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sábado, 20 de fevereiro de 2021

O Último Refúgio (High Sierra) 1941

Roy Earle sai da prisão depois de estar oito anos preso, e é procurado por um chefe do crime, que o contrata para roubar um hotel na Califórnia. O assalto, entretanto, não sai como planeado, e Earle é forçado a fugir para as montanhas da Sierra Nevada.
Raoul Walsh realizou, e John Huston escreveu o argumento deste clássico de gangsters, baseado num romance do co-argumentista W.R. Burnett, que permitiu a Humphrey Bogart se tornar num protagonista de pleno direito. Walsh pega numa história dos clássicos westerns e transpõe-a para o género gangster, que mais tarde iria refinar em "White Heat"(1949).  O cinismo faz parte de Bogart, e há muito disso neste filme, e provavelmente foi isso que o catapultou para o sucesso. O seu personagem não é malicioso, embora use a violência contra todos que atravessam no seu caminho.
Ida Lupino volta a ser a co-estrela de Bogart, depois do sucesso de "They Drive by Night", igualmente realizado por Raoul Walsh. Devido à prestação dela no filme anterior, o Estúdio resolveu colocar o nome de Lupino em primeiro lugar nos créditos, mas sem dúvida que o filme é de Bogart. Os dois aparecem à frente de um grande elenco, que inclui Alan Curtis, Arthur Kennedy, Joan Leslie, e Cornel Wilde. 

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Vidas Nocturnas (They Drive by Night) 1940

Os irmãos Paul e Joe Fabrini (George Raft e Humphrey Bogart) dirigem um negócio de camionagem na Califórnia, principalmente virado para o mercado da fruta, transportando produtos das explorações agrícolas para os mercados de Los Angeles. Lutam para sobreviver contra os empresários corruptos e a intensa competição. São forçados a conduzir muitas horas e uma noite dão boleia à jovem Cassie Hartley (Ann Sheridan), que acabara de se despedir do seu emprego num terminal de camionagem. Os três testemunham a morte de um conhecido mútuo, que adormece ao volante. Isto causa um profundo efeito em Paulo e Joe, que ficam determinados a encontrar um modo de conseguir um bom dinheiro, para desistir deste trabalho. 
Um dos filmes mais populares da Warner no início dos anos 40, "They Drive by Night" é uma obra intensa e emocionante, que apresentava um quarteto de quatro estrelas (Raft, Bogard, Sheridan e Ida Lupino), e era baseado no livro "Long Haul", de A. I. Bezzerides, com argumento de Jerry Wald e Richard Macauley. A segunda parte do filme, é uma vaga adaptação de um outro filme chamado "Bordertown", um "bad girl" melodrama interpretado por Bette Davis e Paul Muni. Como as duas histórias se complementam, e são adaptadas de um modo convincente, acaba por ser uma refrescante mudança de ritmo, pouco normal nas produções de Hollywood. 
Já era a segunda colaboração entre Raoul Walsh e Humphrey Bogart, que por esta altura ainda não era uma estrela grande de Hollywood, mas sim um actor mais habituado a papéis de vilão. Os dois voltariam a encontrar-se no ano seguinte em "High Sierra", outra das mais interessantes obras da década de 40. A direcção de Walsh era sólida, e a interpretação de Boogie consegue manter o filme tenso o suficiente para que nunca consigamos adivinhar o que vai acontecer a seguir.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Up the River (Up the River) 1930

