Logo depois de chegar a uma base do Exército americano, localizada na fronteira do Arizona com o México, Matt Hazard, um tenente da Cavalaria, e os seus homens sofrem um ataque brutal de uma tribo indígena. O episódio provoca uma virulenta reação do governo, disposto a iniciar uma campanha de expulsão sumária dos índios da região. Um dos sobreviventes do massacre, Hazard, tenta de todas as maneiras encontrar uma solução pacífica, sabendo que tem poucas hipóteses de sucesso junto das autoridades.
"A Distant Trumpet" (1964) foi o derradeiro filme de Raoul Walsh. Walsh, que também trabalhou como argumentista, actor, produtor e montador, em várias ocasiões da sua carreira, tinha feito a sua primeira curta em 1913 ("The Pseudo Prodigal"), ou seja, a sua carreira estendeu-se praticamente por toda a história de Hollywood. Tal como ele próprio dizia: "Vi o nascimento de Hollywood, a sua época de ouro, e o seu declínio".
O filme anterior de Walsh tinha sido "Marines, Let's Go" (1961), mas no intervalo ele tinha sido escalado para realizar "PT 109" (1963), um retrato do serviço naval do presidente John F. Kennedy. Jack L. Warner relutantemente despediu Walsh desse filme, antes das rodagens começarem, devido a pressões de Washington. Mas Walsh ainda devia um último filme à Warner Bros, e sendo ele um velho amigo do produtor (para quem tinha rodado cerca de 25 filmes), este conseguiu meter-lhe nas mãos "A Distant Trumpet", um western sobre a cavalaria que Laurence Harvey havia sido previamente escolhido para realizar e interpretar.
O filme era baseado num livro histórico de Paul Horgan, um aclamado historiador do sudoeste americano que já havia ganho um prémio Pulitzer, e que ainda viria a ganhar outro. A adaptar o livro para um argumento estava John Twist, que já tinha trabalhado com Walsh por seis vezes, uma delas em "Colorado Territory". Quando Walsh leu o argumento, imaginou logo John Wayne para o papel principal, mas o estúdio já tinha outros planos, e obrigou-o a usar um trio de actores mais jovens, possivelmente para chamar um público mais novo, já que estavam todos na casa dos 20: Troy Donahue, Suzanne Pleshette, e Diane McBain. Sendo bastante reminiscente dos westerns sobre a cavalaria de Ford, no ambiente e no género, é também um filme majestosamente simples.
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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Ester e o Rei (Esther and the King) 1960
Há 2500 anos atrás, o Rei Aasvero regressa ao seu reino, depois da vitória no Egipto e prepara-se para invadir a Grécia, governada por Alexandre Magno. Ao chegar ao palácio em Susa descobre a traição da sua mulher, a rainha Vashti, e manda-a para o exílio. O traidor, o príncipe Hamã tenta que uma das suas amantes, se torne a nova rainha, mas o rei prefere Ester. A nova rainha é judia e convence o rei a acabar com as crueldades cometidas pelo príncipe Hamã, contra o povo, durante a ausência do rei.Mas o príncipe não desiste e agora conspira para matar o rei e Ester e massacrar todos os judeus da Pérsia.
Um clássico do sword-and-sandal, épico bíblico co-produzido em Cinemascope pela Fox e pela italiana Galatea, foi um dos muitos filmes que os americanos filmaram em Itália por finais da década de sessenta, início da década de setenta, que provocaram a explosão do cinema de género italiano. Este foi um influência directa no "peplum", que já passou por aqui num ciclo. Em primeiro lugar, era uma produção italiana da Galatea, com dinheiro americano da Fox, assim como uma equipa americana formada pelo realizador Raoul Walsh e os actores Joan Collins e Richard Egan. O resto do casting era maioritariamente italiano, como Sergio Fantoni, Rik Battaglia, Rosalba Neri ou Daniela Rocca.
"Esther and the King" (1960) é um dos muitos filmes passados no mundo antigo, muito populares para a sua época. Visualmente é um filme muito bonito, com um rico design e cenário fantásticos. Todos estes filmes eram mostrados com grande eloquência, muito coloridos, e bastante afastados da vida moderna. Este tem a rara qualidade de ser baseado em alguma pesquisa histórica, e é muito fiel aos relatos bíblicos conhecidos.
Uma nota para o director de fotografia,o italiano Mario Bava. Só ele poderia ser o responsável por todo este jogo de cores, acabando por realizar ele próprio algumas sequências do filme, e iniciar uma carreira fantástica na realização.
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Um clássico do sword-and-sandal, épico bíblico co-produzido em Cinemascope pela Fox e pela italiana Galatea, foi um dos muitos filmes que os americanos filmaram em Itália por finais da década de sessenta, início da década de setenta, que provocaram a explosão do cinema de género italiano. Este foi um influência directa no "peplum", que já passou por aqui num ciclo. Em primeiro lugar, era uma produção italiana da Galatea, com dinheiro americano da Fox, assim como uma equipa americana formada pelo realizador Raoul Walsh e os actores Joan Collins e Richard Egan. O resto do casting era maioritariamente italiano, como Sergio Fantoni, Rik Battaglia, Rosalba Neri ou Daniela Rocca.
"Esther and the King" (1960) é um dos muitos filmes passados no mundo antigo, muito populares para a sua época. Visualmente é um filme muito bonito, com um rico design e cenário fantásticos. Todos estes filmes eram mostrados com grande eloquência, muito coloridos, e bastante afastados da vida moderna. Este tem a rara qualidade de ser baseado em alguma pesquisa histórica, e é muito fiel aos relatos bíblicos conhecidos.
Uma nota para o director de fotografia,o italiano Mario Bava. Só ele poderia ser o responsável por todo este jogo de cores, acabando por realizar ele próprio algumas sequências do filme, e iniciar uma carreira fantástica na realização.
