Uma casa em Yveslines, nos arredores de Paris é o lar de duas mulheres(Lucia Bosé e Jeanne Moreau), de temperamento muito diferente. Uma das mulheres ocupa o tempo como dona de casa, e jardinagem, a outra preocupa-se frequentemente com o futuro da filha, Nathalie. Será que o futuro de Nathalie vai passar pelo internato, seguindo ela as aulas de música? O único som que quebra o silêncio é o do rádio, até que um vendedor (Gérard Depardieu) aparece à porta...
Marguerite Duras ("Cesarée"/"India Song"/"Woman of the Ganges") em 1959 escreveu o argumento para "Hiroshima, Mom Amour". Aqui ela escreve e dirige este retrato minimalista da vida de duas mulheres, feito quase sem diálogos, longas pausas de silêncio, e sem enredo discernível. Era o chamado anti-drama, percursor tanto de Chantal Akerman como Claire Denis, com Duras, para sentir uma sensação de conforto, a filmar na sua própria casa nos arredores de Paris.
As necessidades emocionais de Nathalie são atendidas através de reacções calmas e racionais das duas mulheres altamente inteligentes, e através do canal sublime da música, e poderia haver uma escolha melhor do que Johan Sebastian Bach para fazer a alma de uma criança mais sublime, mais pura e mais nobre?
Grandes interpretações de Bosé, Moreau e Depardieu, e também da jovem Valerie Mascolo no papel de Nathalie, naquele que foi o seu único filme até hoje.
Link
Imdb
Mostrar mensagens com a etiqueta Lucia Bosé. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Lucia Bosé. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
Nathalie Granger (Nathalie Granger) 1972
Etiquetas:
filmes completos,
Gérard Depardieu,
Jeanne Moreau,
Lucia Bosé,
Marguerite Duras
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
Arcana (Arcana) 1972
Uma viúva siciliana ganha a vida como vidente, em Milão, mas ela não tem quaisquer poderes. Quem tem os poderes é o filho, e com a ajuda da mãe torna-se um feiticeiro forte. Mas ele falha ao tentar compreender a verdadeira força que tem, e liberta forças descontroladas que levam as pessoas ao seu redor a enlouquecer.
Terceira longa-metragem de Giulio Questi, que já tinha cruzado géneros com o surrealismo, em obras como "Se Sei Vivo Spara" (Western), "La Morte ha Fatto L'uovo" (Giallo), e agora, no campo do terror e do mistério. Durante a maior parte do tempo é um filme muito poderoso e perturbador, com a nossa querida Lucia Bosé no papel da falsa vidente, e Tina Aumont como uma das suas clientes, mas depois o filme acaba por mergulhar numa enorme confusão de experimentalismos.
Por causa disso acabou por ser um fracasso comercial, e comprometer a promissora carreira do realizador, dos poucos que conseguiu equilibrar as narrativas do cinema de género, com o cinema inovador da década de sessenta. Foi a última longa metragem para cinema, de Questi, que a partir daqui só trabalhou para televisão.
Palavras do próprio realizador, no início do filme: "This film is not a story. It’s a card game. This is why the beginning is not credible nor is the ending. You are the players. Play well and win.”
Link
Imdb
Terceira longa-metragem de Giulio Questi, que já tinha cruzado géneros com o surrealismo, em obras como "Se Sei Vivo Spara" (Western), "La Morte ha Fatto L'uovo" (Giallo), e agora, no campo do terror e do mistério. Durante a maior parte do tempo é um filme muito poderoso e perturbador, com a nossa querida Lucia Bosé no papel da falsa vidente, e Tina Aumont como uma das suas clientes, mas depois o filme acaba por mergulhar numa enorme confusão de experimentalismos.
Por causa disso acabou por ser um fracasso comercial, e comprometer a promissora carreira do realizador, dos poucos que conseguiu equilibrar as narrativas do cinema de género, com o cinema inovador da década de sessenta. Foi a última longa metragem para cinema, de Questi, que a partir daqui só trabalhou para televisão.
