sábado, 20 de julho de 2013
Cidade Violenta (Città Violenta) 1970
Charles Bronson interpreta Jeff, um hit man de férias com a namorada Vanessa (interpretada pela sensual Jill Ireland, e parceira de Bronson no grande ecrã inúmeras vezes) nas praias das Ilhas Virgens. Enquanto passeavam ao sol, há um atentado à vida de Jeff e o casal providencia uma fuga numa perseguição de carro que dura 12 minutos, sem apresentar nenhum diálogo (o que é muito eficiente). Jeff consegue apanhar um dos seus agressores, e termina todo o calvário com uma bala no seu próprio corpo. Jeff é depois enviado para a prisão (seria auto-defesa?), e depois da sua libertação, algum tempo depois, há uma tentativa de atraí-lo de volta para o sindicato do crime, do senhor Weber (interpretado por Telly Savalas). Jeff não quer ter nada a ver com estes gangsters, e na prisão terá tempo de pensar no que irá fazer da sua vida quando saír. Além disso, tem a vingança em mente, porque também descobriu que Vanessa e o seu "outro" amante tinham lhe montado uma armadilha desde início.
Cidade violenta, embora não seja um exemplo do cinema clássico no seu melhor (é um pouco cliché, por vezes, pelos padrões actuais, e não há realmente muitas surpresas até perto do o fim), mas ainda estava à frente do seu tempo, em 1970. As performances são todos de primeira qualidade, Charles Bronson aparece aqui num papel que lhe assenta que nem uma luva, e Cidade Violenta é um filme de sonho para os seus fãs. O enquadramento adequado é uma vitrine para o verdadeiro talento do realizador Sergio Sollima, um dos maiores especialistas no Spaghetti Western. No uso de imagens e sons ele é um verdadeiro mestre. Absolutamente nada é aqui esquecido. A grande banda-sonora "ultra cool", trazida pelo incrivelmente talentoso Ennio Morricone é sem dúvida um dos seus melhores atributos e é um complemento adequado para as imagens deliberadamente colocadas em cada frame.
Bronson, nesta altura da sua carreira tentava construír um nome através de produções europeias e "Violent City" era destes melhores exemplos. O realizador italiano Sergio Sollima ("The Big Gundown", "Run, Man, Run" e "Revolver") estabelece elegantemente o terreno áspero como um rastilho pronto para inflamar. Obras com um ritmo lento, devido à estrutura complicada de traições e duplo-cruzamentos com um pouco de tragédia eram nitidamente uma espécie de westerns modernos, e estava assim traçado o caminho para o Poliziotteschi, que iria dar muitos trunfos na década de 70.
O argumento, escrito a várias mãos, tinha a colaboração de Lina Wertmuller.
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sexta-feira, 19 de julho de 2013
Grand Slam (Ad ogni costo) 1967
Heist movies dificilmente serão melhores do que isto, um clássico perdido do final dos anos 60 que, embora obviamente influenciado por "Rififi" de Jules Dassin (qual será o filme de assalto que não tenha sido influenciado por esta obra-prima francesa?) tem twists suficientes, e planos engenhosos para manter o mais exigente dos fãs do crime satisfeitos. Realizado por Giulano Montaldo, é uma co-produção europeia/norte-americana, filmada principalmente em exteriores no Brasil, passou despercebido por muito tempo e merece encontrar um lugar ao lado de outras grandes obras do género, como o já mencionado Rififi.
Edward G Robinson interpreta um professor bem-educado, o professor James Anders, um trabalhador americano no Rio de Janeiro. Anders, aborrecido com anos de ensino, decide montar uma equipa para executar um roubo de diamantes durante o Carnaval do Rio de Janeiro. No crime, uma equipa de quatro especialistas internacionais estão reunidos para realizar o roubo: um especialista em segurança, um mestre ladrão, um génio mecânico, e um playboy (para seduzir a única mulher com a única chave para o edifício onde está o diamante, a bela Janet Leigh).
Dos ladrões, é Klaus Kinski quem rouba a cena como um psicótico (claro) especialista em explosivos que sempre parece estar à beira de quebrar e trair o resto do grupo. Ninguém pode fazer o olhar com os olhos arregalados de um louco tão bem como Kinksi (provavelmente devido ao facto dele ser um psicótico maluco na vida real) e aqui ele aplica toda a sua intensidade habitual. Também é óptimo ver uma lenda de Hollywood como Edward G. Robinson, mastiga o cenário como "o homem com o plano", e, embora tenha estado disponível para apenas alguns dias de filmagens (todos os exteriores com ele andando pelas ruas são de estúdio), faz sua presença ser sentida apenas como um ator da sua magnitude pode.
O assalto clímax é uma peça incrível de cinema nervoso, levando 20 minutos de sequência de assalto silencioso (mais uma vez Rififi). O sempre confiável Ennio Morricone mantém as coisas interessantes com uma banda-sonora que faz uso pesado de batidas de samba tradicional brasileiro e uma fotografia muito bem composta por Antonio Macasoli. "Grand Slam" viria a ser considerado o primeiro filme da série dos Poliziotteschi.
Atenção que este filme não tem legendas, é falado em inglês.
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quinta-feira, 18 de julho de 2013
O Poliziotteschi
Antes de começar a explicar o que é o Poliziotteschi, vou ter que fazer uma pequena introdução do que era o cinema italiano dos anos 50 ao final dos anos 70.
Nos anos 50 vivia-se uma grande repressão na cultura americana, causada pela Segunda Guerra Mundial. No cinema, os grandes estúdios viram-se obrigados a reduzir as despesas, e foi aí que descobriam um potencial filão em Itália. A Itália tinha um grande estúdio que podia servir como base, a famosa Cinecittà, por outro lado a mão de obra, incluindo os figurantes, era bem mais barata, pelo que aqui poupavam alguns milhões, sobretudo nas grandes produções. Algumas das maiores produções americanas da altura eram assim filmadas em Itália: Helen of Troy (1956), Esther and the King (1960), Ben Hur (1959), Cleopatra (1963), The Nuns Story, entre outros.
A partir de certa altura, os produtores italianos viram-se obrigados a combater esta hegemonia italiana. O próprio estado criou medidas que incentivavam as produções italianas, que acabavam por encorajar os americanos a investirem nos filmes italianos, e posteriormente a distribuírem no seu país de origem.
Foi aqui que foi inventado o "cinema de género", que não era mais do que o cinema mais "popular", o que arrastava as multidões para as salas de cinema. Pode dizer-se que o "cinema de género" atravessou várias fases, ou se preferirem, géneros. Não era mais do que o tipo de filme que estava na moda. O "Cinema de Género", tal como o próprio nome indica, era formado por vários géneros, muito influenciados pelo cinema americano. Cada um destes movimentos teve o seu período na história do cinema local, e, por regra geral, eram grandes sucessos nos anos em que reinavam.
