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terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

A Caça (Cruising) 1980

"Cruising" é um filme único, embora seja um thriller baseado em assassínios reais de homens gays no bairro de Greenwich Village, em Nova Iorque, no final da década de 70, mas onde o interesse do espectador está no estado mental do personagem central,  em vez da resolução dos crimes. O filme retrata uma população gay caracterizada por uma vasta corrente oculta de inquietação enquanto procura saciar experiências. Os homens são retratados como constantemente em movimento, entrando e saíndo de clubes eróticos, tuneis no parque, quartos alugados, e cabines privadas em lojas de pornografia. Quando Steve Burns (Al Pacino), um heterossexual e inexperiente polícia de Nova Iorque é recrutado pelo departamento de homicídios para entrar disfarçado no submundo da cultura gay na busca do serial killer, acaba por apanhar os seus vicios.
"Cruising" de William Friedkin, foi lançado com um aviso de isenção de responsabilidade, destinado a desarmar o feroz antagonismo da comunidade gay, que tinha sido fortemente expressa em protestos durante a produção do filme. Segundo os produtores o filme não era uma acusação ao mundo homossexual, mas sim um pequeno segmento desse mundo, que não pretende ser representativo do todo. O filme provocou uma enorme onde de reacções, Gays do mainstream consideravam que o filme mostrava uma imagem homofóbica e obcecada por sexo da vida gay. Em contrapartida, alguns espectadores envolvidos no subcultura do mundo dos casacos de cabedal, elogiaram o retrato preciso de um estilo de vida pré-Sida, concentrado no sexo rápido.
A estreia de "Cruising" foi precedida por planos de protestos por todos os Estados Unidos, e o filme levou a classificação "R", embora muitos considerassem merecer a classificação "X". O filme estava, por exemplo, programado para estrear em São Francisco, mas antes o teatro que o iria exibir o filme foi pulverizado com graffitis anti-"Cruising", o que levou a Mayor da cidade a mudar a estreia para outro ponto da cidade. Piquetes e protestos marcaram a estreia em mais de 300 salas, o que levaram o filme apenas a ter uma bilheteira moderada. Friedkin era um realizador de primeiro plano, vinha de filmes de primeiro plano na década de 70, como "O Exorcista",  ou "Os Incorruptíveis contra a Droga", mas passados tantos anos "Cruising" é um grande filme de culto.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

O Exorcista (The Exorcist) 1973

 Adaptado de um livro do mesmo nome de William Peter Blatty, "O Exotcista" relata a história da jovem de 12 anos de idade cujo comportamento aparentemente normal se torna violento e anti-religioso. O filme traça a sua transformação e mostra como ela coincide com uma descoberta demoníaca de um padre jesuíta no Irão. À medida que Regan vai exibindo a sua faceta destrutiva, a mãe, uma actriz divorciada, começa a temê-la, e a tenta ignorar o seu comportamento agressivo, mas depois do noivo da mãe ter caído das escadas abaixo, e morrido, a jovem torna-se a principal suspeita, o que irá obrigar a mãe a procurar ajuda religiosa.
Os produtores de "The Exorcist" já esperavam polémica sobre o filme, uma vez que em algumas comunidades houve tentativas de censurar o livro no qual o filme era baseado. Várias cenas importantes foram citadas como especialmente questionáveis. Além de uma em que Regan se masturba com um crucifico, o filme mostra o Padre Karras a rezar numa capela enquanto uma estátua da Virgem Maria assume a aparência de uma prostituta. A MPAA atribuiu ao filme a classificação de "R", que a Conferência Católica dos Estados Unidos considerou demasiado tolerante, alegando que o filme merecia um "X". Os produtores também tiveram de lidar com alguns esforços que tentavam impedir o filme de ser mostrado em várias cidades, entre as quais Boston e Washington.
Realizado por William Friedkin, acabaria por se tornar num dos maiores sucessos de cinema de terror, vencendo o Óscar de Melhor Argumento, da autoria de William Peter Blatty, igualmente autor do livro.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