Palavras do próprio realizador, no início do filme: "This film is not a story. It’s a card game. This is why the beginning is not credible nor is the ending. You are the players. Play well and win.”
Link
Imdb
Etiquetas:
filmes completos,
Giulio Questi,
Lucia Bosé
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
Sob o Signo do Escorpião (Sotto il Segno Dello Scorpione) 1969
Numa época pré-histórica, um grupo de homens chamados “escorpiões” são forçados a deixar sua terra natal, destruída por uma erupção vulcânica. Ao chegar a uma ilha, encontram uma pacífica comunidade de lavradores. Logo descobrem, no entanto, que todos ali vivem sob a ameaça de um vulcão ainda mais potente. Em vez de aceitarem a oferta de uma nova embarcação para seguir viagem, os recém-chegados tentam convencer os moradores da ilha a abandonar aquele local perigoso. Os habitantes jovens concordam em partir, mas os mais velhos desejam permanecer.
No seu quarto filme, os irmãos Taviani recorrem à alegoria, numa reflexão metafórica para representar um conflito entre reformistas e revolucionários, e entre duas gerações. Posicionado entre Brecht e Godard (com ecos óbvios de Pasolini), proporcionando momentos evocativos, o filme resulta bem sobre o ponto de vista estilístico, pouco incisivo sobre a narrativa, e abstracto em relação à ideologia.
Lucia Bosé protagoniza ao lado do grande actor do cinema de género Gian Maria Volonté, nesta altura mais virado para o "western spaghetti".
Link
Imdb
Etiquetas:
filmes completos,
Gian Maria Volonté,
Irmãos Taviani,
Lucia Bosé
domingo, 22 de novembro de 2015
Nocturno 29 (Nocturno 29) 1968
O filme começa onde "No contéis con los dedos", a curta anterior de Pere Portabella nos deixou. De frente para uma tela em branco. Aprofunda-se na futura estrutura dos filmes do realizador, que não avança através de uma estrutura linear, mas por uma sucessão de quadros panorâmicos e semi-autónomos, quase sempre inesperados. Uma série de situações, embora aparentemente não relacionadas, giram em torno de um desenvolvimento temático que dá corpo e unidade à história. Evocações a Antonioni, Buñuel ou Bergman podem ser encontrados no filme, cruelmente anti-burguesia.
Primeira longa-metragem de Portabella, co-escrita pelo poeta Joan Brossa, tornou-se numa das mais influentes obras da chamada "Escola de Barcelona", uma vaga de cinema vanguardista que teve lugar naquela cidade, e tal como os restantes filmes deste movimento, circulou apenas num circuito underground. Evitando ao máximo o diálogo, o realizador constrói uma não narrativa, em fragmentos que revelam a vida quotidiana de um casal adúltero, intercalado com um fluxo enigmático de imagens independentes.
O título do filme, "Nocturno 29", refere-se aos 29 anos negros da ditadura de Franco, 29 anos negros durava a ditadura até esta data.
Link
Imdb
Primeira longa-metragem de Portabella, co-escrita pelo poeta Joan Brossa, tornou-se numa das mais influentes obras da chamada "Escola de Barcelona", uma vaga de cinema vanguardista que teve lugar naquela cidade, e tal como os restantes filmes deste movimento, circulou apenas num circuito underground. Evitando ao máximo o diálogo, o realizador constrói uma não narrativa, em fragmentos que revelam a vida quotidiana de um casal adúltero, intercalado com um fluxo enigmático de imagens independentes.
O título do filme, "Nocturno 29", refere-se aos 29 anos negros da ditadura de Franco, 29 anos negros durava a ditadura até esta data.
