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sábado, 2 de fevereiro de 2019

O Comboio Apitou Três Vezes (High Noon) 1953



O Marshall de uma pequena cidade, Will Kane (Gary Cooper) enfrenta uma vigília solitária e sombria quando ouve que um inimigo mortal e assassino vingativo foi libertado pelas leis abolicionistas liberais. Tenta recrutar ajuda e apoio dos seus bons vizinhos para reprimir o adversário, Kane encontra apenas covardia e medo. Pior ainda, quando se prepara para o inevitável duelo Kane enfrenta a desaprovação da sua esposa Amy (Grace Kelly). Enquanto isso, Miller e o seu gang aproximam-se da estação do comboio a todo vapor. 
"High Noon" faz uma coisa muito importante ao longo da sua pouco menos de hora e meia, e fá-lo excepcionalmente bem. É um exemplo perfeito de como uma dedicação sincera da criação de um ambiente pode resultar numa experiência fílmica verdadeiramente recompensadora e atraente. Cada faceta no filme, cada momento da sua estrutura económica, contribui para a  tensão cada vez maior que irá atingir o auge nos minutos finais do filme. O realizador Fred Zinnemann mantém um rígido controle sobre o ritmo do filme, usando rápidos close-ups de relógios como marcadores na montagem, com batidas enfatizadas que aumentam a tensão. 
Impulsionado por uma interpretação altamente digna de um envelhecido Gary Cooper, que desde então passou a ser visto como um sinónimo de herói masculino, este western tenso trabalhado meticulosamente por Zinnemann, em grande parte representado em "tempo real" com ênfase nos relógios tiquetaqueando a acção, ainda se destaca como um dos maiores filmes no género. De certa forma era uma alegoria sobre a caça ás bruxas levadas a cabo pelo Senador McCarthy, com o argumento a ser escrito por Carl Foreman, um dos nomes que esteve na lista negra. 
Gary Cooper ganhava aqui o seu Segundo Óscar, e o elenco contava ainda com nomes como Thomas Mitchell, Lloyd Bridges, Katy Jurado, Lon Chaney Jr, Harry Morgan, e brilhantes como vilões Ian MacDonald e Lee Van Cleef.

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terça-feira, 7 de novembro de 2017

It Conquered the Earth (It Conquered the Earth) 1956

Um dos vários membros restantes de uma raça de extraterrestres, habitantes de Vénus, é guiado para a Terra por Tom Anderson, um cientista descontente, que lhe diz em que humanos ele deve meter dispositivos de controle mental. Entre eles está o seu antigo amigo e companheiro Paul Nelson. Nelson finalmente persuade o paranóico Anderson que errou ao se aliar a um alienígena determinado a dominar o mundo.
Este filme de série B de Roger Corman é talvez mais conhecido pelo extraterrestre ridículo com aparecia de vegetal criado por Paul Blaisdell, que já tinha criado o mutante do filme anterior de Corman, mas na realidade até é uma entrada bastante decente no sub-género dos filmes de histeria comunista do meio do século, como "Invaders from Mars" (1953), ou "Invasion of the Body Snatchers" (1956).  Lee Van Cleef é estranhamente eficaz (e bem fundamentado) no papel central, de cientista tão desiludido com a humanidade que recorre a um ser extraterrestre para "salvar o mundo de si próprio".  Destaque também para o outro protagonista, Peter Graves, ainda bem longe do seu papel na série "Missão Impossível", e Beverly Garland, bem convincente no papel da esposa de Van Cleef.
O argumento de Charles B. Griffith faz maravilhas com cenários que de outra forma seriam risíveis (como morcegos de borracha a atacarem pescoços de pessoas para lhes removerem todas as emoções), além de outras cenas notáveis. A grande força do filme vem de facto do argumento, com uma profundidade que não é muito habitual encontrar em filmes de baixo orçamento deste período, com discussões filosóficas sobre o poder das emoções humanas. Aliás, o argumento tem a sofisticação de outros filme de Corman deste período, como veremos em breve.

