terça-feira, 10 de maio de 2022

A Borboleta Vermelha (I Love You, Alice B. Toklas!) 1968

 Peter Sellers é Harold Fine, um advogado trintão que não está ansioso por chegar à meia-idade, nem por um futuro casamento. Tudo muda quando ele conhece Nancy, uma jovem hippie de espírito livre, inocente e bonita. Decide desistir de tudo e tornar-se um hippie também, mas será que poderá voltar à vida normal quando descobre que a vida de "hippie" é demasiado independente e irresponsável para os seus gostos?
Originalmente lançado em 1968, "I Love You, Alice B. Toklas!" era a interpretação de um estúdio grande de Hollywood sobre a cultura psicadélica emergente. O humor centra-se no momento em que os hippies se encontram com o trabalhador regular das 9 às 5, com Peter Sellers a carregar o filme, num papel sempre intenso e cheio de momentos de boa disposição, apesar do filme, mais de 50 anos depois, estar já bastante datado. 
Um argumento a 4 mãos de dois nomes bem interessantes, Paul Mazursky e Larry Tucker, a dupla que no ano seguinte estaria por trás do enorme êxito "Bob and Carol and Ted and Alice", e a realização a cargo de Hy Averback, um realizador maioritariamente de televisão que fez alguns filmes no final da década de sessenta.

segunda-feira, 2 de maio de 2022

A Festa (The Party) 1968

Hrundi V. Bakshi é um ator desajeitado de origem indiana que está a rodar um filme no deserto. Por causa dos seus erros contínuos é demitido das filmagens. Inesperadamente, ele recebe um convite para participar numa festa sofisticada organizada pelo produtor de seu último filme. Graças a Hrundi, as situações mais loucas ocorrerão durante a festa.
Entre os filmes de sucesso de "A Pantera Cor de Rosa", o realizador Blake Edwards criou outro veículo para Peter Sellers, para mostrar os dons de mímica do actor. Uma vez que Sellers aparece numa festa o filme torna-se num desfile para os vários episódios embaraçosos que afligem o seu personagem excêntrico. Apesar da história simples e das palhaçadas, há um constante foco no nervosismo que assola qualquer pessoa convidada para uma grande festa, tornando o Hrundi V. Bakshi de Sellers uma personagem bastante simpática.
É uma obra hilariante, próxima da genialidade, considerado por muitos como o melhor filme de Edwards, e também o melhor de Sellers, que aqui se revela um dos maiores monstros da comédia de todos os tempos.

segunda-feira, 25 de abril de 2022

Casino Royale (Casino Royale) 1967

Quando o chefe “M” (John Huston) da agência secreta é assassinado, James Bond (David Niven) deixa a reforma de espião para ajudar a esmagar a SMERSH, o grupo de assassinos possivelmente responsáveis. E para proteger a sua verdadeira identidade, o nome de Bond é dado a vários agentes, incluindo Evelyn Tremble (Peter Sellers) e o sobrinho neurótico de Bond, Jimmy (Woody Allen).
"Casino Royale" é a paródia original, estabelecendo os precedentes para os filmes de Austin Powers no final dos anos 90. A presença de cinco realizadores aliada ao enredo excessivamente complicado, torna o filme quase impossível de se seguir. Uma sátira ao mais alto grau, foi o primeiro filme não oficial de James Bond, mas é desnecessário compará-lo a qualquer filme de série. O elenco de celebridades está embaraçosamente em piadas ridiculas atrás de piadas ridiculas, mas o mais valioso do filme é mesmo a banda sonora da autoria de nomes como Burt Bacharach, Herb Albert e Dusty Springfield.
John Huston, Ken Hugues e Robert Parrish foram alguns dos realizadores associados ao projecto, enquanto que o elenco contava ainda com Ursula Andress, Orson Welles, Deborah Kerr, William Holden, Charles Boyer, Jean-Paul Belmondo, Barbara Bouchet, entre tantos outros. A banda sonora conseguiu uma nomeação para os Óscares. 