A Grande Jogada (The Brink's Job) 1978

Após um longo período de pouca sorte, o pequeno criminoso Tony e o seu gangue conseguem roubar um dos transportes de segurança da Brink e levar 30.000 dólares. Surpreendentemente, o golpe não chega à imprensa. Tony chega à conclusão que o quartel general tem uma segurança com um nível inacreditavelmente baixo. Por isso, começa a preparar um grande golpe...
"Sorcerer" foi um fracasso na bilheteira, e isso deixou mossa nas contas de William Friedkin, que teve de partir para um projecto mais barato. Surge assim "The Brink's Job", uma adaptação de um livro de Noel Behn, com argumento de Walon Green, e produzida por Dino de Laurentis. O filme era baseado em factos reais, ocorridos na década de 50.
Friedkin concentra-se, com a sua habilidade do costume, nos pequenos detalhes do assalto, mas com uma espécie de alegria irónica, é uma pequena cidade, e toda a gente parece saber o que Tony está a tramar, mas ninguém se importa. A comédia começa a fluir dos seus personagens, e das suas interacções, embora Friedkin a impeça de se tornar satírica.
O filme vale também pelo grandioso elenco: Peter Falk no papel principal, e um enorme elenco de apoio: Peter Boyle, Allen Garfield, Warren Oates, Gena Rowlands, Paul Sorvino...chega?

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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

O Comboio do Medo (Sorcerer) 1977

""Sorcerer" é dedicado ao diretor francês Henry-George Clouzot, que em 1953 realizou uma primeira versão, "O Salário do Medo", baseado no livro de Georges Arnaud. E que me perdoem os fãs deste último, que é um filmaço sem dúvida alguma, mas o trabalho de Friedkin neste remake é incrivelmente superior, provando que refilmagens de verdadeiros clássicos consagrados podem dar certo. Mas também não precisam exagerar como se faz atualmente em uma quantidade absurda de remakes que param nas mãos de vários diretorzinhos medíocres sem personalidade alguma.
Aqui é outro caso. William Friedkin já tinha no currículo "Os Incorruptíveis Contra a Droga" e "O Exorcista", duas obras da maior importância em seus respectivos géneros, além de possuir um talento único na direção e na concepção de suas idéias. Mesmo assim, são várias as histórias de bastidores sobre as dificuldades de levar "Sorcerer" às telas de cinema; desde os problemas em arranjar dinheiro para a produção, as filmagens no local (que colocou em risco a vida da equipe em várias situações), um furacão que atrasou o trabalho e até mesmo na escolha do elenco. De todos os atores principais, apenas um desconhecido, chamado Amidou, foi a primeira escolha de Friedkin. Steve Mcqueen, Clint Eastwood e Jack Nicholson foram cotados para viver o protagonista. Todos recusaram por algum motivo. Acabou mesmo com o Roy Scheider, que já havia trabalhado com o diretor em "French Connection".
A trama principal é basicamente a mesma de "O Salário do Medo", apenas muda a contextualização histórica, sobre um grupo de homens que tem a missão de transportar uma carga de dinamites velhas (com vazamento de nitroglicerina correndo o risco de explodir a qualquer movimento brusco; no caso do filme francês, era apenas a nitroglicerina liquida mesmo) em caminhões caindo aos pedaços, pelas florestas de um país tropical. Diferente do original também, Friedkin enriquece o seu filme ao aprofundar-se nos personagens, mostrando os motivos que os levaram a estar naquele vilarejo no fim de mundo, o que toma quase a metade do filme, mas não se preocupem, porque Friedkin nunca deixa que a narrativa perca sua força. É apenas uma preparação perfeita para a outra metade, a missão suicida que deixa o espectador tenso, vendo a avó pela greta.
O poder visual do filme sob a batuta da direção crua de Friedkin talvez seja o ponto mais significativo do filme, sempre tratando os eventos e a ambientação de miséria e violência com um realismo impressionante, com uma linguagem quase documental. A cena em que o comboio atravessa uma ponte completamente instável é um verdadeiro espetáculo cinematográfico, de colocar o publico de joelhos! Uma pena que "Sorcerer" tenha sido um fracasso de bilheteria. Mas é um filmaço altamente recomendável." Ronald Perrone

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terça-feira, 11 de novembro de 2014

