Mostrar mensagens com a etiqueta Mario Bava. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mario Bava. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Baía Sangrenta (Reazione a Catena) 1971

Uma velha senhora é herdeira de uma grande fortuna, e é morta pelo marido que quer o controlo da herança. O que se segue é uma série de assassinatos com parentes e amigos a tentarem reduzir o campo da herança, complicado por alguns jovens adolescentes que decidem acampar num prédio em ruínas da propriedade.
Considerado como um dos melhores filmes de Mário Bava, "A Baía Sangrenta" (internacionalmente também é chamado por "Bay of Blood" ou "Twitch of the Death Nerve") é notável pelo impacto que teve no futuro género americano chamado de slasher, paticamente codificando os passos básicos para lançar o filme de "body count". Apesar de um filme anterior de Bava, "Seis Mulheres Para o Assassino", já funcionar dentro destes moldes, quatro componentes chave fazem deste filme o verdadeiro percursor dos  slashers dos anos 80, e uma grande influência para "Halloween" de John Carpenter, e o famoso "Sexta-Feira, 13": o local rústico com cenários à volta de uma comunidade pouco desenvolvida à beira de uma baía, jovens errantes (um casal desinibido e excitado e outro atormentado), mortes brutalmente violentas, e o tratamento da morte como outro nível de gratificação sexual. 
"Bay of Blood" era um filme desagradável de vários pontos de vista, e consequentemente foi banido em vários países. As cenas mais gráficas não são difíceis de detectar, e incluem o enforcamento de uma mulher deficiente, um corte gutural gráfico (embora brilhantemente editado), uma decapitação ainda mais gráfica e uma humilhação freudiana em que um casal copulando é simultaneamente morto por uma lança. 
O orçamento era baixo, dois dos interiores dos cenários pertenciam ao produtor e ao realizador, e o filmem apesar de tudo, está mais próximo dos giallos dos anos 70 do que dos slashers dos anos 80. Bava era simultaneamente realizador, argumentista e director de fotografia, com Stelvio Cipriani a colaborar pela primeira vez com o realizador na banda sonora. 

Link
Imdb

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Lua de Mel Sangrenta (Il Rosso Segno Della Follia) 1970


John Harrington é um estilista de 30 anos especializado em vestidos de noivas. Ele também é um homem louco, como revelado na sequência de abertura e na voice over que explica a sua loucura e paranoia. Ele tem a necessidade de matar mulher jovens antes destas se casarem, e a maioria delas são modelos que ele contratou para a sua empresa. A sua esposa, Mildred, não tem conhecimento dos crimes, e odeia-o porque ele ficou impotente na noite de núpcias, e, por desrespeito, recusa-se a conceder-lhe o divórcio. Um detective já anda atrás do criminoso, mas não há provas suficientes para o incriminar. Cada assassinato trá-lo cada vez mais perto de uma lembrança que ele está a reprimir…
Embora Mário Bava seja geralmente creditado ao giallo desde o seu "A Rapariga que Sabia Demais", considerado o primeiro giallo marcante do cinema italiano, ele nunca mais regressou ao género de uma forma convencional. No início da década de setenta fez um trio de filmes que embora fossem distintamente gialloesques eram igualmente subversivos do género. Enquanto que "Cinco Bonecas para a Lua de Agosto" seguia os padrões convencionais colocando nos assassinatos o destaque explorável do filme, quase inteiramente fora do ecrã, e "Baía Sangrenta"(1971) via uma aproximação mais ao estilo de um slasher film, já que os seus crimes eram em massa, por sua vez, este "Lua de Mel Sangrenta" fazia questão de revelar a identidade do assassino logo na cena de abertura, em vez do mistério sobre a identidade do criminoso que era habitual em todos os giallos. Além disso, tínhamos o tema do sobrenatural, que geralmente os giallos evitavam.
Uma produção largamente espanhola, com argumento de Santiago Moncada, "Lua de Mel Sangrenta" tem uma história inteligente e bem pensada, que combina de maneira eficaz os temas do "serial killer" e da assombração. Na sua história do serial killer o filme substitui o mistério de quem é o criminoso pelo mistério sobre as suas motivações, onde temos um assassino que se está a descobrir ao mesmo tempo que nós também estamos a fazê-lo. O diálogo também é digno de nota pela sua qualidade, algo que falhava muitas vezes no cinema europeu de género, principalmente por causa das dobragens. 
Nesta pseudo trilogia de giallos do início dos anos setenta, Bava afastou-se da elaborada atmosfera vermelha e verde de filmes como "Planet of the Vampires"(1965) e "Kill, Baby Kill" (1966) e deu luz natural aos filmes para dar um realce mais pronunciado com cenários mais realistas. No entanto ele não deixa de lado alguns ângulos de câmera criativos que ajudam a enfatizar a atmosfera invulgar do filme. Os interiores foram em grande parte filmados em casas pertencentes ao governante espanhol General Franco, com a sua opulência a ser bem adequada ao cenário. 

