quarta-feira, 29 de novembro de 2017

In Our Time (Guang yin de gu shi) 1982

Um conjunto de quatro curtas-metragens de quatro realizadores taiwaneses (Tao Te-chen, Edward Yang, Ko I-Chen e Yi Chang), que anunciam o início da chamada "new wave" de Taiwan, e também nos introduz ao cinema de Edward Yang, através do segundo segmento. Colocadas juntas, cada uma destas curtas representa uma década dos anos 50 aos anos 80, e naturalmente nos apresenta uma visão instantânea da vida deste povo ao longo destes quarenta anos. 
Na primeira história temos o universo inocente das crianças, o jovem incompreendido pelos pais, vagueando de canto em canto, sempre acompanhado do seu dinosauro de plástico. A segunda é sobre uma jovem a passar pela idade da puberdade, a olhar curiosa para o peito nú do seu novo inquilino. A terceira história segue pelo caminho da comédia, com a história de um rapaz que não é levado a sério pelos amigos. A quarta história é a mais livre, e conta-nos a história de um homem recém casado que fica fechado do lado de fora do apartamento, com apenas uma toalha a cobrir o corpo, mas tem de enfrentar o cão do vizinho, e um mundo de estranhos das ruas movimentadas de Taipé.
 Os quatro realizadores eram todos estreantes e tinham estudado em escolas de cinema no exterior, onde adquiriram novas ideias e formas de fazer cinema, bem diferentes daquelas dos seus anciões taiwaneses. Cada história passada numa década diferente, avança cronologicamente, com as idades dos seus protagonistas a a evoluir também (passamos de um jovem de 8 anos, para uma adolescente, depois para um universitário, e por último um homem casado de fresco). As histórias são todas curtas, e a caracterização dos personagens principais é muito bem conseguida, todos eles não-actores a quem foi pedido que fossem eles próprios e não encarnassem outra pessoa.
Além disso, é impossível de ignorar o contexto social. Junto com os problemas habituais de crescer, há também a pobreza e a alienação. De repente os filmes em Taiwan tornaram-se arte e comentário social, e não apenas entretenimento. Essas são as grandes vantagens deste filme, o triunfo da juventude sobre a experiência.

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terça-feira, 28 de novembro de 2017

Flowers of Taipei: Taiwan New Cinema (Flowers of Taipei: Taiwan New Cinema) 2014

Para aqueles que não sabem muito sobre o tema deste ciclo, "Flowers of Taipei: Taiwan New Cinema" é um excelente guia para explicar porque a década de oitenta foi tão importante. Durante grande parte da década Taiwan ainda estava sob lei marcial, e politicamente a ilha estava isolada. E foi nestas circunstâncias que os cineastas exploraram a identidade tailandesa. 
Primeira obra de Hsieh Chin-lin, que cresceu a ver filmes de realizadores como Hou Hsiao-hsien ou Edward Yang, este documentário apresenta um olhar nostálgico sobre a razão porque estes realizadores foram tão importantes ao redor do mundo. Ao contrário do cinema de Hong Kong da altura, que era esmagadoramente comercial,  os filmes taiwaneses costumavam ser lentos, orientados por personagens e cuidadosamente enquadrados. Os assuntos retratados nos filmes deram aos espectadores uma visão dos problemas porque os taiwaneses estavam a passar, particularmente depois da ocupação japonesa. 
Este documentário inclui entrevistas com realizadores como Olivier Assayas, Kiyoshi Kurosawa, Jia Zhangke ou Tian Zhuangzhuang, que contam como estes filmes afectaram os seus próprios estilos e a sua percepção de Taiwan. Também apresenta alguns shots longos de passeios em comboios, caminhadas em parques, e composições que tentam ser uma homenagem ao Novo Cinema de Taiwan.
Vamos começar pelo documentário, e depois partiremos para uma viagem pelos filmes.
Legendas em inglês.

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domingo, 26 de novembro de 2017

O Novo Cinema de Taiwan

Desde o início da década de oitenta até ao presente, realizadores de Taiwan produziram uma excelente série de filmes explorando as tensões e os problemas sociais de uma forma bastante atraente, e de um forma bastante original, muitas vezes combinando o realismo social com a inovação modernista. Dentro deste movimento saíram alguns realizadores de classe mundial, como os casos de Hou Hsiao-Hsien, Edward Yang, e Ang Lee, e a série de filmes que fizeram hoje em dia merece a atenção mundial. Mas este movimento merece a atenção antes dos anos oitenta, o cinema taiwanês sofreu uma forte repressão, e antes era constituído como um cinema altamente propagandista, e/ou comercial, com muito poucos filmes ou realizadores de destaque.
Este cinema de Taiwan é "novo" porque traz consigo uma rebelião contra o anterior cinema de género, e tenta produzir um grupo de filmes socialmente críticos e esteticamente inovador, apropriado para explorar a sociedade contemporânea de Taiwan.
Neste ciclo veremos como o cinema de Taiwan é um conjunto de momentos da história, sociedade e identidade taiwanesa, que exploram os conflictos entre tradição e modernidade e que lidam com as preocupações do momento presente - uma conjuntura cheia de problemas e perigos, mas também algumas possibilidades.
Por agora não vou falar dos filmes, iremos conhecê-los um a um nas próximas 3 semanas, mas este ciclo assenta sobretudo nos primeiros filmes de dois realizadores, Hou Hsiao-Hsien e Edward Yang. Serão 13 filmes e um documentário, mas para vos abrir o apetite, aqui fica uma série de livros sobre o cinema de Taiwan, onde poderão tirar algumas notas:





