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sexta-feira, 18 de maio de 2018

Três Palmeiras (Três Palmeiras) 1994

Lisboa, num dia de Inverno de 1994, entre as seis e as catorze horas. Uma mulher de quarenta anos desespera ("ter a idade que tenho e não saber nada de ter filhos") nas últimas oito horas que precedem o nascimento do seu primeiro filho. Entre risos e lágrimas, o seu companheiro, um homem muito mais novo do que ela, inventa-lhe histórias que coincidem com as horas que passam e lhe aliviam a dor. Trágicas, cómicas, caóticas e alucinadas.  No preciso momento em que, ao princípio da tarde, o cadáver de um dos personagens é retirado do rio, um recém-nascido solta os primeiros e emocionantes berros da vida. De manhã, Lisboa é assim.
"Um freixe de histórias entrecruzadas num filme que faz manhã em Lisboa. A cerzidura é precária, mas não o material de base onde onde se entrevê um sem número de hipóteses para outros tantos filmes, possíveis de construir isoladamente, com outro tempo, outra respiração. Filmes em géneros diversos, do melodrama ao musical, da história de amor ao registo fantástico, expostos como numa montra de charcutaria. E tal como aí, uma a uma, é provável que as "delicatessen" fossem de aprovar. Em conjunto é quase certo que os sabores se anulem e que haja indigestão em perspectiva". Jorge Leitão Ramos.

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quinta-feira, 10 de maio de 2018

Um Passo, Outro Passo e Depois... (Um Passo, Outro Passo e Depois... ) 1991

Início da carreira de Manuel Mozos, Um Passo, Outro Passo e Depois… tornou-se uma obra praticamente invisível. Porque, depois da perda dos materiais originais, só pode ser visto numa versão transcrita para vídeo, com péssima imagem (sem definição, cheia de “flou”, com as cores alteradas e deterioradas) e som em não muito melhor estado, que não é Um Passo, Outro Passo e Depois…. Apenas, infelizmente, a sua ruína.
 E que podemos adivinhar a partir deste pequeno destroço sobrevivente? Em primeiro lugar, uma gritante contiguidade entre Um Passo… e o Xavier que pouco depois começaria a ser rodado. É verdade que alguns actores (Pedro Hestnes, Sandra Faleiro, Cristina Carvalhal) passaram de um filme para o outro, e que esse pormenor influencia a sensação de proximidade. Mas esse pormenor é apenas isso, um pormenor. Porque o tipo de personagens é bastante semelhante: jovens mais ou menos perdidos em paisagens semi-urbanas, ou na fronteira entre o urbano e o rural (a julgar pelo genérico final, o filme foi rodado na zona de Oeiras e Paço de Arcos). Os lugares são também bastante semelhantes: escolas, cafés, cenários duma espécie de “urbanismo incompleto” (ver a sequência nocturna, nas obras). O modo narrativo, mesmo que aqui se aposte numa linearidade que não seria a de Xavier, contém já alguns sinais do que Mozos depois desenvolveria com outro fôlego e outra amplitude: repare-se nas elipses, nos saltos espaciais e temporais, nos espaços em branco que ficam por preencher nas relações entre as personagens, espaços esses que o decorrer do filme se encarrega de esclarecer (ou não). 
 A que podíamos acrescentar a profunda melancolia que percorre todo o filme – e de que o “confronto” entre o grupo de jovens e o velho contínuo Nogueira (Canto e Castro) é simultaneamente um veículo e o ponto de chegada. Nogueira – grande interpretação de Canto e Castro – é uma personagem fascinante, no seu mutismo solitário, na sua marginalidade auto-imposta (“a minha vida está muito bem assim”, diz a certa altura). Mas também é tudo menos uma personagem “transparente”, e há uma relação de poder (o magro poder que lhe confere o estatuto de contínuo) muito interessante e muito equívoca entre ele e o bando dos miúdos: a noite da perda das chaves, passada entre o orgulho e a humilhação, confere à personagem uma complexidade fascinante, uma espécie de brilho “opaco” que a vai tornando cada vez mais perturbante.
Texto de Luis Miguel Oliveira