Link
Imdb

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Cinco Bonecas para a Lua de Agosto (5 Bambole per la Luna d'agosto) 1970

George Stark é um rico industrial que convida cinco amigos de negócios, e as suas esposas, para a sua ilha isolada no Mediterrâneo para um fim de semana de relaxamento e também de negócios, quando lhes apresenta o professor Farrell, um brilhante químico, que tem umas ideias de negócios para o grupo. Contra a vontade de Farrell os convidados tentam obter informações extra do químico, e começam a ser assassinados, um a um. O assassino está entre eles, e ninguém confia em ninguém. 
Depois de estrear "Danger: Diabolik", em 1968, o seu filme de maior sucesso comercial, Mário Bava regressou ao épico histórico ao dirigir dois episódios de uma série sobre as aventuras de Ulisses, chamada "Odissea", séria essa que, sem surpresa, teria uma versão cinematográfica. Seriam precisos mais dois anos para Bava regressar em pleno a outra longa-metragem, e apesar de toda a extravagância, e o sucesso, de "Diabolik", Bava preferiu regressar às produções de baixo orçamento, em pequena escala, de argumento confuso e com muitos choques. A partir de 1970, e com poucas excepções nos anos subsequentes, a produção cinematográfica de Bava seria reduzida significativamente, e quase sempre no território do terror gótico ou do giallo, com vários insucessos comerciais neste período. Insucesso comercial não é sinónimo de mau filme, obviamente.
"Cinco Bonecas para a Lua de Agosto", basicamente, era um riff do modelo de "Ten Little Indias", de Agatha Christie explorando a paranoia crescente num grupo de pessoas ricas, emocionalmente e moralmente promíscuas, presas numa ilha com um assassino que pode ser qualquer um deles.
Enquanto que Mário Bava deu o pontapé de saída ao ciclo do giallo com "A Rapariga Que Sabia Demais", ele não estava de forma nenhuma interessado em redefini-lo, pelo contrário, ele preferiu usar a fórmula e lançar as bases para algo diferente, que podemos chamar de proto-slasher, como veremos mais à frente neste ciclo. Deste "Cinco Bonecas para uma Lua de Agosto" diz-se fazer parte do caminho de Bava para chegar a "Bay of Blood", que muitos fãs consideram ser a obra prima do realizador. 

Link
Imdb

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Seis Mulheres Para um Assassino (Sei Donne per L'Assassino) 1964

