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domingo, 2 de abril de 2017

A Senda dos Elefantes (Elephant Walk) 1954

Ruth Wiley (Elizabeth Taylor) é uma jovem mulher recém-casada, que viaja da Inglaterra até ao Ceilão para encontrar nativos, o seu marido John (Peter Finch) e uma imensa plantação de chá de propriedade dele, chamada Caminho dos Elefantes. Milionário e ainda jovem, John vive num luxuoso bangaló construído pelo seu pai no terreno, que servia de passagem para os elefantes da ilha até às fontes de água. Ruth tenta adaptar-se a este ambiente totalmente estranho, enquanto sofre constantes ameaças dos animais e sente a indiferença dos amigos de John. Ao seu lado ela tem apenas Dick Carver (Dana Andrews), o administrador da propriedade, que se apaixona pela sua determinação e delicadeza. Mas o pior ainda está por vir, com a chegada de uma epidemia de cólera que ameaça todos os habitantes da ilha.
"Elephant Walk" (1954) é um filme que mal é recordado hoje em dia, mas foi na altura do seu lançamento considerado o filme mais caro de sempre da Paramont, acabando com uns custos totais de 3 milhões de dólares. Culpe-se uma produção acidentada, que teve vários precalços, incluindo os exteriores no Ceilão (agora Sri Lanka) que se situavam a meio mundo de distância, e uma estrela de Hollywood que teve um colapso mental a meio das filmagens, e teve de ser substituída por outra. A estrela era Vivien Leigh, e foi substituída por Elizabeth Taylor. O produtor Irving Asher queria Laurence Olivier e Vivien Leigh para os papéis principais, mas Olivier não gostou do argumento, recusou e incentivou a sua esposa a fazer o mesmo. Quando ela assinou, apesar das objecções do marido, Olivier recomendou Peter Finch para o papel principal, que ainda era um desconhecido de Hollywood, mas era seu protegido. Durante as filmagens Finch e Leigh envolveram-se num caso, que acabaria por levar ao colapso mental da actriz. Por causa destes acontecimentos, Leigh teve de ser substituída por Elizabeth Taylor, ainda com 21 anos, e 20 anos mais jovem que a primeira actriz. Como era uma actriz da MGM, esta aquisição acabaria por ser bem paga pela Paramont.
Todos estes precalços não seriam muito favoráveis ao filme, nem ao seu realizador William Dieterle, que já tinha a atravessar uma fase menos criativa. Daqui para a frente só faria mais duas produções em Hollywood para depois se retirar para a Europa. Apesar de nunca ter sido colocado na lista negra do MaCartismo, um filme seu, "Blockade" foi considerado suspeito, assim como algumas pessoas com quem tinha trabalhado também o eram. Ele e sua esposa, nos anos trinta, tinham ajudado muita gente a fugir da Alemanha Nazi, muitas delas da extrema esquerda. Numa entrevista Dieterle disse: "Embora eu nunca tenha tido conhecimento de alguma lista negra, eu devo ter estado em algum tipo de lista cinzenta, porque durante alguns anos nunca consegui trabalho". Assim termina este ciclo.

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sábado, 1 de abril de 2017

Salomé (Salomé) 1953

O Rei Herodes é o rei da Galileia, e faz do governo um antro de orgia, injustiça e corrupção. João Batista e os seguidores de Jesus lutam contra ele, denunciando as suas atrocidades. A bela Salomé, filha da esposa de Herodes, vive com eles. A sua mãe, Herodias, pede a cabeça de João Baptista, mas não é ouvida, pois Herodes teme a acção popular. Inconformada, Herodias irá usar a sua filha Salomé para conseguir o que quer.
A história bíblica de Salomé, a entrada adolescente do rei Herodes que realizou a dança dos sete véus em troca da cabeça de João Baptista, foi filmada muitas vezes, mais notavelmente numa versão muda de 1923 interpretada por Alla Nazimova, baseada nos desenhos de Aubrey Beardsley para a peça de Oscar Wilde. "Salomé" (1953), interpretado por Rita Hayworth, é uma versão mais mainstream que as versões anteriores, e é mais deslumbrante visualmente, por ter sido filmado num vivido Technicolor.  
O épico biblico tinha sido, mais ou menos, inventado nos anos 20, por Cecil B. DeMille, e teve um renascimento nos anos 50 com o aparecimento do Technicolor. O próprio DeMille iniciou este renascimento com "Samson and Delilah" (1949), e teve logo mais dois grandes êxitos com "Quo Vadis?" e "David and Bathsheba". No ano seguinte, o chefe da Columbia Harry Cohn estava à procura de um grande projecto para a sua estrela nº 1, Rita Hayworth. Jesse Lasky, Jr. que tinha escrito o argumento de "Samson and Delilah", e estava debaixo de contrato com a Columbia, sugeriu a história de Salomé. Mas Cohn não queria que a sua estrela interpretasse uma mulher malvada, e Lasky alterou a história bíblica, tornando a adolescente uma heroína simpática. Nesta versão de Salomé, a princesa dança para salvar João Baptista, e não para decapitá-lo, e é atraída por ele espiritualmente, e não fisicamente.
A publicidade para o filme vanglorizava-se que era "o primeiro épico biblico com todos os seus exteriores a serem filmados nos verdadeiros locais históricos". Isto não era de todo verdade, Dieterle e a sua equipa filmaram alguns exteriores no deserto de Israel, mas outros foram filmados no Palm Desert, na Califórnia, mas é um filme com uma aparência sumptuosa, graças à fotografia de Charles Lang. Algumas interpretações são notáveis, e o elenco é grandioso, como era habitual nestas grandes produções históricas: Rita Hayworth, Stewart Granger, Charles Laughton, Judith Anderson, Cedrick Hardwicke, entre outros.