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domingo, 1 de janeiro de 2017

Malvadez (Malvadez) 1991

Vindo do Fundão para Lisboa, onde não estava desde o serviço militar, Matias descobre que a realidade da cidade não é exactamente a que se lembrava.
""Malvadez" começa a mostrar um tanto o que é isso de um telefilme primeira obra de um realizador. Isto é, uma ficção sangrenta e ingénua, uma história algo esfiapada mas uma nítida vontade de cinema (veja-se como os planos são todos plasticamente pensados - mais os planos que a cena, é curioso), indecisões, acertos, desvios, fixações (ah, "Os Verdes Anos"). Ainda não um argumento talhado a preceito (quantas irrespondidas ou personagens sem precisa utilidade dramática: porque é que aquele tipo está no Fundão, quem é e para que serve a personagem de Maria Amélia Matta, quem utilidade tem o personagem de Isabel Ruth?..). Ainda não tem um espaço social definido com rigor. Mas já credibilidade. Mas já actores a fazer de gente possível (Pedro Hestnes, Miguel Guilherme, Vitor Norte e Sónia Guimarães a cumprir bem e com acuidade). Mas já uma atenção sonora (muito boa a música de Bochmann, embora Luis Alvarães a use, com destreza, para colmatar problemas de montagem, fazendo um "continuum" musical para que as coisas colem com mais maleabilidade - e quem lhe atira a primeira pedra?). Mas já cinema a acontecer. A começar a balbuciar-se com jeito. A mostrar vontade e vocação. O que é o essencial, porque estamos a falar de começo, de prova de aptidão profissional, de primeiros sinais.
Tudo adicionado e ponderado, estamos de parabéns. Vimos nascer um cineasta. Se grande, se minorca, se audaz ou se rotineiro, isto só veremos ao longo do futuro, se o futuro não for avaro para Luis Alvarães. A primeira barra foi transporta, sem lugar para entusiasmos desmedidos, nem imprecações sumárias. É isso apenas o que sabemos, e isso é bom."
Texto publicado no Expresso, em 13-71991.

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Aqui na Terra (Aqui na Terra) 1993

Miguel, um economista bem estabelecido na vida, fica profundamente afetado pela morte do seu pai. Começa a sofrer de alucinações, perde interesse no seu trabalho e desliga-se da sua mulher. Entretanto, longe da sua cidade, dois jovens provincianos, António e Cecília, estão apaixonados. O primeiro mata um homem que abusava de Cecília, que por sua vez está grávida. António, apesar de não ser o pai da criança, aceita-o como seu. A família e a comunidade rejeitam Cecília que, por ironia, encontra apoio e auxílio junto da viúva do homem que António matou. 
João Botelho realizou e escreveu "Aqui na Terra" em 1993, confirmando, mais uma vez, a qualidade e a inteligência do seu cinema. Refletindo sobre um país de altos contrastes e clivagens sociais, económicas e culturais, Botelho tenta estabelecer inesperadas ligações emocionais entre o campo e a cidade, a partir das distintas histórias de dois casais em crise. Dois casais que, apesar de evoluírem em distintos universos, acabam por cruzar as suas trajetórias, angústias e problemas, ?Aqui na Terra? de todos e de ninguém, num país desconcertante e ambíguo. Botelho, como sempre, domina de forma soberba as atmosferas plásticas de um filme envolvente e tocante, servido por um belo elenco que conta com as participações de Luís Miguel Cintra, Jessica Weiss, Pedro Hestnes e Rita Dias. 

