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Youssef Chahine já tinha 25 anos de carreira quando este filme foi lançado. Habilmente estruturado, com a introdução de várias personagens e tramas paralelas, sem perder o controle de qualquer uma delas. Em primeiro lugar é um filme sobre pessoas, mas também incorpora patriotas e políticos na sua história. Apesar da invasão Nazi pendente que domina politicamente, é um filme fundamentalmente optimista e alegre - qualquer pessoa com uma tendência criativa irá logo identificar-se com os sonhos e o desespero de Yehia.
Feito no Egipto, presumivelmente com um orçamento limitado, refletido nas limitações técnicas comuns a muitos outros filmes daquele país. Os cenários típicos daquele período não estão muito visíveis, provavelmente por causa das limitações do orçamento, mas filmagens dos musicais da MGM, e bobines da Segunda Guerra Mundial, com referências à cultura pop da altura, rapidamente nos situa no tempo. Chahine também emprega algumas técnicas inovadoras, embora a tecnologia seja datada (a câmara em movimento é por vezes instável). Mas o forte elenco e a equipa técnica de Chahine superam estes problemas com distinção, por vezes por pura força de vontade.
O filme inclui um caso de amor entre um árabe e uma judia, o que parecia muito avant-garde para a população da cidade do Cairo da altura, o que obrigava à menina judia a dissociar-se de Israel e do Zionismo. Num jeito de tentar explicar os problemas que Israel trazia para o mundo, alguém diz: "Todo o Judeu agora pertence a um país diferente do de seu nascimento". Mesmo os refugiados dos campos de concentração.
Seria o primeiro filme de uma trilogia de Chahine, chamada "Trilogia do Cairo". Nunca estreou em Portugal nem no Brasil.
Legendado em inglês.
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Imdb
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