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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Noite na Alma (Experiment Perilous) 1944


Jacques Tourneur facilmente circula da série B para a série A, como está explícito neste "Experiment Perilous". O argumentista Warren Duff localiza este elegante melodrama de mistério no romance de Margaret Carpenter de 1943, mas aparentemente é mais inspirado nos thrillers psicológicos como Gaslight, Laura e Rebecca. 

Uma mistura de emoções, psicologia e patologia. Em 1903, o doutor Huntington Bailey (George Brent) encontra uma senhora idosa e amigável no comboio. Ela diz-lhe que vai visitar o irmão (Paul Lukas) e a sua linda e jovem esposa (Hedy Lamarr). Em Nova York, Huntington ouve dizer que a sua companheira do comboio morreu repentinamente. Conhece o casal Lamarr-Lukas, e fica desconfiado do tratamento de Lukas para com a esposa, e sua tentativa de fazê-la passar por louca. Uma confusão nos sacos revela o diário da senhora falecida, que confirma as dúvidas de Brent. Ele tenta salvar Lamarr, por quem agora está apaixonado. 
Lançado no mesmo ano que "Gaslight" de George Cukor (1944), este melodrama da era vitoriana realizado por Jacques Tourneur está igualmente preocupado com as ramificações mortais da desconfiança conjugal e a manipulação psicológica. A sua sequência de abertura, a ter lugar num comboio, é uma reminiscência de "The Lady Vanishes" (1938), de Hitchcock, como George Brent a encontrar e fazer amizade com uma misteriosa mulher mais velha (Olive Blakeney), que lhe oferece a sua "marca especial de chá". Blakeney está excelente na sua breve aparição, mas o seu personagem é morto, a fim de pôr em movimento a cadeia de eventos que acabará por levar a paixão de Brent com a linda cunhada de Blakeney, uma mulher igualmente misteriosa. 
Foi nomeado para um Óscar, de "Best Art Direction-Interior Decoration, Black-and-White".

domingo, 10 de maio de 2020

40 dias 40 filmes – Cinema em Tempos de Cólera: “Adventure in Hapiness Street”, de Jacques Tourneur

O Jornal do Fundão, os Encontros Cinematográficos, o Lucky Star – Cineclube de Braga, o My Two Thousand Movies e a Comuna associaram-se nestes tempos surreais e conturbados convidando quarenta personalidades, entre cineastas, críticos, escritores, artistas ou cinéfilos para escolherem um filme inserido no ciclo “40 dias, 40 filmes – Cinema em Tempos de Cólera”, partilhado em segurança nos ecrãs dos computadores de vossa casa através do blog My Two Thousand Movies. O quadragésimo convidado é o crítico e programador de cinema norte-americano Andy Rector, que escolheu Adventure in Happiness Street, episódio da série de televisão “The Barbara Stanwyck Show” realizado por Jacques Tourneur em 1961.

Sinopse: Josephine acha que consegue ajudar o Dr. Paul Harris a arranjar medicamentos para a sua clínica usando apenas os seus contactos comerciais.

Robert Culp, que aparece neste episódio, contou uma pequena história de rodagem à Television Academy Foundation, dizendo que fez “um programa de meia-hora, o “Barbara Stanwyck Theater” [nota: “The Barbara Stanwyck Show”] – e lembro-me, sabe, de ficar arrebatado com a ideia de trabalhar com Barbara Stanwyck. Fui para o plateau, logo, e esta mulher era famosa por saber os primeiros nomes de cada tipo, dos gajos lá de cima, de toda a gente atrás das câmaras, do tipo que limpava o chão, e chamava-os a todos pelo primeiro nome todas as manhãs. Toda a gente simplesmente adorava esta mulher. Bom, eu entrei em cena com ela pela primeira vez, para ensaiar, olhei para ela e ela devolveu-me o olhar. Nessa altura ela não estava casada. Eu estava muito casado. E aquela coisa aconteceu como se se estivesse de pé a abanar uma bandeira. E eu pensei, “Oh, meu Deus.” E não sei quão mais velha que eu ela era, não faço ideia, mas está a ver, isso é um momento que não se esquece, nunca, a vida toda.” 
Situando a sua escolha no ciclo e nos tempos que vivemos, Andy Rector disse-nos, “Olhem para este filme. É a armadilha em que estamos todos até hoje! E como na nossa era, não há solução que se encontre; temos de ser nós próprios a produzi-la, ou sair para morrer na rua. Este episódio de televisão chegou-nos numa cópia sem os últimos dois minutos, isto é, sem o monólogo final típico de cada episódio e dito pela anfitriã Barbara Stanwyck para reconciliar o que vimos.” 
O filme não tem legendas,

Amanhã, a escolha de Filipa Gambino.