Quando o ex-presidiário Steve Jordan (Bogart) tenta começar uma nova vida, os ex-companheiros do crime Saint Louis (Tracy) e Dannemora Dan (Warren Hymer) saem da prisão para impedir que o seu passado seja revelado e impedem que ele seja chantageado para voltar a uma vida de crime. Claire Luce é Judy Fields, a ex-prisioneira por quem Steve se apaixona. A menos que os dois homens façam alguma coisa, o passado de Steve será exposto pelo mesmo homem que denunciou Judy e a colocou na prisão, a não ser que Steve concorde em praticar outro crime…
A história de "Up the River" pode não parecer muito prometedora, mas este filme de 1930 é historicamente muito importante por várias razões. Em primeiro lugar, seria o único filme em que Humphrey Bogart e Spencer Tracy apareciam juntos. Foi a estreia no cinema de Tracy, e apenas o segundo filme de Bogart. John Ford só voltaria a trabalhar com Tracy 28 anos depois, em "The Last Hurrah".
Inicialmente "Up the River" era para ser um drama prisional sério e Ford estava convencido que tinha encontrado o actor certo quando assistiu a uma representação da peça "The Last Mile", em Nova Iorque. A Fox deu a Ford bilhetes para cinco peças diferentes, mas o realizador ficou tão impressionado com a interpretação de Tracy em "The Last Mile", que acabou por ir ver a mesma peça mais 4 vezes. Aconteceu o mesmo com Humphrey Bogart, que viu numa matiné naquela semana, e contratou-o logo para o segundo papel do filme.
Quando Tracy chegou a Hollywood, descobriu que tinha havido uma mudança de planos por causa da recente estreia de "The Big House". Ford disse-lhe para ele não se preocupar, que iam transformar o drama de prisão numa comédia. Com o argumento já feito por Maurine Dallas Atkins, seria contratado um novo argumentista, Bill Collier para escrever um novo guião.
O filme foi popular entre o público durante a era da depressão, apesar de não ter grandes críticas. O New York Times escreveu: "Seja qual for a opinião de retratar a leviandade de uma penitenciária, estre filme provou ser violentamente engraçado para os que ocuparam os assentos no grande teatro ontem à tarde. Tem uma série de incidentes e linhas inteligentes, mas de vez em quando é lento demais.
Tinha anunciado que este filme teria legendas em espanhol, mas afinal tem em português.

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Cliente Morto Não Paga a Conta (Dead Men Don't Wear Plaid) 1982

Juliet Forrest (Rachel Ward) está convencida de que a morte reportada do seu pai, num acidente de carro na montanha, não foi um acidente. O pai era um famoso cientista de queijos, que trabalhava numa receita secreta. Para provar que aconteceu um crime, ela contrata os serviços do detective privado Rigby Reardon (Steve Martin). Este encontra um pedaço de papel com uma lista de pessoas intitulado "os amigos e inimigos de Carlota". Ao procurar respostas vai esbarrar com homens e mulheres perigosos, que eram as marcas dos filmes de detectives clássicos dos anos 40 e 50. 
O realizador Carl Reiner (que escreveu o argumento com George Gipe e Steve Martin) faz uma autêntica homenagem ao film noir, e dá a este filme um toque muito especial, integrando na acção clips de 18 filmes dos anos 40 e 50. Um exemplo, Humphrey Bogart, como Marlowe, aparece como o assistente arruinado de Reardon, incluindo cenas reais de filmes como In a Lonely Place, Dark Passage, ou The Big Sleep. Ao longo do filme, e por trás dos ombros das nossas personagens, vão aparecendo actores como Alan Ladd, Ray Milland, Burt Lancaster, Barbara Stanwyck, Cary Grant, Ava Gardner, Ingrid Bergman, James Cagney, e Bette Davis, que parecem interpretar ao lado dos protagonistas de hoje em dia.
"Dead Men Don't Wear Plaid" funciona melhor para quem conhece de raíz o movimento do film noir. Steve Martin tem um desempenho de alto nível, Rachel Ward era uma estrela em ascenção, na sua terceira longa metragem, e dá ampla evidência da sua beleza e talento. A montagem de Bud Molin e a fotografia de Martin Chapman também merecem elogios pelo seu esforço hercúleo em misturar pedaços de filmes antigos, com filmagens novas. 

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sábado, 1 de outubro de 2016

