"Na pequena cidade de Thiers, no sudoeste da França, está-se no último mês de aulas de duas turmas de uma escola elementar. Com a chegada das férias grandes vamos conhecer melhor alguns daqueles garotos, sobretudo dois: Patrick e Julien. Patrick vive com o seu pai, inválido, e a sua vida está longe de ser emocionante. Aliás, vive no constante desejo de ter o seu primeiro caso de amor e, por fim, lá consegue o seu primeiro beijo. Julien, ao contrário dos seus colegas de escola, vive numa casa miserável e a sua mãe, uma mulher tenebrosa e alcoólica, bate-lhe e abusa dele a toda a hora. E a sua avó não é melhor. O director da escola encara-o como um caso especial. Julien, para sobreviver num mundo que o hostiliza, vai mesmo tornar-se num ladrão, num mentiroso e num delinquente.
Para além da história destes dois garotos, François Truffaut traça ainda outros retratos quotidianos de uma pequena cidade francesa durante o Verão de 1976 como, por exemplo, a da menina fechada num apartamento que é alimentada pelos vizinhos, ou a do garoto que tem de assobiar para se entender com o pai e a mãe.
L’Argent de Poche (Na Idade da Inocência, na versão portuguesa) não é um dos melhores filmes de Truffaut, mas é de longe uma das sua obras mais queridas e simpáticas. Um misto de comédia, drama e fantasia, filmado com tremenda simplicidade, com inteligente sensibilidade."
Texto Eugénio Vital, daqui.
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segunda-feira, 31 de agosto de 2015
Juízo Final (Todo Modo) 1976
M. (Gian Maria Volonté) atravessa a cidade de Roma, no meio do caos de uma iminente epidemia, até ao centro espiritual de Zafer, local onde personalidades do mundo político e económico se encontram e onde estão a ocorrer estranhos acontecimentos. Lá, M. chega quebrando todas as regras, ao levar a esposa consigo. Durante um ritual religioso, os anfitriões são roubados, um senador é morto a tiro, um suspeito é encontrado desmaiado na casa de banho. E M. tem de descobrir o que realmente está a acontecer, antes que seja a próxima vítima.
O filme foi considerado uma crítica à corrupção no Partido Democrático Cristão italiano, e um ataque ao poder da igreja católica, e, no entanto, é necessário ser visto ou revisto nos dias de hoje, principalmente porque apresenta um argumento muito forte, interpretações soberbas de Gian Maria Volonté, no papel do presidente (uma figura que evoca o político italiano Aldo Moro, assassinado pelas Brigadas Vermelhas em 1978), um homem que parece interessado em fazer toda a gente feliz, mas motivado por uma sede infinita de poder, e Marcello Mastroianni como Don Gaetano, um sacerdote ganancioso com muitos amigos entre os amigos proeminentes, e Mariangela Melato como Giacinta, a mulher do presidente, além da música de Ennio Morricone (Charles Mingus foi originalmente escolhido para a partitura musical).
Alguns consideraram-no enigmático e lento, mas "Todo Modo" fornecia inspirações arquitectónicas muito importantes, e deve ser considerado entre os filmes sobre arquitectura. Seria o penúltimo filme de Elio Petri, um nome importante sobre o cinema político italiano.
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O filme foi considerado uma crítica à corrupção no Partido Democrático Cristão italiano, e um ataque ao poder da igreja católica, e, no entanto, é necessário ser visto ou revisto nos dias de hoje, principalmente porque apresenta um argumento muito forte, interpretações soberbas de Gian Maria Volonté, no papel do presidente (uma figura que evoca o político italiano Aldo Moro, assassinado pelas Brigadas Vermelhas em 1978), um homem que parece interessado em fazer toda a gente feliz, mas motivado por uma sede infinita de poder, e Marcello Mastroianni como Don Gaetano, um sacerdote ganancioso com muitos amigos entre os amigos proeminentes, e Mariangela Melato como Giacinta, a mulher do presidente, além da música de Ennio Morricone (Charles Mingus foi originalmente escolhido para a partitura musical).
Alguns consideraram-no enigmático e lento, mas "Todo Modo" fornecia inspirações arquitectónicas muito importantes, e deve ser considerado entre os filmes sobre arquitectura. Seria o penúltimo filme de Elio Petri, um nome importante sobre o cinema político italiano.
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Preto e Branco a Cores (La Victoire en Chantant) 1976
Colonos franceses em África de repente ficam-se no meio
a uma guerra contra os alemães. Certos de que precisam cumprir o
dever e ao mesmo tempo lutar contra os inimigos, eles imediatamente
recrutam a população nativa. E dão a eles botas e armamentos, a fim de
transformá-los em soldados. Diante do caos que se instala, surge um
jovem e idealista geógrafo francês, o único mais racional, que decide
controlar a guerra quando vê o fracasso daqueles inexperientes
combatentes.
Filme de estreia de Jean-Jacques Annaud, realizador de obras como "A Guerra do Fogo", "O Nome da Rosa", "O Urso", entre outros. Produzido com dinheiro da Suiça, França e Alemanha, foi totalmente filmado na Costa do Marfim, e apesar de não ser dos mais belos filmes anti-belicistas acabou por levar um Óscar de Melhor filmes em língua estrangeira para casa, num ano em que a concorrência nem era muito forte.
É um filme carregado com sátira e ironia, onde abundam personagens brancos estúpidos e alienados com um conceito vago do patriotismo, Annaud constrói cenas absurdas e cómicas para mostrar toda a estupidez da guerra, colonialismo, divisão racial, etc.
Na altura em que foi feito o filme, a França ainda tinha interesses nas terras colonizadas, e talvez, num filme, nunca tenha ficado tão claro o desprezo dos colonos pelos colonizados. Talvez por isso, o Óscar.
