No inicio da década de 60 Ingmar Bergman era sinónimo de cinema sueco. Sombrio, mergulhado numa aparente crise interminável de fé e dúvida, os filmes dele afastavam o mundo real da politica, da economia e da rotina diária, em busca de um Deus que teimosamente permanecia oculto das personagens que procuravam desesperadamente a confirmação que ele de facto existia.
Para o escritor e critico Bo Widerberg, isto era revoltante, e em 1962 publicou um manifesto intitulado "Vision in Swedish Cinema", no qual ele criticou duramente Bergman, no meio de uma critica mais geral à própria industria cinematográfica sueca. As suas ideias tinham uma semelhança evidente com a Nouvelle Vague francesa, assim como outras novas vagas que se encontravam propagação em várias cinematografias mundiais. Widerberg iniciava assim um movimento determinado a derrubar tradições que considerava desligadas das complexas realidades da vida e da politica contemporâneas.
Ao contrário dos franceses, Widerberg citou também os dramas realistas do novo movimento cinematográfico britânico, que surgiu no final da década de 50, filmes que, pela primeira vez, ofereciam uma critica incisiva a um sistema de classes decadente e trataram a vida da classe trabalhadora como um tema digno de reflexão.
Pouco depois de publicar a sua critica, o passo lógico era começar a fazer filmes. Serão esses filmes de Bo Widerberg que iremos ver este mês por aqui. Por isso, fiquem atentos.
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