terça-feira, 19 de março de 2024

Adeus, Até ao Meu Regresso (Adeus, Até ao Meu Regresso) 1974

A guerra colonial na Guiné. Alguns casos significativos entre as variadas experiências que afectaram milhares de soldados portugueses que ali combateram. As Mensagens de Natal para as famílias na Metrópole. Histórias que rondam o patético, a ironia, o absurdo, ou pontuadas pelo pitoresco sentimental, a amargura, o irreparável sofrimento. Filme para televisão, Adeus até ao Meu Regresso é um dos testemunhos da viragem no interior da RTP que o 25 de Abril provocou. Parafraseando, no título, a frase feita com que inúmeros soldados portugueses davam as suas "mensagens de Natal" (na televisão) durante o período da guerra colonial, Adeus até ao Meu Regresso faz-se e estreia-se precisamente quando, pela primeira vez, a guerra dava lugar à paz e os soldados regressavam enfim: em Dezembro de 1974.Através do testemunho de soldados que haviam vivido a guerra na Guiné (a primeira colónia portuguesa a obter a independência após o 25 de Abril), António Pedro Vasconcelos dá-nos a dimensão de um conflito armado mas sobretudo o que dele restava na consciência do povo. Da revolta à resignaçâo, dos traumas às dúvidas, das afirmações às interrogações. Documento agarrado ao vivo, em cima da dor e do regresso, este filme é bem o retrato da retaguarda e da memória da guerra colonial, o único que, curiosamente, o cinema português ousou fazer.

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segunda-feira, 4 de março de 2024

A Força do Atrito (A Força do Atrito) 1993

Portugal 1997. Um acidente nuclear deixara o país sem energia e dividido em Zonas, algumas das quais estão interditas por causa da contaminação. A crise económica é grave e o desemprego quase total. Afonso, Vítor e Diniz, na véspera da transferência de Afonso para uma Zona onde iria trabalhar, aproveitam um automóvel abandonado na sequência de um assalto a umas bombas de gasolina para fazerem uma festa de despedida. A viagem é acidentada. Perdem o automóvel e quando querem regressar os problemas surgem...
"Com argumento de Luís Alvarães e Pedro Ruivo a partir de uma ideia deste e de Edgar Pêra, de 1993, "A Força do Atrito", ficção do início dos anos noventa, projeta a história de um acidente nuclear no Portugal de 1997, que deixa o país sem energia e com zonas interditas por contaminação. Para além da catástrofe, a situação do país é descrita como a de uma grave crise económica e desemprego profundo." Cinemateca.
Uma das grandes pérolas desconhecidas do cinema português, a estrear aqui publicamente. Uma excelente equipa de produção, que além da realização de Pedro M. Ruivo (única longa metragem), e argumento de Luis Alvarães e do próprio ruivo, conta com fotografia de Daniel Del Negro e montagem de José Nascimento e Luis Sobral. Uma autêntica dream team.

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