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domingo, 22 de abril de 2018

O Pequeno Grande Homem (Little Big Man) 1970

Adaptação do romance de Thomas Berger sobre as memórias de um velho de 121 anos que evoca os seus tempos no Oeste, vivendo entre dois mundos, o dos pioneiros e o dos americanos primitivos que o tinham raptado em criança no ataque a uma caravana. Uma revisão de alguns mitos da história e clichés do western, em particular a personagem de George Armstrong Custer e a batalha de Little Big Horn.
"O romance de Thomas Berger (publicado em 1964), onde se baseia "O Pequeno Grande Homem", é uma das obras mais divertidas e originais da ficção do Oeste. Relata as picarescas aventuras de Jack Crabb, que é várias vezes capturado pelos índios e se torna num pistoleiro do velho Oeste, encontra-se com Wild Bill e junta-se ao General Custer na batalha de Little Big Horn. No filme, Jack é interpretado por Dustin Hoffman e vamos encontrá-lo, pela primeira vez, com a avançada idade de 111 anos por um honesto explorador que acredita em toda a sua inacreditável história.
O que se segue é uma desmontagem, numa envolvência absoluta, do mito western, mostrando Custer como um ferrabaz vaidoso e Hicock como um neurótico ansioso. Os Cheyenes, pelo contrário, que adoptam Jack na sua tribo, são um povo cortês e amante da vida e, nesse aspecto, estão bem representados na figura de Old Lodge Skins, maravilhosamente interpretado pelo Chefe Dan George. A descrição do ataque ao campo dos Cheyennes pela Sétima Cavalaria de Custer (baseado no massacre de Washita, em 1868) quase nem se preocupa em disfarçar uma óbvia referência à Guerra do Vietname, no auge da fúria quando o filme foi rodado, e, em particular, à infame matança de My Lai."
Texto de EB.

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sexta-feira, 20 de abril de 2018

Bonnie e Clyde (Bonnie and Clyde) 1967


"A tentativa de Arthur Penn para fazer um filme de "foras-da-lei" americano ao estilo da Nova Vaga Francesa e com exuberância juvenil provou ser um extraordinário sucesso junto do público, que gostava de políticas anti-sistema. Também os críticos aplaudiram eventualmente o esforço do realizador para impregnar o cinema dos E.U.A. com uma nova energia e seriedade. Na altura da sua estreia, contudo, Bonnie e Clyde foi consensualmente condenado pela sua descrição gráfica da violência. Progressos tecnológicos tornaram possível mostrar feridas de tiros de forma mais realista, e a câmara de Penn demora-se com frequência nos efeitos dos corpos a serem desepedaçados e na dor e sofrimento que daí resultam. Anteriores filmes americanos, de facto, tinham-se, muitas vezes, centrado na violência, mas Bonnie e Clyde foi o primeiro filme de Hollywood a fazer o espectador experenciar o seu horror e, até, a sua enfeitiçante beleza.

As criticas iniciais ao filme eram geralmente agrestes, quando não condenatórias, mas a maré de opinião crítica depressa mudou radicalmente, obrigando algumas revistas a publicar críticas revisionistas. Alternando com eficácia cenas de terror, realismo brutal, e quase comédia de "bolo na cara", Bonnie e Clyde é vagamente biográfico e tem um sentido muito realista devido ao meticuloso design artístico e às filmagens em locais do Noroeste do Texas, onde a paisagem da seca e do pó levado pelo vento é  belamente reproduzida. Com algumas imprecisões históricas, a obra traça as proezas e o eventual fim trágico do par mais célebre de assaltantes de bancos da era da Depressão que, no seu tempo, foram festejados como heróis populares. Warren Beatty e Faye Dunaway cintilam como o casal criminoso, enquanto um apoio fabuloso é proporcionado por Gene Hackman, Estelle Parsons e Michael J. Pollard, que representam outros membros do gangue. Após uma primeira vaga de sucessos, o bando é cercado pela polícia em Iowa, onde o irmão de Clyde, Buck (Hackman), é morto pela polícia e a sua Blanche (Parsons) fica cega e é capturada. O tratamento do franco do sexo pelo filme, particularmente da invulgar relação entre o impotente Clyde e a agressiva Bonnie, também desbravou território novo. Pelo fim dos anos 60, Hollywood tinha trocado as restrições do Código de Produção por um sistema de classificações que permitia maior liberdade na descrição do sexo e da violência. Bonnie e Clyde está entre os primeiros filmes - e dos com maior sucesso - já feitos sob o novo sistema. Obteve dez nomeações para os Óscares, e o seu imenso poder de atraxção nas bilheteiras ajudou a tirar o cinema americano do vermelho e de volta a uma reencontrada rentabilidade.
Bonnie e Clyde é uma poderosa declaração ambígua sobre o lugar da violência e do individuo na sociedade americana. Na história do cinema, no entanto, a sua importância é muito maior.