Link
Imdb
Etiquetas:
filmes completos,
Lucia Bosé,
Pere Portabella
sábado, 21 de novembro de 2015
Assim Nasce a Aurora (Cela s'appelle l'aurore) 1956
Numa pequena povoação de uma ilha do sul de França, Dr. Valerio (Georges Marchal) é um médico que consulta a população pobre do local, composta por pescadores e operários. A sua esposa, Angela, está insatisfeita e tenta convencê-lo a mudar-se para Nice, cidade onde vive o pai dela. Depois de uma indisposição, ela parte em viagem até aquela cidade francesa enquanto o doutor continua atarefado cuidando dos seus doentes. O doutor Valério conhece Clara (Lucia Bosé), uma jovem viúva recém-chegada de Génova, e inicia com ela um caso extraconjugal, ao mesmo tempo que tenta ajudar Sandro,o caseiro de uma quinta daquela localidade.
Foi graças ao sucesso de filmes como "Los Olvidados"(1950) e "El" (1953), feitos por Buñuel durante o exílio no México, que o realizador conseguiu elevar o seu "star profile", dando-lhe oportunidade para realizar filmes com orçamentos maiores, e co-produções para o mercado internacional, começando com "Robinson Crusué" (1954), o seu primeiro filme a cores. "Cela s'appelle l'aurore" veio pouco depois, uma co-produção franco-italiana filmada na ilha da Corsica, e o primeiro filme francês do realizador, desde "L'Age d'Or"(1930).
Luis Buñuel não era apenas um grande realizador, também era um grande humanista, e isso não poderia estar melhor demonstrado do que em "Cela s'appelle l'aurore", um melodrama de consciência social. Menos estridente e muito menos provocativo do que outros dramas sociais anteriores do realizador, como "Los Olvidados", uma crítica mordaz da pobreza no México, este "Cela s'appelle l'aurore" é atravessado pelo mesmo sentimento anti-burguesia que os seus filmes posteriores, mas tudo isto é desenvolvido com um elevado grau de compaixão e envolvimento emocional. Mesmo aqueles mais familiarizados com o estilo do realizador vão ficar surpreendidos com o humanismo demonstrado neste pequeno e pouco apreciado filme, que o próprio Buñuel considera um dos seus preferidos.
Este é dos filmes mais acessíveis do realizador, talvez por isso mesmo, dos mais desconhecidos.
Link
Imdb
Foi graças ao sucesso de filmes como "Los Olvidados"(1950) e "El" (1953), feitos por Buñuel durante o exílio no México, que o realizador conseguiu elevar o seu "star profile", dando-lhe oportunidade para realizar filmes com orçamentos maiores, e co-produções para o mercado internacional, começando com "Robinson Crusué" (1954), o seu primeiro filme a cores. "Cela s'appelle l'aurore" veio pouco depois, uma co-produção franco-italiana filmada na ilha da Corsica, e o primeiro filme francês do realizador, desde "L'Age d'Or"(1930).
Luis Buñuel não era apenas um grande realizador, também era um grande humanista, e isso não poderia estar melhor demonstrado do que em "Cela s'appelle l'aurore", um melodrama de consciência social. Menos estridente e muito menos provocativo do que outros dramas sociais anteriores do realizador, como "Los Olvidados", uma crítica mordaz da pobreza no México, este "Cela s'appelle l'aurore" é atravessado pelo mesmo sentimento anti-burguesia que os seus filmes posteriores, mas tudo isto é desenvolvido com um elevado grau de compaixão e envolvimento emocional. Mesmo aqueles mais familiarizados com o estilo do realizador vão ficar surpreendidos com o humanismo demonstrado neste pequeno e pouco apreciado filme, que o próprio Buñuel considera um dos seus preferidos.
Este é dos filmes mais acessíveis do realizador, talvez por isso mesmo, dos mais desconhecidos.