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quarta-feira, 29 de março de 2017

A Cidade Tenebrosa (Dark City) 1950

Depois de ter a sua casa de apostas fechada pela polícia, Danny Haley (Charlton Heston) e os seus amigos Augie (Jack Webb), Soldier (Harry Morgan) e Barney (Ed Begley) ficam sem dinheiro. Os quatro fazem um jogo de póquer com Arthur Winant (Don DeFore) e ganham-lhe todo o seu dinheiro, inclusive um cheque de 5 mil dólares que não pertencia a Arthur, que, desesperado, se suicida. Depois desta tragédia, os quatro amigos achavam que estavam com todos os seus problemas resolvidos mas não fazem idéia que Sidney, o irmão de Arthur cujo rosto ninguém conhece, é um psicopata que, para vingar a morte do irmão, começa a matar todos os envolvidos no jogo.
Charlton Heston faz a sua estreia oficial como actor principal de um filme de Hollywood, que apesar de ser uma obra pouco ambiciosa, destaca-se pelo excelente elenco: Lizabeth Scott, Viveca Lindfors, Dean Jagger, Ed Begley, entre outros. Heston não tem ainda muita dimensão para além da sua arrogância e distancia emocional, mas a sua presença sólida ajuda a levar o filme a bom porto. Dean Jagger é o policia inteligente e silenciosamente eficaz que dá uma boa réplica ao actor principal. É o mais interessante de um trio de dramas de crime que a Paramont realizou no inicio da década de 50. Os outros dois são "Union Station" (1950), de Rudolph Mate, com William Holden e Barry Fitzgerald, e também "Appointment With Danger", (1951) de Lewis Allen, com Alan Ladd no papel de um inspector no rasto de criminosos violentos, entre os quais Harry Morgan e Jack Webb, uma vez mais do lado errado da lei.
A posição de "Dark City", realizado por William Dieterle, no território do film noir, é geralmente vista como um bom exemplo, apesar de um argumento medíocre. Os argumentistas John Meredyth Lucas e Larry Marcus estendem as coisas um pouco longe demais, e durante demasiado tempo, mas ainda assim há uma quantidade razoável de bons momentos para saborear.

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terça-feira, 28 de março de 2017

