domingo, 9 de agosto de 2015

Lobo Solitário - A Espada da Vingança (Kozure ôkami: Ko wo kashi ude kashi tsukamatsuru) 1972

A popular série dos anos 70, chamada Lobo Solitário, baseada numa popular manga de Kazuo Koike e do artista Goseki Kojima, baseia-se na tradição dos filmes de samurais. Embora seja um dos exemplos mais violentos do género, a brutalidade adapta-se à trama, e é completada com sequências de viagens em paisagens desoladas. A história em geral é bastante simples, embora os episódios individuais possam deixar o espectador causal a perguntar sobre as história e as alianças das personagens.
Os seis filmes de que fazem parte esta história, seguem a história do samurai desonrado  Ogami Ittō, e do seu filho de 3 anos que ele empurra num carrinho, Daigorō, à procura de trabalho como assassino de aluguer, enquanto combate as forças do clã Yagyū. Esta primeira parte conta a história da fuga de Ittõ, depois de membros de um clã dissidente terem assassinado a sua esposa, e o terem culpado de traição.
Ao contrário da manga, os filmes não têm uma conclusão definitiva porque os livros ainda estavam a ser editados quando os filmes saíram. Os filmes vão aumentando de violência, com o último a bater o record de contagem de corpos causados por um só indivíduo, numa única cena, pelo menos até aquela altura.
Kenji Misumi é o realizador deste, e dos quatro filmes seguintes, enquanto o samurai protagonista é interpretado por Tomisaburô Wakayama. 

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Female Prisoner #701: Scorpion (Joshû 701-gô: Sasori) 1972

Violada por um gang da Yakuza, sacrificada e traída pelo polícia corrupto a quem ela inocentemente entregou a sua virgindade, Nami Matsushima (interpretada pela deslumbrante Meiko Kaji), encontra-se numa prisão feminina, vigiada por guardas monstruosos, determinados a esmagar a sua indomável vontade de vingança. Matsu, também chamada de Escorpião pelas suas colegas da prisão, procura não apenas vingança contra os homens responsáveis pela sua queda em desgraça, mas também a justiça contra os seus atormentadores dentro dos muros da prisão.
Primeiro de uma série de quatro filmes com a bela e feroz Meiko Kaji como protagonista, na pele de uma mulher prisioneira. Embora seja essencialmente um filme sobre mulheres na prisão, cobre um terreno muito mais amplo do que a exploitation, e fá-lo num estilo muito próprio. O filme cai rapidamente num sub-género do cinema japonês muito popular nos anos 60 e 70, o Pinky Violence. A história está cheia de nudez e violência, mas pelo menos existe algum contexto ou razão adicional para essas cenas.
Realizado pelo estreante Shunya Itô, que dirigiu os três primeiros filmes da série. Foi uma série muito popular no Oriente, durante a década de 70.

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What? (Che?) 1972

Uma jovem americana (Sydne Rome), encontra-se a viajar por Itália, até dar consigo numa estranha villa do Mediterrâneo, onde nada parece estar certo. A sua visita torna-se uma versão absurda e decadente de "Alice no País das Maravilhas" com Marcello Mastroianni como o mais louco dos chapeleiros loucos, e Roman Polanski como a "lebre" perversa.
Comédia de humor negro realizada por Roman Polanski, tem quase todas as qualidades redentoras que um filme pode ter: é machista, aborrecido, ofensivo e mal interpretado. Embora alguns o tenham descrito como uma versão de "Alice no País das Maravilhas", a comparação não é merecida. Enquanto as experiências da Alice de Carroll são humoristicamente bizarras com criaturas de universos paralelos, Rome é simplesmente abordada por incontáveis devassos, mas como ela é um protótipo de uma "loira burra" hippie, ela desiste em vez de lutar.
Polanski realizou este filmes entre a sua versão de "Macbeth" e o mega-sucesso de "Chinatown". Na altura da sua estreia recebeu péssimas críticas, além de ter fracassado nas bilheteiras, pelo que se tornou no filme menos conhecido do realizador. Muitos dizer ser o seu pior filme, ainda pior que "Piratas", de 1986. Será?