Isabella, uma jovem modelo, é assassinada por uma misteriosa figura mascarada numa pensão dirigida por Max Morlan e a sua amante, a condessa Christina Como. Enquanto que o namorado dela é suspeito do crime, o seu diário que aparentemente tem alguma pista incriminatória que a ligam ao assassino, desaparece, e o assassino mascarado começa a perseguir todas as modelos que vivem na pensão, quem sabe para obter o diário.
Embora um grande número de filmes de Mário Bava possam ser considerados essenciais para os interessados na história do cinema, poucos tiveram o impacto deste "Blood and Black Lace". Depois de ter lançado o género giallo com "A Mulher Que Sabia Demais" e ter conquistado o público internacional com "Black Sabbath", Bava procurou não repetir a fórmula de um serial killer à solta. Evitando a história de detective tentou uma abordagem mais artística sobre o crime, e deu à luz um sub-género que dominaria o cinema de terror americano nos anos oitenta, o slasher. 
Este filme era marcado por crimes intensos e brutais, com várias mulheres a morrerem às mãos de um louco cuja máscara branca e vazia é estranhamente vazia de expressões ou emoções. Muitos filmes posteriores de terror têm as suas raízes nesta obra prima de Bava, desde o Michael Myers de "Halloween", ao Jason de "Sexta-Feira 13", passando pelo Freddy Krueger de "Pesadelo em Elm Street".  
O talento mais marcante do realizador é o olho visual para o uso das cores, que dão ao filme um estilo e aparências únicos. A câmara lentamente desliza pelos corredores entre as modelos, capturando a sua beleza e a impressionante brutalidade dos seus assassinatos. Os crimes são altamente perturbadores na sua selvajaria, estrangulamentos, afogamentos, e uma escaldadura torturante. A excelência da realização de Bava também se estendia ao elenco, com a escolha de nomes como Cameron Mitchell ou Eva Bartok, com interpretações sólidas. 
O maior problema que o filme enfrenta hoje, é que já foi imitado tantas vezes, inclusive no cinema popular, que algumas das suas cenas podem ser consideradas clichés, quando na realidade foi Bava quem lá chegou primeiro. 

Link
Imdb

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

A Rapariga que Sabia Demais (La Ragazza che Sapeva Troppo) 1963

Letícia Román é Nora, uma jovem apaixonada por livros de mistério, que visita Roma para ver uma familiar idosa, e acaba por testemunhar um assassinato - pelo menos assim parece. Com a ajuda de um médico ela decide investigar, e o mais preocupante é que se isto for trabalho de um serial killer esta foi a terceira vítima, e todas foram mortas por ordem alfabética. O segundo nome de Nora começa por um "D", D de Death (morte), como uma estranha voz lhe diz.
O que se segue é um típico enredo de um "giallo": voltas e reviravoltas, alguns flashbacks, narrativas recapitulando eventos passados, e eventualmente, a revelação um tanto chocante do assassino.
A história do filme vem muito nos moldes das histórias italianas de mistério que inspiraram este e muitos outros filmes posteriores. Funcionando principalmente como um "whodunit", muito mais do que como um filme de terror, "A Rapariga que Sabia Demais" é impulsionado pelo desvendar do mistério, que se desenvolve a um ritmo acelerado. Tendo em conta os filmes posteriores do género, o espectador vai sentir aqui a falta do componente "gore", embora o filme tenha sido considerado bastante violento para o seu tempo.
Embora esta seja uma tentativa consciente de introduzir o giallo como um ciclo cinematográfico, "A Rapariga que Sabia Demais" tem um estilo formal que seria rapidamente descartado. Do ponto de vista visual, o segundo filme de Mário Bava "Blood and Black Lace" (1964) tornar-se ía muito mais influente. Aqui, Bava escolhe filmar a preto e branco, e enquanto faz vários contrastes evocativos entre a luz e a escuridão, usa a sombra de uma forma visual excitante mas o tom leve do filme não garante o resultado pretendido relativamente às novelas pulp dos jornais. Este tom e a atitude irreverente estão em desacordo com o estilo visual, e essa é uma tensão que nunca é resolvida, mesmo nos momentos de perigo para a heroína. Do ponto de vista narrativo, quase todos os elementos da trama do giallo estão presentes, e muito bem colocados.
A história e o argumento são uma colaboração entre cinco pessoas, Mario Bava, Sérgio Corbucci, Ennio De Concini, Eliana De Sabata e Franco Prosperi, e apesar da multidão de mentes que nela trabalharam acaba por se sustentar bem. Este seria também o último filme de Bava a preto e branco. 