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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Gigantes em Duelo (I Giorni Dell'ira) 1967

Lee Van Cleef é um pistoleiro envelhecido que num esforço para recuperar a sua reputação de temível abate um xerife local. Descobre então que tem de lidar com o seu jovem protegido, interpretado por Giuliano Gemma, que também é o melhor amigo do xerife. No confronto final vão enfrentar-se os dois, que conhecem muito bem cada movimento do outro.
Comparações foram feitas no passado, entre o argumento deste filme e de "Star Wars", e é fácil perceber porquê. Os velhos temas do aluno e do seu mentor, de um jovem a aprender a usar as suas habilidades naturais, a fim de entrar na idade adulta, são semelhanças com o filme de Lucas. As semelhanças ainda são mais impressionantes se lhe adicionarmos a dimensão do jovem herói a ser tentado pelo lado negro, e o poder que lhe pode ser adicionado, juntamente com o confronto final onde ele tem de derrotar a sua figura de pai, a fim de se libertar de toda a tentação. É possível que Lucas tenha sido influenciado por "Day of Anger" na construção de "Star Wars" (Lucas declarou ser fã do spaghetti western), mas é mais provável que ambos os filmes partilhem uma origem em comum.
E pode ser este tema universal que faz deste filme tão satisfatório. Não é excessivamente complicado, não é especialmente inovador em qualquer uma das áreas, mas funciona a praticamente todos os níveis. O realizador é Tonino Valerii, que era conhecido como um dos argumentistas não creditados de "Por um Punhado de Dólares" (outros são Fernando di Leo e Duccio Tessari), e que faria uma carreira muito interessante no território do spaghetti. Este seria o seu spaghetti mais conhecido, a par de "O Meu Nome é Ninguém".

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segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Sabata (Ehi Amico... c'è Sabata. Hai Chiuso!) 1969

O banco de Daugherty é assaltado na mesma noite em que Sabata (Lee Van Cleef) chega à cidade. Ao seguir os ladrões consegue matá-los e recuperar o dinheiro. Mas Sabata não fica satisfeito e com uma investigação mais profunda descobre que os três poderosos de Daugherty, o Coronel Stengel (Ressel), o Juiz O’Hara (Rizzo) e o banqueiro Fergusson (Antonio Gradoli) estão por trás do roubo. Com a ajuda de dois vagabundos da cidade, Carrincha (Sanchez) e Alley Cat (Nick Jordan) começa a chantagear os vilões. Mas tudo se complica com a intromissão de Banjo (Berger).
Uma das personagens preferidas do spaghetti western, que tem a sua estreia neste filme, é Sabata, interpretada também por um dos actores preferidos no género, que contava já com um número considerável de westerns filmados em Itália, Lee Van Cleef. Cleef foi a escolha ideal para um papel com uma certa ironia cómica, que repetiria numa sequela bem sucedida, "O Regresso de Sabata" (com Yul Brynner a ser escalado para um filme intermédio, não oficial). Embora a procura de westerns italianos estivesse a desacelerar entre o final dos anos sessenta, e inicio dos anos setenta, a United Artists conseguiu transformar este filme num sucesso, mantendo a fama de Cleef por mais alguns anos.
O tom gótico e peculiar do filme é estabelecido logo de inicio, numa tentativa de assalto a uma carruagem. O filme está cheio de estranhos toques, como vilões acrobatas, e sidekicks coloridos, e fica uma nota de destaque para o austriaco William Berger, aqui no papel de co-estrela, mas prestes a destacar-se no giallo de Mario Bava, "5 bambole per la Luna D'agosto." Aqui é um pistoleiro ruivo cujas verdadeiras motivações só serão descobertas na cena final do filme. 
Gianfranco Parolini, nome forte do cinema de género, que já tinha realizado anteriormente vários peplum, é o realizador e argumentista.

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sábado, 10 de setembro de 2016

A Morte Vem a Cavalo (Da Uomo a Uomo) 1967

Numa noite chuvosa, um grupo de cinco homens invade uma casa de campo e violam e matam a mãe, e matam o pai, deixando o jovem filho vivo. O jovem (John Phillip Law) cresce cego pela raiva, sedento por vingança num periodo de 15 anos. Também durante estes 15 anos, Ryan (Lee Van Cleef) é libertado da cadeia, também com fome de vingança, pelos homens que o puseram lá. Ryan mata um homem e passa a usar as mesmas esporas que um dos homens que matou os pais do jovem. Quando ele se apercebe persegue Ryan, na esperança de chegar aos outros assassinos dos seus pais, mas pelos vistos ambos querem vingança dos mesmos homens...
A interacção entre os dois personagens principais é maravilhosa. Ambos começam a ter desprezo pelo outro, mas acabam a salvar a vida um ao outro por várias ocasiões. Não são apenas os personagens que são grandes, mas também a realização de Giulio Petroni, que garante ao filme uma óptima atmosfera, com os seus grandes movimentos de câmara.
 Depois do sucesso dos dois primeiros  da trilogia de Leone, o western viria a tomar conta da indústria cinematográfica italiana, e surgiram inúmeros imitadores que levaram à saturação este género. Petroni apenas realizou duas mãos de filmes em toda a sua carreira, e foi um dos melhores neste periodo de ouro do western, realizando três westerns muito relevantes. Para além deste, destacavam-se "Tepepa" e "E per Tetto un Cielo di Stelle". "Da Uomo a Uomo" contava com outro trunfo muito importante, o argumento de Luciano Vincenzoni, que co-escreveu também scripts de filmes como "Por Alguns Dólares Mais", "O Bom, o Mau, e o Vilão", "Il Mercenario" e "Giù la Testa", o último western de Leone.

