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segunda-feira, 11 de junho de 2018

Paixão Proibida (Look Back in Anger) 1959

Apesar de ter formação universitária, Jimmy Porter (Richard Burton) não consegue um trabalho melhor do que ter, em conjunto com Cliff Lewis (Gary Raymond), uma barraca de doces numa feira. A relação de Jimmy com Alison (Mary Ure), a sua esposa, alterna entre abraços e beijos quando se sente bem e ofensas verbais quando está irritado, o que é mais frequente. A actriz Helena Charles (Claire Bloom), a melhor amiga de Alison, vai ficar alguns dias hospedada com eles, enquanto encena uma peça. Helena foi convidada por Alison, que precisa de alguém para conversar, mas Jimmy não a suporta e ofende-a sempre que possível. Ela, por sua vez, diz para Alison abandonar Jimmy, pois o casamento só lhe trouxe infelicidade.
Drama autobiográfico baseado numa peça Londrina de 1956, da autoria de John Osborne, que é o primeiro trabalho na realização de Tony Richardson. A peça também tinha sido encenada por Richardson. A adaptação para cinema é da autoria de Nigel Kneale, uma adaptação extraordinariamente inteligente, sacrificando as tensões claustrofóbicas da peça, os longos discursos nos quais Jimmy Porter faz as suas agressões, mas dá mais peso ao drama pessoal. Como uma expressão de uma atitude, o filme é significativamente mais fraco do que a peça. Como exploração de uma situação entre pessoas é possivelmente mais forte.  
Legendas em espanhol.

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quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Cruel Victória (Bitter Victory) 1957

Durante a II Guerra Mundial, um covarde e indeciso oficial das forças aliadas recebe sem merecer uma condecoração por bravura em combate. Mas o facto da indicação ter partido de um charmoso e destemido capitão que no passado foi amante da sua mulher transforma a honraria em fonte de ódio e desejo de vingança.
“Havia o teatro (Griffith), a poesia (Murnau), a pintura (Rossellini), a dança (Eisenstein), a música (Renoir). Mas agora, existe o cinema. E o cinema é Nicholas Ray. 
 Por que razão ficamos gelados perante as fotografias de Bitter Victory, embora saibamos que são as fotografias do mais belo dos filmes? Por que não exprimem nada. E por boas razões. Enquanto que uma fotografia apenas é suficiente para simbolizar Broken Blossoms, uma apenas de Charles Chaplin em A King in New York, uma apenas de Rita Hayworth em The Lady from Shanghai, uma apenas, até, de Ingrid Bergman em Eléna, a fotografia de Curd Jurgens, perdido no deserto de Tripoli, ou de Richard Burton ridiculamente vestido com um albornoz branco, já não tem qualquer relação com Curd Jurgens ou Richard Burton no ecrã. Um abismo que é todo um mundo. Qual deles? O do cinema moderno. 
E é neste sentido que Bitter Victory é um filme anormal. Já não nos interessamos pelos objectos, mas por aquilo que existe entre os objectos, e que se torna, por sua vez, em objecto. Nicholas Ray obriga-nos a ver como real aquilo que nem sequer víamos como irreal, ou que nem víamos. Bitter Victory parece-se com aqueles desenhos que pedimos às crianças para encontrar, à primeira vista, o caçador entre um aglomerado de linhas sem significado. 
Não se deve dizer: atrás de um raide de um comando britânico no quartel-geral de Rommel, dissimula-se o símbolo da nossa época, pois não existe nem atrás nem à frente. Bitter Victory é aquilo que é. Não existe, de uma parte, a realidade, que é o conflito entre o tenente Keith e o capitão Brand, e de outra parte, a ficção, que é o conflito da coragem e da cobardia, do medo e da lucidez, da moral e da liberdade, do que sei e que sei. Não. Não se trata mais da realidade nem da ficção, nem de uma que ultrapassa outra. Trata-se de outra coisa. De quê? Das estrelas, talvez, e dos homens que gostam de olhar para as estrelas e sonhar. 
Magnificamente montado, Bitter Victory é superiormente interpretado por Curd Jugens e Richard Burton. É a segunda vez, de pois de Et Dieu… créa la femme, que acreditamos na personagem Curd Jurgens. Quanto a Richard Burton, que soube tirar partido de todos os seus filmes precedentes, bons ou maus, é, dirigido por Nicholas Ray, absolutamente sensacional. Será ele uma espécie de Wilhelm Meister de 1958? Pouco importa. Não seria suficiente dizer que Bitter Victory é o mais goethiano dos filmes. De que serviria refazer Goethe, ou refazer o que quer que seja, Dom Quixote ou Bouvard et Pécuchet, J’accuse ou Voyage au bout de la nuit, visto que já foram feitos? O que é o amor, o medo, o desprezo, o perigo, a aventura, o desespero, a amargura, a vitória? Que importância tem isso quando se olha para a estrelas? 
Nunca as personagens de um filme nos tinham parecido tão próximas, e ao mesmo tempo, tão distantes. Perante as ruas desertas de Bengazi, as dunas de areia, pensamos, de repente, e por um segundo, noutra coisa, nos snack-bars dos Campos Elíseos, numa rapariga que amámos, em tudo e em qualquer coisa, na mentira, na cobardia das mulheres, na frivolidade dos homens, nos jogos de máquinas a moedas, pois Bitter Victory não é o reflexo da vida, é a vida em si feita em filme, vista detrás do espelho onde o cinema a capta. É, ao mesmo tempo, o mais directo e o mais secreto dos filmes, o mais educado e o mais grosseiro. Não é cinema, é melhor que o cinema. 
Como falar de um filme como este? De que serve dizer que o encontro entre Richard Burton e Ruth Roman, debaixo do olhar de Curd Jurgens, está montado com enorme brio? Poderá ter sido uma cena em que fechámos os olhos. Pois Bitter Victory, como o sol, faz-nos fechar os olhos. A verdade cega.” 
*Texto de Jean-Luc Godard,  tradução retirada daqui