Tivemos o Peplum (baseado nos filmes históricos), a Commedia All'italiana (nas comédias americanas), o Spaghetti (nos westerns), o Giallo (nos thrillers americanos), o Macaroni Combat (nos filmes da Segunda Guerra Mundial) o terror gótico, os filmes políticos, os filmes do Apocalypse, entre tantos géneros, que por sua vez ainda se iriam cruzar em mais subgéneros, como: o soft porn/sex comedies, Nunsploitation, Nazi/SS Films, Decameron Films, Cannibal films, etc...
Cada um destes pequenos movimentos dentro do cinema italiano davam um belo ciclo aqui para este blog, e o ciclo desta semana refere-se a um destes géneros: o Poliziotteschi.
O Poliziotteschi
Mas afinal de contas, o que é o Poliziotteschi? Eram os filmes sobre o mundo do crime, de acção, que se tornaram populares desde o final dos anos 60, até aos anos 80.
A palavra "poliziotteschi" derivava de "polizia", e o "eschi", significava "esco" na linguagem inglesa. Também eram referenciados como Italo-Crime ou Euro-Crime. A palavra "Poliziottesco", em particular, representava especificamente a década de 1970. Os filmes deste período destacavam-se pela violência, perseguições de carro/moto, assaltos, tiroteios. As tramas e as histórias deste subgénero geralmente envolviam policias corruptos e guerras entre mafiosos, bem como a corrupção política dentro das grandes cidades italianas como Nápoles, Milão, Turim e Roma.
Durante os anos 1960, o cinema italiano era bem visível devido à popularidade do seu novo western spaghetti. No entanto, quando chegou o início da década de 70, os spaghettis estavam a começar a ficar repetitivos e derivados. Os italianos, que eram conhecidos por não descansar sobre os louros por muito tempo, começaram a movimentar-se para outro género "pulp", e viram no Poliziotteschi a nova fonte de rendimento, levando os mais importantes realizadores e actores do spaghetti a mudarem para este novo género, como era o caso de Sérgio Sollima, Enzo G. Castellari, Duccio Tessari, Fabio Testi, Franco Nero, entre muitos outros.
Uma das principais diferenças entre os policiais americanos, e os policiais italianos, foi o aspecto de mostrar a máfia como o que realmente era. Cheia de corrupção, traição e desconfiança. Embora os filmes de Hollywood, como "O Padrinho" mostrassem a máfia como sendo principalmente honrada e bastante elegante, os realizadores italianos, como Fernando DiLeo, Stelvio Massi, Enzo G. Castellari, Antonio Margheriti entre outros, mostravam as suas opiniões pessoais sobre a forma como a polícia e o governo, bem como os líderes da máfia realmente operavam no seu país. Na década de 1970, os verdadeiros clãs mafiosos italianos foram espalhando o terror pelas cidades fora. Atentados e tentativas de assassinio eram uma coisa comum durante este tempo. É por isso que os mafiosos foram mostrados pelo o que eles realmente foram: brutais, traiçoeiros, escumalha, que disseram acreditar na lealdade e na honra, mas foram quase sempre cedendo aos desejos dos que mostravam exactamente o oposto. A polícia também não era figura intocável e foi regularmente retratada como trapalhona, idiota, com costumes corrompidos que tinham tendência a ser tão violenta como os criminosos que perseguiam.
Já andava a planear este ciclo há bastante tempo, mas estes filmes são muito dificeis de se encontrar na internet, pelo que só agora me foi possivel colocá-lo online. Mesmo assim será formado por apenas 10 filmes, alguns com legendas em inglês, outros dobrados, mas penso que irão gostar da selecção que tenho para vós. Arrancamos no sábado. Até já.
Nos anos 50 vivia-se uma grande repressão na cultura americana, causada pela Segunda Guerra Mundial. No cinema, os grandes estúdios viram-se obrigados a reduzir as despesas, e foi aí que descobriam um potencial filão em Itália. A Itália tinha um grande estúdio que podia servir como base, a famosa Cinecittà, por outro lado a mão de obra, incluindo os figurantes, era bem mais barata, pelo que aqui poupavam alguns milhões, sobretudo nas grandes produções. Algumas das maiores produções americanas da altura eram assim filmadas em Itália: Helen of Troy (1956), Esther and the King (1960), Ben Hur (1959), Cleopatra (1963), The Nuns Story, entre outros.
A partir de certa altura, os produtores italianos viram-se obrigados a combater esta hegemonia italiana. O próprio estado criou medidas que incentivavam as produções italianas, que acabavam por encorajar os americanos a investirem nos filmes italianos, e posteriormente a distribuírem no seu país de origem.
Foi aqui que foi inventado o "cinema de género", que não era mais do que o cinema mais "popular", o que arrastava as multidões para as salas de cinema. Pode dizer-se que o "cinema de género" atravessou várias fases, ou se preferirem, géneros. Não era mais do que o tipo de filme que estava na moda. O "Cinema de Género", tal como o próprio nome indica, era formado por vários géneros, muito influenciados pelo cinema americano. Cada um destes movimentos teve o seu período na história do cinema local, e, por regra geral, eram grandes sucessos nos anos em que reinavam.
Tivemos o Peplum (baseado nos filmes históricos), a Commedia All'italiana (nas comédias americanas), o Spaghetti (nos westerns), o Giallo (nos thrillers americanos), o Macaroni Combat (nos filmes da Segunda Guerra Mundial) o terror gótico, os filmes políticos, os filmes do Apocalypse, entre tantos géneros, que por sua vez ainda se iriam cruzar em mais subgéneros, como: o soft porn/sex comedies, Nunsploitation, Nazi/SS Films, Decameron Films, Cannibal films, etc...
Cada um destes pequenos movimentos dentro do cinema italiano davam um belo ciclo aqui para este blog, e o ciclo desta semana refere-se a um destes géneros: o Poliziotteschi.
O Poliziotteschi
Mas afinal de contas, o que é o Poliziotteschi? Eram os filmes sobre o mundo do crime, de acção, que se tornaram populares desde o final dos anos 60, até aos anos 80.
A palavra "poliziotteschi" derivava de "polizia", e o "eschi", significava "esco" na linguagem inglesa. Também eram referenciados como Italo-Crime ou Euro-Crime. A palavra "Poliziottesco", em particular, representava especificamente a década de 1970. Os filmes deste período destacavam-se pela violência, perseguições de carro/moto, assaltos, tiroteios. As tramas e as histórias deste subgénero geralmente envolviam policias corruptos e guerras entre mafiosos, bem como a corrupção política dentro das grandes cidades italianas como Nápoles, Milão, Turim e Roma.