Por hoje é tudo. Iremos começar o ciclo com o documentário "Flowers of Taipei - Taiwan New Cinema", e depois veremos os filmes. A maioria terá legendas em português, em alguns casos foi mesmo impossível de conseguir. Espero que apreciem este ciclo. Até breve.


A Loja dos Horrores (The Little Shop of Horrors) 1960

A história é contada pelo detective sargento Joe Fink (Wally Campo), que conta um caso policial envolvendo uma pequena floricultura localizada no bairro pobre de “Skid Row”, onde trabalham o proprietário Gravis Mushnik (Mel Welles), a sua jovem filha Audrey Fulquard (Jackie Joseph) e o empregado nerd Seymour Krelboin (Jonathan Haze). O sonho de Seymour é ser um botânico bem sucedido e casar-se com Audrey, mas é tão incompetente que para continuar no emprego teve que mostrar uma planta carnívora que criou em casa, na tentativa de atrair as pessoas para a loja ao expor o vegetal exótico e melhorar as vendas de flores em geral. Entre os estranhos clientes da floricultura estão um comedor inveterado de flores, Burson Fouch (Dick Miller), e uma mulher fanática por funerais, Sra. Siddie Shiva (Leola Wendorff), tia do detetive Frank Stoolie (Jack Warford), parceiro de Fink, e cujos parentes morrem a todo o momento, justificando a sua obstinação por flores para os enterros.
Uma divertida comédia de humor negro. Muito curta (com apenas 72 minutos), sem grandes efeitos especiais, e uma série de piadas muito subtis, principalmente as envolvendo a criatura carnívora ("feed me!) são absolutamente hilariantes, transformando esta obra numa espécie de filme de culto dos anos 60, e também da contra cultura cinematográfica americana. Vinte seis anos mais tarde foi alvo de uma remake da autoria de Frank Oz, bastante razoável até, e com Rick Moranis no principal papel. Jack Nicholson tem aqui uma das suas primeiras aparições no cinema, embora num papel secundário.
Tal como foi dito anteriormente, este filme foi gravado ao mesmo tempo que "A Bucket of Blood", com um orçamento de apenas 50 mil dólares para os dois filmes em conjunto, gerando quase um milhão e meio de dólares, e sendo hoje considerado um dos melhores filmes do realizador.
Legendas em espanhol.


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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

A Mulher Vespa (The Wasp Woman) 1959

A acenar ao sucesso comercial do ano anterior, "The Fly", de um grande estúdio, Corman realizou e produziu mais um filme de baixo orçamento, desta vez dedicado ao sub-género do insecto mutante. A história começa com as estranhas actividades do cientista Dr. Eric Zinthrop, despedido da Honey Fresh Bee Farm por conduzir experiências pessoais com vespas, na propriedade da empresa. Ele aproxima-se de Janice Starlin da Starlin Enterprises, uma das maiores empresas de cosméticos, por causa das suas recentes descobertas cientificas sobre as propriedades rejuvenescedoras das enzimas das vespas, para desenvolver novos produtos. A Starlin está a sofrer um declínio nas vendas, que os membros da administração culpam ao envelhecimento de Janice, já na casa dos 40 anos. Janice fica ansiosa que o Dr. Zinthrop teste nela um soro juvenil para a juventude, mas as coisas podem não correr bem...
Filmado em apenas duas semanas com um orçamento de 50 mil dólares, "The Wasp Woman" reflecte as tácticas de cortes de custos e a estética de baixo orçamento que o realizador vinha seguindo. Com um período de filmagens tão reduzido, raramente ele fazia mais do que um take para cada cena, a não ser que houvesse algum erro drástico ou algum mau funcionamento. E claro que isso depois acaba por se reflectir na montagem final do filme, com o enquadramento das personagens nem sempre a estar bem alinhado. 
No entanto, apesar do baixo orçamento, os efeitos especiais foram bastante aplaudidos por críticos contemporâneos pela sua mulher moderna, cujas desventuras muitas vezes reflectem problema ou preocupações feministas. 
O filme é muito raro, não tem legendas em qualquer língua.