O Retrato de Jennie (Portrait of Jennie) 1948

Eben Adams (Joseph Cotten) é um pintor talentoso mas fracassado lutando na era da Depressão em Nova Iorque, mas que nunca foi capaz de encontrar inspiração para uma pintura. Um dia, depois de encontrar, finalmente, alguém em comprar um quadro seu, conhece uma estranha jovem chamada Jennie Appleton (Jennifer Jones), com quem começa uma amizade invulgar.
 Numa tarde de Inverno de 1932, um artista frustrado encontra uma jovem misteriosa no Central Park, e a sua vida será transformada pela sua presença assombrosa. Uma produção prestigiosa de David O. Selznick, "Portrait of Jennie" (1948) é uma incursão de Hollywood na espiritualidade romântica, reminiscente de filmes como "The Enchanted Cottage" (1945), "The Ghost and Mrs. Muir" (1947), assim como do conto sobrenatural de 1990, "Ghost". Selznick tentou dar a "Portrait of Jennie" um certo brilho artístico,   contratando um argumentista e escritor de prestigio como Ben Hecht, que já tinha então brilhado em vários filmes, e conquistado várias nomeações aos Óscares, uma delas em "Notorious", de Alfred Hitchcock, outra em "Wuthering Heights", de William Wyler, só para dar dois exemplos. Hetch escrevia apenas o perfácio, embora não fosse creditado.
Dirigido por William Dieterle, realça-se o tom estranho, com sequências de cor deslumbrantes, como o furação de New England na parte final do filme, cujas nuvens da tempestade são de um verde doentio, e no retrato final magistral de Adams a pintar Jennie, revelado num impressionante Technicolor. 
Selznick estava tão apaixonado por Jennifer Jones que depois de a roubar do seu anterior marido, Robert Walker, dominaria a actriz emocionalmente e profissionalmente. Segundo o que é contado, ele só escolhia para contracenar com a actriz, actores com relações estáveis, e que fossem conhecidos pela sua fidelidade, como eram os casos de Gregory Peck e Joseph Cotten, que contracenou com Jones em diversos filmes, incluindo este. Embora a produção de "Portrait of Jennie" fosse um sacrifício emocionamente por causa da relação da actriz com o produtor, acabaria por ser um impulso para as suas estrelas. Joseph Cotten ganharia o prémio de Melhor Actor no Festival de Veneza, e mesmo que Jennifer Jones não tivesse sido nomeada para um Óscar, foi elogiada pela crítica em geral como a problemática heroína. O filme ganhou o Óscar de Melhores Efeitos Especiais. 

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domingo, 26 de março de 2017

Cartas de Amor (Love Letters) 1945

Quando um homem, com pouco talento para escrever, pede a outro para escrever cartas de amor por ele, há sempre complicações. O homem sem talento casa com a rapariga, e confessa uma noite que não escreveu as cartas para acabar com uma faca nas costas. O escritor das cartas apaixona-se pela mulher a quem as escreveu para se tornar no seu segundo marido, mesmo que ela tenha assassinado o seu amigo. Singleton (Jennifer Jones), não se lembra do crime, nem de nada dos seus primeiros 22 anos de vida como Victoria Remington. No segundo casamento ela pensa porque terá dito "Eu aceito-te, Roger", em vez de "Eu aceito-te. Alan".
William Dieterle dirige este melodrama romântico de mistério, com argumento de Ayn Rand, baseado no livro "Pity Mr. Simplicity" de Chris Massie. Ayn Rand, escritora e argumentista nascida na Rússia, foi das muitas personalidades que emigrou para os Estados Unidos no período da Segunda Guerra Mundial, ficando conhecida, sobretudo, por "The Fountainhead", por ter escrito o argumento baseado num livro seu. "Love Letters" era uma variação do conto de "Cyrano De Bergerac". Há uma interpretação enorme de Jennifer Jones, já que o filme foi feito à sua medida, e um trabalho de câmara excepcional de Lee Garmes para nos manter totalmente focados na personagem principal, e uma banda sonora assombrosa de Victor Young. A dupla Jones e Dieterle ainda funcionaria melhor na sua colaboração seguinte, "Portrait of Jennie", realizado três anos depois, e que seria dps melhores filmes do realizador.
"Love Letters" foi nomeado para quatro Óscares, incluindo a nomeação de Jennifer Jones para Melhor Actriz, a terceira que conseguia aos 26 anos. 

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sábado, 25 de março de 2017

O Homem Que Vendeu a Alma (All That Money Can Buy) 1941

Jabez Stone (James Craig) é um agricultor azarado que num momento de desespero diz que venderia a alma em troca de dinheiro e uma boa colheita. O diabo aparece, e eles selam o acordo e o agricultor fica rico - mas também se torna num tirano frio e ganancioso. Quando o diabo vem cobrar a conta, Jabez fica desesperado e pede a ajuda do maior orador e entendido em leis da região: Daniel Webster (Edward Arnold).
Um pedaço da memorável paródia americana, "The Devil And Daniel Webster" é uma excelente adaptação da história de Fausto, que desloca o mito alemão para uma pequena comunidade de New Hampshire em meados do século XIX, onde a tentação do diabo ao agricultor vem representar a batalha pela alma da nação norte-americana incipiente.
O moral da história gira em torno do eventual reconhecimento de Stone dos erros do seu caminho quando a sua dívida com o diabo se torna devida. Ele pede ao célebre político e advogado de Massachusetts, Daniel Webster, que pede que, como cidadão americano, Stone seja protegido pela Constituição, e que lhe seja concebido um julgamento por um júri. O confronto final pela paz da alma de Jabez Stone vai colocar frente a frente Webster e os valores patrióticos americanos de liberdade contra as forças satânicas da ganância, luxúria e orgulho que aprisionaram a alma de Stone.
Apesar do tema altamente moralizante e ocasionalmente reacionário, este é um filme impressionantemente experimental do realizador William Dieterle, que mantém o poder de impressionar o seu público tantos anos depois da sua estreia. Bernard Herrmann ganhou um Óscar para a Melhor Música, e Walter Huston foi nomeado para Melhor Actor, no papel de Diabo. O filme tem dois títulos, "All That Money Can Buy" e "The Devil And Daniel Webster".