Link
Legendas
Imdb

sábado, 5 de setembro de 2015

Schock (Shock) 1977

Nora voltou a casar-se depois da morte do primeiro marido. O comportamento estranho do filho, Marco, de 7 anos, ameaça a vida dela e de Bruno, o segundo marido. O jovem prometeu matar a mãe e acidentes estranhos começam a acontecer na nova casa, tendo sempre Nora como vítima.
 Derradeiro filme de Mario Bava. "Bay of Blood" pode ser o mais sangrento, "Black Sunday" pode ser o mais influente, "Blood and Black Lace" pode ser o mais bonito, mas Bava nunca fez um filme tão assustador como este. Um soco no estômago claustrofóbico que arrasta o espectador directamente para dentro da mente de uma mulher a enlouquecer, o filme apresenta algumas concessões sangrentas dos filmes de terror dos anos setenta, mas, visualmente, também é uma peça muito bem trabalhada, além de ser devastador psicológicamente.
Nos Estados Unidos foi lançado com o título de "Beyond The Door II", embora nada tivesse a ver com o primeiro, aparte o vago tema da possessão, e a presença do jovem David Colin Jr,  protagonista também no primeiro filme, então com quatro anos. Daria Nicolodi, uma das divas de Argento, tem um dos melhores papéis da sua carreira, para não dizer o melhor, iniciando o filme como uma figura doce e maternal, mas transformando-se, gradualmente, numa figura completamente histérica.
"Schock" raramente é citado como um exemplo do cinema de Bava, e marcava um aumento na colaboração com o seu filho, Lamberto Bava, que foi autorizado a tomar as rédeas em algumas cenas. A primeira obra do jovem Bava veria a luz do dia três anos depois.

Link
Imdb

sexta-feira, 27 de março de 2015

Hércules contra o Vampiro (Ercole al centro della Terra) 1961



Depois de regressar da batalha do filme anterior, Hércules descobre que a sua amada, Daianara, perdeu os sentidos. De acordo com oráculo Medeia a única esperança de Daianara é a Pedra do Esquecimento, que se encontra nas profundezas do reino de Hades. Hércules parte com dois companheiros, Theseus e Telemachus, em busca da pedra, sem saber que o responsável pela sua situação é o Rei Lico, que pretende ficar com a namorada de Hércules para ele, depois de a reanimar.
Embora "Black Sunday" tivesse elevado o terror a preto e branco a novos níveis nunca vistos, Mário Bava desviou-se para um novo território no ano seguinte, com este "Hércules in the Hunted World", uma mistura incrivelmente colorida de terror gótico com peplum, que se destaca como uma das melhores entradas, senão mesmo a melhor, neste género que estamos a explorar. Uma mistura elegante de paisagens luminosas, monstros macabros, e reviravoltas excêntricas, onde não falta um grande Christopher Lee no papel de vilão, e o britânico Reg Park no papel principal. Este filme era a sequela directa para "Hércules, o Conquistador", que vimos na passada quarta-feira.
Graças a uma extensa experiência como director de fotografia Bava traz uma enorme sensibilidade para este filme, o seu primeiro colorido, e estabelece as bases para clássicos como "Planet of the Vampires", também realizado por si. Com um orçamento mínimo, e cenários limitados, Bava transforma os seus estúdios em miniatura em redemoinhos de côr e textura, colocando os seus actores contra uma série aparentemente interminável de obstáculos imaginativos. Alguns efeitos expandem a profundidade física e o alcance de muitos shots. Bava não desperdiça uma pequena parte do Widescreen.
Bava dirigiu outro filme histórico no mesmo ano, "Gli Invasori/A Fúria dos Vikings", interpretado por Cameron Mitchell. E o protagonista iria repetir o papel de Hércules mais duas vezes.

Link
Imdb

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Operação Medo (Operazione Paura) 1966



O Dr. Eswai é chamado pelo Inspector Kruger a uma pequena aldeia para fazer uma autópsia a uma mulher que morreu debaixo de estranhas circunstâncias. Apesar da ajuda de Ruth, a bruxa da aldeia, Kruger é assassinado, e é revelado que a mulher morta, assim como outras vítimas, foram assassinadas pelo fantasma de Melissa, uma jovem que, alimentada pelo ódio do luto da mãe, vinga-se sobre todos os habitantes da aldeia. Com a ajuda da enfermeira Mónica, o Dr. Eswai vai ter de descobrir qual é a verdade.
A primeira sequência de "Operação Medo", é tão poderosa e visceral como o nome do filme pode sugerir. O filme começa abruptamente, a meio de uma cena, com uma mulher a fugir de um grande castelo, e a gritar "Não! Não!".Ela corre para a câmera, que alterna entre close-ups para fazer sobressair o terror nos seus olhos, e shots de longa distância que a mostram a fugir horrorizada. Uma sequência fascinante, e aterrorizante, que promete um grande filme de terror psicológico. Poucas vezes durante o filme Mario Bava alcança o impacto destas primeiras cenas, e embora o filme, na realidade, tenha falta de sustos, ganha na atmosfera que consegue criar, e na deslumbrante fotografia, sempre da autoria de Mário Bava, com a ajuda de Antonio Rinaldi, colaborar de Bava em vários filmes.
É um filme que divide muito os fãs do realizador. Alguns consideram-no o seu melhor trabalho, enquanto para outros foi uma desilusão. E é fácil perceber porquê. É uma obra sedutoramente misteriosa, com uma história de fantasmas no seu núcleo, mas superficialmente é mais do que um exercício de estilo, com muita substância, e muitas cenas marcantes. Todos os problemas desaparecem no final do filme, quando Bava faz uma montagem rápida de frissons, com a terrível verdade à vista, e a realidade contextual do filme finalmente a encaixar-se. É um dos melhores filmes desta vaga de terror gótico, provavelmente o meu preferido. 

