segunda-feira, 22 de julho de 2019

Quem Programa Sou Eu: Desporto, por José Oliveira

Estamos de volta com a rubrica "Quem Programa Sou Eu", que tem sido, e continuará a ser, regular, ao longo deste ano, e quem sabe dos próximos, onde os nossos seguidores/leitores são convidados a programar o seu próprio ciclo. Quem quiser participar em futuras edições é favor mandar mail para: myonethousandmovies@gmail.com. Neste momento já temos mais duas listas para os próximos tempos, mas, quem sabe, se a vossa vez será a seguinte.

O convidado desta semana, é um convidado muito especial. O José Oliveira, natural de Braga, mas que tem tido uma presença muito activa no mundo do cinema desde há muitos anos para cá. Ele é blogger, realizador, cineclubista, e muito mais, mas, sobretudo, é alguém com quem o My Two Thousand Movies se identifica muito. A sua presença aqui, é por isso uma honra e para o conhecerem um pouco melhor, e a sua cinefilia, nada melhor do que ler as entrevistas que deu para o site "À Pala de Walsh", aqui e aqui, a segunda em conjunto com o João Palhares, seu colega e co-fundador do Cineclube Lucky Star. "Desporto" foi o tema escolhido, e para dar o pontapé de saída nada como lermos as suas palavras:


"Volto a recuperar Thomas Pynchon e o seu livro mais desprezado porque ligeiro, ligeiro como uma partida de bola, esse elegíaco charro apelidado Inherent Vice: «O que seria « caminhar sobre as águas » senão a maneira bíblica de dizer surfar?»
Jorge Valdano, arcanjo de Diego Armando Maradona aquando da famosa “mão de Deus” e filósofo disponível do genuíno futebol da rua, escreveu que «todos queremos vencer, mas apenas o medíocre não aspira a beleza.» Steve Prefontaine, uma das casualidades mais “estranhas” e fascinantes que a história do desporto deu à luz efémera, outro lamentavelmente “irresponsável” que não soube administrar a vida, nunca quis começar as corridas de fundo no fundo da cauda para atacar no instante decisivo, pois para ele isso era como a cobardia e acreditar em alguma coisa, nem que seja em si mesmo, isso sim, é o milagre acabado.
A beleza… acreditar em alguma coisa… milagres… todo o desporto é equiparável à magia e ao milagre do cinema, à sua razão e à pergunta sempre capital do “porquê?”, e da transfiguração à transcendência, cabe toda a beleza. É por demais evidente que todas as gerações querem que no seu tempo aconteça o incomparável, o “melhor de sempre”, o mito. Por isso tentamos achar o novo Michael Jordan, o novo Maradona, o Joe DiMaggio em Brooklin… o Eusébio do Lumiar…por isso se usam as estatísticas, os recordes, se equipara e se faz a cisão entre as “eras modernas” e as “eras arcaicas”, a tecnologia a matar o primordial, os tecnocratas a fuzilarem a beleza. Jordan não foi só o melhor pelos seus títulos , pela iconografia, pela universalidade; nem também somente pelo seu percurso bigger than life, por ter sido um dos últimos hustlers na sombra e em escala interplanetária, mas porque tudo isso aconteceu inseparável da beleza de um corpo e da inteligência de uma mente em puro movimento concreto e translúcido.
Em puro movimento, ou seja, uma cadência celeste como terrena que nasceu para isso e somente para isso. Assim são os filmes verdadeiramente filmes. O essencial nem que seja num milésimo de segundo a salvar tudo. De John Ford ao Steven Soderbergh de Traffic (o mais belo dos filmes de desporto, explicarei mais à frente no ciclo). A beleza a tomar conta de tudo e escondida num piscar de olhos. Bons abismos."

José Oliveira, Julho de 2019


sábado, 20 de julho de 2019

A Canção da Terra (A Canção da Terra) 1938


Em Porto Santo, uma pequena ilha próxima à ilha da Madeira, a seca alastra-se, e Gonçalves, um agricultor local, tenta superar a catástrofe com a a ajuda de Bastiana, a quem ele ama muito. João Venâncio, é outro agricultor, que se recusa a partilhar a água do seu campo com os outros agricultores, e vai entrar na luta pelo coração de Bastiana.
João Bénard da Costa escreveu o seguinte sobre este filme: "À época Jorge Brum do Canto defendeu que "A Canção da Terra" é quase um filme de cowboys (...) tem acima de tudo o mais, aquele ritmo feroz, impressionante e ofegante dos westerns, ritmo que foi o pai de todo o cinema de hoje". A comparação não é despropositada, como o não é a adjectivação do ritmo do filme. Mas, o que mais surpreende, a uma visão actual, é a elevação à máxima sacralidade do décor e da paisagem de Porto Santo. (...) Hoje o que sobreleva é a carga mitológica da obra, o seu animismo crucial a sua sensualidade mórbida e, por vezes, assaz escatológica."
Palavras de Luís de Pina: "Visto à distância de quase cinquenta anos, "A Canção da Terra" não perdeu qualidades, sobretudo naquilo que sempre constituiu o seu forte: o ritmo visual, a sequência sempre dominada pela imagem, a beleza incomparável da terra e do mar, o tom lírico mantido com segurança e sem pieguice. (...) Jorge Brum do Canto soube traduzir essa imagem poética numa forma cinematográfica que muito deve ao seu operador Aquilino Mendes. Mais próximo de Flaherty ou de Epstein que dos russos, sobra-lhe uma sensibilidade e um conhecimento pessoal muito directo daquilo que mostra."

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quinta-feira, 18 de julho de 2019

O Príncipe com Orelhas de Burro (O Príncipe com Orelhas de Burro) 1980

No tempo do rei Leonardo, uma guerra e a peste que a acompanhou despovoaram a Traslândia. Ignorando esses trágicos acontecimentos, a rainha Isménia, a princesa Camila e a aia Narcisa, oriundas de um reino distante, chegam à Traslândia, quando a guerra se aproxima do final…
"Adaptação do romance homónimo de José Régio, O Príncipe com Orelhas de Burro (fotografia de Elso Roque, música de Carlos Zíngaro) corresponde a um projeto acalentado por António de Macedo desde 1957, concretizado numa aproximação subversiva ao material literário que adapta inspirando-se no estilo teatral de António José da Silva (O Judeu): o reino imaginário da Tralândia, um mundo de fantasia mais ou menos medieval, fica quase despovoado devido à guerra e à peste. Ignorando o que se passa, a princesa de um outro reino distante e a sua aia chegam à terra desolada, quase no fim da guerra. Uma sátira ao poder político."
"O Príncipe com Orelhas de Burro" contava com a colaboração de uma companhia teatral chamada "Os Cómicos". É deles o melhor desta obra.
Nota: esta é a versão televisiva do filme.