domingo, 17 de abril de 2022

A Raposa Dourada (Caccia Alla Volpe) 1966

Para executar um milionário roubo, um homem (Peter Sellers) faz-se passar por um realizador de cinema numa vila no interior de Itália, onde a produção de um filme é mero pretexto para a execução do plano.
Uma reunião improvável do realizador italiano de cinema neorealista Vittorio de Sica e do dramaturgo americano Neil Simon, resultou nesta paródia desigual, mas com momentos hilariantes, num filme de assalto. Peter Sellers tem uma interpretação tipicamente estelar no papel principal, interpretando um homem tão autoconfiante nas suas habilidades como um ladrão de classe mundial que prevê abertamente a sua própria capacidade de escapar da prisão caso seja apanhado. Mas o filme acaba por ser roubado por um improvável Victor Mature, no papel de um convencido actor. Longe dos seus tempos áureos, o actor já andava meio arredado do mundo do cinema, e tem aqui um óptimo renascimento. O filme incluía ainda Britt Ekland, Martin Balsam e Akim Tamiroff  à frente de um elenco maioritariamente italiano. 
Curiosamente, De Sica traz-nos uma visão amarga de como a industria cinematográfica explora não apenas os actores, mas as pessoas comuns que se deslumbram com o mundo do cinema.

sábado, 9 de abril de 2022

A Fabulosa Troca de Caixões (The Wrong Box) 1966

Século 19, Inglaterra. Um grupo de homens guarda conjuntamente uma grande quantia em dinheiro, que só poderá ser utilizada pelo último filho sobrevivente de todos eles. Os anos passam e apenas dois irmãos restam. Tentando se apoderar do dinheiro, eles passam a lutar um pela morte do outro. 
"The Wrong Box" é um filme difícil de se categorizar. É suposto ser uma comédia, mas não é muito engraçado, também não existe drama suficiente para ser categorizado como tal. Baseado num livro do mesmo nome, escrito por Robert Louis Stevenson e pelo seu sobrinho, Lloyd Osbourne, com realização de Bryan Forbes, um homem que realizou uma série de filmes interessantes em meados da década de 50, entre os quais "The L-Shaped Room". 
O livro é muito mais sombrio do que o filme, mas na tela "The Wrong Box" acaba por se tornar numa farsa mais convencional, no centro da qual está um romance entre um par de personagens docemente ingénuos. O elenco tem muita classe, e reúne um grupo de actores de grande prestígio do cinema britânico daquele periodo, como Michael Caine, John Mills, Ralph Richardson, Peter Cook, Dudley Moore, Nanette Newman, Peter Sellers, ou Peter Graves.

domingo, 3 de abril de 2022

Que há de Novo, Gatinha? (What's New Pussycat) 1965

 Michael James, um conhecido mulherengo, quer desesperadamente ser fiel à sua noiva Carole, mas depara-se com sérios problemas, já que todas as mulheres que conhece apaixonam-se por ele. O seu psicanalista, o Dr. Fassbender (Sellers), também não pode ajuda-lo, porque anda ocupado a cortejar uma das suas pacientes, que por sua vez está interessada em Michael. Uma catástrofe aparece no horizonte, quando todos os personagens se hospedam no mesmo hotel para passar o fim de semana, sem saberem uns dos outros.
Supostamente baseado na vida amorosa de Warren Beatty, apontado para ser o protagonista mas depois substituído por Peter O´Toole, com o próprio título a ser uma das suas famosas expressões, tinha Woody Allen com um dos seus primeiros trabalhos (como argumentista e um dos principais papéis). As suas obsessões familiares com os problemas que o amor e o sexo trazem para uma relação são cómicas, mas são muito mais cruas do que os argumentos que Allen escreveria mais tarde, e a sua personalidade de gozador e apaixonado estão já quase totalmente formados aqui. 
Com realização de Clive Donner, o elenco, para além de O´Toole, Allen e Peter Sellers. contava com uma constelação de estrelas: Romy Schneider, Capucine, Paula Prentiss e Ursula Anderss. 

