quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Raven´s End (Kvarteret Korpen) 1963


Um aspirante a escritor (Thommy Berggren) enfrenta a vida numa pequena cidade sueca com o seu pai alcoólico (Keve Hjelm), a mãe trabalhadora (Emy Storm) e a sua namorada (Christina Framback), enquanto sonha com o sucesso na grande cidade.
Winterberg, depois de "The Baby Carriage", realizou outro filme sobre o quotidiano, Kvarteret Korpen (Raven’s End, 1963), estreado apenas nove meses depois do seu filme anterior, e que se passava na cidade natal do realizador, Malmo, durante os Jogos Olímpicos de Berlim de 1936, cujo progresso acompanhamos em transmissões radiofónicas ao longo do filme. Anders, o protagonista, é filho de uma família operária que vive num bloco de apartamentos com vista para um terreno baldio e desolado, o que confere ao prédio e aos outros bairros o ambiente de celas que rodeiam um pátio de uma prisão.
Widerberg cria uma sensação de comunidade com relações que variam entre calorosas, solidárias e espinhosas, como se vê na história de Anders, que aspira ser escritor. As escolhas pessoais de Anders são ofuscadas, e premeiam a sua narrativa, com forças históricas maiores do que a Grande Depressão, e a ascenção do Nazismo na Alemanha. Cada escolha individual existe dentro de um contexto de forças históricas, cada vida é uma luta para encontrar significado e propósito contra essas forças.
Foi nomeado ao Óscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, e tem legendas em inglês.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

The Baby´s Carriage (Barnvagnen) 1963


A longa metragem de estreia de Bo Widerberg transpira a frescura da juventude. Partido da sua critica cinematográfica que clamava por um cinema sueco socialmente relevante o critico que se tornou realizador oferece um retrato vivido de uma jovem operária (Inger Taube) que procura a sua independência ao lidar com uma gravidez inesperada, aprender duras lições com dois homens muito diferentes, e deixar para trás a única casa que alguma vez conheceu.

Embuído de um naturalismo documental o filme tem uma estrutura fluída, que evita pôr enfase dramática em momentos individuais, permitindo que eventos e personagens surjam e assumam importância como fariam no fluxo normal da vida. Com o apoio da fotografia monocromática, fria e bela, do também realizador Jan Troell, Widerberg dá um primeiro passo ousado na sua missão de criar um cinema envolvente. 

Legendas em inglês


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Legendas

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Bo Widerberg e a Nova Vaga do Cinema Sueco

 No inicio da década de 60 Ingmar Bergman era sinónimo de cinema sueco. Sombrio, mergulhado numa aparente crise interminável de fé e dúvida, os filmes dele afastavam o mundo real da politica, da economia e da rotina diária, em busca de um Deus que teimosamente permanecia oculto das personagens que procuravam desesperadamente a confirmação que ele de facto existia.

Para o escritor e critico Bo Widerberg, isto era revoltante, e em 1962 publicou um manifesto intitulado "Vision in Swedish Cinema", no qual ele criticou duramente Bergman, no meio de uma critica mais geral à própria industria cinematográfica sueca. As suas ideias tinham uma semelhança evidente com a Nouvelle Vague francesa, assim como outras novas vagas que se encontravam propagação em várias cinematografias mundiais. Widerberg iniciava assim um movimento determinado a derrubar tradições que considerava desligadas das complexas realidades da vida e da politica contemporâneas. 

Ao contrário dos franceses, Widerberg citou também os dramas realistas do novo movimento cinematográfico britânico, que surgiu no final da década de 50, filmes que, pela primeira vez, ofereciam uma critica incisiva a um sistema de classes decadente e trataram a vida da classe trabalhadora como um tema digno de reflexão. 

Pouco depois de publicar a sua critica, o passo lógico era começar a fazer filmes. Serão esses filmes de Bo Widerberg que iremos ver este mês por aqui. Por isso, fiquem atentos.