sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Capítulo 5 - Infantil

 Tartarugas Ninja (Teenage Mutant Ninja Turtles) 1990
Nos esgotos de Nova Yorque, quatro tartarugas e um rato tornaram-se mutantes depois de entrarem em contacto com um líquido radioativo. O rato (Mestre Splinter) por ser mais sábio criou e educou as tartarugas. Ele era um rato mascote de um conhecedor de artes marciais e ensinou as tartarugas a arte do Ninjitsu. Quinze anos depois, uma onda de crimes impera em Nova Yorque,uma misteriosa quadrilha liderada pelo terrível Destruidor é responsável por esses crimes. April O'Neil uma repórter televisiva é atacada quando investigava esta quadrilha e é salva pelas Tartarugas. Depois dos Ninjas do Destruidor capturam o Mestre Splinter, as quatro Tartarugas juntam-se a April e a Casey Jones para salvá -lo e derrotar o perigoso gang.
"The Teenage Mutant Ninja Turtles" foram um fenómeno entre os adolescentes em meados dos anos 80, depois de um humilde inicio nos quadradinhos, expandiram-se com uma linha de figuras de acção que chegaram ao mercado em 1987, coincidindo com uma popular série de desenhos animados que saíu no mesmo ano. Uma explosão maciça de merchandising seguiu-se, incluindo cereais, roupa, jogos de vídeo, e uma disposição infinita de artigos. O filme chegou em 1990, embora estranhamente, apesar do apetite voraz do público, teria de ser uma pequena companhia (New Line), para trazer a história para a grande tela, com um orçamento modesto de 13 milhões de dólares. Viria a render 10 vezes mais só nos Estados Unidos, fora a rentabilidade que conseguia no mercado de vídeo, que estava em altas nesta altura.
A realização era de Steve Barron, um homem mais virado para os videoclipes. O filme teve três sequelas.

História Interminável (Die unendliche Geschichte) 1984
Quando o jovem Bastian "pediu emprestado" um misterioso livro jamais sonhou que ao virar uma página seria levado a um mundo de fantasia onde pudesse ver um caracol de corrida, um morcego planador, um dragão da sorte, elfos, uma Imperatriz Menina, o valente guerreiro Atreyu e uma pedra ambulante chamada Come-Pedra. Vai parar ao estranho mundo de Fantasia, que precisa desesperadamente de um herói para o salvar.
Não é lá muito bom saber que o autor do livro (Michael Ende) quis o seu nome retirado dos créditos finais do filme. "História Interminável" é um filme muito adorado por aqueles que o vêm através dos olhos indiscriminados de uma criança, ou por todos aqueles que se sentem nostálgicos por tudo aquilo que viram na infância. De resto é um filme muito imaginativo, com bons efeitos especiais, e uma espécie de filme de culto para aqueles que viveram os anos 80.
Sendo ele uma co-produção entre a Alemanha e os Estados Unidos, foi realizado por Wolfgang Peterson, realizador alemão que vinha de um dos filmes daquele país mais marcantes dos últimos anos, "Das Boot", e que iniciava aqui uma carreira de sucesso em Hollywood.

O Voo do Navegante (Flight of the Navigator) 1986
Numa noite da Flórida, David (Joey Cramer) desaparece e só regressa oito anos depois. Sem ter envelhecido, David aparenta ter a mesma idade de quando foi raptado por extraterrestres e feito uma grande viagem intergaláctica numa nave espacial. Agora o jovem precisa da ajuda dos seus amigos do outro planeta para voltar ao tempo correcto antes que seja tarde demais...
"Flight of the Navigator" é um filme da Disney, realizado em meados dos anos oitenta que tem os seus momentos, mas que sofre de um argumento extremamente simplista, faltando argumentos para sustentar uma longa metragem. A produção é muito barata, com grande parte do seu orçamento a ser desviado para a nave espacial e para os efeitos especiais, mas tem um grande apelo aos jovens, ou não fosse uma produção da Disney.
A realização estava a cargo de Randal Kleiser, realizador que já tinha a seu cargo dois grandes êxitos dos últimos anos: "Grease" e "A Lagoa Azul". O jovem protagonista era Joey Cramer, e elenco de secundários continha nomes como Paul Reubens (voz de Max), Cliff de Young, Veronica Cartwright (de "Alien") e Sarah Jessica Parker.
Imdb 

Viagem Clandestina (The Journey of  Natty Gann) 1985
Natty Gann é uma jovem que, em fuga, decide atravessar a América para ir ao encontro do pai. Os tempos, difíceis, são os da Depressão, nos anos trinta, quando a luta pela sobrevivência separava famílias. A travessia da jovem Natty é minorada pela sua vontade indómita, e pela companhia de um lobo.
"The Journey of Natty Gann" é um dos filmes mais peculiares da Disney com a sua história de uma jovem que viaja pelo país a tentar encontrar o pai. Hoje em dia pode soar bastante típico, principalmente quando temos uma jovem a fazer amigos tanto humanos como animais, mas esta aventura acaba por ser muito pesada para ser apenas um filme para crianças. Temos uma luta de cães, violência, e até um homem que tenta abusar da jovem. E esse talvez seja o problema de "Viagem Clandestina", que acaba por não resultar bem como filme para crianças, para o qual ele foi feito. De resto, todo o filme é muito bem concebido, com grandes exteriores, uma grande energia e um bom ritmo. Também conseguimos algumas boas interpretações, principalmente no papel da protagonista, interpretada por Meredith Salenger, uma jovem de 15 anos que se estreava no cinema. John Cusack e Ray Wise são os co-protagonistas, sendo a realização de Jeremy Kagan.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Capítulo 5 - Infantil

A secção infantil era obviamente para os mais novos. Na década de oitenta, período do VHS, o mercado de animação ainda era um filão para descobrir. Não havia muitas produtoras a produzirem filmes de animação de grande orçamento, como há hoje em dia. A Disney era a mais avançada, e a sua grande rival era a Amblin, que se lançava para o mercado de animação a partir de "Fievel - Um Conto Americano". Mas o mercado infantil não era composto só por filmes de animação. Vamos ver alguns filmes deste período nos próximos dias:

Fievel - Um Conto Americano (An American Tail) 1986
Os ratinhos da família Ratowitz imigram da Rússia para os Estados Unidos no final do século 19 para fugir ao regime czarista. Vão em busca do sonho americano e acreditam que o novo continente era um paraíso de ruas pavimentadas com queijo e sem gatos. Quando finalmente chegam a Nova York, o ratinho Fievel acaba por se perder do resto da família e descobre que a realidade dessa "terra de oportunidades" é bem mais hostil do que ele esperava. Inicia uma aventura para reencontrar a família e sobreviver enfrentado muitos desafios.
Don Bluth era um homem que perseguia um sonho. Sendo ele um Mormón nascido no Texas, lembrava-se de uma América em que a magia fluía dos lápis, canetas e pincéis dos animadores dos filmes. Bluth queria voltar aos gloriosos dias de "Fantasia" e "Pinóquio", a idade de outro em que a arte e a imaginação combinavam para produzir grandes desenhos animados. Bluth tinha sido um animador da Disney em toda a década de 70, e partira para uma nova produtora chefiando um grupo de animadores que resolvera dar um outro rumo aos acontecimentos. "Fievel" era apenas o seu segundo filme de longa-metragem, com a produção a inciar em 1984, em colaboração com Steven Spielberg. Spielberg tinha gostado muito do primeiro filme do realizador, "The Secret of NIMH".
Conseguiu uma nomeação ao Óscar com a canção "Somewhere Out There".