domingo, 27 de março de 2022

Um Tiro às Escuras (A Shot in the Dark) 1964

Em Paris, na mansão de Benjamin Ballon (George Sanders), um conhecido milionário, um crime é cometido e por engano é mandado o Inspetor Jacques Clouseau (Peter Sellers), o mais atrapalhado dos detetives franceses. Enquanto as investigações avançam, novas mortes acontecem e as evidências sugerem que a culpada é Maria Gambrelli (Elke Sommer), uma empregada que trabalha na mansão de Ballon. Entretanto, Clouseau tem certeza da inocência dela e está disposto a investigar (mas sempre de uma forma pouco convencional) o caso, para descobrir quem é o culpado ou culpados das mortes.
Segundo filme na série de "The Pink Panther", e talvez o seu melhor. Novamente realizado por Blake Edwards, com muitas coisas positivas neste filme: desde a banda sonora de Henry Mancini, o brilhante trabalho de Peter Sellers, e muitas piadas bem montadas. Apenas a confiança excessiva na palhaçada fácil impedem o filme de se elevar para outro nível  no território da comédia. O elenco de apoio também é perfeito, com Elke Sommer, George Sanders, e Herbert Lom. 
William Peter Blatty, o argumentista de "O Exorcista", colaborou no argumento, tendo escrito algumas comédias, sobretudo para Blake Edwards, antes de se dedicar ao seu enorme sucesso.


domingo, 20 de março de 2022

O Mundo De Henry Orient (The World of Henry Orient) 1964

Enquanto tenta seduzir uma mulher casada (Paula Prentiss), o pianista Henry Orient (Peter Sellers) é interrompido por duas estudantes, Valerie (Tippy Walker) e Marian (Merrie Spaeth). A princípio, ele não se importa, mas como as coincidências se repetem, Henry acha que as raparigas são espias do marido da amante. Valerie acaba por se apaixonar pelo pianista.
George Roy Hill foi um realizador de Hollywood que sempre pareceu não ter uma personalidade distinta, no entanto conseguiu fazer uma série de filmes que obtiveram um enorme sucesso comercial, e também obtiveram alguns prémios, embora na maior parte dos casos a recepção da crítica não tenha sido unânime. "The World of Henry Orient" é, digamos que uma raridade no corpo da sua obra, uma história sobre o amadurecimento de jovens. Baseado num romance autobiográfico de Nora Johnson, cujo pai era a lenda de Hollywood Nunnally  Johnson, que colaborou com a filha na adaptação, tem um sabor muito distinto enraizado na imaginação das duas jovens protagonistas. 
Embora o filme, tal como o nome sugere, coloque a personagem de Peter Sellers como protagonista, este, inegavelmente, pertence às duas jovens, Walker e Spaeth, que ainda por cima nunca tinham interpretado antes, com um maravilhoso talento sem instrução inteiramente natural e consciente que dá ao filme uma energia efervescente. 

domingo, 13 de março de 2022

Dr. Estranhoamor (Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb) 1964

"É uma das melhores comédias negras de sempre, o filme mais engraçado sobre a era nuclear e uma das obras-primas de Stanley Kubrick. "Dr. Estranhoamor" está recheado de fabulosas interpretações cómicas - destaque para Peter Sellers, que interpreta três personagens, e para a interpretação de George C. Scott -, que se integram num cenário de insanidade mal contida nesta comédia de enganos iluminada por cenas satíricas. A história começa quando o general Jack D. Ripper (Sterling Hayden) - que comanda a base da força aérea de Burpelson -, obcecado com a ideia de que os comunistas estão a tentar roubar os "preciosos fluidos corporais" dos norte-americanos, entra em loucura total e ordena um ataque imediato à União Soviética. O Presidente dos Estados Unidos (Peter Sellers) reúne-se, em desespero, com os seus conselheiros, que incluem o general Buck Turgidson (George C. Scott) e o cientista ex-nazi Dr. Estranhoamor (também interpretado por Peter Sellers). Estes não vêem outra solução senão deixar que os soviéticos abatam os bombardeiros americanos, o que constitui uma "perda aceitável" para as estatísticas. Entretanto, o embaixador soviético (Peter Bull) informa-os que a URSS possui um "Doomsday Device" - um engenho prestes a lançar bombas nucleares mal sejam atacados... O filme recebeu quatro nomeações da Academia de Hollywood, nas categorias de melhor actor (Peter Sellers), melhor realizador, melhor filme e melhor argumento adaptado (Peter George, Stanley Kubrick e Terry Southern)."
* texto Público