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quinta-feira, 23 de novembro de 2017

O Balde de Sangue (A Bucket of Blood) 1959

Walter Paisley (Dick Miller) é um empregado num café boémio, que vive com ciúmes do talento (e popularidade) dos seus vários regulares artistas. Mas, depois de matar acidentalmente um gato, e cobrir o seu corpo com gesso para esconder as evidências, é aclamado como um escultor brilhante, mas os seus novos amigos querem ver mais do seu trabalho... Sem qualquer talento artístico, Walter deve recorrer a métodos semelhantes para produzir novos trabalhos, e entretanto, várias pessoas começam a desaparecer misteriosamente...
Roger Corman insistiu que esta era a primeira comédia negra em muitos anos, mas decerto que eles não estava a contar com "Monsieur Verdoux" de Chaplin, ou "The Trouble with Harry" de Hitchcock. De qualquer forma, "A Bucket of Blood" tem uma vibração muito própria, passada nos cafés "beatnick" da moda, com o saxofone "free jazz", e poesia "groovy". Foi talvez o primeiro filme de Corman a desenvolver uma atmosfera realmente rica, que só se tornou mais rica nos filmes subsequentes de Poe. E o mais notável ainda é que ele realizou o filme em apenas cinco dias (record pessoal na altura), e não esquecer que ele fez este filme e "The Little Shop of Horrors" (1960) ao mesmo tempo, com apenas 50 mil dólares.
Dick Miller quase em estreia, tornou-se conhecido por interpretar uma série de filmes de série b, e não só, em papéis secundários, mas nunca mais na sua carreira estaria tão bem como aqui. Este filme marcaria-o tanto que continuaria a interpretar personagens com o mesmo nome numa série de filmes, um dos quais "The Howling" de Joe Dante.

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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Teenage Caveman (Teenage Caveman) 1958

Robert Vaughn é um jovem teenager das cavernas, com cabelo estiloso, que procura descobrir o que existe nas selvas inexploradas para além do acampamento da sua tribo. Dizem-lhe que é proibido lá ir, mas ele quebra as regras, e descobre um monstro que mata com o seu toque.
Facilmente nos divertimos com o filme, também por causa do óbvio baixo orçamento, e da descontração do argumento, mas considerá-lo como um épico das cavernas é muito ambicioso, de facto. Na verdade, o filme pretende fazer uma ligeira crítica às leis da natureza e a tradição, e não podemos deixar de admirar a intenção sobre isto. Se o argumento não fosse tão detalhado neste aspecto, talvez tivesse funcionado melhor.
"Teenage Caveman" conta com uma futura estrela de Hollywood em ascenção, Robert Vaughn, aqui a interpretar um jovem primitivo intelectual que resolve desafiar as restrições da sua pequena comunidade de homens das cavernas. Vaughn que estava tão em ascenção que apenas dois anos mais tarde seria nomeado para o Óscar de Melhor Actor Secundário em "The Young Philadelphians", que vimos aqui ainda recentemente no ciclo de Paul Newman. Um destaque também para o actor Beach Dickerson, que interpreta vários papéis.
Foram usadas imagens de vários filmes, tais como: "The Day the World Ended", "The She-Creature", e alguns fatos de "Night of the Blood Beast". A inspiração de Corman foi claramente "One Million B.C.", um êxito do ficção científica dos anos 50.

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domingo, 19 de novembro de 2017

The Saga of the Viking Women and Their Voyage to the Waters of the Great Sea Serpent (The Saga of the Viking Women and Their Voyage to the Waters of the Great Sea Serpent) 1957

Um grupo de mulheres vikings de Stanjold decide partir em busca dos seus homens que não regressaram depois de uma expedição de caça. Constroem um navio viking e partem para o mar. Ao longo do caminho as tensões crescem entre Desir, a líder feminina, e Enger, a religiosa e rival de Desir. As mulheres entram dentro de uma grande tempestade onde encontram o Monstro do Vórtice, uma grande serpente marinha. Entretanto um raio atinge o mastro e destroi o navio.
Filmado em 10 dias com o o título de "Viking Women", um título curto e atraente como era habitual na AIP, mas na verdade, segundo o próprio realizador, não havia título que conseguisse sumarizar o complicado argumento deste filme, acabando por ir parar a "Viking Women and Their Voyage to the Waters of the Great Sea Serpent", idéia do próprio Corman. 
Houve muitos problemas durante a pré-produção e rodagem. A primeira protagonista feminina foi despedida depois de se descobrir que era mais alta do que o protagonista masculino. Foi substituída por Kipp Hamilton que também foi despedida quando pediu mais dinheiro. Finalmente o papel de protagonista foi parar a Abby Dalton, que já estava no elenco, subindo assim todo o elenco feminino para um ponto acima. 
Os efeitos especiais também foram um problema, quando Corman percebeu que não tinha orçamento para executar o filme segundo a visão de Irving Block, o escritor original, por isso foi preciso arranjar alternativas para ocultar as limitações dos efeitos especiais, tais como utilizar uma iluminação discreta.
É um filme muito raro, e não tem legendas. Apesar disso não quís deixa-lo fora deste ciclo.

