Uma pequena cidade de New England é assolada por uma série de assassinatos cujas vitimas apresentam alguma deficiência física, e tudo indica que uma criada surda-muda (Dorothy McGuire) seja a próxima vitima do assassino.
Robert Siodmak, acabado de saír do seu trabalho na Universal, infunde no filme a elegância sinistra do Expressionismo Alemão. A sua câmara desliza pela casa dos Warren, provocando-nos vislumbres de vistas através de espelhos e corrimões, como se fossemos um observador invisível. O frame mais icónico do filme é, sem dúvida, o seu grande plano do olho do assassino e o seu reflexo na escadaria que dá nome ao filme.
Adaptado do romance "Some Must Watch" de Ethel Lina White, é uma das joias da coroa da tradição das "old dark house". Além de Dorothy McGuire conta com um elenco interessante, com George Brent, Ethel Barrymore, Rhonda Fleming, e Elsa Lanchester.
Jacques Tourneur facilmente circula da série B para a série A, como está explícito neste "Experiment Perilous". O argumentista Warren Duff localiza este elegante melodrama de mistério no romance de Margaret Carpenter de 1943, mas aparentemente é mais inspirado nos thrillers psicológicos como Gaslight, Laura e Rebecca.
Uma mistura de emoções, psicologia e patologia. Em 1903, o doutor Huntington Bailey (George Brent) encontra uma senhora idosa e amigável no comboio. Ela diz-lhe que vai visitar o irmão (Paul Lukas) e a sua linda e jovem esposa (Hedy Lamarr). Em Nova York, Huntington ouve dizer que a sua companheira do comboio morreu repentinamente. Conhece o casal Lamarr-Lukas, e fica desconfiado do tratamento de Lukas para com a esposa, e sua tentativa de fazê-la passar por louca. Uma confusão nos sacos revela o diário da senhora falecida, que confirma as dúvidas de Brent. Ele tenta salvar Lamarr, por quem agora está apaixonado.
Lançado no mesmo ano que "Gaslight" de George Cukor (1944), este melodrama da era vitoriana realizado por Jacques Tourneur está igualmente preocupado com as ramificações mortais da desconfiança conjugal e a manipulação psicológica. A sua sequência de abertura, a ter lugar num comboio, é uma reminiscência de "The Lady Vanishes" (1938), de Hitchcock, como George Brent a encontrar e fazer amizade com uma misteriosa mulher mais velha (Olive Blakeney), que lhe oferece a sua "marca especial de chá". Blakeney está excelente na sua breve aparição, mas o seu personagem é morto, a fim de pôr em movimento a cadeia de eventos que acabará por levar a paixão de Brent com a linda cunhada de Blakeney, uma mulher igualmente misteriosa.
Foi nomeado para um Óscar, de "Best Art Direction-Interior Decoration, Black-and-White".
Mike Ward (John McGuire) é um repórter que testemunha os momentos finais de um assassinato e decide testemunhar contra o homem que ele acredita ser o assassino. Logo depois depara-se com um estranho e sinistro (Peter Lorre) a rondar o seu prédio, e começa a questionar: será que de certeza que o homem que ele indicou era realmente o assassino? De seguida, um segundo homem aparece morto. Mike está agora convencido que ajudou na condenação do homem errado.
Muitos historiadores do film Noir fazem remontar as suas origens à era do cinema mudo, e ao seu florescimento durante a guerra, mas a maioria concorda que o primeiro verdadeiro "film noir" americano surgiu na modesta produção de um ambicioso thriller de baixo orçamento, de 1940. Antes do mundo implacável dos detetives privados suspeitos, das mulheres triçoeiras, e da selva urbana noturna onde acordos e traições eram orquestrados com consequências normalmente fatais, havia este "Não Matei",um thriller que apesar das suas limitações orçamentais leva o espectador numa espiral de paranoia justificada.
Realizado por Boris Ingster, um realizador da Letónia que se estreia atrás das camaras e que ao mesmo tempo era um dos primeiros expatriados da Europa causado pelo inicio da Segunda Guerra Mundial. O antagonista é Peter Lorre, que já tínhamos visto muito bem como assassino em "M" de Fritz Lang, e que aqui também fazia uma das suas primeiras participações no cinema americano.
Este post já tem uns anitos. Cinco, para falar a verdade, mas hoje resolvi passa-lo para o topo porque muitos dos novos visitantes do blog talvez não o conheçam, e convém ser visitado de vez em quando para que os links não se percam. Disfrutem à vontade.
