Um assalto a um banco numa cidade pequena termina com um dos assaltantes a ser ferido. O saque do roubo é apenas um prémio para o assalto ainda mais espectacular. Simon, o líder de gang e dono de um clube noturno também têm de lidar com o comissario da polícia Edouard Colemane, que por acaso é seu amigo.
Melville estava para o filme americano do crime como Sergio Leone estava para o western americano. Ambos tiraram os arquetipos, motivos e iconografia visual dos seus respectivos géneros e passaram-nos de um certo realismo para a abstração quase completa. O objetivo dos dois cineastas era despojar estes géneros para os seus princípios mais básicos, focando a atenção não tanto nas personagens, mas no processo. Em Melville isto tornou-se uma obsessão tal que os seus personagens eram tão identificáveis pelos seus casacos, chapéus e óculos de sol, ou pelos diálogos lacónicos.
Neste filme somos apresentados a uma trama seria claramente o modelo para "Heat" de Michael Mann. Um proprietário de um clube e assaltante de bancos, Simon (Richard Crenna) e o polícia Eduard Coleman (Alain Delon) são ambos muito bons no que fazem. Ambos, contudo, estão cansados de fazer isso. Simon está a tentar fazer o tal "último trabalho" que vai reformá-lo de vez enquanto Coleman tem que detê-lo, não porque quer, mas porque é isso que ele faz. É o que o define. Que eles são amigos é a questão. Coleman trai essa amizade em cada noite que passa na cama da namorada de Simon, Cathy (Catherine Deneuve). O que se deve fazer num mundo onde a linha entre o certo e o errado situam-se muito mais próximas do que deviam?
Este era o último filme de Melville, e embora esteja longe do seu melhor (cuja honra vai claramente para Le Samourai), é o mais típico do realizador. Tudo o que veio a ser conhecido como "Melville" encontra-se aqui, de uma ou outra forma, ao longo dos 98 minutos. As falhas que se podem encontrar são as falhas normais de muitos "auteurs". Nestes filmes, há um interesse obsessivo em seguir sobre o mesmo terreno temático, e uma relutância em abandonar as velhas formas de artifício cinematográfico para um realismo mais contemporâneo. Hitchcock com o altamente teatral "Marnie" e Hawks com seu filme muito na onda de Rio Bravo, "Rio Lobo", também entraram directamente em desacordo com a nova vaga de entretimento, como Bonnie e Clyde e The Wild Bunch. Para estes cineastas era como se o tempo tivesse parado, ficasse preso dentro dos limites da sua visão pessoal, mas eram filmes obrigatórios. E assim é este "Un Flic". Não estamos em Paris, Nova York ou Roma, mas no mundo de Jean-Pierre Melville, um lugar composto de imagens e sons que são retiradas da vasta biblioteca da nossa compartilhada memória cinematográfica.
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
O Círculo Vermelho (Le Cercle Rouge) 1970
Le Cercle Rouge era o penúltimo dos 13 filmes de Jean-Pierre Melville. Sempre um artista ferozmente independente, que trabalhava como seu próprio produtor, em grande parte das vezes fora do sistema francês (ele era um de um punhado de realizadores franceses que tinha o seu próprio estúdio), Melville criou um conjunto significativo de filmes ao longo de pouco mais de duas décadas, e sempre será lembrado como uma das influências fundadoras da Nouvelle Vague e o padrinho do cinema de crime europeu.
Os policiais feitos por si, estão profundamente flexionados com obsessões americanas de cinema, e, por sua vez, estes filmes tiveram um efeito profundo numa nova geração de cineastas de todo o mundo, de Quentin Tarantino a John Woo.
Le Cercle Rouge é, na sua essência, um filme de assalto, embora seja muito mais sobre como as relações entre os criminosos e aqueles que os persegue, do que é sobre o próprio crime. Alain Delon, que teve um de seus melhores papéis como um assassino ultra-cool no filme de Melville, Le Samouraï (1967), interpreta Corey, um ladrão que é libertado da prisão e imediatamente estabelece o plano do roubo a uma loja de jóias parisiense altamente guardada. O fatalismo é um componente crucial em muitos filmes de Melville, e logo se estabelece este tema através do regresso de Corey à vida do crime. Este fatalismo é também notado quando Corey une forças com Vogel (Gian Maria Volonté), um fugitivo que se esconde no porta-malas do carro de Corey. Se ele tivesse escolhido qualquer outro carro, as coisas poderiam ter sido muito diferentes. Para completar o grupo, temos Jansen (Yves Montand), um ex-investigador da polícia que não quer fazer o assalto por dinheiro, mas pela a satisfação do trabalho em si.
