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domingo, 22 de março de 2020

O Último Julgamento (Il giudizio universale) 1961

Uma voz poderosa e misteriosa ecoa nos céus de Nápoles: anuncia o dia do julgamento final, às seis da tarde. Então, uma multidão de pessoas empolgadas move-se sob a influência daquela voz implacável. Depois do início do grande julgamento, o qual todos podem sentir presente através da televisão, o Juízo Final é abruptamente interrompido por uma chuva torrencial. Será que a tempestade dramática e definitivamente o juízo, apagando a Terra e todos os seus males?
Bem fresco do sucesso internacional de "La Ciociara" (1960), a dupla Vittorio de Sica e Cesare Zavattini, realizador e argumentista do filme anterior, receberam carta branca de De Laurentiis para fazerem o que quisessem, com um elenco internacional de estrelas na folha de pagamento, saindo um filme sobre o fim do mundo, no qual a sua forma episódica é levada ao extremo, dividido em 40 sketches, instantâneos ou mais elaborados. Surrealismo, fantasia, sátira, são alguns dos componentes, também com um certo moralismo à mistura.
Hoje em dia é um filme muito esquecido, mesmo na carreira de De Sica, mas vale a pena referir aqui uma parte do elenco de estrelas: Fernandel, Anouk Aimee, Melina Mercouri, Nino Manfredi, Vittorio Gassman, Silvana Mangano, Jack Palance, Eleanora Brown, Lino Ventura, Alberto Sordi, Ernest Borgnine, Akim Tamiroff, Jimmy Durante, e o próprio De Sica.

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terça-feira, 11 de outubro de 2016

Johnny Guitar (Johnny Guitar) 1954

Na década de cinquenta o western sofreu uma grande revitalização na forma como era apresentado ao público. Tudo era aproveitado para trazer novas visões, como uma nova interpretação do film noir, em "The Furies" (1950), ou o thriller psicológico em "High Noon" (1952). "Johnny Guitar" (1954), de Nicholas Ray, era uma experiência arrojada a cores, inversão de papéis, cenários estilizados, e emoções operáticas, que resultaram numa obra prima poucas vezes repetida. Funcionando, de certa forma, como um ataque anti-McCarthy sobre a psicologia das massas, o filme conta-nos a história de Vienna (Joan Crawford), a dona de um saloon que está pronta para receber de braços abertos a chegada do caminho de ferro, à sua pequena cidade fronteiriça. Um grupo de membros da comunidade, liderados pela enraivecida Emma Small (Mercedes McCambridge), opõe-se à idéia, e pretende expulsar Vienna da cidade.  Para sua protecção, Vienna contrata um ex-pistoleiro, Johnny Guitar (Sterling Hayden), que ela não vê desde que terminaram a sua tumultuosa relação, cinco anos atrás. Quando Johnny chega, as emoções são fortes, agravadas pelo relacionamento de Vienna com Dancin' Kid (Scott Brady), um fora da lei cujas culpas são parcialmente atribuídas à dona do saloon.
Produzido pelo Republic Studios, "Johnny Guitar" foi o primeiro projecto de Ray depois de deixar a RKO, onde estava já com um contrato de sete anos. O filme fazia parte de um pacote que incluía Roy Chanslor, um ex-jornalista que se tinha tornado argumentista, e que tinha escrito esta história de propósito para Joan Crawford. Na altura, o Republic era considerado o mais prestigiado dos estúdios pequenos, e o contrato com Ray dava-lhe uma grande quantidade de liberdade criativa, apesar do orçamento do filme ser bastante reduzido. Uma das primeiras coisas que Ray fez, foi contratar Philip Yordan para reescrever completamente o argumento. 
Muitos dos actores secundários eram veteranos de outros westerns, como Ward Bond, John Carradine, Royal Dano, Ernest Borgnine e Sheb Wooley, mas Sterling Hayden era uma escolha invulgar para o papel central do filme, porque ele nem sabia andar a cavalo, tocar guitarra, ou sequer disparar uma arma. Isso também não interessava, já que o confronto final seria entre as duas mulheres, Vienna e Emma.
Tal como as suas personagens na tela, Joan Crawford e Mercedes McCambridge foram também ferozes rivais na rodagem do filme. Crawford, cuja inveja profissional das actrizes mais novas era bem conhecida, iniciou a contenda quando observou o realizador e o resto do cast a aplaudir uma cena que McCambridge tinha acabado de filmar. Daí para a frente a relação entre as duas seria muito má. Crawford, como estrela principal do filme, exigiu grandes mudanças no argumento, favorecendo-a, é claro. A maior revisão foi um problema em relação ao sexo. Em vez do foco central ser nas personagens de Johnny Guitar e o Dancin' Kid, passaria a ser em relação a Vienna e Emma, que passariam a ser personagens mais tradicionalmente masculinas. Verdade seja dita, se estas mudanças não tivessem tido lugar, o filme não seria tão valorizado como é hoje.
Nicholas Ray estava muito infeliz durante a rodagem do filme, e as criticas medianas recebidas durante a estreia também não ajudaram. No entanto, "Johnny Guitar" foi muito admirado na Europa. Adorado por Francois Truffaut, que o proclamou "the beauty and the beast of westerns, e com o tempo tornou-se num filme de culto, e numa das obras mais duradouras de Ray.