domingo, 6 de março de 2022

A Pantera Cor de Rosa (The Pink Panther) 1963

O incompetente e desastrado inspector Jacques Clouseau da Sûreté francesa anda há anos atrás de um notório ladrão de joias conhecido como Fantasma. Clouseau e a sua mulher Simone reunem-se, na luxuosa estância de Inverno de Cortina d¿Ampezzo, com o playboy britânico sir Charles Willingham e a princesa indiana Dala. Clouseau está seguro de poder deitar a mão ao ¿Fantasma¿ que certamente não resistirá a roubar a fabulosa joia da princesa, a célebre Pantera Cor de Rosa. Na verdade, o Fantasma é sir Charles e a sua cúmplice e amante é, nada mais nada menos, que a própria mulher de Clouseau, o que complica especialmente todas as iniciativas do inspector. Na sumptuosa casa de Roma da princesa, na sequência de um tresloucado baile de máscaras, a joia é finalmente roubada mas no fim é o infeliz Clouseau que acaba por ser acusado do furto.
"A Pantera Cor de Rosa", realizado em 1963 por Blake Edwards, foi o primeiro filme de uma série de grande sucesso de tresloucadas comédias policiais que tornaram Peter Sellers numa vedeta internacional. Uma itenerante história policial, sobre um arrojado e sofisticado ladrão internacional de joias perseguido pelo mais desastrado e incompetente inspector da polícia, é o pretexto para Edwards construir uma deliciosa comédia, recheada de gags hilariantes, como a cena do baile de máscaras com os três gorilas ou a disparatada perseguição automóvel que termina na fonte. Curiosamente, a personagem do inspector Clouseau, com o seu ar imbecil, as suas disparatadas deduções, a sua tendência para criar o caos e a destruição e o seu intolerável sotaque, não era ainda a personagem central e fulcral que acabaria por dominar todos os filmes da série. Peter Sellers cria uma personagem inesquecível e inconfundível, fruto do seu extraordinário talento para as mais sinuosas caracterizações que lhe permite, mesmo aqui, frente a David Niven, Robert Wagner, Capucine e Claudia Cardinale, roubar todas as cenas em que participa.
*Texto RTP

domingo, 27 de fevereiro de 2022

O Braço Esquerdo da Lei (The Wrong Arm of the Law) 1963

 Em Londres, quando gangsters australianos disfarçados roubam criminosos britânicos, os mafiosos britânicos em pânico procuram a Scotland Yard para eliminar a concorrência estrangeira, e regressar com as coisas ao "normal".
Com um bom elenco britânico, este agradável "capper crime" tem no centro da acção muito homor, sendo muitas vezes confundido como uma das pérolas dos Ealing Studios. Mas não era, estes estúdios já tinham deixado na paisagem cinematográfica britânica uma lacuna, que de vez em quando era preenchida com alguns bons exemplos como este. 
Constantemente divertido, este filme não é planeado em torno de gargalhadas ou grandes cenas (embora no final sejamos recompensados com uma perseguição alucinante), mas conta com grandes interpretações, como a do protagonista Peter Sellers, que por esta altura já era uma estrela britânica reconhecida, e embora este tenha sido um dos seus últimos filmes com orçamentos modestos, no ano seguinte mudaria radicalmente, graças a uma série de filmes que seriam lançados entretanto, incluindo obras como "Doctor Strangelove", "Lolita" ou "The Pink Panther". Realização a cargo de Cliff Owen.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