Matar ou Não Matar (In a Lonely Place) 1950

Dixon Steele (Humphrey Bogart) vê-se envolvido num crime do qual é o principal suspeito, mas a sua amável vizinha Laurel Gray (Gloria Grahame) proporciona-lhe um álibi. A amizade deles rapidamente se transforma em amor. Mas será que a desconfiança, as dúvidas e os demónios internos de Steele vão atrapalhar esta relação?
Normalmente considerado um dos melhores filmes de Nicholas Ray, "In a Lonely Place" (1950) apresenta aquela que é provavelmente a melhor interpretação de Gloria Grahame (casada com Ray na altura), e mostra-nos um lado de Bogart que raramente foi explorado na tela - um homem no ponto de ruptura, incapaz de conter por muito mais tempo a raiva reprimida de toda uma vida. De acordo com Goeff Andrew, autor do livro "The Films of Nicholas Ray", "In a Lonely Place" é tanto um produto dos anos em que foi feito (a paranóia, desconfiança e traição que retratavam a Hollywood no tempo da "caça ás bruxas"), e um característico estudo de Ray sobre a destruição de um romance idealista entre estranhos solitários, pelas duras realidades do mundo à volta deles. Infelizmente Ray e Grahame estavam no meio do processo de separação, mas mativeram os seus problemas fora do local de trabalho com medo que o estúdio pudesse substituir Ray. Como resultado, é bem possível que a relação dos dois personagens principais fosse o espelho da relação entre Ray e Grahame.
Produzido pela Santana, a própria companhia de Bogart, era baseado no livro de Dorothy B. Hughes, que contava a história de um serial killer do ponto de vista do assassino. Mas, em 1949, os censores americanos nunca consentiriam uma versão cinematográfica do livro de Hughes sem uma grande revisão. Então, o argumentista Andrew Solt preparou a história para Hollywood, deu a Dixon o trabalho de argumentista, e evitou a representação de quaisquer assassinatos na tela, com uma excepção. Ainda assim, Ray fez mais alterações ao argumento, renovando o final.
Ray disse que o filme era muito pessoal para si. O local das filmagens fora o sitio onde começara a viver em Hollywood. Era também o seu segundo filme com Bogart. As criticas foram muito boas, apesar de não ter sido um sucesso de bilheteira. Era uma desmitificação radical do clássico herói de Bogart, um dos exemplos mais brilhantes de uma reavaliação critica de um actor, e da sua personagem na tela, sendo também um dos principais papéis de Bogart.  

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terça-feira, 27 de setembro de 2016

O Crime Não Compensa (Knock on Any Door) 1949

Andrew Morton (Humphrey Bogart) é um advogado saído das favelas. Nick Romano (John Derek) é o seu cliente, um homem com uma grande série de crimes atrás dele. Nick é acusado de assassinar um polícia. Apesar do advogado não acreditar nele, decide ajudá-lo porque não defendeu adequadamente o pai de Nick no passado, quando este foi acusado de um crime que não cometeu, acabando por morrer na cadeia. Salvar Nick é uma questão de honra.
"Knock on Any Door" é baseado num best seller de 1947 com o mesmo nome, escrito por Willard Motley. Motley, tal como o colega africo-americano Richard Wright era um produto do projecto de escritores financiados pelo governo federal de Chicago. Perseguido na altura da caça às bruxas, Motley fugiu para o México onde viveu até à sua morte em 1965. Os livros de Motley eram notáveis pela sua crítica social mordaz e os seus temas profundamente francos. A trama desenrolada em várias camadas apresenta uma série de motivos, incluindo a bissexualidade de Romano, e a representação do sadismo da polícia, que tiveram de ser atenuandos ou removidos do argumento final, para satisfazer os códigos de produção. 
Foi a primeira produção da Santana Pictures, uma companhia independente formada por Bogart, o seu agente A. Morgan Maree, e o produtor Robert Lord. Bogart escolheu o nome acidentalmente, por causa do nome do seu barco. Nicholas Ray, um realizador ainda muito jovem, foi emprestado pela RKO graças ao seu filme de estreia, "They Live By Night" (1949), com realizador e actor, Bogart e Ray a voltarem a encontrar-se no ano seguinte, para o enorme "In a Lonely Place" (1950), que garantiu a Bogart uma das suas interpretações mais complexas. 
Em parte o filme também era um veículo para o jovem protagonista John Derek, uma das maiores promessas da Hollywood de então. Aparecia sobretudo em filmes de aventuras, mas este depressa se tornaria num fotógrafo profissional e tentaria a sua sorte atrás das câmaras. No entanto acabaria por ficar mais conhecido como empresário e marido de uma sucessão de símbolos sexuais femininos: Ursula Andress, Linda Evans e Bo Derek.