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Xavier (Xavier) 1992

Xavier entra na idade adulta. Em criança tinha sido entregue pela mãe num orfanato onde passou a infância aos cuidados da freira Irmã Maria da Luz e com a amizade de Hipólito. Na adolescência foi adotado pelos Alves, um casal burguês, com uma filha, Luísa, um pouco mais nova que Xavier. Os Alves impediram-lhe qualquer contacto com a mãe, mas proporcionaram-lhe uma vida condigna. Até que a rebeldia própria da idade e um grave percalço fizeram com que Xavier se afastasse, indo cumprir o serviço militar algures, num local distante de Lisboa. Agora a tropa terminou e regressa à capital. Vamos seguir-lhe os passos. Os seus gestos, os seus movimentos, os seus olhares, os seus tremores, os seus temores, os seus sentimentos. Através dele e daqueles com que a sua vida se cruza.
Na altura que saíu o filme, João Mário Grilo escreveu o seguinte sobre Xavier:
"Eu sei que talvez devesse aproveitar este espaço para falar, esta semana, dos muitos filmes de que toda a gente fala e que vão passando (mais ou menos meteoricamente) pelas salas portuguesas: são os últimos dos irmãos Warchowski (Matrix Revolutions), de von Trier (Dogville), de Tarantino (Kill Bill), de Gus van Sant (Elephant) ou, mesmo, a obra-prima sui generis e admirável que é India Song, de Marguerite Duras, que a Atalanta Filmes repôs em cópia nova, abrindo um ciclo dedicado à obra notável desta não menos notável e singularíssima cineasta. Em vez disso, porem, vou aqui despedir-me de um filme que não sei quando tornarei (quando tornaremos) a ver: Xavier, o primeiro filme de Manuel Mozos, que estreou, vai para um mês, e que ainda está em exibição, por enquanto, numa única sala de Lisboa e num único horário. 
Xavier não merecia tal destino, embora, em boa verdade, se possa (e deva) dizer que é o país – que cada vez mais se estupidifica – que não merece tal filme. E Xavier até esteve para nunca ser. Durante doze anos, Manuel Mozos lutou para conseguir que o seu filme sobrevivesse à falência do co-produtor francês. Entretanto, chegou mesmo a estrear o seu segundo filme (Quando Troveja, em 1998), e não é o menor dos sortilégios que, num país de raros filmes e raros cineastas, uma primeira-obra estreie depois da segunda. Isso marca bem uma diferença – o filme quase parece de "época" –, mas as diferenças de Xavier não são realmente essas. Já antes de mim houve quem escrevesse que se Xavier tivesse estreado na altura em que foi feito, muita coisa podia ter mudado no cinema português. Porque Xavier – história de um rapaz (Pedro Hestnes) em rota de colisão com uma cidade (Lisboa) – esconde, realmente, a promessa de um novo cinema novo português, o cinema de uma nova gerarão que é, talvez, doze anos depois, o que mais falta nos faz.
E nada disto é só (sem o deixar de ser, completamente) por o filme tanto nos fazer lembrar a alma, o sangue, o nervo e o músculo de Verdes Anos, filme realizado por Paulo Rocha, há quarenta anos, e que iniciou, então, uma revolução radical no status quo apodrecido da cinematografia portuguesa da altura. Xavier é um filme com um idioma próprio, sonhado e feito, totalmente, nas margens das imagens dominantes (mesmo as do cinema, para já não falar das da televisão), e que parte, solitariamente, à descoberta de uma nova poética portuguesa, que não é só cinematográfica. Do filme, guardo muita coisa: por exemplo, o risco elíptico e brutal, que fende o filme em ligações surpreendentes, o "casal" Hestnes/Isabel Ruth (Laura, a mãe), a relação fraterna entre Xavier e Hipólito, o fundo palpitante da cidade (soberbo o plano em que Xavier conserta uma antena num telhado de Alcântara). De tudo isso, no entanto, o que mais me fascina é essa vontade de tecer todo um filme à volta de um único protagonista, um grande, paciente e magnífico gesto de humildade, absolutamente incomum no cinema português, e que faz com que Xavier, apesar do atraso com que nos chega, mantenha, para sempre – sabemo-lo hoje – a força genuína de uma mudança, que o filme nunca deixará de ser, realmente. Foram doze anos; mas parece, apesar de tudo, que ainda há tempo."
Tirado daqui. Podem ler mais sobre o filme aqui, e aqui. E penso que está tudo dito.
TV Rip.