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sexta-feira, 3 de abril de 2020

40 dias 40 filmes – Cinema em Tempos de Cólera: "Stars in My Crown", de Jacques Tourneur

O Jornal do Fundão, os Encontros Cinematográficos, o Lucky Star – Cineclube de Braga e o My One Thousand Movies associaram-se nestes tempos surreais e conturbados convidando quarenta personalidades, entre cineastas, críticos, escritores, artistas ou cinéfilos para escolherem um filme inserido no ciclo “Cinema em Tempos de Cólera: 40 dias, 40 filmes”, partilhado em segurança nos ecrãs dos computadores de vossa casa através do blog My Two Thousand Movies. O terceiro convidado é o realizador Pedro Costa, que disse simplesmente, “Stars in My Crown, como é óbvio.”


Sinopse: "Stars in My Crown" é, talvez, o mais perfeito e belo exemplo daquilo a que se chama a "americana" (evocação nostálgica do passado dos EUA) no cinema. É também o mais pessoal dos filmes do realizador, Jacques Tourneur, que para o dirigir aceitou um salário simbólico. Praticamente sem história, "Stars in My Crown" é uma colecção de vinhetas da vida numa pequena cidade no interior dos EUA, que retratam sentimentos e emoções, e tem como ponto de partida a vida de uma criança com o seu pai, pregador, na vila que os adoptou, onde o tranquilo deslizar do tempo é por vezes quebrado pelo drama (e o discurso de Joel McCrea na tentativa falhada de linchamento pelo Klu Klux Klan é um dos mais extraordinários momentos políticos de todo o cinema americano).

Stars in My Crown é do realizador francês Jacques Tourneur, que trabalhou sobretudo na América e contou em 1964 que “nessa altura (1949) estava livre, e não tinha contrato com qualquer firma. Tinha ganho bastante dinheiro com os filmes Berlin Express (1948) e Easy Living (1949). Tinha um grande amigo na MGM, William Wright, que preparava um filmezinho. Pedi-lhe para ler o argumento e ele emprestou-mo. Entusiasmei-me logo. Telefonei a Wright e disse-lhe que queria, custasse o que custasse, filmar esse argumento. Respondeu-me: 'Mas Jacques, é um filme sem importância, com um orçamento reduzidíssimo, que tem que ser feito em doze dias, e a nossa ideia é contratar um realizador pago à semana' Continuei a insistir e ele disse-me 'Jacques, percebe-me, não te podemos pagar'. Respondi-lhe: 'Ouve, não há problemas, faço o filme de graça'. Esta resposta estarreceu-o e, no dia seguinte, mandou-me dizer que me pagaria o que estavam dispostos a pagar ao realizador contratado à semana. O que, de resto, acabou por se virar contra mim, porque, quando acabei o filme, e me propuseram outros, todos os estúdios iam logo perguntar à MGM quanto é que me tinham pago e foi assim que o meu ordenado foi reduzido em dois terços. Foi o preço que paguei pela minha vontade de rodar este filme. O autor do romance, Joe David Brown, escreveu-me uma carta que guardei, em que me dizia que tinha ficado comovidíssimo ao ver o filme, que o achava bem melhor que o romance. E ainda hoje quando o encontro, Joel McCrea diz-me sempre 'Jacques, a maior alegria de toda a minha carreira foi ter trabalhado em Stars in My Crown'.” 
Em conversa com o crítico Chris Fujiwara, precisamente sobre Tourneur, em 2010, Pedro Costa confessou que “eu tenho um carinho pelo Stars in My Crown porque foi mesmo o primeiro que vi de forma consciente, e foi num grande ecrã, e é uma coisa rural, de mundo pequeno, tenho um carinho por coisas dessas. Provavelmente tem algo que ver com o realismo ou assim; realismo não, mas qualquer coisa ali que-- Bom, é a América, uma vila pequena; os outros filmes todos do Tourneur, não estão ancorados em lado nenhum, mesmo, ou é sempre uma espécie de-- podia ser um sítio imaginário, as ilhas, as ruínas, acho que todos eles. Não sei (...) Mesmo Londres [em Night of the Demon]. É demasiado poético, demasiado vago, não, vago não, demasiado brumoso. O Stars in My Crown provavelmente é uma coisa sentimental, e uma coisa visual; talvez se tivesse importado mais um bocadinho com o detalhe, ou tenha tido mais tempo. Consegue-se sentir isso. A sequência com o feno e os rapazes, por exemplo, acho que não se consegue pensar naquilo em casa. Talvez, mas… não sei como é que ele trabalhava, se tinham um storyboard, ou… (…) Não sei, ele provavelmente teve dois ou três dias para fazer aquilo; pôde tentar umas coisas, pôr os rapazes a mexer-se um bocadinho… Mesmo a coisa da câmara, é difícil, tecnicamente é pouco comum, há tipo sete ou oito planos… Não parece uma coisa pré-concebida de storyboard.” 

Amanhã, a escolha de Miguel Marías.

