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domingo, 5 de dezembro de 2021

O Último Tango em Paris (Ultimo tango a Parigi) 1972

"O Último Tango em Paris" relata a relação sexual e emocional invulgar que se desenvolve entre Jeanne, uma bela jovem parisiense que se vai casar em duas semanas, e Paul, um misterioso americano expatriado de luto pela morte da sua esposa, por suicídio. Os dois encontram-se acidentalmente num apartamento vazio em Paris, quando procuram um apartamento. Eles são instantaneamente atraídos um pelo outro, e envolvem-se em relações sexuais intensas e tempestuosas. Depois da insistência de Paul eles concordam em encontrar-se regularmente, sem revelar informações pessoais, incluindo os seus nomes, um ao outro. 
Classificado com um X (por sexualidade, nudez e linguagem) em 1972, "O Último Tango em Paris" desbravou novo terreno, principalmente porque o seu tipo de paixão, violenta e desinibida, que nunca antes tinha sido mostrada de forma tão claro num filme. Ao contrário do sexo suave visto em outros filmes, a extrema franqueza na fisicalidade das relações sexuais deixou alguns espectadores pouco confortáveis. 
De 1972 a 1987 o filme foi proibido em Itália, depois das autoridades federais terem apresentado acusações de obscenidade contra Marlon Brando, Maria Schneider, Bernardo Bertolucci, Alberto Grimaldi e a United Artists. Embora tivessem todos sido absolvidos no ano seguinte, a proibição ao filme permaneceu até 1987. A Itália chegou mesmo a revogar o direito de votar a Bertolucci, e o filme foi também banido em vários países da Europa, incluindo Portugal.   
Nos Estados Unidos a classificação de X deixou-o longe dos cinemas convencionais, e permitiu-lhe ser exibido apenas em casas de arte. A maioria dos cinemas locais não estava disposto a passar por problemas com a lei, dada a fama que o filme já deixava atrás de si, portanto teve poucos desafios jurídicos.  em Montgomery, no Alabama, o operador de um cinema fez um acordo com a United Artists em exibir o filme sem submeter à aprovação. O chefe da policia alertou o dono do cinema que se exibisse o filme sem aprovação prévia seria detido e acusado. A United Artists antecipou-se, e colocou uma acção na justiça contra a cidade de Montgomery, pedindo que a lei do estado fosse considerada inconstitucional e que as restrições ao filme fossem levantadas. O tribunal concordou, e as restrições foram mesmo levantadas.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Partner (Partner) 1968

Giacobbe (Pierre Clémenti) é tentado pela sua existência solitária, no exacto momento em que tenta cometer suicídio, evocando o seu duplo. O sósia de Giacobbe exige um compromisso mais forte com ele, enquanto Giacobbe está mais preocupado com Clara, a filha dos seus colegas por quem ele se apaixonou loucamente. Poderão Giacobbe e o seu alter-ego co-existirem juntos, ou poderá o seu amor por Clara criar uma barreira entre os dois, provocando danos irreparáveis?
Ao longo da década de sessenta Bernardo Bertolucci procurava o seu próprio estilo cinematográfico, ainda em principio de carreira, e alternando entre o Teatro e o Cinema. Estreou-se com " La Commare Secca", um noir neo-realista com argumento do seu mentor, Pier Paolo Pasolini. Seguiu-se "Antes da Revolução", onde claramente se notam influências da Nouvelle Vague, e de Godard, com a política a sexualidade e a psicologia a estarem intrinsecamente ligadas. O seu terceiro filme seria este "Partner", que ainda devia mais a Godard, obviamente derivado dos seus filmes políticos de meados dos anos sessenta, como "La Chinoise", ou "Deux ou trois choses que je sais d'elle". Ostensivamente baseado num conto de Dostoiévski chamado "O Duplo", é na verdade uma boa tentativa de ensaio de filme radical, ao melhor estilo de Godard.
Do ponto de vista do início do século 21, "Partner" poderia ser apenas uma curiosidade na carreira do realizador, não fosse o seu cruzamento com o muito interessante "The Dreamers", de 2003. Ambos os filmes ocorrem no mesmo momento da história, a tumultuosa primavera europeia de 1968, quando os estudantes se revoltaram contra o poder político. Com este cenário comum, a abundante homenagem à Nouvelle Vague, e o tema partilhado da dualidade, quase se poderia dizer que "The Dreamers" seria uma actualização deste "Partner".

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domingo, 3 de maio de 2015

1900 (Novecento) 1976



Passado em Itália, o filme segue as vidas e interacções de dois rapazes/homens, um de origem camponesa (Gérard Depardieu), e o outro filho de um rico proprietário (Robert de Niro). O drama estende-se de 1900 a 1945, e foca-se principalmente na ascensão do fascismo, e eventual reacção dos camponeses por apoiar o comunismo, e como estes eventos moldam o destino das duas personagens principais.
Depois do sucesso do drama erótico controverso "O Último Tango em Paris", Bernardo Bertolucci finalmente teve a hipótese de fazer um filme sobre a épica história de Itália do século 20. Contando a história de camponeses e donos de terras, e as suas vidas paralelas ao longo dos anos da turbulência política, na perspectiva de dois homens diferentes. O resultado seria um filme épico, que explorava a inocência do homem na sua descoberta do sexo e da política, ao longo do século vinte.
Enquanto o filme é um drama passado nos primeiros 45 anos da Itália no século 20, é também um revisionismo histórico sobre a pobreza em no país, e a ascenção do Socialismo e Comunismo, e como o Fascismo começou. Ainda assim, o núcleo do filme centra-se nos personagens Olmo e Alfredo, e as suas vidas. Como é um filme contado em 45 anos, com a última cena a ter lugar em 1976, é contado numa escala épica, em quatro partes e dois actos. Era suposto haver um terceiro acto, passado nos anos posteriores a 1945, mas o realizador acabaria por desistir, por achar que o filme já era suficientemente longo.
O filme começa com dois jovens a explorarem inocentemente a sua sexualidade, e os seus pénis. Dois jovens não muito diferentes, mas com origens opostas, cujos ensinamentos irão marcar o desenvolvimento dos seus carácteres. Olmo apesar de ser pobre tem uma vida doméstica feliz, e torna-se um revolucionário a tentar fazer as coisas correctas pelo seu povo. Alfredo, tenta entender as alegrias da vida, apesar de não ter muito para tal, já que vida de rico nem sempre é sinónimo de felicidade. Torna-se numa pessoa fria. Ainda mais fria do que o foram o seu próprio pai, e o avô. Os dois tentam fazer a sua própria perspectiva da vida juntos, mas não o podem devido à sua educação. Principalmente por causa das situações políticas das suas vidas.
Bertolucci era ajudado por uma grande equipa de produção, que incluía banda sonora de Morricone, fotografia de Storaro, num orçamento chorudo de 9 milhões de dólares, que era muito para a altura. Apesar da sua importância histórica, acabaria por ser um flop financeiro. Mas claro, um flop bem vindo.

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