Claro que, como este trio improvável planeia um assalto complicado, cada um está a ser perseguido por alguém ou alguma coisa, o passado nunca está morto, e corre sempre atrás deles. Corey está em apuros com a máfia, que quer recuperar o dinheiro que ele roubou. Vogel pelo intrépido detective Mattei (André Bourvil), um homem discreto, determinado, e que é sem dúvida o personagem mais honrado do filme. Mesmo que Melville nos persuade a identificar-nos com os criminosos e a sua situação, complica as coisas, fazendo um personagem simpático e resistente, Mattei, em vez de um detective desviado e corrupto como tantos outros da polícia, em filmes deste tipo. Jansen está a ser perseguido por algo diferente: os seus próprios demónios pessoais do fracasso e da desilusão. Quando o conhecemos, está tão viciado em álcool que alucina que vê animais e répteis a rastejar pela sua cama, e o assalto torna-se uma forma de redenção para si, o que é irónico, já que ele era um polícia.
Ao contrário de muitos filmes de hoje rm dia, Melville leva o seu tempo com a alcançar o ritmo em Le Cercle Rouge, permitindo a que as personalidades dos personagens sejam desenvolvidas. Mantem-nos a uma certa distância dos seus personagens, muitas vezes enfatizado com ângulos de longa distância ou um enquadramento deliberado que os coloca em lados opostos da tela, mas eles são tão convincentes na sua autoridade silenciosa que somos atraídos para eles, queremos saber mais sobre eles, assim como eles se recusam a revelar-se. Estes são homens de ação, não de palavras, e muito do que se passa entre eles é o silêncio que brota com significado. Simples acenos, olhares e linguagem corporal transmitem muito do que precisamos saber. A desenvoltura, dedicação e a honra que existe entre si é admirável, apesar do status como criminosos, e quando a corda aperta, finalmente, no fim e que nós sabemos o que irá acontecer, e sentimos uma ponta de tristeza com a perda.
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
O Exército das Sombras (L'Armée des Ombres) 1969
Desacreditado pelos críticos franceses durante o seu lançamento inicial em 1969, o Exército das Sombras (L'Armée des ombres), de Jean-Pierre Melville, tem desfrutado de uma reavaliação crítica nos últimos anos, culminando numa restauração do negativo original e a exibição da primeira versão teatral nos Estados Unidos, 37 anos depois de estrear em França, e 33 anos depos da morte do seu autor, cuja feroz independência e inovação estilística lhe renderam o título de "Padrinho da Nouvelle Vague." Como o próprio título sugere, o Exército das Sombras é um retrato, assombrado da Resistência Francesa durante a Segunda Guerra Mundial, e não é, nem de comemoração de algum evento (como era originalmente criticado por ser), nem uma versão cínica da guerra. Em vez disso, Melville navega por entre a zona moral mais obscura entre o necessário e o impensável, com foco em personagens que são forçadas a fazer escolhas agonizantes num momento em que parecia que o mundo todo desabava sobre eles.
A cena de abertura, que estabelece o âmbito trágico do filme, teria sido um choque em 1969, e hoje ainda mantém o poder sublime: uma linha de soldados alemães a passar pelo Arco do Triunfo e, de seguida, virando no famoso Champs-Élysée, mesmo na direção da câmera. Esta metonímia visual para a queda moral e militar francesa, surpreendentemente, nunca tinha sido recriada num filme francês antes de Melville se atrever a abrir um filme com ela, e a carregar uma carga de melancolia que persiste ao longo do filme.
A narrativa começa em 1942, bem depois de grande parte da França ter caído para o império Nazi, quando o movimento da resistência ainda era pequeno e fracturado. O argumento de Melville, que é baseado no romance de 1943 de factos reais, escrito pelo lutador da Resistência Joseph Kessel, divide o seu foco entre os vários combatentes da Resistência, mantendo assim a estrutura do romance original. Como resultado, não há um protagonista, apesar de andarmos sempre perto de Philippe Gerbier (Lino Ventura), um engenheiro bem-educado, prático, e por vezes um implacável civil, que dirige uma pequena célula de combatentes da Resistência. Fundamentalmente, quando vimos pela primeira vez Gerbier, foi capturado e está a ser transportado para um campo de prisioneiros de Vichy. Assim, a ameaça de captura e morte paira sobre os personagens nos momentos de abertura do filme, lembrando que esta não é uma fantasia escapista de acção teatral, mas sim um jogo de moralidades, sobre desespero e fatalismo.
Outros membros da célula de Gerbier incluem Félix (Paul Crauchet), Le Bison (Christian Barbier), e Le Masque (Claude Mann). Eles ganharam um novo recruta em Jean-François Jardie (Jean-Pierre Cassel), cujo irmão mais velho, Luc Jardie (Paul Meurisse), é o chefe da Resistência. O outro personagem crucial é uma raridade para um universo tipicamente pesado de Melville: Mathilde (Simone Signoret), uma mulher de aço, de bravura intensa, que no entanto tem um ponto fraco, que irá trazer ao filme o seu clímax trágico.