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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

The Undead (The Undead) 1957

Um hipnotizador (Val Dufour) de ética questionável envia uma jovem prostituta (Pamela Duncan) para trás no tempo, onde ela reencarna numa mulher que foi erradamente condenada a morrer como uma bruxa, mas logo descobre que pode estar a alterar o rumo da história, e como consequência, a sua própria existência.
Um filme com um orçamento ultra-reduzido, supostamente filmado em menos de uma semana, e que goza de uma reputação muito duvidável, completamente imerecida, em parte por ter sido incluído na famosa série "Mystery Science Theatre 3000", destinada a filmes muito maus. Mas, na verdade, é um óptimo exemplo do que se pode fazer com argumentos muito reduzidos, principalmente quando se tem uma equipa de produção muito boa, e um argumento ambicioso e imaginativo, como este de Charles B. Griffith e Mark Hanna.
Parte do divertimento de "The Undead" é a sua imprevisilidade. O filme anda para trás e para a frente no tempo, entre a idade média e a sessão de hipnose, com vários eventos a acontecerem ao longo do caminho que poderão mudar o rumo da história. Quando as coisas começam a ficar fora de mão, a vida de Diana pode estar em risco. O argumento pode parecer um pouco confuso, mas a história flui de uma forma bastante suave. 
O orçamento de 75 mil dólares não dava para muito, por isso grande parte dos cenários foram construídos dentro de um supermercado fechado. Foi usada uma máquina de fazer nevoeiro, e nunca são vistas mais de uma dúzia de pessoas no ecrã ao mesmo tempo, o que não dava grandes hipóteses para fazer recriar um ambiente medieval. Também foram reutilizados os morcegos que já tínhamos visto em "It Conquered the World" (1956). Gostar deste filme convém perceber estes pequenos pormenores orçamentais, que acabam por valorizar mais o resultado final. 

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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

O Ataque dos Caranguejos Gigantes (Attack of the Crab Monsters) 1957

Um grupo de cientistas viaja para uma ilha isolada para estudar os testes do uso de armas nucleares. Na chegada, o avião explode e os cientistas ficam presos no local. Depressa descobrem que a ilha é habitada por caranguejos gigantes. Além dos monstros inteligentes os seus problemas só aumentam quando percebem que a ilha está a afundar-se lentamente. 
Roger Corman tinha apenas 31 anos em 1957, o ano mais prolífico da sua carreira, ao realizar um total de nove filmes. Foram explorados neste ano vários sub-géneros da exploitation, como o terror ("The Undead"), o Rock N´Roll ("Carnival Rock and Rock All Night"), o drama Havaiano ("Naked Paradise"), a "bad girl" adolescente ("Sorority Girl" e "Teenage Doll") e um filme inclassificável chamado "The Saga of the Viking Women and Their Voyage to the Waters of the Great Sea Serpent". Os filmes mais importantes de Corman neste ano foram o filme que vimos anteriormente, "Not of this Earth", e este "Attack of the Crab Monsters". 
"Attack of the Crab Monsters" também foi escrito por Charles B. Griffith, e estava carregado de boas ideias. Provavelmente tinha ideias para cinco filmes. O cenários é incerto, com a ilha constantemente a desmoronar-se, criando uma sensação de isolamento e medo, bem ajudada por uma partitura musical de Ronald Stein, e uns visuais bizarros e inquietantes, com alguns toques de "gore", como uma mão a ser decepada, mas nada prepara o espectador para o que está por vir. 
Custou apenas 70 mil dólares a ser produzido mas rendeu mais de um milhão nas bilheteiras, tornando-se no filme de Corman mais rentável desta fase da sua carreira. Há quem diga que parte do sucesso se deveu à selvajaria do título: "Attack of the Crab Monsters".

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terça-feira, 14 de novembro de 2017

Not of This Earth (Not of This Earth) 1957

Um agente extraterrestre chega à Terra do distante planeta Davana, através de um transportador de matéria bastante evoluído. Começa então a aterrorizar o sul da Califórnia, numa tentativa de adquirir sangue para a sua raça moribunda, com o resultado a ser uma devastante guerra nuclear.
"Not of this Earth" embora não seja considerado dos melhores filmes de Roger Corman, é, sem dúvida um dos melhores dos anos cinquenta do realizador, e também um dos melhores de ficção científica para este início de carreira, e o motivo talvez seja porque o filme percorreu vários géneros sem nunca descarrilar. Mais importante, é um "shocker" de baixo orçamento que resulta bastante bem, graças, principalmente, aos argumentistas, onde estava incluído Charles B. Griffith, que já começava a ser uma habitual colaboração de Corman, e ao fantástico elenco, apesar do actor principal, Paul Birch, não se dar bem com o realizador. Talvez isso até tenha sido um factor decisivo para melhorar o seu desempenho, já que o seu desempenho é bastante hostil, e a sua personagem um dos aliens mais assustadores dos anos cinquenta.
Paul Johnson (Birch), sempre no seu fato preto, que o faz parecer o empresário mais sinistro do mundo, e com um discurso que também não aquece nada. Talvez Birch não tenha gostado da personagem, mas não conseguimos imaginar outro actor a ficar com o papel. 
Com apenas 67 minutos de duração, diz-se que foi umas das principais inspirações para "They Live" (1988), de John Carpenter. 