The Maltese Falcon (1941, John Huston) - ImdbLink
Double Indemnity (1944, Billy Wilder) - ImdbLink
The Big Sleep (1946, Howard Hawks) - ImdbLink
Sunset Boulevard (1950, Billy Wilder) - ImdbLink
The Third Man (1949, Carol Reed) - ImdbLink
M (1931, Fritz Lang) - ImdbLink
Notorious (1946, Alfred Hitchcock) - ImdbLink
Touch of Evil (1948, Orson Welles) - ImdbLink
Cris Cross (1949, Robert Siodmak) - ImdbLink
Strangers on a Train (1951, Alfred Hitchcock) - ImdbLink
Out of the Past (1947, Jacques Tourneur) - ImdbLink
The Big Combo (1955, Joseph H. Lewis) - ImdbLink
The Night of the Hunter (1955, Charles Laughton) - ImdbLink
The Killing (1956, Stanley Kubrick) - ImdbLink
Key Largo (1948, John Huston) - ImdbLink
The Killers (1946, Robert Siodmak) - ImdbLink
I Am a Fugitive From a Chain Gang (1932, Mervyn Le Roy) - ImdbLinkLegenda
Ace in the Hole (1951, Billy Wilder) - ImdbLink
Laura (1944, Otto Preminger) - ImdbLink
White Heat (1949, Raoul Walsh) - ImdbLink
The Lost Weekend (1945, Billy Wilder) - ImdbLink
Angels With Dirty Faces (1938, Michael Curtiz) - ImdbLink
Du Rififi Chez Les Hommes (1955, Jules Dassin) - ImdbLink
Sweet Smell of Success (Alexander Mackendrick) - ImdbLink
The Blue Dahlia (1946, George Marshall) - ImdbLink
Night and the City (1950, Jules Dassin) - ImdbLink
The Set-Up (1949, Robert Wise) - ImdbLinkLegenda
Scarface (1932, Howard Hawks) - ImdbLink
Shadow of a Doubt (1933, Alfred Hitchcock) - ImdbLink
The Big Heat (1953, Fritz Lang) - ImdbLink
The Asphalt Jungle (1950, John Huston) - ImdbLink
Nightmare Alley (1947, Edmund Goulding) ImdbLinkLegenda
Body and Soul (1947, Robert Rossen) - ImdbLink
In a Lonely Place (1950, Nicholas Ray) - ImdbLink
The Lady From Shangai (1947, Orson Welles) - ImdbLink
Ossessione (1943, Luchino Visconti) - ImdbLink
The Woman In the Window (1944, Fritz Lang) - ImdbLink
Pickup on South Street (1953, Samuel Fuller) - ImdbLink
Scarlet Street (1945, Fritz Lang) - ImdbLink
Kiss of Death (1947, Henry Hathaway) - ImdbLink
Gun Crazy (1950, Joseph H. Lewis) - ImdbLinkLegendas
Mildred Pierce (1945, Michael Curtiz) - ImdbLink
Where the Sidewalk Ends (1950, Otto Preminger) - ImdbLink
The Naked City (1948, Jules Dassin) - ImdbLink
Gilda (1946, Charles Vidor) - ImdbLink
Murder, My Sweet (1944, Edward Dmytryk) - ImdbLink
Kiss Me Deadly (1955, Robert Aldrich) - ImdbLink
Sudden Fear (1952, David Miller) - ImdbLink
This Gun for Hire (1942, Frank Tuttle) - ImdbLink
Dark Passage (1947, Delmer Daves) - ImdbLink
The Postman Always Rings Twice (1946, Tay Garnett) - ImdbLink
Fury (1936, Fritz Lang) - ImdbLink
Leave Her to Heaven (1945, John M. Stahl) - ImdbLink
D.O.A. (1950, Rudolph Mathé) - ImdbLink
Kansas City Confidential (1952, Phil Karlson) ImdbLink
Force of Evil (1948, Abraham Polonsky) ImdbLink
Crossfire (1947, Edward Dmytryk) - ImdbLink
The Strange Love of Martha Ivers (1946, Lewis Milestone) - ImdbLink
House of Strangers (1949, Joseph L. Mankiewicz) - ImdbLink
The Wrong Man (1956, Alfred Hitchcock) - ImdbLink
Odds Against Tomorrow (1959, Robert Wise) - ImdbLink
Raw Deal (1948, Anthony Mann) - ImdbLinkLegendas
Act of Violence (1948, Fred Zinnemann) - ImdbLink
The Stranger (1946, Orson Welles) - ImdbLink
You Only Live Once (1937, Fritz Lang) - ImdbLink
Angel Face (1952, Otto Preminger) - ImdbLink
Pitfall (1948, André de Toth) - ImdbLink
Detour (1945, Edgar G. Ulmer) - ImdbLink
On Dangerous Ground (1951, Nicholas Ray) ImdbLink
Panic in the Streets (1950, Elia Kazan) - ImdbLink
Human Desire (1954, Fritz Lang) - ImdbLink
Fallen Angel (1945, Otto Preminger) - ImdbLink
Cry of the City (1948, Robert Siodmak) - ImdbLink
Dead Reckoning (1947, John Cromwell) - ImdbLink
T-Men (1947, Anthony Mann) - ImdbLink
Party Girl (1958, Nicholas Ray) - ImdbLink
Clash By Night (1952, Fritz Lang) - ImdbLink
Mystery Street (1950, John Sturges) - ImdbLink
Niagara (1953, Henry Hathaway) - ImdbLink
While the City Sleeps (1956, Fritz Lang) - ImdbLink
Beyond a Resonable Doubt (1956, Fritz Lang) ImdbLink
The Big Steal (1949, Don Siegel) - ImdbLink
Black Angel (1946, Roy William Neill) - ImdbLink
Born to Kill (1947, Robert Wise) - ImdbLink
Brute Force (1947, Jules Dassin) - ImdbLink
Call Northside 777 (1948, Henry Hathaway) - ImdbLink
Caugh (1949, Max Ophüls) - ImdbLink Cry Danger (1951, Robert Parish) - ImdbLink Follow Me Quietly (1949, Richard Fleischer) - ImdbLink Journey Into Fear (1943, Norman Foster) - ImdbLink Lady in the Lake (1947, Robert Montgomery) - ImdbLink My Name is Julia Ross (1945, Joseph H. Lewis) - ImdbLink Nightfall (1957, Jacques Tourneur) - ImdbLink Pushover (1954, Richard Quine) - ImdbLink The Shanghai Gesture (1941, Josef Von Sternberg) - ImdbLink Side Street (1949, Anthony Mann) - ImdbLink Stranger on the Third Floor (1940, Boris Ingster) - ImdbLink The Dark Corner (1946, Henry Hathaway) - ImdbLink The Hitch-Hiker (1953, Ida Lupino) - ImdbLink The Mob (1951, Robert Parish) - ImdbLink The Seventh Victim (1943, Mark Robson) - ImdbLink They Live by Night (1946, Nicholas Ray) - ImdbLink Thieves Highway (1949, Jules Dassin) - ImdbLink Whirpool (1949, Otto Preminger) - ImdbLink
Boomerang (1947, Elia Kazan) - ImdbLink Detective Story (1951, William Wyler) - ImdbLink House of Bamboo (1955, Samuel Fuller) - ImdbLink House by the River (1950, Fritz Lang) - ImdbLink Killer's Kiss (1955, Stanley Kubrick) - ImdbLink Kiss Tomorrow Goodbye (1950, Gordon Douglas) - ImdbLink Railroaded (1947, Anthony Mann) - ImdbLink Secret Beyond the Door... (1948, Fritz Lang) - ImdbLink Shock (1946, Alfred L. Werker) - ImdbLink Suddenly (1954, Lewis Allen) - ImdbLink The Big Clock (1948, John Farrow) - ImdbLink The Blue Gardenia (1953, Fritz Lang) - ImdbLink The Desperate Hours (1955, William Wyler) - ImdbLink The Glass Key (1942, Staurt Heisler) - ImdbLink The Letter (1940, William Wyler) - ImdbLink The Reckless Moment (1949, Max Ophüls) - ImdbLink The Spiral Staircase (1945, Robert Siodmak) - ImdbLink The Unsuspected (1945, Michael Curtiz) - ImdbLink The House on 92nd Street (1945, Henry Hathaway) - ImdbLink The Racket (1951, John Cromwell) - ImdbLink
Logo depois de deixar o exército, Bart Tare (John Dall) vai com um amigo até uma festa. Lá ele conhece a mulher perfeita: Annie Laurie Starr (Peggy Cummins). Linda, destemida e exímia atiradora, a jovem é tão apaixonada por armas como ele e o casamento não tarda a acontecer. A parceria amorosa transforma-se também numa criminosa e os dois iniciam uma série de assaltos, chamando a atenção da polícia.
