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quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Lolita (Lolita) 1962

"Lolita", o sexto filme de Stanley Kubrick, é uma adaptação do famoso, mas controverso, livro de Vladimir Nobokov, de 1953, que relata a trágica história de um professor de meia idade e a sua obsessão sexual por uma jovem precoce e sedutora a viver a pré-puberdade. No livro, Dolores "Lolita" Haze tem 12 anos, mas num esforço para ultrapassar os censores ela é retratada no filme como tendo 14. Apesar desta mudança, a produção do filme ocorreu sob a ameaça da censura, e Kubrick temia que a MPAA negasse ao filme o selo de aprovação. Foi o primeiro filme de Kubrick a ser feito de forma independente em Inglaterra, e começou com uma longa procura por uma actriz que tivesse idade suficiente para evitar tumultos, mas que tivesse sensualidade suficiente para caracterizar a personagem tal como Nabokov a concebia. 
Cartazes publicitários do filme incluíam o slogan: "Como é que fizeram um filme de Lolita?", com uma foto de Lolita a usar uns óculos escuros em forma de coração e a lamber um chupa-chupa. Os créditos de abertura contêm algumas das imagens mais eróticas de toda a película, e definem o seu tom. Originalmente "Lolita" recebeu a nota "C" de condenado, dado pela Legião de Decência (LOD). Depois de negociações privadas o filme recebeu mudanças de natureza vital, para evitar o rating de "condenado". Era uma prática conhecida na indústria, e muitos outros filmes, incluindo "Spartacus", foram objecto do mesmo tipo de negociação. 
O PCA teve de rever a clausula da "perversão sexual", que incluía temas como a pedofilia ou a homossexualidade, menos restringentes, para que o filme passasse para a classificação "R", que queria dizer que o ele pudesse ser visto por pessoas maiores de 18 anos, a não ser que fossem acompanhadas por um adulto. Em 1962 o Lod analisou o filme, e de um concelho de 12 membros, 9 consideraram-no "condenado". Mas as objecções vocais dos dissidentes levaram ao órgão conceder a "Lolita" uma "classificação especial". O filme resultante não recebeu grandes desafios depois de ter estreado, devido à extensa censura e modificações que sofreu até ser lançado. Oito anos depois Kubrick reflectiu que teria feito tudo de forma diferente, teria enfatizado a componente erótica da relação da mesma forma que Nabokov fez. 

terça-feira, 2 de outubro de 2018

A Noite do Caçador (The Night of the Hunter) 1955

Grande Depressão. No processo de roubar 10.000 dólares de um banco, Ben Harper mata duas pessoas. Antes de ser capturado, convence o seu filho adolescente John e a jovem filha Pearl a não contarem a ninguém onde escondeu o dinheiro, incluindo a mãe Willa, que foi no brinquedo preferido de Pearl, uma boneca que ela carrega para todo lado. Ben é capturado, julgado e condenado à morte, mas antes de ser executado divide a sua cela com um homem chamado Harry Powell, um vigarista e assassino que engana mulheres solitárias, principalmente ricas. Harry faz tudo o que pode para saber a localização do dinheiro, sem sucesso, e depois da execução de Ben, fica decidido que Willa será a sua próxima vítima, imaginando que alguém da família sabe onde está o dinheiro...
Como a maioria dos filmes que desafiam convenções, ultrapassam barreiras e demarcações confusas de tom, estilo e género, "The Night pf the Hunter", de Charles Laughton, não foi muito bem recebido quando foi estreado, em 1955, nem pelo público nem pela crítica (nem pela United Artists, o estúdio que produziu e distribuiu o filme tinha uma ideia do que era o filme).  Os críticos ainda geraram alguma simpatia, talvez porque reconheciam que o filme incorporava alguma ousadia, e incluísse tantos estilos temáticos diferentes. O público, por outro lado, ficou bem longe do filme, o que desgostou Laughton, um actor britânico já de créditos firmados que se estreava na realização, mas que acabaria por não fazer mais nenhum filme. 
Baseado num livro de Davis Grubb, e adaptado para o grande ecrã por James Agree, um argumentista e crítico de cinema que anteriormente já tinha adaptado "The African Queen" de John Huston, constrói um thriller que salta implacavelmente entre o realismo duro e o lirismo exagerado, dando a impressão de ser um pesadelo estilizado. Mais de 60 anos depois da sua estreia, "The Night of the Hunter" continua a ser um filme sem igual. É um pesadelo sombrio no qual elementos aparentemente díspares e impraticáveis se juntam para criar uma das visões mais perturbadoras do cinema. 
Filme escolhido pelo Hugo Tavares.