Link
Imdb
Etiquetas:
filmes completos,
Lucia Bosé,
Luis Buñuel
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Morte de um Ciclista (Muerte de un Ciclista) 1955
Como as obras do início da Nouvelle Vague ou os filmes mudos de Eisenstein, "Morte de um Ciclista" (Muerte de un ciclista) de Juan Antonio Bardem é um filme forjado a partir da convicção teórica e ideológica. Produzido em Espanha debaixo do regime de Franco, onde o cinema se tornou, nas palavras do próprio Bardem, "politicamente ineficaz, socialmente falso, intelectualmente inútil, esteticamente inexistente, e industrialmente partido," "Morte de um Ciclista" foi uma tentativa consciente de infundir o cinema espanhol com nova vida, para mostrar que o cinema podia, ao mesmo tempo, ser nacional e universal.
A inspiração imediata do filme veio do neo-realismo italiano, que cineastas espanhóis como Bardem viam como uma abordagem estética significativa para lidar com o tempo presente e passado. Bardem tentou mesmo trazer o imediatismo, o humanismo e profundidade emocional para o filme que tinha visto em "Ladrões de Bicicletas", de Vittorio De Sica (1948) ou Umberto D. (1952). Ao mesmo tempo, Bardem foi influenciado pelo cinema de Hollywood, particularmente pelo melodrama e suspense, que fundiu com a estética neo-realista neste filme, para produzir uma obra verdadeiramente original que funciona tanto como entretenimento tenso como uma crítica às divisões de classe na sociedade espanhola. O filme começa numa estrada solitária, onde vemos o ciclista do título a subir uma colina. Este homem anónimo (nunca lhe vemos o rosto) é abalrroado por um carro que está a ser dirigido por María José de Castro (Lucia Bosé) e Juan Fernandez Soler (Alberto Closas). Juan é um professor universitário de baixo nível, e Maria é a mulher de um rico empresário (Otello Toso). Porque eles estão no caminho de volta de um encontro sexual, estão relutantes em ajudar o moribundo, com medo do seu relacionamento ser descoberto. Então, deixam-no abandonado na estrada e voltam para as suas vidas, mas este evento irá assombra-los, especialmente quando um jornalista das colunas sociais chamado Rafa (Carlos Casaravilla) insinua que sabe qualquer coisa. Ele não diz exactamente o que, nem porque, porque deixá-los a adivinhar faz parte da sua tática de poder, que só inflama o medo dos protagonistas de perder tudo.
A nível narrativo, "Morte de um Ciclista" está estruturado de uma forma descendente, em que vemos estes dois membros da classe superior lentamente a descerem aos infernos, com sentimentos como a culpa e o medo a começarem a consumi-los. Há aqui um certo tipo de suspense hitchcockiano, onde estamos constantemente no limite, esperando alguma grande revelação, que desafia os nossos preconceitos morais porque essencialmente nos encontra à espera que o casal adúltero seja acusado de fuga, e de homicídio. Nem Maria nem Juan estão de alguma forma inocentes, embora o atropelamento do ciclista foi, certamente, um acidente não intencional, mas a sua decisão de deixar o pobre homem a morrer na beira da estrada, a fim de protegerem-se é um pecado de proporções assustadoras , um acto verdadeiramente desumano que tentam justificar, mas nunca pode realmente resolver. A veia mais humanista no filme está centrada grande parte em Juan, que se sente pior com a situação, embora ele indiscutívelmente tenha menos a perder. Bardem usa a culpa como uma forma de explorar a classe dividida em Espanha.