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terça-feira, 6 de setembro de 2016

O Grande Pistoleiro (La Resa dei Conti) 1966

Jonathan Corbett (Lee Van Cleef) é um famoso caçador de recompensas que costuma apanhar sempre o seu homem. Numa festa é alarmado por um grupo de jovens que diz ter visto um mexicano violar e matar uma jovem de 12 anos de idade. Corbett resolve ajudar, e parte em busca daquele assassino. Depressa descobre que o mexicano parece ser Cuchillo Sanchez (Tomas Milian), e dirige-se para a fronteira mexicana. Corbett pretende apanhá-lo e trazer à justiça, mas será que ele é realmente o culpado?
Dirigido com grande estilo e perspicácia por Sergio Sollima, "The Big Gundown" tirou vantagem do novo status de estrela de Lee Van Cleef, depois do sucesso de "Por Alguns Dólares Mais", e do grande argumento de Sergio Donati (a partir de uma história de Franco Solinas), que conseguiu filtrar a natural tendência esquerdista de Sollima do ponto de vista educativo, anulando as criticas sobre ganância, supressão e corrupção, embora a sua posição política seja bem visível ainda hoje em dia, tornado o filme mais acessível que os seus homólogos de Hollywood.
Tendo sido feito antes de "O Bom, o Mau, e o Vilão" (também de 1966), este filme está cheio não só de reviravoltas dramáticas, mas também de um orçamento elevado, que faz dele um filme tão sofisticado como os melhores westerns de Hollywood. Estava também muito à frente da maioria dos westerns spaghetti que o seguiriam, onde cineastas reciclavam o reusavam cenários construidos de raíz por Leone e Sollima, respectivamente.
Sendo este o primeiro western de Sollima, foi um sucesso em Itália tornando Milian numa estrela de primeira grandeza e provando que Van Cleef podia brilhar fora dos filmes de Leone. foi lançado nos Estados Unidos dois anos depois, conseguindo um resultado nas bilheteira acima dos dois milhões de dólares, e obtendo criticas bastante favoráveis em publicações como o New York Times.

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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Sob o Signo do Mal (The Lawless Breed) 1953



Supostamente conta a verdadeira e autobiográfica história do fora-da-lei John Wesley Hardin, com um jovem Rock Hudson no papel principal. Libertado da prisão depois de 16 anos de trabalhos forçados por ter morto um homem, Hardin escreve a sua autobiografia. Através de flashbacks conta-nos a sua história, começando pela sua tempestuosa relação com o pai, um pregador que o chicoteia quando ele adquire o vício do jogo e dos tiroteios. Hardin mata um homem em legítima defesa num bar local, e a sua vida nunca mais é a mesma.
Um dos primeiros papéis como protagonista de Rock Hudson, num western acima da média realizado por Raoul Walsh, num filme vagamente baseado na vida de um um verdadeiro assassino, que afirma, na sua autobiografia, ter morto mais de 40 homens, mais 19 do que Billy the Kid diz ter morto. O retrato é fatalista, e um pouco triste em alguns pontos, mas Walsh dirige com grande vitalidade, proporcionando bastante acção. Hudson a fazer um papel interessante, assim como a actriz Julie ou John McIntire num duplo papel. Entre os papéis mais secundários contam-se ainda Hugh O'Brien, Dennis Weaver ou Lee Van Cleef.
Longe de ser dos filmes mais marcantes de Walsh, é um entretimento interessante para quem gosta de westerns.

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sábado, 1 de agosto de 2015

El Condor (El Condor) 1970

Luke (Jim Brown), um fugitivo, e Jaroo (Lee Van Cleef), um prospector de ouro solitário, juntam-se a um grupo de índios Apaches, no México do Século XIX, para capturar uma grande fortaleza, fortemente armada para proteger os milhões (ou bilhões) de dólares em ouro, que lá dizem estar armazenado.
O western violento ganhava cada vez mais destaque, sobretudo depois do sucesso de "The Wild Bunch", de Sam Peckinpah. Realizado em 1970, no mesmo ano de "Soldier Blue", que levantou muitas ondas de choque pela violência tão gratuita, "El Condor" é um filme que deve muito ao western spaghetti. Tem uma das suas principais estrelas, Lee Van Cleef. Foi filmado na região de Almeria, local onde, como se sabe, foram rodados a maioria destes filmes. Mas ficou-se por aí.
Na realização tínhamos John Guillermin, um realizador tarefeiro normalmente encarregado de filmes de acção, veio mais tarde a realizar obras de destaque, como "The Towering Inferno" ou "King Kong". E o argumento é da autoria de Larry Cohen, que ainda não tinha 30 anos nesta altura, e que quatro anos depois iniciaria a saga "Its Alive". Este "El Condor" é um filme de interesse moderado.