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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

O Buraco Negro (The Black Hole) 1979

Uma nave americana numa viagem de pesquisas encontra um cientista louco que tem a sua nave estacionada à beira de um buraco negro. Um capitão louco captura-os e está determinado a levá-los para o vácuo espacial, numa viagem sem regresso.
Em 1979, na sequência do sucesso enorme de "Star Wars", a Walt Disney Pictures lançou uma aventura no espaço chamada "The Black Hole", realizado por Gary Nelson. Foi o primeiro filme da história da Disney a ser classificado como PG, em vez de G, para todas as audiências. Na altura do seu lançamento tinha a concorrência directa de Star Trek: The Motion Picture (1979), o renascimento da tão esperada série de TV, só que em versão cinematográfica. O filme de Gary Nelson ficou claramente a perder.
As críticas foram, de um modo geral, negativas. Foi considerado um melodrama palavroso, e foram notadas muitas semelhanças com o blockbuster de George Lucas, de 1977. As palavras das revistas de ficção científica, e dos escritores, foram ainda mais negativas que a dos críticos, e passados tantos anos, contínua a ser lembrado como um filme mau.
O principal ponto de discórdia para a maioria dos escritores baseados na ciência parece ser a flagrante ignorância do filme sobre as leis da física. Por exemplo, havia uma atmosfera respirável no espaço exterior no fim do filme. O filme contém algumas cenas voluntariamente hilariantes, mas acabou por resistir ao tempo, graças a memórias de adolescentes daquela época.