Durante os anos 1960, o cinema italiano era bem visível devido à popularidade do seu novo western spaghetti. No entanto, quando chegou o início da década de 70, os spaghettis estavam a começar a ficar repetitivos e derivados. Os italianos, que eram conhecidos por não descansar sobre os louros por muito tempo, começaram a movimentar-se para outro género "pulp", e viram no Poliziotteschi a nova fonte de rendimento, levando os mais importantes realizadores e actores do spaghetti a mudarem para este novo género, como era o caso de Sérgio Sollima, Enzo G. Castellari, Duccio Tessari, Fabio Testi, Franco Nero, entre muitos outros.
Uma das principais diferenças entre os policiais americanos, e os policiais italianos, foi o aspecto de mostrar a máfia como o que realmente era. Cheia de corrupção, traição e desconfiança. Embora os filmes de Hollywood, como "O Padrinho" mostrassem a máfia como sendo principalmente honrada e bastante elegante, os realizadores italianos, como Fernando DiLeo, Stelvio Massi, Enzo G. Castellari, Antonio Margheriti entre outros, mostravam as suas opiniões pessoais sobre a forma como a polícia e o governo, bem como os líderes da máfia realmente operavam no seu país. Na década de 1970, os verdadeiros clãs mafiosos italianos foram espalhando o terror pelas cidades fora. Atentados e tentativas de assassinio eram uma coisa comum durante este tempo. É por isso que os mafiosos foram mostrados pelo o que eles realmente foram: brutais, traiçoeiros, escumalha, que disseram acreditar na lealdade e na honra, mas foram quase sempre cedendo aos desejos dos que mostravam exactamente o oposto. A polícia também não era figura intocável e foi regularmente retratada como trapalhona, idiota, com costumes corrompidos que tinham tendência a ser tão violenta como os criminosos que perseguiam.
Já andava a planear este ciclo há bastante tempo, mas estes filmes são muito dificeis de se encontrar na internet, pelo que só agora me foi possivel colocá-lo online. Mesmo assim será formado por apenas 10 filmes, alguns com legendas em inglês, outros dobrados, mas penso que irão gostar da selecção que tenho para vós. Arrancamos no sábado. Até já.
Os Commitments (The Commitments) 1991
Tem havido muito poucos filmes sobre bandas novas. Do mundo alternativo de "BackBeat" aos one hit wonder de "That Thing You Do!". Mas nem mesmo "This is Spinal Tap" pode reivindicar a estranheza de uma banda irlandesa branca a tocar com o coração a Soul Music. Isso é o que acontece com The Commitments.
A história de "The Commitments" não é rara. Ponhamos de lado a soul music, e é a história de qualquer banda. A banda é formada, composta por alguns amigos e alguns rostos recém-contratados. Os músicos esforçam-se para conseguir um espectáculo. Uma vez que alguns shows acontecem e a sua música é ouvida, a banda ou começa a ter sucesso ou começa a caír em desgraça. Esta é a história de The Commitments, a banda mais trabalhadora do mundo.
Os elementos dos "The Commitments" são muito diferentes uns dos outros. O único ponto em comum entre a banda parece ser um amor pela música, e o desejo de usar a música para escapar ao mundo sombrio que os rodeia. Composta por um guitarrista e um baixista que começam o filme a tocar em casamentos, um vocalista que é descoberto através do seu comportamento num desses casamentos, uma pianista que estuda para ser um médica, um baterista inteligente, e um trompetista que afirma ter uma vida de experiências com músicos da soul, e todos são gerenciados por um jovem com sonhos e ambições, que se entrevista a si próprio em voz alta, sempre que está sozinho.
Com toda a seriedade, o filme transpõe a alma da soul music incrivelmente bem. Usando uma mistura de Motown mainstream e canções menos populares com alma, e a música bluesy pinta a atmosfera das ruas de Dublin. As imagens do filme combinam com o humor da música. As ruas de Dublin são percorridas, com as ruínas de edifícios e as suas pessoas sujas. É-nos dito no filme "Os irlandeses são os negros da Europa, Dubliners são os negros da Irlanda, e North Side Dubliners são os negros de Dublin." Isto é tão claro no que vemos no ecrã, pois é nesse linha segue o filme.
O realizador Alan Parker também é a força criativa por trás de "Fame" e "Pink Floyd The Wall", por isso é sem qualquer surpresa que ele constrói um filme tão forte musicalmente, como The Commitments. É uma pena que a maioria do elenco seja de desconhecidos, que praticamente desapareceram na obscuridade depois de The Commitments. Isso é compreensível, uma vez que é sabido que Parker fez este filme com verdadeiros músicos irlandeses, tentando tirar personagens dos seus actores amadores. O único elemento conhecido do elenco é Colm Meany, que interpreta um pai que adora Elvis Presley.
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quarta-feira, 17 de julho de 2013
A Última Valsa (The Last Waltz) 1978
The Last Waltz narra o último concerto do grupo altamente influente e versátil, The Band, em San Francisco, em 1976. Talvez, hoje, seja mais famoso entre os fãs do cinema por ser um documentário de Martin Scorsese (Taxi Driver, O Rei da Comédia), do que é para a própria banda, mas uma vez que o filme começa, é provável que esqueçamos rapidamente o realizador e nos emocionemos com o som de uma das principais bandas ao vivo dos anos 70. Nem sequer temos de nos estar familiarizados com a banda para apreciar o filme, como participações especiais de alguns pesos pesados da musica, juntando-se ao grupo estrelas como Bob Dylan, Eric Clapton, Joni Mitchell, Neil Young, Neil Diamond, Ronnie Hawkins, Muddy Waters, e muitos outros.
As palavras iniciais do filme imploram-nos para aumentarmos o volume, e por boas razões. Todos os sons são perfeitamente capturados, e este é provavelmente um dos melhores filmes concertos já vistos. Mesmo assim, o som não é mesmo a melhor parte, pois o visual é ainda mais impressionante, com sequências bem editadas que nunca deixam de faltar algumas acções importantes. A fotografia é sumptuosa, seja no concerto ao vivo ou fora do palco, com movimentos de câmera e transições suaves que acentuam o humor e a sensação de cada uma das músicas é muito boa.
Entre as performances ao vivo estão trechos de entrevistas entre Scorsese e os The Band, onde eles discutem a sua história juntos, os seus pensamentos sobre a indústria da música, bem como o que inspirou a passar tantos anos na estrada juntos fazendo o que eles fazem.