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sábado, 27 de junho de 2015

O Homem que Luta Só (Ride Lonesome) 1959

O assassino Billy John (James Best), é capturado por Ben Brigade (Randolph Scott), um caçador de recompensas, que pretende levá-lo até Santa Cruz para ser enforcado. Brigade pára numa estalagem onde salva a esposa do gerente de um ataque de índios e pede ajuda a dois foras-da-lei para o acompanharem na sua jornada com mais segurança. Contudo, o ataque dos índios continua, e os foras-da-lei têm outros planos...
O penúltimo filme na série "Boetticher/Scott é considerado por muitos como o melhor, e também dos melhores da carreira do realizador. Tal como o título do filme indica, Ben Brigade, o personagem de Scott, é um herói solitário, um caçador de recompensas que guia o seu prisioneiro para ser julgado, mas na realidade, na maior parte do filme, Brigade não cavalga sozinho.
O argumento é basicamente um compêndio de todos os padrões do western: o ataque dos índios, os vilões a perseguirem os heróis para um confronto final, e a mulher da fronteira que precisa de ser protegida (Karen Steel, que era uma habitual nos filmes de Boetticher). Tal como James Stewart em "The Naked Spur", Brigade é um caçador de recompensas pouco relutante, não o tipo de pessoa que esperaríamos perseguir alguém por dinheiro. É óbvio que nem tudo é o que parece, e Brigade tem motivos ocultos para aquilo que está a fazer.
Como é habitual, Boetticher é extremamente imparcial ao lidar com os seus personagens principais, com personalidades bem desenvolvidas, nunca permitindo que Boone e Whit se tornem os vilões do filme, apesar de conspirarem contra Brigade. Isto porque o vilão principal, Frank, o irmão de Billy (Lee Van Cleef), pouco está presente no no filme, e era preciso algum antagonismo contra a personagem principal.
Era a estreia absoluta de James Coburn nas longas metragens, no papel de Whit.

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sábado, 5 de julho de 2014

O Bom, O Mau, e o Vilão (Il Buono, il Brutto, il Cattivo) 1966



Blondie (o Bom), é um pistoleiro profissional a tentar ganhar uns cobres. Angel Eyes (o Mau), é um assassino que sempre que se compromete com uma tarefa, leva-a até ao fim. E Tuco (o Vilão), é um bandido com a cabeça a prémio, que tenta fazer pela vida. Tuco e Blondie fazem uma parceria para receber o dinheiro da recompensa de Tuco, mas quando Blondie acaba com a parceria, Tuco vai atrás dele. Quando Tuco e Blondie cruzam com uma carruagem cheia de cadáveres, ficam a saber, pelo único sobrevivente, que outros homens enterraram um carregamento de ouro numa campa no interior de um cemitério. Infelizmente o homem morre, e Tuco fica a saber apenas o nome do cemitério, enquanto Blondie sabe o nome da campa. Os dois têm de se manter vivos para chegar ao Ouro, mas Angel Eyes segue no seu encalce, e sabe que os dois procuram o ouro.
Introduções não são necessárias para este grande épico de Sérgio Leone, o maior de todos os western spaghetti. Apesar dos dois filmes anteriores da trilogia dos dólares serem bastante bons, seria com "O Bom, o Mau, e o Vilão" que Leone atingia a perfeição, desde a realização, a fotografia de Tonino Delli Colli, o casting impecável, e uma das mais memoráveis bandas sonoras de todos os tempos.