Link
Imdb
A inspiração imediata do filme veio do neo-realismo italiano, que cineastas espanhóis como Bardem viam como uma abordagem estética significativa para lidar com o tempo presente e passado. Bardem tentou mesmo trazer o imediatismo, o humanismo e profundidade emocional para o filme que tinha visto em "Ladrões de Bicicletas", de Vittorio De Sica (1948) ou Umberto D. (1952). Ao mesmo tempo, Bardem foi influenciado pelo cinema de Hollywood, particularmente pelo melodrama e suspense, que fundiu com a estética neo-realista neste filme, para produzir uma obra verdadeiramente original que funciona tanto como entretenimento tenso como uma crítica às divisões de classe na sociedade espanhola. O filme começa numa estrada solitária, onde vemos o ciclista do título a subir uma colina. Este homem anónimo (nunca lhe vemos o rosto) é abalrroado por um carro que está a ser dirigido por María José de Castro (Lucia Bosé) e Juan Fernandez Soler (Alberto Closas). Juan é um professor universitário de baixo nível, e Maria é a mulher de um rico empresário (Otello Toso). Porque eles estão no caminho de volta de um encontro sexual, estão relutantes em ajudar o moribundo, com medo do seu relacionamento ser descoberto. Então, deixam-no abandonado na estrada e voltam para as suas vidas, mas este evento irá assombra-los, especialmente quando um jornalista das colunas sociais chamado Rafa (Carlos Casaravilla) insinua que sabe qualquer coisa. Ele não diz exactamente o que, nem porque, porque deixá-los a adivinhar faz parte da sua tática de poder, que só inflama o medo dos protagonistas de perder tudo.
A nível narrativo, "Morte de um Ciclista" está estruturado de uma forma descendente, em que vemos estes dois membros da classe superior lentamente a descerem aos infernos, com sentimentos como a culpa e o medo a começarem a consumi-los. Há aqui um certo tipo de suspense hitchcockiano, onde estamos constantemente no limite, esperando alguma grande revelação, que desafia os nossos preconceitos morais porque essencialmente nos encontra à espera que o casal adúltero seja acusado de fuga, e de homicídio. Nem Maria nem Juan estão de alguma forma inocentes, embora o atropelamento do ciclista foi, certamente, um acidente não intencional, mas a sua decisão de deixar o pobre homem a morrer na beira da estrada, a fim de protegerem-se é um pecado de proporções assustadoras , um acto verdadeiramente desumano que tentam justificar, mas nunca pode realmente resolver. A veia mais humanista no filme está centrada grande parte em Juan, que se sente pior com a situação, embora ele indiscutívelmente tenha menos a perder. Bardem usa a culpa como uma forma de explorar a classe dividida em Espanha.
Link
Imdb
Etiquetas:
filmes completos,
Juan António Bardem,
Lucia Bosé
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Os Evadidos (Gli Sbandati) 1955
Durante a Segunda Guerra, uma família nobre refugia-se dos bombardeios numa pequena cidade italiana. Andrea (Jean-Pierre Mocky), o
filho mais velho de uma condessa, apaixona-se por Lucia (Lucia Bosé), uma operária. O
amor faz com que ele ganhe consciência das agruras da guerra e a tente
proteger, mas quando o perigo se aproxima, os seus caminhos são
cruelmente divididos.
Francesco Maselli, um nome muito pouco conhecido do cinema italiano, mas com uma filmografia extensa, estreia-se na longa-metragem de ficção, depois de vários anos a fazer documentários. Maselli já tinha um passado ligado a Antonioni e à protagonista Lucia Bosé. Tinha sido um dos argumentistas de dois filmes anteriores de Antonioni que vimos neste ciclo, além de realizador assistente. E com apenas 25 anos conseguiu levar este seu primeiro filme a Veneza, tendo ganho o prémio de "Most Promising New Director".
"Gli Sbandati" foi lançando internacionalmente como "The Disbanded". Passado durante a Segunda Guerra Mundial, é um drama sobre a resistência italiana, com todos os personagens "clichés" a serem bem trabalhados. Lucia Bosé, ainda muito jovem, mas já com alguma experiência no mundo do cinema, recebeu excelentes críticas pelas sua interpretação. A maior parte do filme relaciona-se com o choque cultural entre os combatentes da resistência e os seus hóspedes rurais.
O elenco de secundários contava com dois actores que se destacariam no cinema de género, sobretudo a partir da década de sessenta: Marco Girotti (futuramente conhecido como Terence Hill), e Antonio De Teffè (viria a ser conhecido como Anthony Steffen).
