quarta-feira, 16 de outubro de 2013

O Mistério da Casa de Bambú (House of Bamboo) 1955



Na Tóquio dos anos 50, um comboio é desviado e uma enorme remessa de armas roubadas, um roubo que deixa um elemento do bando para trás - um ex-soldado americano - ferido pelos seus próprios colegas e deixado para morrer. Ele é questionado pelos militares americanos, mas morre sem revelar nada. Chega Eddie Kenner (Robert Stack), um ex-soldado com antecedentes criminais e uma atitude muito má. Mas Eddie não é bem o que parece, e consegue fazer contato com Sandy Dawson (Robert Ryan), que anda, obviamente, a executar algum tipo de grande operação, e o seu plano é ajudado por Mariko (Shirley Yamaguchi), a esposa japonesa do americano morto. 
O primeiro filme americano a ser filmado inteiramente no Japão, "House of Bamboo", tem, inevitavelmente, um piscar de olhos sobre o turismo em Tóquio, em que a realidade foi adulterada para se conformar com a visão americana da década de 1950, como o Japão devia parecer. Assim, quase todas as mulheres que vemos estão vestidas com um quimono, a montanha Fuji e o Kamakura Daibutsu (Budha gigante) são destacadas, e as paredes e lojas estão repletas de sinais de que, por vezes, não fazem sentido literário, caracteres kanji selecionados pela sua aparência em vez de significado. Mas o filme também capta detalhes que não poderiam simplesmente ter estado presentes numa produção norte-americana, como os penteados ocidentais ostentados por mulheres já desenvolvendo um gosto para todas as coisas americanas, e os sinais do principio da recuperação económica e industrial que deixaram as ruas principais surpreendentemente cheias de luz e trânsito.
Feito apenas dez anos depois do fim da 2 ª Guerra Mundial e apenas três anos depois da ocupação oficial dos EUA ter terminado, o filme também reflete algumas novas atitudes, mas ainda incertas da América para a questão das relações raciais. O envolvimento romântico de Eddie, e (presume-se) sexual com Mariko tinha o equivalente na vida real aos soldados americanos estacionados no Japão, que se envolveram e casaram com raparigas locais, em muitos casos, mas ainda era um território largamente inexplorado nos filmes americanos (ainda faltavam dois anos para o filme de Joshua Logan, Sayonara). O filme também captura a hostilidade local para tais relações, com Mariko posteriormente a ser evitada pelos seus vizinhos, um preconceito que ainda vamos encontrar traços distintos no Japão de hoje.
Mas "House of Bamboo" não vive só do conflito social, mas também da eficácia como um thriller de crime e,  pela curta complexidade do enredo e originalidade (o filme é um remake parcial do filme de William Keighley, de 1948, "The Street with No Name") , vivo, manipulador, da fotografia de Joe MacDonald e pela deliciosa interpretação de Robert Ryan como o frio, mas mortal Sandy Dawson.
Foi maravilhosamente filmado em Cinemascope. 

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