Antes dos westerns de Leone, o cinema tinha a velha fórmula dos bons contra os maus, com um duelo no final. Enquanto Leone tinha uma admiração por realizadores como Hawks, Mann ou Ford, ele também tinha uma certa aversão pela ideologia de Hollywood, onde aparecia alguém como John Wayne para salvar o dia, com uma certa moral irrealista. Na mente de Leone, não havia bons nem maus, era cada um por si até ao duelo final. Este ponto de vista era muito interessante, e fazia muito mais sentido, sendo mais realista. Mas para além de apreciar estes grandes realizadores americanos, Leone também gostava de cinema japonês, mais propriamente Kurosawa. O resultado do trabalho de Leone, misturando estas duas culturas, foi ter dado ao western uma sensação operática.
Na altura do seu lançamento o filme foi um pouco criticado, em grande parte por causa da violência, mas também por causa da atitude desrespeitosa que os realizadores italianos tinham perante o western, mas depois acabaria por revitalizar o género, e continua a ser, mesmo perante muitos que não gostam do western, como um dos seus filmes preferidos. Eastwood é claramente a estrela do filme, mas a sua personagem é limitada pela falta de um fundo próprio, e também por já ter sido (e muito bem) explorada nos dois filmes anteriores. É na realidade o personagem de Eli Wallach, Tuco, que carrega o filme, e que nos guia perante os acontecimentos. Se Wallach mereceu alguma nomeação aos Óscar, deveria ter sido aqui.

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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

A Porta da China (China Gate) 1957


Em qualquer outra filmografia "China Gate" seria descartado como um filme políticamente histérico, um thriller de ação delirantemente equivocado, mas a diferença é que esta obra de 1957, distribuida pela Fox, foi escrita, produzida e dirigida por Samuel Fuller. O patriótico Fuller tinha sido um soldado da infantaria na Segunda Guerra Mundial antes de se tornar um realizador de cinema, e também foi um jornalista e escritor comprometido, que expressava a sua política em termos muito claros. As mensagens nos seus filmes não são apenas sinceras, elas estão gravadas em cada cena. O cinema de Fuller foi erradamente chamado de "cinema primitivo" quando na verdade era muito original, cobrindo as manchetes dos jornais da altura. 
Fuller produziu China Gate de forma independente, no final da sua série de filmes para a 20th Century Fox. Basicamente, temos uma "Lost Patrol" numa missão secreta profundamente em território inimigo, que em vários momentos se assemelha a Apocalypse Now. O argumento original de John Milius para Apocalypse Now usou vários elementos cómicos que também são vistos aqui. China Gate não é um filme tão caricatural como tinha sido "Hell and High Water", mas o seu ódio ao comunismo é ainda mais forte. No soberbo Pickup in South Street, Thelma Ritter afirma que odeia comunistas, mesmo que não possa justificar o porquê. "China Gate" explica-nos que a resposta é a insidiosa, má, e sorrateira Teoria do Dominó.
Na verdade, a hostilidade da Guerra Fria em China Gate de Sam Fuller, partilha a mesma ênfase com um tema racial e sentimental. Algures na Indochina francesa (leia-se Vietname) os legionários civilizados estão a segurar as forças totalitárias de Minh.O comandante francês precisa de enviar uma equipa para a fronteira do país, para a colina chinesa conhecida como a China Gate, para localizar e explodir armas indescritíveis de destruição em massa, enviadas "diretamente de Moscovo". O capitão pede ao ex-soldado norte-americano, agora mercenário Brock (Gene Barry ) para liderar o grupo. Mas para chegar com segurança e passar pelos "checkpoints" inimigos, eles precisam de "Lucky Legs" (Angie Dickinson). Uma beleza da Eurásia resistente, com o filho (Warren Hsieh), Lucky Legs conhece todos os oficiais inimigos, em especial o Major Cham (Lee Van Cleef), o líder zeloso no comando do depósito de China Gate. Há apenas um problema - Lucky Legs não quer fazer parte da expedição porque Brock é o seu ex-marido, que a abandonou quando descobriu que o filho parecia um oriental.
China Gate começa com um prólogo expositivo que será do agrado apenas daqueles que acreditam que a América ganhou no Vietname, que a ocupação colonial francesa foi uma coisa boa, e que os comunistas vietnamitas foram bonecos a lutar pela Rússia, e não para repelir os inimigos. Ho Chi Minh é julgado um bandido e a campanha francesa é homenageada pela região como uma esperança de liberdade contra o totalitarismo dominante.Fuller quase imediatamente desliza para o melodrama à moda antiga. Introduzido os seus famosos planos impressionantes que se estendem através da tela em Cinemascope, Lucky Legs é logo vista a atravessar os escombros depois da queda de um pacote de ajuda preciosa de pára-quedas. Era a ajuda dos EUA. As coisas por aqui estão tão difíceis que o cão do seu filho corre perigo de ser comido pelos locais. Fuller estabelece uma trégua antagónica entre Legs e Brock, que ainda não consegue suportar a idéia de que o seu filho tenha aparência asiática ( o diálogo evita cuidadosamente as descrições pejorativas típicas dos asiáticos). 
As amargas imagens finais reforçam o "paternalismo americano" racista, expresso em "Battle Hymn" de Douglas Sirk, e que persiste no estabelecimento da propaganda sobre as relações ocidentais-vietnamitas. John Wayne plagiou este final no seu filme "Os Boinas Verdes".