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
O Sheriff e a Loira (The Sheriff of Fractured Jaw) 1958
"The Sheriff of Fractured Jaw" lembra-nos a série "Carry On", ao centrar-se na personagem de um cavalheiro inglês, alheio aos perigos que corre, como um peixe fora de água, no Oeste selvagem, onde sem se dar conta se torna o xerife de uma cidade problemática. Tem todos os elementos habituais para as personagens de Kenneth More, o ingénuo e encantador Jonathan Tibbs, e a sexy Jayne Mansfield como a atrevida dona de um bar, que trás ao personagem principal uma enorme variedade de problemas. E ainda tem um pequeno papel para um actor habitual na série "Carry On", Sidney James. E é ao ritmo da série "Carry On" que vamos deslindando o argumento, cheio de sub plots, que inclui guerras entre rancheiros rivais, problemas com índios locais, e, claro, muito romance.
Talvez ninguém esperasse uma incursão de Raoul Walsh neste tipo de comédia, já numa fase tão avançada da sua carreira, ainda mais vindo de um realizador conhecido como "durão". Mas acabaria por ser uma abordagem muito interessante, e seria o primeiro western de sempre a ser filmado em Espanha, nos mesmos cenários onde poucos anos mais tarde seria filmada a trilogia dos dólares, de Sérgio Leone.
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
Os Nús e os Mortos (The Naked and the Dead) 1958
No Pacífico, durante a Segunda Guerra Mundial, os oficiais vivem uma vida confortável, com boa comida e boa bebida. Para eles a guerra é um jogo que sabem que vão ganhar, e os soldados são meros peões no tabuleiro. Quando o ritmo da campanha abranda, o comandante envia um esquadrão para o alto de uma montanha, atrás da linhas inimigas, para informar a movimentação das tropas japonesas. A esquadra é comandada por um sargento cínico e duro, que não faz prisioneiros e até leva o ouro dos dentes dos inimigos mortos, e que tudo fará para que a sua missão seja bem sucedida.Muito antes de ganhar o Prémio Pulitzer por obras tão universalmente aclamadas como "Armies of the Night" (1969) e "The Executioner's Song" (1980), Norman Mailer passou dois anos a servir nas Filipinas, como atirador para os Marines, durante a Segunda Guerra Mundia
l. Esta dura experiência foi mais tarde transformada no seu primeiro livro, "The Naked and the Dead" (1948), geralmente considerado como um dos melhores romances americanos sobre a Segunda Guerra Mundial. A RKO Pictures pegou na enorme tarefa de trazer o livro para a tela em 1958, e com um artesão de prestígio no leme, Raoul Walsh, parecia ser promissor. O grande desafio, contudo, era como manter-se fiel à visão artística de Mailer, desta obra-prima literária.
O maior obstáculo era adaptar o tamanho do livro - 721 páginas! - para um filme comercial, com uma duração aceitável. O enredo essencial do livro de Mailer permaneceu intacto: Marines estacionados no Pacífico Sul lutam pela sobrevivência contra o inimigo, bem como contra o seu próprio líder do pelotão, um sargento sádico chamado Croft (o subestimado Aldo Ray desempenha o ameaçador sargento com gosto). A natureza abusiva de Croft perante os seus homens entrava em conflito com o comando altamente moralista do tenente Hearn (Cliff Robertson). No entanto estes dois homens vão ser colocados em confronto pelo General Cummings (Raymond Massey), que acha que os soldados servirão melhor se odiarem os seus superiores. Apesar da premissa forte, o encurtamento do livro para caber num filme de duas horas comprometeu a interpretação da ideologia da Mailer sobre a guerra e o abuso de poder. Outro problema foi que a linguagem áspera mas realista do livro teve de ser diluída consideravelmente para passar nos padrões de Hollywood para um filme mainstream, e isso roubou alguma crueza que fez do livro uma obra tão famosa.Ainda assim o filme teve os seus méritos. Deve ser visto como um drama de guerra, e não como uma adaptação de uma grande obra literária, e assim funciona esplendidamente, pois é uma obra de acção pura. As principais sequências são todas muito bem encenadas por Walsh, com o director de fotografia Joseph LaShelle a capturar perfeitamente a atmosfera sedutora da selva, com vistas deslumbrantes, orquídeas e orelhas de elefantes, todas presentes em cores vívidas.
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
A Escrava (Band of Angels) 1957
A viver no Kentucky antes da Guerra Civil, Amantha Starr (Yvonne de Carlo) é uma jovem privilegiada. O pai viúvo, e dono de uma grande plantação, adora-a e manda-a para as melhores escolas. Quando o pai morre, de repente, o mundo de Amantha é virado de cabeça para baixo. Descobre que o pai vivia com dinheiro emprestado, e que a sua mãe era uma escrava e amante do pai. A plantação tem de ser vendida para pagar as dívidas do pai, e como ela é filha de escravos também tem de ser vendida com a propriedade. É comprada pelo dono de uma plantação do Louisiana, Hamish Bond (Clark Gable), e tenta amá-lo, até descobrir que ele é um traficante de escravos.
Começando com "The Birth of a Nation" (1915), o tema da Guerra Civil Americana fluiu de forma constante no cinema norte-americano. "Band of Angels" (1957), com Clark Gable, Yvonne De Carlo e Sidney Poitier a trabalharem sobre as ordens de Raoul Walsh, foi um filme que nunca conseguiu arrecadar críticas muito favoráveis, sobretudo, por causa das comparações, inevitáveis, com "Gone with the Wind" (1939). Além de tentar reciclar o Rhett Butler de Gable num sulista malvado, transformando-o num bom homem, embora tardiamente, para fazer a coisa certa, mas mantendo uma perspectiva sulista, segundo um livro de Robert Penn Warren. No romance de Warren a guerra está mais longe do que em "Gone With the Wind", e o combate que vemos não é entre soldados. Embora as raízes da Guerra Civil, o racismo e a escravidão, estejam bem presentes no seu núcleo, "Band of Angels" foca-se mais em envolvimentos românticos. Se os direitos civis podem ser ouvidos a bater à porta, na pessoa de um escravo educado e desafiante, interpretado por Poitier, o melodrama romântico está mais perto de Madame X do que de Malcolm X.
Mesmo assim, o filme funciona bem como entretimento. Um blockbuster para o cinema da altura.