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terça-feira, 7 de novembro de 2017

It Conquered the Earth (It Conquered the Earth) 1956

Um dos vários membros restantes de uma raça de extraterrestres, habitantes de Vénus, é guiado para a Terra por Tom Anderson, um cientista descontente, que lhe diz em que humanos ele deve meter dispositivos de controle mental. Entre eles está o seu antigo amigo e companheiro Paul Nelson. Nelson finalmente persuade o paranóico Anderson que errou ao se aliar a um alienígena determinado a dominar o mundo.
Este filme de série B de Roger Corman é talvez mais conhecido pelo extraterrestre ridículo com aparecia de vegetal criado por Paul Blaisdell, que já tinha criado o mutante do filme anterior de Corman, mas na realidade até é uma entrada bastante decente no sub-género dos filmes de histeria comunista do meio do século, como "Invaders from Mars" (1953), ou "Invasion of the Body Snatchers" (1956).  Lee Van Cleef é estranhamente eficaz (e bem fundamentado) no papel central, de cientista tão desiludido com a humanidade que recorre a um ser extraterrestre para "salvar o mundo de si próprio".  Destaque também para o outro protagonista, Peter Graves, ainda bem longe do seu papel na série "Missão Impossível", e Beverly Garland, bem convincente no papel da esposa de Van Cleef.
O argumento de Charles B. Griffith faz maravilhas com cenários que de outra forma seriam risíveis (como morcegos de borracha a atacarem pescoços de pessoas para lhes removerem todas as emoções), além de outras cenas notáveis. A grande força do filme vem de facto do argumento, com uma profundidade que não é muito habitual encontrar em filmes de baixo orçamento deste período, com discussões filosóficas sobre o poder das emoções humanas. Aliás, o argumento tem a sofisticação de outros filme de Corman deste período, como veremos em breve.

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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O Dia do Fim do Mundo (Day the World Ended) 1955

Depois de uma guerra nuclear, um grupo improvável de pessoas, incluindo um rancheiro, um geólogo, um criminoso e a sua namorada encontram-se presos no meio do nada enquanto lutam contra um mutante criado por Paul Blaisdell. O geólogo e o criminoso também vão lutar pela atenção da filha do rancheiro.
Lançado nos anos cinquenta, em plena era atómica, "Day The World Ended" conta a história do que aconteceu quando o homem finalmente se destrói num holocausto nuclear. Apenas sete pessoas sobrevivem à explosão, e o destino da humanidade está nas mãos deste pequeno grupo, que luta pelo seu destino neste novo mundo mutante.
"Day The World Ended" foi o terceiro filme de Corman como realizador, e o primeiro no domínio da ficção científica. Corman tornou-se num herói de culto, o messias do cinema de baixo orçamento, mas sem dúvida que a sua maior contribuição foi como produtor. 
Uma casa no sopé das montanhas de Hollywood serve de refúgio para este grupo, assim como uma grande lagoa em Sportsman's Lodge. O resto do filme é filmado nas Bronson Caverns em Griffith Park. O filme faz um óptimo trabalho ao mostrar as pressões enfrentadas pelos sobreviventes, principalmente o cientista e o seu irmão radioactivo. A capacidade dos dois em fazer a situação parecer real, ajuda o monstro a parecer menos falso. Enquanto Corman é conhecido por trabalhar rápido e barato, os seus actores não parecem apressados na tela. O gangster é interpretado por Mike "Touch" Connors, antes de se tornar no herói da série "Mannix". 

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domingo, 5 de novembro de 2017

Roger Corman - Parte 1

Roger Corman é considerado o Papa do cinema Pop, o indiscutível rei da série B, e um dos mais prolíficos realizadores de todos os tempos. Se não fosse ele, provavelmente nunca conheceríamos realizadores e actores como Martin Scorsese, Francis F. Coppola, James Cameron, Joe Dante, Jonathan Demme, Peter Bogdanovich, Curtis Hanson, Robert de Niro, Jack Nicholson, Dennis Hopper, Peter Fonda, Bruce Dern, entre outros. Como distribuidor trouxe pela primeira vez para a américa os trabalhos de Ingmar Bergman, François Truffaut, Federico Fellini, Akira Kurosawa, expondo a jovens realizadores americanos um tipo de cinema que iria mudar Hollywood para sempre.
Apesar destas importantes colaborações para o cinema, ele provavelmente será mais conhecido pelos filmes de exploitation que fez. A sua filosofia para fazer filmes era de minimizar os riscos principalmente a fazer filmes de género destinados a um público específico, piorizando a quantidade sobre a qualidade, tentando espremer cada moeda do orçamento para maximizar o lucro. Por vezes isto significava tirar o dinheiro restante de um filme, e usá-lo para fazer outro completamente diferente, e fazê-lo bem depressa. Ele também reutilizaria cenários e actores ao longo de uma série de filmes, para economizar custos. Por vezes era contratado um argumentista para escrever o argumento no local.
Corman tirou o diploma no curso de engenharia industrial de Stanford, conseguindo um emprego na U.S. Electrical Motors. Demitiu-se ao fim de quatro dias, dizendo ao chefe que "cometeu um terrível erro". Acabou por prosseguir uma carreira no cinema, depois de um breve período na Fox, a ler argumentos. Mas rapidamente descobriu que queria seguir a sua carreira sozinho.
Acabou por ir parar à recém formada American International Pictures (AIP), que se dedicava a fazer filmes independentes de baixo orçamento, destinados a adolescentes. Aqui produziu e co-produziu 19 filmes nos seus primeiros três anos com a companhia. Também teve um grande impacto como realizador, onde dirigiu inúmeros filmes.
Um ciclo de Corman, que se queira o mais completo possível, demoraria muito tempo. Então, decidimos cortá-lo em várias partes, com a primeira a ir para o ar nos próximos dias, e que irá focar-se nos filmes realizados por sim no início de carreira, entre 1955 e 1959, com especial enfoque nos filmes de monstros.
Dada a raridade de alguns dos filmes que serão apresentados, não terão legendas, mas a maioria terá legendas em português.