Ao longo do filme cada um desses personagens tem momentos que poderiam ser convencionalmente definidos como "heroísmo", mas Melville apresenta-los de forma a enfatizar a simples humanidade. Melville também infunde o filme com momentos de humor negro, como a cena em que Gerbier deve regressar imediatamente para França a partir de Londres, onde tem andado a recrutar ajuda entre os britânicos, e é forçado a atirar-se de pára-quedas para uma uma zona de guerra, apesar de nunca o ter feito antes. A sua relutância um pouco cómica para dar o salto final é um bem-vindo toque de humor, mas também é testemunho do facto de que mesmo os mais duros também têm momentos de dúvida ou fraqueza.
Embora haja pouca ação convencional em "O Exército das Sombras" - a maior parte do filme centra-se sobre os detalhes do processo do planeamento e, mais na emoção do que na execução - quando Melville emprega a violência, ele fá-lo de uma forma bem dura. A cena mais brutal do filme retrata Gerbier, Félix, Le Bison, e Le Masque executando um jovem que contou alguns segredos aos alemães. Enquanto a cena é um prenúncio de escolhas mais difíceis que ainda estão por vir, também funciona como uma das representações mais implacáveis de sempre do que está envolvido em tirar a vida a outra pessoa. Não é possível usar uma arma porque os vizinhos poderiam ouvir, os combatentes da Resistência calmamente debatem como executar o jovem traidor mesmo em frente a ele, e eventualmente, decidem-se sobre o método de estrangulamento com uma toalha. De certa forma, parece que o tipo de humor negro que se poderia encontrar num filme de Hitchcock, mas também funciona para nos lembrar que estes combatentes da Resistência são homens desesperados que, se necessário, empregam tácticas brutalmente violentas para garantir a sua própria sobrevivência e, a sobrevivência da França. O heroísmo, Melville mostra-nos que é um assunto profundamente complicado.
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
O Ofício de Matar (Le Samouraï) 1967
"Le Samouraï" era o segundo dos filmes de Jean-Pierre Melville a cores, mas podia muito bem ter sido feito a preto e branco. As cores das ruas parisienses e as paredes cinzentas dos interiores sugerem uma zona moral escura, um lugar em que as personagens derivam, e ocasionalmente, dão encontrões umas nas outras. Como a maioria das mais conhecidas obras de Melville, a alma do filme está profundamente enraizada no élan do filme noir americano e o seu universo restrito de gravidade, moralidade e interlúdios fatídicos. Quando era mais novo, Melville tinha absorvido tudo o que Hollywood poderia oferecer, e era isso que ele queria dar quando começou a carreira como realizador, na cinema na década de 1950, trabalhando independentemente no seu próprio estúdio e reformulando géneros americanos com um toque decididamente europeu.
O herói de Melville em "Le Samouraï" é Jef Costello (Alain Delon), o "samurai" do título, embora não no sentido de que nós geralmente pensamos. Jef não é definido pela nobreza do propósito ou mesmo pela consistência da visão, mas sim pela sua solidão. Uma citação inventada no início do filme informa-nos sobre a solidão da vida do samurai, algo que Melville invoca imediatamente com monotomia, Jef no quarto do apartamento. Como os mais emblemáticos durões, Jef é um homem de poucas palavras, mas é também um homem de pouca acção. Um assassino contratado, ele mata o proprietário de uma boate logo no início do filme, um acto que irá ter um efeito dominó de eventos que acabará por leva-lo à ruína. No entanto, Jef é tão resignado que parece não se importar. De certa forma, ele é o epítome do "ultra-cool" (daí porque tanto John Woo como Quentin Tarantino são tão fervorosos admiradores do filme), mas ao mesmo tempo ele parece ser um fantasma na sua própria vida.
Um investigador da polícia (François Périer) tem a certeza de que Jef está por trás do crime, e ainda consegue levá-lo para a esquadra para identificação. No entanto, Jef tem um álibi perfeito inventado com a sua namorada, Jane Lagrange (Nathalie Delon), e uma pianista na boate (Caty Rosier) que o viu sair do escritório do proprietário, mas recusa-se a identificá-lo por razões que apenas descobrimos mais tarde. No entanto, apesar de Jef parecer escapar da acusação, continua a ser arrastado pela polícia e, de seguida, torna-se um alvo ele próprio quando os seus empregadores decidem que a fixação da polícia nele é um risco.