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Filme de estreia de Jean-Jacques Annaud, realizador de obras como "A Guerra do Fogo", "O Nome da Rosa", "O Urso", entre outros. Produzido com dinheiro da Suiça, França e Alemanha, foi totalmente filmado na Costa do Marfim, e apesar de não ser dos mais belos filmes anti-belicistas acabou por levar um Óscar de Melhor filmes em língua estrangeira para casa, num ano em que a concorrência nem era muito forte.
É um filme carregado com sátira e ironia, onde abundam personagens brancos estúpidos e alienados com um conceito vago do patriotismo, Annaud constrói cenas absurdas e cómicas para mostrar toda a estupidez da guerra, colonialismo, divisão racial, etc.
Na altura em que foi feito o filme, a França ainda tinha interesses nas terras colonizadas, e talvez, num filme, nunca tenha ficado tão claro o desprezo dos colonos pelos colonizados. Talvez por isso, o Óscar.
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sexta-feira, 28 de agosto de 2015
A Rapariga do Fim da Rua (The Little Girl Who Lives Down the Lane) 1976
Rynn Jacobs (Jodie Foster) é uma jovem de treze anos, que vive numa casa isolada numa pacata comunidade à beira-mar, que o seu pai alugou. Sempre que alguém da cidade tenta satisfazer a curiosidade, o pai nunca está por perto, e a menina aparece sempre sozinha. Rynn é colocada à prova por várias pessoas, que tentam descobrir o segredo que ela está a esconder, incluindo a senhoria snob e o seu filho desprezível.
Uma atmosfera assustadora, cativante e cheia de suspense, é o que se pode encontrar neste filme. Feito com um orçamento muito pequeno para a American International Pictures (AIP), e filmado no Canadá. Destaca-se como um thriller psicológico original, com um excelente argumento de Laird Koenig, baseado num livro seu. Era, sobretudo, um veículo para a jovem Jodie Foster, que no mesmo no entraria em "Bugsy Malone" e "Taxi Driver", onde conseguiria uma nomeação para o Óscar de Melhor Actriz Secundária. Nicholas Gessner, um realizador de nacionalidade hungara, dirige como se fosse uma peça de teatro, com muita imaginação.
Na altura do seu lançamento foi um pouco chocante, por ter uma jovem de treze anos a morar sozinha, ter relações sexuais, e matar pessoas, sendo ainda por cima uma estrela da Disney, mas com o passar dos anos foi recolhendo uma série de seguidores, tornando-se um filme de culto.
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Uma atmosfera assustadora, cativante e cheia de suspense, é o que se pode encontrar neste filme. Feito com um orçamento muito pequeno para a American International Pictures (AIP), e filmado no Canadá. Destaca-se como um thriller psicológico original, com um excelente argumento de Laird Koenig, baseado num livro seu. Era, sobretudo, um veículo para a jovem Jodie Foster, que no mesmo no entraria em "Bugsy Malone" e "Taxi Driver", onde conseguiria uma nomeação para o Óscar de Melhor Actriz Secundária. Nicholas Gessner, um realizador de nacionalidade hungara, dirige como se fosse uma peça de teatro, com muita imaginação.
Na altura do seu lançamento foi um pouco chocante, por ter uma jovem de treze anos a morar sozinha, ter relações sexuais, e matar pessoas, sendo ainda por cima uma estrela da Disney, mas com o passar dos anos foi recolhendo uma série de seguidores, tornando-se um filme de culto.
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Um Novo Amanhecer (The Ultimate Warrior) 1975
No ano de 2015 poucas pessoas ainda vivem em Nova Iorque. A cidade foi atingida por uma praga, que matou quase toda a gente, inclusivé a vegetação. A cidade está dividida em dois gangs, cada um com o seu território. Um é comandado por Baron (Max Von Sydow), e o outro por Carrot (William Smith), que estão em constante guerra um com o outro. Baron observa a algum tempo um homem que parado no meio da cidade como se estivesse a meditar e vê nele um bom aliado para ajuda-lo no futuro, oferecendo-lhe algumas regalias para que ele faça parte de seu grupo.O homem solitário chama-se Carson (Yul Brynner) e resolve aliar-se ao grupo de Baron, mas em troca de um stock de charutos que Baron tem guardado.
Aventura pós-apocalíptica realizada por Robert Clouse em 1975, não é um filme particularmente bem visto, ou bem lembrado. É, essencialmente, um western de ficção científica totalmente filmado nas ruas da cidade de Backlot, e com um orçamento bastante baixo. Ainda assim, antecipando em 4 anos o primeiro filme da saga Mad Max, com o cenário urbano a fazer uma diferença interessante dos desertos e terrenos baldios da maioria dos filmes do género Pós-Apocalíptico.
Robert Clouse era basicamente um realizador de série B, cujo maior sucesso tinha sido dirigir Bruce Lee em "Enter the Dragon" apenas dois anos antes, acabando por passar o resto da carreira a tentar recriar esse sucesso, recrutando um grande número de estrelas do cinema de acção para tal, como Jim Kelly, Jackie Chan, Joe Lewis ou Cynthia Rothrock, sem grande sucesso. No caso deste filme ele tanto realizou como escreveu o argumento.
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Aventura pós-apocalíptica realizada por Robert Clouse em 1975, não é um filme particularmente bem visto, ou bem lembrado. É, essencialmente, um western de ficção científica totalmente filmado nas ruas da cidade de Backlot, e com um orçamento bastante baixo. Ainda assim, antecipando em 4 anos o primeiro filme da saga Mad Max, com o cenário urbano a fazer uma diferença interessante dos desertos e terrenos baldios da maioria dos filmes do género Pós-Apocalíptico.