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O Outro (The Other) 1972

No verão de 1935, dois gémeos com 12 anos de idade, Niles e Holland Perry vivem com a família numa quinta do Connecticut. A adorada avó Ada ensinou-lhes algo chamado "o jogo". Começam a acontecer vários acidentes, e Niles acha que Holland é o responsável. Ada começa a aperceber-se do que está a acontecer, e ela é a única pessoa que pode deter este jogo macabro.
Depois de uma carreira interessante na TV e nas longas metragens (como em "The Cardinal" de John Huston), Tom Tryon começou a escrever livros, com uma estreia muito interessante, o best-seller "The Other", que ele próprio adaptou para o cinema pela mão de Robert Mulligan, que realizou o filme.
"The Other" é um grande exercício técnico, que no fim compensa o ritmo um pouco lento que se prolonga pela primeira hora de filme. É passado muito tempo a ver os jovens a brincar, mas tudo isto irá levar a um grande twist, que influenciou um famoso filme posterior, que, como é óbvio, não vou dizer qual é.
O ambiente rural da quinta é de primeira qualidade, e Mulligan consegue tirar grandes interpretações dos seus jovens protagonistas, Chris e Martin Udvarnoky. Ganhou o prémio para Melhor Realizador na edição de 1972 do Festival de Sitgés.

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sábado, 8 de agosto de 2015

Verão de 42 (Summer of '42) 1971

Durante as férias do Verão de 1942, na ilha de Nantucket, um jovem que aguarda ansiosamente o seu primeiro encontro sexual, desenvolve um amor inocente por uma jovem mulher à espera de noticias sobre o destino do marido, soldado, que se encontra em serviço na Segunda Guerra Mundial.
O Verão parece ser o cenário mais provável para os famosos filmes sobre a "coming of age", mas poucos são tão bonitos, poderosos ou realistas como este filme evocativo de Robert Mulligan. Baseado nas memórias do argumentista Herman Raucher, "Summer of ’42" é uma jornada de sonho através das memórias de Raucher, como ele relembra estas mesmas férias naquela ilha, no Verão de 1942, onde ele rodeado de amigos, se apaixonou por uma mulher mais velha.
Foi um sucesso surpresa, tendo se tornado num dos filmes mais vistos nesse ano. Ganhou um Óscar para Melhor Música Original, e ainda conseguiu mais três nomeações, incluindo o argumento de Herman Raucher.

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A Ameaça de Andrómeda (The Andromeda Strain) 1971

Um satélite artificial cai no Novo México carregando um microorganismo que começa a contaminar a população e mata todos na cidade próxima à queda, excepto um bébé e um velho. Uma equipa de cientistas tenta conter a epidemia e encontrar a cura, numa corrida contra o tempo.
Um livro de Michael Crichton do mesmo nome, de 1969, serviu de base para este filme, saltando para a produção pouco depois do livro ter sido lançado. Com uma grande quantidade de dinheiro desviada para o design dos cenários e para os gráficos computorizados, "The Andromeda Strain" era uma aposta arriscada para os produtores, principalmente porque não havia grandes estrelas no elenco. Desta forma, faz lembrar um pouco "2001: A Space Odyssey", de Stanley Kubrick, embora o âmbito do filme não seja sobre a beleza do espaço para além da nossa atmosfera, mas é mais sobre como a letalidade do espaço pode intervir na nossa vida. Parte thriller, parte disaster movie, e realizado por Robert Wise (de "The Sound of Music" ou "Star Trek"), o filme tocava em muitos medos do tempo em que foi feito, como a detonação nuclear, guerra química, paranóia, e experiências científicas que correm mal. Estes receios ainda hoje não desapareceram, o que torna a história interessante para os espectadores de hoje, desde que possamos ignorar os aspectos negativos da tecnologia usada.
É interessante ver um filme com uma ameaça extraterrestre que não se assemelha a qualquer coisa que vimos até aqui, porque a maioria dos filmes tem algo com uma aparência humanoide,  ou mesmo reptiliana. Na verdade, até é uma representação muito mais plausível de uma ameaça alienígena do que a representada por muitos outros filmes de ficção científica. É também interessante para descrever o quanto frágil a vida na terra é quando uma simples forma de vida microscópica pode rapidamente se regenerar e se espalhar.