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domingo, 1 de julho de 2018

Alfie (Alfie) 1966

Alfie (Michael Caine) é um conquistador de mulheres charmoso que vive em Londres. Tem várias aventuras amorosas, para acrescentar mais mulheres para sua "coleção". Ele usa-as, sem qualquer tipo de censura e salta de cama em cama sem nenhum remorso. No entanto, Alfie não é tão despreocupado ou indiferente como tenta passar para as pessoas. Tentando ser livre como um pássaro, ele ignora quem realmente o ama e o seu filho acaba por ser criado por outro homem. Chega a um ponto em que começa a questionar a sua vida.
O filme que catapultou Michael Caine para o estrelato e cimentou a sua imagem de playboy, dando-lhe um dos slogans mais duradouros, tanto que chamou a sua autobiografia de "What's It All About?".O papel do mulherengo Alfie Elkins encaixou como uma luva no actor de 33 anos, valendo-lhe a sua primeria nomeação para os Óscares, que acabaria por perder para Paul Scofield em "A Man For All Seasons". 
Adaptado do livro de Bill Naughton, o filme de Lewis Gilbert abriu novos caminhos no assunto da exploração do sexo do cinema, intercalando as conquistas sexuais do anti-herói com confissões francas e espirituosas transmitidas directamente para a câmara. 
Outro dos pontos fortes do filme é a interpretação de Denholm Elliott como um abortista clandestino, que segue a linha ténue entre glorificar a amoralidade de Alfie e castigá-lo pelo seu sexismo. 

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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Harper, Detective Privado (Harper) 1966

Lew Harper é um investigador privado de Los Angeles cujo casamento com Susan Harper, que ele ainda ama, está em vias de chegar ao fim, porque ela não suporta vir em segundo lugar, depois do seu trabalho. A sua última cliente é Elaine Sampson, que quer que ele encontre o seu marido, desaparecido faz 24 horas, logo depois de chegar ao aeroporto de Van Nuys, em Vegas. Ninguém parece gostar de Ralph, incluindo a sua esposa, que acredita que ele está com outra mulher. Seja como for, o trabalho de Lew éncontrá-lo, e ao mesmo tempo tentar salvar o que resta do seu casamento.
Paul Newman a assumir o papel de um detective privado que tenta encontrar um milionário desaparecido no meio da vida exuberante de Los Angeles. O resultado seria um sucesso memorável, e um dos maiores sucessos de Newman nos anos sessenta, que ajudava a estabelecer a sua reputação de actores mais cool da grande tela. 
Harper ficou conhecido no mundo como Lew Archer, o herói de uma séries de livros iniciados pelo escritor de mistério Ross Macdonald, com o primeiro livro a chamar-se "The Moving Target". A série seria aclamada por adicionar uma grande densidade psicológica aos livros de detectives, e fez de Macdonald um dos escritores de maior sucesso das novelas de mistério, com o seu nome a ser colocado ao lado de outros como Dashiell Hammett ou Raymond Chandler.
Isso não impediu Newman de mudar o nome ao famoso detective de Macdonald, impulsionado pelo facto dos seus dois filmes de maior sucesso começarem pela letra "H", "Hud" e "The Hustler", Newman pediu que o nome do seu detective fosse alterado de Archer para Harper. Para além deste pormenor, o filme ficou fiel ao livro de Macdonald, e ajudou a trazer novos leitores para o escritor. O papel ficou tão associado a Newman que ele entraria numa sequele nove anos depois, "The Drowing Pool". 
"Harper" também mostrou respeito pelos filmes noir do passado, onde vai buscar inspiração, principalmente na escolha da actriz que interpreta a Mrs. Sampson, Laureen Bacall. O elenco conta ainda como nomes como Arthur Hill, Julie Harris, Janet Leigh, Shelley Winters e Robert Wagner.