Robert Clouse era basicamente um realizador de série B, cujo maior sucesso tinha sido dirigir Bruce Lee em "Enter the Dragon" apenas dois anos antes, acabando por passar o resto da carreira a tentar recriar esse sucesso, recrutando um grande número de estrelas do cinema de acção para tal, como Jim Kelly, Jackie Chan, Joe Lewis ou Cynthia Rothrock, sem grande sucesso. No caso deste filme ele tanto realizou como escreveu o argumento.
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quarta-feira, 26 de agosto de 2015
O Lutador da Rua (Hard Times) 1975
Um desempregado durante a Grande Depressão cuja única alternativa é lutar nas ruas. Chaney (Charles Bronson), é um desafortunado que embarca num comboio para Nova Orleans. Lá, no lado mais pobre da cidade, tenta ganhar dinheiro fácil, da única maneira que conhece, com os punhos. Chaney aproxima-se de Speed (James Coburn) e convence-o de que pode ganhar um bom dinheiro para ambos. Ganha algumas lutas ilegais mas Speed tem um débito com um gang de assassinos, o que força Chaney a lutar pela última vez com Street, um monstro enorme numa luta sem regras ou árbitro.Walter Hill era ainda um novato, e já tinha chamado a atenção como argumentista de dois filmes: "The Getaway" de Sam Peckinpah, e "The Mackintosh Man", de John Huston, quando teve a hipótese de pegar numa realização pela primeira vez. Escolheu um terreno um pouco diferente dos seus trabalhos como argumentista, um drama bastante tranquilo sobre um lutador viajante, que tenta fazer um pouco de dinheiro para si, da melhor forma que pode.
Co-escrito por Bryan Gindoff e Bruce Henstell, "Hard Times" é um filme perfeito: grandes interpretações de dois tipos duros, uma fabulosa montagem de Roger Spottiswoode, um futuro realizador que também já tinha dado os primeiros passos com Peckinpah, na montagem de "Straw Dogs" e "Pat Garret & Billy the Kid", montagem essa que enfatizava Bronson, nesta altura já na casa dos 50 anos.
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terça-feira, 25 de agosto de 2015
Pasqualino das Sete Beldades (Pasqualino Settebellezze) 1975
Durante a Segunda Guerra Mundial Pasqualino Frafuso (Giancarlo Giannini), um italiano, deserta do exército. Os alemães capturam-no e enviam-no para um campo de concentração, onde faz quase qualquer coisa para sobreviver. Em flashbacks, é vista a sua família com sete irmãs (as sete belezas), como Pasqualino cometeu um assassinato acidental ao amante de uma irmã, a sua confissão e prisão, a sua calculada troca para um asilo, e como decidiu volutariamente ser um soldado para escapar da prisão.
"Pasqualino Settebellezze" é uma sátira ousada, irreverente, e densa em camadas sobre uma cultura nacional de machismo, onde a crueldade humana justifica promover um clima de militarismo e permitir a cumplicidade, resultando na tragédia da Segunda Guerra Mundial. Ao apresentar a situação cívil de Pasqualino como uma consequência da interacção entre a vaidade e a covardia, Lina Wertmüller mostra-nos uma correlecção incisiva entre a agressão masculina e a virilidade.
Lina Wertmüller era uma das realizadoras mais controversas em Itália, e este era um dos seus melhores exemplos. Foi nomeado para quatro Óscares, sendo Wertmüller a primeira mulher a ser nomeada para melhor realizadora. O filme foi também nomeado para melhor actor (Giancarlo Giannini), Argumento, e Filme em Língua Estrangeira.
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"Pasqualino Settebellezze" é uma sátira ousada, irreverente, e densa em camadas sobre uma cultura nacional de machismo, onde a crueldade humana justifica promover um clima de militarismo e permitir a cumplicidade, resultando na tragédia da Segunda Guerra Mundial. Ao apresentar a situação cívil de Pasqualino como uma consequência da interacção entre a vaidade e a covardia, Lina Wertmüller mostra-nos uma correlecção incisiva entre a agressão masculina e a virilidade.
Lina Wertmüller era uma das realizadoras mais controversas em Itália, e este era um dos seus melhores exemplos. Foi nomeado para quatro Óscares, sendo Wertmüller a primeira mulher a ser nomeada para melhor realizadora. O filme foi também nomeado para melhor actor (Giancarlo Giannini), Argumento, e Filme em Língua Estrangeira.
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domingo, 23 de agosto de 2015
Galo de Briga (Cockfighter) 1974
Frank Mansfield (Warren Oates) é um treinador de galos de luta, tão explosivo como os animais que treina. Faz uma aposta com Jack (Harry Dean Stanton), mas o seu melhor galo é morto na noite anterior à disputa pelo "Cockfighter of the Year". Por causa do seu comportamento obsessivo Frank fez um voto de silêncio, e mergulha numa nova jornada rumo ao seu novo objectivo: ser o melhor treinador de galos do ano, nem que isso lhe custe todas as suas posses e a mulher que ama.
Produzido por Roger Corman, este seria um dos quatro filmes que Monte Hellman e Warren Oates fizeram juntos, quase todos nos anos setenta. Se existe um herói esquecido do cinema americano dos anos setenta, esse tem de ser Warren Oates, embora ele fosse sempre um actor de poucas palavras, mas algumas das suas obras, não só as de Hellman, ficaram como autênticos filmes de culto. Aqui a personagem de Oates só tem duas cenas com diálogos, mas a sua expressividade é tão envolvente que é impossível ao espectador não se identificar com o protagonista.
Ficamos com uma sensação muito realista, já que o filme foi rodados em exteriores autênticos do sul dos Estados Unidos, e explora com olhos bem abertos a atracção da subcultura dos jogos e das apostas ilegais. Néstor Almendros faz um belo trabalho na fotografia.
