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domingo, 31 de março de 2019

The Tribulations of Balthazar Kober (Niezwykla Podróz Baltazara Kobera) 1988

Balthazar Kober (Rafal Wieczynski) é um jovem que se aventura pela Alemanha assolada pela peste do Século XVI. Possuído com poderes mágicos, o jovem Balthazar pode invocar o Anjo Gabriel ou a sua falecida mãe (interpretada por Emmanuele Riva). O herói é ajudado por um sábio filósofo
(Michael Lonsdale) que guia o viajante órfão enquanto viaja. A história é tirada de um livro do autor francês Frederick Tristan.
A história leva-nos a uma sociedade tumultuosa, onde a alfabetização e a divulgação de novas ideias ameaçam a ordem estabelecida. O nosso herói persegue uma mulher no submundo, num reverso da lenda de Orfeu, e é perseguido por um agente que parece não ser desde mundo. Com todos os bons contadores de histórias, Wojciech Has nunca explica tudo, mas a linda fotografia do filme a cores, e o perfeito senso do ritmo acompanha-nos na jornada de Kober.
O realizador Wojciech Has era conhecido por ter uma personalidade altamente individual, evitando condicionamentos políticos ou comerciais. Era um autor independente, e embora os seus melhores filmes tenham sido criados durante o auge da "escola polaca", continuou a fazer grandes filmes nas décadas seguintes. Devido à singularidade da sua linguagem, foi muitas vezes considerado um visionário dentro da filmografia polaca. "The Tribulations of Balthazar Kober" era o seu derradeiro filme, realizado 12 anos antes da sua morte.  Foi nomeado para o Leão de Ouro do Festival de Veneza, mas o grande vencedor desse ano seria Ermanno Olmi.
Legendas em Inglês.

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terça-feira, 14 de agosto de 2018

The Hourglass Sanatorium (Sanatorium pod Klepsydra) 1973

"Józef (Jan Nowicki), viaja de comboio até ao sanatório onde o seu pai está internado, na Polónia antes da II Guerra Mundial. Ao chegar, sente estar num mundo diferente, onde o tempo pode voltar para trás. Józef é assim levado numa viagem interior, onde memórias e fantasias se misturam. Desse modo redescobre os seus pais, com quem conversa de novo, vê imagens da história com soldados coloniais, convive com judeus da sua cultura, nos ghettos onde cresceu, assiste a discussões teóricas, observa a política do seu tempo através de bonecos de cera, e revive episódios do seu passado, envolvendo as raparigas que amou.
Wojciech Jerzy Has foi um prolífico realizador polaco, que escapou à tradição de filmes políticos do seu período, preferindo dedicar-se a temas psicológicos e abstractos. Exemplo são os seus filmes de cariz surrealista como “Sanatorium pod Klepsydra”, que em Portugal passou apenas na televisão como “Sanatório Clepsidra”. 
 No sanatório que dá nome ao filme, como nos é explicado logo no início pelo médico residente, o tempo não passa como lá fora. De facto, pode retroceder sempre que queiramos, o que é testemunhado pelo personagem principal Józef (Jan Nowicki), quando após a sua chegada, pode, através de uma janela, ver-se no exterior ainda a chegar. Essa peculiaridade temporal é o mote para as viagens ao passado de Józef, feitas de um modo perfeitamente caótico. 
 Mais que viajar para o passado, Józef experimenta um misto de fantasia e reminiscência, que o conduz aleatoriamente de sala em sala, de pensamento em pensamento, de episódio em episódio. Sem o controlar Józef vê-se interpelado pelas mais estranhas personagens, que surgem e desaparecem como fantasmas da sua imaginação. Do mesmo modo, vê-se transportado de um para outro cenário sem qualquer explicação lógica, e pelos meios mais insólitos, como seja passar por de baixo de uma cama, e surgir num jardim do sanatório. 
 Se no início Józef tem como único objectivo inteirar-se do estado de saúde do seu pai, estranhando a decadência do edifício, logo passa a aceitar aquela realidade fantasiosa, interagindo com os restantes personagens de modo natural. É assim que encontra o seu pai, de boa saúde, em diferentes contextos, redescobre a sua mãe, participa em discussões com o médico e um ornitólogo, tenta fazer sentido do seu mundo através de um livro de selos de uma criança, assiste a batalhas coloniais e participa em discussões de política, onde os personagens são bonecos de cera. Józef redescobre ainda pessoas do seu passado, como os judeus do ghetto onde cresceu, as raparigas que amou, amigos de infância. 
 Tudo isto acontece numa mansão onde o tempo e o espaço não têm relevância. Cada porta pode, de cada vez que aberta, levar a um local diferente, exteriores e interiores confundem-se, e para passar de um local a outro, tanto se pode passar por debaixo de uma cama, subindo uma escada, ou afastando umas cortinas. 
 O principal trunfo de “Sanatorium pod Klepsydra” é, no entanto, a sua mise-en-scène, resultado de uma excelente produção. Através de cenários elaboradíssimos, o sanatório ganha uma vida incrível, onde cada cenário é ricamente detalhado, e cada espaço uma surpresa de extrema beleza. 
 Não é difícil imaginar o filme como um sonho, onde tempo e espaço pouco significam, a lógica fantasiosa é naturalmente aceite pelo protagonista, e os personagens e as conversas surgem fora de lugar, num ritmo caótico sem qualquer lógica aparente. A história é por isso uma viagem interior de alguém a contas com o seu passado, num momento em que a perda do seu pai o torna emocionalmente mais frágil. 
 “Sanatorium pod Klepsydra” venceu o Prémio do Juri do Festival de Cannes em 1973. mesmo contra a vontade das autoridades polacas, que viam no filme um ataque às condições dos hospitais do país, e um enaltecimento da cultura judaica, reprimida na Polónia."
Filme escolhido pelo José Carlos Maltez. O Texto também é seu, do seu blog.