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sábado, 27 de abril de 2013

Nova Iorque, 1997 (Escape From New York) 1981



Sempre houve um sentimento de distopismo e ansiedade apocalíptica no género ficção científica, e os anos 70 - com a sua recessão mundial, a escassez de petróleo, o conflito do Vietname, e as sempre presentes  tensões entre o Ocidente capitalista e o Leste comunista - ajudaram a alimentar um tensão especial de que a fixação que encontrou caminho para uma série de filmes de baixo orçamento que dominaram a série B e as  prateleiras dos clubes de vídeo no início da década de 1980. Foi um breve período de ansiedade, encravado no meio dos sonhos da morte da contracultura dos anos 60, e renovado orgulho em Ronald Reagan.
Ao lado de Mad Max, de George Miller (1979) e a sua sequela The Road Warrior (1981), Escape From New York é sem dúvida o melhor candidato para o progenitor desta vaga particularmente moderna de distopismo na ficção científica (o facto de que Carpenter e o co-argumentista Nick Castle originalmente escreverem o argumento em 1974, o ano de Watergate, diz tudo). A história passa-se no ano, então futurista de 1997, depois de uma terceira guerra mundial e um aumento épico em crime que levou o governo dos EUA para a decisão radical de transformar a ilha de Manhattan numa prisão federal gigante da qual ninguém tem permissão para sair. Não há guardas lá dentro, apenas uma população de criminosos violentos que desenvolveram sua própria sociedade depravada. 
Logo no início do filme um grupo socialista radical rapta o Air Force One e fá-lo caír na cidade, esperando matar o presidente conservador (Donald Pleasence). O Presidente sobrevive, no entanto, e deve ser resgatado a partir da cidade que se tornou prisão, dentro de 24 horas. Num acto de desespero, o comissário da polícia Bob Hauk (Lee Van Cleef) contrata Snake Plissken (Kurt Russell), um veteranos das operações especiais que se tornou ladrão e que estava previsto para ser exilado para Manhattan, mas agora pode ser a única hipótese que o governo tem para resgatar o presidente. Snake é enviado para a prisão da ilha, com ordens para encontrar o presidente e trazê-lo de volta em segurança, e por uma boa razão, é que Haul implantou-lhe uma bomba relógio no seu pescoço. Assim, a vida de Snake está em jogo, e se os fora-da-lei de Manhattan não o matarem, os explosivos nas suas artérias o farão.
 A maior parte do filme segue Snake no interior da prisão, navegando no escuro, por uma selva de ruínas tentando evitar os vários gangues enquanto procura pelo Presidente, que rapidamente cai nas mãos de The Duke (Isaac Hayes), o líder do maior gang da ilha, e que quer usar o novo refém como moeda de troca para a amnistia. Snake é ajudado por vários insiders, incluindo o "cérebro" (Harry Dean Stanton), um informante desonesto que traiu Snake no passado; a namorada deste, Maggie (Adrienne Barbeau), e um motorista de táxi (Ernest Borgnine), que aparece em conveniência da narrativa para fornecer transporte e fuga ( muito poucos carros a trabalhar que restam na ilha, e ninguém tem uma arma). 
Como outros filmes do género, há elementos em Escape from New York, que não envelheceram muito bem, mas ainda assim é um dos grandes filmes de John Carpenter, bastante acima do seu futuro remake.

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domingo, 3 de fevereiro de 2013

O Comboio dos Duros (Convoy) 1978


Convoy é talvez um dos mais estranhos filmes do final dos anos setenta sobre caminonistas e os ataques à autoridade, com um enredo confuso, e o facto do filme pisar uma linha, não muito bem definida, entre a auto-paródia e a auto-importância. Talvez devemos considerar que a saúde de Peckinpah nos últimos anos da sua vida, e as histórias sobre o abuso de substâncias ilegais, acabam por fazer alguma mossa na carreira do realizador. É relatado que o actor James Coburn rodou uma boa parte da longa-metragem como segundo realizador, quando Peckinpah não se sentia à altura da tarefa.
Kris Kristofferson desempenha um camionista durão, que ganha a vida nas estradas dos Estados Unidos, fazendo amigos e amantes, ao longo do caminho. Um dia, ele e os amigos, são incomodados por um xerife corrupto (e racista), Lyle (Ernest Borgnine), que leva o seu dinheiro, até ao momento da vingança, depois de uma gigante parada de camiões. Na luta contra as autoridades rapidamente Rubber Duck (Kristofferson) se torna um herói para outros camionistas, que rapidamente se envolvem em ajudá-lo, seguindo a sua liderança num comboio que se estende por mais de um quilómetro.
Provavelmente o motivo porque este filme foi feito, foi o sucesso de "Smokey and the Bandit", que contava uma história muito semelhante, de um bandido desportivo, que alcançava muitos corações por causa da sua indefinição com a lei, fazendo com que as pessoas o ajudassem sempre que podiam. As comparações acabam aqui. Onde Smokey conseguia um charme irreverente, Convoy vacilava, levando a sua própria história muito a sério, apesar do ridículo dos muitos eventos que aconteciam. Com o passar dos anos, este filme ganhou um estatuto de filme de culto para os nostálgicos dos anos 70, assim como para os fanáticos de Peckinpah, que provavelmente viam-no como uma curiosa obra-prima. O verdadeiro valor do filme, talvez seja algo a meio caminho de tudo isto que falei, no entanto vale a pena ser descoberto.

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