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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

O Sangue (O Sangue) 1989



Talvez o mais abertamente bressoniano dos filmes de Pedro Costa (embora impregnado com as sombras de um filme de Jacques Tourneur), o primeiro filme de Costa, O Sangue, no entanto, traz a marca característica do que viriam a ser as suas preocupações mais familiares: pais ausentes, famílias substitutas, fantasmas inconciliáveis​​, o trauma e a violência do deslocamento, a dor (e isolamento) de saudade. A convergência temática é perspicaz revelada num episódio que ocorre perto do final do filme, quando o irmão mais velho Vicente (Pedro Hestnes), tendo sido mantido em cativeiro pelos associados nefastas do seu pai na véspera de Ano Novo numa tentativa para recolher a dívida não paga do pai dele, desperta na escuridão de um apartamento desconhecido para a visão de uma silhueta inquieta na varanda - a sombra projetada pela amante do seu pai ( Isabel de Castro).
Costa estabelece uma atmosfera sinistra, explode a violência na sequência de abertura do filme: o som prefigurando de uma porta batida e pés apressados ​​que, posteriormente, revelam um shot frontal de Vicente numa estrada enlameada, como ele é , e de repente leva uma chapada do seu pai rebelde enquanto intencionalmente bloqueia o seu caminho, tentando impedi-lo de sair, implorando-lhe para mostrar consideração para com o filho mais novo Nino ( Nuno Ferreira ), que foi deixado sozinho em casa no meio da noite. 
A história é a de Vicente (Pedro Hestnes) e do irmão mais novo Nino (Nuno Ferreira), e a estreita ligação com a jovem Clara (Inês de Medeiros), contada como uma fábula tágica. Gravemente doente, o pai (Canto e Castro), está consistentemente ausente, deixando os irmãos a se defenderem sozinhos, quando ele viaja para começar o tratamento. Na esteira da morte do pai, Vicente é deixado a cuidar da família e proteger o irmão da verdade. Mantendo os credores do pai longe da familia, luta com o tio (Luís Miguel Cintra) para manter a família unida, e os dois rapazes, eventualmente, acabam por poder ser separados.
Esta é uma peça marcante e um filme verdadeiramente transnacional, reunindo as facções, muitas vezes opostas do cinema mundial com desarmante facilidade para criar algo completamente original. Não diz nada sobre o que é ser Português, e reflete pouco dessa cultura. O único marcador de identidade é a língua em que eles falam. No entanto, esta não é nenhuma forma de crítica de Costa, nem nada que se pareça, não há traição da cultura, não vende para fora para se conformar e fazer o filme mais acessível, para um público mais amplo. Sangue é um filme mais preocupado com o universal, com o fazer e dizer sobre a vida, com as nossas conexões emocionais com o mundo e todos os cidadãos que a compõem. Raramente este mundo pareceu tão estranho, tão deslumbrante ou tão bonito.

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Casa de Lava (Casa de Lava) 1994