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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Capítulo 8 - Heróis do VHS

Desaparecido em Combate (Missing in Action) 1984
O coronel das Forças Especiais James Braddock precisa de trazer de volta soldados norte-americanos que ainda estão a ser mantidos como prisioneiros no Vietname. Contando com a ajuda da funcionária do Departamento de Estado e de um ex-colega do Exército, Braddock reúne informações altamente confidenciais e armamento da última geração. Braddock forma então um exército de um homem só, disposto a invadir o Vietname para localizar e salvar os seus restantes companheiros desaparecidos em combate.
Um dos filmes de acção mais famosos dos anos oitenta, que originou uma vaga de filmes revisionistas sobre a Guerra do Vietname. O argumento de James Bruner é tipicamente tão anticomunista que faria Ronald Regan orgulhoso. A questão de soldados americanos ilegalmente mantidos no Vietname e do campo minado da diplomacia burocrática já tinha sido explorada com algum efeito em "Uncommon Valor" (1983). Mas onde "Uncommon Valor" procura desenvolver as personagens, motivações, e o estado emocional, "Missing in Action", como veículo promocional de Norris, opta por todos os tipos de acção. A odisseia do coronel James Braddock chegou aos cinemas pouco antes do seu copycat, "Rambo: First Blood Part II" (1985).
Com um modesto orçamento de 2,5 milhões de dólares (ao contrário de "Rambo: First Blood Part II", que tinha um orçamento de 44 milhões) o realizador Joseph Zito consegue fazer milagres. Ele foi, sem dúvida, prejudicado pela estratégia económica da Canon Films, mas era extremamente eficiente a trabalhar com baixos orçamentos, já tinha sido assim com "The Prowler" (1981) e "Friday the 13th: The Final Chapter" (1984), dois interessantes filmes de terror. "Mission in Action" foi uma das entradas mais importantes nos filmes dos anos 80 transbordantes em  testosterona e machismo. Podem ler mais sobre ele, aqui.

Invasão EUA (Invasion U.S.A.) 1985
Mikhail Rostov (o eterno vilão Richard Lynch) é um terrorista russo que resolve, literalmente, invadir os Estados Unidos. Junta uma quadrilha de mercenários e terroristas de todo o mundo, liderados por ele e pelo seu braço direito, Nikko (Alexander Zale), e entram facilmente no território americano, iniciando uma série de atentados e assassinatos que seria o início da auto-proclamada "Invasão dos Estados Unidos". O plano de Rostov é jogar os próprios americanos uns contra os outros e fazer ruir a democracia americana. E só há uma pessoa capaz de o deter: Matt Hunter (Chuck Norris).
 Apesar da sua longa associação com Charles Bronson, e a sua curta colaboração com Sylvester Stallone e Jean-Claude Van Damme, Chuck Norris era, inquestionavelmente a jóia da coroa da Canon Films desde meados dos anos 80 até ao início dos anos 90. Era uma estrela internacional que não ligava a nomes, nem se importava com argumentos, desde que tivesse hipóteses de dar uns tiros e pontapés. Em "Invasion USA" ele escreveu o argumento em conjunto com James Bruner, a partir de uma história do seu próprio irmão, Aaron Norris, ´que tinha trabalhado como duplo em vários filmes do seu próprio irmão. Joseph Zito era de novo o realizador, depois de "Desaparecido em Combate".

Força Delta (Delta Force) 1986
Quando um avião norte-americano de passageiros é sequestrado e levado para Beirute, o Presidente chama a Força Delta - uma equipa de ataque comandada pelo Coronel Nick Alexander (Lee Marvin) e o Major Scott McCoy (Chuck Norris). Enfrentando todas as adversidades, os homens invadem o esconderijo e - sem levar nenhum prisioneiro - resgatam os reféns. Mas a missão ainda não acabou. Alguns passageiros remanescentes estão a ser "escoltados" a Teerão, o que dá início a uma corrida contra o tempo à medida que Alexander e McCoy tentam salvá-los e vingar a honra da América, antes que seja tarde demais.
Vagamente baseado num sequestro do voo 847 da TWA, é um filme muito parecido com os blockbusters da série "Aeroporto". Introduz-nos a um número elevado de personagens (na forma típica dos filmes da série "Aeroporto", como Martin Balsam, Joey Bishop, Shelley Winters, Lainie Kazan, ou George Kennedy), antes de serem todos empurrados para um avião comercial em Nova Iorque, e serem raptados por dois terroristas libaneses (Robert Forster, David Menachem) que protestam a existência de Israel. A mais estranha e impressionante coisa sobre o filme, é o balanço entre heróis e vilões. Em vez do heroísmo exagerado esperado o realizador/ produtor/ co-argumentista Menahem Golan (ele próprio um israelita), permite que a Força Delta faça algumas coisas más, e os terroristas façam algumas coisas boas. Não era exactamente um filme com o preto no branco, como era habitual na tarifa da Canon.
O elenco era recheado de estrelas, e para além das faladas em cima contava ainda com: Hanna Schygulla, Susan Strasberg, Bo Svenson, Robert Vaughn, Kevin Dillon, e Liam Neeson.
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