O filme passou por baixo dos radares na altura em que saíu, por ser tão perturbador nas descrições sangrentas da crueldade animal, mas aparte isso é um dos filmes de culto dos anos 70.
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Produzido por Roger Corman, este seria um dos quatro filmes que Monte Hellman e Warren Oates fizeram juntos, quase todos nos anos setenta. Se existe um herói esquecido do cinema americano dos anos setenta, esse tem de ser Warren Oates, embora ele fosse sempre um actor de poucas palavras, mas algumas das suas obras, não só as de Hellman, ficaram como autênticos filmes de culto. Aqui a personagem de Oates só tem duas cenas com diálogos, mas a sua expressividade é tão envolvente que é impossível ao espectador não se identificar com o protagonista.
Ficamos com uma sensação muito realista, já que o filme foi rodados em exteriores autênticos do sul dos Estados Unidos, e explora com olhos bem abertos a atracção da subcultura dos jogos e das apostas ilegais. Néstor Almendros faz um belo trabalho na fotografia.
O filme passou por baixo dos radares na altura em que saíu, por ser tão perturbador nas descrições sangrentas da crueldade animal, mas aparte isso é um dos filmes de culto dos anos 70.
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Juventude à Solta (The Lord's of Flatbush) 1974
Butchey (Henry Winkler) forma um gang de casacos de couro, numa escola em Brooklyn durante a década de 50. O grupo é formado por Stanley (Sylvester Stallone) que é forçado a casar com a namorada depois de a engravidar, e Chico (Perry King) que anda envolvido com uma nova rapariga na escola chamada ane (Susan Blakely). À medida que vão entrando na idade adulta vão-se afastando, porque novos interesses começam a acontecer.
Pode ser melhor descrito como uma "série B" de "American Graffiti", que tinha sido lançado no ano anterior. Os valores de produção são de má qualidade, com uma imagem granulada que parece ter sido com uma câmera de filmar não profissional. A história é apresentada num estilo fragmentado, mais no estilo de vinhetas do que um real enredo. Os actores também não foram muito bem escolhidos, todos eles perto dos 30 anos e a interpretarem personagens de 18.
Realizado a quatro mãos, por Martin Davidson e Stephen Verona, tem a curiosidade de contar com Sylvester Stallone num dos seus primeiros papéis de protagonista, e um dos últimos antes do mega-sucesso de "Rocky". Só para curiosos.
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Pode ser melhor descrito como uma "série B" de "American Graffiti", que tinha sido lançado no ano anterior. Os valores de produção são de má qualidade, com uma imagem granulada que parece ter sido com uma câmera de filmar não profissional. A história é apresentada num estilo fragmentado, mais no estilo de vinhetas do que um real enredo. Os actores também não foram muito bem escolhidos, todos eles perto dos 30 anos e a interpretarem personagens de 18.
Realizado a quatro mãos, por Martin Davidson e Stephen Verona, tem a curiosidade de contar com Sylvester Stallone num dos seus primeiros papéis de protagonista, e um dos últimos antes do mega-sucesso de "Rocky". Só para curiosos.
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sábado, 22 de agosto de 2015
Général Idi Amin Dada: Autoportrait (Général Idi Amin Dada: Autoportrait) 1974
"Documentário, realizado pelo realizador Barbet Schroeder. Feito com o apoio e participação no argumento, do ditador africano Idi Amin, a produção mostra Amin na plenitude do poder no Uganda. O filme, é um estudo do caráter discutível e dos seus objetivos. Amin é seguido de perto numa série de colocações formais e informais, e combinou várias entrevistas curtas, nas quais Amin expõe frequentemente as suas estranhas teorias políticas, económicas, e de relações internacionais. O ditador é filmado supervisionando a escola de paraquedistas de Uganda, navegando por um parque selvagem, tocando jazz no acordeão, e organizando uma falsa batalha numa pequena colina nas Montanhas de Golan. A câmera registra momentos cómicos: paraquedistas fazem exercícios no pátio de recreio de crianças; um comité de boas-vindas de aldeões é forçado a fugir da poeira levantada pelo helicóptero de Amin; um membro do gabinete coça o nariz com um lápis durante um discurso bombástico de Amin, Porém, o humor subjacente do filme é negro. Amin censura os seus ministros pelo fracasso em representar Uganda "corretamente" para o mundo. Até mesmo protestando com seu ministro do exterior pelos fracassos nas relações públicas, ele é sempre jocoso e engraçado - duas semanas depois do término do documentário, o corpo do ministro do exterior foi encontrado flutuando no Rio Nilo. Conclua você mesmo se Amin foi canibal. Documentário exótico e fantástico." Texto de Interfilmes
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sexta-feira, 21 de agosto de 2015
Nada (Nada) 1974
Um grupo terrorista europeu chamado "Nada", rapta o embaixador americano. Rapidamente surgem tensões entre os elementos devido às discrepâncias sobre os passos que se seguem. Mais tarde o grupo terá de lidar com uma polícia extremamente dura, que durante o resgate utiliza a violência, sem e importar com a vida do embaixador.
"Nada", de Claude Chabrol é um epílogo irónico sobre o Maio de 1968, período de revoltas estudantis esquerdistas. Parece uma espécie de sequela de "La Chinoise", de Jean-Luc Godard. Fotogénico, com os slogans revolucionários de Godard, mais cínico, e com menos ambições políticas. Tanto Godard como Chabrol assistiram a muitos filmes de gangsters americanos, e aprenderam as lições. Ambos estão apaixonados pela imagem de românticos revolucionários, uma seita secreta a fazer declarações políticas através da violência, e assim, naturalmente, surge o plano para raptar o embaixador americano.
Baseado num livro de Jean-Patrick Manchette, que dá uma ajuda no argumento, conta com um elenco de primeira linha: Fabio Testi, Michel Duchaussoy, Maurice Garrel, Michel Aumont e Lou Castel.