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terça-feira, 17 de setembro de 2019

The Twilight Zone - Night Call (Night Call) 1964

Há quem acredite em Deus, nos anjos e no Paraíso, como há quem os substitua por outras coisas, concedendo-lhes a mesma santidade e o mesmo relevo. Há quem diga que pensou todo o dia em nós quando aparecemos por acaso e depois de muito tempo sem dar notícias, como se o universo os estivesse a tentar avisar do acontecimento antes da ocasião. Há quem confie mais nas energias do que na ciência, que às vezes dá pessoas como mortas e não consegue processar em termos lógicos a persistência delas em sobreviver. Há quem se pacifique com a morte de quem lhe era próximo com sonhos estranhos em que o inconsciente, por mais misterioso e profundo que seja, não parece ser o único agente em acção. Há coincidências ou sinais inexplicáveis que nos compelem a tomar certas acções, fazendo-nos duvidar do livre-arbítrio envolvido mesmo no processo.
Jacques Tourneur podia ser uma figura muito elíptica e elusiva dentro de Hollywood, mas não tão elíptica e elusiva que não nos tenha deixado algumas pistas sobre as suas filosofias de trabalho e de vida. “Eu faço filmes sobre o sobrenatural,” disse ele a Bertrand Tavernier em 1970, “e faço-os porque acredito nele. Acredito no poder dos mortos, em feiticeiros. Conheci de resto alguns quando estava a preparar A Noite do Demónio. Discuti com a mais velha feiticeira inglesa. Falámos muito tempo sobre o mundo dos espíritos, do poder dos gatos. Também visitei casas assombradas... Eu próprio possuo certos poderes. Acontece-me sentir que vou ver em breve um amigo que perdi de vista há muito tempo. Rabisco o nome dele num pedaço de papel. Umas horas depois tocam à porta e é ele. E eu mostro-lhe o papel onde coloquei o nome dele diante de uma testemunha... Também sei que existem universos paralelos ao nosso. Escrevi todo um argumento depois disso que se chama Whispers in a Distant Corridor. É sobre a luta entre todos os dispositivos técnicos mais avançados, os computadores mais modernos e o mundo dos mortos que tenta entrar em contacto connosco. Esse mundo que é muito mais poderoso do que o nosso. Fala-se sempre do problema das minorias. Nós, os vivos, somos uma verdadeira minoria face aos mortos... Mas é exasperante que se apresentem sempre estes poderes sobrenaturais como forças maléficas. Porquê este racismo? Se elas existissem e fossem maléficas, há muito que tínhamos sido varridos...”
Night Call, centésimo trigésimo nono episódio da fabulosa série criada por Rod Serling no final dos anos 50, “The Twilight Zone” (“A Quinta Dimensão” em Portugal), parece ser a representação perfeita desse tal mal-entendido dos “poderes sobrenaturais como forças maléficas” e uma das concretizações possíveis de Whispers in a Distant Corridor. Nele, Gladys Cooper interpreta Elva Keene, uma mulher que é assediada por telefonemas constantes de origem desconhecida. Houve uma tempestade eléctrica, o fio telefónico foi cortado, e as chamadas nocturnas não têm explicação aparente. É esse o ponto de partida, mas a câmara de Tourneur e os toques de telefone que rasgam como punhais o silêncio da noite (controlados sem dúvida alguma pelo realizador, que confessou seguir “sempre de muito perto a sincronização e a montagem sonora dos meus filmes”), conduzem a coisa muito gradualmente para os domínios do extraordinário.
Nos tempos da RKO, desligavam-se os projectores entre cenas nas rodagens do realizador francês, permanecendo ligados candeeiros ou fontes luminosas menos intensas e agressivas para os intérpretes. Os actores eram convidados a ensaiar os diálogos e moviam-se assim de forma diferente, na direcção da luz, falavam mais baixo por estarem quase às escuras, tornando a cena muito mais interessante. Tourneur anotava-lhes os movimentos e os discursos e tentava preservar tudo isso quando depois filmava. Em Night Call, quando a personagem de Gladys Cooper segue o conselho da criada e tira o auscultador do descanso, o sinal de interrompido não a deixa dormir. Põe roupa à volta do auscultador e consegue abafar o som, mas a noite silenciosa deixa-se invadir pela nota constante do sinal, que volta a encher as sombras do quarto apagado e a testar-lhe a paciência. Quando decide voltar a pousar o auscultador, a violência do toque de telefone parece voltar redobrada, não se sabe se por estar mesmo mais alto se pela modulação exemplar da cena. 
Depois de se descobrir a verdadeira natureza destas chamadas, passados os muitos “hello” ora sinistros ora inocentes de quem telefona, dadas respostas vagas e reacções incrédulas às queixas e receios da Sra. Keene, recebidos toques e sinais, avanços e recuos que demonstram concisamente o processo telefónico e as pessoas que o operam, dá-se a grande revelação e já se quer acreditar. Mas é tarde demais. Pode-se terminar aceitando como Pascal (e como Tourneur) que “se submetermos tudo à razão a nossa religião fica sem nada de misterioso ou sobrenatural. Se ofendermos os princípios da razão a nossa religião será absurda e ridícula. Há dois extremos igualmente perigosos: excluir a razão e não admitir nada senão a razão.” 
Texto do João Palhares

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sexta-feira, 17 de maio de 2013