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terça-feira, 16 de julho de 2013
Pink Floyd – The Wall (Pink Floyd The Wall) 1982
Além de serem uma das maiores bandas de todos os tempos, os Pink Floyd são facilmente uma das bandas mais versáteis que já abalaram a face da Terra. Enquanto isto certamente que se aplica à sua música (“progressiva” e “rock psicodélico” são descrições quase completas), a versatilidade dos Pink Floyd vai muito além da excelente música que já tocaram ao longo das décadas.
Quase sinónimo do nome Pink Floyd, “The Wall” nasceu a partir de uma idéia de um álbum conceptual operático. No final de 1979, lançaram o duplo LP “The Wall”, uma sátira que mudou o mundo do rock’n roll destinada a um sistema de educação sádico e os efeitos pessoais de guerra. Este era o filho do baixista Roger Waters, já que ele concebeu o projecto em isolamento e escreveu a maior parte do material do álbum. Em paralelo com a gravação de The Wall fizeram-se planos para criar um espetáculo elaborado e um filme-concerto, e enquanto o espectáculo em palco foi em frente, o filme começou a assumir um papel diferente. Já não seria um filme-concerto complementado com imagens dramáticas adicionais interpretadas por Waters, em vez disso, Bob Geldof foi escolhido como protagonista e o filme seria caracterizado por imagens não reais da banda. Gerald Scarfe (que ilustrou o álbum e fez as animações para espectáculo em palco) continuaria a ser o director da animação, no entanto, a realização ficaria entregue ao britânico Alan Parker, conhecido por obras como “Bugsy Malone”, “O Expresso da Meia-Noite”, ou “Fame”.
Como um dos maiores – senão o maior – álbuns dos Pink Floyd fornece a banda sonora, seguimos o pequeno Pink desde a sua juventude como um órfão de 5 anos de idade, com fome de contacto humano quando a mãe o deixa só no pátio da escola, segurando a mão de qualquer estranho que apareça por alí.
A grande ironia que Roger Waters trabalhou nesta obra foi o facto de que, se construirmos o muro para nos escondermos da sociedade é uma desvantagem, e de seguida, derrubando a parede deve ser a solução para uma vida gratificante. A banda-sonora do album predomina por todo o filme.
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segunda-feira, 15 de julho de 2013
À Volta da Meia-Noite ('Round Midnight) 1986
Dexter Gordon é o homem. Mesmo no final dos anos 60, quando grandes músicos como John Coltrane ou Miles Davis foram empurrando os limites do jazz com um exprimentalismo dissonante, Gordon foi encantando outros músicos com os seus velhos hábitos de escola. Superficialmente, o seu estilo é lírico e simples, mas tudo é uma questão de gosto. Muitos músicos podem ser capazes de imitar algum dos seus grandes solos, nota por nota, mas nunca teriam a inspiração para escolher as notas que ele escolheu, tudo por conta própria, para depois reproduzi-las no seu saxofone tenor. Com uma carreira que começou na era do bebop e durou até à sua morte, em 1990, Gordon nunca foi um músico sobre a técnica, mas sobre a elegância, beleza em cada nota que ele tocava.
Em Round Midnight, de Bertrand Tavernier – um pastiche das vidas atribuladas do pianista de jazz Bud Powell e do saxofonista tenor Lester Young – Gordon interpreta Dale Turner, um músico de jazz americano a viver como expatriado em Paris no final da década de 1950. Turner actua regularmente na boate Blue Note. Cansado, afastado da família, um alcoólatra, a música é o seu único consolo num mundo triste de outra forma. Isto é, até que conhece Francis Borler (François Cluzet), um fã que primeiro se torna seu amigo, e depois o leva para debaixo das suas asas.
Uma das coisas mais surpreendentes sobre este filme é que o argumento é, em muitos pontos, como o próprio jazz. A história foi escrita por David Rayfiel e Tavernier, mas foi depois reforçada por improvisações acrescentadas pelos próprios músicos, para dar-lhe uma certa verossimilhança. O ritmo é bastante vagaroso, com uma profundidade de sentimentos reminiscente. Os espectadores terão a sensação de ser parte da audiência no Blue Note em Paris, a relaxar com uma bebida fresca e completa imersão no ambiente, em vez de estar num cinema ou no sofá em casa. O personagem central foi criado como um amálgama de vários músicos de jazz da vida real. A relação entre Dale e Francis foi modelada conforme o relacionamento na vida real entre o pianista de jazz Bud Powell e Francis Paudras, um entusiasta do jazz francês que ajudou Powell. Alguns dos outros aspectos da história vem das histórias de grandes músicos como Lester Young e Charlie Parker, ou do actor e grande músico, Dexter Gordon. Tavernier criou assim um filme que é uma verdadeira fusão de duas grandes tradições artísticas – jazz e cinema.
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Elvis (Elvis) 1979
Um filme para TV baseado na vida de Elvis Presley parece ser um pouco redundante. Os fãs parecem já saber tudo sobre ele e a sua vida tem sido dissecada desde a sua morte prematura em 1977. Mas este filme foi lançado em 1979. Os detalhes da vida de Elvis Presley podem ter sido conhecidos por muitos, mas ainda havia um certo elemento de mistério sobre o homem, uma mistura de factos com anedotas e lendas. O filme começa com Elvis (brilhantemente interpretado por Kurt Russell) à espera de entrar entrar em palco para o seu famoso concerto no International Hotel, em Las Vegas. Ele esteve longe dos holofotes desde há algum tempo e está muito nervoso. Enquanto pensa em como o concerto irá decorrer, começa a pensar sobre a sua vida e os espectadores são levados ao longo de uma jornada que mostra como um jovem rapaz de Tupelo, no Mississippi, se tornou o rei do rock ‘n’ roll. Este filme, originalmente feito para a TV dos Estados Unidos, teve depois uma versão teatral em outras áreas, por uma importante série de razões. A principal razão é que ele foi a primeira colaboração entre Kurt Russell e o realizador John Carpenter. Os dois homens iriam passar a fazer uma série de excelentes filmes, alguns dos quais poderíamos falar de sólidos clássicos, mas este seria um começo muito bom para a sua relação de trabalho. Além de Russell, contava com Shelley Winters no papel de Gladys Presley, e uma série de actores habituados a trabalhar com Carpenter, como Season Hubley (no papel de Priscilla), e Charles Cyphers (o Sheriff de Halloween). Foi nomeado para 3 Emmys, e um Globo de Ouro.