O sucesso popular e crítico do filme mostrou à indústria estabelecida de Hollywood que filmes que combinavam a estilização europeia e a seriedade sobre temas tradicionais americanos (mediados por géneros convencionais) podem ter êxito, principalmente se tivessem um ritmo rápido e apresentassem espectaculares sequências de antológicas de acção. Bonnie e Clyde abriu o caminho para a "Hollywood Renaissance" dos anos 70, com obras primas como "O Padrinho" de Francis Ford Coppola , fazendo ao filme de Penn o sincero elogio de uma imitação próxima."
Texto de R. Barton Palmer

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terça-feira, 16 de abril de 2013

Chinatown (Chinatown) 1974



Chinatown, de Roman Polanski é uma das obras-primas do grande cinema americano dos anos 70, e um dos pontos mais altos da obsessão da década sobre o revisionismo do género. Ao lado de O Padrinho, de Coppola (1972), Nashville, de Altman (1975), e Tubarão, de Spielberg (1975), os restantes filmes de gângsters, o musical, e o filme de monstros, respectivamente. Chinatown ajudou a inaugurar uma nova era do cinema americano em que os géneros da idade de ouro de Hollywood foram reescritos com novas regras, intensidade e estética elevada, e um tom muito mais livre, que já não tinha de obedecer às regras do Código de produção da indústria.
O argumento de Robert Towne, ainda hoje aclamado como um dos melhores jamais escritos e um modelo de estudo que aspirantes a argumentistas tentaram emular, pagam a amorosa, e ao mesmo tempo maliciosa homenagem, às histórias de detetives, que tinham sido forjadas por escritores da celulose como Dashiell Hammett e Mickey Spillane e, de seguida, deram uma expressiva vida cinematográfica aos noirs dos anos 40 e 50 em filmes realizados por nomes como John Huston, Jules Dassin, Fritz Lang, Robert Siodmak, e Orson Welles. Passado em Los Angeles no final dos anos 30, Chinatown, foi um dos primeiros filmes modernos a evocar conscientemente a era passada do filme noir. Apesar de ter sido filmado a cores, com fotografia sépia de John Alonzo, que muitas vezes se assemelhava a postais antigos, não tem o mesmo efeito visual como o preto-e-branco, mas ao mesmo tempo enfatiza o ambiente árido de um modo que as imagens puramente monocromáticas nunca puderam fazer (o que é absolutamente crucial para um filme que gira em torno da centralidade da água na luta pelo poder sobre o desenvolvimento de Los Angeles). 
Um dos meios pelo qual o filme se desvia acentuadamente dos filmes que o inspiraram é o protagonista. Ao contrário do Sam Spade de Humphrey Bogart em The Maltese Falcon (1941), que é geralmente considerado o primeiro verdadeiro filme noir, JJ Gittes, o detective particular de Jack Nicholson não é um arquetipo masculino primordial, mas sim um protagonista involuntariamente absurdo e por vezes complicado, cujo senso de controle é altamente ilusório. O filme estabelece imediatamente a sua persona através do seu trabalho tirando fotos de esposas e maridos adúlteros, uma forma de trabalho dos detectives que fica tipicamente abaixo dos melhores detectives privados.
Notoriamente sombrio, contudo totalmente convincente, o final de Chinatown (que era uma fonte de grande luta entre Towne e Polanski que estavam indecisos quando a produção do filme começou) é um dos maiores do cinema moderno, no sentido de que é tão completo na sua representação do mal triunfante que transcende a tela e as demandas que refletem sobre ele filosoficamente. Tal como o final de "Rosemary´s Baby" (1968), outra obra-prima de Polanski, a força bruta da feia verdade é o coraçãodo filme. 
Ganhou apenas um Óscar, claro, o de argumento,  mas conseguiria mais 10 nomeações. Era o ano de "O Padrinho - Parte 2"

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