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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Sol Vermelho (Soleil Rouge) 1971

O embaixador do Japão viaja pelo Oeste selvagem de comboio, quando um grupo de assaltantes o assalta, para roubar um carregamento de ouro. O comboio também transporta uma espada japonesa antiga, que o embaixador pretende entregar de presente ao presidente dos Estados Unidos. O guarda-costas do embaixador (Toshiro Mifune) vai atrás deles, com a ajuda de um dos lideres do gang (Charles Bronson) que foi traído pelos colegas...
Um western multinacional, incorporando as tradicionais figuras icónicas do cinema de género Ocidental e Oriental, não esquecendo a versão francesa do Samurai, já que o filme tem dinheiro de três origens diferentes, incluindo a França. Somando todas as partes, tudo parece perfeito demais. Mas não sendo um grande filme, acaba por ser uma obra agradável.
É impossível negar que a qualidade do casting abafa tudo. A realização é de Terence Young, que tinha realizado os três primeiros filmes da saga 007, e que por isso estava muito bem cotado no campo da acção. No elenco, além de Mifune e Bronson, contavam-se Ursula Andress, Alain Delon, Capucine, entre outros.
Foi filmado na região de Almería. 

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Punishment Park (Punishment Park) 1971

1970: a guerra no Vietname está escaldante. O presidente Nixon decidiu fazer um bombardeamento ao Camboja. Há protestos públicos massivos, nos Estados Unidos e um pouco por todo o mundo.Nixon declara estado de emergência nacional, e activa - pressupomos no filme - a Lei de Segurança interna de 1950 (McCarran Act) que autoriza as autoridades federais, sem recorrerem ao Congresso, a deterem pessoas que são julgadas como "um risco interno à segurança".
Numa zona desértica do Sudoeste da Califórnia, não muito longe das tendas onde um tribunal civil está a passar sentenças (na maior parte a estudantes universitários) encontramo-nos no National Punishment Park,  e descobrimos as regras do "jogo", a que as pessoas são obrigados a submeter-se como parte da alternativa que escolheram em vez do aprisionamento numa penitenciária. Duas equipas de documentaristas, uma da Alemanha Ocidental e outra da Grâ-Bertanha seguem dois grupos de detidos. Um grupo está a ser acusado através de um tribunal, enquanto o outro já escolheu a opção do Punishment Park. Resta saber exactamente o que é o Punishment Park.
Peter Watkins já tinha uma reputação de provocador desde a década de 60, desde que realizou "The War Game" em 1965, que ficou banido da BBC durante vinte anos. "Punishment Park" era tão incendiário como o documentário anterior. O estilo de pseudo documentário é complementado pelas técnicas de improvisação que Watkins utilizou.
A tensão aumenta ao longo do filme, e fica cada vez mais claro que o "Punishment Park" não é sobre a educação ou sobre a reabilitação, mas é um jogo sádico e cínico, semelhante ao que Pasolini viria a fazer alguns anos depois com "Saló ou os 120 Dias de Sodoma", uma experiência a que os prisioneiros têm pouca esperança de sobreviver.

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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