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domingo, 14 de julho de 2013
Gimme Shelter (Gimme Shelter) 1970
Gimme Shelter dos irmãos Maysles, documenta a tour dos Rolling Stones em 1969 pela américa, mais precisamente no concerto das colinas de Altamont Speedway a oeste de San Francisco. O concerto degenerou em caos quando os Hell `s Angels, viciados pelo alcool, contratados para manter a ordem na frente do palco, descarregaram o seu ódio batendo nos espectadores. A violência de Altamont foi marcada pelo homicídio de um jovem negro, Meredith Hunter. Captado no filme, o homícidio de Hunter consolidou a reputação do festival, como o fim oficial da contracultura da década de 1960. Ainda pior, Gimme Shelter mostrou que a contracultura não ia resgatar ou mudar alguma coisa, especialmente o impulso humano de violência. Este concerto gratuito ter resultado em destruição e morte (três outras pessoas morreram naquele dia) chocou a Nação de Woodstock. Afinal, uns escassos três meses e meio antes, 300.000 pessoas coexistiram pacificamente durante três dias num campo enlameado de Nova York para ouvir música. Ironicamente, Gimme Shelter, o filme – tanto como os eventos reais em Altamont – garantiram que a má reputação do festival como marca do “fim” dos anos sessenta. Na versão original do filme, o New York Times, e mesmo os Rolling Stones, criticaram os Irmãos Maysles pela exploração do homicídio pela sua vantagem económica. Indiscutivelmente, estas acusações são tão responsáveis pela notoriedade de Altamont como o assassinato em si. Os Irmãos Maysles e Charlotte Zwerin eram defensores do Cinema Direto, um movimento de documentários que aplicava técnicas de filmes de ficção para moldar o relato dos acontecimentos. Em Gimme Shelter, os cineastas constroem uma narrativa propositada para conduzir inexoravelmente à morte. Na verdade, eles entregam-nos o final, no início do filme, e não aderem à cronologia precisa dos acontecimentos. Os Stones nunca teriam contratado os Hells Angels se eles não estivessem em tão alta estima pela elite do Rock N’Roll. O que, em última análise pode ser mais instrutivo sobre Gimme Shelter é a sua documentação de semelhanças entre aquela época e a de agora, especialmente sobre a cultura das celebridades, mitologias do rock, e a nossa cumplicidade nos eventos que acabam perigosamente fora de controle.
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The Harder They Come (The Harder They Come) 1972
Com o sonho de se tornar num cantor Reggae de sucesso, um jovem jamaicano encontra a corrupção nos produtores dos seus discos e nos traficantes de droga que a ele estão associados. Em vez de desistir dos seus sonhos, Ivan não permite que nada se meta no seu caminho, nem mesmo a lei. “The Harder They Come” é famoso pela sua brilhante banda-sonora (o primeiro disco reggae de sucesso nos Estados Unidos), por ser o “primeiro” filme jamaicano, e por ser um popular filme das sessões da meia-noite, ao lado de outras obras de culto, como “The Rocky Horror Picture Show” (1975). Jimmy Cliff interpreta Ivan, um personagem livremente baseado em Rhygin, um genuíno herói popular jamaicano, foragido, da década de 50. Ivan é um compositor renegado, que vem para a grande cidade à procura de sonhos e só encontra a realidade. Roubado, espancado, apaixona-se pela filha de um homem que odeia a sua coragem, vende droga nas ruas, e, finalmente, vende uma música por uns míseros $ 20. Ao longo do filme, ele vai batalhando contra a indústria da música, contra a velha religião, policiais corruptos, traficantes de droga ainda mais corruptos, a vida nas favelas, e ao mesmo tempo, vai parar à lista dos mais procurados, tornando-se também num músico de sucesso. É um filme anti-violento e enérgico, mas de alguma forma consegue combinar discretamente o realismo político e o mundo do show business. O Reggae, era nesta altura, mais do que um estilo de música, era um movimento político, social, artístico em toda a Jamaica. A polícia tentou acabar com a produção de “The Harder They Come” várias vezes devido ao conteúdo político e radical. Quando o filme estreou em Kingston, os ilhéus eram esmagadoramente a favor de Ivan. Nos Estados Unidos, estreou num festival de Los Angeles, e viria a tornar-se num dos sucessos surpresa do ano.
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Quadrophenia (Quadrophenia) 1979
Por alguma razão, a música dos “The Who” proporcionou uma grande quantidade de bandas-sonoras de filmes. Músicas mais antigas, como “Anyway, Anyhow, Anywhere” e “My Generation”, ou temas posteriores como “Won’t Get Fooled Again”, têm um poder quase operático. Entre os filmes que beneficiaram das músicas desta banda estão: GoodFellas, Jerry Maguire, Rushmore, American Beauty, Bringing Out the Dead, Almost Famous e School of Rock. Além disso, os The Who gravaram dois “concept” álbuns cinematográficos durante a sua carreira, álbuns que, presumivelmente, contam uma história, quando ouvidos do principio ao fim. O album de 1969 chamado “Tommy” tornou-se num filme em 1975, realizado por Ken Russell, e a segunda vez foi quando o album “Quadrophenia”, de 1973, chegou ao grande ecrã em 1979. Dirigido por Franc Roddam (na sua estreia como realizador), Quadrophenia acontece na Inglaterra de 1964, quando os Mods e os Rockers, dois gangs rivais, guerreiam entre si como cowboys e índios. A palavra Mods vinha de modernists que andavam com scooters italianas customizadas, roupas elegantes e apenas ouviam rock britânico. Aliás, os The Who eram a banda mais adorada por eles. O outro gang, os Rockers, jovens que lembravam um Marlon Brando de “The Wild One”, com blusões de couro, motos de escolta, e ouviam rockabilly e outras coisas dos anos 50. Os dois gangs passavam a vida em guerras pela cidade, causando o caos por onde passavam. Phil Daniels (voz no single dos Blur, “Parklife”) interpreta Jimmy, o mais pequeno e mais conturbado dos Mods. Os problemas começam quando ele procura um velho amigo recém-libertado da prisão, para descobrir que ele se tornou um Rocker. Aparentemente ele não se preocupa muito, mas é só aparentemente… Embora tenha sido duramente criticado na altura do seu lançamento, em 1979, o filme de Franc Roddam tornou-se numa obra de culto, desde então. A abundância de sexo, violência e drogas foram vistos como vulgares e desnecessários por um país que se recuperava da ressaca gigantesca dos anos sessenta. Conforme os anos passaram, o filme tornou-se cada vez mais popular e é considerado por muitos, a estar entre os mais influentes filmes britânicos de todos os tempos, ao lado de “Trainspotting” e “Withnail and I”. O elenco contava ainda com uns muito jovens Sting e Ray Winstone a darem os primeiros passos no cinema.