O Segredo de NIMH (The Secret of NIHM) 1982
Prepare-se para conhecer alguns roedores com um segredo de abalar a terra! Nesta linda odisseia animada, a Sra. Brisby, uma gentil mãe rata, planeia mover céus e terras (pelo menos a sua casa) para salvar a família do camponês Fitzgibbon. No decorrer do caminho, ela consegue a ajuda de um adorável Corvo, um Rato coscuvilheiro e uma temível Coruja. Mas, infelizmente, a Sra. Brisby precisa de um milagre da engenharia para mudar a sua casa.
Filme de estreia de Don Bluth a solo, era um filme com uma história substancialmente simples e até um pouco desinteressante, mas com uma incontestável riqueza visual, um dos pontos mais fortes dos filmes de Bluth. A Disney, por esta altura, não gostava de produzir filmes em tons mais sombrios, o que teria levado a alguns dos animadores a abandonarem os seus estúdios. Pouco tempo depois da saída de Don Bluth também saía Tim Burton. O período que a Disney atravessava não era dos melhores, e com a saída destes animadores insatisfeitos as coisas ainda ficariam piores. Mas, com uma história tão obscura, "The Secret of NiHM" não era filme propriamente para ser um sucesso. Todavia, abriria portas para um outro estilo de animação, e a Bluth para trabalhar com Steven Spielberg, que sucederia logo dois anos depois.
Imdb 

Em Busca do Vale Encantado (The Land Before Time) 1988
1988 Esta viagem mágica começa na pré-história, quando os dinossauros ainda vagueavam num lugar ameaçado por tremores de terra e vulcões. Littlefoot, sozinho, decide procurar o Vale Encantado, uma terra de vegetação luxuriante, onde todos os dinossauros vivem em paz. Ao longo do percurso, encontra quatro novos amigos e juntos, vão viver incríveis aventuras. encontrarão terríveis obstáculos e aprenderão lições inesquecíveis sobre a vida e o verdadeiro significado da amizade.
 "The Land Before Time" era a terceira realização a solo de Don Bluth, segunda para a Amblin de Spielberg e Lucas, e apesar de não ser um filme muito infantil fez um êxito considerável nas salas, tendo rendido quatro vezes o seu budget, tornando-se depois um hit no mercado de vídeo. Foi seguido por uma série de sequelas, mas nenhuma delas tinha a carga emocional desta primeira parte, tendo várias delas entrado directamente para o mercado de video.
O filme tem alguns elementos adicionais, como um tenso ressentimento entre Littlefoot e Cera, que não era habitual em produções para crianças, mas este acaba por ser resolvido no final. "The Land Before Time" era basicamente um filme sobre a entrada na idade adulta, e uma história de sobrevivência, resultando muito bem a estes respeito.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Capítulo 4 - Drama

Sexo, Mentiras e Vídeo (Sex, Lies and Videotape) 1989
Ann (Andie MacDowell) é uma mulher frígida casada com o advogado John Mullany (Peter Gallagher) e frequenta um psiquiatra para resolver as suas frustrações. John, o marido, tem um caso com a irmã de Ann, Cynthia (Laura San Giacomo). A vida do casal começa a mudar com a chegada de Graham Dalton (James Spader), amigo de infância de John, que se muda para a cidade. Entre outras curiosidades, Graham grava cassetes com mulheres a falar sobre sexo.
Quando se fala sobre cinema independente americano há o antes e o depois de "Sexo, Mentiras e Vídeo", de Steven Soderbergh. Estreando no festival de Sundance em 1989, este pequeno filme de estreia de Soderbergh custou apenas $1,250 mil dólares, quando ele tinha 26 anos, tornando estrelas um quarteto de jovens actores, que embora reconhecíveis não eram nada populares.O seu título escandaloso intrigou audiências, e levou o filme a tornar-se num sucesso de bilheteira. Quando o filme ganhou a Palma de Ouro em Cannes alguns meses depois marcava uma verdadeira invasão de novos talentos, que faziam frente aos blockbusters de Hollywood.
Um dos filmes mais apropriados para este ciclo que está a decorrer.

Não Dês Bronca (Do the Right Thing) 1989
Sal (Danny Aiello), um ítalo-americano, é dono de uma pizzaria em Bedford-Stuyvesant, Brooklyn, onde também há um armazém cujos donos são coreanos. Com predominância de negros e latinos, é uma das áreas mais pobres de Nova York. Sal é um bom tipo, que comanda a pizzaria com os seus filhos Vito (Richard Edson) e Pino (John Turturro), além de ser ajudado por Mookie (Spike Lee), um funcionário. Sal pretende decorar o seu estabelecimento com fotografias de ídolos ítalo-americanos do desporto e do cinema, o que desagrada à sua freguesia. No dia mais quente do ano, Buggin' Out (Giancarlo Esposito), o activista local, vai até lá para comer uma fatia de pizza e desentende-se com Sal por não existirem negros na "Parede da Fama".
Produzido, escrito, realizado e interpretado por Spike Lee, era a terceira longa-metragem de Spike Lee, e aquela que o catapultava para o sucesso, sendo ainda hoje considerado por muitos como o seu melhor filme. É um estudo complexo das dicotomias da vida diária entre os vários povos de Bed-Stuy. As diferentes etnias misturam-se com os afro-americanos  a levantarem diversas questão sobre a sobrevivência dos habitantes.
Valeu uma nomeação aos Óscares para Spike Lee, como argumentista, e foi exibido em Cannes, na selecção Oficial.

Atraiçoados (Betrayed) 1988
Um radialista judeu é violentamente assassinado, e para investigar o caso o FBI envia a agente Cathy Weaver (Debra Winger), que se envolve emocionalmente com o principal suspeito, Gary Simmons (Tom Berenger). Rapidamente ela descobre algo mais aterrorizante: Gary faz parte de uma organização neonazi que planeia eliminar negros e judeus em nome da supremacia da raça pura americana.
O realizador grego Costa-Gavras regressa ao thriller político seis anos depois de ganhar a Palma de Ouro, com "Missing". Aqui faz um trabalho decente contrastando a solidão da vida no campo com o lado mais obscuro de uma comunidade fechada. O filme perde algum fulgor por causa do cenário de africo-americanos a serem perseguidos por desporto, e um final um pouco desapontante.
Não recebeu muito boas críticas na altura do seu lançamento, mas tem um bom trabalho de actores por parte dos protagonistas, Debra Winger e Tom Berenger, e, sobretudo, pelo excelente lote de secundários: John Heard, Betsy Blair, John Mahoney e Ted Levine.
Gavras costumava trabalhar muito bem os argumentos dos seus próprios filmes, mas aqui talvez tenha ficado a perder com a escolha de Joe Esdterhas.