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Começando com "The Birth of a Nation" (1915), o tema da Guerra Civil Americana fluiu de forma constante no cinema norte-americano. "Band of Angels" (1957), com Clark Gable, Yvonne De Carlo e Sidney Poitier a trabalharem sobre as ordens de Raoul Walsh, foi um filme que nunca conseguiu arrecadar críticas muito favoráveis, sobretudo, por causa das comparações, inevitáveis, com "Gone with the Wind" (1939). Além de tentar reciclar o Rhett Butler de Gable num sulista malvado, transformando-o num bom homem, embora tardiamente, para fazer a coisa certa, mas mantendo uma perspectiva sulista, segundo um livro de Robert Penn Warren. No romance de Warren a guerra está mais longe do que em "Gone With the Wind", e o combate que vemos não é entre soldados. Embora as raízes da Guerra Civil, o racismo e a escravidão, estejam bem presentes no seu núcleo, "Band of Angels" foca-se mais em envolvimentos românticos. Se os direitos civis podem ser ouvidos a bater à porta, na pessoa de um escravo educado e desafiante, interpretado por Poitier, o melodrama romântico está mais perto de Madame X do que de Malcolm X.
Mesmo assim, o filme funciona bem como entretimento. Um blockbuster para o cinema da altura.
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domingo, 21 de fevereiro de 2016
Um Rei e Quatro Rainhas (The King and Four Queens) 1956
Dan Kehoe é um oportunista em fuga. Chegado a uma povoação, fica a saber da existência de um rancho, habitado por cinco mulheres bem aguerridas, onde pode estar escondido uma vasta quantidade de ouro. Kehoe consegue introduzir-se no rancho, seduz as quatro beldades no sentido de descobrir o ouro. Mas a matriarca da família não parece muito convencida.
E meio da década de 50, Eleanor Parker já tinha contracenado com muitas estrelas masculinas de Hollywood, como Errol Flynn, Humphrey Bogart, Kirk Douglas, Robert Taylor, William Holden e Frank Sinatra. No entanto, ela estava particularmente animada em representar com Clark Gable neste filme, de quem dizia ser grande fã. Parker interpreta a mais cínica e astuta das noras da poderosa rancheira (interpretada por Jo Van Fleet), descrita por Gable como sendo "sendo mais dura do que o couro de Wang, e mais fria do que Janeiro". Jean Willes é uma mexicana sensual, Barbara Nichols uma loira dançarina, e Sara Shane uma bela jovem. A química entre Parker e Gable torna mais fácil que é com Parker que Gable irá partilhar a última cavalgada em direcção ao pôr do sol.
O filme foi o único projecto da produtora fundada por Clark Gable, a GABCO, produzido em colaboração com a actriz Jane Russell, e o seu marido, Robert Waterfield. Como já vimos neste ciclo, Gable, Russell e Walsh tinham colaborado no ano anterior, no filme "The Tall Men", o filme de onde veio esta amizade.
Os exteriores para "The King and Four Queens" foram filmados perto de St. George, Utah, onde o filme da RKO "The Conquerors" tinha acabado de ser filmado. Este filme ficou famoso por alegações de que parte do elenco e da equipa (incluindo o realizador Dick Powell, e as estrelas John Wayne e Susan Hayward) tinham contraído cancro, depois de passarem algum tempo perto de um campo de testes atómicos. Mas a equipa de "The King and Four Queens" já ficou isenta de problemas de saúde.
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E meio da década de 50, Eleanor Parker já tinha contracenado com muitas estrelas masculinas de Hollywood, como Errol Flynn, Humphrey Bogart, Kirk Douglas, Robert Taylor, William Holden e Frank Sinatra. No entanto, ela estava particularmente animada em representar com Clark Gable neste filme, de quem dizia ser grande fã. Parker interpreta a mais cínica e astuta das noras da poderosa rancheira (interpretada por Jo Van Fleet), descrita por Gable como sendo "sendo mais dura do que o couro de Wang, e mais fria do que Janeiro". Jean Willes é uma mexicana sensual, Barbara Nichols uma loira dançarina, e Sara Shane uma bela jovem. A química entre Parker e Gable torna mais fácil que é com Parker que Gable irá partilhar a última cavalgada em direcção ao pôr do sol.
O filme foi o único projecto da produtora fundada por Clark Gable, a GABCO, produzido em colaboração com a actriz Jane Russell, e o seu marido, Robert Waterfield. Como já vimos neste ciclo, Gable, Russell e Walsh tinham colaborado no ano anterior, no filme "The Tall Men", o filme de onde veio esta amizade.
Os exteriores para "The King and Four Queens" foram filmados perto de St. George, Utah, onde o filme da RKO "The Conquerors" tinha acabado de ser filmado. Este filme ficou famoso por alegações de que parte do elenco e da equipa (incluindo o realizador Dick Powell, e as estrelas John Wayne e Susan Hayward) tinham contraído cancro, depois de passarem algum tempo perto de um campo de testes atómicos. Mas a equipa de "The King and Four Queens" já ficou isenta de problemas de saúde.
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Duelo de Ambições (The Tall Men) 1955
Depois da Guerra Civil Americana, Ben Allison (Clark Gable), juntamente com o seu irmão, seguem para Montana. No caminho, salvam Nella (Jane Russell) de um ataque de índios e ela segue com eles. Os dois irmãos agora disputarão o coração da bela jovem.
Um western resistente, indisciplinado, e bastante agradável, que não desbrava nenhum terreno com o seu argumento pouco original, mas é feito de um modo tão profissional, que a maioria dos espectadores, principalmente os fãs do western, não vão dar importância ao fraco argumento. Este é um dos bons filmes que faz uma virtude da previsibilidade, isto é, quando as coisas não correm exactamente como são esperadas, qualquer pequena surpresa tem um maior impacto.
Mas "The Tall Men" existe mais para passear alguns actores de grande craveira, Clark Gable, Jane Russell, Robert Ryan e Cameron Mitchell, pelas belas paisagens do Oeste americano, pela belíssima fotografia de Leo Tover, e o seu trabalho em Cinemascope, tudo sobre a batuta do maestro Raoul Walsh. Russell nunca foi uma actriz estupenda, mas tem muitas qualidades que foram aproveitadas neste filme. O filme gira mais em torno da excelente interpretação de Gable, aqui já em final de carreira.
Jean-Luc Godard era grande fã deste filme, e possivelmente aproveitou daqui a idéia de uma longa cena num espaço confinado para traçar o colapso de uma relação no seu belíssimo "O Desprezo" (1963).