A Terceira Parte da Noite (Trzecia Czesc Nocy) 1971

O cenário é a Segunda Guerra Mundial, a invasão da Polónia pela Alemanha. Um homem testemunha a sua esposa e o filho serem brutalmente assassinados, e a sua mente leva-o para estranhos lugares enquanto ele tenta continuar a sua vida. Cruza com uma mulher grávida que se parece com a sua esposa, mas onde quer que ele vá encontra a morte e a violência brutal.
Filme de estreia de Andrzej Zulawski, que já aqui explora temas que serão recorrentes nos seus futuros filmes. Temas que traçam paralelos entre o amor que obriga a assumir riscos, e encontros com a morte que obrigam a viver a vida.
A guerra de Zulawski parece que nunca vai acabar, o que faz sentido, se considerarmos a posição da Polónia quando o filme foi feito, ainda sob o jugo de uma força invasora. Tal como os protagonistas de "Soldier of Orange", ou "Black Book", de Paul Verhoeven, a resistência de Zulawski parece nunca conseguir alguma coisa, e a única missão descrita é uma tentativa fracassada de resgatar o sósia de Grizzly. Derivando o título do filme a partir de um apocalipse bíblico, o realizador cria uma poderosa sensação de pesadelo. 

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Salvo por Amor (Little Murders) 1971

Alfred (Elliott Gould) é um fotógrafo neurótico, cujo trabalho é fotografar porcaria de cão. Enquanto caminha pela cidade, com a cabeça continuamente apontada para baixo, focando a sua perspectiva sobre a calçada. Esta é, para ele, a única reação possível a um mundo podre, pelo menos até conhecer Patsy (Marcia Rodd) que o resgata de um assalto na cena de abertura, e depois fica enraivecida quando ele simplesmente se afasta, desinteressado, deixando-a à mercê de ela própria ser assaltada. Naturalmente, é o nascimento de um romance, principalmente porque Patsy não é capaz de tolerar alguém tão cínico como Alfred.
Jules Feiffer, cartoonista, dramaturgo, autor e ilustrador, além de argumentista deste filme, é tão refinado e brilhante em cada um dos seus talentos que é perversamente fácil subestimá-lo. Feiffer também foi o argumentista de "Carnal Knowledge", de Mike Nichols, realizado neste mesmo ano. Em "Little Murders" há a destacar a sua colaboração com Alan Arkin, actor já de renome que se estreava no campo das longas-metragens.
O filme é semi-autobiográfico, e não é para todos os gostos. Tal como Roger Ebert disse na sua crítica original "é muito o tipo de filme de Nova Iorque, paranoico, masoquista e nervoso", deixando-nos a perguntar que tipo de problema pode estar ao virar da esquina. As interpretações de todos os actores envolvidos são a razão principal porque se deve ver este filme: Elliot Gould, Marcia Rodd, Vincent Gardenia, Elizabeth Wilson, John Randolph, Lou Jacobi, Donald Sutherland, e o próprio Alan Arkin.

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O Último Filme (The Last Movie) 1971

Um filme rodado no Perú corre extremamente mal quando um actor morre numa sequência de duplos, e um dos profissionais, Kansas (Dennis Hopper), decide desistir da produção e ficar numa aldeia, para se envolver com a prostituta Maria. Mas os seus sonhos de uma existência sem problemas são interrompidos quando o padre da aldeia lhe pede ajuda para fazer com que os habitantes da aldeia não se matem uns aos outros, ao tentar encenar as cenas do filme.
Depois do sucesso de "Easy Rider", em 1969, Dennis Hopper era o novo messias do cinema. Filme que era uma ode à contracultura, e que facturou 50 milhões de dólares, provocando uma reviravolta na indústria. Hopper ficou com carta livre para fazer o filme que quisesse, e assinou contracto com a Universal, para realizar este "The Last Movie". Era um projecto antigo do actor, que já vinha desde 1958, que só agora conseguia meter em produção. O argumento era escrito a meias com Stewart Stern, o argumentista de "Rebel Without a Cause", onde Hopper também colaborara.
Com um orçamento de mais de um milhão de dólares, mais do que o dobro de "Easy Rider", Hopper construiu cenários a mais de quatro mil metros de altitude, envolvendo alguns amigos, entre os quais Peter Fonda e Samuel Fuller, que também participaram nas rodagens. A montagem do filme demorou mais de um ano, para terminar com uma narrativa difícil, onírica, e fragmentada.
Apesar de ter ganho um prémio em Veneza, o filme foi massacrado pela crítica e pelo público, saíndo das salas de cinema em apenas duas semanas. Diz-se que Hopper até foi agredido na estreia, por uma estudante. Mesmo assim, ainda houve quem considerasse o filme visionário, muito à frente no seu tempo.