Link
Imdb
Francesco Maselli, um nome muito pouco conhecido do cinema italiano, mas com uma filmografia extensa, estreia-se na longa-metragem de ficção, depois de vários anos a fazer documentários. Maselli já tinha um passado ligado a Antonioni e à protagonista Lucia Bosé. Tinha sido um dos argumentistas de dois filmes anteriores de Antonioni que vimos neste ciclo, além de realizador assistente. E com apenas 25 anos conseguiu levar este seu primeiro filme a Veneza, tendo ganho o prémio de "Most Promising New Director".
"Gli Sbandati" foi lançando internacionalmente como "The Disbanded". Passado durante a Segunda Guerra Mundial, é um drama sobre a resistência italiana, com todos os personagens "clichés" a serem bem trabalhados. Lucia Bosé, ainda muito jovem, mas já com alguma experiência no mundo do cinema, recebeu excelentes críticas pelas sua interpretação. A maior parte do filme relaciona-se com o choque cultural entre os combatentes da resistência e os seus hóspedes rurais.
O elenco de secundários contava com dois actores que se destacariam no cinema de género, sobretudo a partir da década de sessenta: Marco Girotti (futuramente conhecido como Terence Hill), e Antonio De Teffè (viria a ser conhecido como Anthony Steffen).
Link
Imdb
Etiquetas:
filmes completos,
Francesco Maselli,
Lucia Bosé
terça-feira, 17 de novembro de 2015
A Dama Sem Camélias (La Signora Senza Camelie) 1953
Clara Manni, vendedora de tecidos, é descoberta por Gianni, produtor de cinema, e parte para Roma para se tornar actriz. Gianni apaixona-se por ela e com a cumplicidade dos pais de Clara, casam-se. O filme que fazem vai ser um sucesso, mas Gianni, por ciúmes, proíbe-a de fazer mais cinema e quer fazer dela uma senhora. Mas Clara tem outras ideias...
Enquanto esta era a terceira longa metragem de Michelangelo Antonioni, marcava a segunda colaboração entre o realizador e Lucia Bosé, que já tinha protagonizado o primeiro filme do realizador. O filme anterior do realizador, "I Vinti", tinha marcado a estreia do realizador no festival de Veneza, e este filme, realizado pouco depois, tinha cenas gravadas no festival, que lhe dava um ar documental, a servir como pano de fundo. Conta-nos a história de uma estrela fictícia, traçando a sua ascensão meteórica, e a sua queda, e faz uma declaração muito realista sobre a indústria italiana da época, que produzia mais de 300 filmes anuais.
Mais uma vez, a mulher tem o papel mais forte, com os personagens masculinos a serem mais básicos, faltando-lhes algumas das qualidades que fazem de um personagem líder. Vemos como Gianni se torna um monstro, possessivo da sua mulher como um troféu. A sua idéia do casamento é de tê-la como dona de casa, dando-lhe o suficiente para ter uma vida confortável, o que para Clara é o mesmo que a prisão.
Não é dos filmes mais conhecidos de Antonioni, mas é uma das obras mais interessantes do mundo do cinema, visto ao espelho, pelo próprio cinema.
Link
Imdb
Enquanto esta era a terceira longa metragem de Michelangelo Antonioni, marcava a segunda colaboração entre o realizador e Lucia Bosé, que já tinha protagonizado o primeiro filme do realizador. O filme anterior do realizador, "I Vinti", tinha marcado a estreia do realizador no festival de Veneza, e este filme, realizado pouco depois, tinha cenas gravadas no festival, que lhe dava um ar documental, a servir como pano de fundo. Conta-nos a história de uma estrela fictícia, traçando a sua ascensão meteórica, e a sua queda, e faz uma declaração muito realista sobre a indústria italiana da época, que produzia mais de 300 filmes anuais.
Mais uma vez, a mulher tem o papel mais forte, com os personagens masculinos a serem mais básicos, faltando-lhes algumas das qualidades que fazem de um personagem líder. Vemos como Gianni se torna um monstro, possessivo da sua mulher como um troféu. A sua idéia do casamento é de tê-la como dona de casa, dando-lhe o suficiente para ter uma vida confortável, o que para Clara é o mesmo que a prisão.