A Cidade Submarina (War-Gods of the Deep) 1965



Depois de uma série de acontecimentos misteriosos numa aldeia à beira-mar - que culminam no rapto de Jill Tregillis (a bonita Susan Hart, que também apareceria ao lado de Price no mesmo ano, em "Dr. Goldfoot and the Machine Bikini") por um homem-peixe - o especialista em minerais Ben Harris (Tab Hunter) e o artista Harold Tiffin Jones (David Tomlinson) descem a uma misteriosa cidade subaquática chamada Lyonesse para resgatá-la. Lá, eles encontram uma raça de homens anfíbios liderados pelo "capitão" (Vincent Price) e o seu bando de contrabandistas, mantidos vivos por 100 anos pelas estranhas propriedades do ar da cidade submarina. O mundo do Capitão está em perigo de destruição por causa de um vulcão próximo. A menos que Harris e Jones possam encontrar Tregillis e fugir dali para fora, também eles podem enfrentar a morte, ou devido às forças destrutivas de uma erupção vulcânica iminente ou nas mãos tirânicas do Capitão... 
 Mais um filme da série de 'pseudo-Poes', este apenas com uma ténue ligação com as obras do autor (Price sugestivamente narra o poema de Poe "City Under the Sea" em vários pontos ao longo do filme). É um decepcionante candidato a filme de acção, também com interpretações decepcionantes, e um argumento letárgico. Tanto Hunter como Hart são demasiado brandos nos papéis principais, enquanto Tomlinson mostra seu talento para papéis cómicos, aqui emparelhado com uma galinha insuportável ao longo do filme.  Mesmo Price parece extraordinariamente forçado no seu papel habitual de vilão, transmitindo um cansaço que parece, infelizmente, muito real. Apesar de ter apenas 85 minutos, o filme movimenta-se com lentidão, e mesmo o climax subaquático arrasta-se a passo de caracol. 
Vindo de Jacques Tourneur, realizador do clássico Night of the Demon, o produto final sem brilho é surpreendente. Isso não quer dizer que não existam bons pormenores neste filme. Os cenários submarinos, apesar do baixo orçamento, são realmente muito generosos, com diferentes estilos de arquitetura trabalhados por toda a parte, como colunas e pilares do estilo romano e que parecem hieróglifos egípcios em algumas das paredes. A fotografia subaquática, enquanto espetacular, é competentemente cuidadosa.
Esta seria a última longa-metragem de Tourneur. A partir daqui só realizaria um episódio da série "T.H.E. Cat" para televisão, e viria a retirar-se até à sua morte em 1977, com 73 anos. Espero que tenham gostado do ciclo. 

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quinta-feira, 16 de maio de 2013

O Gato Miou Três Vezes (The Comedy of Terrors) 1963



Mr Trumble (Vincent Price) é o parceiro de uma falhada companhia funerária, do seu padrasto, Amos Hinchley (Boris Karloff). Quando o proprietário, o Sr. Black (Basil Rathbone), lhes dá um ultimato final - para pagarem as contas ou estarão nas ruas em 24 horas - Trumble tem um plano diabólico, e em conjunto com o seu assistente Felix Gillie (Peter Lorre), começa a fazer uma onda de homicidios...
O sexto dos filmes góticos da AIP, "Comedy of Terrors" foi uma mudança no formato existente da série. O criador da série, Roger Corman já tinha tentado arduamente evitar que os filmes se tornassem clones repetitivos - filmes como The House of Husher (1960) e The Pit and the Pendulum (1961) foram seguidos por outros baseados em bandas desenhadas e a atmosfera de Poe, Tales of Terror (1962) e The Raven (1963), enquanto que o regresso ao terror directo, The Haunted Palace (1963), foi baseado numa obra de HP Lovecraft. Neste sexto conto, o argumentista Richard Matheson fornece um conto original que contém uma variedade de influências clássicas de Shakespeare. 
O argumento é muito bem escrito, desde o início, com um prólogo de abertura mostrando os coveiros tirando um corpo para fora do seu caixão antes de atirarem o corpo na sepultura e partirem para casa com o caixão agora re-utilizável​​. A mistura de personagens é muito divertida - do frequentemente bêbado Mr Trumble, a sua esposa oprimida, o pai frágil e com dificuldades de audição, um homem com uma herança de vilania que só se quer indireitar, e uma personagem que parece quase Dickensiana na sua primeira aparição antes de se tornar imortal e perfeitamente shakespeariano. Enquanto The Raven parecia confuso sobre a sua direcção cómica, Comedy of Terrors é muito mais assertivo, com a comédia verbal e visual non-stop. Continuamente imprevisível o filme constrói um clímax eficaz e um final maravilhoso.
Jacques Tourner era mais conhecido pelos seus filmes de terror atmosféricos do final dos anos quarenta, e no final dos anos 1950 andava a fazer obras de Sword and Sandal, em Espanha, e séries de baixo orçamento para televisão - trabalhando com a AIP Gothic mostrou que ainda tinha algum talento como realizador, com um excelente timing cómico e algumas cenas atmosféricas remniscentes dos filmes de terror de Val Lewton.