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sábado, 31 de agosto de 2013

Os Jovens Leões (The Young Lions) 1958



The Young Lions conta-nos a história da 2ª Guerra Mundial de ambos os pontos de vista (americano e alemão). No início do filme, em 1937, o jovem alemão Christian Diestl (Brando), um instrutor de ski, sente-se atraído por uma jovem americana, mas esta retrai-se ao perceber que ele sinceramente acredita nas boas intenções de Hitler. Com a queda da França, em 1940, toda a Europa se curva ante o invasor nazi e Christian torna-se um oficial. Pelo lado americano, Michael Whiteacre (Dean Martin), uma estrela da Broadway, e o jovem judeu Noah Ackerman (Montgomery Clift) envolvem-se na luta, tornando-se amigos.
Edward Dmytryk faz um bom trabalho na adaptação do bestseller aclamado de longa duração de Irwin Shaw sobre a WWII para a tela, embora a narrativa seja um pouco desigual. Edward Anhalt escreve o argumento e o filme é rodado a preto-e-branco e em Scope.
Um filme que realmente coloca o caráter acima de tudo, esta obra examina três homens e os seus problemas comuns - com mais frequência com as mulheres - que os unem. Declarações ousadas sobre a abordagem e os motivos para a guerra dos indivíduos estão colocados em diálogos realistas e comoventes. Enquanto filme anti-guerra, é uma abordagem justa e equilibrada sobre o assunto que permite ver as coisas através dos olhos e das vidas dos personagens, e permite que o público faça a sua própria opinião sobre as coisas. Isto não quer dizer que seja um filme estritamente intelectual, mas a ação não é tão visceral como em muitos outros filmes de guerra. Talvez por causa do envolvimento do realizador com o HUAC, o filme foi ignorado em 1958 e caiu em relativa obscuridade, mas merece sempre ser redescoberto.
É contado que Clift ficou chateado por Brando ter interpretado um papel de Nazi pacifista, como ele ridicularizou os objetivos narcisistas e o método do ator. Neste filme, Clift desempenha intensamente o seu papel de forasteiro judeu angustiado preenchido com uma mistura de emoção e otimismo. Brando pode ter um sotaque alemão vistoso, mas é o desempenho sensível do Clift que traz maior profundidade do que o personagem de Brando. Dean Martin assume o seu primeiro papel sério depois de romper com o parceiro comediante Jerry Lewis.Alguns actores europeus faziam aqui a sua estreia em filmes americanos, como May Britt, Maximilian Schell, Dora Doll, Liliane Montevecch.

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sábado, 27 de abril de 2013

Nova Iorque, 1997 (Escape From New York) 1981



Sempre houve um sentimento de distopismo e ansiedade apocalíptica no género ficção científica, e os anos 70 - com a sua recessão mundial, a escassez de petróleo, o conflito do Vietname, e as sempre presentes  tensões entre o Ocidente capitalista e o Leste comunista - ajudaram a alimentar um tensão especial de que a fixação que encontrou caminho para uma série de filmes de baixo orçamento que dominaram a série B e as  prateleiras dos clubes de vídeo no início da década de 1980. Foi um breve período de ansiedade, encravado no meio dos sonhos da morte da contracultura dos anos 60, e renovado orgulho em Ronald Reagan.
Ao lado de Mad Max, de George Miller (1979) e a sua sequela The Road Warrior (1981), Escape From New York é sem dúvida o melhor candidato para o progenitor desta vaga particularmente moderna de distopismo na ficção científica (o facto de que Carpenter e o co-argumentista Nick Castle originalmente escreverem o argumento em 1974, o ano de Watergate, diz tudo). A história passa-se no ano, então futurista de 1997, depois de uma terceira guerra mundial e um aumento épico em crime que levou o governo dos EUA para a decisão radical de transformar a ilha de Manhattan numa prisão federal gigante da qual ninguém tem permissão para sair. Não há guardas lá dentro, apenas uma população de criminosos violentos que desenvolveram sua própria sociedade depravada. 
Logo no início do filme um grupo socialista radical rapta o Air Force One e fá-lo caír na cidade, esperando matar o presidente conservador (Donald Pleasence). O Presidente sobrevive, no entanto, e deve ser resgatado a partir da cidade que se tornou prisão, dentro de 24 horas. Num acto de desespero, o comissário da polícia Bob Hauk (Lee Van Cleef) contrata Snake Plissken (Kurt Russell), um veteranos das operações especiais que se tornou ladrão e que estava previsto para ser exilado para Manhattan, mas agora pode ser a única hipótese que o governo tem para resgatar o presidente. Snake é enviado para a prisão da ilha, com ordens para encontrar o presidente e trazê-lo de volta em segurança, e por uma boa razão, é que Haul implantou-lhe uma bomba relógio no seu pescoço. Assim, a vida de Snake está em jogo, e se os fora-da-lei de Manhattan não o matarem, os explosivos nas suas artérias o farão.
 A maior parte do filme segue Snake no interior da prisão, navegando no escuro, por uma selva de ruínas tentando evitar os vários gangues enquanto procura pelo Presidente, que rapidamente cai nas mãos de The Duke (Isaac Hayes), o líder do maior gang da ilha, e que quer usar o novo refém como moeda de troca para a amnistia. Snake é ajudado por vários insiders, incluindo o "cérebro" (Harry Dean Stanton), um informante desonesto que traiu Snake no passado; a namorada deste, Maggie (Adrienne Barbeau), e um motorista de táxi (Ernest Borgnine), que aparece em conveniência da narrativa para fornecer transporte e fuga ( muito poucos carros a trabalhar que restam na ilha, e ninguém tem uma arma). 
Como outros filmes do género, há elementos em Escape from New York, que não envelheceram muito bem, mas ainda assim é um dos grandes filmes de John Carpenter, bastante acima do seu futuro remake.