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Caçada Implacável (The Hunting Party) 1971

O rico e cruel rancheiro Brandt Ruger (Gene Hackman) mantém a sua bela e jovem esposa, Melissa (Candice Bergen), como se parte da sua propriedade fosse, subjugando-a à sua vontade. Um dia ela é raptada por um famoso fora-da-lei Frank Calder (Oliver Reed), para que o ensine a ler. Calder não se importa de quem ela é esposa, e trata bem dela, o que a leva a apaixonar-se por ele.Mas Ruger sente-se humilhado, cheio de ódio e parte numa caçada, para matá-lo, e a ela também, se for preciso. Com os seus homens leva a mais nova tecnologia em armas, e inicia uma batalha mortal contra Calder e o seu gang.
Há poucos filmes com uma reputação tão má como "The Hunting Party". É um filme cruel, e não tem medo de ofender o seu público, e essas são apenas as partes positivas... Enquanto a maioria dos críticos consideraram o filme nada mais como uma desculpa mesquinha para ganhar dinheiro com incentivos fiscais espanhois (o filme foi todo rodado em Espanha), e explorar a atitude permissiva à violência iniciada com "The Wild Bunch", dois anos antes, é na realidade uma representação tensa e e razoavelmente inteligente da obsessão e dos seus efeitos prejudiciais.
O veterano da TV Don Medford lida com as coisas mais competentemente do que a maioria dos seu contemporâneos no território dos filmes de baixo orçamento, como é este "The Hunting Party", fazendo a história progredir na velocidade correcta, e obtendo boas interpretações de um elenco multi-nacional.

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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Le Frisson des Vampires (Le Frisson des Vampires) 1971

Isle e Antoine chegam ao castelo ancestral dela, para descobrir que os seus primos estão mortos, e a casa está a ser cuidada por duas empregadas (Marie-Pierre Castel e Kuelan Herce) e ficam ainda mais assustados quando os primos aparecem para jantar. aos poucos descobrem que os primos de Isle eram assassinos de vampiros, que caíram sob a influência de Isolde, que agora tenta trazer Isle para o seu rebanho.
A estética visual de Jean Rollin torna esta fantasia/pesadelo sobrenatural com cores brilhantes, irreais, num filme bastante sombrio. A narrativa é reduzida a quase nada, com os recém-casados a chegarem ao castelo, a presenciarem estranhos acontecimentos, vagueando pelos corredores sujos, e pisando o soalho em decomposição. É uma narrativa perpetuamente suspensa, e tudo isto tem uma textura de um sonho, completo com a sua própria simbologia.
Era o quarto filme de Jean Rollin sobre vampiros.

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A Mulher do Padre (La Moglie del Prete) 1970

Ao descobrir que o seu namorado é casado, uma jovem mulher tenta suicidar-se, parando apenas para telefonar para uma linha de ajuda. Vai parar ao hospital, onde conhece o padre que lhe atendeu a chamada da linha de ajuda. Tenta seduzi-lo, e ele sucumbe aos seus encantos, mas logo se apercebem que o problema é o Santo Voto de Celibato dele...
Produzido por Carlo Ponti, e pela sua esposa, que também é a actriz principal, Sophia Loren, que tiveram uma grande batalha contra o Vaticano, e o governo Italiano por causa da falta de legislação do governo sobre o divórcio.
Dino Risi, com muito humor, faz uma crítica profunda ao celibato exigido aos sacerdotes da igreja católica. Para além de Sophia Loren, conta ainda com Marcello Mastroianni no principal papel.