Quando começou a trabalhar em Casa de Lava, Pedro Costa contava fazer um remake do filme de Jacques Tourneur, I Walked With A Zombie. Conceitualmente, é uma idéia intrigante, mas visualmente, é ainda mais tentadora a considerar. Já bem ciente do trabalho de Tourneur, e de outros filmes do período da RKO, e a capacidade de Costa para tirar um espectro de luz e profundidade em imagens a preto e branco, esperava-se ver um filme semelhante à sua estreia, o Sangue, repleto de iluminação, em que o horror e os mortos-vivos se tornariam, ouso dizer ... bonitos. Aqueles que estão familiarizados com o trabalho de Costa, naturalmente, sabem que Casa de Lava é o primeiro dos seus filmes a ser filmado a cores. Graças a Costa e ao seu diretor de fotografia Emmanuel Machuel ( bem conhecido pelo seu aclamado trabalho com Robert Bresson, entre outros), estávamos prestes a ver um novo mundo, ou, mais especificamente, as ilhas pitorescas de Cabo Verde, como nunca antes tinham sido vistas.
Casa de Lava começa com violência, não com a morte sangrenta de um inocente prestes a renascer como um zombie, mas com erupções vulcânicas, lava vermelho-laranja surgindo diante de formações rochosas pretas, que se parecem com as de um planeta numa galáxia muito distante do alcance da nave que levou Georges Méliès em La Voyage dans la lune / A viagem à lua . Essas cenas iniciais, filmadas com o impulso de um documentarista, são inicialmente confusas. Em retrospectiva, parecem estar em desacordo com o resto do filme. No entanto, quando tiramos um tempo para refletir - e Casa de Lava é um filme que inspira muitas análise pós-créditos - a sequência é na verdade uma metáfora visual inteligente para os grandes temas do filme. A lava, brotando livre das profundezas da terra , ecoa a situação da enfermeira Mariana ( Inês de Medeiros, também protagonista do primeiro filme de Costa) e os outros cabo-verdianos. Eles também estão presos, lutam para se libertar, querendo ir para o continente (Lisboa), determinados a fazê-lo antes de morrer. Esses fluxos de lava também trazem consigo grande ameaça e perigo, uma tendência presente em todo o filme. Quando a tensão finalmente se torna maior, não é só a lava que irrompe, mas a raiva e muitas vezes a violência , frequentemente direcionados ao visitante estrangeiro Mariana.

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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Agosto (Agosto) 1988



Enquanto Portugal continua envolvido na Guerra em África, Carlos, um violoncelista, passa as férias de Verão na praia com um casal amigo, Alda e Dário. O mundo parece-lhes distante, o que os leva, aos três, a experimentar os ritos da amizade e solidão.
"Agosto" é o oposto das chamadas fitas de Verão, como as paixões que lá se contam estão nos antípodas dos amores de praia. No ramo subtil e luminoso de Rohmer, nasceu um fruto pesado e escuro de Antonioni - contudo, é manifesto que este trabalho não vive da receita mas da intuição do autor que nas imagens se traduz pela procura do vibrátil como substituto do latente.
A excelente fotografia de Acácio de Almeida dá textura a esta aposta. Ela é quase mimética da ofuscação de Carlos, voyeur hipersensível que se deixa encadear pelas projecções da sua própria solidão. Na base do triângulo passional, a relação de Dario e Alda, tão vulgar que o torpor pode parecer um poço de mistério.
Se há pecado a censurar a Jorge Silva Melo, será talvez o excesso de requinte com que sacrifica a caótica expressão da vitalidade das suas personagens - todas elas "jovens" - em favor da cruel ambiguidade dos afectos - embora as margens do enredo se tinjam com as cores fortes do sangue, do sexo e da loucura e, para além dessas, se erga o cerco fantasmático de um fascismo e de uma guerra.
A tensão e a tristeza na maneira de abordar a amizade masculina - trata-se de um abeiramento porque a mulher funciona como amortecedor da tal queda em si que Camus descreveu - faz deste filme um caso raro de contenção e despudor. E, como quem não quer a coisa, Silva MeIo coloca-nos nos braços a questão de uma força anímica e inconsciente poder reger melhor a vida do que o diabo a pinta. Na balança, que é aqui o signo solar, pesa-se o estéril e o fértil.
Pedro Hestnes desempenha um dos seus papéis mais memoráveis, e Pedro Costa é assistente de realização, um ano antes de fazer "O Sangue".

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