Se tivéssemos de escolher um único filme para justificar todo o entusiasmo pelo film noir e o seu fascínio natural, poucos poderiam competir com "Gun Crazy". O mesmo vale para celebrar o potencial dos filmes de série B a alcançarem um toque de classe A, e inteligência artística que era fundamental. O filme explode descaradamente numa energia sexual quase animal que o torna único, mesmo num imaginário de filmes conhecido pela psicologia perversa. E alcança os seus objectivos com um orçamento muito limitado, através de duas estratégias que deviam chocar em vez de se revigorarem: a ousada estilização expressionista, com cenários minimalistas, e a adopção de movimentos de câmara que nos transportam para o mundo real, uma abordagem que se aproxima do realismo documental.
A realização de "Gun Crazy" estava a cargo de Joseph h. Lewis, que tinha saltado do banco de montagem para a frente das câmaras, em westerns de série B, veículos para Bela Lugosi, e alguns noirs notáveis como eram o caso de "My Name is Julia Ross", e "The Big Combo".
Depois de ter a sua casa de apostas fechada pela polícia, Danny Haley (Charlton Heston) e os seus amigos Augie (Jack Webb), Soldier (Harry Morgan) e Barney (Ed Begley) ficam sem dinheiro. Os quatro fazem um jogo de póquer com Arthur Winant (Don DeFore) e ganham-lhe todo o seu dinheiro, inclusive um cheque de 5 mil dólares que não pertencia a Arthur, que, desesperado, se suicida. Depois desta tragédia, os quatro amigos achavam que estavam com todos os seus problemas resolvidos mas não fazem idéia que Sidney, o irmão de Arthur cujo rosto ninguém conhece, é um psicopata que, para vingar a morte do irmão, começa a matar todos os envolvidos no jogo.
Charlton Heston faz a sua estreia oficial como actor principal de um filme de Hollywood, que apesar de ser uma obra pouco ambiciosa, destaca-se pelo excelente elenco: Lizabeth Scott, Viveca Lindfors, Dean Jagger, Ed Begley, entre outros. Heston não tem ainda muita dimensão para além da sua arrogância e distancia emocional, mas a sua presença sólida ajuda a levar o filme a bom porto. Dean Jagger é o policia inteligente e silenciosamente eficaz que dá uma boa réplica ao actor principal. É o mais interessante de um trio de dramas de crime que a Paramont realizou no inicio da década de 50. Os outros dois são "Union Station" (1950), de Rudolph Mate, com William Holden e Barry Fitzgerald, e também "Appointment With Danger", (1951) de Lewis Allen, com Alan Ladd no papel de um inspector no rasto de criminosos violentos, entre os quais Harry Morgan e Jack Webb, uma vez mais do lado errado da lei.
A posição de "Dark City", realizado por William Dieterle, no território do film noir, é geralmente vista como um bom exemplo, apesar de um argumento medíocre. Os argumentistas John Meredyth Lucas e Larry Marcus estendem as coisas um pouco longe demais, e durante demasiado tempo, mas ainda assim há uma quantidade razoável de bons momentos para saborear.
Dixon Steele (Humphrey Bogart) vê-se envolvido num crime do qual é o
principal suspeito, mas a sua amável vizinha Laurel Gray (Gloria Grahame) proporciona-lhe um álibi. A amizade deles rapidamente se transforma em
amor. Mas será que a desconfiança, as dúvidas e os demónios internos de
Steele vão atrapalhar esta relação?
Normalmente considerado um dos melhores filmes de Nicholas Ray, "In a Lonely Place" (1950) apresenta aquela que é provavelmente a melhor interpretação de Gloria Grahame (casada com Ray na altura), e mostra-nos um lado de Bogart que raramente foi explorado na tela - um homem no ponto de ruptura, incapaz de conter por muito mais tempo a raiva reprimida de toda uma vida. De acordo com Goeff Andrew, autor do livro "The Films of Nicholas Ray", "In a Lonely Place" é tanto um produto dos anos em que foi feito (a paranóia, desconfiança e traição que retratavam a Hollywood no tempo da "caça ás bruxas"), e um característico estudo de Ray sobre a destruição de um romance idealista entre estranhos solitários, pelas duras realidades do mundo à volta deles. Infelizmente Ray e Grahame estavam no meio do processo de separação, mas mativeram os seus problemas fora do local de trabalho com medo que o estúdio pudesse substituir Ray. Como resultado, é bem possível que a relação dos dois personagens principais fosse o espelho da relação entre Ray e Grahame.