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terça-feira, 7 de maio de 2013

O Manuscrito de Saragoça (Rekopis Znaleziony w Saragossie) 1965



A reputação deste filme polaco, épico surrealista, precede-o e Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, Jerry Garcia (dos Grateful Dead), Luis Buñuel e David Lynch são todos fãs, e o filme é muito interessante com estudo de um fluxo narrativo. Começa durante as Guerras Napoleónicas com soldados rivais a descobrirem o manuscrito do título. A "história", de seguida, salta para Alfonso van Worden (Zbigniew Cybulski), que aparentemente casa-se com duas princesas que só pode ver em sonhos. Seguimos Alfonso em viagem por algum tempo, mas ele acaba por se tornar uma personagem secundária com os outros a assumirem mais relevância, a contarem as suas próprias histórias.  
Personagens dentro de flashbacks a contarem histórias, que levam a outros flashbacks. A certa altura, quatro ou cinco flashbacks dentro uns dos outros. É um filme digno de Walter Benjamin ou Jorge Luis Borges, mas é bastante surpreendente de descobrir esta pequena obra.  
É fácil de perceber porque Buñuel era fã, o filme apresenta o seu tipo de humor e erotismo. Uma equipa de fãs do filme reuniram-se em 1990 para restaurar a longa-metragem aos seus 182 minutos.
O tempo comporta-se de maneira imprevisível, as noções de realidade e fantasia, e histórias pessoais e nacionais dolorosas são examinadas em dois filmes do realizador polaco Jerzy Wojciech Has"The Hourglass Sanatorium (1973) e The Saragossa Manuscript (1964). Ambos são baseados em obras da literatura, o último do romance histórico de Jan Potocki, "The Manuscript Found in Saragossa" e o outro elaborado a partir de várias coleções de contos de Bruno Schulz, principalmente "Sanatorium Under the Sign of the Hourglass".
Embora não fosse um filme plenamente de terror, é uma obra que curcula por entre o territário do fantástico.

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