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quinta-feira, 23 de março de 2017

Nossa Senhora de Paris (The Hunchback of Notre Dame) 1939

A França no século 15 está à beira do fim da Guerra dos Cem Anos, e é retratada como sendo destruída pela ignorância, crueldade e superstição. Mesmo o rei sendo uma figura amável e um homem de pensamento moderno está cercado por reacionários e o seu regime é intolerante. O Conde Jean Frollo (Cedric Hardwicke) é o mais alto representante da justiça do rei e opõe-se ao progresso e a qualquer tipo de reforma. Um exemplo, ele quer ver a imprensa destruída porque ela vai encorajar as massas a pensarem por si, mas o rei, liberal, não deixa isso acontecer.
A nossa história conta como uma cigana (Maureen O'Hara) vai ver a sua vida andar para trás quando é acusada injustamente de um assassinato, e ser perseguida por isso.A única pessoa que o pode ajudar é um homem deformado conhecido como o Corcunda de Notre Dame, Quasimodo, que aqui é interpretado pelo grande Charles Laughton. 
Hollywood no seu melhor. Era o filme de maior orçamento da RKO (2 milhões de dólares, em 1939), um filme de período dramático que foi um dos maiores sucessos do ano, a nível de público e critica. Não esquecer que este foi o ano de filmes como "Gone With the Wind", "The Wizard of Oz",  "Mr. Smith Goes to Washington", "Jesse James", "Goodbye Mr. Chips", "Dodge City", Wuthering Heights", entre outros. Era uma adaptação sensível e séria do clássico livro de Victor Hugo, que nos fornece uma mistura equilibrada de história e horror, enquanto nos conta as aventuras de um tocador de sinos deformado, o corcunda surdo Quasimodo (tão bem interpretado por Charles Laughton), figura já mítica da literatura mundial, e o seu amor impossível por uma bela cigana, Emeralda (Maureen O'Hara, no seu primeiro papel principal, com 19 anos). Tudo isto no meio da agitação medieval que era o governo do rei Luis XI (Harry Davenport).
Sob a direcção de William Dieterle, o filme transmite um trabalho meticuloso e um sentido vivido do grotesco, com ricos cenários (projectados por Van Nest Polglase), e um grande trabalho do director de fotografia Joseph H. August, sem esquecer a brilhante caracterização de Quasimodo. O argumento de Sonia Levien e Bruno Frank era actualizado para o ano corrente, com as perseguições ciganas permitidas pela monarquia a serem comparadas com as perseguições aos judeus ocorridas durante o Holocausto. 

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terça-feira, 21 de março de 2017

A Vida de Zola (The Life of Emile Zola) 1937

A vida ficcionada do famoso escritor francês Emile Zola. Como é retratado no filme ele era um escritor sem dinheiro que divide um apartamento em Paris com o pintor  Paul Cezanne, até escrever o seu primeiro best-seller. Teve sempre dificuldades em aguentar os empregos por ser demasiado franco, sendo advertido várias vezes pelo ministério público, que arrisca a ser acusado se não mudar o seu comportamento. Grande parte do filme é sobre o seu envolvimento no caso do capitão Alfred Dreyfus, que foi falsamente acusado de fornecer informações secretas aos alemães e condenado a prisão perpétua na Devils Island. 
Emile Zola, além de um famoso escritor também era um lutador pela justiça e pela liberdade de expressão. Muitas vezes se opôs ao governo françês e aos militares, o que o tornaram impopular em certos círculos, enquanto popular noutros. O filme é principalmente sobre o caso Dreyfus, e não tanto sobre a pessoa Emile Zola. Era o segundo "biopic" a sair da dupla William Dieterle/ Paul Muni, embora aqui a acção não se concentrasse no personagem real mas sim numa história interessante em torno dele. Quanto ao retrato de Emile Zola neste filme, ele é constantemente mostrado como um homem grande e justo, com resposta sempre pronta para tudo. É quase um super-homem, e por isso não é suficientemente credível, mas se conseguirmos passar ao lado deste pormenor, é um filme muito interessante.
Foi um êxito absoluto na altura da sua estreia. Ganhou três dos Óscares mais importantes, Melhor Filme, Argumento, e actor secundário (Joseph Schildkraut). Além disso ainda conseguiu mais sete nomeações, incluindo de Melhor Realizador e Actor. Foi a única vez que Dieterle foi nomeado para um Óscar na sua carreira. O filme é vagamente baseado no livro "Zola and His Time" de Matthew Josephson, e conta com valores de produção bem elevados para a época, e um elenco de luxo, que inclui ainda Gale Sondergaard, Donal Crisp, Louis Calhern, Vladimir Sokoloff, Harry Davenport, entre outros.