A Grande Ofensiva (Saskatchewan) 1954



O'Rourke (Alan Ladd) e o seu meio-irmão Cree, Cajou, estão de regresso de uma caçada no norte do Canadá quando se deparam com um vagão de um comboio queimado, e uma única sobrevivente, Grace (Shelley Winters). O comandante Benson acredita ser um ataque dos índios Cree, mas os Sioux, do outro lado da fronteira, estão a forçar os Cree a serem seus aliados na luta contra a Sétima Cavalaria. O'Rourke terá que salvar toda a gente, incluindo Grace.
Raoul Walsh realiza este western brilhantemente fotografado, sobre a batalha dos índios contra a Polícia Montada Canadiana, no seu habitual estilo vigoroso e viril. Baseado numa história de Gil Doud, funciona muito bem como espectáculo (a ser filmado em excelentes exteriores perto de Banff), com grandes cenas de acção, mas o facto da história ser um pouco fraca, deixa um pouco a desejar.
Era a segunda vez que Walsh trabalhava com Alan Ladd, depois de "Salty O'Rourke", curiosamente um filme onde a personagem de Ladd tem o mesmo sobrenome que neste "Saskatchewan", embora os personagens não estejam ligados. Produzido pela Universal, consta que teve filmagens complicadas. Primeiro foi Shelley Winters que teve uma lesão no olho que obrigou a vários dias de paragem, depois foi Alan Ladd que partiu um dedo, o que o obrigou a usar uma tala, facto que obrigou a uma grande ginástica para não ser filmado pelas câmaras.

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domingo, 7 de fevereiro de 2016

Uma Réstea de Azul (A Patch of Blue) 1965

Acidentalmente cega pela sua mãe com a idade de cinco anos, Selina D'Arcey passa os treze anos seguintes confinada a um minúsculo apartamento de Los Angeles, que partilha com a mãe e o avô, com quem vive uma vida miserável e muito solitária. Uma das poucas vezes que consegue ir ao parque local conhece Gordon Ralfe, um jovem bondoso que a trata com muito carinho, sem saber que ele é negro. Continuam a encontrar-se no parque, até que a cruel e dominadora mãe tem conhecimento destes encontros...
Depois de se tornar no primeiro actor africano a ganhar um Óscar pela sua interpretação no filme "Lilies of the Field" (1963), Sidney Poitier tornou-se numa força tão grande no box-office que Pandro S. Berman declarou que só produzia "A Patch of Blue" se tivesse o actor no papel principal. Baseado num livro de Elizabeth Kata, "A Patch of Blue" é a história de uma jovem cega que vive uma vida na solidão, sem o devido carinho dos familiares, mas o filme também é uma história de amizade e amor.
Assim que Poitier se comprometeu com o projecto, começou a trabalhar com Berman e o realizador - argumentista Guy Green, actualizando o argumento para ficar mais sintonizado com uma versão para cinema. No livro a jovem partilha alguns preconceitos com a mãe, e reage negativamente quando descobre a verdade, e empurra o amante para as mãos dos vigilantes racistas. Na versão para cinema tal já não acontece, assumindo um tom muito mais optimista.
A MGM testou 145 actrizes desconhecidas até encontrar a jovem Elizabeth Hartman, que logo no seu primeiro filme conseguiu uma nomeação para o Óscar. Apareceu apenas num punhado de filmes, mas vivia bastante reclusa, até falecer com apenas 43 anos, vítima de um aparente suicídio. Shelley Winters, no papel da monstruosa mãe, venceria o Óscar de Melhor Actriz.
Foi um grande sucesso de bilheteira, mesmo no sul. Em Atlanta, nas duas primeiras semanas, bateu o record de "E Tudo o Vento Levou". Velhos tabus não foram quebrados, mas um modesto beijo de oito segundos foi cortado para o público do Sul. 