Bairro de Lata (Cannery Row) 1982
Doc (Nick Nolte) é um biólogo marinho que vive em Cannery Row, área mais baixa em Monterey, Califórnia. Lá, como outros habitantes tenta esquecer o passado. Suzy (Debra Winger) é uma mulher errante que chega à região e começa a trabalhar no bordel. A relação deles é explosiva, embora não de forma romântica. Mas o destino deles está nas mãos dos residentes de Cannery Row: Mack (M. Emmet Walsh) e os jovens, um bando de rebeldes cujos corações estão no lugar certo, mas os cérebros não. 
Grandes expectativas para a adaptação cinematográfica da famosa obra de John Steinbeck "Cannery Row". Marcava a estreia na realização de David S. Ward, conhecido argumentista que já tinha ganho um Óscar com o argumento de "The Sting", e uma dupla de protagonistas importante: Nick Nolte e Debra Winger. Contudo, os mais puristas, diziam que era uma fusão de "Cannery Row" com a sua sequela, " Sweet Thursday", com maior ênfase na segunda, deixando de lado o tom mais negro do primeiro livro, para trazer a visão mais optimista do segundo. 
O livro "Cannery Row" tinha sido publicado pela primeira vez em 1945, e era considerada uma obra dificil de adaptar ao cinema, mas David S. Ward conseguiu-o, juntando os dois livros no mesmo filme. Mas não teve produção fácil, o argumento não seguia uma produção de sucesso de Hollywood, e poucos confiavam 10 milhões de dólares num realizador estreante. Pelo bem, e pelo mal, o filme está aqui.
Imdb 

domingo, 13 de novembro de 2016

Capítulo 4 - Drama

Bird - Fim do Sonho (Bird) 1988
"Bird" evoca a figura genial e trágica do saxofonista Charlie Parker (1920-1955), um exemplo superior dessa sua atitude criativa. A história de Charlie Parker é indissociável do seu protagonismo na criação do chamado som “bebop”. Não admira, por isso, que algumas das personagens marcantes do filme de Eastwood se chamem Red Rodney ou Dizzy Gillispie. Em todo o caso, "Bird" não é um mero inventário de figuras emblemáticas do jazz — é, acima de tudo, uma viagem pelos fantasmas mais íntimos de Charlie Parker.
No papel de Charlie Parker, Forest Whitaker tem aquela que, a meu ver, continua a ser a melhor composição de toda a sua carreira. E importa não esquecer a sua mulher, Chan Parker, interpretada por uma actriz admirável, infelizmente pouco conhecida — é ela Diane Venora. Entretanto, pode dizer-se que Clint Eastwood continua a ser um cineasta de "todos" os géneros: a sua agilidade temática e expressiva tem-lhe permitido ziguezaguear entre os mais diversos registos, reforçando uma imagem de marca muito pessoal — tal como Charlie Parker no jazz, Eastwood é um dos grandes individualistas do cinema americano.
* Texto de João Lopes.

Gente de Dublin (The Dead) 1987
6 de janeiro de 1904 e Dublin celebra o Dia dos Reis num ambiente de neve. Na casa das irmãs Morgan, Julia (Cathleen Delany) e Kate (Helena Carroll), é oferecida uma ceia a amigos e parentes, incluindo a realização de um encontro musical e poético. Já perto do final da celebração, quando boa parte dos convidados já tinham saído, o barítono Bartell D'Arcy (Frank Patterson) começa a cantar uma música triste, que faz com que Gretta Conroy (Anjelica Huston) se lembre de uma antiga paixão que já faleceu. Surpreso com a mudança de comportamento de sua esposa, Gabriel (Donal McCann) interessa-se pela história.
Passado na Irlanda, durante a viragem do século 19 para o século 20, o filme mostra um jantar em casa de uma família com os seus convidados, onde reminiscências e momentos de melancolia trazem indagações e algumas revelações existenciais.
Baseado num conto do mesmo nome do livro "Dubliners", de James Joyce, foi o derradeiro filme realizado por John Huston, e contava com Anjelica  Huston, a sua filha, no papel de protagonista. O argumento era da autoria de outro filme de Huston, Tony Huston, e esta seria considerada a adaptação mais fiel a contos de Joyce, com apenas algumas alterações para ajudar a sua passagem para o cinema.

Os Amantes de Maria (Maria's Lovers) 1984
1946. O veterano de guerra americano Ivan Bibic (John Savage), que foi um prisioneiro de guerra, sofreu uma crise nervosa que só lhe permitia morrer ou sonhar. Assim, ao regressar para a sua pequena cidade natal, Brownsville, na Pensilvânia, ele só pensa em encontrar o seu sonho: uma refugiada jugoslava, Maria Bosic (Nastassja Kinski), uma amiga de infância que se tornou numa bela mulher. Ele sempre sonhou ter com Maria o casamento perfeito, embora ela seja desejada por outros homens. Ivan diz que sonhou tanto com Maria que ela vive nos seus sonhos, não no seu corpo, e é verdade, pois os sonhos dele não são iguais à realidade. Maria e Ivan casam-se, mas ele descobre que não consegue fazer amor com ela.
Andrei Konchalovsky era um realizador russo bastante bem cotado no cinema do seu país, que entre outras coisas, era amigo e colaborador do lendário Andrei Tarkovsky, estreava-se aqui em território americano. Um filme notável porque marcava a estreia de Konchalovsky em língua inglesa, sendo também um dos primeiros filmes de realizadores russos falados em inglês.
Nastassja Kinski, filha de Klaus Kinski, com apenas 23 anos era já uma das maiores sex symbols dos anos 80 graças a filmes como "Tess", "One From the Heart", "Cat People", "Paris Texas", "The Hotel New Hampshire", entre outros, sendo esta uma das suas maiores explosões de sensualidade.
Para além de John Savage o filme conta ainda com o veterano Robert Mitchum, num dos papéis principais.

Havana (Havana) 1990
Final da década de 1950. Vivem-se tempos turbulentos, e a política de Cuba vive uma violenta fase de transição. A poderosa milícia de Fidel Castro bate de frente com o Exército do país, liderado por Fulgencio Baptista, e toma o poder na capital, Havana. É neste cenário conturbado que Jack (Robert Redford), um jogador norte-americano, chega à bela e destruída cidade para organizar um histórico torneio de póquer. Contundo, durante a viagem, ele conhece a bela Roberta (Lena Olin), uma cubana que rouba o seu coração. Pouco depois de se envolverem, a mulher reencontra o marido, o revolucionário Arturo, e os dois acabam presos e torturados. Jack irá tentar ajudá-los...
Um filme que queria ser o "Casablanca" das Caraíbas. Era o regresso de Sydney Pollack ao cinema depois do seu multi-premiado "Africa Minha", e marcava a sétima colaboração do realizador com Robert Redford. 
Apesar de uma recepção considerável na altura, foi um fracasso comercial, tendo em conta que era uma super-produção americana. 
Raul Julia recusou-se a ser creditado no filme depois de não lhe ter sido dado honras de ter o nome ao lado de Redford e Olin no cartaz do filme. O elenco contava com dois actores nascidos em Cuba, Tomas Milian e Tony Plana, para além dos experientes Alan Arkin e Richard Farnsworth. 

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Capítulo 4 - Drama

A prateleira dos filmes de Drama era sempre das mais preenchidas, mas nem por isso das mais concorridas. Normalmente quem se deslocava a um clube de vídeo para procurar um filme em VHS procurava um filme de género, não que o Drama não fosse um género, mas era sempre dos menos procurados. Todavia, depois de uma pesquisa, mesmo pouco minuciosa, encontrava-se por lá belas surpresas. Havia um pouco de tudo nos lançamentos em vídeo, muitos clássicos de Hollywood, poucos filmes em língua não inglesa. "Casablanca", "O Mundo a Seus Pés", a trilogia "O Padrinho", e tantas outras pérolas. Começamos hoje aqui a selecção dos dramas.