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quarta-feira, 17 de julho de 2019

Guerra Cívil (Guerra Cívil) 2010


""Guerra Civil", de Pedro Caldas, Melhor Longa Metragem Portuguesa do IndieLisboa 2010, é a primeira longa de um realizador com larga presença no cinema português (director de som nos anos 80 e 90 e autor de várias curtas recentes). "Gostava cada vez menos dos filmes em que trabalhava ou via. Escrevi argumentos, mas apenas agora recebi o apoio para realizar uma longa", diz-nos Caldas. 
A época do filme é a década de 1980, no Verão de um país desfasado entre as expectativas e as desilusões das suas diferentes gerações. Para o realizador, "muito do filme é feito contra o cinema português dessa época e a sua perda, mas também sobre o que se passa agora. Perdeu-se o punk, a liberdade estética e política: é o início do mundo de hoje, em que os valores económicos predominam". Mas o filme vive, sobretudo, pelo comovente retrato das suas personagens: um jovem e solitário rapaz fechado na escuridão da sua imaginação (Francisco Bélard, candidato a melhor Ian Curtis do cinema), o encontro com uma rapariga que reflecte a luz e o calor da estação (Maria Leite, encarnando o brilho da inocência de vida no cinema), e uma geração adulta frustrada no falhanço das suas relações. "Interessava-me fazer um filme sobre várias solidões", explica Caldas. "O Rui [Francisco Bélard] não vê nenhum futuro à sua frente, é um punk tardio. A única personagem que sente a alegria de um futuro é Joana [Maria Leite]. A mãe tem medo de envelhecer, mas quer provar a si própria que ainda é mulher [uma tocante Catarina Wall]."
A sensibilidade do filme passa por um olhar sobre a vida potenciado pelas possibilidades do cinema: uma inovadora montagem que garante um olhar, sem julgamentos, sobre os desejos e falhas de cada um. "Achei justo montar pontos de vista diferentes para nos aproximarmos mais das personagens, dando-lhes o tempo de uma personagem principal", refere Caldas. A solidão de cada um é vista por uma montagem paralela dos mesmos dias de cada personagem, oferecendo uma ponte emocional para a presente (e eterna) forma de vida do país. "Hoje, vemos desencanto nas relações e pouca vontade de viver. Os portugueses tornam-se mais fechados com os problemas, sentem uma falta de alegria de viver que me choca", diz-nos Caldas. Contudo, "Guerra Civil" brilha pelo mais tocante dos sentimentos em cinema: a alegria de filmar. "É um dos maiores prazeres da vida", diz-nos Caldas, "mas, para a maior parte das pessoas com quem trabalhei antes, era um sofrimento. Fiz este filme também contra isso".
"Guerra Civil" remete-nos para um luminoso e desaparecido cinema português - o de "Uma Rapariga no Verão" (1986), de Vítor Gonçalves, obra nunca estreada e na qual Caldas trabalhou. "Guerra Civil" depara-se também com dificuldades em estrear, pairando, assim, a reclusão do cinema dessa época sobre o filme. A sua banda sonora, forte elemento da narrativa (Orange Juice, Joy Division), é o entrave da sua estreia, fazendo desta exibição (hoje, 21h30) uma ocasião especial para ver o filme. 
"Só faz sentido fazer cinema para mostrar às pessoas. E, para o filme não morrer, é preciso exibi-lo", diz o realizador. João Figueiras, o seu produtor, refere que "o filme não pode passar nas salas, excepto nas condições especiais da Cinemateca, por uma questão burocrática: a versão original tem um impedimento nas autorizações de duas músicas. Não é uma questão financeira mas de não-autorização da Sociedade Portuguesa de Autores", diz-nos. "Estamos em contacto directo com o autor e aguardamos uma resposta a qualquer momento. Se se resolver, o filme vai para as salas, pois há interesse para que isso aconteça." O retrato emocional de um país, sedento de cinema, raramente terá encontrado tão sensível forma como em "Guerra Civil". A sua aguardada estreia será a nossa comoção.
* Texto de Francisco Valente para o jornal Público, quando de uma exibição na Cinemateca. 

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Especial Cinema Português

E assim termina o ciclo Festival Stop Motion. Foram perto de de 50 curtas que passaram por aqui nas últimas semanas, de todos os cantos do mundo, todas elas localizadas no tempo entre 2000 e 2009.
E agora, antes de arrancar o ciclo do nosso convidado especial, que será, em principio no Domingo, vamos ter aqui um pequeno especial relativo ao Cinema Português, com um punhado de filmes difíceis de se encontrarem no mercado. Um deles é o aguardado "Guerra Cívil", do Pedro Caldas, que já tinha sido prometido por aqui.
Até já.


Coraline e a Porta Secreta (Coraline) 2009

Uma jovem rapariga, Coraline atravessa uma porta secreta, na sua nova casa, e descobre uma versão alternativa da sua vida. À primeira vista, esta realidade paralela é estranhamente parecida com a vida real – mas muito melhor. Mas quando este maravilhoso conto se torna perigoso e a sua mãe contrafeita tenta ficar com ela para sempre, Coraline dependerá da sua firme determinação, coragem, a ajuda de vizinhos e de um gato que fala, para salvar os seus pais verdadeiros e algumas crianças fantasma, e assim voltar para casa.
Baseado num romance de Neil Gaiman de 2002, trazido para a tela com uma mistura de stop-motion e  CGI, "Coraline", de Henry Selick é um conto de fadas dos tempos modernos, firmemente enraizado numa das fantasias mais primitivas da infância: que existe um muito muito melhor onde nós realmente pertencemos, onde os pais são mais agradecidos e amorosos, a comida é mais saborosa e abundante, e os rituais diários da vida são sobre diversão e excitação, em vez de tédio e solidão. 
De uma perspectiva de narrativa, "Coraline" levanta e retrabalha elementos de centenas de anos de contos de fadas e outras morais de histórias que deveriam assustar as crianças para serem boas, aceitando o que lhes foi dado e não desejando mais. Em certo sentido, o mundo paralelo que Coraline descobre do outro lado da parede da sala é doce para a sua falta de comida, e não podemos culpá-la  de querer e comer mais, mesmo quando percebemos que algo não está certo. 