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Um western resistente, indisciplinado, e bastante agradável, que não desbrava nenhum terreno com o seu argumento pouco original, mas é feito de um modo tão profissional, que a maioria dos espectadores, principalmente os fãs do western, não vão dar importância ao fraco argumento. Este é um dos bons filmes que faz uma virtude da previsibilidade, isto é, quando as coisas não correm exactamente como são esperadas, qualquer pequena surpresa tem um maior impacto.
Mas "The Tall Men" existe mais para passear alguns actores de grande craveira, Clark Gable, Jane Russell, Robert Ryan e Cameron Mitchell, pelas belas paisagens do Oeste americano, pela belíssima fotografia de Leo Tover, e o seu trabalho em Cinemascope, tudo sobre a batuta do maestro Raoul Walsh. Russell nunca foi uma actriz estupenda, mas tem muitas qualidades que foram aproveitadas neste filme. O filme gira mais em torno da excelente interpretação de Gable, aqui já em final de carreira.
Jean-Luc Godard era grande fã deste filme, e possivelmente aproveitou daqui a idéia de uma longa cena num espaço confinado para traçar o colapso de uma relação no seu belíssimo "O Desprezo" (1963).
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
Antes do Furacão (Battle Cry) 1955
Em 1942, um grupo de jovens junta-se aos fuzileiros navais, deixando os seus entes queridos para trás. Preparados para a batalha, eles estão frustrados com muitas missões fora de combate, e vamos seguindo os seus romances em tempo de guerra, principalmente o envolvimento de Andy Hookens com Pat, uma viúva neo-zelandesa. Quando decidem apenas "viver o momento", uma batalha real chama por Andy...
Para uma mudança de perspectiva no género Guerra, A Warner Bros decidiu produzir o best seller de Leon Uris, sobre os marines que ficam à espera nas reservas, e a sua inevitável maturidade aos 19 anos. Conseguindo um total de 8 milhões de dólares no box-office de 1955, esta mistura de melodrama pesado, romance e combate (nas cenas finais), provou ser a combinação perfeita para o público americano, e no meio da glorificação do Marine Ideal, permanece como uma cápsula do tempo para a cultura popular, principalmente no que se referia nas atitudes das minorias étnicas e das mulheres.
"Battle Cry" não é tanto um filme de combate, mas sim uma "soap opera" com vinhetas de dramas humanos. É também um entretimento de estúdio de grande orçamento, por excelência, mais voltado para o consumo das massas durante a década de 50, com destaque para um elenco de estrelas, que combinava veteranos de Hollywood (Van Heflin, James Whitmore, Raymond Massey) com jovens promessas do cinema americano (Tab Hunter, Dorothy Malone, Aldo Ray, Anne Francis, Fess Parker). Durante a fase do casting, muitas caras conhecidas foram consideradas, mas acabaram por ser abandonadas pelo estúdio, como Paul Newman, Margaret O'Brien, Susan Strasberg, Phyllis Thaxter e James Dean.
Embora perca em comparação com outros clássicos, como "The Best Years of Our Lives" (1946) ou "Story of G.I. Joe" (1945), ainda é um entretimento bastante eficaz. Foi nomeado para o Óscar de Melhor Música, da autoria de Max Steiner.
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
A Grande Ofensiva (Saskatchewan) 1954
O'Rourke (Alan Ladd) e o seu meio-irmão Cree, Cajou, estão de regresso de uma caçada no norte do Canadá quando se deparam com um vagão de um comboio queimado, e uma única sobrevivente, Grace (Shelley Winters). O comandante Benson acredita ser um ataque dos índios Cree, mas os Sioux, do outro lado da fronteira, estão a forçar os Cree a serem seus aliados na luta contra a Sétima Cavalaria. O'Rourke terá que salvar toda a gente, incluindo Grace.
Raoul Walsh realiza este western brilhantemente fotografado, sobre a batalha dos índios contra a Polícia Montada Canadiana, no seu habitual estilo vigoroso e viril. Baseado numa história de Gil Doud, funciona muito bem como espectáculo (a ser filmado em excelentes exteriores perto de Banff), com grandes cenas de acção, mas o facto da história ser um pouco fraca, deixa um pouco a desejar.
Era a segunda vez que Walsh trabalhava com Alan Ladd, depois de "Salty O'Rourke", curiosamente um filme onde a personagem de Ladd tem o mesmo sobrenome que neste "Saskatchewan", embora os personagens não estejam ligados. Produzido pela Universal, consta que teve filmagens complicadas. Primeiro foi Shelley Winters que teve uma lesão no olho que obrigou a vários dias de paragem, depois foi Alan Ladd que partiu um dedo, o que o obrigou a usar uma tala, facto que obrigou a uma grande ginástica para não ser filmado pelas câmaras.
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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
Sob o Signo do Mal (The Lawless Breed) 1953
Supostamente conta a verdadeira e autobiográfica história do fora-da-lei John Wesley Hardin, com um jovem Rock Hudson no papel principal. Libertado da prisão depois de 16 anos de trabalhos forçados por ter morto um homem, Hardin escreve a sua autobiografia. Através de flashbacks conta-nos a sua história, começando pela sua tempestuosa relação com o pai, um pregador que o chicoteia quando ele adquire o vício do jogo e dos tiroteios. Hardin mata um homem em legítima defesa num bar local, e a sua vida nunca mais é a mesma.
Um dos primeiros papéis como protagonista de Rock Hudson, num western acima da média realizado por Raoul Walsh, num filme vagamente baseado na vida de um um verdadeiro assassino, que afirma, na sua autobiografia, ter morto mais de 40 homens, mais 19 do que Billy the Kid diz ter morto. O retrato é fatalista, e um pouco triste em alguns pontos, mas Walsh dirige com grande vitalidade, proporcionando bastante acção. Hudson a fazer um papel interessante, assim como a actriz Julie ou John McIntire num duplo papel. Entre os papéis mais secundários contam-se ainda Hugh O'Brien, Dennis Weaver ou Lee Van Cleef.
Longe de ser dos filmes mais marcantes de Walsh, é um entretimento interessante para quem gosta de westerns.