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"Nada", de Claude Chabrol é um epílogo irónico sobre o Maio de 1968, período de revoltas estudantis esquerdistas. Parece uma espécie de sequela de "La Chinoise", de Jean-Luc Godard. Fotogénico, com os slogans revolucionários de Godard, mais cínico, e com menos ambições políticas. Tanto Godard como Chabrol assistiram a muitos filmes de gangsters americanos, e aprenderam as lições. Ambos estão apaixonados pela imagem de românticos revolucionários, uma seita secreta a fazer declarações políticas através da violência, e assim, naturalmente, surge o plano para raptar o embaixador americano.
Baseado num livro de Jean-Patrick Manchette, que dá uma ajuda no argumento, conta com um elenco de primeira linha: Fabio Testi, Michel Duchaussoy, Maurice Garrel, Michel Aumont e Lou Castel.
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quinta-feira, 20 de agosto de 2015
Phase IV (Phase IV) 1973
Quando um fenómeno cósmico, aparentemente causa uma mutação nas formigas, tornando-as seres inteligentes, um grupo de cientistas vai ao deserto para investigar. Lá deparam-se com estranhas construções das formigas, em formas geométricas que, apesar de mostrar um propósito, este permanece obscuro para os humanos. Logo, se inicia o conflito com as formigas atacando os membros da equipa científico. Os dois líderes da equipa, o Dr. Ernest e James chegam a conclusão de que a evolução se faz em ciclos e, aproximamo-nos da fase 4, onde uma nova ordem surgirá para a vida na terra.
"Phase IV", única longa metragem do famoso designer Saul Bass, é um pequeno filme de ficção científica completamente fora de vulgar, em que a ameaça extraordinária (uma colónia de formigas altamente evoluídas) tem muito mais destaque do que os personagens humanos, que lutam contra elas. O filme começa ao nível do solo, e é preciso cerca de 10 minutos até aparecer uma personagem no ecrã. Mesmo assim, Bass lentamente, evita apresentar a humanidade para o espectador, começando com um shot de um jipe a mover-se perante uma paisagem árida.
É um filme que tem de ser catalogado no género sci-fi / terror. Constrói o terror não através de efeitos especiais ou violência, mas através do subtil desenvolvimento da atmosfera, com um sentimento crescente de pavor.
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"Phase IV", única longa metragem do famoso designer Saul Bass, é um pequeno filme de ficção científica completamente fora de vulgar, em que a ameaça extraordinária (uma colónia de formigas altamente evoluídas) tem muito mais destaque do que os personagens humanos, que lutam contra elas. O filme começa ao nível do solo, e é preciso cerca de 10 minutos até aparecer uma personagem no ecrã. Mesmo assim, Bass lentamente, evita apresentar a humanidade para o espectador, começando com um shot de um jipe a mover-se perante uma paisagem árida.
É um filme que tem de ser catalogado no género sci-fi / terror. Constrói o terror não através de efeitos especiais ou violência, mas através do subtil desenvolvimento da atmosfera, com um sentimento crescente de pavor.
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Toca o Tambor Devagar (Bang the Drum Slowly) 1973
A história de uma equipa profissional de Baseball de Nova Iorque, e de dois dos seus jogadores. Henry Wiggen (Michael Moriarty) é o arremessador e estrela de equipa e Bruce Pearson (Robert de Niro) é o apanhador, longe de ser estrela, mas amigo de todos os jogadores da equipa. Bruce descobre que tem uma doença terminal, e Henry, o seu único verdadeiro amigo, está determinado a ajudá-lo ao máximo na sua última época com o clube.
Conto sobre o mundo do baseball escrito por Mark Harris foi adaptado de uma produção televisiva da década de cinquenta, que contava com Paul Newman no principal papel. "Bang the Drum Slowly" era mais um estudo sobre uma relação entre dois homens, que por acaso eram jogadores de baseball, do que propriamente sobre desporto. Um homem que está determinado a dar ao seu amigo uns momentos de alegria nos seus últimos meses de fica, e que tem alguns momentos tristes sem caír no melodramático.
Grandes interpretações dos actores principais, Moriarty e, especialmente, De Niro, que na altura era apenas um virtualmente desconhecido, embora "Mean Streets" estreasse poucas semanas depois o que mudaria a sua carreira. Destaque também para Vincent Gardenia, como treinador da equipa, que lhe valeu uma nomeação para um Óscar.
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Conto sobre o mundo do baseball escrito por Mark Harris foi adaptado de uma produção televisiva da década de cinquenta, que contava com Paul Newman no principal papel. "Bang the Drum Slowly" era mais um estudo sobre uma relação entre dois homens, que por acaso eram jogadores de baseball, do que propriamente sobre desporto. Um homem que está determinado a dar ao seu amigo uns momentos de alegria nos seus últimos meses de fica, e que tem alguns momentos tristes sem caír no melodramático.
Grandes interpretações dos actores principais, Moriarty e, especialmente, De Niro, que na altura era apenas um virtualmente desconhecido, embora "Mean Streets" estreasse poucas semanas depois o que mudaria a sua carreira. Destaque também para Vincent Gardenia, como treinador da equipa, que lhe valeu uma nomeação para um Óscar.