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domingo, 12 de julho de 2015

Comboio para Leste (Action in the North Atlantic) 1943

Em plena II Guerra Mundial, um petroleiro americano é afundado nas Caraíbas pelos alemães, e ali toda a tripulação jura vingar-se. O seu capitão e a tripulação voltam a embarcar num navio integrado num comboio que se dirige para a Rússia, numa missão que irá ter muitos obstáculos.
Action in the North Atlantic (1943) foi pensado como uma homenagem à Marinha Mercante, em forma de curta metragem, mas rapidamente foi transformado numa longa. Por causa do mediatismo das muitas perdas causadas aos navios da Marinha Mercante americana nos primeiros tempos da II Guerra Mundial, o produtor Jerry Wald conseguiu colocar o filme em produção apenas 5 semanas depois de lhe terem atribuído o trabalho. Dois dos navios foram construídos nos estúdios da Warner, mesmo antes do argumentista John Howard Lawson ter acabado o argumento. Nesta altura o filme era para se chamar "Torpedoed.".
O veterano da Warner Bros Lloyd Bacon foi designado como realizador, e todo o filme foi rodado nos estúdios de som da Warner. Era exigida uma grande quantidade de efeitos especiais, que precisavam de ser produzidos num ambiente controlado, que só um estúdio de som podia proporcionar. O velho cargueiro que é destruído no filme, queimado durante vários dias antes de afundar, foi recriado num tanque no "Stage Nine".
A produção durou mais 45 dias do que o previsto, e Jerry Wald completava o seu último filme antes de entrar em serviço na guerra, e acabou por apanhar úlceras durante as filmagens. Há quem diga que as úlceras foram causadas ou pelo medo do serviço militar ou pelas pelas longas e conturbadas filmagens desta obra.
Apesar do inegável fervor patriótico que rodeava a exibição de "Action in the North Atlantic", também havia um lado politicamente correcto neste filme. O filme surgia em 1943, quando os Estados Unidos e a União Soviética ainda eram aliados, e ocasionalmente foca-se nos laços entre os dois países. Mas alguns anos depois, na era do Pós-Guerra, algumas partes do filme viriam a ser um embaraço para os estúdios da Warner.
O elenco, bastante interessante, contava com Bogart, Raymond Massey, Alan Hale, Ruth Gordon, entre outros. Dos três realizadores que participaram na realização deste filme, apenas aparece o nome de Lloyd Bacon. Raoul Walsh e Byron Haskin ficaram de fora.

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quarta-feira, 8 de julho de 2015

O Último Refúgio (High Sierra) 1941

"O último refúgio, de Raoul Walsh, é um marco do gênero gângster, uma virada na carreira de Humphrey Bogart e um exemplo de filme de ação existencialista. Como Herois esquecidos (1939), a obra anterior de Walsh, O último refúgio é um filme de gangster em forma de elegia, atípico dentro desse período dominado pelo Código de Produção por conta do seu retrato compassivo do gângster como um proscrito fora de época. O veterano Roy Earle (Bogart) mostra estar acima dos marginais e hipócritas que encontra em ambos os lados da lei ao liderar um roubo malfadado a um hotel, cometer a tolice de perseguir uma garota respeitável (Joan Leslie) e encontrar brevemente na personagem também proscrita de Ida Lupino uma melhor companheira.
Em contraste com seus contemporâneos John Ford, Howard Hawks, Frank Capra e Michael Curtiz, que frisavam o valor de uma comunidade ou grupo, Walsh deu mais peso ao egoísmo , inconformismo e qualidades anti-sociais dos seus heróis. A visão de O último refúgio de uma sociedade moralmente rígida é de uma mordacidade extraordinária, alcançando seu auge na sequência em que Roy é rejeitado de forma humilhante por sua princesinha insossa de classe média em favor de seu namorado arrogante e conformista. Depois de uma década interpretando quadrados e marginais, Bogart conseguiu seu papel mais substancioso até então em O último refúgio. Em O falcão maltês, seu outro filme importante de 1941, Bogart é expansivo, presunçoso, dominador. Aqui, no universo de Walsh, sua atuação mais sutil cria uma persona claramente diferente: soturno, reservado e tenso, com os ombros encurvados e gestos econômicos, enfatizando a natureza retraída do personagem.
Mesmo nas cenas mais íntimas com sua alma-gêmea Marie (Lupino), Walsh coloca objetos e barreiras entre os amantes para frisar seu isolamento fundamental. O último refúgio começa e termina no elevado pico do monte Whitney, que surge em todo o filme, sua presença hipnotizadora conduzindo o herói a o seu destino solitário. Um outro personagem do submundo diz a Roy: "Você se lembra do que Johnny Dillinger falou sobre sujeitos como você e ele? Ele disse que vocês estavam apenas correndo em direção à morte. É, isso mesmo: apenas correndo em direção à morte!" A ótima cena de perseguição de carros na qual os policiais seguem Roy pela montanha fatal acima – um espetacular desfecho para o estilo tenso e movimentado do filme - traduz essas palavras para a linguagem visual dinâmica do cinema de ação em seu auge."Daqui.