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terça-feira, 16 de julho de 2019

Mary and Max (Mary and Max) 2009

Uma história de amizade entre duas pessoas muito diferentes: Mary Dinkle, uma menina gordinha e solitária, de oito anos, que vive nos subúrbios de Melbourne, e Max Horovitz, um homem de 44 anos, obeso e judeu que vive com Síndrome de Asperger no caos de Nova York. Alcançando 20 anos e 2 continentes, a amizade de Mary e Max sobrevive muito além dos altos e baixos da vida.
""Mary e Max - Uma Amizade Diferente" traz, acima de tudo, uma percepção impressionante sobre um mundo que, embora tenha evoluído tecnologicamente, mantém em sua essência algumas características que parecem difíceis de serem rompidas, sentimentos que soam intrínsecos ao ser humano independente da concepção de grupo que se desenvolva. Em tempos de internet, mensagens virtuais e telefones celulares que nos permitem comunicação instantânea entre dois pontos distintos do mundo, é curioso – e doloroso – constatar que muitas vezes, mesmo tão inseridos, o que precisamos é do contato certo, e que nestes momentos ele pode estar muito distante, ainda inacessível.
É por esta experiência que passam Mary e Max, que em outra época protagonizam exatamente aquilo que muitos de nós, usuários da internet, mantemos hoje em dia: uma amizade exclusivamente dependente de meios de comunicação inumanos. No caso nosso, o meio virtual; no deles, as correspondências em papel. Mary, garota australiana solitária que sofre com a ausência do pai e os excessos da mãe alcoólatra, escolhe aleatoriamente um nome em uma lista telefônica pertencente a um país distante, os Estados Unidos, e por coincidência ou conspiração conhece, através da troca de cartas, Max, um senhor solitário, sem amigos ou namoradas, que sofre de retardo mental e possui um estilo de vida anti-social, assim como o dela. 
Essa amizade acaba se tornando uma grande jornada de compreensão, um do outro, de si mesmos, da vida e do mundo que os cerca, mesmo que distorcido por suas visões quase alienígenas das coisas. Jornada que é marcada por observações peculiares e que mostram em Elliot, que aqui assina roteiro, direção e criação visual, um autor ousado e dotado de um olhar ao mesmo tempo desolador e sarcástico sobre esta realidade que pinta, especialmente por conta dos exageros sempre conotativos da estética que constrói com sua habilidosa técnica de stop motion com argila. Das caricaturas físicas dos personagens e objetos às composições particulares de cada um dos países retratados – Austrália a terra do sépia; Estados Unidos, a do preto-e-branco – existem momentos de imensa criatividade e audácia." Texto de Daniel Dalpizzolo

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segunda-feira, 15 de julho de 2019

O Fantástico Senhor Raposo (Fantastic Mr. Fox) 2009


Sr. Raposo (Clooney) era um antigo ladrão de galinhas, mas quando se encontra numa situação de vida ou de morte, a sua mulher, Sra. Raposa (Streep), anuncia que está grávida, ele promete-lhe nunca mais roubar nada ou colocar a vida dos dois em perigo. Então, o filme avança alguns anos, e  vemos que Raposo conseguiu um trabalho num jornal, que o seu filho cresceu e agora é um adolescente que está sempre a tentar impressionar a família (apesar de nunca conseguir). E o principal, Raposo está tão decepcionado com a sua vida que está a pensar num grande roubo que lhe irá dar comida de primeira para o resto da vida.
Primeiro filme animado de Wes Anderson, o que não deixava de ser engraçado mdado que todos os seus filmes anteriores desde "The Royal Tenenbaums" (2001) eram praticamente filmes de desenhos animados com actores humanos. A ironia é que ao mover-se totalmente para o reino da animação com este "Fantastic Mr. Fox", Anderson faz o seu filme mais humano desde Tenenbaums.
A estética de Anderson sempre foi profundamente enraizada numa nostalgia de estilos, tecnologias e técnicas ultrapassadas, por isso é justo que ele tenha adotado o rigor demorado e imperfeito da animação em stop-motion, contra métodos mais modernos, como o CGI.
Um elenco glorioso a dar vozes às personagens, onde para além de Meryl Streep e George Clooney destacam-se ainda Jason Schwartzman, Bill Murray, Willem Dafoe, Owen Wilson, o próprio Anderson, ou ainda Jarvis Cocker. 

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sábado, 13 de julho de 2019

Uma pequena pausa no ciclo, voltamos segunda ou terça para os últimos filmes.
Espero que esteja a ser do vosso agrado.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Há Pânico na Aldeia (Panique au Village) 2009

Cowboy e Índio tentam surpreender o amigo Cavalo dando-lhe uma churrascada caseira como presente de aniversário. Mas o plano não dá certo, e eles precisam de descobrir o que fazer com os 50 milhões de tijolos que encomendaram por engano. Mas a tentativa de esconder os tijolos resulta na destruição de uma casa. Quando tentam reconstruí-la, o excêntrico trio combate uma série de obstáculos bizarros: uma viagem ao centro da Terra; uma bola de neve gigante que atira pinguins mecânicos; vacas de paraquedas; criaturas marinhas pontiagudas de um mundo paralelo subaquático; waffles gigantes e lições malucas de música para animais de quinta dadas pela formosa égua vermelha Madame Longray. Até o Pai Natal aparece.
Stéphane Aubier e Vincent Patar são dois escritores e realizadores de animação belga em stop-motion, conhecidos por utilizar várias técnicas de animação: desde o acetato tradicional até à plasticina, passando pelos recortes. Conheceram-se em 1986, quando estudavam no Instituto de Belas-Artes de Saint-Luc, em Liège, e ambos se licenciaram em 1991 na Escola Superior de Artes Visuais da Universidade de La Cambre, em Bruxelas – uma conceituada escola de arte europeia. As suas carreiras estão fortemente ligadas desde esse primeiro encontro: os dois partilham um universo desenvolvido ao longo de muitos anos de colaboração.
"Panique au Village" é o filme mais conhecido desta dupla, fez parte da selecção oficial da Câmara de Ouro, em Cannes, no festival de 2009.