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A Noite do Demónio (Night of the Demon) 1957


Conhecido como "Night of the Demon" na sua Inglaterra natal, esta adaptação de 1957, de "Casting the Runes" escrita pelo famoso escritor de histórias de fantasmas. M.R. James. tem uma merecida reputação como um dos filmes de terror mais inteligentes e pensativos já feitos. O argumento escrito por Charles Bennett (com assistência do produtor Hal. E. Chester) efetivamente atualiza e expande o material original, elaborando uma meditação maravilhosa da ciência e da superstição. Embora ofereça bastantes sustos, a ênfase é em retratar um conflito dramático entre dois pontos de vista do mundo, consagrados pelo protagonista (o psiquiatra, Dana Andrews) e o antagonista (o ocultista, Niall MacGinnis). Jacques Tourneur, é o génio que equilibra a corda bamba entre os dois mundos, o real eo imaginário, lidando com o material perfeitamente bem, embora o resultado seja marcado pela inclusão de efeitos especiais retratando o monstro, que minam a ambiguidade cuidadosamente forjada.
Dr. John Holden aventura-se por Londres, para participar num seminário de psicologia paranormal com a intenção de expor o líder de um culto, Julian Karswell. Holden é um céptico e não acredita no poder de Karswell. No entanto, aceita um convite para ficar na propriedade de Karswell, junto com Joanna Harrington. Karswell secretamente adiciona um pergaminho de papel aos papéis de Holden, que poderia possivelmente ser uma maldição da morte. Estranhos acontecimentos começam a causar medo em Holden, que acredita que a sua única esperança é passar o pergaminho de volta para Karswell, para quebrar a maldição demoníaca. 
A sinopse não faz toda a justiça ao filme. O argumento é realmente muito inteligente, sobre como equilibrar os fenómenos que retrata, de forma que nem o científico, nem o ponto de vista supersticioso ganham ascendência. Sim, muitas coisas estranhas acontecem, mas o argumento quer deixar em aberto a questão de saber se alguma delas era verdadeiramente sobrenatural. De certo modo, o filme era o protótipo para a série de televisão "X-Files", focando as aventuras de um casal, um céptico, um crente (embora os papéis sejam revertidos, neste caso). Pode-se também citar o caso de "O Exorcista" como outro exemplo deste tema, com o padre perturbado (Jason Miller) a tentar determinar se a possessão de Regan (Linda Blair) é genuína ou apenas um caso de dupla personalidade, e cumplicidade de poderes telecinéticos latentes.
Em "Night of the Demon", este tema está no centro da história. Ao concentrar-se num céptico como personagem principal, e usando um ambiente contemporâneo, o filme cria um senso de realismo convincente que eleva a história para o nível de um drama sério, e não uma espécie de filme de género convencional dependendo exclusivamente de atmosfera assustadora e dos monstros.

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Nightfall (Nightfall) 1957



Embora "Dark Passage" de Delmer Daves '(1947), "Shoot the Piano Player", de François Truffaut (1960) e "The Moon in the Gutter", de Jean-Jacques Beneix (1983) serem os exemplos mais conhecidos de filmes baseados em romances de David Goodis, a versão de Jacques Tourneur de "Nightfall" também vale pelo menos uma olhada. Um noir um pouco mais ambicioso, com uma estrutura narrativa fora do vulgar, e uma escolha ainda mais surpreendente para protagonista: o corpulento Aldo Ray, aproveitando uma rara pausa de papéis pesados e ​​brutais e militares durões.
Jim Vanning, o personagem de Ray, que aqui é um pouco mais sensível e simpático do que os seus papéis habituais - chega mesmo a ser tocante. Mas Jim é mais do que ser capaz de cuidar de si próprio, e pode mudar rapidamente para um lutador de punhos cerrados, se a situação exigir. Os problemas parecem vir à procura de Jim , num suado verão em Los Angeles - na forma de um par de gangsters (Brian Keith como John, Rudy Bond como Red), que estão convencidos de que Jim sabe o paradeiro de uma mala contendo uma fortuna em dinheiro roubado.Os gangsters implantam métodos brutais para conseguir fazer Jim falar - durante os quais vemos flachbacks de volta para o inverno anterior, quando ele cuidava do seu negócio numa viagem de pesca, num local remoto do Wyoming ...
As diferenças geográficas e climáticas entre o ambiente urbano de uma grande cidade da California e as vastas extensões do Wyoming rural são efetivamente bem diferenciadas graças à fotografia de Burnett Gufffey (também fez a fotografia de Bonnie e Clyde, From Here to Eternity, Birdman of Alcatraz e In a Lonely Place) e o elenco elegante inclui uma jovem Anne Bancroft, como a misteriosa mulher que cruza no caminho de Jim e pode ou não ser aquele produto clássico do noir, a femme fatale.
Juntamente com o sobrenatural "The Night of the Demon", a outra produção do cineasta de 1957, Nightfall, tem o nome mais adequado a qualquer filme de Tourneur. O título encaixa-se melhor com o mundo de sombras conjurado de Tourneur, onde o limite do frame suaviza o exacto, muitas vezes lírico, mas sempre a matéria de facto da especificidade do trabalho de camera.