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sábado, 4 de julho de 2015

Vidas Nocturnas (They Drive by Night) 1940

Os irmãos Paul e Joe Fabrini (George Raft e Humphrey Bogart) dirigem um negócio de camionagem na Califórnia, principalmente dirigido para o mercado da fruta, transportando produtos das explorações agrícolas para os mercados de Los Angeles. Lutam para sobreviver contra os empresários corruptos e a intensa competição. São forçados a conduzir muitas horas e uma noite dão boleia à jovem Cassie Hartley (Ann Sheridan), que acabara de se despedir do seu emprego num terminal de camionagem. Os três testemunham a morte de um conhecido mútuo, que adormece ao volante. Isto causa um profundo efeito em Paulo e Joe, que ficam determinados a encontrar um modo de conseguir um bom dinheiro, para desistir deste trabalho.
Um dos filmes mais populares da Warner no início dos anos 40, "They Drive by Night" é uma obra intensa e emocionante, que apresentava um quarteto de quatro estrelas (Raft, Bogard, Sheridan e Ida Lupino), e era baseado no livro "Long Haul", de A. I. Bezzerides, com argumento de Jerry Wald e Richard Macauley. A segunda parte do filme, é uma vaga adaptação de um outro filme chamado "Bordertown", um "bad girl" melodrama interpretado por Bette Davis e Paul Muni. Como as duas histórias se complementam, e são adaptadas de um modo convincente, acaba por ser uma refrescante mudança de ritmo, pouco normal nas produções de Hollywood.
Já era a segunda colaboração entre Raoul Walsh e Humphrey Bogart, que por esta altura ainda não era uma estrela grande de Hollywood, mas sim um actor mais habituado a papéis de vilão. Os dois voltariam a encontrar-se no ano seguinte em "High Sierra", outra das mais interessantes obras da década de 40. A direcção de Walsh era sólida, e a interpretação de Boogie consegue manter o filme tenso o suficiente para que nunca consigamos adivinhar o que vai acontecer a seguir.
Destaque ainda para Alan Hale, num papel secundário que é um dos melhores do filme.

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sexta-feira, 3 de julho de 2015

Heróis Esquecidos (The Roaring Twenties) 1939

Como "Little Caesar" e "The Public Enemy", "The Roaring Twenties" é passado na década de 20, na era da Lei Seca, quando a lei activa abriu novas oportunidades para o crime organizado, mas esta produção está, na verdade, dividida em duas partes: uma viagem nostálgica para a história original de Mark Hellinger, e um compêndio com os melhores momentos de James Cagney, que depois se afastaria deste tipo de papéis durante quase 10 anos, até "White Heat". Cagney estava claramente cansado dos papéis de gangster e precisava de uma saída,  mas o conceito de Hellinger oferecia uma colecção intrigante de personagens que valia a pena dizer sim.
O dilema do actor era simples: ele era demasiado bom para interpretar constamente vilões. Os argumentistas transformaram o papel de Eddie Bartlett num decente veterano da Primeira Guerra Mundial, que chega a casa e descobre que o seu patrão não se preocupou em aguentar o seu trabalho, numa altura em que opções de trabalho eram inexistentes, e como um veterano da guerra, ninguém parecia se preocupar com o que era feito da sua vida, excepto os seus colegas veteranos, o aspirante a advogado Lloyd Hart (Jeffrey Lynn) e o psycho Killer George Hally (Humphrey Bogart). Há personagens que vêm para casa da Grande Guerra, e encontram a desilusão e a falta de oportunidades e apoio, um cocktail tóxico que irá empurrar Eddie para uma carreira desesperada.
O Eddie de Cagney é, na verdade, a sombra do meio do que são as três facetas de um personagem: ele é um homem duro, mas de bom coração, que tentou manter alguma justiça e confiança durante a sua carreira do crime subconsequente, mas tornou-se uma força letal, porque é assim que ele consegue sobreviver.
Raoul Walsh mostrou que tinha um dom especial para a acção e a comédia irónica, e foi por isso que os estúdios da Warner o puxaram para a lista A, dos seus principais realizadores, e entregaram-lhe em mãos "High Sierra"(1941), novamente com Bogart, e vários filmes com Errol Flynn, incluindo obras de propaganda da segunda guerra mundial como "Objective, Burma" (1945), "Uncertain Glory" (1944) ou "Northen Pursuit (1943).