Produzido pela Santana, a própria companhia de Bogart, era baseado no livro de Dorothy B. Hughes, que contava a história de um serial killer do ponto de vista do assassino. Mas, em 1949, os censores americanos nunca consentiriam uma versão cinematográfica do livro de Hughes sem uma grande revisão. Então, o argumentista Andrew Solt preparou a história para Hollywood, deu a Dixon o trabalho de argumentista, e evitou a representação de quaisquer assassinatos na tela, com uma excepção. Ainda assim, Ray fez mais alterações ao argumento, renovando o final.
Ray disse que o filme era muito pessoal para si. O local das filmagens fora o sitio onde começara a viver em Hollywood. Era também o seu segundo filme com Bogart. As criticas foram muito boas, apesar de não ter sido um sucesso de bilheteira. Era uma desmitificação radical do clássico herói de Bogart, um dos exemplos mais brilhantes de uma reavaliação critica de um actor, e da sua personagem na tela, sendo também um dos principais papéis de Bogart.
Andrew Morton (Humphrey Bogart) é um advogado saído das favelas. Nick Romano (John Derek) é o seu cliente, um homem com uma grande série de crimes atrás dele. Nick é acusado de assassinar um polícia. Apesar do advogado não acreditar nele, decide ajudá-lo porque não defendeu adequadamente o pai de Nick no passado, quando este foi acusado de um crime que não cometeu, acabando por morrer na cadeia. Salvar Nick é uma questão de honra.
"Knock on Any Door" é baseado num best seller de 1947 com o mesmo nome, escrito por Willard Motley. Motley, tal como o colega africo-americano Richard Wright era um produto do projecto de escritores financiados pelo governo federal de Chicago. Perseguido na altura da caça às bruxas, Motley fugiu para o México onde viveu até à sua morte em 1965. Os livros de Motley eram notáveis pela sua crítica social mordaz e os seus temas profundamente francos. A trama desenrolada em várias camadas apresenta uma série de motivos, incluindo a bissexualidade de Romano, e a representação do sadismo da polícia, que tiveram de ser atenuandos ou removidos do argumento final, para satisfazer os códigos de produção.
Foi a primeira produção da Santana Pictures, uma companhia independente formada por Bogart, o seu agente A. Morgan Maree, e o produtor Robert Lord. Bogart escolheu o nome acidentalmente, por causa do nome do seu barco. Nicholas Ray, um realizador ainda muito jovem, foi emprestado pela RKO graças ao seu filme de estreia, "They Live By Night" (1949), com realizador e actor, Bogart e Ray a voltarem a encontrar-se no ano seguinte, para o enorme "In a Lonely Place" (1950), que garantiu a Bogart uma das suas interpretações mais complexas.
Em parte o filme também era um veículo para o jovem protagonista John Derek, uma das maiores promessas da Hollywood de então. Aparecia sobretudo em filmes de aventuras, mas este depressa se tornaria num fotógrafo profissional e tentaria a sua sorte atrás das câmaras. No entanto acabaria por ficar mais conhecido como empresário e marido de uma sucessão de símbolos sexuais femininos: Ursula Andress, Linda Evans e Bo Derek.
Um criminoso refugiado tenta voltar clandestinamente para a França, acompanhado da família e do seu parceiro. Nesse percurso as coisas saem para fora de controle e ele vê que os seus amigos não são tão amigos como pensava, tendo de contar apenas com a lealdade de um estranho.
Baseado num romance de José Giovanni, escrito pouco tempo depois do autor saír da cadeia, "Classe tous risques" tem um início dinâmico, com a fuga de Davos (Lino Ventura) de Milão com uma terrífica sequência de acção, utilizando vários meios de transporte para culminar no desembarque na costa francesa na calada da noite. Mas quando o pior acontece, Davos descobre que se deve voltar para os seus antigos parceiros no crime. Os seus "amigos" de Paris agora vivem uma vida bastante respeitável, seguros apenas porque ele ficou com as culpas, que terminaram no seu exílio. Mas agora, anos depois, eles estão com reservas em pagar as suas dívidas, e em vez de o fazerem pessoalmente, mandam um homem de confiança (interpretado por um terrífico Jean-Paul Belmondo), para pegar Davos no sul de França, e trazê-lo de volta a Paris.
"Classe Tous Risques" é um filme tenso, um original filme de gangsters contado com simplicidade e um franqueza convincente, exposto com um toque de neorelismo. Mas também há questões mais profundas em jogo, com Sautet a explorar os conflitos entre lealdade e família, e o código de honra entre os ladrões. O resultado é um tour de force, completado por uma banda sonora de Georges Delerue, e uma bela fotografia de Ghislain Cloquet.
Sendo um dos primeiros filmes do francês Claude Sautet, que se tornaria num realizador respeitado, acabaria por despercebido, eclipsado pelo outro filme de Belmondo que estreava no mesmo ano "À Bout de Souffle". O facto da Nouvelle Vague estar a florescer neste momento também não ajudou muito, nem este nem outros noirs ou policiers que se faziam na altura. Ainda assim é um filme que vale a pena recordar.
Dominique Marceau (Brigitte Bardot) vai a tribunal por causa do assassinato do seu amante Gilbert Tellier (Sami Frey). À medida que o julgamento se vai desenrolando vamos ficando a conhecer os eventos do passado que levaram à actual situação. Ficamos a conhecer a sua vida com os pais e a irmã Annie, que era noiva de Gilbert. Dominique seduz Gilbert para se divertir, como uma mulher livre, e sem trabalho, envolvendo-se com vários homens. Depois vemos a sua tentativa de se suicidar depois de Gilbert a deixar, e voltar para Annie. O seu advogado é capaz de tudo para tentar salvá-la, mas mas regras da sociedade estão contra ela, e nem a inocência parece ser suficiente para a salvar.