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The Butterfly From Ural (Uralin Perhonen) 2008

O filme conta a história de um antigo presidente da Finlândia, Gustaf Mannerheim, apesar do seu nome nunca ser mencionado, numa viagem à Ásia Central, onde conhece um rapaz do Quirguistão. Mannerheim trá-lo de volta com ele para a Finlândia, e começa a chamá-lo de Butterfly. O rapaz torna-se servo e amante de Mannerheim, mas quando a guerra civil finlandesa começa Mannerheim abandona o amante no campo de batalha.
De acordo com a realizadora Katariina Lillqvist esta curta metragem é baseada num conto de folclore do distrito de Pispala, em Tampere. Na altura da sua estreia, em 2008, causou algum reboliço na comunicação social finlandesa, causando discussões sobre os limites de liberdade de expressão  e a orientação sexual de Mannerheim.
Falado em inglês, e sem legendas.

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quarta-feira, 10 de julho de 2019

My Two Thousand Movies - Próximos Meses

Esta será a ordem dos ciclos a apresentar nos próximos meses:

- Programação de um Convidado (já para a próxima semana)

- Kon Ichikawa - O Essencial

- Programação de um Convidado

- Fantasy Lo-Fi - O Ciclo

- Programação de um Convidado

- Straub and Huillet - O Cinema é uma Arma (com a colaboração do Jorge Saraiva)



Já sabem que o melhor cinema passa pelo My Two Thousand Movies

O Nó da Gravata (Le Noeud Cravate) 2008


“O Nó de Gravata” combina perfeitamente animação de fantoches e desenhos animados. O filme retrata quinze anos da vida de Valentin. Empregado dedicado à sua tarefa, atraído por chefes cheios de poder, Valentin luta com toda sua força contra o absurdo do quotidiano como empregado. 
Um pequeno conto semi-melancólico, contado com uma pitada de humor que nos chega do norte das américas, mais propiamente do Canadá, pelas mãos de Jean-François Lévesque, nascido no Québec, no seu único trabalho conhecido até hoje.
Esta curta metragem é uma mistura interessante de diversos estilos de animação, e reflecte uma experiência que a maioria das pessoas tem na sua vida: o pagamento, senão a erradicação, das alegrias e dos sonhos pela labuta sem sentido do mundo moderno do trabalho. Mas, como o filme aponta, não percamos a esperança, nunca é tarde demais para redescobrir o que nos fez, ou faz feliz.

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Prometheus' Garden (Prometheus' Garden) 2008

Inspirado no mito grego Prometheus, um Titã que criou os primeiros mortais de barro e roubou o fogo dos deuses, "Prometheus´Garden" mergulha os espectadores num universo cinematográfico diferente de qualquer outro. As  imagens obscuras e mágicas deste assombroso filme desdobram-se num fluxo onírico de consciência, revelando um improvável elenco de personagens de barro envolvidas em lutas violentas pela sobrevivência.
Curta-metragem com 28 minutos de Bruce Bickford,, um nome já interessante no panorama de animação norte-americano,  que aqui nos apresenta um trabalho que irá intrigar alguém que procure uma realidade alternativa, uma forma de ver o mundo que é visual e substancialmente diferente daquilo que as pessoas estão habituadas a ver. O "real" que se vê no filme está relacionado com ideias e sentimentos, e não com as pessoas.
"Prometheus´ Garden" não tem uma narrativa linear, mas está fundamentado com temas de violência e destruição, combinados com os da transformação e regeneração. 

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segunda-feira, 8 de julho de 2019

$ 9.99 ($ 9.99) 2008

A pergunta filosófica que se segue não é tanto sobre o sentido da vida, mas sobre o preço do sentido da vida. Dave Peck tem 28 anos, é deprimido, desempregado e ainda não deixou a casa dos pais. Quando se depara com um anúncio que marca 9,99 dólares como o preço da felicidade, tudo se perspectiva na sua vida. Agora, animado e com uma esperança renovada, vai querer dividir essa incrível descoberta com o resto do mundo…
Filme excêntrico em stop-motion, feito com marionetes e dirigido pela israelita Tatia Rosenthal, que já era conhecida pela curta "A Buck´s Worth". É baseado numa série de curtas histórias de Etgar Keret, que também colabora no argumento, sobre a vida dos moradores de uma cidade, em busca da sua felicidade, num mundo crivado de dívidas, dependência, suicídios, solidão, e constante mudança. O ponto mais importante é o seguinte: o sentido da vida é diferente de pessoa para pessoa.

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Wallace & Gromit: Dúzia de Pasteleiro (A Matter of Loaf and Death) 2008

Nesta quarta curta-metragem de uma série de sucesso iniciada em 1991 com "A Grand Day Out", mais uma vez, iremos acompanhar a dupla Wallace e Gromit numa embrulhada das antigas condimentada com uma pitada de mistério, desaparecimentos, investigações e, para dar consistência ao conjunto, muita massa de padeiro. Entretanto, iremos descobrir o novo amor de Wallace numa nova personagem, Piella Bakewell e, já era altura, uma cadelinha chamada Fluffles para aquecer o coração de Gromit? make loaf not war.
Nick Park regressa aos seus amados personagens Wallace e Gromit, mais uma vez no formato curta metragem num filme com meia hora de duração. É tão sofisticado como qualquer filme que Park tenha feito até então, mas não oferece nada de novo, é quase uma repetição de "A Close Shave". 
Tal como os outros filmes da série, também foi nomeado para o Óscar de Melhor curta de animação, mas isso já seria de esperar. Também seria o último filme da série, até agora.

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domingo, 7 de julho de 2019

Madame Tutli-Putli (Madame Tutli-Putli) 2007

Madame Tutli-Putli entra no comboio da noite carregada dos mais diferentes objectos, precisamente aqueles que dão um sentido ao seu dia a dia. Inicia uma viagem da luz para as sombras, não apenas com essa pesada parafernália de memórias mas, igualmente, com uma série de fantasmas do passado.
Um filme em stop-motion surpreendente e eficaz, com um grande impacto visual. O shot de abertura detalha uma verdadeira mistura de objectos aleatórios que foram agarrados de uma vida inteira. Eles pertencem a Madame Tutli-Putli, uma esbelta figura de pano, com um rosto tão real que poderia ter sido tirado de qualquer lugar do mundo real. É de tal forma expressiva que custa acreditar tratar-se de uma boneca, e ninguém consegue ficar indiferente ao seu olhar.
Curta-metragem, primeiro filme para dois realizadores canadianos, Chris Lavis e Maciek Szczerbowski, que com a sua obra de estreia conseguiram logo uma grande notoriedade, com o filme a conseguir uma nomeação para Melhor Curta de Animação, dois prémios no festival de Cannes, enre muitos outros. Imperdível.