Isso faz com que "Le Samouraï" pareça ter uma história pesada, mas na verdade não tem. Como nos seus outros filmes de gangsters, Melville leva o seu tempo a desenhar os eventos, focando-se mais nos personagens e na atmosfera do que no "quem, o quê, quando ou por quê". Alguns elementos são deixados intencionalmente vagos, incluindo o caráter da personagem Jef, cuja falta de uma história de fundo e motivos transformam-no numa projecção de fantasia do estoicismo masculino.
Este papel, não surpreendentemente, fez de Alain Delon uma estrela. Apesar da sua gama limitada de expressões, Delon transmite muito através dos seus penetrantes olhos azuis, e os seus pequenos gestos de linguagem corporal. A frieza tão lhe frequentemente atribuída é um produto da sua completa auto-confiança, o que o leva a tomar uma decisão crucial no último acto que finalmente lhe imbui com um sentido de nobreza, além de toda a sua solidão.
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
O Segundo Fôlego (Le Deuxième Souffle) 1966
Um dos mais longos filmes da obra de Jean-Pierre Melville, "Le Deuxième Soufflé" é uma meditação sobre o destino ambicioso disfarçado de "caper crime". Tendo-se deslocado para o filme de gangsters com "Le Doulos", de 1962, Melville tentou esticar o género aos seus limites existenciais, utilizando o tradicional enredo "policias vs. ladrões" como uma base para explorar o desespero e o desejo de sobreviver. O título do filme, que literalmente significa "segundo vento", é, ironicamente, evocativo do modo em que o herói do filme, um criminoso foragido chamado Gustave "Gu" Minda (Lino Ventura), vai passar o filme inteiro tentando sobreviver o tempo suficiente para reivindicar uma nova vida - um segundo fôlego que pode nunca chegar.
O filme começa no meio de uma fuga da prisão, que estabelece de imediato a ênfase do filme na fisicalidade e na abstração, em vez da exposição óbvia. Na verdade, Melville (que escreveu o argumento, além de o dirigir) estrutura a primeira meia-hora em redor de uma confusa série de eventos e apresentações de personagens que não levam ressonância narrativa até mais tarde, obrigando assim, o espectador a ter que seguir o argumento, com bastante atenção. Esta é a força e a fraqueza do filme, pois permite a Melville trazer à tona várias sub-tramas que ajudam a criar a atmosfera geral do filme, de intriga fatalista, mas também cria um efeito ligeiramente arrastado que faz com que o filme se faça sentir mais do que realmente é.
Num sentido mais amplo, a narrativa segue Gu como ele se move de esconderijo para o esconderijo numa tentativa de recuperar a liberdade perdida, sempre esquivo ao ser perseguido pelo obstinado inspector de polícia Blot (Paul Meurisse). Depois de ter passado a década anterior na prisão pelo assalto a um comboio, Gu é algo como uma relíquia, uma parte de um velho mundo subterrâneo, cuja estrita aderência ao código de criminoso é cada vez mais (e, na visão moral do filme, tragicamente) desatualizado. Gu tem mantido muitas boas relações, e vai permanecendo vivo grande parte por causa da sua vida de criminoso do passado. Neste sentido, o filme segue muito a linha de uma série de filmes de crime franceses da década de 60, que incidiu sobre o envelhecimento dos bandidos num mundo moderno, mas também Sam Peckinpah, em The Wild Bunch (1969), narrou "honráveis" criminosos que tentam sobreviver num mundo cada vez mais desonroso, ainda que dentro do reino do velho Oeste, em vez do mundo do crime parisiense.
A peça central de "Le Deuxième Soufflé" é um roubo a um carro blindado que se destaca visualmente do restante do filme na sua ênfase da abertura. Grande parte do filme passa-se em quartos de hotéis lotados, bares lotados, e os interiores de vários automóveis, mas para o assalto Melville leva-nos para uma estrada dramaticamente enorme e quase deserta, nas montanhas. Como a fuga da prisão da abertura, a sequência de assalto permite a Melville saciar a sua propensão especial para a inclusão de acção complexa, sem qualquer tipo de diálogo, e ter que fazê-lo num espaço aberto tem um efeito estranhamente intensificando, especialmente em contraste com o resto dos interiores do filme (podemos ver o mesmo princípio de trabalho em "Seven" de David Fincher, um filme perpetuamente escuro e claustrofóbico que brilhantemente encena o seu clímax na luz solar num campo aberto e árido).
Neste ponto da sua carreira, Melville foi claramente mudando para uma abordagem mais existencial que usou o género policial como um esqueleto sobre o qual pendurou os seus estudos de personagens fatalistas, e enquanto "Le Deuxième Soufflé" pode não ser a sua maior obra, representa um passo crucial no seu desenvolvimento como cineasta e ícone.
