Mostrar mensagens com a etiqueta Jack Clayton. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jack Clayton. Mostrar todas as mensagens

sábado, 9 de junho de 2018

Um Lugar na Alta Roda (Room at the Top) 1959

Uma cidade industrial inglesa triste, mas Joe Lampton conseguiu um emprego com futuro. Para ter algo que fazer à noite junta-se a um grupo de teatro, onde a filha do seu chefe, Susan, faz papel de ingénua, tanto no palco como na vida real. Ela sente-se atraída por Joe, e Joe pensa no quanto mais rápido poderá subir na empresa se for genro do chefe. O plano começa a complicar-se quando Joe se sente atraído por uma mulher mais velha, também da companhia teatral. Ela é francesa, e infelizmente casada, mas Joe acha que se pode safar a ver as duas ao mesmo tempo. 
Um apito estridente anuncia a chega de Joe Lampton na inesquecível abertura de "Room at the Top". Enquanto as pilhas de chaminés e canais do norte industrial passam ao fundo, Joe calça os sapatos novos por cima das meias esfarrapadas, tira o jornal que cobre o rosto e esquiva-se da câmara antes que possamos vê-lo. Esta era a estreia de um novo tipo de protagonista cinematográfico, para uma nova Grã-Bertanha, o jovem revoltado, o anti-herói da classe trabalhadora que sabe o que quer, e fará tudo para consegui-lo. "Room at the Top" deu ao público esta personagem, ao mesmo tempo que lhes deu um novo tipo de filme: x-rated, escuro, sem vergonha de dizer palavrões e franco sobre o sexo.
Justamente anunciado como o filme que deu início ao movimento da "Nova Vaga Inglesa", "Room at the Top" estabeleceu o terreno para uma série de filmes posteriores. É um filme que vive obcecado com as "classes", particularmente a imagem das classes e como as pessoas de diferentes classes se veem. Foi feito numa época em que os limites da classe começavam a se dissipar, embora não se dissolvessem completamente, e a própria classe trabalhadora se começasse a dividir entre os operários manuais e os de colarinho branco. 
Estreado no início de 1959, foi um êxito tanto comercial como de crítica, tendo vencido dois Óscares entre as seis nomeações conseguidas. Um deles foi para Simone Signoret, como melhor actriz secundária.

Link
Imdb

sábado, 4 de maio de 2013

Os Inocentes (The Innocents) 1961



Truman Capote e William Archibald adaptaram a peça de Henry James "The Turn of the Screw" e transformaram-na num dos filmes de terror mais memoráveis do século 20. Tem o sabor de uma dessas produções polidas dos estúdios britânicos, com muitas mãos a contribuirem para o produto final, mas a realização de Jack Clayton e a fotografia, em widescreen e a preto-e-branco por Freddie Francis ajudam a torná-lo num filme único (embora seja quase sempre ligado a outro filme enorme de Robert Wise, The Haunting - realizado nos Estados Unidos na mesma altura). Deborah Kerr interpreta Miss Giddens, a filha de um pregador que aceita um emprego como babysitter para duas crianças numa mansão isolada (o tio das crianças é um homem rico e ocupado, solteiro e não tem tempo para as crianças.) Miss Giddens conhece Flora (Pamela Franklin) com quem se dá bem, mas depois conhece o outro filho, Miles (Martin Stephens) depois deste ter sido expulso da escola. Miss Giddens começa a sentir coisas estranhas na mansão, vendo fantasmas e percebendo um comportamento estranho nas crianças. Ela conclui que dois antigos empregados mortos (amantes ilícitos) estão a possuír as crianças, mas será que é mesmo isso?
A abordagem atmosférica de Clayton sobre o material, criando um tom sinistro através da sombras, no foco profundo e pequenas peculiaridades, como velas a soprarem para fora e movimentos periféricos, culminando em eventuais manifestações visuais terríveis, de horror sobrenatural, dá-lhe uma qualidade atemporal. Também ajuda a traçar um paralelo entre a realidade física e objectiva sobre o estado psicológico de Miss Giddens, fazendo com que a natureza da antagonista não seja clara, superficialmente falando. O que é claro é a natureza dos segredos e os fantasmas como a representação de uma passada repressão. A misantropia  e a manipuladora disposição das crianças sugerem algum tipo de abuso, que Clayton projecta para o território sexual quando um beijo de boa noite entre Miles e Miss Giddens dura um pouco mais do que devia.
O filme faz um uso notável de espaços drásticos, tanto interiores como exteriores, bem como o ruído usado na banda sonora aterrorizante. Não perdeu a sua eficácia ao longo dos anos, e continua a ser um must-see para os fãs do terror. Se o seguirmos atentamente, notamos a escrita inteligente de Capote no argumento, provavelmente mais em grande parte no diálogo de Miles, e definitivamente em alguns dos diálogos do tio. 

Link 
Imdb