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terça-feira, 18 de agosto de 2015
Pausa Breve (Una Breve Vacanza) 1973
"Vittorio de Sica fez o filme “Una Breve vacanza” em 1973, já quando o Neo-realismo italiano era uma sombra estilística apagada na memória de cinéfilos fiéis à temática dos problemas sociais, das crianças lacrimosas, dos atores desconhecidos e da ambientação hiper-realista... É a estória de Clara Mataro, uma mulher metalúrgica, de poucas posses, com 3 filhos que ama, e uma horrenda família composta por um marido embrutecido, o cunhado tão rude estúpido e grosseiro quanto ao irmão, com o adendo de uma leve marca do mau-caratismo, e uma sogra exemplarmente sofredora e por isso, sintomaticamente latina – com o detalhe de todos viverem sob o mesmo teto, e apenas Clara a trabalhar. Após uma síncope de exaustão no trabalho na fábrica onde trabalha, Clara, sob orientações médicas, é recomendada a seguir para uma clínica de repouso no norte montanhoso de Dolomites. A família – não sei se ja disse, ‘horrenda’ - insiste que ela está bem e que não precisa do tal tratamento. Apesar de amar aos filhos, a insatisfação no casamento não a faz titubear e parte para as “férias forçadas.” Chega à clinica e logo percebe que dependendo da classe social, os tratamentos são diferenciados. Mas independente da discriminação entre pacientes nababos e remendados, a experiência da recuperação de Clara não é apenas física, mas emocional. A famosa consciênça de crasse passa longe daqui. Aos poucos Clara torna-se amiga de outras internas, independente de quanto levam na carteira, e adquire novas atitudes frente a sua feminilidade, a leitura, à solidariedade e ao amor. Sua vida muda. Torna-se confidente de mulheres - como a interpretada por Adriana Asti no papel de Scanziani, uma doente mental em estado terminal, um dos pontos sensíveis do filme - que talvez jamais as encontrasse em seu dia-a-dia. Aliás as mulheres que encontra são interessantíssimas...
Todos os estágios de sua feminilidade são expostos, independente da dimensão de sua felicidade frágil e por que não dizer, perturbada pela presença do marido. De Sica impõe um diálogo de sombras com o espectador através da alternância de cenários entre os Alpes oníricos ensolarados, a fábrica opressora, e a casa escurecida – onde quase não é possível distinguir os rostos - , compondo nessa reprodução de fragmentos um quadro onde o tema do, voilá, o adultério, esta tão batida carta, é reinventado. Na clínica, reencontra um jovem mecânico que a convidara a um café no dia da consulta, antes da viagem. Clara, uma mulher de invulgar modestia, deixa-se levar pela atração e nós acabamos torcendo por ela quando o drama vira dramalhão e a paixão entra na veia. Supostamente, no filme, que é uma espécie de dramalhão romântico, mas cheio da sensibilidade, De Sicca nega-se à farsa exuberante ou ao drama existencial que, por exemplo, Antonioni enveredou após deixar os neo-realistas. Supostamente, o filme foi baseado no adágio de Appollinaire, “Só na doença, os pobres tem férias” – o que não deixa de ser uma verdade.E o bom dos filmes do De Sicca é o final: nunca feliz, mas não menos verosímil. Clara, retorna a casa, após ter a alta antecipada pelo médico – resignado, mas sem deixar de ser delicadamente vingativo - que tentara discretamente porém sem sucesso, seduzi-la. A emoção produzida pelo amor dissolvido que sentira por Luigi torna-se evidente, em toda a sua amplidão, na viagem de retorno de trem para casa. De Sica nos deixa a amarga imaginação da extensão das perdas de Clara."
Por Chico Rogido, daqui.
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Irmãs (Sisters) 1973
Irmãs siamesas (ambas interpretadas por Margot Kidder) que foram criadas por uma freira num orfanato são finalmente separadas após vários anos a viverem literalmente unidas. Mas a separação causa um transtorno irreparável, e as irmãs passam a rivalizar uma com a outra. É neste cenário que acontece um assassinato, e uma das gémeas está directamente ligada ao crime.
"Sisters" é Brian de Palma no seu melhor, e mais malicioso. Uma homenagem explícita a Hitchcock, principalmente "Psycho" (1960), e feito de modo independente por menos de meio milhão de dólares. Filmado em quartos fechados e apertados, com zooms longos e uma montagem rápida, com o agora famoso uso de "spilt screen" para tecer um mistério sangrento.
"Sisters" foi o filme que tornou Brian de Palma um realizador conhecido, apesar deste já ter algumas curtas anteriores, e foi o primeiro a enfatizar os temas e obsessões que iriam conduzir os seus filmes ao longo dos anos 70, e principios dos anos 80, incluindo "Carrie" (1976), "Obsession" (1976), "The Fury" (1978) e "Dressed to Kill (1980). O voyeurismo era um tema recorrente na carreira do realizador, salientando-se repetidamente ao longo de "Sisters". Há uma sequência em particular, em que Grace (Jennifer Salt) observa através de uns binóculos enquanto um investigador privado (Charles Durning) revista o apartamento de Dominique, é directamente inspirado por "Rear Window", de Alfred Hitchcock.
De Palma admitiu abertamente que fez "Sisters" como uma espécie de experiência cinematográfica, uma forma de aprimorar as suas habilidades cinematográficas, para mais tarde as desenvolver. E ainda assim, é uma obra bastante interessante.
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"Sisters" é Brian de Palma no seu melhor, e mais malicioso. Uma homenagem explícita a Hitchcock, principalmente "Psycho" (1960), e feito de modo independente por menos de meio milhão de dólares. Filmado em quartos fechados e apertados, com zooms longos e uma montagem rápida, com o agora famoso uso de "spilt screen" para tecer um mistério sangrento.
"Sisters" foi o filme que tornou Brian de Palma um realizador conhecido, apesar deste já ter algumas curtas anteriores, e foi o primeiro a enfatizar os temas e obsessões que iriam conduzir os seus filmes ao longo dos anos 70, e principios dos anos 80, incluindo "Carrie" (1976), "Obsession" (1976), "The Fury" (1978) e "Dressed to Kill (1980). O voyeurismo era um tema recorrente na carreira do realizador, salientando-se repetidamente ao longo de "Sisters". Há uma sequência em particular, em que Grace (Jennifer Salt) observa através de uns binóculos enquanto um investigador privado (Charles Durning) revista o apartamento de Dominique, é directamente inspirado por "Rear Window", de Alfred Hitchcock.