terça-feira, 31 de outubro de 2017

Noite de Halloween

A noite de 31 de Outubro é internacionalmente conhecida como a Noite de Halloween. Apesar de ser um feriado americano, cada vez tem maior repercussão em Portugal. Aqui, no My Two Thousand Movies, é um habitual período para filmes de terror. Por isso, para esta noite, fizemos uma seleção especial com 20 filmes de terror, escolhidos meio ao acaso, mas todos eles bastante recomendados. É servirem-se, e bom Halloween.

- Amer (2009), de Hélène Cattet e Bruno Forzani. Link Imdb
- Bug (1975), de Jeannot Szwarc Link Imdb
- Dead Snow (2009), de Tommy Wirkola Link Imdb
- Eden Lake (2008), de James Watkins Link Imdb
- El Vampiro (1957), de Fernando Méndez Link Imdb
 - Fragile (2005), de Jaume Balagueró Link Imdb
- Kitchen Sink (1989), de Alison MacLean Link Imdb
- La Horde (2009), de Yannick Dahan, Benjamin Rocher Link Imdb
- Nomads (1986), de John McTiernan Link Imdb
- Schramm (1993), de Jorg Buttgereit Link Imdb
- Session 9 (2001), de Brad Anderson Link Imdb 
- Skjult (2009), de Pal Oie Link Imdb
- The Oblong Box (1969), de Gordon Hessler Link Imdb
- The Beyond (1981), de Lucio Fulci Link Imdb
- The Abandoned (2006), de Nacho Cerdà Link Imdb
- Tony (2009), de Gerard Johnson Link Imdb
- Tras el Cristal (1986), de Agustin Villaronga Link Imdb
- Veneno Para las Hadas (1984), de Carlos Enrique Taboada Link Imdb
- Visitor Q (2001), de Takashi Miike Link Imdb
- Wolfen (1981), de Michael Wadleigh Link Imdb

O próximo ciclo começa no fim de semana. Até lá, divirtam-se.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Dois Homens e Um Destino (Butch Cassidy and the Sundance Kid) 1969

Butch (Paul Newman) e Sundance (Robert Redford) são os dois líderes do gang  Hole-in-the-Wall . Butch é o homem das idéias, Sundance o homem da acção e habilidade. O Oeste está a ficar civilizado, e como eles assaltam um comboio com muita frequência acabam a ser perseguidos, vão eles para onde quer que vão. Por cima das rochas, por dentro das cidades, através dos rios, um grupo segue sempre no seu encalço. Quando finalmente escapam por pura sorte, Butch tem uma nova idéia: "Vamos para a Bolívia".
Quando "Butch Cassidy and the Sundance Kid " estreou, em 1969, o western como género cinematográfico dominante estava a entrar em eclipse, e não iria ressurgir durante muitos anos, embora ninguém soubesse disso na altura. Apenas John Wayne, com o sentimental "True Grit" (1969) tornou-se no favorito para ganhar o Óscar de Melhor Actor nesse ano, continuaria a entrar em westerns regularmente. Mas mesmo estes filmes que restavam eram tocados por uma consciência da doença que o perseguia, e que lhe levaria a vida em 1979. Os tempos tinham mudado, a percepção da história foi-se alterando, e as antigas mitologias do western já não resultavam mais. Numa época de rebeldião contra-cultural e protesto anti-governamental, filmes como "Bonnie & Clyde" (1967), de Arthur Penn, transformaram o criminoso no herói fora da lei, o rebelde simpático que tentava fugir da tirania da sociedade e da autoridade opressiva. Neste ambiente, surgiram dois westerns com abordagens decididamente diferentes de tudo o que havia sido feito antes.
O primeiro foi "The Wild Bunch" (1969), de Sam Peckinpah, um banho de sangue nos últimos dias do Velho Oeste, que juntamente com as transmissões da guerra do Vietname, mudaram para sempre a nossa consciência sobre violência no ecrã. O outro foi, "Butch Cassidy and the Sundance Kid", feito num momento em que a sociedade se estava a aproximar dos heróis, selando o seu inevitável destino. Também eram uma lufada de ar fresco no western convencional, que de certa forma reafirmavam a nossa identificação com o género, com personagens que pareciam mais do nosso tempo do que foram do passado. Onde Peckinpah e Penn mostraram os seus personagens a morrerem de horríveis mortes sangrentas, em câmara lenta, chocante, mas estranhamente românticas, George Roy Hill, neste "Butch Cassidy and the Sundance Kid ", congelou o quadro final, antes da morte da dupla de bandidos, interrompendo a tempo a sua amizade afectuosa e divertida, bem como a lenda. Nostálgia e sátira, detalhes históricos e sensibilidades modernas, uma lamentação por tempos perdidos e uma sentido cómico contemporâneo. "Butch Cassidy and the Sundance Kid" tinha tudo isto, e a audiência adorou.
Com críticas medíocres na estreia, "Butch Cassidy and the Sundance Kid" tornou-se num fenómeno no boca a boca, impulsionando a carreira de todos os envolvidos. Paul Newman já era uma estrela, mas encontrou aqui uma nova geração de fãs, conseguindo ainda o seu primeiro grande sucesso num papel cómico. Robert Redford, que até aqui era apenas mais um protagonista conseguiu alcançar o estrelato graças ao seu talento.  William Goldman estabeleceu-se como um argumentista de sucesso com o seu primeiro argumento importante, vencendo um Óscar com este filme, e George Roy Hill, ganhou mais controle sobre os seus trabalhos. Quatro anos mais tarde, este trio formado por Hill - Redford - Newman voltariam a reunir-se para mais um filme de sucesso, chamado "The Sting". Hill também voltaria a trabalhar com os dois actores em separado.