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quarta-feira, 15 de maio de 2013

Wichita (Wichita) 1955



Joel McCrea interpreta Wyatt Earp nos seus primeiros tempos. Chega à próspera cidade de Wichita, Kanasa, esperando começar um negócio novo. Em vez disso, encontra um lugar sem lei, cheio de bares para estridentes bêbados, tratadores de gado violentos que passam pela cidade para vender os seus produtos. Depois de frustrar um assalto a banco, a Earp é oferecido o cargo de marechal, que ele recusa. Mas depois de um jovem ser morto durante uma noite de brigas de bêbados, ele aceita o trabalho. A sua primeira tarefa é a de proibir todas as armas na cidade, exceto a sua própria arma. Como Jonathan Rosenbaum apontou, isto transformará a cidade contra ele, como a falta de armas, ironicamente, tem um efeito directo sobre o capitalismo da cidade. Como nos seus outros filmes, Tourneur faz um uso espectacular do frame, sempre encenando os seus personagens e usando primeiros planos de fundos para um efeito interessante.
O personagem de McCrea parece não ter a profundidade do Earp de Henry Fonda. em "My Darling Clementine", embora a abordagem de Tourneur seja deliberadamente diferente, como se Earp tivesse chegado de outro planeta. Na verdade, toda a representação do bem e do mal no filme é enviesada, e os cowboys parecem perfeitamente bons quando os conhecemos pela primeira vez, e os irmãos de Earp são primeiramente confundidos com assassinos contratados.
Ritmo acelerado, impressionante elenco de apoio cheio de caras conhecidas (incluindo Lloyd Bridges, Wallace Ford, Peter Graves, Jack Elam, Edgar Buchanan, Walter Coy, Walter Sande entre outros, incluindo uma breve aparição na tela por um jovem chamado Sam Peckinpah), bela fotografia , direção sólida de Jacques Tourneur. Tudo isto faz de "Wichita" um western bastante agradável. 

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terça-feira, 14 de maio de 2013

O Gaúcho (The Way of a Gaúcho) 1952



Argentina, década de 1870. Um rico latifundiário, Don Miguel Aleondo (Hugh Marlowe), voltou de Buenos Aires para as pastagens infinitas conhecidas como pampas, para trazer ainda mais civilização de influência europeia ao seu país recém-unificado. Para os gaúchos, contudo, os selvagens, cowboys orgulhosos e violentos que vivem uma existência nómade a cuidar do gado, este desenvolvimento acabará por significar a sua destruição. Um gaúcho ferozmente independente, Martin Penalosa (Rory Calhoun), o irmão adoptivo de Don Miguel, não vê estas mudanças com bons olhos, mas Don Miguel é o seu patrão, e ele vai seguir as suas ordens. Infelizmente, o fosso entre as filosofias dos irmãos torna-se imediatamente aparente na festa de boas-vindas em casa de Don Miguel: Martin mata um gaúcho que insultou Don Miguel, como um fraco que se entrega a influências "estrangeiras". Ao contrário do seu pai, que teria visto o acto de Martin como honroso, Don Miguel concorda que Martin deve ir para a cadeia pelo seu crime, porque a idade dos governantes independentes autónomos de um governo central, está desaparecida. Para evitar uma sentença de morte, Martin é forçado a entrar no Exército, onde ele encontra um companheiro gaúcho descontente, Falcon (Everett Sloane), bem como o seu comandante: o frio, rígido, e disciplinador major Salinas (Richard Boone). Incapaz de adoptar não só a disciplina dos militares, mas também a sua filosofia de luta contra a população indígena para mais tarde "civilizar" os pampas, Martin deserta e quase imediatamente resgata a linda Teresa Chavez (Gene Tierney) depois de um ataque indio.
Baseado num romance de Herbert Childs (com uma história que parece diretamente tirada a partir do famoso poema argentino, Martin Fierro, de José Hernandez, sobre um gaúcho que é preso e, de seguida, deserta para se tornar um líder rebelde) temos o argumento de Philip Dunne, um argumentista habituado a todos os tipos de entretenimento (How Green Was My Valley, The Ghost and Mrs. Muir, The Robe, The Egyptian, The Agony eo Ecstasy), e não estava disposto a deixar que um projeto como este descesse a um melodrama escabroso, optando por um tom de melodrama "respeitável", isto é, com o frama a ser um pouco abafado. 
Não é dos filmes de Jacques Tourneur mais conhecidos, mas ainda assim é uma curiosidade. 