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domingo, 14 de fevereiro de 2016
A Fúria das Armas (Gun Fury) 1953
Originalmente filmado e lançado em 3-D, Gun Fury (1953) é um dos melhores westerns produzidos neste formato, e funciona tão bem como uma versão "normal", deixando intactos todos os seus truques originais. A história tem lugar na pós-Guerra Cívil, e abre com Jennifer Ballard (Donna Reed) a viajar numa carruagem ao encontro do seu noivo Ben Warren (Rock Hudson). A acompanhar Jennifer na sua viagem está Frank Slayton (Phil Carey), que viaja com o nome de Mr. Hampton, por uma razão.Na verdade ele é um ex-confederado tornado fora-da-lei que fica com uma simpatia especial pela senhora Ballard, com a sua natureza a ser revelada mal o casal está reunido. Slayton e o seu gang assaltam a carruagem que agora transporta o casal, abusam de Jennifer e deixam Ben como morto, depois de o abaterem. O que se segue é uma história de vingança e retribuição, com Ben, ferido, a perseguir os bandidos, usando a astúcia para resgatar a sua noiva.
Dirigido por Raoul Walsh depois dos seus anos de ouro na Warner Bros, "Gun Fury" é uma aventura de acção robusta e divertida, que preenche todos os requisitos de um filme de orçamento modesto. As paisagens naturais deslumbrantes (filmado perto de Sedona, Arizona), e um ritmo sempre acelerado são as principais características do filme, mas a principal atracção do filme é o elenco, que inclui dois dos maiores pesos pesados no que diz respeito a vilões de Hollywood, Lee Marvin como Blinky e Neville Brand como Brazos. Apesar de papéis pequenos, os dois fazem justiça à sua fama de vilões, mas neste filme ninguém chega perto da vilania de Phil Carey.
Existe uma tensão por toda a parte, principalmente no que diz respeito à heroína vitimada de Donna Reed. A ameaça de violação em grupo está implícita na personagem de Jennifer, que nunca é glamourizada. Na verdade, ela é submetida a uma provação física após outra, principalmente depois de uma tentativa de fuga onde ela é amarrada e arrastada por um cavalo.
"Gun Fury" é baseado no livro "Ten Against Caesar" de Robert A. Granger, e foi adaptado para o grande ecrã por Roy Huggins e Irving Wallace. Donna Reed interpretaria cinco filmes neste ano, ganhando o Óscar de Melhor Actriz Secundária em "From Here to Eternity".
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Raoul Walsh - Parte 3
Quando os críticos dos Cahiers du Cinema conferiam o status de "auteur" aos cinestas de Hollywood, a tendência era favorecer os realizadores mais "machos" cuja vida era tão áspera como os filmes que faziam. Raoul Walsh era o epítome da bravura, um dos chamados "mavericks" que demonstrava um vigoroso senso de aventura, dentro e fora da tela.
Ainda em adolescente, interrompeu os estudos para viajar com o seu tio de barco, acabando por se tornar cowboy no México. No Texas juntou-se a uma companhia de teatro itenerante, e finalmente chegou a Hollywood como cowboy cantor, trabalhando para D. W. Griffith em vários filmes, tanto atrás como à frente das câmeras, como por exemplo, no papel de John Wilkes Booth em "The Birth of a Nation" (1915).
Como realizador, Walsh foi um pioneiro. Ajudou a formular o protótipo do filme de gangsters com "Regeneration" (1915), além de realizar uma série de outros filmes mudos notáveis, como "The Thief of Bagdad" (1924), "What Price Glory" (1926), e "Sadie Thompson" (1928). Também deu a John Wayne uma das suas primeiras oportunidades, em "The Big Trail" (1930). Mas, os anos trinta não foram muito favoráveis a Walsh, e foi apenas quando ele se mudou para a Warner Bros., no final da década, que começaram a aparecer sinais de um estilo pessoal.
O seu forte eram os filmes de acção, preenchidos com uma energia abrasiva e uma decência brusca onde os seus heróis definiam o seu próprio código moral, num universo indiferente. Com um trio de filmes de gangsters levou o género a novos patamares: "The Roaring Twenties" (1939), "High Sierra" (1941) e "White Heat" (1949). Walsh demonstrava uma afinidade natural com actores duros como James Cagney ("Manpower" 1941), Humphrey Bogart ("They Drive by Night" 1940), e, principalmente, Errol Flynn (quem dirigiu em vários filmes). As experiências pessoais de Walsh incutiam autenticidade em westerns como "Pursued" (1947) ou "Colorado Territory" (1949).
Permaneceu um realizador activo até meados da década de 60, mas a sua carreira entrou em declínio desde que saíu da Warner, a meio da década de 50. Ao todo realizou mais de 100 filmes, numa carreira que se prolongou por 52 anos, tendo sido forçado a retirar-se em 1964, por perder a visão no já único olho que tinha.
Nesta última parte do ciclo, iremos visitar a sua carreira desde 1951 até ao final da carreira.
- Gun Fury (1953)
- The Lawless Breed (1953)
- Saskatchewan (1954)
- Battle Cry (1955)
- The Tall Men (1955)
- The King and Four Queens (1956)
- Band of Angels (1957)
- The Naked and the Dead (1958)
- The Sheriff of Fractured Jaw (1958)
- Ester and the King (1960)
- A Distant Trumpet (1964)
Como realizador, Walsh foi um pioneiro. Ajudou a formular o protótipo do filme de gangsters com "Regeneration" (1915), além de realizar uma série de outros filmes mudos notáveis, como "The Thief of Bagdad" (1924), "What Price Glory" (1926), e "Sadie Thompson" (1928). Também deu a John Wayne uma das suas primeiras oportunidades, em "The Big Trail" (1930). Mas, os anos trinta não foram muito favoráveis a Walsh, e foi apenas quando ele se mudou para a Warner Bros., no final da década, que começaram a aparecer sinais de um estilo pessoal.
O seu forte eram os filmes de acção, preenchidos com uma energia abrasiva e uma decência brusca onde os seus heróis definiam o seu próprio código moral, num universo indiferente. Com um trio de filmes de gangsters levou o género a novos patamares: "The Roaring Twenties" (1939), "High Sierra" (1941) e "White Heat" (1949). Walsh demonstrava uma afinidade natural com actores duros como James Cagney ("Manpower" 1941), Humphrey Bogart ("They Drive by Night" 1940), e, principalmente, Errol Flynn (quem dirigiu em vários filmes). As experiências pessoais de Walsh incutiam autenticidade em westerns como "Pursued" (1947) ou "Colorado Territory" (1949).