Não é dos filmes mais conhecidos de Antonioni, mas é uma das obras mais interessantes do mundo do cinema, visto ao espelho, pelo próprio cinema.
Link
Imdb
Etiquetas:
filmes completos,
Lucia Bosé,
Michelangelo Antonioni
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
Escândalo de Amor (Cronaca di un Amore) 1950
Paola Fontana (lucia Bosé) é incrivelmente bonita, e casada com um homem muito mais velho e extremamente rico. Antes do casamento, alguns anos antes, ela teve um caso com Guido (Massimo Girotti) que estava envolvido com outra mulher na altura. Os dois deixaram-na caír para um poço de um elevador, e podiam-na ter salvo. Esta morte vai influenciar para sempre a relação dos dois, que se separaram, embora ainda se amem. E um estranho começa a investigar a história.
Em 1950, Michelangelo Antonoini tinha feito uma série de curtas documentários, e a sua longa-metragem de estreia mostrava o seu futuro estilo quase totalmente formado. De certa forma, antecipava a obra-prima "L'Avventura" (1960), mas também devia muito aos filmes de crime, e noirs, como "Ossessione" (1943), de Luchino Visconti.
Tal como em "L'Avventura", a suposta busca não importa tanto como o sentimento de isolamento, e desconexão com a realidade. Antonioni já tinha aprendido a colocar as suas figuras solitárias em paisagens desoladas, vazias e industriais, separá-las e fazê-las sentir sem vida. Mas "Cronaca di un Amore", foi feito antes do realizador se tornar conhecido nos anos sessenta, mas o filme já tem os seus momentos de paixão e suspense.
É um filme admirável pela sua brilhante mise-en-scène, pela sua câmara móvel inovadora que rodopia em torno dos personagens inquietos, com grandes desempenhos conseguidos por todo o seu elenco, apesar das grandes diferenças de experiência e para a abordagem "maverick" do realizador em se distanciar da estética pós-guerra dos filmes italianos da altura. Lucia Bosé tinha apenas 19 anos, e estreava-se no mundo do cinema nesse ano. Girotto já tinha uma carreira considerável, incluindo a protagonização de "Ossessione". Estão os dois brilhantes.
Link
Imdb
Em 1950, Michelangelo Antonoini tinha feito uma série de curtas documentários, e a sua longa-metragem de estreia mostrava o seu futuro estilo quase totalmente formado. De certa forma, antecipava a obra-prima "L'Avventura" (1960), mas também devia muito aos filmes de crime, e noirs, como "Ossessione" (1943), de Luchino Visconti.
Tal como em "L'Avventura", a suposta busca não importa tanto como o sentimento de isolamento, e desconexão com a realidade. Antonioni já tinha aprendido a colocar as suas figuras solitárias em paisagens desoladas, vazias e industriais, separá-las e fazê-las sentir sem vida. Mas "Cronaca di un Amore", foi feito antes do realizador se tornar conhecido nos anos sessenta, mas o filme já tem os seus momentos de paixão e suspense.
É um filme admirável pela sua brilhante mise-en-scène, pela sua câmara móvel inovadora que rodopia em torno dos personagens inquietos, com grandes desempenhos conseguidos por todo o seu elenco, apesar das grandes diferenças de experiência e para a abordagem "maverick" do realizador em se distanciar da estética pós-guerra dos filmes italianos da altura. Lucia Bosé tinha apenas 19 anos, e estreava-se no mundo do cinema nesse ano. Girotto já tinha uma carreira considerável, incluindo a protagonização de "Ossessione". Estão os dois brilhantes.