Com "La Vérité" Clouzot fez o seu ataque mais virulento a uma sociedade que estava a ser prejudicada com a falsa moralidade da burguesia, e incapaz de se adaptar aos novos tempos. Já com um anterior filme anti-burguesia, "Le Corbeau" (1943), Clouzot tinha sido censurado no Vaticano, mas toda a hostilidade aberta contra si durante anos não foi suficiente para saciar o seu ódio e o seu desprezo contra esta classe social. Em "La Vérité", um dos mais perfeitos e absorventes filmes de Henri-Georges Clouzot, não é o crime que está a julgamento mas toda uma geração, que são julgados pelos mais velhos por serem egoístas, preguiçosos e imorais. A verdade sobre a culpa ou a inocência é irrelevante. No fim sabemos que a teimosia e um coração de pedra vão decidir o veredicto.
A estrutura do filme, um drama de tribunal em que os eventos do passado são contados em flashback, enfatizando o conflito entre duas gerações que parecem nada ter em comum. Os que vemos no tribunal são manifestadamente mais tradicionalistas, de direita, os que vemos nos flashbacks são os jovens da actualidade, que vivem para o momento, e não têm intenção nenhuma de deixar os valores da classe média antiquada estragar a sua felicidade. São dois mundos completamente diferentes, divididos por diferentes valores morais, e Clouzot dá-nos um vislumbre do que irá acontecer no decorrer da década de 60, e que irá culminar nos acontecimentos de Maio de 68.
Por esta altura Brigitte Bardot era mais conhecida por aparecer em comédias leves, e ela seria uma das últimas pessoas esperadas num filme de Clouzot, mas foram poucos os realizadores que foram capazes de tirar proveito da actriz, porque todos queriam aproveitar o seu sexy appeal, mas Clouzot esteve muito bem, sendo dos melhores que soube trabalhar a actriz.
Este filme foi nomeado para o Óscar de Melhor Filme em língua estrangeira, e ganhou um Globo de Ouro na mesma categoria.
Uma adaptação da clássica obra de Abbe Prevost, chamada "Manon Lescaut", transportada para o pós guerra Francês da segunda guerra mundial, na qual um ex-activista da resistência francesa resgata Manon dos camponeses por a quererem linchar por colaborar com os Nazis. Os dois mudam-se para Paris, mas a sua relação fica tensa depois de se envolverem em especulações, prostituição e assassinatos.
Talvez a coisa que melhor caracteriza o cinema de Henri-Georges Clouzot seja uma preocupação mórbida com a susceptibilidade da natureza humana. Isto é mais aparente nos primeiros filmes de Clouzot, "L'Assassin Habite au 21" (1942), e "Le Corbeau" (1943), onde é mais subtilmente sentido que nos filmes do pós- Segunda Guerra Mundial. A infâmia e a injustiça de ser expulso depois de fazer filmes como "Le Corbeau", foi considerada imoral e ofensiva para o realizador, influenciando a sua escolha do assunto e do estilo nos filmes posteriores. E isso não podia ter sido mais flagrante do que aqui, na adaptação da história de Manon Lescaut, inspirada no livro de Prevost. Sem grande esforço transportado para os anos que se seguiram à Libertação da França, "Manon" não só é uma poderosa história de amor, como também era um dos mais fortes e chocantes indicadores de como era a vida depois da Segunda grande guerra, depois da ocupação Nazi. Enquanto que a maioria dos realizadores daquele período tentavam apenas entreter, com melodramas escapistas ou comédias ligeiras, Clouzot era o único a remar contra a maré, tentando abrir os olhos às pessoas para a decadência que estava lentamente a cair sobre o país. A França que era retratada em "Manon" não era a França prometida pelo General de Gaule, uma terra orgulhosa renascida das cinzas, mas sim uma França suja, habitada por novos ricos que se tinham enchido de dinheiro graças ao mercado negro e à exploração do negócio da prostituição. O filme provocou assim grande controvérsia, tanto por causa da sexualidade evidente como por mostrar o que era realmente o país nos dias correntes, com conseguiu grande aclamação internacional, tendo ganho o Leão de Ouro no Festival de Veneza. Hoje em dia é menos conhecido do que outros grandes filmes de Clouzot, mas merece ser considerado uma das suas melhores obras, não só pela sua representação muito real do que era a França da altura, mas também pela sua humanidade, inteligência e brilhantismo artístico.
Final da Segunda Guerra Mundial, no ano de 1945, um médico francês é raptado por um grupo de Nazis, e levado para bordo de um submarino. Os alemães pretendem fugir da captura dos Aliados, traçando uma rota para a América do Sul. O médico encontra-se na companhia de vários fugitivos desagradáveis, incluindo um chefe da Gestapo, um general alemão, um industrial italiano, e um jornalista francês que colaborou com os Nazis. Quando notícias do armistício são recebidas dá-se um motim a bordo do submarino...
Há uma certa perca de pungência em "Les Maudits", filme de René Clément, conhecido nos Estados Unidos como "The Damned". Este filme sobre um grupo de Nazis e relutantes passageiros franceses a fugirem num submarino, foi filmado apenas dois anos após o final da guerra.
Esta pungência não pode ser transmitida para as audiências modernas, cujas ideias do pós-guerra em França giram em torno de uma guerra completamente diferente, e de um país completamente novo. Isto foi imediatamente notado assim que o imediatismo da influência Nazi e controlo sobre a França foram perdidos sobre Clément e o seu argumentista Jacques Rémy, portanto nenhum cenário era demonstrativo dos eventos que estavam por vir. Clément e Rémy confiavam nas recordações da sua audiência de um passado recente.
Este filme, a preto e branco, estava bem longe de ser apenas o preto e o branco, e enquanto os Nazis são obviamente os vilões, esta estranha combinação de "filme de submarino" com "film noir", desprende-se dos padrões normais de herói e vilão e explora cada personagem (quase à vez) como uma personagem completa. O ostensivo personagem principal de Henri Vidal narra o filme (com moderação) e providencia o fundo de cada personagem assim como o seu próprio estado de inconsciência nesta viagem para a América do Sul. Personagens como a Ingrid Ericksen de Anne Campion, a gentil filha de um oficial Nazi, como oposição à crença do pai, e o Willy Morus de Michel Auclair, um jovem soldado que preferia não o ser, turvam as águas entre o campo do bem e do mal.