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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A Queda de um Corpo (The Harder they Fall) 1956



Humphrey Bogart interpreta no papel de Eddie Willis, um antigo comentador desportivo que junta forças com um corrupto promotor de boxe chamado Benko (Rod Steiger).Juntos, preparam um plano para enganar Toro Moreno (Mike Lane), um boxeur gigante pobre de espírito com mais de dois metros de altura. Através de uma série de combates forjados preparados cuidadosamente, Toro é levado a acreditar que é um sério candidato ao título...
Este seria último filme de Bogart, onde ele tem um desempenho contundente e fantástico no papel de um jornalista desportivo. Adaptado de um romance de Budd Schulberg com um argumento clínico de Philip Yordan e realizado por Mark Robson, era uma  mistura corajosa entre melodrama e thriller. O filme é baseado na carreira do boxeur Primo Carnera, um gigante italiano que se tornou campeão de pesos pesados em 1933-34. O verdadeiro Carnera processou a Columbia Pictures pelas supostas combinações de resultados retratadas no filme, mas acabou por perder em tribunal. "The Harder They Fall" serve como uma exposição do controle da Máfia sobre o mundo do boxe.
Filme bastante corajoso e potente para a época, o realizador Mark Robson entrega-nos algumas sequências brutais de combate, e até certo ponto mostra-nos um "documentário" realista sobre um lutador cujo corpo já foi tão torturado que já nem está em condições de começar um trabalho real.
Conseguiu uma nomeação ao Óscar de melhor fotografia (Burnett Guffey), e fez parte da selecção oficial para Cannes, em 1956. Estreado em Abril de 1956, Bogart viria a falecer no ínicio do ano seguinte, com 57 anos.

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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A Mão Esquerda de Deus (The Left Hand of God) 1955



"The Left Hand of God" é um drama extremamente peculiar, em parte devido à decisão do argumentista Alfred Hayes em se concentrar quase que exclusivamente em cenas de personagens, apesar do cenário da Revolução Chinesa marginal durante o final dos anos quarenta, e a névoa perceptível da tristeza circundante no seu elenco principal: era o antepenúltimo filme de Humphrey Bogart, e o canto do cisne da carreira de Gene Tierney, antes de travar uma luta com a doença mental que a manteve fora da tela durante sete anos. 
Um homem com vestes sacerdotais, aparentemente o tão esperado Father O'Shea, chega a uma missão católica pouco frequentada, na China de 1947. Embora o homem pareça curiosamente desconfortável com os seus deveres sacerdotais, as suas tácticas duras são muito bem sucedidas nas Sete Aldeias, enquanto à volta deles a China se desintegra numa guerra civil e numa revolução. Mas ele tem um segredo, e a sua amizade com a enfermeira da missão Anne (uma viúva bastante atraente) parece estar a tomar um rumo pouco vulgar...
Uma produção menor do que outros filmes de estúdio "asiáticos" do período - como " Inn of the Sixth Happiness (1958)" do produtor Buddy Adler,  ou Love is a Many-Splendored Thing (1955) - a maioria dos cenários são compactos, levando a suspeitar que o filme nunca foi feito para ser mais do que uma obra de nível médio, num filme interpretado por duas estrelas de Hollywood em decadência: Humphrey Bogart e Gene Tierney. "Left Hand of God" poderia facilmente funcionar como uma peça de teatro, mas Dmytryk e o diretor de fotografia Franz Planer (20.000 Léguas Submarinas) quiseram investir cuidadosamente na organização de planos para manter a intimidade das personagens, apesar do scope largo.
Algumas sequências de flashback quebram com as cenas de interiores, e a viagem de Jim para uma missão protestante nas proximidades também introduz uma nova ameaça - a exposição e a vingança da igreja - mas Jim descarrega toda a tensão ao admitir que ele é um impostor para o reverendo Marvin (personagem do veterano actor Robert Burton). É mais uma volta estranha na adaptação do romance de William Barrett Hayes, mas faz sentido em termos de manter o drama focado em Jim, e mantendo o foco da trama num  eventual confronto entre ele e Yang (Lee J. Cobb).