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domingo, 29 de outubro de 2017

A Guerra Secreta de Harry Frigg (The Secret War of Harry Frigg) 1968

Quando cinco generais aliados são capturados pelos alemães, são levados para a mansão da Condessa Francesca De Montefiore (Sylva Koscina), onde serão mantidos prisioneiros no estilo de vida que merecem. Infelizmente, como são todos generais de uma estrela, não conseguem concordar com os outros num plano para fuga. A solução é enviar para lá o rebelde soldado Harry Frigg (Paul Newman), especialista em fugas, para ajudar os generais a fugir. O problema é que ele quando chega à mansão, conhece a condessa  Francesca De Montefiore, e já não quer saír de lá.
Os primeiros vinte minutos de "The Secret War of Harry Frigg" são um pouco difíceis, porque mostram Paul Newman no seu pior. Simplificando, Paul Newman dá o seu melhor, mas ele não consegue fazer de burro, e embora consiga fazer da comédia charme não é num papel destes cheio de maneirismos. As boas noticias são que depois destes vinte minutos as coisas melhoram. Primeiro pelas discussões divertidas entre estes cinco generais, depois pela chegada de Frigg, que em vez de tentar escapar vai tentar atrasar a fuga, para chegar mais perto da Condessa.
Uma comédia de guerra realizada por Jack Smight, que já tinha trabalhado com Paul Newman em "Harper", e aqui volta a trabalhar num filme que não é mais do que um veículo para o actor. Foi dos poucos flops de Newman nos anos sessenta, mas mesmo assim alcançou um sucesso razoável nas bilheteiras norte americanas.

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O Presidiário (Cool Hand Luke) 1967

"Há estrelas e há actores como Paul Newman, cuja presença icónica e penetrantes olhos azuis transcendem regularmente até o melhor trabalho em que trabalham. A postura galharda de "O Presidiário" pode oscilar de vez em quando, mas a magnética personalidade de Newman empresta ao filme o peso que a sua história relativamente simples luta nobremente por suportar. Filmado num impressionante ecrã largo (o melhor a captar o brilho do sol e os prisioneiros, ligados por correntes, luzidios de suor e sem camisa), o filme de Stuart Rosenborg vacila ambiciosamente entre uma história francamente anti-autoritária e uma grande lenda "macho" para acabar numa curiosa e incompleta alegoria de Cristo.
O facto de a película se afundar desajeitadamente a meio caminho não deve surpreender ninguém, mas "O Presidiário" continua mesmo assim a prender a atenção. Newman interpreta um homem comum enigmaticamente recalcitrante, Lucas "Cool Hand" Jackson (Luke) atirado para o presídio por cortar, em rebeldia, os topos dos paquímetros. Uma vez encarcerado ele colide, sem surpresa, com um sistema de regras ainda mais teimoso e, à medida que o seu estoicismo perturbador se torna mais disruptivo, as punições que lhe são infligidas tornam-se mais severas. Cheio de diálogos citáveis e sequências memoráveis, "O Presidiário" existe como uma obra icónica em si mesma, decepcionamtemente ligeira em significado, mas cheia, de modo definitivo, de significação cultural (contracultural).
Efectivamente, várias frases do filme entraram no léxico do cinema (a ameaçadora declaração discreta: "o que temos aqui é um problema de comunicação", por exemplo) enquanto cenas como a aposta de comer ovos e uma batalha a murro no átrio da prisão são a essência da lenda do cinema. Uma grande parte do charme considerável de "O Presidiário" deriva de um colorido elenco de actores secundários, um contingente de faces jovens que um jovem Dennis Hopper, Harry Dean Stanton, e George Kennedy como o rival de Newman, depois o seu braço-direito.
Kennedy levou para casa o Óscar de Melhor Actor Secundário pelo seu retrato de Dragline, o definitivo duro ingénuo. Mas no coração do filme está o desempenho tranquilamente carismático de Newman, que mostrou o actor no topo do seu jogo e propulsionou para o topo a sua popularidade. Comparado com o desempenho super-activo de Jack Nicholson no estranhamente similar "Voando Sobre um Ninho de Cucos", Newman em "O Presidiário" é todo subtileza, sorrisos sabedores e confiança" Texto de Josha Klein.