Permaneceu um realizador activo até meados da década de 60, mas a sua carreira entrou em declínio desde que saíu da Warner, a meio da década de 50. Ao todo realizou mais de 100 filmes, numa carreira que se prolongou por 52 anos, tendo sido forçado a retirar-se em 1964, por perder a visão no já único olho que tinha.
Nesta última parte do ciclo, iremos visitar a sua carreira desde 1951 até ao final da carreira.
- Gun Fury (1953)
- The Lawless Breed (1953)
- Saskatchewan (1954)
- Battle Cry (1955)
- The Tall Men (1955)
- The King and Four Queens (1956)
- Band of Angels (1957)
- The Naked and the Dead (1958)
- The Sheriff of Fractured Jaw (1958)
- Ester and the King (1960)
- A Distant Trumpet (1964)
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segunda-feira, 5 de outubro de 2015
Epopeia nos Mares (Captain Horatio Hornblower R.N.) 1951
Hornblower (Gregory Peck) é enviado para uma missão com destino secreto, mas com a Espanha e a França mobilizadas a favor de Napoleão, têm logo a sua rota alterada para a distante América Central permanecendo em alto mar durante 7 meses sem terra à vista. Depois da longa viagem o capitão cumpre a missão ao entregar a mercadoria a Don Julian Alvarado, líder rebelde megalomaníaco contra as forças espanholas. No entanto, ao regressar, descobre que a Espanha reatara a aliança com a Inglaterra, tornando-se automaticamente inimigos de Julian e dos seus seguidores. Hornblower e os seus homens ainda são forçados a aceitar como passageira a bela Lady Bárbara Wellesley (Virginia Mayo), irmã do Duque de Wellington, que tenta fugir de um epidemia de febre amarela.
Hoje os livros de Patrick O'Brian sobre a vida marítima durante as guerras napoleónicas são imensamente populares, mas são inspirados numa série de livros de C.S. Forester, sobre o Capitão Horatio Hornblower, que também tinham semelhante afecto na altura. Com um número tão amplo de leitores, e com um grande reconhecimento, era inevitável que os livros de Forester fossem adaptados para o grande ecrã, e com a ajuda do próprio escritor. O resultado seria este "Captain Horatio Hornblower", que embora fosse um filme que não poupava em perseguições e duelos, era um "swashbuckler" com qualidade acima da média, e quem melhor para protagonizar do que Gregory Peck? Errol Flynn tinha sido pensado para protagonizar originalmente, mas a sua relação com Walsh tinha-se degradado.
Gregory Peck sentiu-se atraído para o papel, porque ele não era o herói habitual: "I thought Hornblower was an interesting character. I never believe in heroes who are unmitigated and unadulterated heroes, who never know the meaning of fear." A maior parte do elenco de apoio era inglês, resultado da Warner querer filmar em Inglaterra, em parte porque a produtora tinha dinheiro nesse país que não podia exportar, e assim era um modo de gastá-lo. As sequência filmadas no mar já foram filmadas no sul de França, usando navios que foram encontrados num porto em grande estado de degradação e depois recuperados. Christopher Lee aparece como um capitão espanhol, num papel mais secundário.
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domingo, 4 de outubro de 2015
A Caminho da Forca (Along the Great Divide) 1951
No Oeste americano, o jovem oficial Len Merrick (Kirk Douglas) vive atormentado por se sentir responsável pela morte do pai. Ele encontra uma hipótese de se redimir ao salvar Timothy Keith (Walter Brennan), que foi acusado pelo assassinato de um jovem, de um linchamento iminente, levando-o a uma outra cidade para que possa ter um julgamento justo. Apesar de condenado por esse crime, Tim contará com a ajuda de Merrick para encontrar o verdadeiro assassino e poder provar sua inocência.
Primeiro western de Kirk Douglas, apenas quatro anos depois da sua carreira se tornar conhecida pelo papel que interpretou em "Out of the Past". Preso a um contracto de "um filme por ano", Douglas entrou neste projecto apenas por uma questão de obrigação contractual, para ficar livre para trabalhar também para outros estúdios. O actor odiou fazer "Along the Great Divide", filmar num deserto hostil circundante a Lone Pine, California, para trabalhar com Raoul Walsh. Na sua autobiografia Douglas descrevia Walsh como um homem "brutal", com o qual era difícil de trabalhar. Walsh era conhecido por fazer filmes rápidos, com muita acção, sobre o qual Douglas disse que eram rápidos porque Walsh estava sempre com pressa para os acabar.
Walsh entrou no projecto logo depois de terminar as filmagens de "Captain Horatio Hornblower" (1951), que acabaria por ser lançado depois. Tinha também terminado "The Enforcer", filme do qual recusou créditos, mas Walsh estava mais do que pronto para voltar a pegar no tema deste filme, principalmente filmar no Deserto Mojave, local onde rodou o climax para "High Sierra", alguns anos antes.
Merecendo ser reavaliado hoje em dia, sobretudo devido aos seus próprios méritos, dramáticos e técnicos (principalmente a fotografia de Sid Hickox), "Along the Great Divide" aponta directamente para outros filmes sobre o tema "policia-transporta-o-prisioneiro", um sub-género que inclui filmes como "The Narrow Margin" (1952), de Richard Fleischer, "The Naked Spur" (1953), de Anthony Mann, "3:10 to Yuma" (1957), de Delmer Davis, entre outros.
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quinta-feira, 1 de outubro de 2015
As Aventuras do Capitão Wyatt (Distant Drums) 1951
Gary Cooper interpreta o capitão Quincy Wyatt, que tem a missão de reprimir a rebelião dos índios semínolas na Flórida, bem como impedir que contrabandistas vendam armas aos índios. Baseado numa história verdadeira passada em 1840.
Muito poucos westerns se tinham debruçado sobre os índios semínolas, localizados na região do Leste em vez do Oeste, mais propriamente na Florida. "Distant Drums", de Raoul Walsh foi quem quebrou este vazio, e vários outros se seguiram nos anos próximos, todos na década de 50: "Semínole" (1953), "War Arrow" (1953), "Shark River" (1953), "Seminole Uprising" (1955) e "Naked in the Sun" (1957).