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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Choque (Boom!) 1968

A incrivelmente rica escritora Sissy Goforth (Elizabeth Taylor) vive sozinha com as suas criadas e enfermeiras numa ilha do Mediterrâneo, onde cria as suas próprias regras. Os seus dias consistem em ditar a sua biografia e implorar por injeções.É então que chega à ilha Chris Flanders (Richard Burton), conhecido como “o anjo da morte”, um homem com bastante charme, que tem o hábito de “visitar” mulheres infelizes pouco antes das suas mortes. E também lhe aparece o seu vizinho, conhecido como “A Bruxa de Capri” (Noel Coward), e juntos eles partilharão um jantar que mudará as suas vidas…
"Boom!", de Joseph Losey, é um dos filmes mais mal amados e criticados do final dos anos sessenta. O orçamento previsto de 3,9 milhões de dólares foi largamente ultrapassado, tendo ultrapassado os 10 milhões, em parte para pagar o salário do casal maravilha, Elizabeth Taylor e Richard Burton, e vestir Taylor com os seus maravilhosos fatos Tiziani (muitos desenhados de propósito por Karl Lagerfeld) e jóias Bulgari, além da construção de um cenário fabuloso. Os críticos não gostaram de todas estas extravaganzas, e desprezaram o filme. Muitos espectadores saíram dos cinemas antes do filme terminar, completamente perplexos com o que tinham acabado de ver. 
Na verdade o filme deve ser visto como realmente é: um "Camp Classic" da mais elevada ordem (portanto, menor). Alegadamente, consta-se que toda a gente estava bêbada enquanto decorriam as filmagens. Noel Coward sorri de forma pouco adequada várias vezes durante o filme, e Burton parece estar intrigado com o absurdo de falar as suas linhas ridículas. Baseado na peça de Tennessee Williams chamada "The Milk Train Doesn’t Stop Here Anymore", que também foi o autor do argumento, acabaria por custar caro ao escritor, pois até à sua morte em 1983 nunca mais viu uma história sua ser adaptada a um filme de série A em Hollywood. Mesmo assim, aqui fica ele para ser visto.

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domingo, 14 de agosto de 2016