De Palma admitiu abertamente que fez "Sisters" como uma espécie de experiência cinematográfica, uma forma de aprimorar as suas habilidades cinematográficas, para mais tarde as desenvolver. E ainda assim, é uma obra bastante interessante.
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segunda-feira, 17 de agosto de 2015
Delícias Turcas (Turks Fruit) 1973
"Delícias Turcas" é o percursor provocante do realizador holandês Paul Verhoeven do seu ciclo de películas de Hollywood de grande orçamento, que exploram a sexualidade humana como "Instinto Fatal" (1992), "Showgirls" (1995) e "Starship Troopers" (1997). Criticado com frequência pelo seu uso da extrema violência e da sexualidade explícita, Verhoeven tem sempre defendido que os seus filmes espelham mais a vida do que a influenciam. "Delicias Turcas" é protagonizado por Rutger Hauer como Erik Vonk, um escultor promíscuo que se envolve com a bela Olga (Monique Van de Ven) cujo apetite sexual compete com o dele. À medida que o seu caso avança, decidem-se casar-se mas as divergências entre Eric e o sistema de valores dos seus sogros levam ao fim do romance. Anos depois, Eric e Olga voltam a encontrar-se, e finalmente conseguem dar alguma conclusão à sua relação turbulenta. O filme é construído numa série de flashbacks em que o mundo interior e a sensibilidade de Eric são lentamente revelados.
A atmosfera da parte final é completamente diferente da verificada no início, quase como se estivéssemos noutro filme. Transforma-se numa narrativa comovente de amor e perda, de êxtase e desespero e, embora insista num grau apreciável de conteúdo erótico, é temperado com doses fortes, tanto de fantasia como realidade.
A sexualidade de espírito livre que dinamiza os filmes de Verhoeven está no coração de "Delícias Turcas", apresentado como o ataque definitivo aos valores burgueses. Sustentado pelo comportamento extremo do protagonista, este romance anti-convencional nunca deixa de provocar, com o seu efeito a ser aumentado pela química explosiva entre Hauer e Monique, "Delícias Turcas" foi considerado "O Melhor Filme Holandês do Século" no festival de Cinema da Holanda, de 1999.
Texto por RDe, "1001 Filmes para ver antes de morrer".
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A atmosfera da parte final é completamente diferente da verificada no início, quase como se estivéssemos noutro filme. Transforma-se numa narrativa comovente de amor e perda, de êxtase e desespero e, embora insista num grau apreciável de conteúdo erótico, é temperado com doses fortes, tanto de fantasia como realidade.
A sexualidade de espírito livre que dinamiza os filmes de Verhoeven está no coração de "Delícias Turcas", apresentado como o ataque definitivo aos valores burgueses. Sustentado pelo comportamento extremo do protagonista, este romance anti-convencional nunca deixa de provocar, com o seu efeito a ser aumentado pela química explosiva entre Hauer e Monique, "Delícias Turcas" foi considerado "O Melhor Filme Holandês do Século" no festival de Cinema da Holanda, de 1999.
Texto por RDe, "1001 Filmes para ver antes de morrer".
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Themroc (Themroc) 1973
Um operário rebela-se contra toda ordem estabelecida e decide transformar-se num novo homem das cavernas. Quebra as paredes do seu apartamento, atira fora os móveis, pede demissão do emprego, enfim muda completamente a sua vida. Desta forma, ele quer descobrir a verdadeira razão de viver. À noite sai para caçar. As suas vítimas são as pessoas que ainda querem reprimi-lo.
Esta comédia bizarra com uma grande carga política foi escrita e realizada por Claude Faraldo, e tornou-se rapidamente conhecido no Reino Unido como o primeiro filme a ser transmitido pelo Channel 4 com o famoso Red Triangle, cinema considerado extremo, e por isso mostrado com um triângulo vermelho no canto do ecrâ. Ninguém do elenco fala em alguma linguagem, em vez disso os personagens gritam e babulciam palavras sem nexo, e a sociedade é descrita como desumanizante, monótona e arrogante.
Com Michel Piccoli no papel do personagem-título, numa altura em que se encontrava em grande forma, valeu dois prémios no Festival de Avoriaz, um dos mais famosos festivais de cinema fantástico desta altura: prémio Especial do Júri e de Melhor Actor (Piccoli).
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Esta comédia bizarra com uma grande carga política foi escrita e realizada por Claude Faraldo, e tornou-se rapidamente conhecido no Reino Unido como o primeiro filme a ser transmitido pelo Channel 4 com o famoso Red Triangle, cinema considerado extremo, e por isso mostrado com um triângulo vermelho no canto do ecrâ. Ninguém do elenco fala em alguma linguagem, em vez disso os personagens gritam e babulciam palavras sem nexo, e a sociedade é descrita como desumanizante, monótona e arrogante.
Com Michel Piccoli no papel do personagem-título, numa altura em que se encontrava em grande forma, valeu dois prémios no Festival de Avoriaz, um dos mais famosos festivais de cinema fantástico desta altura: prémio Especial do Júri e de Melhor Actor (Piccoli).
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Se D. Juan Fosse Mulher (Don Juan ou Si Don Juan était une Femme...) 1973
Jeanne (Brigitte Bardot) vive em Paris e acredita ser a reencarnação de Don Juan. Ela visita um padre dizendo-lhe que assassinou um homem. Ele vai até seu elegante apartamento - o pai morreu deixando-a rica - e ela conta-lhe histórias sobre os homens que seduziu. A sedução é fácil, a destruição é que requer planeamento.