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sábado, 5 de setembro de 2015

O Pequeno Burguês (Un Borghese Piccolo Piccolo) 1977

Giovanni Vivaldi (Alberto Sordi) não tem muitas ambições. Para ele, a vida está maravilhosamente bem do jeito que está. O filho Mario tem um futuro promissor e a sua atenciosa esposa Amália(Shelley Winters) está igualmente feliz com o rumo da sua vida. No entanto, quando o rapaz é morto no assalto a um banco, Giovanni é arrancado bruscamente do seu paraíso pessoal e tomado por um incontrolável desejo de vingança.
"Mario Monicelli consegue dar muito bem um dinâmico retrato de uma mentalidade, de uma maneira de estar na sociedade, de uma classe social que fica a meio caminho entre outras duas (o proletariado e a média burguesia) que é a pequena burguesia aparentemente acomodada à sua condição, mas afirmada ao nível do comportamento quotidiano. Se, no emprego, plha os superiores com reverência e até temor, deixa para casa e para o café as tiradas de força machista como afirmação de um poder que a realidade da sua vida não contém. O mundo que cerca este pequeno burguês transpira hostilidade e violência por todos os "poros", mas ela é filtrada pelo "pai de família" cuja ambição máxima é fazer entrar o seu filho (contabilista) para a função pública, seguindo as suas peugadas, alheio à evolução dos tempos, incapaz de encarar o futuro com as transformações que pode, eventualmente, introduzir no futuro".(Mário Damas Nunes, in Se7e).

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quinta-feira, 2 de abril de 2015

Paragem no Bairro Boémio (Next Stop, Greenwich Village) 1976



Um jovem judeu aspirante a actor sai de casa dos pais, um apartamento em Brooklyn, para procurar fama e fortuna na vida boémia de Greenwich Village, em 1953. Eles esforça-se por não discutir com a natureza dominadora da mãe, enquanto também tenta manter a relação com a namorada. No seu novo lar vai criar amizade com um grupo de pessoas bastante estranha...
Um olhar autobiográfico para as experiências de Mazursky como um jovem actor em Greenwich Village, durante os primeiros anos da década de cinquenta, uma altura em que o teatro criativo e as leis do senador Joseph McCarthy estavam a florescer. Greenwich estava cheio de artistas e actores esperançosos, escritores e aspirantes a argumentistas, poetas e músicos. Era uma zona desmilitarizada definida pelo conformismo ético do período pós-guerra.A vida boémia estava a passar por uma fase difícil, e a meio da década evoluiria para o chamado "Beat Movement". O cenário de "Next Stop, Greenwich Village" é a linha divisória entre o conservadorismo, corporativismo  e os valores suburbanos dos chamados "yawps" da "Beat Generation". Mazursky recria este momento na perfeição.
A realização de Mazursky mostra um humanismo sensível. Preocupa-se com as pessoas de Greenwich, com as suas esperanças vocacionais, com as confusões sexuais, e os traumas pessoais. Há uma ansiedade genuína, evidenciada em várias interpretações e algumas sequências de audições. Mazursky dá aos seus actores liberdade para serem frenéticos, histéricos e até mesmo ridículos. Na sua busca pela realização estas almas lutam contra os demónios da auto-destruição e são assombrados pelo sentimento omnipresente de que podem não ter o que é preciso para ser um artista.
Concorreu para a Palma de Ouro de 1976, que foi ganha por "Taxi Driver".

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terça-feira, 31 de março de 2015