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Universo em Fantasia (Heavy Metal) 1981
“Heavy Metal” é uma coleção de curtas-metragens animadas que giram em torno de uma jovem que é assustada por um orb, que lhe conta uma série de histórias cheias de fantasia e horror. O filme é baseado em várias histórias escritas para a revista Heavy Metal, que por sua vez levam este filme de animação para longe da idéia dos filmes familiares, para um mundo bastante obscuro. Muitas das histórias aqui contadas envolvem muita nudez e um sentido de humor grosseiro e atrevido, que não é para todos os gostos, mas é parte do mundo que o realizador Gerald Potterton consegue criar com base na sua revista gráfica, inspirada na cultura do heavy metal . Através destes diferentes segmentos, a narrativa consegue seguir um único fio, porque está tudo ligado a este orb. O grande destaque do filme é a música que apresenta uma banda-sonora bombástica de Elmer Bernstein. As músicas são uma maravilhosa mistura de hard rock e heavy metal e conta com artistas como Riggs, Sammy Hagar, Felder Don, Fagen Donald, Journey, Stevie Nicks, Cheap Trick, Devo, Black Sabbath, Blue Oyster Cult, Grand Funk Railroad, Trust e Nazareth. O elenco de vozes que inclui John Candy, Harold Ramis, Roger Bumpass, Richard Romanus, August Schellenberg, e Eugene Levy. Heavy Metal é um filme elegante e surreal, de Gerald Potterton.
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sábado, 13 de julho de 2013
O Cinema e a Música
E assim chegamos ao final deste ciclo das Pérolas do My Two Thousand Movies. Confesse que me entusiasmei, e um ciclo que era para ter 50 filmes acabou por ter 98, ultrapassando a duração que estava prevista.
Segue-se o ciclo O Cinema e a Música. Este é um tema que poderia ser abordado de vários modos, mas fi-lo em especial para o blog da Amplificasom, por isso vai ser um ciclo mais do agrado desses seguidores. Ao longo de 10 filmes, vamos ter por aqui 10 abordagens de estilos de música diferentes, desde o Jazz, o Rock, o Punk, o Reggae etc. 10 filmes dos anos 70 aos anos 90, a maior parte deles desconhecidos do público em geral, mas que valem a pena ser descobertos.
A partir de Domingo fiquem atentos.
Os próximos ciclos também irão decorrer com atraso, e a ordem será a que estava programada:
- Poliziotteschi
- John Ford e o Monument Valley
- Edward Dmytryk
Provavelmente o ciclo do Dmytryk irá ser um pouco mais prolongado, e irá demorar duas semanas. No antigo blog só havia dois filmes deste realizador, e desta vez queria apresentar pelo menos uns 20.
Outra novidade, é que nos próximos dias irá ser anunciado um outro ciclo que irá decorrer em conjunto com outro blog. Penso que os filmes serão postados espaçadamente no meio dos outros ciclos, mas vai ser do agrado de muita gente, e uma filmografia a descobrir, mesmo em relação ao outro blog.
Por hoje é tudo, espero que o ciclo das pérolas tenha sido do vosso agrado.
Volto Domingo.
Segue-se o ciclo O Cinema e a Música. Este é um tema que poderia ser abordado de vários modos, mas fi-lo em especial para o blog da Amplificasom, por isso vai ser um ciclo mais do agrado desses seguidores. Ao longo de 10 filmes, vamos ter por aqui 10 abordagens de estilos de música diferentes, desde o Jazz, o Rock, o Punk, o Reggae etc. 10 filmes dos anos 70 aos anos 90, a maior parte deles desconhecidos do público em geral, mas que valem a pena ser descobertos.
A partir de Domingo fiquem atentos.
Os próximos ciclos também irão decorrer com atraso, e a ordem será a que estava programada:
- Poliziotteschi
- John Ford e o Monument Valley
- Edward Dmytryk
Provavelmente o ciclo do Dmytryk irá ser um pouco mais prolongado, e irá demorar duas semanas. No antigo blog só havia dois filmes deste realizador, e desta vez queria apresentar pelo menos uns 20.
Outra novidade, é que nos próximos dias irá ser anunciado um outro ciclo que irá decorrer em conjunto com outro blog. Penso que os filmes serão postados espaçadamente no meio dos outros ciclos, mas vai ser do agrado de muita gente, e uma filmografia a descobrir, mesmo em relação ao outro blog.
Por hoje é tudo, espero que o ciclo das pérolas tenha sido do vosso agrado.
Volto Domingo.
sexta-feira, 12 de julho de 2013
Yaaba - Avòzinha (Yaaba) 1989
O cineasta africano Idrissa Ouedraogo filma uma obra lúcida e simples, mas cativante sobre a vida da aldeia, nas planícies áridas do Burkina Faso (uma aldeia de casas de barro muito similar onde o realizador foi criado), e oferece-nos o filme numa linguagem de conto intemporal. A história é-nos contada na línguagem Mooré do Burkina Faso (antigo Alto Volta). O toque de conto de fadas tem um visual exuberante e polido, e as interpretações naturalistas fazem-no parecer convincente e realista. Yaaba foi o vencedor do o Prize Internacional Critics no Festival de Cannes de 1989.
A personagem do título Sana (Fatimata Sanga) é uma mulher idosa que foi condenada ao ostracismo pelos supersticiosos moradores da aldeia e forçada a viver uma vida solitária na periferia da aldeia. Como ela é pensada ser uma bruxa, porque a mãe morreu no parto e o pai morreu logo depois, os moradores da aldeia ignorantemente culparam o bébé pela morte dos seus pais. Na verdade Sana é uma mulher gentil que possui grande sabedoria, compaixão e compreensão. Enquanto os moradores são compostos por várias pessoas normais a viverem vidas tradicionais, com muitos hábitos supersticiosos, adúlteros, perseguidores e pequenos ladrões.
Bila (Noufou Ouedraogo) é um adolescente brincalhão que adora brincar com a sua bela prima Nopoko (Barry Roukietou). As crianças conhecem Sana enquanto brincavam pelo cemitério, e Bila faz amizade com ela - começando até a chamá-la de "Yaaba" (avó) para sua grande alegria. Quando os moradores da aldeia acusam a velha erradamente de causar um incêndio e de a culpar pelos seus infortúnios, Bila sabe que Sana é inocente porque estava com ela na altura do incêndio.
As crianças inocentes ensinam-nos que os seus modelos adultos são ignorantes e incompreensivos, não percebendo que a velha lhes oferece uma nova maneira de olhar o mundo, através de uma forma aberta e mais generosa de existir. A forma como esta sociedade primitiva revela a sua ignorância e intolerância não é muito diferente dos preconceitos do mundo civilizado contra aquelas pessoas que não querem entender. Embora mais para crianças na sua mensagem simplista e séria, a mensagem é universal.