O Navio (E La Nave Va) 1983
Orlando é um velho jornalista que embarca no luxuoso navio Glória N., que parte de Nápoles para o ritual do enterro da famosa cantora de ópera Edmea Tetua. Nele também estão amigos e conhecidos da diva, colegas de trabalho e pessoas importantes da época, que escondem as suas disputas internas em prol do funeral. Tudo corria bem, até o capitão resgatar do mar dezenas de refugiados sérvios, que fugiam do seu país e assinalavam o início da primeira Grande Guerra.
Fellini realizou este filme já na fase final da sua carreira, os três últimos seriam "Ginger e Fred", "Entrevista" e "A Voz da Lua". O grande foco do filme é o absurdo das classes altas e a sua ignorância sobre o que se passa no mundo, e isto reflecte-se bem na entrevista do Orlando ao grão duque austríaco. Do brilhante inicio, filmado no estilo de um velho filme mudo, gradualmente misturando som e cor enquanto os passageiros embarcam no navio, até ao grande final operático, "O Navio é um puro deleite visual.
Fellini era dos realizadores italianos mais bem representados em VHS, e mesmo assim tinha apenas cinco obras lançadas no mercado. Apenas uma do seu período neorealista, "La Strada".

Um Dia de Cão (Dog Day Afternoon) 1975
Em 1972, numa tarde quente de Agosto em Brooklyn, dois zés-ninguém demasiado optimistas decidem assaltar um banco. Sonny é o cérebro da operação, e Sal é o seu cúmplice. O plano é conseguir dinheiro para uma operação de mudança de sexo, mas o resultado é um desastre. Não tarda que a rua em frente do banco se tenha transformado num circo de polícias, câmaras de televisão, multidões e até um rapaz de entrega de pizzas.
Por vezes o conceito mais simples pode ser o mais atraente e interessante. Era algo que Sidney Lumet já tinha feito antes com "12 Angry Men", e conseguia de novo com "Dog Day Afternoon", que provavelmente era o filme de assalto mais simples de todos os tempos. Tal como em "12 Angry Men" no território dos filmes de tribunal, é a partir dessa simplicidade que emerge a complexidade, criando um número interessante de personagens, idéias e conflitos.
Foi um dos melhores filmes dos anos setenta, e uma das melhores personagens de Al Pacino.
Imdb 

As Coisas Mudam (Things Change) 1988
Um humilde engraxador, Gino (Don Ameche), concorda em confessar um crime e apanhar de três a cinco anos na cadeia. O crime foi na verdade cometido por um mafioso, que em troca lhe dará uma compensação financeira que lhe dará a chance de realizar o seu sonho: ter um barco de pesca na Sicília. Jerry (Joe Mantegna), um capanga encarregado de vigiá-lo até ao dia do depoimento, decide levá-lo para se divertir no fim de semana antes de Gino ser preso.
O argumentista e realizador David Mamet, que já tinha lidado com o engano em "House of Games", foca-se aqui na importância ética de manter a palavra. Gino recusa-se a voltar com a palavra atrás a Mr. Green (Mike Nussbaum) é como o Thomas Moore de "A Man for All Seasons", quando explica que não pode quebrar um julramento: "when a man makes a promise, he puts himself in his own hands like water. And if he opens his fingers to let it out, he need not hope to find himself again." 
É também um filme sobre a solidão, e o valor de manter a palavra num mundo onde tudo é flúido e fugaz.

As Montanhas da Lua (Mountains of the Moon) 1990
As Montanhas da Lua descreve a expedição levada a cabo em 1854 por Richard Burton e John Hanning Speke em busca da nascente do Nilo. Burton é um explorador polifacetado, culto e dinâmico. Fala mais de 40 idiomas e é também poeta e antropólogo. Speke, mais jovem, é um aventureiro. O seu sonho é viajar para África para explorar terra desconhecidas. Baseado nas suas biografias e nos artigos escritos pelos dois exploradores ingleses, As Montanhas da Lua é uma aventura de descobrimentos, amizade, ambição, traição e arrependimento.
Bob Refelson era um dos realizadores mais emblemáticos dos anos setenta, em parte por causa de "Five Easy Pieces", e realizava apenas o terceiro filme em 10 anos, e num registo muito diferente do que era habitual ver nele. Rafelson conta-nos aqui uma grande história, muito pesada e comovente, mas um pouco afastada da realidade. Era baseado no livro "Mountains of the Moon" de William Harrison, que também escreveu o argumento do filme em conjunto com Rafelson, sendo o livro baseado no próprio diário de Burton e Speke, servindo também de inspiração para o filme. 
Um grande destaque para a beleza da fotografia de Roger Deakins e para a iterpretação de Patrick Bergin, em foco neste inicio dos anos noventa, e de quem já vimos neste ciclo um filme, "Robin Hood".
Link a ser substituido

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Capítulo 3 - Comédia

Os Ricos e os Pobres (Trading Places) 1983
Louis Winthorpe (Dan Aykroyd) é um homem de negócios que trabalha para a correctora Duke & Duke, propriedade dos irmãos Mortimore e Randolph Duke. Os dois têm uma discussão sobre se qual a razão do sucessos das pessoas na vida, se é a determinação de cada um ou a hereditariedade de cada um. Quando  Winthorpe escorrega em Billy Ray Valentine (Eddie Murphy), um vagabundo da rua, e assume que este estava a tentar assaltá-lo, faz com que ele seja preso. Os dois irmão, ao observarem o comportamento dos dois, resolvem fazer uma aposta sobre o que aconteceria se Winthorpe perdesse o emprego e este fosse parar ás mão do vagabundo?
John Landis já vinha com uma carreira de sucesso no campo da comédia com dois êxitos consecutivos, "Animal House" e "The Blues Brothers", e um filme de terror pelo meio, "An American Werewolf in London", quando aterrava nesta outra comédia, em que dois homens de posições sociais muito diferentes trocam de lugar, por causa da aposta de dois homens, interpretados por Ralph Bellamy e Don Ameche.
Comédia muito bem sucedida em todos os aspectos, tanto a nível crítico como de público. Foi o quarto maior sucesso do ano, e vale sobretudo pela excelente dualidade dos seus protagonistas: Dan Aykroyd, que já tinha trabalhado com Landis em "The Blues Brothers", e Eddie Murphy, bem fresco da sua grande estreia no ano anterior com "48 Hours", de Walter Hill.

Três Amigos! (Three Amigos!) 1986
Quando uma pequena aldeia mexicana é aterrorizada por um conhecido fora-de-lei, uma señorita desesperada pede ajuda aos únicos heróis que conhece: os lendários Três Amigos. Conhecidos de todos como lutadores destemidos pelas causas da liberdade, estes corajosos cowboys não passam de estrelas de cinema que só conseguem lutar à frente das câmaras! Mas quando os fora-da-lei atacam, os Amigos descobrem que os pistoleiros - e as suas balas - são bem reais. Os três têm agora de escolher: salvar a vida e serem aclamados como verdadeiros heróis - ou pendurar de vez as esporas em sinal de vergonha!
Uma espécie de "The Magnificent Seven" meets Irmãos Marx, era o mote de mais uma comédia de John Landis, um realizador que conseguiu transformar em êxitos praticamente todos os filmes que fez durante a década de oitenta. No centro da acção estão três dos mais bem sucedidos comediantes desta década, Steve Martin, Chevy Chase e Martin Short, mas quem se destaca mais são os dois actores que interpretam os vilões, Alfonso Arau (hoje em dia um realizador mexicano com algum sucesso) e Tony Plana. 
Uma paródia ao western, mas também um excelente filme de entretenimento, que consegue sobreviver com a mesma qualidade até aos dias de hoje.