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domingo, 2 de agosto de 2015

Viva a Morte (Viva la Muerte) 1971

No final da Guerra Civil espanhola, Fando, um rapaz de 10 anos de idade, tenta encontrar sentido na guerra e na prisão do pai. A mãe religiosa é solidária com os fascistas, e o pai é acusado de ser comunista. Fando descobre que a mãe pode ter culpas na prisão do pai. Vemos Fando a imaginar explicações para o que está a acontecer, outras vezes vemo-lo a brincar sozinho ou com a amiga Thérèse. Fantasias edipianas e a curiosidade de um rapaz sobre sexo e morte, em conjunto com a sua busca pela natureza da sua mãe e o destino do seu pai. Será que Fando irá sobreviver a esta busca?
Junto com o cineasta Alejandro Jodorowsky e o artista Roland Topor, Fernando Arrabal formava o surrealista "Panic Movement", 1962. Jodorowsky foi o primeiro a estrear-se na realização, com "Fando y Lis", vagamente adaptado do livro de Arrabal com o mesmo nome, um trabalho estranho de sequências visuais inesquecíveis. Rmbora ambos os realizadores tenham nos seus filmes diferentes pontos de vista distintos e enigmáticos, a versão de "Viva La Muerte", de Arrabal, é de longe muito mais linear e acessível do que a abordagem de Jodorowsky.
"Muerte" deriva dos esforços de Arrabal em compreender o destino do seu próprio pai, um anti-fascista que esteve preso durante a Guerra Civil espanhola, mas ao contrário da personagem deste filme, o pai de Arrabal conseguiu fugir em 1942, desaparecendo sem deixar vestígios. Estes acontecimentos deixaram marcas no futuro realizador, que o levou a criar este pequeno grande filme.

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O Sol Branco do Deserto (Beloe Solntse Pustyni) 1970

Um soldado do Exército Vermelho chamado Sukhov tem lutado na Guerra Civil Russia por muitos anos. Quando está quase a regressar para casa, para ir ter com a sua esposa, é-lhe incumbida a missão de proteger o harém de um líder guerrilheiro. Este é procurado pelo Exército Vermelho, fugiu e deixou para trás todas as suas mulheres. A missão que parecia fácil, torna-se mais difícil do que aparentava...
O estatuto de "O Sol Branco do Deserto" na Rússia, só pode ser comparado ao estatuto de filmes como "Star Wars", "The Godfather" ou "Gone With the Wind" no Ocidente. Vladimir Motyl disse que filmes como "Stagecoach" ou "High Noon" o influenciaram, e descreveu-o como sendo um "cocktail" de contos de aventuras russos com westerns. Inicialmente o filme foi oferecido a vários realizadores, que o recusaram, como Andrei Tarkovsky ou Andrei Konchalovsky. Este segundo, disse que apenas um actor americano poderia ser protagonista, e que o argumento era fraco. Até mesmo o próprio Motyl começou por recusar a oferta, mas depois acabou por aceitar porque não teve alternativas de trabalho. 
Acabou por se tornar um sucesso, ultrapassando os 34 milhões de espectadores no seu país de origem. Em 1988 recebeu um prémio do presidente Boris Yeltsin por ser culturalmente significante. Mesmo assim continua a ser pouco conhecido no Ocidente.

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O Passageiro da Chuva (Le Passager de la Pluie) 1970

Uma jovem e bonita mulher, no Sul de França, é perseguida, e de seguida violada por um misterioso assaltante mascarado. Ela mata-o logo depois, e atira o seu corpo para o mar. Mais tarde aparece um investigador americano (Charles Bronson), que para horror dela, parece saber tudo o que ela fez...
Uma vez Charles Bronson disse que fez alguns dos seus melhores filmes na Europa, mas que infelizmente poucos os viram na América. É o caso deste "Le Passager de la Pluie", realizado por René Clément, autor de grandes filmes como "Jeux Interdits", ou "Plein Soleil". Neste ponto, a carreira de Clément estava a entrar em declínio, mas ainda assim o filme conseguiu conquistar um Globo de Ouro para Melhor Filme em Língua Estrangeira.
Cada shot, e cada cena, tem um estilo evocativo, particularmente no inicio. A iluminação, o trabalho de câmara, a montagem e a banda sonora de Francis Lai, são todos de primeira. Há tons fortes reminiscentes de Hitchcock, mas tal como em Hitch os actores tornam-se meros peões para mostrar a visão do realizador sobre a história.
Diz-se que a música "Riders on the Storm" dos Doors foi inspirada por este filme.