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terça-feira, 12 de março de 2013

O Grande Duelo (Il Grande Duello) 1972


Ao contrário dos temperamentais "twilight spaghetti westerns" da segunda metade da década de setenta, ou das numerosas comédias geradas pelos filmes de Trinitá, este filme tenta, mais ou menos, recriar o mito da década anterior. Apesar de ter sido o primeiro spaghetti western de Giancarlo Santi, parecia ser o homem certo para este trabalho. Depois de ter sido assistente de realizadores como Sergio Leone ou Giulio Petroni, onde tinha andado pelos bastidores de filmes como "O Bom, o Mau e o Vilão", "Death Rides a Horse" e "Aconteceu no Oeste", fez este "Il Grande Duello", que pode não ser um dos grandes westerns spaghetti, mas pelo menos não é pomposo, ou pretensioso.
Um homem chamado Philip Vermeer - que provavelmente não é um grande pintor, mas certamente um excelente atirador - foi considerado culpado de assassinar um patriarca local, mas fugiu, e está agora em fuga. É perseguido tanto por um grupo de caçadores de recompensas, pagos pelos filhos do patriarca, como por um ex-xerife que afirma que Vermeer é inocente. Durante a primeira metade do filme, podemos ver os dois homens a lutarem e a fugir dos "bounty-hunters", e a segunda parte é em grande parte passada na cidade e lida com a questão de quem realmente matou o patriarca. Embora a acção seja bem executada, a segunda parte, com influências do Giallo e do Noir, é de longe a melhor. Lee Van Cleef tem trabalho a fazer, e o twist final, embora um pouco óbvio, é bem preparado numa série de flashbacks, filmado num tom saturante, com cores muito filtradas.
Ainda escalado como uma espécia de coronel Mortimer, de caráter, o bom e velho Lee Van Cleef anda a maior parte do tempo, a esconder o rosto sob o chapéu. Mesmo sem olhar parece saber o que está para acontecer (ou não): quando O'Brien diz que está para acontecer um ataque iminente ele ordena que ele se deite e não se preocupar com mais nada. Peter O'Brien, por outro lado, tem um papel hiper-activo, saltando de telhado em telhado e fazendo cambalhotas durante o tiroteio. Os vilões são particularmente bem caracterizados; um regular dos spaghetti westerns, Horst Frank, interpreta tanto o patriarca como o seu filho mais velho, um homem astuto, com ambições políticas, Marc Mazza, actor francês (mais conhecido por um pequeno papel em "My Name is Nobody) é o filho do meio, um homem simples e impaciente por acção, e o actor austríaco Klaus Grünberg (então famoso pela sua participação no agradável "More", mais conhecido pela banda-sonora dos Pink Floyd) rouba a cena como o filho mais novo, um maníaco homossexual que mata toda uma comunidade de imigrantes holandeses apenas por diversão, numa cena brutalíssima. Este personagem parece ter sido modelado pela sádica personagem de Jack Palance em "Shane" (1953), no sentido de que ele parece ser exactamente o contrário desta personagem, vestido de branco e colocando luvas brancas antes de executar um homem indefeso, já de idade.  
"The Grand Duel" é um dos filmes preferidos de Tarantino. O tema principal da banda-sonora, se bem se recordam, foi utlizado na banda-sonora de "Kill Bill". A música está creditada a Luis Bacalov e a Sergio Bardotti, mas Bacalov sustenta que escreveu todas as composições.