Amantes em Veneza (Blume in Love) 1973



Stephen Blume (George Segal), é um advogado, de meia idade, especialista em divórcios. Vive numa situação paradoxal quando, depois de ver o seu casamento terminado, ainda está apaixonado pela sua mulher (Susan Anspach).
"Blume in Love" é uma meditação, essencialmente benigna sobre os relacionamentos confusos, num tempo em que muitas pessoas viviam com a sensação de "vale tudo". Paul Mazursky é um realizador com um "toque" muito próprio, que permite que o seu grupo de actores se aproximem do comportamento humano naturalista, mas ainda assim mantém o suficiente para seguir uma narrativa em movimento. Se há alguma sátira aqui, é filtrada atavés de uma sensibilidade que respeita os personagens, e coloca os seus sentimentos em primeiro lugar.
"Blume in Love" é também um conto sobre um homem com um coração destroçado que se torna um náufrago apaixonado e encontra o perdão. Todos aqueles que viveram por uma crise pessoal semelhante reconhecerão o final romântico de Mazursky. O filme é notável pelo que alcança na área de redefinir o que significa o casamento. Alimenta uma discussão interessante sobre como duas pessoas gerem as suas expectaticas da relação, e como essas percepções podem levar uma ruptura entre marido e mulher.
O elenco de secundários inclui alguns nomes interessantes: Kris Kristofferson, Marsha Mason, Shelley Winters, e o próprio realizador.

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terça-feira, 17 de junho de 2014

Winchester 73 (Winchester '73) 1950



Num concurso de tiro ao alvo, Lin McAdam (James Stewart) ganha uma espingarda premiada, que é imediatamente roubada pelo segundo classificado Dutch Henry Brown (Stephen McNally). Este filme segue a história dessa espingarda, uma Winchester de 1873, e segue a busca de McAdam para a obter de volta, com ela a percorrer o filme mundando de mão em mão até um duelo final, num percepício das montanhas rochosas.
Este foi o primeiro na série de cinco westerns de sucesso consecutivos, da dupla Anthony Mann e James Stewart, que apareceu na altura certa para o actor. Stewart estava preocupado com o desenvolvimento da sua carreira, depois de uma série de flops consecutivos no pós guerra. Eram westerns muito menores do que os da dupla Ford/Wayne, filmes excitantes, cheios de acção, muito pessoais, e largamente focados nas personagens.
"Winchester '73" é muitas vezes considerado o melhor filme desta dupla, rodado a preto e branco e quase sem falhas. Foi um filme que mudou muito a personalidade Stewart enquanto actor, pois fê-lo passar de personagens mais amistosas e românticas, para personagens mais maduras e astutas. Anthony Mann também viu a sua carreira a mudar completamente o rumo, e para melhor. Mais habituado a filmes negros de série B, passava a fazer filmes com um balanceamento completamente diferente. A transição de Mann do noir para o western foi muito bem conseguida, conseguindo levar algumas características do Noir para o território do western que não eram muito habituais, dando um toque perverso ao mais americano dos géneros.
O filme contava com um belo elenco de secundários: Shelley Winters, Dan Duryea, Stephen McNally, Will Geer (como Wyatt Earp), e uns novatos Rock Hudson e Tony Curtis, mas é a personagem vingativa de Stewart que leva o filme.

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segunda-feira, 15 de julho de 2013

Elvis (Elvis) 1979



Um filme para TV baseado na vida de Elvis Presley parece ser um pouco redundante. Os fãs parecem já saber tudo sobre ele e a sua vida tem sido dissecada desde a sua morte prematura em 1977. Mas este filme foi lançado em 1979. Os detalhes da vida de Elvis Presley podem ter sido conhecidos por muitos, mas ainda havia um certo elemento de mistério sobre o homem, uma mistura de factos com anedotas e lendas. O filme começa com Elvis (brilhantemente interpretado por Kurt Russell) à espera de entrar entrar em palco para o seu famoso concerto no International Hotel, em Las Vegas. Ele esteve longe dos holofotes desde há algum tempo e está muito nervoso. Enquanto pensa em como o concerto irá decorrer, começa a pensar sobre a sua vida e os espectadores são levados ao longo de uma jornada que mostra como um jovem rapaz de Tupelo, no Mississippi, se tornou o rei do rock ‘n’ roll. Este filme, originalmente feito para a TV dos Estados Unidos, teve depois uma versão teatral em outras áreas, por uma importante série de razões. A principal razão é que ele foi a primeira colaboração entre Kurt Russell e o realizador John Carpenter. Os dois homens iriam passar a fazer uma série de excelentes filmes, alguns dos quais poderíamos falar de sólidos clássicos, mas este seria um começo muito bom para a sua relação de trabalho. Além de Russell, contava com Shelley Winters no papel de Gladys Presley, e uma série de actores habituados a trabalhar com Carpenter, como Season Hubley (no papel de Priscilla), e Charles Cyphers (o Sheriff de Halloween). Foi nomeado para 3 Emmys, e um Globo de Ouro.

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