareja Feliz", a meias com Juan Antonio Bardem) é um filme sensível, mergulhado no espírito das obras de Frank Capra. Isto faz do filme uma peça quase única na filmografia de Berlanga, acostumada a observações mais contundentes e a um humor mais sombrio. No entanto o filme ainda tem algumas provocações, lançando pequenas subversões que se manifestam discretamente, mas com bastante inteligência.
Matias, policia e carcereiro, trata os prisioneiros como se fossem convidados, deixando-os saír sempre que quiserem. A autoridade eclesiástica, isto é, o padre, tem uma mente aberta e jovial, que não era normal naqueles tempos. O Professor Hamilton diz a certa altura: "o que eu gosto em Calabuch é que cada um é o que quer ser, ninguém interfere na vida dos outros, todos se dedicam apenas à sua vida". Esse sentimento libertário é uma característica muito comum no cinema de Berlanga, que não hesitava em servi-la, mesmo tendo em conta a escuridão dos tempos que se vivia fora daquela pequena localidade, criando uma vila de essência utópica.
Legendas em inglês.

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sábado, 13 de junho de 2020

Esa Pareja Feliz (Esa Pareja Feliz) 1953

Juan luta por ganhar a vida como técnico no estúdio de cinema local, e está sempre à procura de um esquema para ganhar mais dinheiro. Tem um monte de diplomas de escolas por correspondência na parede, mas, não verdade, não consegue consertar um radio. A sua esposa, Carmen, é obcecada por concursos e sorteios. Por exemplo, comprar mais sabão do que o casal alguma vez precisará para ganhar um prémio. Um personagem "obscuro", que trabalha no teatro local, convence Juan a "emprestar" algum filme do estúdio onde trabalha, e investir o seu dinheiro e equipamento num negócio de fotografia.
Primeiro filme feito por dois realizadores - Juan António Bardem e Luis Garcia Berlanga, - depois de se formarem na Escola Superior de Cinema, realizado em 1951, mas que só viu a luz do dia dois anos depois, na sequência do sucesso de "Bienvenido Mister Marshall", o filme anterior deste ciclo, que também tinha sido escrito pelos dois, mas que tinha sido uma realização a solo de Berlanga. A inexperiência de uma primeira obra é evidente, mas contém muitos dos elementos que definiriam as respectivas carreiras no futuro, e tem de ser referido que Bardem e Berlanga seriam duas das vozes mais importantes do cinema espanhol das próximas décadas.
A combinação entre comédia (Berlanga) e melodrama (Bardem) emraizada num ambiente pobre e realista, que era invulgar no cinema espanhol da época. A representação de problemas como o desemprego e a habitação foram razões que atrasaram a estreia do filme. O filme toca em alguns pontos marcantes sobre a Espanha de Franco, que ainda ressoam algumas décadas depois, destacando as desigualdades sociais, e a censura, nunca perdendo de vista o encantador romance em apuros, que é o núcleo do filme. Conta ainda com uma grande interpretação de Fernando Fernán Gómez, uma das lendas da interpretação espanhola.
Legendas em inglês.

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sexta-feira, 12 de junho de 2020

Benvindo, Mister Marshall (Bienvenido Mister Marshall) 1953

Na pequena cidade de Villar Del Rio, em Espanha preparam-se para a chegada dos americanos depois do fim da 2ª Guerra Mundial. Os habitantes investem nos preparativos para impressionar os visitantes, esperando poder beneficiar-se do Plano Marshall. Há que pensar bem no que pedir aos novos amigos: um pedido por habitante, nem mais nem menos.
O facto da Espanha ter sido excluída do Plano Marshall (um plano americano de ajuda aos países afectados pela Segunda Guerra Mundial) já era conhecido, não tinham participado directamente na guerra mas tinham apoiado os fascistas e estavam agora sob uma ditadura, é a primeira indicação de que as correntes de subversão são facilmente encontradas no filme. As comédias britânicas da Ealing são talvez a comparação mais próxima próxima de critica social e comédia agradável realizada por artistas populares.
"Bienvenido Mister Marshall" é um dos filmes mais famosos e mais inteligentes da história do cinema espanhol, uma sátira brilhante e ao mesmo tempo minimalista e ambiciosa que utiliza um pequeno enclave bucólico e árido da Andaluzia, condenado a desaparecer devido à inexistência do caminho de ferro e ao esquecimento institucional da ditadura de Franco depois do desastre republicano na Guerra Civil Espanhola, para gozar com a idiossincrasia dos Estados Unidos e do Plano Marshall. 
Além do sucesso comercial, teve um grande impacto internacional que incluem 2 prémios no Festival de Cannes de 1953. Melhor comédia e uma Menção Especial. Legendas em inglês.   

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