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Uma Noite na Cidade (Jedné Noci v Jednom Meste) 2007

"Uma Noite na Cidade", cujo argumento combina uma multiplicidade de histórias numa atmosfera de grande intensidade dramática, pode enquadrar-se nas correntes do fantástico, do absurdo e do surrealismo presentes no património cultural da República Checa e em obras cinematográficas como as do mestre Jan Svankmajer.
De um ponto de vista mais prosaico, esta obra pertence ao mundo muito particular da animação de volumes, com utilização de marionetas.
Da sua estrutura narrativa, destacamos o percurso onírico e alucinante das diferentes personagens, quer no interior de um edifício quer nos exteriores de uma cidade, quase sempre concebido a partir da observação do que realmente podia acontecer na vida quotidiana se o bizarro e o grotesco invadissem o espaço urbano. 
Este filme recebeu um dos mais generosos subsídios do governo checo destinados ao cinema, decorria o ano de 1998. Desde essa altura, a equipa liderada pelo realizador mergulhou de cabeça nesta super-produção, estreada no seu país a 23 de Janeiro de 2007. 
O realizador é Jan Balej, um dos autores de "Filmfarum 2"
* Texto de RTP

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sábado, 6 de julho de 2019

Pedro e o Lobo (Peter and the Wolf) 2006

Pedro é um rapaz discreto, solitário, impedido de ir à floresta pelo seu avô protector, tendo como seu único amigo um pato. Quando um lobo ameaça o seu amigo pato – bem como o gato gordo do seu avô e um pássaro com a asa partida de que Pedro se tornou amigo – Pedro corajosamente tenta apanhar o lobo. O Avô, o povo da aldeia e os caçadores que têm antagonizado Pedro figuram todos no desenlace final.
Pedro e o Lobo é uma história infantil contada através da música. Foi composta por Sergei Prokofiev em 1936, com o objectivo pedagógico de mostrar às crianças as sonoridades dos diversos instrumentos. Cada personagem da história (o Pedro, o lobo, o avô, o passarinho, o pato [ou pata, em algumas versões], o gato e os caçadores) é representada por um instrumento diferente. 
Suzie Templeton, de quem já tínhamos visto "Dog" neste ciclo, realizou uma adaptação moderna do conto de Pedro e o Lobo, recorrendo a animação stop-motion. É incomum na sua falta de qualquer diálogo ou narração, sendo a história apresentada unicamente com imagens e som, interrompida por períodos de silêncio sustentado. A banda sonora é executada pela Philharmonia Orchestra de Londres e o filme teve a sua estreia com um acompanhamento ao vivo da orquestra no Royal Albert Hall em Londres. 
Ganhou o Óscar de Melhor Curta de Animação. 

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Fimfárum 2 (Fimfárum 2) 2006

A sequela do filme de sucesso, "Fimfarum", que já passou por aqui neste ciclo, com histórias da autoria de Jan Werich. Quatro novas histórias para crianças inteligentes e adultos espertos.  Bretislav Pojor apresenta-nos a história do Tom Thumb, cheia de reviravoltas e aventuras. Aurel Klimt traz à vida três irmãos, os Corcundas de Damascus, recriando a atmosfera do Médio Oriente, e a variedade da narrativa oriental. Vlasta Pospisilova conta-nos s a história "Três Irmãs e um Anel", um manual rural do Decameron, sobre como encantar os entes queridos com um mero anel, e, por fim, Jan Balej deixa os seus personagens Marek e Kouba reviverem um antigo conto de fadas sobre ganância, demónios e fenómenos naturais.
Mais uma pequena pérola que nos chega da República Checa. Neste segundo filme colaboraram quatro realizadores, com Balej e Klimt a representarem a nova geração do cinema checo, enquanto que Pojar e Pospisilova a representarem os veteranos. 
Legendas em inglês.

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quinta-feira, 4 de julho de 2019

The Book of the Dead (Shisha no Sho) 2005

Baseado num romance de Shinobu Orikuchi, conta a história de Lady Iratsume, uma jovem donzela bonita e altamente cobiçada que vive na Nara do Século VIII, a então capital do Japão. Protegida por altos muros de pedra dos seus muitos pretendentes, ela passa o tempo a copiar escrituras budistas. Fixa-se em uma em particular, o Amida Sutra, e define o objectivo de fazer 100 cópias dele. Dia após dia, ela senta-se no seu lugar, ela concentra-se nas palavras do Buddha, parando apenas para olhar ocasionalmente para o Monte Fukatami, que se ergue do lado de fora da sua janela. Um entardecer ela tem uma visão…
De Kihachiro Kawamoto já tínhamos visto uma obra anteriormente neste ciclo, "Days of Winter", e se há um assunto que é comum nos seus filmes é o seu profundo interesse na filosofia budista. "The Book of the Dead" junta todas as vertentes do conhecimento, tanto domesticamente como internacionalmente, que inspiraram o realizador na sua carreira, com destaque para o budismo.
"The Book of the Dead" era a segunda, e última longa metragem de Kawamoto, que tem ainda no seu currículo uma dezena de curtas. O realizador viria a falecer cinco anos depois.
Legendas em inglês.

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terça-feira, 2 de julho de 2019

The Torchbearer (Svetlonos) 2005

O dia e a noite alternam-se incansavelmente sobre uma cidade e o seu labirinto... Até que a maquinaria de repente pára, deixando tudo numa noite eterna. O nosso herói entra no labirinto, e vai passando em todos os testes que lhe são colocados pela frente…
Sendo este filme obra do filho de Jan Švankmajer, Václav Svankmajer, poderia ser de esperar uma imitação derivada do estilo do pioneiro da animação que era o seu pai. No entanto, "Svetlonos" ilumina-se como um trabalho importante e distinto, sem dúvida um dos filmes de animação sub-30 minutos mais importantes de 2005, um ano muito rico na animação. Visualmente, tem uma forma mais clássica do que qualquer filme de Jan. Tanto a estrutura como as imagens parecem convidar a possíveis leituras alegóricas: ciclos temporais, ascensão e queda de reis, a invasão marcial de um espaço matriarcal, etc...
Os modelos são realistas, e o som é usado para assombrar. "Svetlonos" assemelha-se aos filmes dos irmãos Quay, como o sombrio "Streets of Crocodiles", ele próprio inspirado pelo pai Svankmajer, embora se possa perceber que a tecnologia avançou muito desde o filme dos irmãos Quay até 2005. 
É um filme que deve ser visto não só pelos fãs do cinema de animação, mas também por todos que permaneçam cépticos sobre o poder da animação em criar ambientes genuinamente escuros e sombrios.