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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Os Revoltados do Caine (The Caine Mutiny) 1954



The Caine Mutiny é várias coisas no mesmo filme. É um filme de guerra, um drama de tribunal, alegoria política, e a hora de ouro para muitos dos heróis do estúdio de Hollywood. Produzido por Stanley Kramer e dirigido por Edward Dmytryk, a partir de um romance vencedor do Pulitzer por Herman Wouk (The Winds of War), The Caine Mutiny. 
Durante a Segunda Guerra Mundial, a bordo de um pequeno e insignificante navio da Frota do Pacífico dos EUA, ocorre um evento diferente de qualquer outro que Marinha dos Estados Unidos passou. O capitão do navio é removido do seu comando pelo Diretor Executivo, num aparente acto de motim. Como o julgamento dos amotinados a desdobrar-se, sabe-se então que o capitão do navio era mentalmente instável, talvez até mesmo insano. A Marinha deve então decidir: se o Caine Mutiny foi um acto criminoso ou um acto de coragem para salvar um navio da destruição nas mãos do seu capitão.
A intriga ocupa os dois primeiros actos de The Caine Mutiny, e é tão fascinante como qualquer filme de guerra, mesmo sem a presença constante de armas em punho. Entre os dissidentes, Van Johnson e Fred MacMurray trabalham bem juntos. Maryk (Van Johnson) tem um consciente sentido do dever e da honra e ir contra Queeg (interpretado por Bogart) é uma decisão difícil, que toma quando sente que não tem outra escolha. Keefer (MacMurray), por outro lado, não parece acreditar em muita coisa. As instituições são vazias e os homens são feitos de palha - incluindo ele próprio. MacMurray desempenha o cinismo, mas não sem emprestar ao desempenho da personagem toda a sua dúvida e o ódio. Tal como Keith (Robert Francis) se divide entre os dois, interpretando aquele que é, essencialmente, o papel central de The Caine Mutiny. Felizmente, que todo o material do filme ofusca o actor o suficiente para que Francis não arraste o filme para baixo.
Mas são outros actores que fogem com o filme. Um deles, é claro, é Bogart. Enquanto o seu papel como o obcecado Dobbs em Treasure of the Sierra Madre serve como uma espécie de protótipo para Queeg, Bogart dá um verdadeiro festival como o capitão do navio. Já suspeitavamos que Dobbs era um personagem fraco de vontade e ganancioso, mas Queeg não é assim tão óbvio na sua psicose. O capitão foi um grande homem, que foi deitado abaixo pela guerra, mas vai permanecendo no comando. Quando ele, finalmente, quebra, Bogart torna-se doloroso. O ator é sensível à doença do seu personagem, e tem uma das melhores performances do grande ícone.
A outra interpretação memorável em The Caine Mutiny vem de José Ferrer, que interpreta o tenente Barney Greenwald, o advogado que defende Maryk contra as acusações de motim. O acto final do filme é a audiência da corte marcial. Greenwald está relutante em levar o caso para a frente, mas uma vez que ele é convencido a levar o caso, fará de tudo para tentar expor a verdade
Na altura do seu lançamento, em 1954, The Caine Mutiny foi um grande sucesso. Em retrospectiva, a nossa leitura do filme pode abranger significados agregados, relacionados com o clima político da época. Stanley Kramer era um produtor liberal famoso, e é provável que tenha visto alguma relação entre Queeg e o senador Joseph McCarthy, o capitão paranóico que lutava para manter o poder de um retrato contundente do líder da caça às bruxas comunistas da América. Por outro lado, Edward Dmytryk, que dirigiu filmes tão progressistas como "Crossfire" e "Christ in Concrete", fazia parte dos 10 de Hollywood originais, antes de ter decidido tornar-se uma testemunha amigável e cooperar com HUAC. Podemos especular que talvez ele visse um pouco dele próprio em Maryk, um homem que fez o que achava que tinha de fazer, e para o bem ou para o mal, se viu a ter de explicar as suas escolhas. Maryk foi contra o sistema, interrompeu a ordem das coisas, e houve consequências para ele.
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