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O Sétimo Continente (Der Siebente Kontinent) 1989
O Sétimo Continente (1989), primeira longa-metragem de Haneke, é uma representação formidável, confiante e arrepiante da anomia da classe média. O desejo do realizador de alienar o público do tema não poderia ser mais simples: passam quase 10 minutos até começarmos a ter o primeiro vislumbre de identificação de qualquer um dos rostos dos personagens. Em vez disso, Haneke esculpe a sua rotina diária: mãos a trabalharem numa máquina de café ou cereais a serem derramandos numa tigela. O efeito é ao mesmo tempo mundano e insuportavelmente intenso, um ritmo contínuo que se torna vertiginosamente desconfortável.
Inspirado em factos que o cineasta leu num jornal, O Sétimo Continente apresenta uma série de actividades quotidianas e incidentes da vida de uma família burguesa austríaca, aparentemente bem sucedida e normal - o engenheiro Georg (Dieter Berner), a oftalmologista Anna (Birgit Doll) a filha Eva (Leni Tanzer) - que decidem ir para a Austrália, até então representada através de imagens turísticas utópicas.
Dividido em três anos/capítulos e narrada num modo fragmentário, a forma elíptica de Haneke o filme também é notável pela sua recusa absoluta de técnicas de identificação convencionais do público, negando-nos a face, em vez de composições que decapitam os protagonistas e close-ups de mãos, pés e (outros) objectos.
O resultado é um mundo inquietantemente familiar e estranho e, talvez, uma denúncia demolidora da sociedade contemporânea. O ponto de interrogação é se, talvez, os métodos de Haneke aqui podem realmente provar o quanto alienante e, assim, espelhar, ironicamente, a própria cultura da não-comunicação e morte emocional que ele procura criticar.
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quinta-feira, 11 de julho de 2013
Os Fantasmas Divertem-se (Beetlejuice) 1988
O segundo filme de Tim Burton é ainda mais impressionante visualmente do que a estreia em 1985, Pee-wee's Big Adventure, mesmo que a aparência geral aqui seja mais vulgar e avassaladora, que confia mais nos efeitos especiais e maquilhagem do que na criação de um "universo ". Mas também é um dos seus filmes mais engraçados, com Michael Keaton a ter uma performance brilhante. Ele interpreta o personagem-título, um "bio-exorcista", que aparentemente ajuda a eliminar "criaturas vivas traquinas", e mesmo só aparecendo durante poucos minutos na tela, domina o filme.
Um simpático casal, normal, Adam (Alec Baldwin) e Barbara Maitland (Geena Davis) desfrutam da sua enorme casa de campo quando morrem num acidente de carro e voltam como fantasmas. Um casal horrível, da grande cidade, Charles (Jeffrey Jones) e Delia Deetz (Catherine O'Hara), mudam-se para lá com a deprimida filha alolescente, Lydia (Winona Ryder) e procedem a uma violenta redecoração (com a ajuda do pretensioso Otho, interpretado por Glenn Shadix). Incapazes de assustar os novos inquilinos, Adam e Barbara desesperados chamam Beetlejuice, e arrependem-se imediatamente da sua decisão. Ele é uma criatura hiperativa, desagradável, vomitando piadas mais rápidas do que o filme pode aguentar, e é brilhantemente hilariante. (Mesmo depois de vermos o filme uma dúzia de vezes, continua a fazer-nos rir). Burton depende fortemente dos cenários bizarros e decorativos, chocando a normal casa de campo com um modelo grotesco (e horrível, com esculturas demoníacas de Delia). O filme começa com um daqueles travellings de helicóptero, da pequena cidade e dos seus campos verdes e pequenos prédios, mas a certa altura, seguimos para uma imagem em miniatura do modelo do sótão de Adam, da mesma cidade. É uma forma de introduzir a irrealidade da situação de Burton, e de anunciar que nenhuma regra deve ser seguida. Curiosamente, Keaton entrou num filme sério sobre o abuso de drogas, "Clean and Sober", e recebeu um prémio bem merecido da National Society of Film Critics, pelos dois filmes.
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terça-feira, 9 de julho de 2013
Cobra Verde (Cobra Verde) 1987
Cobra Verde de Werner Herzog abre com imagens de um quente e árido deserto, e então, somos imediatamente empurrados para um close-up do rosto de Klaus Kinski, que é doloroso, contorcido, e inegavelmente insano. A implicação é clara: Kinski é o deserto mais árido de todos, e se Fitzcarraldo é um filme sobre as próprias obsessões loucas de Herzog, então este será um filme totalmente, completamente enfurecido sobre a alma de Kinski.
Nenhum realizador trabalhou tanto com Kinski como Herzog, na verdade, nenhum realizador teve a coragem ou a paciência. Kinski era inegavelmente um louco, muito dado a acessos de raiva violenta e birras que testaram a tolerância até mesmo dos realizadores mais prolíficos, como David Lean ou Sergio Leone. Era tão delirante como era egoísta, durante as filmagens de Aguirre, em que ele acreditava ser tanto Jesus Cristo como Paganini, passava o tempo todo a fazer birras quando Herzog ousava apontar a câmera para qualquer outra coisa, sem ser o rosto do actor . Kinski e Herzog reconhecidamente odiavam-se um ao outro nos sets dos seus filmes, mas algo os chamava continuamente de volta, de filme para filme. Para Herzog se colocar com o calvário de Kinski era uma pergunta que provavelmente nunca será totalmente respondida (o próprio Herzog admite que não tem respostas no seu documentário sobre Kinski, My Best Fiend), mas Cobra Verde talvez forneça mais pistas do que qualquer outro filme que fizeram juntos. Isso acontece porque mais do que em qualquer outra das suas colaborações, Herzog e Kinski permitiam criar uma personagem que era a encarnação viva da sua raiva pessoal.
Cobra Verde é um filme difícil de analisar, porque é ao mesmo tempo um dos maiores fracassos de Herzog e um dos seus melhores filmes. A sua grandeza é determinada pelo ponto de vista em que o vemos. Herzog está claramente a tentar fazer algum tipo de declaração filosófica sobre os males da escravidão, mas a história é tão confusa que esse tema acaba por ficar perdido. Herzog também dá uma facada na política da escravidão, a partir dos pontos de vista de ambos, comprador e vendedor. Destaque, portanto, para um elenco cheio de personagens, mas todos eles se movem com pouca profundidade ou diversidade, e acabamos por perder a noção do que a personagem estava aliada com quem, ou porquê.