O Rato Que Ruge ( The Mouse That Roared) 1959

 Quando a sua única exportação perde o lucrativo mercado americano para um imitador barato, Grand Fenwick, o país mais pequeno do mundo, rapidamente falido por causa daquela reviravolta, declara guerra aos Estados Unidos para receber ajuda financeira pela sua derrota inevitável. Enviam uma força de invasão a Nova Iorque que chega durante um exercício militar que limpou as ruas. Vagueando para encontrar alguém para se render, descobrem um cientista com uma arma que pode destruir a terra.
Comédia clássica da Guerra Fria baseada num livro de Leonard Wibberley, um pouco datada desde a sua estreia, mas mesmo assim muito interessante, com um olhar humorístico sobre as relações diplomáticas internacionais pós Segunda Guerra Mundial. Peter Sellers teve a sua primeira oportunidade (tal como Alec Guiness) de interpretar vários papéis separados, e mostra uma pitada do que seria a sua carreira no futuro. Embora na segunda metade o filme tenha um pouco de slapstick a mais, há momentos suficientes de sátira inteligente. 
Foi um grande êxito no seu tempo, tendo estreado primeiro em cinemas de arthouse, em parte graças à presença no elenco de Jean Seberg, actriz americana que no ano seguinte brilharia em "O Acossado" de Godard. A realização era de Jack Arnold, que na década de cinquenta se havia destacado a realizar alguns dos mais importantes filmes de ficção cientifica do seu tempo. 

Imdb  

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

O Quinteto era de Cordas (The Ladykillers) 1955

 Um gang de cinco criminosos excêntricos aluga um apartamento de dois quartos numa casa isolada, de um beco sem saída de Londres de uma viúva octogenária, com três papagaios de estimação. O mentor do grupo, o professor Marcus, conta-lhe que são membros de um quinteto amador de cordas, e gostariam de usar a casa para aprimorar as suas habilidades musicais. Na realidade, eles planeiam roubar um banco, e usar a ingenuidade da Senhora Wilberforce, e a sua sensibilidade vitoriana a seu favor.
Lançado em 1955, a comédia negra "The Ladykillers", foi a última das grandes comédias da Ealing (embora mais duas, muito menores, tivessem sido lançadas ainda depois). Foi também o último filme do realizador Alexander Mackendrick na Grã-Bretanha, antes de partir para águas ainda mais escuras em Hollywood, com uma obra-prima do cinismo, "The Sweet Smell of Sucess" (EUA, 1957). 
 A história - cinco criminosos, disfarçados de músicos, realizam com sucesso um assalto, mas de seguida, são derrotados pela sua senhoria, aparentemente inofensiva, mas levando-os a destruirem-se uns aos outros - surgiu a partir de um sonho do escritor William Rose (que também escreveu o filme anterior de Mackendrick, "The Maggie" (1954)), e Mackendrick foi imediatamente levado pelo seu humor negro.
Alec Guinness tem mais uma enorme performance cómica como o cada vez mais desequilibrado criminoso, e mentor, Professor Marcus. O papel foi originalmente destinado a Alastair Sim, mas Guinness desempenharia o papel com aquele seu toque especial. Mas o filme, na verdade, era roubado por uma velha senhora de 77 anos de idade, Katie Johnson, como uma velhota aparentemente inofensiva, mas totalmente incansável, a senhora Wilberforce. 
 O elenco é perfeito a toda a linha: Herbert Lom, no seu primeiro papel cómico é a ameaça genuína como Louis, enquanto Cecil Parker como o major, e o enorme ex-boxeador Danny Green, também como um ex-boxeur Round One, seria díficil imaginar outros actores nestes papéis. Peter Sellers conseguiu o seu primeiro grande papel como Harry (também expressou o papagaio da senhora Wilberforce). Sellers e Lom, mais tarde, viriam a contracenar juntos em vários filmes da Pink Panther.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Peter Sellers - Sempre a Rir