Ganhou um prémio no festival de Cannes de 1947, o "Prix du meilleur film d'aventures et policier". O festival estava então na sua terceira edição.
Humphrey Bogart interpreta no papel de
Eddie Willis, um antigo comentador desportivo que junta forças com um
corrupto promotor de boxe chamado Benko (Rod Steiger).Juntos,
preparam um plano para enganar Toro Moreno (Mike Lane), um boxeur
gigante pobre de espírito com mais de dois metros de altura. Através de
uma série de combates forjados preparados cuidadosamente, Toro é levado a
acreditar que é um sério candidato ao título...
Este seria último filme de Bogart, onde ele tem um desempenho contundente e fantástico no papel de um jornalista desportivo. Adaptado de um romance de Budd Schulberg com um argumento clínico de Philip Yordan e realizado por Mark Robson, era uma mistura corajosa entre melodrama e thriller. O filme é baseado na carreira do boxeur Primo Carnera, um gigante italiano que se tornou campeão de pesos pesados em 1933-34. O verdadeiro Carnera processou a Columbia Pictures pelas supostas combinações de resultados retratadas no filme, mas acabou por perder em tribunal. "The Harder They Fall" serve como uma exposição do controle da Máfia sobre o mundo do boxe.
Filme bastante corajoso e potente para a época, o realizador Mark Robson entrega-nos algumas sequências brutais de combate, e até certo ponto mostra-nos um "documentário" realista sobre um lutador cujo corpo já foi tão torturado que já nem está em condições de começar um trabalho real.
Conseguiu uma nomeação ao Óscar de melhor fotografia (Burnett Guffey), e fez parte da selecção oficial para Cannes, em 1956. Estreado em Abril de 1956, Bogart viria a falecer no ínicio do ano seguinte, com 57 anos.
Em São Francisco, dois polícias estão de serviço quando um taxista, com a ajuda de um cúmplice, consegue roubar uma mala de um coleccionador de antiguidades. O taxista atropela um policia, mas é abatido a tiro. Os policias descobrem que dentro da mala há uma estátua contendo heroína. Entretanto, um gangster psicopata e o seu mentor, têm o trabalho de recolher outras malas com heroína. Tudo corre bem, até que eles tentam recuperar a heroína de uma boneca japonesa.
O "filme de detectives" foi um movimento que apareceu a partir do "film noir", e o veio substituir com alguns anos de popularidade. Foi também um sucesso no cinema, como foi na televisão, e houve alguns cruzamentos entre estes dois média, com alguns filmes a tornarem-se séries, e vice-versa, e neste caso em particular, foi elaborado a partir de uma série com o mesmo nome. No entanto, enquanto séries como Dragnet nunca conseguiram fazer grande sucesso na grande tela, "The Lineup" acabou por se tornar num filme de culto, cuja reputação durou muito para lá do término da série na TV.
Muitas pessoas não sabiam que existia uma série de TV antes deste filme, e que apenas uma das suas estrelas migrou da série para o cinema, mas existe uma tensão clara entre a obstinada determinação da polícia e os vilões, que são muito violentos, e mais centrais do que a própria polícia, nesta história. O filme divide-se em duas partes, com os detectives a seguirem o que parecer ser uma operação de contrabando de heroína, e os criminosos que estão também a ser perseguidos por outros vilões.
Os criminosos são interpretados por uma dupla bastante estranha: Eli Wallach (num dos seus raros filmes como protagonista), e Robert Keith. Don Siegel dirige a acção com mão segura, e um argumento de Stirling Silliphant muito bem trabalhado.
Fuller sempre foi considerado comouma grande contradição, umaquintessênciado cineasta americano-duro,impetuoso,melodramático, no entanto tinha umasensibilidade artística, quefizera deleser muito amadona Europa,especialmente em França, onde viveue trabalhou duranteos últimos 15 anosda sua vida.Os seus filmesraramente eramleves, mas sempre forammais inteligentes do queseria de esperar,e elepermanece até hoje comoum dos cineastasmaistalentosos visualmentea trabalharcom umacâmera.ComoAlfredHitchcock,MartinScorseseeStanleyKubrick, ele tinha um sentido inato deonde colocaracâmera ecomo movê-lapara obter o efeito máximo.
Sem o talento e ocompromisso deFuller,Pickup onSouth Streetprovavelmente teria sidoapenas mais ummedíocrefilmenoir. Obcecado comas experiências vividasnosdegraus mais baixos daescada social, Fullertransformou ofilmenum documentosocialintrigante, bem como num thrillerdecentralizaçãoem torno de umtriode personagens um pouco antipáticas: um carteirista, uma prostituta e umdelatorprofissional.Apesar docomportamento anti-social,era exatamenteo tipo de coisaque oCódigo de Produçãoqueriabanirou pelo menospunir, eles emergemde uma cuidadosa estruturadamise-en-scène, com personagenstotalmente humanasque ganhama nossa simpatiae a nossaidentificação.