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segunda-feira, 13 de maio de 2013

A Raínha dos Piratas (Anne of the Indies) 1952



A capitã Anne Providence (Jean Peters) é a mais feroz mulher-pirata que alguma vez navegou os sete mares, criada pelo próprio Blackbeard (Thomas Gomez), em pessoa. Embora a Marinha britânica tenha um preço pela sua cabeça, ninguém suspeita que ela é uma mulher. Quando Anne assalta um navio de passageiros poupa a vida do navegador Pierre François La Rochelle (Louis Jourdan), por quem ela lentamente se apaixona. Mas Pierre é um agente que trabalha para os britânicos e atrai o seu navio, The Sheba Queen, para uma emboscada. Anne foge à captura e por vingança, rapta a bela esposa de  Pierre, Molly (Debra Paget), forçando-o a zarpar em sua perseguição.
"Anne of the Indies" não é realmente uma divertida aventura no modo Errol Flynn. O realizador Jacques Tourneur opta por um caminho diferente, uma versão psicossexual dos seus clássicos noirs e dos filmes de terror, bem diferente da atmosfera do seu swashbuck anterior, "The Flame and the Arrow". É demasiado chocante para ser divertido, mas bastante interessante, no entanto. "Am I to weep like a woman?" diz Anne depois de confrontada com as consequências de uma batalha sangrenta. Depois de ter levado uma vida de pirata desde a infância, ela vê os homens apenas como bucaneiros. O filme segue a viagem de Anne para conciliar as suas duas metades, com o pai Blackbeard, o homem com quem ela deve romper para se tornar num todo. No entanto, sendo este um filme dos anos cinquenta, uma mulher de temperamento forte é aparentemente estranho de se ver. "What kind of a woman are you?" é a pergunta mais comum. A incapacidade de Anne para descobrir isso faz com que cresça progressivamente mais cruel.
Apesar da fotografia em Technicolor e a banda-sonora de Franz Waxman este é um filme muito negro e brutal. Piratas que quebram garrafas nas cabeças de outros piratas, brigam como ursos e esfaqueiam-se uns aos outros em bares sujos.

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O Facho e a Flecha (The Flame and the Arrow) 1950



O filme centra-se na personagem Dardo Bartoli, um camponês que vive nos arredores da Lombardia, que está sob o domínio do Conde Ulrich (interpretado por Frank Allenby). Enquanto o povo faz reuniões secretas sobre rebelião, ninguém toma qualquer acção, incluindo Dardo, que só está preocupado consigo e com o seu filho Rudi. Quando ele vem à cidade ocasionalmente, é principalmente para procurar mulheres e beber com os amigos, incluindo o mudo Piccolo ( Nick Cravat). 
Um dia, Dardo planeia que o filho se encontre com a mãe que o abandonou por causa de Ulrich. Para chamar a atenção de Ulrich, ele dispara no seu falcão de caça premiado. Em resposta, Ulrich leva Rudi para o castelo com a mãe e Dardo é ferido nas costas com uma seta. É escondido pelos amigos na cidade, e todos são considerados foras da lei, para serem presos. Dardo e os amigos fogem para as montanhas, onde eles planeiam o próximo passo ...
Acção drama e aventura em Technicolor num filme da Warner Bros, que tenta recapturar a magia dos primeiros filmes de Errol Flynn, como As Aventuras de Robin Hood (1938), utilizando Burt Lancaster no papel principal. Enquanto que o ex-acrobata Lancaster era perfeito para as exigências do papel, especialmente quando trabalhava com Nick Cravat (que tal como Lancaster também era acrobata na sua profissão anterior), muita de história deste filme foi emprestada de outros filmes do género, tornando esta obra menos atraente para quem estava familiarizado com os filmes anteriores de Jacques Tourneur.
Ainda valeu uma nomeação ao Oscar para Ernest Haller pela fotografia, e outra para Max Steiner pela banda-sonora. Dirigido por Jacques Tourneur e escrito por Waldo Sal, o elenco também inclui Virginia Mayo como a donzela privilegiada que (de alguma forma) entende e se solidariza com o sofrimento dos pobres (e se apaixona pelo herói) e Robert Douglas (que tinha lutado contra Errol Flynn em The Adventures of Don Juan (1948).
 A sequência final do assalto ao castelo ficou como um dos grandes momentos do género, com a sua mistura de acção, suspense e humor, e as acrobacias dos heróis.