Considerado um dos maiores talentos cómicos da história do cinema, Peter Sellers, é descendente de um lendário pugilista luso-judeu chamado Daniel Mendoza, e filho de artistas britânicos de vaudeville. Desenvolveu as suas habilidades de mímica enquanto servia na Royal Air Force, realizando imitações de celebridades num espectáculo de 6 semanas no Windmill Theatre, em  Londres. Em 1951 juntou-se a Spike Milligan e Harry Secombe para criar o Goon Show, uma série de comédia em Rádio. Emergindo como a estrela desta serie com um repertório de personagens excêntricas, Sellers também participou nos projectos cinematográficos dos Goon, incluindo a curta "Let´s Go Crazy" (1951), e a longa metragem "Down Among the Z Men" (1952).
A partir daqui a sua carreira cinematográfica nunca mais parou, destacou-se, sobretudo em comédias, mas também participou em filmes mais sérios, tendo sido nomeado para dois Óscares, em "Dr. Strangelove" (1965) e "Being There" (1980), numa carreira que podia ter sido muito mais longa, mas que foi subitamente interrompida aos 54 anos, quando faleceu de ataque de coração. 
Tal como o nome do ciclo indica, vamos debruçar-nos sobre as suas comédias. Não todas, mas uma boa parte. Até já.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

A Caça (Cruising) 1980

"Cruising" é um filme único, embora seja um thriller baseado em assassínios reais de homens gays no bairro de Greenwich Village, em Nova Iorque, no final da década de 70, mas onde o interesse do espectador está no estado mental do personagem central,  em vez da resolução dos crimes. O filme retrata uma população gay caracterizada por uma vasta corrente oculta de inquietação enquanto procura saciar experiências. Os homens são retratados como constantemente em movimento, entrando e saíndo de clubes eróticos, tuneis no parque, quartos alugados, e cabines privadas em lojas de pornografia. Quando Steve Burns (Al Pacino), um heterossexual e inexperiente polícia de Nova Iorque é recrutado pelo departamento de homicídios para entrar disfarçado no submundo da cultura gay na busca do serial killer, acaba por apanhar os seus vicios.
"Cruising" de William Friedkin, foi lançado com um aviso de isenção de responsabilidade, destinado a desarmar o feroz antagonismo da comunidade gay, que tinha sido fortemente expressa em protestos durante a produção do filme. Segundo os produtores o filme não era uma acusação ao mundo homossexual, mas sim um pequeno segmento desse mundo, que não pretende ser representativo do todo. O filme provocou uma enorme onde de reacções, Gays do mainstream consideravam que o filme mostrava uma imagem homofóbica e obcecada por sexo da vida gay. Em contrapartida, alguns espectadores envolvidos no subcultura do mundo dos casacos de cabedal, elogiaram o retrato preciso de um estilo de vida pré-Sida, concentrado no sexo rápido.
A estreia de "Cruising" foi precedida por planos de protestos por todos os Estados Unidos, e o filme levou a classificação "R", embora muitos considerassem merecer a classificação "X". O filme estava, por exemplo, programado para estrear em São Francisco, mas antes o teatro que o iria exibir o filme foi pulverizado com graffitis anti-"Cruising", o que levou a Mayor da cidade a mudar a estreia para outro ponto da cidade. Piquetes e protestos marcaram a estreia em mais de 300 salas, o que levaram o filme apenas a ter uma bilheteira moderada. Friedkin era um realizador de primeiro plano, vinha de filmes de primeiro plano na década de 70, como "O Exorcista",  ou "Os Incorruptíveis contra a Droga", mas passados tantos anos "Cruising" é um grande filme de culto.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Angústia... e Obsessão (Windows) 1980

"Windows" conta uma história complicada de obsessão e vitimização sexual. Tímida e introvertida, Emily Hollander deixa o seu marido abusivo para fazer uma vida sozinha, mas logo é notada pela vizinha Andrea, uma mulher lésbica que se apega obsessivamente a Emily. Usando um telescópio, Andrea espia Emily pela janela do seu apartamento, e apesar das numerosas tentativas de se aproximar de Emily, estas saem goradas, e acaba por contratar um homem para a violar e gravar tudo em cassete. 
O lançamento de "Windows" provocou uma considerável controvérsia entre os grupos de direitos gays por toda a América, por causa do estereótipo da lésbica Andrea, como uma homossexual psicopata. Quando o filme estreou a 18 de Janeiro de 1980, vários grupos de direitos gays fizeram piquetes nos cinemas de Nova Iorque e outras grandes cidades, e o filme recebeu criticas contundentes que combinaram com o esforço dos manifestantes para manter o público longe dos cinemas. A Transamerica Company, controladora da United Artists, desistiu dos planos da exibição do filme nos cinemas do norte da Califórnia depois de receber sérias ameaças de interrupção e violência. 
Acabou por ser um fracasso de bilheteira, o que foi uma vitória para os protestantes contra o filme, mas logo a seguir a atenção dos protestantes se virou para um outro filme semelhante. Foi a única obra de Gordon Willis como realizador, conhecido director de fotografia em filmes como "Klute", "The Godfather," (toda a trilogia), "Os Homens do Presidente", "Annie Hall" e uma série de filmes de Woody Allen.
Legendas em inglês.