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Um Homem de Confiança (L'Aîné des Ferchaux) 1963
Um venerável banqueiro de Paris (Charles Vanel) parte para os EUA quando descobre que haverá uma investigação sobre os seus questionáveis negócios. Acompanhado pelo seu fiel pupilo Michel (Jean-Paul Belmondo), a dupla viaja para Nova York de avião e, eventualmente, para Nova Orleans, de carro. Michel planeia fugir com o dinheiro do patrão, mas os sentimentos de lealdade para com o velho impedem-no de realizar o assalto pleaneado.
"L'Ainé des Ferchaux" parece ser o filme esquecido de Melville, da década de 60. Embora seja baseado num romance de Simenon, a adaptação de Melville tem em comum com o livro apenas os contornos da história, e muda a acção do Panamá para os EUA. Com efeito, torna-se um complemento para um filme anterior de Melville, Deux Hommes dans Manhattan, com Vanel como um financeiro desonesto que defrauda a família Ferchaux e foge para Nova York, acompanhado por ex-boxeaur interpretado por Belmondo.
Seja qual for a razão, o resultado permitiu a Melville, tal como ele reconheceu, ter muita diversão remendando a longa-metragem nos exteriores americanos com material de estúdio, porque a maioria do filme foi rodado no sul da França, embora pretendendo ser nos EUA. Os remendos não funcionam muito bem, especialemente se formos fazer uma viagem semelhante através do leste e sul americano, com os locais, ocasionalmente, a mudarem de forma inesperada, mas Melville não se importou muito com esses pequenos detalhes, há sim uma preocupação genuína em encontrar continuidades entre as cores de neon que ele encontra nas ruas americanas, e define isso muito bem nos cenários em França.
Sempre um admirador dos EUA, Melville começa a descobrir aqui o amor, tanto em termos dos lugares que ele escolhe para colocar na tela, como nos filmes a que ele presta homenagem - começando com The Set-Up nas cenas de abertura, a música ocidental, que sublinha muito da viagem pela estrada que Charles Vanel faz com o seu assistente, Jean-Paul Belmondo. Foi o primeiro filme a cores de Melville, e embora se diga que tenha gostado de trabalhar neste formato, voltou ao preto e branco no filme seguinte.
Legendado em inglês.
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O Denunciante (Le Doulos) 1962
"Bob le Flambeur" de 1956, que é amplamente considerado como uma espécie de filme de gangsters, mas "Le Doulos" foi o primeiro filme de Melville a destilar puramente o género, inspirado tanto pelos códigos morais do ciclo de gangsters dos anos 30 como pelas obscuras e cínicas maquinações do filme noir. E, enquanto "Bob le flambeur" era um estudo de uma personagem fundamentalmente parisiense, profundamente enraizada na cultura do pós-Segunda Guerra Mundial na Europa, "Le Doulos" parece que poderia ser definido como no submundo de Chicago ou Nova York, trazendo assim a fruição da obsessão de Melville por tudo o que era americano.
"Le Doulos" era baseado num romance de 1957 de Pierre Lesou, que viria a dizer que preferia a adaptação ao cinema de Melville ao seu livro. A história, tanto no romance como no filme, é um conto densamente baseado no engano em que os personagens desesperados manipulam aqueles à sua volta, num duplo esforço para preservar as suas próprias vidas e descobrir quem é leal, e quem não é (a lealdade é um dos temas principais do filme, e a sua manutenção ou a traição conduzem as acções dos personagens). O foco da história é dividido entre dois personagens principais, e ambos permanecem opacos até aos momentos finais do filme. Vimos pela primeira vez Maurice Faugel (Serge Reggiani), que é introduzido a andar debaixo de uma ponte sombria num rastreamento fatalista logo depois dos créditos de abertura. Vestindo o casaco icónico de um gangster, ele claramente caminha para a morte, embora, neste caso, não seja a sua, mas sim a do seu amigo Gilbert (René Lefèvre), a quem ele mata a sangue frio. Maurice depois rouba um saco de jóias que Gilbert tinha no seu poder de um assalto anterior, e enterra-as debaixo de um poste de electriciadade, uma acção que vai desencadear uma cadeia inexorável de acontecimentos.
Saltamos então para o outro personagem principal, Silien (Jean-Paul Belmondo, então já um ícone internacional, dois anos depois de Acossado de Jean-Luc Godard), um amigo de Maurice, de quem pairam rumores de ser um informante da polícia (o título do filme "doulos" na gíria significa "delator"). Maurice fala a Silien sobre um roubo que ele anda a planear, e quando o roubo é frustrado pela polícia, resultando na morte de um policia, parece que o estatudo de Silien de informante foi confirmado. Os truques de Melville na narrativa vão muito para lá do óbvio, o que significa que as perguntas nunca são respondidas à primeira instância, cada personagem mente em algum ponto, o que sublinha outro dos temas mais importantes do filme: a natureza do engano, e como é necessária para a sobrevivência, mas também como fonte constante da morte. E assim, Melville brinca com a mais cruel ironia do submundo.