Como o título do filme sugere, a idéia é trocar o infâme amante latino por uma mulher, uma idéia saliente no início dos anos 70, quando a segunda onda do feminismo estava no seu auge. A idéia é ainda mais subversiva porque o realizador Roger Vadim escolheu para o papel principal a sua ex-mulher, Brigitte Bardot, revertendo o poder da dinâmica que tinha definido a sua carreira como actriz, quase 20 anos antes. Em vez de ser o objecto do olhar masculino, ela passaria a objectivar os homens, possuí-los e, eventualmente, destruí-los. Por ser Vadim a realizar o filme ainda o tornaria mais interessante, porque ele era o responsável por moldar Bardot no seu status de objecto sexual internacional, principalmente por causa do seu filme descoberta de 1956, "E Deus Criou a Mulher".
"Don Juan" acabaria por ser a última aparição de Bardot no cinema, e, de certa forma, resumia a sua carreira. Como actriz ela começou como um sex symbol, cujo principal apelo era a sua líbido, combinada com a inocência juvenil, e acabou aqui, como uma extensão lógica dessa persona, com a sua sexualidade a envelhecer e a amadurecer, para terminar assim, como uma arma.
Alguns actores de destaque acompanham Bardot: Robert Hossein, Jane Birkin e Maurice Ronet.
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Como o título do filme sugere, a idéia é trocar o infâme amante latino por uma mulher, uma idéia saliente no início dos anos 70, quando a segunda onda do feminismo estava no seu auge. A idéia é ainda mais subversiva porque o realizador Roger Vadim escolheu para o papel principal a sua ex-mulher, Brigitte Bardot, revertendo o poder da dinâmica que tinha definido a sua carreira como actriz, quase 20 anos antes. Em vez de ser o objecto do olhar masculino, ela passaria a objectivar os homens, possuí-los e, eventualmente, destruí-los. Por ser Vadim a realizar o filme ainda o tornaria mais interessante, porque ele era o responsável por moldar Bardot no seu status de objecto sexual internacional, principalmente por causa do seu filme descoberta de 1956, "E Deus Criou a Mulher".
"Don Juan" acabaria por ser a última aparição de Bardot no cinema, e, de certa forma, resumia a sua carreira. Como actriz ela começou como um sex symbol, cujo principal apelo era a sua líbido, combinada com a inocência juvenil, e acabou aqui, como uma extensão lógica dessa persona, com a sua sexualidade a envelhecer e a amadurecer, para terminar assim, como uma arma.
Alguns actores de destaque acompanham Bardot: Robert Hossein, Jane Birkin e Maurice Ronet.
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sábado, 15 de agosto de 2015
Selva Humana (The Friends of Eddie Coyle) 1973
"Sabe aquela famosa frase? “Com amigos como este, quem precisa de inimigos?”. Então, é este tipo de “amigo” que o título do filme se refere nesta obra prima do diretor Peter Yates. Eddie Coyle, interpretado por Robert Mitchum, conta, a certa altura, que ganhou o apelido de fingers depois de um servicinho ter dado errado e seus “amigos” terem arrebentado sua mão como castigo. Realmente mui amigos...Yates é bastante esperto ao retratar este mundo de uma maneira sombria e extremamente melancólica, sob o olhar cansado de um Robert Mitchum cheio de dilemas. Seu personagem já inicia o filme em apuros. A esta altura da vida, Eddie teve problemas com a lei, possui mulher e três filhos, não quer ir pra prisão na sua idade, então resolve virar “dedo duro” da policia pra sair dessa situação de uma vez, mas acaba colocando sua vida em risco. E, basicamente, é isso que temos aqui para formar uma trama bem desenvolvida.
Esqueçam cenas de ação mirabolantes ou perseguições de carro em alta velocidade como em BULLIT, também de Yates, nada de adrenalina por aqui. O que OS AMIGOS DE EDDIE COYLE nos dá é o drama de um homem simples envolvido numa teia criminosa, tentando se livrar, mas acaba se enrolando cada vez mais. A direção de Yates é ótima e funciona muito bem nesse sentido, evitando os excessos que poderiam desviar a atenção; o roteiro também é bem enxuto, inspirado no romance de George V. Higgins (que eu não li); mas o que realmente torna o filme uma obra prima dos anos setenta é a presença de um Robert Mitchum inspirado.
Esqueçam cenas de ação mirabolantes ou perseguições de carro em alta velocidade como em BULLIT, também de Yates, nada de adrenalina por aqui. O que OS AMIGOS DE EDDIE COYLE nos dá é o drama de um homem simples envolvido numa teia criminosa, tentando se livrar, mas acaba se enrolando cada vez mais. A direção de Yates é ótima e funciona muito bem nesse sentido, evitando os excessos que poderiam desviar a atenção; o roteiro também é bem enxuto, inspirado no romance de George V. Higgins (que eu não li); mas o que realmente torna o filme uma obra prima dos anos setenta é a presença de um Robert Mitchum inspirado.Como já devem ter percebido, OS AMIGOS DE EDDIE COYLE é uma obra mais séria que o habitual, um exercício de realismo dentro de um gênero repleto de situações exacerbadas que, aqui, não vêm ao caso. Até mesmo nas cenas de assaltos a bancos, que Yates intercala na estrutura narrativa, são ausentes de qualquer tipo de manipulação emocional. Yates prefere apostar na atmosfera natural, com a magnífica fotografia crua de Victor J. Kemper (que já havia trabalhado com John Cassavetes em HUSBANDS e depois faria UM DIA DE CÃO, de Sidney Lumet); nos diálogos que carregam muito mais tensão; e claro, em Robert Mitchum brilhando como nunca."
Texto do Ronald Perrone, daqui.
Legendas exclusivas para o My Two Thousand Movies, da autoria do Rui Alves de Sousa.
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