A Noite de Iguana (The Night of the Iguana) 1964

Numa cidade isolada da costa mexicana, um padre com a fé abalada esforça-se para juntar os cacos da sua vida despedaçada. E três mulheres - uma viúva proprietária de um hotel, uma artista etérea e uma adolescente ninfomaníaca - podem ajudar a salvá-lo. Ou destruí-lo! 
Baseado numa peça da Broadway de Tennessee Williams sobre um padre sem hábito que se tornou guia turístico no México, a versão cinematográfica de John Huston foi nomeada para 4 Óscares: Melhor Actriz Secundária ( Grayson Hall), Melhor Fotografia a Preto e Branco, Direcção de Arte e Guarda Roupa. O único Óscar ganho seria pelo Guarda Roupa da autoria de Dorothy Jeakins.
"Night of the Iguana" é essencialmente um estudo de personagem, sobre a crise existencial de um homem (Richard Burton) cujo legado familiar tanto sobre liderança espiritual como irresistíveis "apetites" continuam a assombrá-lo. O restante elenco é pura dinamite, com uma Ava Gardner muito tensa como a infeliz proprietária de um hotel, Deborah Kerr como a visitante sexualmente inexperiente, Sue Lyon num papel bem próximo do que ela havia tido dois anos antes, em "Lolita", e Grayson Hall como a solteirona com um segredo. Burton certamente que tem o seu próprio segredo, e com o avançar da noite mais interessantes as conversas ficam. 
Burton vivia na altura um romance com a actriz Elizabeth Taylor, com quem casaria pela primeira vez pouco depois de terminadas as filmagens. Corriam rumores que a actriz o visitava durante o set, o que colocava a produção do filme constantemente nos jornais. O filme era rodado no México, num local que não aparecia nos mapas, chamado Puerto Vallarta, uma localidade que nem sequer tinha voos comerciais. Depois ficou um local muito conhecido, e hoje em dia tem resorts de luxo que recebe milhares de visitantes todos os anos.

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domingo, 6 de setembro de 2015

Equus (Equus) 1977

Um psiquiatra (Richard Burton) investiga o cruel ataque contra seis cavalos, que tiveram os olhos perfurados num estábulo em Hampshire, Inglaterra. O responsável foi Alan Strang (Peter Firth), adolescente de dezessete anos, filho único, atormentado por questões sexuais e religiosas.
Antes de "Amadeus" ver a luz do dia, o dramaturgo Peter Shaffer era mais conhecido por "Equus", um grande sucesso no palco, graças ao seu assunto pouco vulgar, e à singular apresentação do material. Para a versão cinematográfica a opinião ficou mais dividida, com muita gente a ser da opinião de que nada na tela poderia fazer justiça à forma de apresentação no teatro, tal era a sua natureza estilizada. O realizador, Sidney Lumet, optou por fazer uma aproximação mais realista para o cinema, mas o resultado final ficava aquém do esperado.
As interpretações foram muito boas, com os protagonistas a compreenderem o que era esperado deles, e a abordarem a história com sinceridade e, quando necessário, com paixão. Richard Burton brilha no papel de protagonista, ele que vinha a precisar de uma obra que lhe devolvesse o estatuto de outrora, principalmente porque vinha a participar em muitos filmes de qualidade duvidosa ao longo dos últimos anos, e era preciso uma obra para recuperar a sua reputação. Acabaria por ser nomeado para o Óscar de Melhor Actor, o que já não conseguia desde 1970. Peter Firth, o seu co-adjuvante, seria nomeado para Melhor Actor Secudário, e Peter Shaffer para melhor argumento.  

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sexta-feira, 6 de junho de 2014

O Dia Mais Longo (The Longest Day) 1962



Junho de 1944. As forças Aliadas, combinando militares dos Estados Unidos, Inglaterra, Canadá e França, preparam uma invasão em massa da França. Os alemães preparam a defesa do ataque, sem saber exactamente de onde ele virá, e a resistência francesa na Normandia, descobre alguns problemas atrás das linhas inimigas.
Com um elenco cheio de estrelas com nomes bastante familiares, quer sejamos fãs do cinema mainstream de Hollywood, ou do cinema trash europeu. Tal como a maioria dos épicos do período, o filme foca-se nos generais e presta pouca atenção aos soldados em campo. Durante a noite de 5 de Junho, a resistência francesa (liderada pela bela Irina Demick e Maurice Poli) faz explodir comboios, e corta as comunicações dos alemães. O elenco varia de veteranos como Henry Fonda, Richard Burton, Rod Steiger, Robert Ryan, e John Wayne, a novatos, como era na altura Sean Connery. Se olharmos atentamente podemos descobrir George Segal a subir um penhasco. Até mesmo a futura estrela de "Family Feud", Richard Dawson tem um pequeno papel.
O filme é um trabalho para a Fox, do produtor tornado independente Darryl F. Zanuck, e é  baseado no livro de Cornelius Ryan, do mesmo nome, e contava a invasão da Normandia em grande detalhe, graças a muitas histórias contadas por homens que estiveram lá. O filme de Zanuck mantém esse espírito, fazendo uma releitura desse dia famoso, não apenas tão detalhadamente para satisfazer qualquer pessoa que queira saber sobre história, mas também criando um grande envolvimento na trama. Ficamos a saber todos os factos e números, nomes e horários, mas também ficamos com uma visão mais pessoal.
Para ajudar a construir este filme episódico, Zanuck contratou três diferentes realizadores. Ken Annakin dirigiu os episódios Britânicos, Andrew Marton cobriu os americanos, enquanto Bernhard Wicki filmou as sequências alemãs, não só dando-lhe uma elevada dose de realismo, (os nazis aqui falam alemão, e não em inglês como em dezenas de outros filmes da Segunda Guerra Mundial), mas também dando uma visão audaciosa dos inimigos, que são vistos como pessoas reais. Este é um rico e detalhado retrato do Dia D, que se recusa a ver apenas um dos lados da história em termos genéricos.
Apesar de um elenco de tantas estrelas, e a colaboração de três realizadores, este é inquestionavelmente um filme de Zanuck. É o tipo de épico que é produzido, e não dirigido. A coordenação deste tipo de produção, rivaliza com a do próprio Dia D, e foi a visão singular de Zanuck que levou o filme a bom porto. O próprio Zanuck orgulha-se em dizer que dirigiu algumas cenas no filme, então quando ele é referido como “Darryl F. Zanuck’s The Longest Day,” não é uma questão de ego, são créditos merecidos pois é o coroamento de uma carreira lendária no cinema.