 

sábado, 29 de janeiro de 2022

A Vida de Brian (The Life of Brian) 1979

Este filme poderia nunca ter sido feito se o músico e ex-Beatle George Harrison não tivesse fornecido o dinheiro necessário para produzir o filme através de uma produtora criada de propósito para o efeito, a Handmade Films ltd. Os Monty Phyton passaram por dificuldades financeiras depois da produção de "The Monty Python and the Holy Grail", uma paródia das lendas arturianas. 
Os intervenientes não esconderam a polémica que esperavam do filme, quando da sua estreia em 1979 e enfatizaram a provocação em slogans como: "See the movie that´s controversial, sacrilegious and blasphemous. But, if that´s not playing see Life of Brian". Tal como um crítico observou, apesar do facto do cristianismo ser apenas a terceira religião com mais seguidores do mundo, os cristãos parecem ser os críticos mais barulhentos do cinema moderno, e mostraram o seu ponto de vista em voz alta. Foi banido na Noruega no primeiro ano de lançamento, Itália baniu o filme até 1991, na Irlanda até 1990. 
Nos Estados Unidos líderes religiosos de várias religiões fizeram piquetes e protestaram contra a exibição dele em várias cidades, principalmente no Sul, e protestaram igualmente contra a distribuidora do filme, a Warner Bros. Os seis membros dos Monty Phyton foram chamados de pagãs, hereges, ateus entre outras coisas.

domingo, 23 de janeiro de 2022

Calígula (Calígula) 1979

 "Caligula" relata de forma directa a história da ascenção e queda do imperador Calígula César, o quarto dos 12 Césares do Império Romano, e um dos mais conhecidos depois de Júlio César. A história conta que Calígula foi um dos mais malvados que controlou Roma, e que o seu reinado foi violento, sangrento e corrupto. Estes factos coloriram a visão artística de Gore Vidal, que escreveu o argumento original do filme. Vidal procurou transmitir a personalidade e as acções de Calígula no contexto de um filme biográfico. Mo entanto, o produtor e realizador Tinto Brass procurou alterar o foco graficamente, ilustrando o comportamento libertino e decadente do governante. Mandava matar membros da familia e conselheiros, obrigava as esposas dos seus senadores a trabalharem num bordel da sua própria construção, dorme com o cavalo, lambe o corpo nú da sua irmã mora, viola uma noiva e um noivo na recepção do seu próprio casamento, até ser vitima de um assassinato sangrento.
O filme foi amplamente discutido antes do seu lançamento. Muita atenção foi dada às cenas sexuais antecipadas, que mais tarde dominariam todas as criticas e considerações do trabalho. O filme foi financiado por Bob Guccione, editor da revista Penthouse, e custou 15 milhões de euros em finais da década de 70. Gore Vidal rejeitou as sugestões de Guccione de escrever cenas de cariz sexual no argumento, e acabou por processar o produtor por trer ignorado o seu pedido, e ter o seu nome removido dos créditos. Depois de verem a versão final, a maioria dos actores principais tentaram dissociar-se do filme, mas os seus nomes foram mantidos nos créditos. 
Guccione sabia que o filme nunca iria ser aprovado pela MPAA, então nunca o submeteu. Em vez disso, rotulou o filme de "apenas para audiências adultas", e instruiu os donos dos cinemas que o filme não podia ser exibido para audiências com menos de 18 anos. Foi produzido em Itália, mas quando chegou à alfândega dos Estados Unidos foi considerado obsceno. O tribunal acabaria por deixar o filme entrar no país alguns meses depois, mas a história de proibições ao filme estava apenas a começar. 