Um Príncipe em Nova Iorque (Coming to America) 1988
O Príncipe Akeen (Eddie Murphy), do Reino de Zamunda, em África, decide que precisa de encontrar uma mulher que o ame pelo que ele é como pessoa, e não pela sua incrível fortuna ou pelo seu título da nobreza. Akeem segue com o fiel parceiro, Semi (Arsenio Hall), para Nova York, onde tenta conquistar uma futura esposa, não imaginando as aventuras em que se envolverá para conseguir o seu intento.
John Landis volta a trabalhar com Eddie Murphy, cinco anos depois da primeira colaboração entre os dois. Neste espaço de tempo muita coisa aconteceu, Landis continou a trabalhar em comédias de sucesso, e Eddie Murphy tornou-se num dos actores mais bem pagos de Hollywood, com sucesso atrás de sucesso. "Um Príncipe em Nova Iorque", apesar de não ser dos seus melhores filmes, é provavelmente a apoteose da sua carreira como actor. Pela primeira vez ele tem um filme todo para ele, interpretando quatro personagens ao mesmo tempo (tal como Arsenio Hall). Mas não foi um filme fácil. Landis acusou-o publicamente de se tornar um arrogante, ao contrário do primeiro filme que fizeram juntos em que ele o considerava um actor muito divertido.
Murphy já não era o talento em ascenção de "The Beverly Hills Cop", ou "48 Hours", mas sim uma mega-estrela cujo egoismo e desrespeito começavam a ser o seu génio. Nesse ponto, "Um Principe em Nova Iorque" era o inicio do seu declínio. Embora ainda conseguisse alguns sucessos nos anos seguintes, não levaria muito tempo para a sua carreira entrasse num periodo de decadência, apesar de conseguir uma nomeação aos Óscares em 2006, para "Dreamgirls".

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Capítulo 3 - Comédia

Os Fantasmas Divertem-se (Beetlejuice) 1988
Um simpático casal, normal, Adam (Alec Baldwin) e Barbara Maitland (Geena Davis) desfrutam da sua enorme casa de campo quando morrem num acidente de carro e voltam como fantasmas. Um casal horrível, da grande cidade, Charles (Jeffrey Jones) e Delia Deetz (Catherine O'Hara), mudam-se para lá com a deprimida filha alolescente, Lydia (Winona Ryder) e procedem a uma violenta redecoração (com a ajuda do pretensioso Otho, interpretado por Glenn Shadix). Incapazes de assustar os novos inquilinos, Adam e Barbara desesperados chamam Beetlejuice, e arrependem-se imediatamente da sua decisão. Ele é uma criatura hiperativa, desagradável, vomitando piadas mais rápidas do que o filme pode aguentar, e é brilhantemente hilariante.
O segundo filme de Tim Burton é ainda mais impressionante visualmente do que a estreia em 1985, Pee-wee's Big Adventure, mesmo que a aparência geral aqui seja mais vulgar e avassaladora, que confia mais nos efeitos especiais e maquilhagem do que na criação de um "universo ". Mas também é um dos seus filmes mais engraçados, com Michael Keaton a ter uma performance brilhante. Ele interpreta o personagem-título, um "bio-exorcista", que aparentemente ajuda a eliminar "criaturas vivas traquinas", e mesmo só aparecendo durante poucos minutos na tela, domina o filme.

Selvagem e Perigosa (Something Wild) 1986
O executivo Charles Driggs (Jeff Daniels) conhece a sexy e maluca Lulu (Melanie Griffith) e aceita uma boleia até ao seu escritório. Mas ela leva-o numa viagem inesperada, compra-lhe roupas estranhas e apresenta-o como marido a parentes e amigos. Quando aparece Ray (Ray Liotta), o violento ex-marido de Lulu que a quer de volta, a confusão aumenta e eles têm de participar num assalto.
Realizado por Jonathan Demme, é uma reinvenção das Screwball Comedies dos anos 30, Demme um realizador que sempre recusou a definir a sua carreira, seja por assunto, estilo ou tema. Em cada filme apresentava uma nova faceta da sua personalidade e da sua arte cinematográfica. Estava já no seu oitavo filme, e a sua carreira só explodiria realmente sete anos depois com "O Silêncio dos Inocentes".
Something Wild" vale, e muito, sobretudo pelos actores. Em primeiro lugar pela química entre os dois protagonistas, Jeff Daniels e Melanie Griffith, super sexy e prestes a tornar-se num sex-symbol dos anos 80, em parte pela sua interpretação neste filme. Depois pela grande interpretação de Ray Liotta, o malvado ex-marido ciumento. O papel valeu-lhe uma nomeação para os Globos de Ouro, e proporcionar-lhe uma óptima carreira como secundário em Hollywood, com um destaque para o seu Henry Hill de "Goodfellas".

Uma Mulher de Sucesso (Working Girl) 1988
Tess McGill é uma mulher de origem humilde, que não é formada e nem sabe vestir-se corretamente, mas cheia de idéias, que vai trabalhar num escritório que lida com o mercado de acções, como secretária de uma conceituada executiva. Quando a sua chefe parte a perna ocupa o seu lugar e faz-se passar por uma executiva. Ao propôr uma inteligente jogada financeira, Tess recebe o apoio de Jack Trainer, um grande empresário. Os dois acabam por se apaixonar, mas há um problema, ele é o namorado da sua chefe.
Melanie Griffith de novo, dois anos depois de "Something Wild", e já com uma reputação diferente. Tudo neste filme joga a seu favor, desde a realização de Mike Nichols, um realizador bastante conceituado, aos seus actores coadjuvantes, nada mais do que Sigourney Weaver e Harrison Ford, ambos no auge da sua carreira. E depois um grande restante elenco: Alec Baldwin, Joan Cusack, Philip Bosco, Oliver Platt, Kevin Spacey, Olympia Dukakis...Um conjunto de factores que valeriam a Griffith a sua única única nomeação para os Óscares. Weaver e Cusack também foram nomeadas, mas o filme só ganharia o Óscar de melhor música (Carly Simon - "Let the River Run").
Seria um dos maiores sucessos comerciais de 1988, e também um dos melhores filmes desse ano.