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A Noiva Cadáver (Corpse Bride) 2005

"A Noiva Cadáver", de Tim Burton carrega na tradição dark e romântica do mesmo realizador de "Eduardo Mãos de Tesoura" e "O Estranho Mundo de Jack". Passado numa vila europeia do século 19, esta longa-metragem de animação conta a história de Victor (dobrado por Johnny Depp), um jovem varrido para o submundo e casado com uma misteriosa Noiva Cadáver (dobrada por Helena Bonham Carter), enquanto que a sua verdadeira noiva, Victoria (dobrada por Emily Watson), aguarda por ele, sem esperanças, no mundo dos vivos. Entretanto, quando a vida na Terra dos Mortos revela ser um pouco mais colorida do que todos imaginavam, Victor aprende que não existe nada neste mundo - ou no próximo, que possa mantê-lo longe do seu único e verdadeiro amor. O filme é um conto de optimismo, romance e uma vida depois da morte bem...viva! E contada com o estilo clássico e inconfundível de Burton.
Foi nomeado para o Óscar de Melhor Filme de Animação, que perdeu para "Wallace & Gromit: a Maldição do Coelhomem", que já vimos neste ciclo. 
Legendado em português.

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Brothers Bearhearts (Vennad Karusüdamed) 2005

Os heróis do filme são três filhotes de ursos, do quadro de pintura de culto de Ivan Shishkin, chamado "Morning in a Pine Forest". Depois de perderem a mãe pintora, os três irmãos Henry, Vincent e August aparecem em Paris, a Cidade da Luz, que todos os criadores sonham. Todas as tentativas de ganharem a vida como artista falham, e agora sob o disfarce de leões do circo os três irmãos voltam à Rússia para  encontrarem a herança da sua mãe.
Com cenários muito bonitos, todos inspirados pela pintura moderna, e um argumento muito interessante, este filme de Riho Unt, um realizador da Estónia de quem já vimos "Hing Sees" neste ciclo, tinha aqui a sua obra mais interessante até à data. Usando como guia uma história de aventuras, Unt conta-nos as origens conturbadas da arte moderna, tanto do passado como do presente.
Produzido pela Nukufilm, que lançou uma série de realizadores que estavam envolvidos numa grande variedade de campos culturais e artísticos na Estónia, e que vieram a ter grande sucesso no campo da animação. Um deles foi Riho Unt, que lançou o ano passado a sua primeira longa-metragem, "Captain Morten and the Spider Queen".
Legendas em inglês.

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segunda-feira, 1 de julho de 2019

Wallace & Gromit: A Maldição do Coelhomem (The Curse of the Were-Rabbit) 2005

Wallace, o mais famoso viciado em queijo, e Gromit, o seu sempre leal cão - o famoso duo da Aardman - são agora as estrelas de uma comédia de aventuras. No bairro de Wallace e Gromit reina a mania dos vegetais. E os empreendedores amigos controlam as pestes que aparecem: coelhos, sobretudo. No entanto, a poucos dias do Concurso Anual de Vegetais, surge uma misteriosa criatura devoradora de cenouras, couves, beringelas e afins, que inicia um impiedoso ataque aos sagrados legumes... Sem hesitar, a organizadora do evento, a Marquesa Florinda de Belaflor - Flor para os amigos - delega em Wallace e Gromit a responsabilidade de capturar esta criatura e assim salvar o Concurso!
"“The Curse of the Were-Rabbit” lida com espasmos arcanos, entusiasmantes sequências de acção e gags inspirados. Acima de tudo, os criadores mantiveram a inteligência e sensibilidade fomentada nas peripécias predecessoras de “Wallace & Gromit”. São 85 minutos aureolados, com personagens animadas bem superiores a inúmeros actores de carne e osso. Como filme de aventuras, a parte final reserva uma esplendorosa sequência de acção, onde lobrigamos que não se trata “apenas” de uma brilhante animação, mas também de uma magnífica realização. Park bem pode aguardar uma nova nomeação para os Oscares, o que não deixa de ser bastante impressionante, tendo em conta que praticamente todos os seus trabalhos fazem parte das corridas para a obtenção da estatueta dourada. Aguardemos que o recente incêndio que assolou a Aardman Animation, não esmoreça o brilhante trabalho que sempre desenvolveram e qual Fénix da Animação, renasçam literalmente das cinzas e continuem a transportar e dignificar o enorme peso da animação tradicional. “The Curse of the Were-Rabbit” é tão divertido que não necessitarão de dizer «cheese», para um sorriso se estampar no vosso rosto." de Pasmos Filtrados.
Legendado em Português. 

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As Misteriosas Explorações Geográficas de Jasper Morello (Rate This The Mysterious Geographic Explorations of Jasper Morello) 2005

Este magnífico exercício de Cinema, apresenta-nos uma visão futurista de um mundo passado e o extraordinário percurso do navegador Jasper Morello numa fabulosa viagem por geografias onde se movimentam máquinas, deliciosamente, primitivas e herdeiras daquilo que podia ser a síntese da Revolução Industrial com o pensamento de Jules Verne. Uma verdadeira exploração através das fronteiras da imaginação com o apoio da velha arte da animação com silhuetas.
Ficção ciêntifica gótica onde elementos, máquinas e ideias do passado e do futuro se fundem. Uma nave espacial é exactamente isso, um navio voa no espaço. A animação transforma objectos do quotidiano em versões misteriosas e espinhosas dos seus familiares. Os personagens são todos silhuetas negras e angulares, com feições de destaques ocasionais.
Realizado pelo Australiano Anthony Lucas, de quem já vimos neste ciclo "Holding Your Breath", conseguiu vários prémios de destaque, como Grande Prémio de Annecy, foi considerado a Melhor Curta de animação pelo Australian Film Intitute, e ainda foi nomeado para o Óscar de Melhor Curta de Animação.
Legendado em português.