No entanto, o cerne do filme é Klaus Kinski como o lendário bandido, Cobra Verde. Nos melhores filmes de Herzog factos e ficção sempre foram intercambiáveis, tais como escolher um verdadeiro esquizofrénico para o papel de Bruno S. como uma pessoa mentalmente perturbada em O Enigma de Kaspar Hauser, ou a utilização de habitantes peruanos, literalmente, a puxar um navio a vapor sobre uma montanha em "Fitzcarraldo". Aqui, é difícil dizer onde termina Cobra Verde e começa Klaus Kinski, e talvez nem seja importante se tal distinção é relevante. Descrevendo este personagem, poderiamos muito bem estar descrever Kinksi: um louco inquieto propenso a uma raiva assassina, que, literalmente, viaja para todos os quatro cantos do mundo em busca de algo para acalmar o espírito. Ele odeia a sua ocupação, mas é brilhante no que faz. Anda com um suporte arrogante como as pessoas fogem dele, a sua presença solicita o medo. O cabelo é selvagem, longo e despenteado, como o de um leão ferido. Não usa sapatos porque "não confia neles." Anda sozinho, porque não gosta de cavalos ou pessoas.
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Henry: A Sombra de Um Assassino (Henry: Portrait of a Serial Killer) 1986
Henry Lee Lucas foi um homem que confessou ter cometido um monte de homicidios, e, de seguida, voltou com a palavra atrás alegando que era inocente de todas as acusações. Foi condenado, no entanto, e este filme é vagamente baseado na sua história. O filme não o glorifica, nem nos deixa com pena dele como uma alma incompreendida. Simplesmente mostra-se um homem que deixou de ter qualquer sentimentos, e que mata as pessoas, como resultado desse distanciamento. "Henry: Portrait of a Serial Killer" é um filme difícil e inabalável que consegue assustar o público sem recorrer a choques baratos e criativas cenas de morte. Tudo o que acontece no filme tem uma deliberação fria. O público sabe o que vai acontecer, e o medo é acompanhado por uma sensação de frio e pavor.
A história por trás deste filme é bem curiosa. O produtor deu a John McNaughton dinheiro para fazer um filme de terror. Ele esperava uma versão barata de "Friday the 13th", que pudesse render alguns dólares com o público adolescente. McNaughton deu-lhe uma coisa diferente. E isto chocou toda a gente, e acima de tudo, o produtor. O filme foi banido durante muito tempo, e quando finalmente saiu, as pessoas ou o amavam pelo realismo, ou o odiavam pela sua exploração das fronteiras da vida real. O espectador tem uma boa idéia do que vai acontecer a partir da primeira sequência. Mas é incrível como um filme pode assustar, simplesmente mostrando o mal como uma pessoa, como um homem comum, que caminha pelas ruas todos os dias despercebido. E isso aterrorizar-nos, pois um assassino pode estar ao virar da esquina.
"Henry" foi concluído em 1986, mas apenas seria libertado em 1989, depois de uma batalha épica com a MPAA sobre a classificação de filmes. Originalmente foi-lhe dado e classificação de X, que era principalmente reservada para a pornografia. "Henry", foi um dos filmes que levaram à criação da classificação NC-17 que significava que o filme continha temas de adultos intensas, mas não é pornografia. .
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segunda-feira, 8 de julho de 2013
Sangue por Sangue (Blood Simple) 1984
Blood Simple, o filme de estreia dos irmãos Joel e Ethan Coen, não envelheceu um pouco depois das quase três décadas desde que foi lançado pela primeira vez. Tenso, cheio de suspense, bem escrito e soberbamente dirigido com um senso astuto de humor negro, é um filme noir deliciosamente perverso dada uma tendência moderna, e passado nas planícies abertas da região central do Texas. Onde o mal, a culpa e o desejo descarado inflamaram nas claustrofóbicas paisagens dos films noir dos anos 40, aqui passados em bares à beira da estrada, e em longos caminhos de estradas vazias. Os principais ingredientes de um thriller de homicídio noir-ish estão todos aqui, ou seja, emoções intensas e a vontade de matar por causa dessas emoções, e o enredo é devidamente construído para manter os personagens na tela sem saber o que realmente está a acontecer, até ao final escaldante do filme.
A história diz respeito ao esprezível titular de um bar, Julian Marty (Dan Hedaya), cuja jovem esposa, Abby (Frances McDormand), começou um caso com um de seus empregados, Ray (John Getz). Marty contrata, um investigador privado igualmente desprezível, Loren Visser (M. Emmet Walsh), para segui-los e entregar a prova de que eles são amantes. Mas, Marty não fica por aí. Ele é tão ciumento e amargurado que depois da esposa o traír, pede que Visser a mate, assim como a Ray. Visser pondera sobre isto por alguns instantes, e de seguida, diz a Marty para partir numa viagem de pesca por alguns dias, e ele o chamará quando a acção for feita.
Isto é apenas a montagem, porque o filme, então, segue estes quatro personagens que vão ficando atolados em mal-entendidos, suposições incorretas, duplas traições, e meias verdades. É o tipo de filme onde as vítimas de homicídio nem sempre estão tão mortas como parecem, e com a pessoa errada passa uma noite inteira arriscando a vida para encobrir um crime que nem sequer cometeu. O filme funciona tão bem porque os irmãos Coen montam tudo com muito cuidado nos momentos iniciais. Uma conversa entre Ray e Marty parece ser apenas um momento de superioridade masculina, com o marido abandonado a ficar cara a cara com o amante da esposa, mas o diálogo é fundamental no estabelecimento, não só da razão de Ray para encobrir o que ele acha que é um crime cometido por Abby, mas também pela sua não total confiança nela.
Embora "Blood Simple" seja o seu primeiro filme, fica prontamente evidente desde o início que os irmãos Coen são cineastas magistrais com uma visão única e uma vontade de experimentar. "Blood Simple" é muito mais uma homenagem ao filme noir a preto-e-branco dos anos 1940 e 50, assim como os romances de detetives de Dashiell Hammett e Raymond Chandler, com um pouco do sadismo astuto de Alfred Hitchcock balanceando com uma boa medida. No entanto, quando eles mexem tudo isto, torna-se exclusivamente a sua própria marca, com um selo autoral que é inegável.
"Blood Simple" foi feito com um orçamento extremamente apertado de US $ 1,5 milhões, que os irmãos Coen conseguiram. Apesar destes meios limitados, possui o seu próprio visual, talvez devido ao olho agudo do director de fotografia Barry Sonnenfeld, que iria repetir em Raising Arizona (1987) e Miller Crossing (1990), antes de se tornar um realizador de renome com filmes como a Família Addams (1991) e Men in Black (1997).
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