Ultra Secreto (Top Secret) 1984
Ficamos a história de Nick Rivers (Val Kilmer), um cantor em franca ascensão nos Estados Unidos, que é convidado para cantar num festival na Alemanha, ao lado de muitos outros artistas do mundo. Só que, na verdade, este festival é nada mais do que um plano maléfico para o bombardeamento a submarinos inimigos, pelos malvados estrategistas alemães. Durante a viagem, ele acaba por se envolver com Hillary (Lucy Gutteridge), uma linda jovem da resistência, que o deixará ainda mais envolvido em toda esta confusão política.
Depois de "Aeroplano" (1980), esta era mais uma louca screwball comedy das mentes loucas de Jim Abrahams, David e Jerry Zucker, um trio que era conhecido como ZAZ, e que nos anos oitenta produziu ainda outro grande sucesso com "Aonde é que Pára a Policia", que originou ainda uma série. Tal como nos outros filmes deste trio, o objectivo é sempre parodiar alguma coisa, e aqui o alvo eram os filmes da Segunda Guerra Mundial, Musicais, e os filmes sobre os ídolos pop dos anos 50 (Elvis, sobretudo). O trio atirava-nos com tantas piadas que praticamente só conseguíamos rir de uma em cada cinco, porque enquanto estava a acontecer uma nova, ainda estávamos a rir da anterior. 
Seria também o filme de estreia de Val Kilmer, permanecendo como uma das suas melhores interpretações até hoje. Os ZAZ fizeram-no rodear de um elenco de estrelas que contava com nomes como, Peter Cushing, Jeremy Kemp, Michael Gough, Omar Sharif, entre outros.

sábado, 5 de novembro de 2016

Capítulo 3 - Comédia

A prateleira das comédias era sempre das mais concorridas nos clubes de vídeo.Quem procurava uma comédia era sempre pelo sentimento de se divertir, optando por um passatempo inofensivo, por uma diversão que permitia descarregar os maus humores acumulados. Principalmente os anos 80, foram ricos em comédias marcantes, desde os filmes da equipa conhecida por ZAZ, ás comédias românticas que tiveram o seu ponto mais alto em "When Harry Meet Sally".  Vamos lá então conhecer algumas comédias do tempo do VHS.

Os Amigos da Onça (Buddy, Buddy) 1981
Num quarto de hotel Victor Clooney (Jack Lemmon), um homem desajeitado, tenta suicidar-se por ter sido abandonado pela mulher e acaba por perturbar Trabucco (Walter Matthau), um assassino profissional que tem um "contrato" com a Máfia para eliminar uma testemunha.
O derradeiro filme de Billy Wilder é uma comédia negra baseada numa peça de Francis Weber, que já tinha sido adaptada para o cinema francês em 1973, por Edouard Molinaro, num filme chamado "L'Emmerdeur", com o argumento a ser escrito em conjunto pelo próprio Wilder e o seu colaborador habitual, I.A.L. Diamond.
Infelizmente não teve a melhor recepção possível, tanto a nível crítico como comercial, mas no final da década acabaria por ser considerado das melhores comédias dos anos 80. Era a quinta colaboração entre Walter Matthau e Jack Lemmon, uma das duplas de maior sucesso no território da comédia. Só voltariam a colaborar juntos em 1993, com "Grumpy Old Men".
O elenco conta ainda com Paula Prentiss e Klaus Kinski.

Os Dias da Rádio (Radio Days) 1987
As décadas de 30 e 40 foram os momentos áureos do rádio nos Estados Unidos. Inspirado por esse período, Woody Allen escreveu e dirigiu "Radio Days", que conta as lembranças de um jovem e a sua família judia em Nova Iorque, durante a Segunda Guerra Mundial. Woody Allen narra alguns episódios fictícios do tempo de ouro do rádio norte-americana, e também conta histórias, como se fosse o protagonista, Seth Green, relembrando a sua infância preenchida pelos programas de rádio da época.
O período entre finais dos anos setenta e final dos anos oitenta, foi também o período de ouro de Woody Allen. Os êxitos sucediam-se, filme após filme, "Annie Hall", "Manhattan", "Stardust Memories", "Zelig", "Broadway Danny Rose", "The Purple Rose of Cairo", "Hannah and Her Sisters", "September", "Another Woman", "Crimes and Misdemeanors", grande parte deles com lançamento no nosso mercado em VHS.
A partir de certa altura Allen começou a reflectir sobre o espectáculo em geral, e o cinema em particular. Allen parece indetificar-se, simultaneamente, com os estilos de um escritor como um Tchekov e de um realizador como como Ingmar Bergman, escolhendo espaços interiores e retratos, em grande plano, de pessoas.

Porky´s (Porky´s) 1982
No sul da Flórida, em 1954, Pee Wee (Dan Monahan), Billy (Mark Herrier), Tommy (Wyatt Knight) e Mickey (Roger Wilson) têm de enfrentar quatro dolorosos anos na Angel Beach High School. Mas as actividades escolares e desportivas estão em segundo plano, porque o principal interesse deles é o sexo. Assim, a vida deles consiste principalmente em observar as raparigas no chuveiro e transformar num inferno a vida dos seus professores, mas são sempre perseguidos por Beulah Balbricker (Nancy Parsons), a professora de ginástica. Acabam por ir parar ao Porky’s, um misto de cabaret e bordel onde o dono (Chuck Mitchell) arranjará uma prostituta por um preço razoável. Mas nem tudo vai acontecer conforme previsto.
Um clássico campy dos anos 80, um dos maiores, dos mais vistos, pelo menos no território da comédia. Alguns anos depois do sucesso de "National Lampoon's Animal House" (1978), Bob Clark introduz-nos a um novo nível de piadas baixas, dando força a um sub-género dentro da comédia, que estava em clara expansão. Bob Clark era um realizador de filmes de terror, que fez por exemplo o clássico "Black Christmas".

Travões Avariados, Carros Estampados (Used Cars) 1980
Rudy Russo (Kurt Russell), um vendedor de carros usados, necessita de dinheiro para concorrer a senador. Assim fala com Luke Fuchs (Jack Warden), o seu chefe, que concorda em emprestar-lhe os 10 mil dólares de que ele precisa. Entretanto, um “acidente” elaborado por Roy Fuchs (Jack Warden), o irmão gémeo de Luke e ferrenho rival nos negócios, mata Luke. Roy também tem uma loja de carros usados do outro lado da rua e espera o momento para reivindicar a propriedade para si. 
Uma hilariante alusão àqueles tipos de vendedores que usam das mais variadas técnicas de persuasão com os seus clientes e conseguem transformar verdadeiras velharias no carro em segunda mão dos seus sonhos. Era o segundo filme de Robert Zemeckis, realizado dois anos depois de "I Want to Hold Your Hand", e a cinco de fazer o primeiro "Regresso ao Futuro". 

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Capítulo 2 - Acção e Aventura

Ruptura Explosiva (Point Break) 1991
Keanu Reeves é Johnny Utah, um correcto agente novato do FBI, que recebe a missão de encontrar um gang de ladrões que actua no sul da Califórnia. Como o seu parceiro (Gary Busey) está convicto de que os ladrões são surfistas, Johnny decide entrar disfarçado no irreverente mundo do Surf. Depressa conhece Bodhi (Patrick Swayze), um carismático viciado em adrenalina que faria qualquer coisa para viver uma aventura ... talvez até assaltar bancos. À medida que os dois se tornam amigos, Johnny é vítima da perigosa influência de Bodhi, e desconfia cada vez mais de que ele pode ser o líder dos assaltantes...
Depois de "Near Dark" e "Blue Steel", uma obra que passou um pouco ao lado, Kathryn Bigelow regressa com este "Point Break", um filme que embora tivesse um argumento fraco e umas más interpretações conseguiu elevar-se ao estatuto de culto, em parte devido ao elevado número de fãs que adquiriu. As sequências de acção são de facto muito eficazes, explorando o território dos desportos radicais como o surf e o paraquedismo, bombeando adrenalina por todos os poros e atirando Keanu Reeves para o estrelato, num género onde não seria muito esperado, o território da acção. Três anos depois voltaria a terreno com "Speed", outro filme de culto dos anos 90.