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sábado, 28 de outubro de 2017

Um Homem (Hombre) 1967

"Paul Newman é um homem branco raptado em criança pelos Apaches e criado com os da sua raça.Tendo herdado a pobreza e regressado aos brancos, descobre-se numa diligência no Novo México com um grupo variado que incluí Diane Cilento como uma viúva divertida, Fredric March como um corrupto agente dos assuntos indios, e Martim Balsam como o cocheiro mexicano da diligência. A meio da jornada são assaltados por um bando ligado a outro passageiro, Richard Boone. Newman, demonstrando o seu treinamento Apache, mata dois dos bandoleiros mas não vê razão para dar mais assistência aos viajantes, já que alguns deles deixaram claro o seu ódio pelos índios.
"Um Homem", de Martin Ritt, exibe muito do sentimento liberal que se tornou um lugar-comum nos westerns dos anos sessenta e depois, mas a retórica fica em segundo plano relativamente ao agravar das tensões entre as personagens, à medida que o jogo do gato e do rato entre o bando e os seus prisioneiros se desenvolve. Newman é excelente como um John Russell gelidamente autocontrolado, cuja dualidade ética lhe dá uma visão muito especial do preconceito racial, e Richard Boone, como o seu adversário, afasta-se jovialmente da hipocrisia dos cidadões mais respeitáveis." Texto de Edward Buscombe  
O elenco de luxo contém ainda nomes como Cameron Mitchell, Barbara Rush e Frank Silvera.

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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Cortina Rasgada (Torn Curtain) 1966

O professor Michael Armstrong dirige-se para Copenhaga, para acompanhar uma conferência de física com a sua assistente / noiva Sarah Sherman. Quando lá chegam Michael diz-lhe para ela regressar e ele deve ficar mais algum tempo. Ela segue-o, e descobre que ele está a ir para a Alemanha oriental, para trás da cortina de ferro, e fica chocada quando descobre que ele está a desertar para o oriente depois do governo ter cancelado o seu processo de pesquisa. Mas ele não está a fugir mas sim à procura de um famoso cientista da alemanha oriental.
Quando Alfred Hitchcock começou o seu 50º filme, "Torn Curtain" (1966), deveria estar no auge da sua carreira. Depois de quatro décadas como realizador, os seus filmes ainda eram populares, os críticos franceses proclamavam-no como um grande artista, e alguns críticos americanos começavam a concordar com a sua brilhante gestão da carreira. No entanto, ao começar a juntar as idéias para "Torn Curtain", sentiu-se inseguro. "The Birds" (1963), apesar de popular, tinha ficado longe do êxito de "Psycho" (1960), e o seu próximo filme "Marnie" (1964) tinha sido um desastre a nível de público e crítica. Temendo que estivesse a perder o toque, Hitchcock permitiu que a Universal fizesse mais e mais exigências para que o filme fosse um sucesso.
A idéia para este filme era interessante. Depois do casal de espiões Burgess e MacLean terem sido capturados, em 1951, estava na altura de passar a história para a grande tela, quando se estava no auge dos filmes de espionagem, e James Bond era um êxito garantido, o que fazia desta altura a ideal. Mas Hitchcock estava longe de querer fazer uma réplica das aventuras de 007.  Ele queria revelar o lado sombrio da espionagem, queria fazer o "homem médio" americano fazer-se sentir um espião, e o quanto sujo este trabalho era.
Hitchcock não ficou contente com as escolhas de casting, mas acabou por acatar as ordens da Universal: Paul Newman e Julie Andrews, duas estrelas maiores na década de sessenta. Newman aborreceu Hitchcock, pela forma como se comportou num jantar em sua casa. Enviou-lhe um memorando detalhando em três páginas problemas do argumento. Como o peso das duas estrelas principais levava logo grande parte do orçamento do filme, houve dificuldade em encontrar um resto do elenco decente.
Os críticos não mantiveram "Torn Curtain" em grande estima, mas, ainda assim, seria o maior êxito do realizador desde "Psycho". Mas ficava o aviso que provavelmente não era boa idéia vergar-se às ordens dos grandes estúdios.

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