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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O Assassinato de Trotsky (The Assassination of Trotsky) 1972


Cidade do México, 1940. Leon Trotsky (Richard Burton), o fundador exilado da revolução comunista da Rússia vive em constante medo de assassinato. Moscovo demonstra que controla o movimento comunista do México, encorajando comícios anti-Trotsky, e a 24 de Maio um atentado por homens armados para invadir a sua casa falha não por culpa própria, mas por falta de organização. Trotsky continua a incentivar a população para a derrubar Stalin enquanto a sua esposa Natalia Sedowa (Valentia Cortese) mantém uma casa cordial para convidados especiais. Seguidores de Trotsky complementam as defesas da casa, e um homem da segurança especial dos Estados Unidos vem para ajudar. Enquanto isso, Gita Samuels (Romy Schneider), uma dos secretárias de Trotski tem um novo namorado, um empresário misterioso chamado Frank Jacson (Alain Delon). Frank é na verdade um agente de Stalin, à espera do momento certo para atacar.
The Assassination of Trotsky é, na verdade, uma obra do movimento de esquerda italiana dos anos 1960. Embora a publicidade afirma que a casa do assassinato verdadeira, na Cidade do México, foi usada como local de filmagens, uma grande parte do filme foi rodado em Roma. O co-argumentista Franco Solinas é praticamente um homem do cinema activista italiano, começando com argumentos anti-fascistas (Kapo, 1959), tendo depois procedido para algumas obras épicas, como "Salvatore Giuliano" e "A Batalha de Argel"  e continuando com uma série de spaghettis "radicais" e épicos históricos, como La Resa Dei Conti (The Big Gundown), El Chuncho, Quién Sabe? (A Bullet para a Geral), Il mercenario (The Mercenary) e Quiemada (Burn!).
Mergulhado nas tradições comunistas de três países (Rússia, Itália e México), The Assassination of Trotsky é dirigido por Joseph Losey, um americano expatriado, que fugiu de Hollywood para a Inglaterra em 1951 e, finalmente, criou nome próprio nos círculos críticos. Os filmes mais antigos de Losey, como The Prowler ou The Lawless eram mais sensíveis, bem observadas críticas da América numa altura em que nada de negativo era considerado desleal e subversivo. O Assassinato de Trotsky usa um pouco da sutileza desses filmes mais antigos, transpostos para uma realidade bem diferente.
O egoísta e pomposo Trotsky de Richard Burton é uma boa aproximação do caráter histórico, trabalhando em novos artigos da sua mesa ao lado da janela jardim, enquanto que as pessoas ao seu redor se preocupam com a sua segurança. Tinha sido um revolucionário desde antes da virada do século e passou por uma série de perigos. Valentina Cortese é convincente como a sua dedicada esposa, encontrando a boa vida depois de vários dos seus filhos terem sido assassinados por homens de Stalin. Essa perda é vagamente mencionada, mas o filme assume que já sabe tudo sobre a carreira turbulenta de Trotsky e da sua luta contra Stalin. Isto deixa logo metade da história para a personagem Frank Jacson, onde Alain Delon é convincente como um agente secreto que espera o momento certo para matar Trotsky.

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