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segunda-feira, 20 de março de 2017

A Vida de Pasteur (The Story of Louis Pasteur) 1936

Paris, 1860. O químico Louis Pasteur é considerado um charlatão entre a comunidade  médica por advogar que os médicos e os cirurgiões devem lavar as mãos e ferver os seus instrumentos para destruir micróbios que podem matar os seus pacientes. Depara-se com esta crença ao descobrir organismos microscópios no vinho azedo, organismos que podiam ser mortos se aquecidos convenientemente. A crença da comunidade científica em geral é que os organismos são o resultado da doença e não a causa. Esta crença persiste apesar de cerca de 30% das mulheres morrerem durante o parto originando 20 mil mortes por ano apenas em Paris. Esta discussão vai levar Pasteur numa grande cruzada, até a uma reunião com o imperador Napoleão III e o seu físico Dr. Charbonnet, que é um dos maiores opositores de Pasteur. 
Este foi um dos filmes, talvez o principal, que ajudou a estabelecer o que hoje chamamos de "biopic" como um género legítimo de filmar, e o primeiro a tomar como herói uma figura importante da ciência. Ninguém era capaz de prever se o filme seria suficientemente interessante para uma audiência mainstream, e nem sequer o produtor, Jack Warner, tinha fé no projecto. Mas o resultado final ultrapassaria em muito as expectativas, e os seus padrões seriam reproduzidos em muitos filmes subsequentes, como "The Life of Emile Zola", "Dr Ehrlich’s Magic Bullet", "A Dispatch From Reuters", "Edison The Man", "The Adventures of Mark Twain", continuando a ter influência em muitos filmes contemporâneos como "A Beautiful Mind", ou "The Great Debaters". O visionário heróico e a sua visão única ultrapassaram as forças da reação, da intolerância, normalmente recriadas por algumas personagens inventadas que têm de se converter ou comer o seu chapéu no final. Esta personagem aqui é o Dr Charbonnet (Fritz Leiber), físico da corte de Napoleão III. 
O sucesso do filme de William Dieterle chegaria aos Óscares, conquistando três estatuetas. Paul Muni ganhava o Óscar de Melhor Actor, no papel de Pasteur, e o filme levava ainda para casa os prémios de Melhor História Original e de Melhor Argumento, para além de uma nomeação para Melhor Filme. Muni apesar de já ter trabalhado com Dieterle em "Dr, Sócrates" iniciaria aqui uma colaboração com Dieterle no terreno dos biopics, retratando diversos heróis da história nos anos seguintes, tais como Benito Juarez ou Emile Zola.  