RichardWidmark, jáestigmatizadocomo um actordecadente, interpretaSkipMcCoy,um carteiristaprofissional, que jáé um perdedor por natureza, várias vezes preso, e portanto, com potencialpara passar o resto da vidana prisãose for preso mais uma vez.Isso não o impediu, no entanto, de roubara carteiradeCandy (Jean Peters), uma jovem no metro.Acontece queSkiproubou maisdo que esperava, porque Candy trabalhava comomensageirapara o seu ex-namorado, um bandidochamadoJoey (RichardKiley), que anda a vendersegredos paraum grupo de espiõescomunistas.A carteirade Candycontém um microfilmedo governo coma fórmula deum produto químicosecreto, e uma vezroubada, é alvo deambos os lados daGuerra Fria: oFBIeos "reds". A
existência de um ângulo comunista em Pickup on South Street tem pouco a
ver com o patriotismo sentido por Fuller (quando o carteirista
anti-herói diz “Don’t wave a flag at me,”, quase o podemos
ouvir dos próprios lábios de Fuller). Pelo
contrário, a sua inclusão resulta principalmente do facto de que ele foi feito bem no meio de um ciclo de filmes anti-comunistas de
Hollywood. Era difícil fazer um thriller naquela altura sem incluir estalinistas debaixo da cama de alguém. A insignificância dos comunistas no filme é ressaltada
porque Fuller foi capaz de escrevê-los, alterando as legendas para se referirem a traficantes de drogas, e assim nem
um único frame do filme teve que ser editado para disfarçar o conteúdo político do filme.De
certa forma, a inclusão dos comunistas como os bandidos é o ponto mais
fraco do filme, porque ele se sente como um ajuste de forças. Fuller está claramente mais interessado na vida dos seus personagens principais do que está na perseguição à esquerda. Os melhores
momentos do filme são quando os seus personagens centrais estão no seu estado
mais vulnerável, porque é aqui que vemos a sua humanidade. Widmark
transforma o seu personagem numa peça convincente, apesar das
suas tendências claramente anti-sociais. Apesar
de ser um criminoso não-violento, Skip tem uma veia obscura pulsando
debaixo da sua pele, e as cenas em que ele brutaliza estão entre as mais
difíceis o nosso estômago . Ainda assim, Pickup on South Street funciona muito melhor do que a maioria dos filmes da sua espécie. Fuller
estabelece uma realidade corajosa para o que é uma mistura um tanto
fantasiosa do melodrama de crime e paranoia da Guerra Fria . Fuller
e o director de fotografia Joe MacDonald, dão a este filme
o olhar noir das sombras escuras, mas o que mais vem à mente é a sensação de claustrofobia visual
que transborda nos envolvimentos emocionais dos personagens.
Um terrífico pequeno film noirsobreummaridociúmento e doentio, interpretado porRobertNewton,que descobre que a sua adorável esposaanda a enganá-locom outro homem.Newtonabateo homeme leva-opara um abrigo nuclear abandonado ondeele acaba por o trancar numa sala.Lá, então, acorrenta-ona parede,e faz com quea corrente seja suficientepara que ele possa apenasandar pela sala e seja capaz dechegar à casa de banho, mas só isso. Todos os dias,RobertNewton, que interpretaum médiconeste filme, trazuma lata deácidopara esta sala, onde ele pretendeeventualmenteassassinar o homem. Newton tem uma grande representação muito James Mason-esque, com uma acentuação muito britânica(o filme é feito no UK), sobre um conto de obsessão e vingança.Embora o filmenãofaça passar muitas emoções,tem uma atmosfera bastante sombriae opressiva, na prisão secretadaRiordan (Newton). Tudo isto torna-se umabatalha de inteligência, muitona linha doDialMfor Murder, enquanto ele tentarealizare encobrir o seuplano, enquanto o prisioneiroBill (Phil Brown) tenta acabar com asua determinação,e a sua esposa eo policia Finsburytentam descobrir o que se passa. Naunton Wayne -maisconhecido pelo "Caldicott" de "The Lady Vanishes" e alguns filmes posteriores-é altamenteagradável como detetive,muitoirónico e com muito do estilo do detective Colombo. Brown, infelizmente,não temmuito parafazer, masfazmuito bem assuas poucascenas, especialmente o confrontoinicial. Estefilme noiré prova de quenão é precisoviolênciapara criartensão.Na verdade, elaestá implícita, e é a violênciaque constrói osuspense. O filme foi feito numa altura em que Dmytryk já fazia parte da lista dos 10 de Hollywood, e se tinha refugiado em Inglaterra. Filme raro, legendas em espanhol. Link Imdb
Crossfireé umnoirfascinantecom uma mensagem quefoi típicana era pós Segunda Guerra Mundial,lentamente crescentepor debaixo de uma superfície demistério.No início, o filmeparece serapenas mais umaobra impressionante de suspense, filmadosobre um assassinio eviolência, abrindo com uma sequênciabrutalencenada nomeio da escuridão, comovárioshomens a lutarem, com as suassombras projetadasnas paredesaté que um deles é atirado aochão, derrubando uma lâmpada, deixando a telamomentaneamentecompletamente escura. Depois da queda,um dos homensacendea luz, verifica o corpono chão,e saicom outro homem,tudo isto nomeio da escuridão, com apenas asmetades inferioresdos corposvisíveis, o restoobscurecido pelassombras.Éuma introduçãointensa, rápida ebrutal, a iluminação gritanteaumentando asensação de ameaçae a brutalidadenesteassassinatoanónimo.O resto dofilme segue ainvestigação destecrime, pois o que inicialmenteparece sero resultadoinfeliz de ums discussão normalacaba por se tornar algo muito mais brutal, libertando os impulsosmais feios. A investigação,conduzida comprecisão e muitacalmapelo capitão da políciaFinlay(Robert Young), gira em torno deum grupo de soldadosque estavam como homem assassinado, Samuels(SamLevene), antes da sua morte. Os três soldados-Mitchell(GeorgeCooper), Montgomery(RobertRyan) e Floyd(SteveBrodie) -que tinham estado comSamuelsnum bar eregressado para o quarto com ele, mas naquela alturaas várias históriasdivergem, deixando pouco claro quemmatou o homem. Mitchellparece ser obode expiatóriomais provável,mas o seu amigoKeeley(RobertMitchum) pensa o contrárioe começa a investigar as coisas por ele mesmo.O filmeemprega umaestrutura do estilo Citizen Kane compessoas diferentes,preenchendoosespaços em branco nanoite do crime, mas o dispositivoévestigial,comofica clarorelativamente cedoo que realmente está a acontecer aqui. No início, algunsindíciossão descartadosno diálogo, sugerindo algoalém de uma típica briga de bêbadose, eventualmente,dispensao filme coma estruturade flashbackinteiramente, e revelaquem era o assassino, bem antes doclímax.O motivo paraeste abandonodomistério centraldo filme éque o realizadorEdwardDmytryk, trabalhando com um argumentoadaptado porJohnPaxtona partir de umromance deRichardBrooks, procuraalgo muito mais profundodo queum mistério "whodunnit". Ofilme alternaa meiodomistérionoirnum tratadoapaixonadocontra o preconceito e aintolerância,contra o tipo deódioque, como dizFinlay, "é como uma arma carregada", pronta adisparar a qualquermomento. A fontedo romancedo filmeera sobre opreconceitoanti-homossexual, mas a mensagem é traduzidapara oanti-semitismo deHollywood,tambémporquequalquer mençãoexplícita sobrea homossexualidadeaindaera impossível nocinemada altura,e por causade ser umfilme sobre o fanatismo anti-judaicoseriasem dúvidaainda maisrelevantenos anos do após a guerra,comoos horrores doscampos de extermínioa tornarem-sedo conhecimento público. Crossfireé o raro típico filme quesobrevive ao tempoparamanter o seu poderna era moderna. As situaçõesque retrata continuam a ser actuais, o firmeexame directo aoódio irracional- sejaracial, étnico ousexual-torna-oum filme importante. Pela primeira vez,as sombras donoirnão são apenas para esconderuma outra históriadedamasmásou homensgananciosos.Em vez disso,o que se escondenas sombrasé tantomais familiar ouassustador:o ódiode um homemsópor causa do modo comoele nasceu, a violência incubadas nossentimentos dopreconceito e da parcialidade, as sementes do genocídioplantadasnas mentes depessoasaparentemente vulgaresque carregamo seuódiocomoarmas carregadas.