Link
Imdb

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O Chicote e o Corpo (La Frusta e il Corpo) 1963



Kurt Menliff é um nobre do século XIX, cruel e sádico, que regressa ao seu castelo à beira-mar plantado, depois de passar alguns anos fora. Entra logo em conflito com o seu pai inválido, um Conde, assim como com o seu irmão mais novo, Christian, que agora é casado com a prima, e ex-amante de Kurt, Nevenka. Quando na noite seguinte Kurt é encontrado morto no seu quarto, toda a gente é suspeita, e tudo fica mais complicado quando Nevenka começa a ver o fantasma de Kurt (real ou imaginário?), que assombra o Castelo, supostamente para se vingar do seu assassino.
Mário Bava é considerado por muitos como o Padrinho do terror Italiano. Um verdadeiro auteur, fez a fotografia da maioria dos filmes que realizou, e começou a escrever os próprios argumentos da década de sessenta em frente. Em 1963, já com alguns filmes no seu currículo, realizaria aquela que seria considerada uma obra prima do sadomasoquismo, e uma das mais importantes obras do terror gótico: "La Frusta e il Corpo", com o lendário Christopher Lee, e a bela desconhecida Daliah Lavi, que viria, mais tarde, a ser uma Bond Girl em Casino Royale, nos principais papéis.
Para quem procura filmes de terror gráficos, ou sangrentos, não é isso que vão aqui encontrar. Há muito pouco sangue, ou nudez, mas os temas sórdidos tratados entre as personagens (um triângulo amoroso com conotações incestuosas), e as chicoteadas são muito decadentes. O ritmo é lento, criando uma sensação de tensão e expectativa. Apesar de todos serem suspeitos neste filme, Bava está mais interessado em usar a sua marca registrada de cores sombrias, para estabelecer o clima e a atmosfera pretendidos. Brinca com o erotismo sádico, quando Kurt ataca a sua ex-amante com um chicote - e ela parece gostar. 
Um grande desapontamento foi porque a voz de Christopher Lee não foi usada, nem na versão italiana, nem na versão internacional. Esta versão aqui presente é a versão internacional.

Link
Imdb

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O Vampiro (I Vampiri) 1957



Paris é assolada por um assassino que rapta jovens mulheres, drena-as de todo o seu sangue, e as atira para o rio Sena.O intrépido repórter Pierre Lantin (Dario Michaelis) está determinado a desvendar esta onda de crimes, e descobrir o assassino que a imprensa apelidou de "o vampiro". Enquanto tenta desvendar o caso, Pierre é alvo do afecto da bela Giselle, sobrinha da duquesa Du Grand. Apesar de toda a beleza de Giselle, Lantin sente uma repulsa por ela. O que haverá de estranho nesta figura?
"I Vampiri" é um filme marcante na história do cinema, de várias formas: em primeiro lugar, é o filme que deu inicio ao cinema terror italiano moderno, bem como o inicio virtual da carreira de Mário Bava como realizador (era o director de fotografia, mas tomou conta da realização quando o realizador Riccardo Freda saíu). E é provavelmente, uma das poucas vezes (ou pelo menos, das primeiras), que um repórter de jornal questiona seriamente a ética da sua profissão.
A história de "I Vampiri" é terrivelmente prosaica para um filme de Bava: mas nas suas mãos, até mesmo o prosaico se torna uma maravilha expressionista. O filme é percorrido por imagens surpreendentes, incluindo a sequência do funeral, e o assassinato muito "noirish" do viciado em drogas.Também antecipa imagens que prenunciam o trabalho posterior de Bava (particularmente a sua obra-prima, "Black Sunday"), como a entrada escondida atrás da lareira, abrindo para um grande salão da Duquesa du Grand.
Bava também conseguiu criar alguns excelentes efeitos especiais, como a transformação de Giselle, que não foi apenas realizada sem computadores, como também foi feita sem cortes. A ausência de computadores produz um efeito muito realista, mas mesmo assim, "I Vampiri" não consegue alcançar a qualidade de alguns filmes posteriores de Bava, dentro deste ciclo de cinema de terror gótico.