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sábado, 1 de agosto de 2015

Onde Fica a Guerra? (Which Way to the Front?) 1970

Brendan Byers III (Jerry Lewis), um dos homens mais ricos da América, foi declarado inapto pelo serviço militar, e não pode servir o seu país na luta contra Hitler. No entanto, Byers é daquele tipo de pessoas que não aceita um não como resposta, e assim reúne um exército de outros recrutas declarados inaptos, para lutarem contra os Nazis.
Uma das duas realizações de Jerry Lewis em 1970. Foi retraçado pela crítica na altura que estreou, e, desta vez, nem os críticos franceses lhe valeram. Hoje em dia é considerado por muitos fãs como o pior filme de Lewis como realizador. A realização de Lewis era composta por duas câmaras diferentes, que filmavam a acção em ângulos diferentes, para de seguida serem editadas em conjunto. Este tipo de realização resultava na televisão, mas aqui é uma tentativa óbvia de enganar o público. Jerry Lewis é realizador e produtor, e coloca a acção a passar-se em 1943, só que não faz nenhuma tentativa dos actores vestirem roupas daquele tempo, ou de usar cenários de acordo com a época. São erros atrás de erros, que levou muita gente a considerá-lo das piores comédias de sempre.
A versão aqui presente é um TV Rip, já que o filme é difícil de se encontrar.

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El Condor (El Condor) 1970

Luke (Jim Brown), um fugitivo, e Jaroo (Lee Van Cleef), um prospector de ouro solitário, juntam-se a um grupo de índios Apaches, no México do Século XIX, para capturar uma grande fortaleza, fortemente armada para proteger os milhões (ou bilhões) de dólares em ouro, que lá dizem estar armazenado.
O western violento ganhava cada vez mais destaque, sobretudo depois do sucesso de "The Wild Bunch", de Sam Peckinpah. Realizado em 1970, no mesmo ano de "Soldier Blue", que levantou muitas ondas de choque pela violência tão gratuita, "El Condor" é um filme que deve muito ao western spaghetti. Tem uma das suas principais estrelas, Lee Van Cleef. Foi filmado na região de Almeria, local onde, como se sabe, foram rodados a maioria destes filmes. Mas ficou-se por aí.
Na realização tínhamos John Guillermin, um realizador tarefeiro normalmente encarregado de filmes de acção, veio mais tarde a realizar obras de destaque, como "The Towering Inferno" ou "King Kong". E o argumento é da autoria de Larry Cohen, que ainda não tinha 30 anos nesta altura, e que quatro anos depois iniciaria a saga "Its Alive". Este "El Condor" é um filme de interesse moderado.

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Ned Kelly (Ned Kelly) 1970

Baseado numa história verdadeira, Ned Kelly é incapaz de sustentar a sua família, no interior australiano, e vira-se para o roubo de cavalos, a fim de ganhar algum dinheiro. À medida que vai roubando cavalos, vai ficando cada vez mais atraído pela vida de fora da lei, até que se vê envolvido em assassinatos.
Dois factos importantes saltam à vista neste filme, que apesar de ter sido todo rodado na Austrália, é uma produção britânica. Primeiro é a realização de Tony Richardson, um realizador que estava intimamente ligado ao movimento da Nova Vaga do Cinema Britânico, sobre o qual tinha realizado alguns dos melhores filmes, como "Tom Jones", "The Entertainer" ou "The Loneliness of the Long Distance Runner". "Ned Kelly" acabaria por ser o seu pior filme, até esta altura. Depois, seria a estreia de Mick Jagger, vocalista dos Rolling Stones, no mundo do cinema. 1970 seria um ano chave para a sua carreira, já que também protagonizou o excelente "Perfomance", de Nicolas Roeg, mas Jagger só voltaria às longas metragens, 16 anos mais tarde.
De resto, não há muito mais a dizer, a não ser que é um western disfarçado de biopic, baseado na famosa história de um fora da lei australiano que viveu no século XIX. Uma curiosidade.

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