Link
Imdb
Etiquetas:
filmes completos,
Lucia Bosé,
Michelangelo Antonioni
domingo, 15 de novembro de 2015
Lucia Bosé
Em 1947, com apenas 16 anos, é consagrada como Miss Itália, e começou a interpretar depois de se tornar namorada de Eduardo Visconti, irmão de Luchino Visconti, que a levou para o cinema. Apresentada aos principais realizadores neo-realistas do seu país, estreava-se pelas mãos de Michelangelo Antonioni, em "Cronaca di un Amore", que por sinal também era a primeira longa metragem de ficção do realizador, tornando-se depois uma das actrizes preferidas de realizadores como Giuseppe Santis ou Luis Bunuel.
Em 1956 ela faz uma pausa do cinema, depois de se casar com o lendário toureiro espanhol Luis Miguel Dominguin, que tinha terminado uma relação com Ava Gardner, apresentado-a a personalidades como Pablo Picasso ou Ernest Hemingway. Entre os dois aconteceu uma paixão bastante caótica. Ela falava italiano, ele falava espanhol, não se entendiam, provocando bastantes brigas.
Apesar da infidelidade do seu marido, Lucia consegue cuidar dos seus filhos, e regressa ao cinema para pequenas participações em filmes como "Satyricon", de Fellini. Ao mesmo tempo relançava a sua carreira, participando, sobretudo, em obras mais obscuras, numa carreira que aos solavancos, foi mantendo até aos dias de hoje.
Para mim, ela ficou eternamente conhecida como a actriz de "Morte de un Ciclista", um dos meus filmes preferidos. Nas próximas duas semanas vamos fazer uma breve passagem pela sua carreira, e conhecer alguns dos seus filmes mais importantes:
- "Cronaca Di un Amore" (1950), de Michelangelo Antonioni
- "La Signora Senza Camelie" (1953), de Michelangelo Antonioni
- "Gli Sbandati" (1955), de Francesco Maselli
- "Muerte de un Ciclista" (1955), de Juan António Bardem
- "Cela S'appelle L'aurore" (1956), de Luis Buñuel
- "Nocturno 19" (1968), de Pere Portabella
- "Sotto il Segno Dello Scorpione" (1969), de Paolo e Vittorio Taviani
- "Arcana" (1972), de Giulio Questi
- "Nathalie Granger" (1972), de Marguerite Duras
- "Cronaca di una Morte Annunciata"(1987), de Francesco Rossi
Em 1956 ela faz uma pausa do cinema, depois de se casar com o lendário toureiro espanhol Luis Miguel Dominguin, que tinha terminado uma relação com Ava Gardner, apresentado-a a personalidades como Pablo Picasso ou Ernest Hemingway. Entre os dois aconteceu uma paixão bastante caótica. Ela falava italiano, ele falava espanhol, não se entendiam, provocando bastantes brigas.
Apesar da infidelidade do seu marido, Lucia consegue cuidar dos seus filhos, e regressa ao cinema para pequenas participações em filmes como "Satyricon", de Fellini. Ao mesmo tempo relançava a sua carreira, participando, sobretudo, em obras mais obscuras, numa carreira que aos solavancos, foi mantendo até aos dias de hoje.
Para mim, ela ficou eternamente conhecida como a actriz de "Morte de un Ciclista", um dos meus filmes preferidos. Nas próximas duas semanas vamos fazer uma breve passagem pela sua carreira, e conhecer alguns dos seus filmes mais importantes:
- "Cronaca Di un Amore" (1950), de Michelangelo Antonioni
- "La Signora Senza Camelie" (1953), de Michelangelo Antonioni
- "Gli Sbandati" (1955), de Francesco Maselli
- "Muerte de un Ciclista" (1955), de Juan António Bardem
- "Cela S'appelle L'aurore" (1956), de Luis Buñuel
- "Nocturno 19" (1968), de Pere Portabella
- "Sotto il Segno Dello Scorpione" (1969), de Paolo e Vittorio Taviani
- "Arcana" (1972), de Giulio Questi
- "Nathalie Granger" (1972), de Marguerite Duras
- "Cronaca di una Morte Annunciata"(1987), de Francesco Rossi
Etiquetas:
Lucia Bosé
Subscrever:
Mensagens (Atom)