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sexta-feira, 28 de junho de 2019

Animal (Elukka) 2004

"Animal" é uma curta metragem de cerca de 30 minutos que cruza três histórias: um pai solteiro que depois de ser atacado por um lobo se começa a transformar num lobisomem, o seu filho que depois de um estranho acidente com um carro troca de corpo com um cordeiro, e uma médica por quem o pai começa a ficar interessado. É sempre interessante ver animação em stop motion, e esta é especialmente boa. Aqui, pega-se no tema do mito do Lobisomem, com um pouco de Frankenstein à mistura. Por mais inocente que esta curta possa parecer no início, conseguem-se imagens muito perturbadoras, em  parte porque são muito explícitas e distorcidas, e também por causa dos materiais da animação, que tornam o filme ainda mais estranho.
É da Finlândia que nos chega esta obra, realizada por Tatu Pohjavirta, um realizador que contava já com um considerável número de curtas, nunca tendo realizado uma longa metragem até hoje. O filme não tem diálogos, nem precisa.

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Minotauromaquia (Minotauromaquia) 2004

Uma visão imaginária da mente criativa de Pablo Picasso e as suas criaturas e personagens pintadas. Entramos na sua cabeça onde ele tem um labirinto intrincado, que é a sua imaginação para encontrar as criaturas e as suas histórias quando ele pinta uma tela. A sua imaginação é apresentada como o mito do labirinto e do Minotauro, e algumas das personagens do labirinto estão, na realidade, nas pinturas de Picasso, desde a famosa pomba, o Minotauro, as Damas de Avignon, entre muitas outras.
Um filme sobre a criação artística, sobre e com Pablo Picasso, ou melhor, com a imagem animada do pintor e escultor mais polémico e, provavelmente, mais conhecido e desconhecido do panorama artístico ocidental.
O realizador, Juan Pablo Etcheverry, nasceu em Montevideu, no Uruguai, mas estudou Belas Artes na Universidade de Barcelona, trabalhando na área de multimédia como realizador, argumentista e editor. "Minotauromaquia" seria a sua terceira obra, e talvez a mais relevante até hoje. Apesar da sua curta seguinte ter a voz de José Saramago na narração.

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quinta-feira, 27 de junho de 2019

O Inventário Fantasma (L'inventaire Fantôme) 2004

O oficial de justiça Soms vai a casa de um velho cavalheiro condicionado a uma cadeira de rodas, colecionador de sua condição, para fazer um inventário. O colecionador explica ao oficial de justiça que ele coleciona "memórias que já ninguém quer", e este enquanto inspeciona a casa descobre uma porta que o leva a um lugar enorme, onde são armazenados milhões de objectos.
Também realizada em França, tal como a curta anterior, na Angoulême por Frank Dion, na sua primeira obra, , "l'inventaire Fantome" é uma mistura inteligente de stop-motion e design assistido por computadores. As marionetes, manuseadas com um cuidado especial que não ficaria a dever nada a um Ray Harryhausen, ganham vida em decorações feitas à mão, mas retocadas de forma digital a partir de então, para acentuar os efeitos das luzes e outros efeitos das texturas. 
Encontramos uma atmosfera surreal e fantasmagórica, com decorações enormes, objectos antigos (estátuas, espelho, livros antigos,  e um rádio que toca apenas tango…) trajes da época (a acção passa-se na reconstrução de uma Paris do século XIX), aparições fantasmagóricas, em suma, uma viagem ao passado, onde os pesadelos da juventude nunca estão longe. 
Legendas em inglês.

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O Calypso é Assim (Calypso Is Like So) 2003

Um célebre actor, Robert Mitchum, recorda a sua vida cinematográfica. Entretanto, uma visita inesperada vai descobrir a sua personalidade, sedutora e irrequieta. Um filme de animação pautado pelo LOVE e pelo HATE, palavras escritas nos dedos da personagem¿um piscar de olho para os mais cinéfilos.
A história é simples, e deriva do facto de que muitos filmes são uma questão de guerra entre um actor e um realizador. Eles têm vidas e missões completamente diferentes, e por vezes um actor encarna totalmente no seu papel. É o caso de Robert Mitchum, um actor enlouquecido por levar os seus papéis a sério. 
Curta que nos chega de França, com Bruno Collet num dos seus primeiros trabalhos atrás das camaras. 

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terça-feira, 25 de junho de 2019

Harvie Krumpet (Harvie Krumpet) 2003

A história de Harvie Krumpet, que tem o Síndrome de Tourette (transtorno neuropsiquiátrico hereditário que se manifesta durante a infância e é caracterizado por diversos tiques físicos e vocais). Harvie Krumpet é considerado uma criança bizarra, com uma infância triste e solitária. A má sorte persegue-o durante a fase adulta, quando é atingido por um raio e acaba por desenvolver uma doença muito séria. Mas no hospital, a vida proporciona-lhe uma surpresa.
Adam Elliot, realizador australiano que conhecemos por "Mary and Max", (um outro sucesso do stop-motion que veremos mais para a frente neste ciclo), realizou algumas curtas antes de passar para a sua primeira longa. "Harvie Krumpet" era já a sua quarta curta, e provavelmente a que lhe deu mais ânimo para dar o passo seguinte, pois foi com este filme que ganhou um Óscar de Melhor Curta de Animação. 
A mensagem parece ser: "a vida é aquilo que dela fizermos". O filme começa com o velho ditado sobre alguns nascerem grandes, outros alcançarem a grandeza, e outros terem a sorte da grandeza os encontrar, mas Elliot  está mais preocupado com as pequenas pessoas que atrapalham a sua existência, não alcançando nada demais. Apesar de nunca se encontrar a grandeza, é possível alcançar belos momentos de felicidade, e isto sem usar a técnica do sentimentalismo ou paternalismo fácil. 
A narração estava a cargo de Geoffrey Rush, actor australiano de créditos firmados, que nesta altura já tinha um Óscar e outras duas nomeações.
Legendado em português.