Link
Imdb

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Rabid Dogs (Cani Arrabbiati) 1974



Quando Mario Bava terminava o seu penúltimo filme, um dos seus apoiantes morreu, e todas as filmagens ficaram trancadas numa batalha jurídica complexa. Bava, que morreu em 1980, nunca vi este filme pronto. Os direitos acabaram por ser resgatados muitos anos depois, durante os anos 90, e foi então que o filme foi montado. Mas o filho de Bava, Lamberto Bava, que tinha visto a produção original, e não estava contente com esta montagem, e fez a sua própria, que teve uma estreia teatral em 2002. E assim, como acontece com alguns dos filmes de Orson Welles, não há uma montagem defintiva do filme.
O filme em si tem um início explosivo: um gang de criminosos entra em cena, mata algumas pessoas, e rouba um saco de dinheiro. Durante a fuga, os policias matam o motorista e fazem um buraco no tanque de gasolina. A pé, um dos bandidos dispara sobre uma mulher e rapta a sua amiga. Os três homens e a refém, de seguida, apanham o transporte mais próximo disponível, conduzido por um homem de meia-idade de cabeça fria, acompanhado por um menino doente. Como uma peça de teatro perturbadora, a maior parte do filme passa-se dentro do carro, entre este pequeno grupo de pessoas, jogando jogos psicológicos uns com os outros, cada um a tentar escapar ileso. 
O filme tem sido comparado ao de Wes Craven, The Last House on the Left (1972), pela sua violência psicológica perante a mulher e a criança, mas esses elementos são bastante menores no esquema geral do filme (é mais uma ameaça do que uma violência real); para não falar que era foi a actriz principal, Lea Lander, que lutou para resgatar o filme do limbo. 
"Rabid Dogs" é definitivamente um dos filmes mais pessimistas de Bava, mas mostra o quão longe o mestre era capaz de chegar para alcançar um pantamar mais realista, e menos expressionista.

Link
Imdb

terça-feira, 7 de maio de 2013

Blood and Black Lace (Sei Donne Per l'Assassino) 1964


"Blood and Black Lace", de Mario Bava é um dos primeiros exemplos do sub-género italiano conhecido como "giallo", bem como um dos primeiros filmes slashers. Tem lugar numa boutique da moda, propriedade de Cristina (Eva Bartok) e Max (Cameron Mitchell), esta fachada de grande glamour cobre uma série de pecados, incluindo drogas, traições e abortos. Alguém começa a assassinar as modelos femininas, uma por uma, enquanto que toda a gente tenta colocar as mãos num diário secreto, todos podem ser culpados, e por isso não é fácil de encontrar o assassino.
Bava nunca foi conhecido pela força das suas histórias - o que pode ser a única razão pela qual ele não é mais reconhecido e apreciado hoje - mas Blood and Black Lace é realmente uma das suas narrativas mais fortes, uma história de mistério obscura, com uma vingança memorável. 
É uma das obras mais bem-sucedidas de Bava, executada com um uso deslumbrante, sem precedentes de cores brilhantes e sombras profundas (por vezes, ambas ao mesmo tempo). O assassino usa uma muito assustadora máscara sem rosto, parecida com os manequins, que estão constantemente em exposição, o que dá a toda a produção uma qualidade estranha, que só é quebrada quando os personagens são assassinados.
A violência é surpreendentemente brutal para o seu tempo, e ainda tem o poder de choque, especialmente tendo em conta a beleza estóica do resto do filme. Herschell Gordon Lewis tinha feito o infâme "Blood Feast" no ano anterior, mas a sua explosão de sangue não tem o mesmo poder que este trabalho mais pictórico. Bava estava muito à frente no tempo, e voltaria a visitar este género sete anos depois com "Bay of Blood", mais um marco no género.