De todos osvilõespara ternum filme, entreos mais populares estãoos nazis.O cinemasempreos retratoudo modo mais desagradável possível.Alguns filmesembelezam avilaniada organizaçãoa patamaresexagerados,mas dadoo que noscontam sobre a história dasideologiasdo partidoe comoeles colocaram a ideologiaem movimentodurante osanosno poderna década de 1930e 1940,há uma forte razão para apoiara noção de queelesde facto fizeram justiça à sua fama de vilões. O realizador EdwardDmytryke o actorDickPowellvoltam a renir-sedepois deMurder,My Sweet,e usam essaidéiapara trazer aos espectadores"Cornered". Nosúltimos diasda Segunda Guerra Mundial, o piloto canadianoLaurenceGerard (DickPowell)dirige-separa a França parauma questãomuito pessoal: descobrira identidade dohomem que matoua sua esposadenacionalidade francesa, que lutou ao ladoda resistênciaduranteos anos donazismo.Marcado pelaguerra e também por umamor perdido,Gerardferozmentesegueas pistassobre o paradeirodasua presa,MarcelJarnac,o que prova serum assunto complicadodado as pessoasafirmaremnão saber nadasobre a suaaparência físicaou saber se ele já morreu durante a guerra.As pistas levam-no aBuenosAires,onde a esposado assassino, MadeleineJarnac(MichelineCheirel)vive uma grande vida,entre aeliteda cidade.Depois da sua chegadaà cidadeargentina,Gerardéabordado porum tal deMelchiorIncza(WalterSlezak),que afirma serum guia turístico,talvez um poucoconhecedorda forma como ele costuma trabalhar ejá estara par do objectivo deGerardnaAmérica Latina. Repare-se que nasinopseacimaque nenhuma mençãoaos Estados Unidosé feita.Essa é umadas muitas qualidadesque distinguemo filme.Nem por um momento a acçãodecorreem solo americano, e até o personagem principal,LaurenceGerard, é um protagonista canadiano.Provavelmente oúnico elementoamericanoperceptívelno filme éo sotaque deDickPowell (que nãofaz qualquertentativa deimitar opadrão de faladeum franco-canadense).Todo o resto do elenco tenta colocar o melhorsotaquelatino-americanoou francês, possível.Quem for menosfamiliarizado como géneronoirdeveser lembrado quena década de 1940e 1950, quandoestes filmesforamfeitos, os realizadoresnão tinham conhecimentodo facto deque estavam a criarfilmesqueanosmais tarde viriam aser incluídos,pelos historiadorese especialistas,dentro de umgénero específicochamado "film noir". Assistir a estes filmesno início do século21ofereceao espectador o benefício da retrospectiva, bem comodécadas deliteratura decinema eclasses quetêminfinitamentedissecadoestas imagens.Dirigimo-nos paraum filme como"Cornered"com a idéiafirmemente plantadade que onoiré muito mais do que ummovimentodo cinema americano. Todos aqueles que já tenham vistoo filmemaispopular da dupla Dmytryk/Powell, "Murder,My Sweet", já têmuma percepçãorazoáveldo que esperarde "Cornered", embora algunsdos ingredientessejam um pouco forçados.Para começar,boa parte da fotografia é nítida, detalhada erealizada com umcuidadorigoroso,com toquesestilísticosespalhados por todo o lado, produzindoalguns efeitosvisceraisfantásticos.Para aqueles que encontramprazernão apenas na história, mas tambémna fotografia criativaa preto e branco,no cinemanoir,"Cornered"constitui um forte argumento, e um "must see". "Cornered" também acontece ser um filme bastante amargo. Isto não é apenas lógico, mas perfeitamente compreensível. O protagonista foi injustiçado da maneira mais vil que se possa imaginar, e visa punir o culpado de qualquer maneira que puder. Juntamente
com o facto de que ele não é muito mais do que um investigador, aos seus métodos
faltam tacto e controle. Quando
confrontado com alguém que pode ser Marcel, Gerard fica perfeitamente
disposto a matar, mesmo que ele não tenha a prova definitiva. O ponto da estratégia é eliminar qualquer um que possa ser o seu alvo e passar para o próximo, se for necessário. Cornerednão é o maior dosnoirs, nem énecessariamente o maisdivertido.Como a sua figuracentral,é muitodecidido aabraçaro lado negropara provocarum efeitoentreos espectadores.A suaúltima impressão éde um filmeque está prestes a atingira suaintensidade emocional. Imperdível para os fãs do género.