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domingo, 12 de maio de 2013

Stars in My Crown (Stars in My Crown) 1950



Dirigido por Jacques Tourneur, grande parte da história deste excelente Western dramático é narrada por Marshall Thompson, como o jovem agora adulto, que é interpretado por Dean Stockwell no resto do filme. É um filme de época fantástico com McCrea como um pregador do evangelho, Josiah Doziah Grey, numa pequena cidade rural que enfatiza (por vezes através da mira da arma) um tratamento justo e formas éticas para o seu sobrinho (Stockwell), e os seus paroquianos.
Excepto para o ganancioso empresário local e os seus capangas contratados, supostamente necessários para criar tensão na história, Walesburg é o tipo de pequena cidade nostálgica que muitos gostariam de viver, em 1950. A sensação de perda , combinada com a perda da juventude, fez os dias de outrora parecerem mais significativo do que eles eram de facto.
A tensão entre o reducionismo científico e a realidade espiritual devem ser o tema mais marcante deste autor: curiosamente, Stars in My Crown é o único entre os filmes mais conhecidos de Tourneur na busca de uma reconciliação entre os dois. Da "magnífica obsessão" do realizador com outro tipo de reconciliação fornece uma segunda ligação entre este filme atípico e as suas outras famosas obras: a paixão feroz pela igualdade racial que é ainda mais notável dado o facto de que esses filmes são anteriores ao florescimento pleno da era dos direitos civis. 
Enquanto o argumento atrai pouca atenção a isto, a percepção de que a Guerra Civil foi, em parte, "a guerra contra a escravidão", fornece um contexto histórico perfeito para a história de um homem que deixou de lado a violência como um meio, mas continua a lutar pelo mesmo fim com as armas da paz. (Personagens com a intenção de construir uma nova vida são fundamentais para Cat People e Out of the Past). O pregador pioneiro pode usar o seu estatuto como um herói da Guerra Civil para ganhar o respeito das crianças em idade escolar ou enfrentar o valentão da cidade, mas deixa as armas em casa quando chega a hora de enfrentar uma multidão do KKK com intenções de linchamento de um fazendeiro negro e tirar-lhe a sua terra - a mais poderosa cena do filme. Os espectadores que se encontram impacientes com o pastoral tom calmo, e ao ritmo dos primeiros 80 minutos, realmente deve ficar deliciado com o clímax poderosamente filmado. O confronto de Josiah Grey com os seus vizinhos racistas, com as identidades mascaradas por lençóis brancos, prefigura uma das cenas mais conhecidas e mais comoventes do cinema americano, e só essa cena vale mais do que muitos filmes sobre o racismo feitos em Hollywood.

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O Expresso de Berlim (Berlin Express) 1948



A RKO foi o primeiro estúdio de Hollywood a fazer um filme de ficção na Alemanha do pós-guerra, um filme de espionagem/whodunit passado num comboio com uma longa escala em Frankfurt para abrir o drama, é também uma peça intrigante de propaganda aliada que pretende provocar apoio para a reunificação de um ex-inimigo, a fim de frustrar um movimento de resistência alemão não identificado no submundo, definido em promover divisões e disputas entre americanos, britânicos, franceses e as forças de ocupação soviéticas. 
A mensagem do argumento de Harold Medford (baseada numa história de Curt Siodmak) é bastante clara: não odei os alemães, existem bons que tentam estabelecer um Estado democrático, progressivo, com metas internacionais pacíficas.
É este pensamento progressista que finalmente convence quatro membros figurativos das potências aliadas - Robert Lindley (Robert Ryan), um cientista; Perrot (Charles Korvon), um viajante francês; o tenente soviético Maxim Kiroshilov (Roman Toporow), e um burocrata britânico chamado Sterling (Robert Coote) - para ajudar o Dr. Bernhardt (Paul Lukas) e a sua assistente francesa Lucienne (Merle Oberon) a escapar de tentativas de assassinato pelo movimento da resistência. 
Claro que todos começam a sua viagem de comboio a não gostar uns dos outros, fazendo observações que não fazem justiça, bem como abrigarrem um ódio coletivo para com os alemães em geral, mas o assassinato repentino de um falso Dr. Bernhardt deixa o grupo preso em Frankfurt, onde eles são analisados por uma equipa americana antes de lhes ser cencebida premissão para viajar para Berlim. Antes do grupo poder entrar no comboio, no entanto, o bom médico é raptado, e os viajantes desconfiados relutantemente procuram-no juntos pela cidade, e, eventualmente, descobrem pistas sobre o esconderijo secreto da resistência.
A paragem em Frankfurt produz imagens surpreendentes, mostrando uma cidade bombardeada em ruínas, e a narração de Paul Stewart, uma característica regular ao longo do filme, ironicamente oferece detalhes de localizações e comentários editoriais sobre sobreviventes devastados pela guerra, ou se focam em cartazes de avisos sobre familiares desaparecidos durante a guerra. A narração de Stewart também fornece alguma ajuda geográfica, uma vez que descreve o caminho onde os personagens são levados de autocarro pelas ruas da cidade em ruínas, a passagem por um posto de controle militar dos EUA, e a aproximação do ex-IG Farben Building (agora o Edifício Poelzig), quartel-general do Supremo Comando Aliado depois da Segunda Guerra Mundial. É neste prédio enorme, onde os personagens são interrogados sobre a explosão de uma bomba no comboio, e os actores foram filmados dentro do complexo de escritórios.
Berlim só é vista no final, mas novamente a narração de Stewart aponta as localizações, como a estação de Wannsee - "Wannsee é o mais perto que se pode trazer o Expresso de Berlim hoje" -, bem como o irreconhecível Hotel Adlon, as ruínas do Reich Chancellery, Unter den Linden, e o Portão de Brandenburgo. 
Realizado por Jacques Tourneur, o filme é ostensivamente uma mensagem de esperança, cristalizada na sequência final onde Lucienne e Bernhard caminham pelo Portão de Brandemburgo juntos, enquanto um soldado com uma só perna passa em frente deles, visto apenas como uma silhueta gritante avançando para a frente, e não para trás, num passado em ruínas.

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