Link 
Imdb 

domingo, 5 de maio de 2013

Black Sabbath (I Tre Volti Della Paura) 1963



A antologia gótica de horror de Mario Bava consiste em três contos de terror diferentes, cada um com o seu próprio tom e estilo únicos, mas todos contêm aquele inimitável toque de Bava. Cada um dos filmes desdobra-se como um exercício de estilo e atmosfera, reforçada por histórias intrigantes que cuidadosamente se desdobram para revelar uma picada mortal no conto.
Como um todo, Black Sabbath é mais do que satisfatório. O que torna tudo ainda mais atraente é a introdução do filme pelo próprio Boris Karloff, com um discurso lírico sobre a mecânica do medo. Cada segmento é introduzido por um pequeno cartão-título que contém a sua própria quota de indução ao medo, todos belamente capturados pela câmera de Bava.

O primeiro é o giallo-esque "Telephone", um desconfortável conto de obsessão, paixão e vingança. Rosy (Michèle Mercier) regressa a casa para o seu luxuoso apartamento, para receber chamadas sinistras que parecem ser de um gangster maníaco que ela ajudou a prender. O gangster parece ver Rosy em cada movimento dentro do seu domicílio, deleitando-se com os seus movimentos cada vez mais em pânico. Rosy eventualmente chama a sua confidente e ex-namorada Mary (Lydia Alfonsi) e pede-lhe para vir e ficar a noite. Bava faz um excelente uso do local que fornece o pano de fundo para esta história. Logo assume uma atmosfera mais ameaçadora como com o decorrer da noite e Rosy torna-se uma prisioneira na sua própria casa. Aparentemente, a subtrama lésbica foi completamente retirada no corte da versão americana.
De seguida temos Wurdalak, um conto assustador envolvendo vampirismo, uma família condenada e o recente regresso do seu patriarca dos mortos-vivos - interpretado com uma alegria diabólica por Boris Karloff. Wurdalak é uma criatura vampírica específica para a Europa Oriental, onde o conto é definido. Ele ataca aqueles que mais gosta - a família, amigos e amantes - transformando-os em outros sugadores de sangue que vagueiam pelas horas crepusculares.
Vladimire d'Urfe (Mark Damon) busca refúgio numa quinta isolada depois de descobrir um corpo decapitado com uma espada nas suas costas. É recebido com cautela pela família que espera ansiosamente o regresso do pai, que se aventurou para fora para rastrear um Wurdalak. Á família foram dadas instruções estritas para negar a entrada ao pai se ele voltar depois da meia-noite. Logo depois da meia-noite a paisagem começa a sufocar sob uma névoa esvoaçante, Papa Gorca regressa e quando insiste em ser permitido entrar, logo se põe a matar a sua própria família transformando-os em sanguinárias criaturas da noite. 

Wurdalak é uma peça altamente atmosférica e maravilhosamente iluminada, também bem sucedida na sua utilização de locais limitados. Como nos outros dois contos de Black Sabbath, o lugar onde os personagens são mais ameaçados é no santuário da sua própria casa. A quinta da família aqui é inicialmente acolhedora e convidativa e aparece como um farol de esperança e luz na escuridão que o rodeia. Mas, não por muito tempo. Logo se assume como um ambiente estranho e ameaçador.
Por último, mas não menos importante, temos "The Drop of Water" - uma história extremamente inquietante de uma enfermeira que rouba um anel a partir do leito de morte de um medium, para sofrer as consequências horripilantes na privacidade da sua própria casa. Quando ela é chamada já tarde na noite e lhe pedem para preparar o corpo recém-falecido de uma medium local, Helen (Jacqueline Pierreux) deixa o conforto relativo por uma noite, para embarcar numa jornada. Chegando a casa da mulher morta, é deixada entrar por uma empregada que a leva através dos doces coloridos corredores espalhados pela casa. Estamos tão chocados como Helen quando vemos o morbido sorriso da morta apoiado num dos seus travesseiros. Helen repara num anel ornamentado e acha que ninguém vai reparar, tirando-o dos dedos da morta. Voltando para casa, Helen é atormentada pelos sons de uma torneira a pingar e a memória do sorriso assustador da mulher morta. Eventualmente, com nervos em frangalhos, Helen percebe, tarde demais, que roubar os mortos não é coisa boa para se fazer.
O clima predominantemente assustador deste capítulo final é bastante opressivo. O apartamento compacto de Helen, muito parecido com o de Rosy em "Telephone", e a casa da família condenado em "Wurdalak", logo assume uma atmosfera estranha, como a pobre mulher a ser atormentada pelo som de gotas de água e uma mosca a zumbir. O uso de Bava de luz e sombra é fascinante e certamente está entre os melhores nos seus pesadelos góticos. O final desagradável sugere muito fortemente que um destino semelhante irá acontecer à vizinha intrometida, que encontrou o corpo de Helen e tirou o anel para si mesma ...
 