"Distant Drums" tinha o mérito de ter sido filmado em extensas paisagens da Flórida, com muita da acção a ser filmada na região pantanosa dos Everglades. Também foi dado um grande uso do Castillo de San Marcos (anteriormente conhecido como Fort Marion) uma fortaleza espanhola onde este aprisionado o Chefe Seminole Osceola em 1837, durante a Segunda Guerra Seminole. Esta personagem é interpretada no filme por Larry Carper, um raro exemplo onde um caucasiano interpreta um indio americano. Na vida real Osceola era um misto de Caucasiano com Índio, e nasceu com o nome de Billy Powell.
O filme é um misto de western com "Objective, Burma!" (1945), uma das obras de guerra mais marcantes de Walsh, e conta-nos a história do Capt. Quincy Wyatt (Gary Cooper) e do tenente Richard Tufts (Richard Webb), e a sua companhia de soldados especialistas em andar nos pântanos, numa missão de recapturar um forte que foi tomado pelos Semínoles. Ao longo do percurso têm de atravessar várias dificuldades, como passar por areias movediças, escalar paredes, combates subaquáticos, por vezes só com uma faca, um revólver ou com os punhos, bem à maneira de Walsh.
Era muito difícil filmar nos pântanos, e Walsh contou que teve de contratar dois especialistas em serpentes, para limparem o terreno à medida que íam filmando. Mesmo assim os perigos ainda eram muitos. Cooper caíu nas areias movediças um dia antes de começar as filmagens, e o director de fotografia Sid Hickox disse que quase foi engolido por um jacaré. Segundo o realizador, Cooper também se queixou que tinha doado uma boa quantidade de sangue aos mosquitos e sanguessugas.
Longe de ser um dos melhores filmes de Walsh, ainda é um entretimento bem interessante. O equivalente a um blockbuster para a altura.
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terça-feira, 29 de setembro de 2015
Montana, Terra Proibida (Montana) 1950
Morgan Lane (Errol Flynn) é um humilde pastor de carneiros australiano que resolve dar uma reviravolta na sua vida partindo para as planícies dos Estados Unidos. No estado de Montana, destino final de Morgan, está a acontecer uma violenta batalha entre pastores de ovelhas e criadores de gado sob o comando da rica fazendeira Maria Singleton (Alexis Smith). Morgan irá tentar devolver a paz para a região, mas não será nada facil, uma vez que ele apaixona-se por Maria e terá que colocar a sua vida em risco.
"Montana" é um relativamente pequeno e anónimo Western, que não se consegue livrar de um patético final. Embora seja surpreendente que talentos como James R. Webb (Vera Cruz, The Big Country, Cape Fear) e Borden Chase (Red River, Winchester '73, Bend of the River) tenham tratado do argumento, não é de surpreender que alguns elementos importantes tenham sido retirados da versão final. E foi por causa desses minutos cortados da versão final, e dos defeitos já evidentes, que "Montana" acabou por ser um filme a passar totalmente ao lado. O próprio Raoul Walsh gravou algumas sequências, mas acabou por não ser creditato no filme.
Numa cena que é um pouco fora de vulgar, o realizador Ray Enright mostra-nos Flynn e Alexis Smith a cantar no dueto "Reckon I'm in Love", enquanto Flynn dedilha uma guitarra. Eles usam as suas vozes verdadeiras, e cantam mesmo na realidade, por isso quase que podemos chamar Flynn de "o Cowboy Cantor". Flynn tinha uma relação de amizade muito próxima com a sua co-star, Alexis Smith, tanto que tinha sido padrinho de casamento da actriz com o também actor Craig Stevens, em 1944. Já vinham a trabalhar juntos desde 1941.
Algumas fontes indicam Walsh como realizador não creditado, por isso cá está o filme.
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segunda-feira, 28 de setembro de 2015
Golpe de Misericórdia (Colorado Territory) 1949
No território do Colorado, o fora-da-lei Wes McQueen (Joe McCrea) foge da cadeia para fazer um assalto a um comboio, mas depois de conhecer a bela colona Julie Ann (Dorothy Mallone), ele pensa se estará na altura de organizar a sua vida. O problema é que tem uma recompensa pela sua captura de 10 mil dólares, morto ou vivo.
Raoul Walsh dirigiu "Colorado Territory" em 1949. Um western, remake do seu próprio filme de gangsters de época "High Sierra" (1941), que trouxe para o estrelato Hunphrey Bogart, num dos seus primeiros papéis de actor principal. Mais do que apenas mais um filme na história do cinema, "Colorado Territory" tornou-se num filme de culto por causa da sua combinação de Western com Film Noir (muito ajudado pelo grande contraste a preto e branco das colinas do Novo México, fotografia de Sid Hickox), e o fascinante retrato da mulher protagonista, uma das mulheres mais duras da história do cinema.
Nos anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial a Warner Bros. enfrentou um declinio nas bilheteira, relançando alguns dos filmes mais populares dos anos 30, e refazendo outros, mundando por vezes de género e de cenário. Felizmente para o público, alguém teve a feliz idéia de transformar "High Sierra" num western e contratar Raoul Walsh para fazê-lo. Os resultados foram bastante dinâmicos, com alguns críticos a considerarem que a história resultava melhor no Oeste selvagem do que no mundo do crime contemporâneo.
O melhor do filme era Virginia Mayo, no papel da dançarina Colorado, como uma cantora mestiça. Ida Lupino já tinha tido uma presença forte no filme original, mas Mayo foi muito mais dura, como se pode ver no duelo final. Walsh foi um dos poucos realizadores que soube apreciar o potencial de Mayo como actriz dramátca. O produtor independente Samuel Goldwyn tinha-a trazido poucos anos para Hollywood para trabalhar em musicais, normalmente como interesse romântico de Danny Kaye. William Wyler tinha dado uma pista do seu potencial quando a escolheu como mulher infiel de Dana Andrews em "The Best Years of Our Lives" (1946). Mas foi Walsh quem lhe deu os seus melhores papéis, por curiosidade, ambos em 1949. Neste mesmo ano ela interpretava a esposa assassina de James Cagney em "White Heat". O seu enorme talento foi tão tragicamente desperdiçado como qualquer coisa que aconteça aos personagens de "Colorado Territory".