Mesmo que seja considerado o primeiro filme verdadeiramente de gangsters de Melville, depois de o assistirmos, pensamos que Melville já os vinha a fazer desde há anos. E claramente tinha absorvido a visão do mundo dos gangsters de incontáveis filmes americanos, que amava muito acima dos inferiores filmes de gangsters franceses, que tinham saturado o mercado francês na década de 50 (numa entrevista para a televisão, Melville desligou-se do filme de gangsters francês, lembrando que o único e verdadeiro que ele se lembrava era a obra-prima de 1955, "Rififi", que não foi por acaso que foi dirigido pelo expatriado americano Jules Dassin). O filme é infundido com um sentido perverso da violência, que é sugerido pela primeira vez no crime de abertura inesperado, e é solidificado quando a conversa casual de Silien com a namorada de Gilbert, Therese (Monique Hennessy), se transforma de repente e bruscamente, numa crueldade, lembrando-nos que cada interacção, não importa que seja benigna, pode ficar obscura. Trabalhando com o veterano diretor de fotografia Nicolas Hayer, Melville dá a "Le Doulos" uma sensação clássica do Noir que, como outros já apontaram, cria um universo fechado que é completamente artificial, mas também extremamente atraente. O uso de Melville de sombras escuras, ângulos inclinados, e movimentos de câmera fluidos impregnam ao filme o seu fatalismo crucial, e como personagens entrando e saíndo das sombras, somos lembrados da dualidade moral, e do facto de que nada pode ser confiável até à última cena do filme.
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domingo, 17 de fevereiro de 2013
Dois Homens em Manhattan (Deux hommes dans Manhattan) 1959
Os dois jornalistas do título estão no rastro de uma história - um diplomata francês, e antigo herói da resistência, desapareceu da ONU sem motivo aparente. Enquanto vagueiam pela cidade de Nova Iorque, visitando vários marcos da cidade, tentando descobrir a razão para o desaparecimento, os jornalistas finalmente descobrem que o homem morreu enquanto estava no apartamento da sua amante. O mulherengo e bêbado fotógrafo tenta posar o corpo da forma como ele morreu, enquanto estava na cama com a namorada, e tira-lhe algumas fotos. Agora, os dois homens têm um grave dilema. Delmas (Grasset) quer usar as fotos para criar manchetes sensacionalistas e assim ganhar muito dinheiro, mas Moreau (o próprio Melville, que não aparece nos créditos do filme como actor), que sente compaixão pela filha do homem, quer que encubram tudo o que encontraram e enterrar o que sabem.
Dois Homens em Manhattan é tanto um conto noir realisticamente sombrio como uma espécie de mundo de sonhos que só podemos ver no cinema. Lançado no final do período clássico do noir americano e perto do início do francês, "Deux hommes dans Manhattan" é um film noir, onde Nova York é o personagem principal. Esta foi a segunda tentativa de Jean-Pierre Melville, no noir. De acordo com entrevistas posteriores na sua vida, considera que este é o seu mais fraco filme, o que deve ser verdade, embora não faça dele um mau filme.
Embora os heróis de Melville pareçam menos "desconstruídos" aqui do que nos seus filmes mais famosos, ele usa alguns meios subtilmente elaborados para enfraquecê-los. Durante todo o filme, eles estão numa posição de poder, movendo-se com facilidade através dos diferentes mundos de Nova York, a partir de casas burlescas e bordéis até aos caros apartamentos burgueses, ligando dois reinos aparentemente díspares. Ao entrevistar pessoas que conheceram Fevre-Berthier, Moreau permanece rigidamente enquadrado, enquanto os seus interlocutores são filmados de ângulos diferentes, cortados, fragmentados, imaginando a sua integridade inquebrável, e as suas dissimulantes múltiplas identidades.
O filme parece que foi feito em fuga. Todas as cenas ao ar livre de Nova York, começando com algumas belas cenas de Times Square, parecem ter sido filmadas rapidamente antes que alguém percebesse que um filme estava a ser feito. Só nos primeiros cinco minutos conseguimos observar com atenção Times Square, o edifício das Nações Unidas e Rockefeller Center na época do Natal.
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Dois Homens em Manhattan é tanto um conto noir realisticamente sombrio como uma espécie de mundo de sonhos que só podemos ver no cinema. Lançado no final do período clássico do noir americano e perto do início do francês, "Deux hommes dans Manhattan" é um film noir, onde Nova York é o personagem principal. Esta foi a segunda tentativa de Jean-Pierre Melville, no noir. De acordo com entrevistas posteriores na sua vida, considera que este é o seu mais fraco filme, o que deve ser verdade, embora não faça dele um mau filme.