Link 
Imdb 

sábado, 4 de maio de 2013

Black Sunday (La Maschera del Demonio) 1960


Com "Black Sunday", Mario Bava não só realizou o seu primeiro filme (se não contarmos com The Vampires, em que Bava era director de fotografia e acabou a realizar quando Freda saíu do projecto), e também fez o que muitos consideram ser o definitivo filme de terror gótico. Adaptado de um conto de Nicolaj Gogal, Black Sunday foi proibido na Grã-Bretanha durante oito anos, devido, em grande parte, à brutal sequência de abertura onde Barbara Steele é obrigada a usar uma máscara com picos no seu rosto. 
A diabólica Princesa Asa (Barbara Steele) e o seu servo, são condenados à morte como punição por bruxaria e vampirismo, e presos na cripta dos seus antepassados​​, mas não antes dela prometer vingança sobre as futuras gerações da família dos seus capturadores.
Dois séculos mais tarde, quebra-se a roda do veículo que levava os médicos Andre Gorobec e Thomas Kruvajan a uma convenção, e acabam presos dentro de uma antiga cripta. Que, naturalmente, decidem explorar. Kruvajan corta-se a lutar contra um morcego gigante, e suas gotas de sangue caem no caixão da princesa Asa, e sem os intérpidos médicos perceberem fazem reviver a princesa. 

Kruvajan e Andre conheceu a princesa Katia (Barbara Steele novamente). Steele parece resplandecente com as ruínas como pano de fundo, segurando as coleiras dois Dobermans, e exige saber o que os curiosos médicos estão a fazer, e André fica imediatamente apaixonado. Um apontamento importante para o primeiro aparecimento de Steele como Katia, ela parece ter nascido para este tipo de papel.
Enquanto isso, de volta à cripta, Asa já quase completamente rejuvenescida usa os seus poderes para ressuscitar o corpo em decomposição do seu servo, para que ele possa ajudá-la na realização dos seus desejos: matar a família de Katia.

Black Sunday é um filme de grande finesse visual. A névoa nas ruínas envoltas no local onde Asa habita, são um cenário particularmente surpreendente. Os efeitos especiais utilizados são muito leves, usando maquilhagem, iluminação e truques de montagem. Algumas sequências memoráveis ​​ocorrem quando a máscara do diabo presa nos rostos de Asa e do seu criado é reflectida num copo de vinho, e quando dois olhos aparecem na cripta escura e vazia de cadáver de Asa. 
Normalmente, os filmes de terror não ficavam famosos pela beleza ou qualidade estética, mas Mario Bava (e mais tarde Dario Argento) tomariam uma abordagem radicalmente diferente para retratar as cenas de terror. O homicídio e a morte eram erotizados e tornados em algo que é sombriamente bonito. Uma espécie de lógica de sonho entra em jogo quando o filme se aproxima do clímax, especialmente na cena em que Constantine se torna presa na passagem secreta atrás da lareira e é ameaçado pelo servo de Asa, que aparece do nada. Tim Burton iria prestar homenagem a este filme em Sleepy Hollow - que é tanto uma carta de amor aos filmes de terror da Hammer, como a Black Sunday

Link 
Imdb