Harley Davidson e o Cowboy do Asfalto (Harley Davidson and the Marlboro Man) 1991
Em Los Angeles dois grandes amigos, que são conhecidos como Harley Davidson (Mickey Rourke) e Marlboro (Don Johnson), ficam a saber que outro velho amigo vai perder o seu bar, porque o banco quer construir um novo complexo e, para não ter os planos atrapalhados, exige US$ 2,5 milhões para renovar o aluguer por 5 anos. Harley tem uma idéia "simples": assaltar o carro blindado do banco para conseguir o dinheiro.
"Harley Davidson and the Marlboro Man" é um dos filmes ultra-machista do inicio dos anos 90, que apesar de ter um orçamento não muito grande, de 23 milhões, não conseguiu sequer obter o dinheiro de volta. A razão é simples, é que o argumento é muito estúpido, tudo no filme soa a mal, mas acabou por se tornar num "guilty pleasure" para muita gente. Não ajudou nada a carreira de Mickey Rourke, que daqui para a frente ficaria uns anos esquecido, nem a de Don Johnson, estrela da série "Miami Vice", que tentava obter um lugar ao sol no cinema. Simon Wincer a realizar.

A Fúria do Último Escuteiro (The Last Boy Scout) 1991
Joe Hallenbeck (Bruce Willis), teve de sair dos Serviços Secretos por causa de um político corrupto, tornando-se detective particular em Los Angeles. Jimi Diz (Damon Wayans) abandonou uma bela carreira de jogador de futebol americano por causa de falsas acusações sobre o uso de drogas. Os dois só tem em comum o fracasso profissional e pessoal, até que uma conhecida dançarina de strip-tease Cory (Halle Berry) é assassinada. Joe e Jimmy juntam-se para investigar o crime e acabam por se tornar o próximo alvo dos assassinos, ao descobrirem que por trás da morte de Cory está uma vasta rede de chantagem, extorsão e corrupção.
Num dia de "guilty pleasures", não podia falta este "The Last Boy Scout", de Tony Scott, irmão de Ridley Scott, que tinha já no seu currículo obras como "The Hunger", "Top Gun", "Beverly Hills Cop II", ou "Days of Thunder", que, fora o primeiro, não abonavam muito para a sua carreira. Bruce Willis e Damon Wayans são os protagonistas numa comédia de acção inter-racial onde tudo parece mecânico e forçado. É baseado numa história de Shane Black e Greg Hicks, com o argumento a ser escrito por Shane Black. Cada personagem é unidimensional e um estereótipo, e o filme é supostamente uma homenagem a Raymond Chandler, e Dashiell Hammet. O grande problema era de facto o argumento de Shane Black, que já tinha escrito nesta altura o argumento dos dois primeiros "Arma Mortífera". Uma curiosidade.

Operação Thor (Blue Thunder) 1983
Roy Scheider é um corajoso piloto da policia a lutar contra fanáticos do governo que planeiam usar inapropriadamente um helicóptero experimental de guerra. Escolhido para testar o Trovão Azul, Frank Murphy fica impressionado pelo helicóptero de alta velocidade e alta tecnologia. Ele é capaz de ver através das paredes, gravar um suspiro ou destruir um quarteirão de uma cidade. Desconfiando das intenções militares por trás do Trovão Azul, Murphy e o seu parceiro Lymangood (Daniel Stern) logo descobrem que a extraordinária aeronave está destinada a ser usada como uma arma de vigilância e controle da população. 
Sem dúvida um dos melhores filmes de acção a saír dos estúdios de Hollywood nos anos 80. Realizado por um dos melhores artesãs deste período, John Badham, de quem veríamos logo de seguida "WarGames" e "Short Circuit", "Blue Thunder" contava-nos uma história que veríamos muitas vezes nos filmes dos anos 70 e 80, a história do policia à beira de um ataque de nervos que pisa terreno perigoso quando lhe dizem para desistir de um caso mas resolve investigar por conta própria.
Efeitos especiais fantásticos, acção pura e dura, e um grande elenco de secundários que incluia Warren Oates, Candy Clark e Malcolm McDowell. O filme deu origem a uma série.
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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Capítulo 2 - Acção e Aventura

Excalibur (Excalibur) 1981
Uther Pendragon entrega a mistíca espada Excalibur ao mágico Merlin. No seu leito de morte, Uther enterra a espada numa pedra, e o próximo homem que conseguir retirá-la será o novo rei da Inglaterra. Anos depois, Arthur, o filho bastardo de Uther consegue retirar a espada e torna-se rei. Guiado por Merlin, Arthur casa-se com Guenevere e reune vários cavaleiros para formar a távola redonda. A meia-irmã malvada de Arthur, Morgana, acaba por ter um filho que pode levar ao fim o seu reinado.
Épico medieval realizado por John Boorman, conta-nos a história da lenda do Rei Artur pelo seu próprio ponto de vista. Filmado nas costas rochosas e nas florestas de esmeralda da Irlanda, Boorman transforma a paisagem num mundo primordial talhado em pedra e madeira, e lama a ferro e fogo. É talvez a versão mais obscura que já foi feita no cinema sobre a lenda do rei Artur, e como tal merece uma visualização atenta. Um enorme destaque para o elenco de actores britânicos, onde encontramos Nigel Terry, Hellen Mirren, Nicholas Clay, e Gabriel Byrne.

A Floresta Esmeralda (The Emerald Forest) 1985
Powers Boothe interpreta Bill Markham, um engenheiro que parte para o Brasil com a sua família para concluir a construção de uma grande hidrolétrica na Floresta Amazónica. Para montar o empreendimento, será necessário devastar diversas áreas verdes e desabitar todas as comunidades que trabalham e vivem na região. Uma tribo indígena conhecida como Invisible People descobre a notícia e, como forma de vingança, rapta Tommy, o filho de apenas sete anos de idade do engenheiro, durante um piquenique da família.
John Boorman, o mesmo realizador  de "Excalibur", regressa ao ambiente selvagem da natureza para nos trazer uma fábula mítica e violenta sobre a destruição ambiental da humanidade, cobrindo um território similar ao seu clássico de 1972, "Deliverance". "A Floresta Esmeralda" era vagamente baseado numa história verdadeira, aspirando a ser algo maior do que o filme referido, numa escala mais épica.
O argumento era da autoria de Rospo Pallenberg, que já tinha colaborado com o realizador em "Excalibur",  e o realizador conta com um excelente desempenho do seu filho, Charley Boorman, no papel de Tommy mais velho.
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Fúria Cega (Blind Fury) 1989
Um veterano do Vietname fica cego e passa a usar uma lâmina na sua bengala para se defender. Ele tem a missão de levar um jovem de 10 anos até ao pai, que está a ser procurado por um gang de bandidos. No caminho, descobre que está a ser seguido e precisa de lutar para se defender. 
Um update de Zaitoichi, o espadachim cego dos filmes japoneses, "Blind Fury" conta com Rutger Haur no papel principal, e tenta fazer do actor o Jackie Chan do cinema holandês. Na essência era um filme de acção com uma boa dose de humor, mas longe de ser uma obra relevante no cinema americano. Seria o primeiro filme do australiano Phillip Noyce na américa, digamos que uma entrada na liga principal pelas divisões secundárias, mas depressa o realizador passou para filmes da primeira divisão. A sua melhor obra, "Dead Calm", foi realizada neste mesmo ano, na Austrália.