Embora os heróis de Melville pareçam menos "desconstruídos" aqui do que nos seus filmes mais famosos, ele usa alguns meios subtilmente elaborados para enfraquecê-los. Durante todo o filme, eles estão numa posição de poder, movendo-se com facilidade através dos diferentes mundos de Nova York, a partir de casas burlescas e bordéis até aos caros apartamentos burgueses, ligando dois reinos aparentemente díspares. Ao entrevistar pessoas que conheceram Fevre-Berthier, Moreau permanece rigidamente enquadrado, enquanto os seus interlocutores são filmados de ângulos diferentes, cortados, fragmentados, imaginando a sua integridade inquebrável, e as suas dissimulantes múltiplas identidades.
O filme parece que foi feito em fuga. Todas as cenas ao ar livre de Nova York, começando com algumas belas cenas de Times Square, parecem ter sido filmadas rapidamente antes que alguém percebesse que um filme estava a ser feito. Só nos primeiros cinco minutos conseguimos observar com atenção Times Square, o edifício das Nações Unidas e Rockefeller Center na época do Natal.
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sábado, 16 de fevereiro de 2013
Bob le Flambeur (Bob le Flambeur) 1956
"Bob le Flambeur" é um filme feito ainda no início da carreira de Jean-Pierre Melville. Enquanto não se tornara um sucesso comercial ganhou uma série de seguidores entre outros cineastas, pele seu retrato cansado do mundo e da vida, das cenas de exteriores, e também pelo seu inesquecível protagonista, Bob - interpretado com uma discreta elegância por Roger Duchesne. Produzido durante um período de dois anos, Melville foi fazendo o filme conforme tinha dinheiro suficiente para cobrir as despesas geradas por alguns dias de filmagem. Hoje, Bob le flambeur continua a ser um dos mais memoráveis filmes noir franceses do período clássico. Tal como Max, o protagonista de "Touchez pas au grisbi", Bob é essencialmente um solitário cercado por um círculo leal, mas enquanto Max é invulnerável, Bob tem uma falha fatal. E como o título sugere - o calcanhar de Aquiles de Bob é o seu vício do jogo. Desde cartas a dados, de apostas nas corridas, se ele poder apostar ou jogar com as probabilidades, ele faz.
O filme começa com a vida nas ruas, quando o amanhecer chega ao bairro de Pigalle, em Paris. Famoso pela sua vida noturna, é o refúgio de chulos, prostitutas, criminosos e daqueles que vivem à margem da sociedade. Um trabalhador passa pelo seu caminho para o trabalho, varredores lavam as ruas, e uma jovem circula pela rua. De acordo com a narração de voice-over, esta jovem "floresceu cedo para a sua idade", chama-se Anne (Isabelle Corey, que tinha 16 anos quando começou a rodagem) ainda tem a face de uma adolescente.
Entretanto, Bob Montagne (Roger Duchesne) é um jogador famoso actualmente a lidar com uma série de derrotas sucessivas depois de ter saído da prisão recentemente. Enquanto está a ser observado pelo inspector da polícia chamado Ledru (Guy Decomble), Bob mantém um low profile, para não dar muito nas vistas, até que conhece um jovem chamado Paolo (Daniel Cauchy), que costumava andar com um poderoso e decadente chulo, chamado Marc (Gerard Buhr). Bob mostra a Paolo um pouco da sua vida, e mais tarde conhece uma linda jovem chamada Anne (Isabelle Corey), que se encontra na companhia de Paolo. Quando Bob encontra o amigo Roger (Andre Garet), este revela-lhe que conhece um croupier (Claude cerval) no Casino de Deauville, que afirma que há 800 milhões de francos num cofre. Bob decide encenar um assalto, junto com Roger, organizado com muito cuidado, com a ajuda de Paolo que pretende saír debaixo das garras de Marc. Para Bob, é a hipótese de viver uma vida de aposentado e não sucumbir à sua recente maré de azar.
Enquanto Bob le Flambeur é geralmente citado como uma homenagem ao gangsterismo americano, alguns críticos batiam no filme como uma pálida imitação de filmes de assalto americanos. O filme é essencialmente a história de um jogador a fazer a sua aposta final, planeando um assalto a um casino. O argumento da autoria de Jean-Pierre Melville e Auguste le Breton definitivamente jogam entre os elementos de filme noir e do filme de assalto, onde há um monte de regras e convenções que nos são apresentadas.