domingo, 16 de janeiro de 2022

O Tambor (Die Blechtrommel) 1979

"The Tin Drum", baseado no polémico livro do mesmo nome de Gunter Grass, é uma história surreal do jovem Oskar Matzerath, cujo crescimento é paralelo à ascensão ao poder dos Nazis da Alemanha. Oskar recusa-se a crescer, até que Agnes, a sua mãe, o suborna, prometendo que ele receberá um tambor no seu terceiro aniversário. Quando esse dia chega, e Oskar recebe o presente tão esperado, ele promete a si próprio que vai deixar de crescer e ficar com 3 anos de idade para o resto da vida, decisão que o acompanhará por 18 anos da sua vida. Toma esta decisão porque não se quer tornar como os adultos hipócritas da sua família. 
 Ganhou numerosos prémios em 1979 e 1980, incluindo um Óscar da Academia, mas reivindicações em 1997 de um grupo religioso fundamentalista americano, em Oklahoma, acusou o filme de pornografia infantil, que levava a abusos civis, e todas as cópias em VHS foram confiscadas por agentes da lei. O filme tinha sido amplamente distribuído em VHS por todo o país, mas até então nenhum estado tinha acusado este filme de alguma coisa. A queixa começou depois de um cidadão de Oklahoma City ter ouvido uma palestra na rádio de um ex-aluno de um seminário do Minnesota que se tinha recusado a fazer uma crítica a filmes como "Do the Right Thing", "Like Water for Chocolate", e este "The Tin Drum", alegando que os filmes eram pornográficos.
O residente de Oklahoma, que ouviu a palestra, foi até à biblioteca local e pegou numa cópia do filme, tendo submetido para a polícia local para revisão, alegando que o filme violava a lei da obscenidade do estado, que proibia a representação de jovens menores de 18 anos de fazer sexo. Citou três cenas em que o menino Oskar é visto em actos sexuais com a jovem Maria, de 16 anos. Horas depois, a polícia da cidade confiscou todas as cópias de seis videoclubes, e usou o registo destes para descobrir as cópias restantes que se encontravam em casa de sócios dos videoclubes. A policia foi a casa de cada individuo, e pediu a devolução das videocassetes. O filme estava protegido pela Primeira Emenda, mas foi confiscado de qualquer forma.
Policias tentaram intimidar quem falasse a favor do filme, mas o caso foi ganho em tribunal pelos distribuidores.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Emmanuelle (Emmanuelle) 1974

O argumento de "Emmanuelle" foi adaptado do romance homónimo escrito por Maryat Rollet-Andriane sob o pseudónimo de Emmanuelle Arsan. O enredo depende muito de cenas de sexo explicito que mostram o elenco a deleitar-se com as alegrias e prazeres da liberdade sexual desinibida. A personagem central é a bela jovem esposa de um diplomata francês, alguns anos mais velho do que ela. Estão ligados à embaixada francesa de Banguecoque, e parecem ter um casamento feliz. Emmanuelle gosta e respeita do seu marido, porque ele lhe ensinou muito sobre sexo, mas começa a ficar chateada com a vida de diplomacia. O marido incentiva-a a encontrar algo excitante para preencher os seus dias.
"Emanuelle" inspirou várias sequelas e numerosas imitações, é um clássico ente os filmes eróticos europeus e até mesmo mundiais. Nunca o público europeu tinha visto um filme erótico onde um casal tão livre fazia amor, um com o outro e com qualquer outra pessoa por quem se sentisse sexualmente atraído, de forma tão bela e exótica.
Apesar de ter tido grande aceitação em França, o filme foi primeiramente banido pelo presidente Georges Pompidou, mas acabou por ser liberto quando este presidente morreu. Nos Estados Unidos levou um X pelo MPPA que lhe limitou a exibição só para alguns cinemas independentes. Na cidade de Covina foi mesmo proibida a exibição do filme, o que obrigou o director do cinema da cidade a colocar um processo contra o estado americano. 

Imdb