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domingo, 10 de março de 2013

Onde o Sol Nunca Brilha (Là Dove Non Batte il Sole) 1974


O recém-chegado ladrão, Dakota (Lee Van Cleef), é falsamente acusado de assassinar um asiático rico ao visitar uma pequena cidade do oeste. Saltamos para Hong Kong, e a Chiang Ho (Lie Lo) é dado a missão para salvar a honra da sua família e partir para o oeste, a fim de descobrir a fortuna do seu tio. Junta-se a Dakota para juntos descobrirem onde se encontra a fortuna do tio. Não levam muito tempo a descobrir que a chave para a fortuna está escondida numa série de pistas, que estão tatuadas em quatro mulheres. Partem então em busca destas mulheres e, na rota, pegam uma série de brigas de bar, envolvem-se com bandidos mexicanos, jogos de cartas manipulados e cruzam com o fabuloso Julian Ugarte, um pregador da Bíblia (com uma igreja construída na parte traseira de sua carruagem ), que distribui a sua penitência pelo meio de balas.
"Onde o Sol Nunca Brilha" (lançado nos EUA como "The Stranger and the Gunfighter") foi uma brincadeira de um bom gosto misturando o western spaghetti e o kung fu, dois elementos de estilo bastante diferentes. Não é um filme fantástico, e acaba por não ser bem sucedido, tanto como spaghetti ou filme de artes marciais, mas como uma mistura de ambos é uma peça divertida, realizada por António Margheriti, um realizador especialista em filmes de terror gótico, mas que também fez uma mão cheia de spaghettis.
Lee Van Cleef aparece bastante bem no filme, que é uma mudança agradável nos seus papéis, tanto como vilões, como personagens estóicas nos westerns spaghetti anteriores. Lo Lieh (Five Fingers of Death, Executioners From Shaolin) é grande, como de costume, fazendo algum trabalho incrível de kung fu.

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Cavalgada Fantástica (Take a Hard Ride) 1975


Kiefer (Lee Van Cleef) é um caçador de recompensas que leva o seu trabalho talvez um a pouco sério demais. Aprendemos isso ao observá-lo, perseguindo um bom homem que cometeu um crime décadas atrás, e desde então, que vem a ser perseguido pelo caçador. Não está preocupado em justificar a sua linha de trabalho, está apenas preocupado em fazê-lo bem. Quando Morgan, um rico fazendeiro que está a tentar mover $ 86.000 para o México, morre de causas naturais, deixa o dinheiro ao seu melhor amigo e empregado Pike (Jim Brown) agora responsável por esta missão. Isso faz com que Pike passe a ser um dos homens mais procurados em todo o velho oeste. Este cruza com Tyree, astuto e perigoso (Fred Williamson), que quer pôr as suas mãos no ouro, mas está disposto a ajudar a levar o dinheiro para o México antes de fazer o seu jogo. Ao longo do caminho estes dois tropeçam numa família que foi massacrada por cowboys. Entre eles está Kashtok (Jim Kelly), um índio criado como afro-americano, que usa os punhos em vez de uma arma. Este estranho grupo de viajantes vão ter que lutar contra várias armas no Oeste, assim como contra o perigoso Kiefer, o caçador de recompensas.
Pegamos num realizador italiano versátil, António Margheriti, três das maiores estrelas da Blaxploitation, uma banda sonora de Jerry Goldsmith e uma história envolvendo um Kung Fu indiano, uma prostituta à procura de redenção, racistas e religiosos, um vilão chamado Lee van Cleef - e temos este incrível western. Um raro exemplo de como a ética toma o spaghetti western de volta para os EUA e constroi algo único, como: um blaxploitation spaghetti western!
"Take a Hard Ride" não tem a história mais original. Jim Brown jura ao seu chefe moribundo que vai levar o seu dinheiro para o México, e que a sua versão mexicana do Shangri La pode ser construída. Então, é emboscado regularmente por qualquer pessoa que ouve falar sobre o dinheiro, incluindo Fred Williamson. Uma vez que Williamson, Kelly e Brown se unem, a vitória está garantida, enquanto combatem os banditos, o KKK e Van Cleef.  Ebora o filme não seja uma aula de história, é engraçado assistir a um western, onde os negros acabam por vencer.
Um detalhe engraçado é a quantidade de velhas estrelas de Hollywood que podem ser encontradas no filme: Harry Carrey Jr, Barry Sullivan, ou Dana Andrews.

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