A Caça (Cruising) 1980



Steve Burns é um jovem detective que acaba de receber ordens do Capitão Edelson para resolver o caso de uma série de assassinatos brutais que estão a aterrorizar a comunidade gay de Nova Iorque. Com o seu aspecto, moreno de olhos e cabelos escuros, Steve encaixa no perfil das vítimas, mas terá de aprender e praticar as complexas regras desta subcultura para conseguir atrair o assassino...
Já passaram mais de 30 anos desde que este filme fracassou nas salas de cinema, quando estreou, mas desde então a crítica ao filme deu uma reviravolta de 180 graus. Em 1980 a imprensa homossexual criticou o filme violentamente por apresentar um retrato negativo da vida gay. No entanto, nos anos mais recentes, o filme tem sido visto como uma visão pro-gay, tendo sido injustamente criticado e estigmatizado na data da sua estreia, apesar das boas intenções estarem presentes. Porque nada mudou sobre o filme nos últimos 30 anos este foi reavaliado, por causa das mudanças culturais no seu país.
Hoje, os principais pontos de vista culturais são totalmente diferentes da década de oitenta, quando Ronald Reagan entrava pela primeira vez na Casa Branca e a sida ainda era uma doença desconhecida por esse mundo fora. Alguns dizem que eram tempos melhores, outros dizem que era uma época repressiva, conservadora, que suprimia os grupos minoritários e reprimia a expressão humana.
Como filme "Cruising" é notável, mergulhando no homo eroticismo que quase nunca é visto nos filmes de hoje. William Friedkin gozava do sucesso de "The French Connection" e "O Exorcista", e tinha uma estrela maior no elenco, Al Pacino. Mesmo assim, a sexualidade não filtrada transpira por todos os poros, recusando-se a refinar ou coíbir os detalhes da vida gay dos anos 70. Foi chocante na altura, e é chocante agora, não no sentido ultrajante, mas pela sua franqueza documentarista.

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sábado, 16 de março de 2013

Viver e Morrer em Los Angeles (To Live and Die in L.A.) 1985


Dois policias em Los Angeles (William Petersen e Dean Stockwell)  tentam capturar o cruel criminoso Eric Masters (Willem Dafoe). De seguida, um deles é morto por Masters, e o outro jura vingança, não importa a que custo. De seguida, a caça ao homem torna-se uma obsessão para lá da lei, uma vez que a causa que ele jurou defender deixou de ter sentido.
Se há algo para ser dito sobre William Friedkin, é que ele é um homem que destrói todas as expectativas. Nunca estamos seguros no seu mundo. Precisamente quando pensávamos que Popeye Doyle tinha o seu homem na mão em "French Connection", vêmo-lo ficar de mãos a abanar. "O Exorcista" caminhou para excessos nunca explorados antes, e quando pensávamos que tudo estava terminado, temos um enorme twist. Naquele que foi comercializado como um thriller mainstream para Al Pacino, "Cruising", tornou-se numa incursão ao mundo surreal da homossexualidade, acentuado na última cena com uma ambiguidade sexual que nunca tinha sido vista no cinema de Hollywood, nem antes, nem depois. Friedkin regressou, em 1985, ao território do policial duro, "Viver e Morrer em LA" é um jogo inteiro de expectativas. São tantas as voltas e reviravoltas que se reúnem num filme que se sente ser o mais completo e satisfatório de todo o trabalho de Friedkin. O twist final é menos anti-clímax e tematicamente mais adequado do que o de "French Connection", enquanto que o sangue e a violência extrema dão a Los Angeles um realismo bastante corajoso, em comparação com o excesso desnecessário do vómito e a ofensividade de "O Exorcista".
Uma sequência de nudez frontal de William Petersen tira qualquer dúvida de que este filme não vai jogar pelas convenções do cinema mainstream, mas é com o final que tudo isto vai ficar mais explicíto. No confronto final entre Petersen e Dafoe, acontece algo, que eu não vou falar aqui, mas que vocês vão ter que ver o filme. Esta sequência rebenta com todas as expectativas de um filme policial, mas também parece, paradoxalmente, a mais realista.
De realçar que Willem Dafoe teve aqui um dos seus mais brilhantes papéis, como o vilão do filme. 


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