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domingo, 27 de setembro de 2015
Fúria Sanguinária (White Heat) 1949
"Sabes o que tens de fazer?", grita Cody (James Cagney) ao seu comparsa no inicio de um audacioso assalto a um comboio; quando o tipo começa a responder, Cody interrompe-o: "Fa-lo e deixa-te de conversa!" Esta atitude frontal, de acção pura, resume o vigor dos filmes de Raoul Walsh, que (conforme comentou certa vez Peter Lloyd) "toma o pulso a uma energia invividual" e a implanta numa "trajectória demente, e a partir daí constrói um ritmo". Poucos filmes são tão concisos, contidos e económicos nas suas narrativas como "Fúria Sanguinária".
Walsh é um realizador persistentemente linear, progressivo, cuja obra evoca o cinema mudo - como naquela emocionante cena de abertura "carro-encontra-comboio". Mas também explora as possibilidades intrigantes, complexas, da psicologia do século XX. Em serviço, Cody mata sem piscar. Uma vez trancafiado num esconderijo com o seu bando como um animal enjaulado - porque dali a pouco irá preso -, a sua psicopatologia começa a aflorar: indiferença ao sofrimento alheio, a fixação numa mãe severa, e enxaquecas terriveis que o deixam à beira da loucura.
Cody, imortalizado no prodigioso desempenho de Cagney, personifica a suprema contradição que dá cabo dos gangsters dos filmes: egotismo fantástico e sonhos de invencibilidade minados por dependências e vulnerabilidades profundamente humanas. Por Annalee Newitz
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sábado, 26 de setembro de 2015
Rio da Prata (Silver River) 1948
Errol Flynn na figura de um aventureiro pouco escrupuloso que, a pouco e pouco, se torna senhor de uma região de minas de prata e se apaixona pela mulher do seu melhor amigo, que envia para a morte, numa variação da história bíblica de David.
Empolgante em alguns momentos, mas de um modo geral mediano western de série B, seria a última colaboração oficial entre Flynn e Raoul Walsh. Fizeram um total de sete filmes juntos, mas Walsh já estava farto do comportamento alcoólico de Flynn, que começava a beber de manhã, e, por vezes, da parte da tarde já estava demasiado bêbado para trabalhar. Disse oficial porque Walsh não foi creditado em "Montana", realizado em 1950. Embora seja um filme menor na carreira de Walsh, segue a mesma trajetória que outras obras do realizador, para caír num conto moral desinteressante e cauteloso. É baseado num livro de Stephen Longstreet, que co-escreveu o argumento com Harriet Frank Jr.
Safa-se um bom elenco de secundários, que inclui Ann Sheridan, Thomas Mitchell, e Bruce Bennett. O filme foi mal recebido pelo público, talvez porque a personagem de Flynn não era muito simpática, e não teve o tratamento adequado do actor. Como se sabe, a atravessar problemas com o álcool.
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quinta-feira, 24 de setembro de 2015
Todos Foram Valentes (Fighter Squadron) 1948
Numa base aérea americana em Inglaterra, em 1943, convivem o Sargento Dolan, que manipula todos, e o insubordinado piloto de caças Major Ed Hardin (Edmond O´Brien). Quando Ed é promovido a comandante do seu grupo deve lutar não só contra o inimigo mas também contra o rival. E a tensão vai crescendo, à medida que o dia D se aproxima.
Maravilhosa fotografia aérea em Technicolor, era uma das principais atrações da Warner Bros, e o turbulento tributo de Walsh aos heróis da força aérea, que pilotaram aviões de combate sobre a Inglaterra e França em 1943-44. Fazia parte de uma vaga de filmes Pós-Segunda Guerra Mundial que olhava para com admiração aos heróis americanos do conflito, e que incluía uma série transversal de personagens para os quais este tipo de filme ficou famoso. Há o líder do esquadrão durão, o recruta inexperiente, o personagem cómico, e, acima de tudo, o Maverick, que finalmente aprende a disciplina e se instala para ajudar a ganhar a guerra. Depois de estreado o filme, a Variety elogiou o tratamento dado por Walsh ao tema, como "an exciting, red-blooded action feature".
Edmond O'Brien interpreta o herói, e Robert Stack o seu protegido e sucessor. Na sua autobiografia Stack contou uma história interessante, que faz parte das curiosidades de Hollywood. Walsh tinha contratado um ex-camionista moreno, que também era seu chauffeur. Graças ao encorajamento de Walsh, este homem tornou-se actor, embora neste filme tenha apenas uma linha, não sendo suficiente para aparecer nos créditos. Ele tinha mudado de nome recentemente, de Roy Fitzgerald para Rock Hudson, e mais tarde tornava-se uma lenda de Hollywood. Diz-se que Rock Hudson levou 38 takes para gravar a sua única linha de diálogo.
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Maravilhosa fotografia aérea em Technicolor, era uma das principais atrações da Warner Bros, e o turbulento tributo de Walsh aos heróis da força aérea, que pilotaram aviões de combate sobre a Inglaterra e França em 1943-44. Fazia parte de uma vaga de filmes Pós-Segunda Guerra Mundial que olhava para com admiração aos heróis americanos do conflito, e que incluía uma série transversal de personagens para os quais este tipo de filme ficou famoso. Há o líder do esquadrão durão, o recruta inexperiente, o personagem cómico, e, acima de tudo, o Maverick, que finalmente aprende a disciplina e se instala para ajudar a ganhar a guerra. Depois de estreado o filme, a Variety elogiou o tratamento dado por Walsh ao tema, como "an exciting, red-blooded action feature".
Edmond O'Brien interpreta o herói, e Robert Stack o seu protegido e sucessor. Na sua autobiografia Stack contou uma história interessante, que faz parte das curiosidades de Hollywood. Walsh tinha contratado um ex-camionista moreno, que também era seu chauffeur. Graças ao encorajamento de Walsh, este homem tornou-se actor, embora neste filme tenha apenas uma linha, não sendo suficiente para aparecer nos créditos. Ele tinha mudado de nome recentemente, de Roy Fitzgerald para Rock Hudson, e mais tarde tornava-se uma lenda de Hollywood. Diz-se que Rock Hudson levou 38 takes para gravar a sua única linha de diálogo.
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