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sábado, 18 de março de 2017

Sonho de Uma Noite de Verão (A Midsummer Night's Dream) 1935

Teseu vai casar com Hyppolyta, rainha das Amazonas. Demetrius está apaixonado por Hermia, mas Hermia ama Lysander. Helena ama Demetrius. Oberon e Titania, do reino das fadas têm uma ligeira discussão na floresta, mas eles não estão ali sozinhos.Hermia e Lysander têm ali um encontro, Helena e Demetrius também lá estão, assim como um grupo de actores que estão a ensaiar para uma peça que vai ser exibida no casamento de Teseu e Hyppolyta.Devido a alguns mal-entendidos de Puck as coisas vão ficar confusas...
O primeiro filme falado de uma versão de William Shakespeare, "A Midsummer Night’s Dream" ergue-se como uma das criações mais originais da Hollywood dos anos 30. A peça foi originalmente escrita para os palcos de Londres por volta de 1595, com o seguinte slogan: “Three hundred years in the making!”. Este filme, por sua vez, também bate vários recordes. 
Foi a primeira adaptação de uma peça de Shakespeare a ser nomeada para um Óscar de Melhor Filme, embora o viesse a perder para "Mutiny on the Bounty". Foi a primeira e única vez que alguém não nomeado levou um Óscar para casa (aconteceu com o director de fotografia Hal Mohr). Também foi o filme de estreia de Olivia de Havilland, apesar de só ter estreado depois do lançamento dos seus segundo e terceiro filmes: "Alibi Ike" e "The Irish in Us".
Esta interpretação cinematográfica da peça foi inspirada pela produção altamente influente do génio do teatro Max Reinhardt. O próprio Reinhardt tinha descoberto a jovem de 18 anos, de Havilland, numa peça do Mills College em Oakland, e fez questão de a incluir no elenco deste filme, no papel de Hermia.
Na sua ilustre carreira pelos palcos europeus Reinhardt inspirou uma série de cineastas, como F.W. Murnau, Fritz Lang, Ernst Lubitsch, Otto Preminger e William Dieterle Na verdade, Dieterle seria escolhido para co-realizador, porque Reinhardt estava pouco familiarizado com as produções pomposas de Hollywood, e Dieterle tinha chegado a Hollywood cerca de quatro anos antes, e tinha nesta altura já cerca de duas dezenas de filmes realizados, embora a maioria fossem obras menores. O resultado seria uma obra-prima visual que caracterizava uma mistura interessante de estilos, juntando o clássico inglês com a Grécia antiga.
O elenco era formado por algumas estrelas da Hollywood de então, James Cagney, Dick Powell, Ian Hunter, mas quem rouba o filme é um jovem actor chamado Mickey Rooney, com apenas 14 anos, no papel do perverso Puck. É dele a famosa linha “Lord, what fools these mortals be!”

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quinta-feira, 16 de março de 2017

William Dieterle

"Though the director's filmography includes memorably dull biopics (Zola, Pasteur, Juarez and the discoverer of a cure for syphilis) his finest work reveals a flair for romanticism… Though a minor, erratic talent, Dieterle is deserving of more serious critical attention than he has so far received." - Geoff Andrew (The Director's Vision, 1999)

Começou a sua carreira como actor, no teatro de Berlin, juntado-se à companhia de Max Reinhardt, em 1918. Daí para a frente participou em muitos filmes como actor, como "Waxworks" (1924) de Paul Leni, ou "Fausto" (1926), de F.W. Murnau. Em 1923 começou a dirigir, e uma ainda muito nova Marlene Dietrich apareceu no seu primeiro filme, "Der Mensch am Wiege". Na década de 30 Dieterle partiu para os Estados Unidos, tornando-se num artesão de confiança da Warner Bros, com algumas obras notáveis. Em 1935 dirigia a sua primeira grande obra, "A Midsummer Nights Dream", em colaboração com o seu antigo mestre Max Reinhardt. Daqui para a frente tornou-se no favorito do estúdio para trabalhar em biopics, e em poucos anos realizava "The Story of Louis Pasteur" (1936), "The Life of Emile Zola" (1937) e "Juarez" (1939)., todos eles interpretados por Paul Muni, com o actor a conseguir ganhar um Óscar no primeiro, e uma nomeação no segundo.
Em 1939 Dieterle mudava-se para a RKO, mudança que lhe iria valer alguns dos seus melhores filmes, incluindo a melhor versão feita de "The Hunchback of Notre Dame (1939), e "All That Money Can Buy" (1941). Debaixo da influência de David O. Selznick, para a Paramont, realizou ainda dois projectos com Jennifer Jones, "Love Letters" (1945) e "Portrait of Jennie" (1948.
A sensibilidade romântica de Dieterle diz que ele poderia ter sido um realizador de grande sucesso, tal como Douglas Sirk, dos melodramas românticos dos anos 50, mas o seu envolvimento em políticas liberais acabaria por o atraiçoar ficando com o seu nome ligado ao Macartismo. Com pouco mais de cinquenta anos a sua carreira acabaria por entrar em declínio, sendo ele obrigado a regressar ao seu país, onde ainda realizaria alguns filmes, sobretudo para televisão.
Neste ciclo, que não se pretende que seja muito extenso (9 filmes), vamos ver alguns dos melhores filmes da sua carreira nos Estados Unidos. A partir de sábado no M2TM. Espero que gostem.