"Bob le Flambeur" é um filme de crime magistralmente trabalhado por Jean-Pierre Melville. Com excelente desempenho de Roger Duchesne e Corey Isabelle, que elevam estes dois sub-géneros negros até um pantamar poucas vezes vistos, até então.
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O filme começa com a vida nas ruas, quando o amanhecer chega ao bairro de Pigalle, em Paris. Famoso pela sua vida noturna, é o refúgio de chulos, prostitutas, criminosos e daqueles que vivem à margem da sociedade. Um trabalhador passa pelo seu caminho para o trabalho, varredores lavam as ruas, e uma jovem circula pela rua. De acordo com a narração de voice-over, esta jovem "floresceu cedo para a sua idade", chama-se Anne (Isabelle Corey, que tinha 16 anos quando começou a rodagem) ainda tem a face de uma adolescente.
Entretanto, Bob Montagne (Roger Duchesne) é um jogador famoso actualmente a lidar com uma série de derrotas sucessivas depois de ter saído da prisão recentemente. Enquanto está a ser observado pelo inspector da polícia chamado Ledru (Guy Decomble), Bob mantém um low profile, para não dar muito nas vistas, até que conhece um jovem chamado Paolo (Daniel Cauchy), que costumava andar com um poderoso e decadente chulo, chamado Marc (Gerard Buhr). Bob mostra a Paolo um pouco da sua vida, e mais tarde conhece uma linda jovem chamada Anne (Isabelle Corey), que se encontra na companhia de Paolo. Quando Bob encontra o amigo Roger (Andre Garet), este revela-lhe que conhece um croupier (Claude cerval) no Casino de Deauville, que afirma que há 800 milhões de francos num cofre. Bob decide encenar um assalto, junto com Roger, organizado com muito cuidado, com a ajuda de Paolo que pretende saír debaixo das garras de Marc. Para Bob, é a hipótese de viver uma vida de aposentado e não sucumbir à sua recente maré de azar.
Enquanto Bob le Flambeur é geralmente citado como uma homenagem ao gangsterismo americano, alguns críticos batiam no filme como uma pálida imitação de filmes de assalto americanos. O filme é essencialmente a história de um jogador a fazer a sua aposta final, planeando um assalto a um casino. O argumento da autoria de Jean-Pierre Melville e Auguste le Breton definitivamente jogam entre os elementos de filme noir e do filme de assalto, onde há um monte de regras e convenções que nos são apresentadas.
"Bob le Flambeur" é um filme de crime magistralmente trabalhado por Jean-Pierre Melville. Com excelente desempenho de Roger Duchesne e Corey Isabelle, que elevam estes dois sub-géneros negros até um pantamar poucas vezes vistos, até então.
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Les Enfants Terribles (Les Enfants Terribles) 1950
Elisabeth é muito protectora com o irmão adolescente Paul, que é ferido numa luta de bolas de neve na escola, e tem que descansar na cama a maior parte do tempo. Os irmãos são inseparáveis, vivem no mesmo quarto, lutando, jogando jogos secretos, e raramente saem de casa, embora o amigo de Paul, Gerard, por vezes fique com eles. Um dia Elisabeth traz para casa Agathe, também para viver com eles. Tem uma forte semelhança com Dargelos, o estudante por quem Paul tem uma queda, e que o feriu na luta de bolas de neve. Paul e Agathe sentem-se atraídos, fazendo com que Elizabeth fique com cíumes...
De um certo ponto de vista, uma parceria entre Jean-Pierre Melville e Jean Cocteau em Les Enfants Terribles podia parecer estranha, mas no momento em que isso aconteceu não foi muito notado. Melville, era então um desconhecido, que tinha acabado de completar a sua primeira longa-metragem "Le silence de la mer", uma adaptação bem recebida do romance popular de Jean Bruller, quando Cocteau entrou em contacto com ele, sobre a adaptação do seu famoso livro sobre a adolescência. O filme, tal como o livro, foi um sucesso, e não é fácil de perceber qual dos dois terá sido o mais responsável.
A popularidade do livro pode ter tido a ver com o atraente, ainda que castigante, tratamento da juventude urbana moderna como românticos decadentes. A sexualidade dos personagens é tratada abertamente. Cocteau foi retirar a idéia nos ideais da juventude inocente, mas também evoca preocupações conservadoras dos adultos na monstruosidade adolescente. Havia potencial nesta história que podia oscilar entre os dois lados opostos.
As obras de Cocteau frequentemente ocorrem num reino alusiva e levemente surreal. Melville e toda a parte visual de Henri Decae combinam relativamente bem com as técnicas de enquadramento e as sequências claustrofóbicas. Os cenários, criados por Melville e parcialmente construídos por etapas no Teatro Pigalle, tiram proveito de plataformas móveis para criar incríveis movimentos de câmara.
Legendados em inglês.
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