O Guerreiro do Vento (Windwalker) 1980
Enquanto o resto da sua tribo viaja para Sul porque o Inverno se aproxima, o velho guerreiro Cheyenne chamado Windwalker (Trevor Howard) fica para trás para morrer. Depois de passar para o pós-morte tem uma visão da sua esposa assassinada, Tashina (Serene Hedin), e percebe que tem de regressar à vida para encontrar o seu filho à muito perdido (Nick Ramus). Agora reencarnado, Windwalker propõe-se a desvendar o mistério do desaparecimento do seu filho, ao mesmo tempo que protege a sua familia de ataques repetidos da violenta tribo, Crow.
Kieth Merrill, um devotado cineasta "mormon", era conhecido principalmente pelos seus filmes sobre valores familiares em exteriores, dirige apaixonadamente esta espécie de western envolvente. Com belas paisagens montanhosas invernais, filmadas no Utah, é conhecido por ser inteiramente falado em linguagem tribal. O único homem branco no filme é o actor britânico Trevor Howard, que foi treinado para falar em Cheyenne, o resto do elenco é todo formado por nativos americanos. 
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terça-feira, 1 de novembro de 2016

Capítulo 2 - Acção e Aventura

O final da década de oitenta, confirmou aquilo que já vinha a ser prometido há alguns anos: acção sem parar, aventuras em terrenos misteriosos e experiências cinematográficas novas, insólitas, mas de êxito além da exploração, mesmo em filmes sem qualidade, de padrões de êxito seguro.
"Os Salteadores da Arca Perdida" tinha sido o filme de acção por excelência, mas sete anos mais tarde a palavra acção seria levada a um novo extremo, com o filme de John McTiernan, "Assalto ao Arranha-Céus".
A prateleira dos filmes de acção era sempre das mais abrangentes, pois podia incluir policiais, filmes de ficção científica, guerra, dependendo um pouco do ponto de vista do organizador do clube de vídeo. E o VHS criou os seus próprios heróis de acção, mas a eles iremos falar num futuro capítulo deste ciclo, para já vamos conhecer alguns filmes de acção e aventura que nos deliciavam.

O Dragão do Lago de Fogo (Dragonslayer) 1981
Um rei fez um pacto com um dragão, através do qual este deixa o seu reino em paz em troca do sacrifício de virgens. Um velho feiticeiro e o seu jovem aprendiz voluntariam-se para matar o dragão e salvar a próxima virgem da morte, a própria filha do rei.
Nomeado para os Óscares pelos seus impressionantes efeitos especiais da Industrial Light and Magic, "Dragonslayer" foi um filme que teve dificuldade em encontrar um público, quando do seu lançamento nas salas de cinema, em parte por ter sido comercializado como uma fantasia infantil, com uma co-produção entre a Walt Disney e a Paramont. No entanto, a nudez, a violência, alguns momentos assustadores, e uma cena particularmente gore, assustaram os mais novos, principalmente os que gostavam de aventuras do estilo "Dungeons & Dragons". Mas, "O Dragão do Lago de Fogo", acabaria por ganhar uma nova vida depois de lançado em vídeo, tornando-se num dos maiores sucessos dentro do género acção e aventura.
A realização estava a cargo de Mathew Robbins, e a dupla caçadora de dragões era formada por Peter MacNicol (estreia no cinema) e Ralph Richardson.

Firefox (FireFox) 1982
Os céus nunca viram nada parecido. Voa a uma velocidade 6 vezes maior que a do som, não é detectado por radares e o seu sistema integrado de armas - adaptável a armamento nuclear - é operado pelas ondas do pensamento do piloto. É a máquina de guerra mais devastadora já construída, de nome do código Firefox. Mas o Firefox pertence aos russos e para manter o equilíbrio do poder mundial, o Ocidente precisa de roubá-la. Clint Eastwood é o piloto americano escolhido para o trabalho.
Antes da reviravolta na sua carreira, com "Bird"(1988), e "Unforgiven" (1992), Clint Eastwood era um herói dos filmes de acção, por várias vezes, como aqui, dos dois lados da câmara. "Firefox" é um desses filmes, com efeitos especiais da autoria de Chuck Gaspar, o mesmo de "Ghostbusters", "Beetlejuice", "Lethal Weapon" ou "Armageddon".
É um filme político de uma ponta à outra, sendo impossível discuti-lo de outra forma. É um exemplo de uma série de filmes em que a glória do equipamento hi-tech era exaltada, um sub-género militar-industrial, que curiosamente chegaria aos cinemas com Regan no poder. Outras obras deste sub-género eram "Blue Thunder", "Wrong is Right" e "Deal of the Century".

Robin dos Bosques (Robin Hood) 1991
Na Inglaterra dividida do século XII, os normandos governam duramente, enquanto os saxões se expõem a enormes perigos para contestar a sua autoridade. Um nobre saxão, após um acto de bravura, torna-se vítima da justiça normanda e perde as suas terras além do título de nobreza. Rotulado como fora da lei sob a identidade de Robin Hood, engana os seus rivais, conquista o amor de Lady Marian e transforma-se no grande herói do povo saxão.
O verão de 1991 foi quente, com a disputa entre dois filmes, sobre o fora-da-lei Robin dos Bosques. Dois filmes sobre o mesmo assunto num curto espaço de tempo não era bom sinal, um deles iria fracassar na bilheteira. De um lado esta uma produção de Kevin Reynolds, com um Kevin Costner acabadinho de saír dos Óscares de "Dança com Lobos", e um budget de 48 milhões, um número considerável para aquele época. Do outro lado estava esta produção de John McTiernan, que esteve para realizar, mas acabaria por passar apenas para produtor, quando se apercebeu que não tinha hipóteses de competir com Kevin Costner. John Irvin ficaria na cadeira de realizador, e sem orçamento para uma estrela de primeira linha, o papel principal será de Patrick Bergin, com o papel de Lady Marian a ir parar a Uma Thurman.
É um filme muito fiel à história original, e também ao ambiente da época, mas seria completamente ignorado, e derrotado pelo filme de Kevin Costner, que até é bem inferior.

A Força dos Punhos (Three O'Clock High) 1987
Jerry Mitchell está a ter um dia daqueles: atrasou-se para a escola, o seu carro tem um pneu furado e o professor mandou-o para a sala do diretor da escola. Só que o pior ainda está por vir. Quando ele precisa de passar na casa de banho, tem o azar de tropeçar em Buddy Revell, o valentão recém-chegado à escola. Ao se desculpar, Jerry dá um tapadinha ao de leve nas costas do rapaz... Terrível erro! Buddy não suporta ser tocado e desafia-o para uma briga às três da tarde, no estacionamento da escola. Em pânico, Jerry pede ajuda à sua irmã mais nova e, juntos, eles precisam de pensar numa maneira de evitar o confronto, já que ele é um covarde de primeira. O tempo passa e as opções de Jerry vão ficando cada vez menores.
"Three O’Clock High" procurava uma resposta que vinha a atormentar os cinéfilos durante gerações: o que aconteceria se John Hughes fizesse um filme sobre "The Trial", de Franz Kafka? A resposta é alternadamente surreal, engraçada e surpreendente. Poderia ter corrido mal, mas o realizador Phil Joanou, na sua primeira obra, e o jovem Casey Siemaszko, conseguem manter um ar de honestidade emocional por todo o filme. Não importa o quão estranhas as circunstâncias se tornem, é fácil nos relacionarmos com a crescente ansiedade do personagem de Siemaszko.
Não deu nas vistas nas salas de cinema, mas tornou-se num êxito dos clubes de vídeo.