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The Separation (The Separation) 2003

Como o próprio título indica, esta  é a história de uma separação. Mas não é uma separação qualquer, já que pode ser complicado separar-nos de alguém que esteve (literalmente) ligado a nós. Nesta história, a separação de dois irmãos siameses terá consequências inesperadas. 
Feito com a técnica do stop-motion, sem diálogos de qualquer tipo, e com uma banda sonora praticamente testemunhal, esta curta-metragem baseia-se tanto na mestria dos desenhos, que atraem e repelam ao mesmo tempo, dentro de um sentido fantasmagórico de realismo, como na profundidade psicológica, entrando pouco a pouco no mundo de ambas as personagens, e mantem-nos em tensão durante os quase 10 minutos de filme.
A realização está a cargo do britânico Robert Morgan, de quem já tínhamos visto neste ciclo "The Cat With Hands".

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segunda-feira, 24 de junho de 2019

Ward 13 (Ward 13) 2003

Ben, o nosso personagem principal, acorda num hospital invulgar depois de aparentemente ter sido atirado para uma estrada de asfalto devido a um acidente de carro. Mais tarde, acorda com o som de um cachorro a latir e decide explorar o hospital. Depois de estudar o hospital, perceber todos os detalhes dos corredores e das ferramentas cirúrgicas percebe que não é um hospital normal. Depois de ouvir passos e encontrar um paciente a gemer numa das camas do hospital, decide que é altura de fugir…
Preparem-se para um quarto de hora selvagem e caos animado. Esta curta bizarra apresenta-nos cães com duas cabeças, caixas de "lodo" e um monte de outras coisas que lembram alguém a ter o seu maior pesadelo. Isto é, na verdade, o "hospital do inferno", onde governa um parente do Dr. Frankenstein que cria os seus próprios monstros hostis.  
O australiano Peter Cornwell estreia-se na realização com esta curta, que rodou por inúmeros festivais ganhando vários prémios. Mais um filme a descobrir.

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A Feather Stare at the Dark (A Feather Stare at the Dark) 2003

Uma história passada num mundo antes do nosso. Um mundo mergulhado no caos, onde as forças do bem e do mal lutam, e se misturam. Ao fazerem isso, criam a hipótese de dar à luz o novo mundo. Um casal de seres alados faz amor e foge. Eles carregam uma criança num ovo e, quando a criança abre os olhos, são imediatamente destruídos, um consumido pelo fogo e o outro consumido pela água.
Mítico, elementar e misterioso, o mundo criado por Naoyuki Tsuji é perigoso, ameaçador e cheio de sinais do apocalipse, mas, de alguma forma também, terno e compassivo. "A Feather Stare at the Dark" captura gestos simples e sentimentos primários, e amplifica-os, percebendo o não verbal e o não literal com notável graça.
Uma ocasião rara de verem um filme de Naoyuki Tsuji.

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domingo, 23 de junho de 2019

sábado, 22 de junho de 2019

Mécanix (Mécanix) 2003

Mécanix conta a história dos últimos seres humanos, que são forçados a ser escravos de estranhas criaturas que governam esse estranho mundo. Há apenas uma coisa que estas bestas temem: o embrião do universo, a origem de tudo. É a única esperança que os seres humanos têm, para se libertarem deste ambiente mecânico antes que todos morram.
"Mécanix" é o primeiro, e até agora único filme do canadiano Remy M. Larochelle. Combinando acção stop-motion expressionista com live-action, "Mécanix" é um mergulho num estranho mundo mecanizado onde os humanos são escravos de uma raça de criaturas hediondas e biomecânicas. A história simples no centro de "Mécanix" é facilmente perdida quando somos confrontados com os visuais verdadeiramente impressionantes deste filme.
Muito recomendado para fãs de Lynch, Švankmajer, Tsukamoto (facilmente o associamos ao já clássico "Tetsuo"), Jeunet, irmãos Quays e mesmo Jim Henson. 
Legendas em inglês.

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Days of Winter (Fuyu no hi) 2003

Filme animado e dirigido por Kihachiro Kawamoto. É baseado num dos renku (colaborações de poemas ligados), uma coleção de 1684 do mesmo nome, do século 17 do poeta japonês Basho.
A criação da animação seguiu a tradicional natureza colaborativa do material de origem – o visual para cada uma das 36 estrofes foram criado independentemente por 35 animadores diferentes. Assim como muitos animadores japoneses, Kawamoto chamou os principais nomes da animação de todo o mundo: Mark Baker, Jacques Drouin, Taku Furukawa, Co Hoedeman, Yuri Norstein, Raoul Servais, entre outros.
Cada animador foi convidado a contribuir com pelo menos 30 segundos para ilustrar a sua estrofe, e a maior parte das sequências são menos de um minuto. O filme tem a duração de 39 minutos.
Fuyu no Hi venceu o Grand Prize of the Japan Media Arts Festival em 2003. Fuyu no Hi é uma colaboração incrível, visualmente deslumbrante dos maiores mestres de animação do mundo, unindo forças para criar um renku visual, um estilo de poesia específica para o Japão em que compositores escrever um poema como um grupo, cada poeta cria um verso diferente.
Legendas em português.

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sexta-feira, 21 de junho de 2019

The Stone of Folly (The Stone of Folly) 2002

Inspirado por um quadro de Bosch chamado "A Cure for Folly" é passado num hospital medieval. Um doutor caminha pelos vastos corredores do hospital, entramos na sala dos raios x, onde vislumbramos o processo realizado 500 anos atrás. Continuamos no centro cirúrgico, onde o paciente é anestesiado e operado. O procedimento funciona, mas há algo de errado com a metodologia.
Os tons de negro desta curta metragem são surpreendentes. Depois de vermos a curta e estudarmos o quadro podemos observar como a moral é verdadeiramente transmitida neste filme. Os personagens da curta são derivados dos personagens do quadro, e é um prazer ver como tanta informação é derivada das expressões faciais dos fantoches. O cenário e os movimentos dos personagens também, e a cena de abertura dá o tem certo para o filme. 
Primeira obra do canadiano Jesse Rosensweet, foi mais um filme selecionado para o Festival de Cannes de 2002, tendo recebido o prémio do Júri para a melhor curta-metragem.

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Holding Your Breath (Holding Your Breath) 2002

Numa cidade industrial, uma jovem tem uma relação com o namorado, enquanto que um cão e um velho se encontram sempre próximos. O cão, inicialmente agressivo, torna-se amigável depois de ela ter caído ao rio para tentar salvá-lo.
À sua narrativa de traços modernos, elitpica e distante do sentimental, com ausência de banda sonora, junta-se um processo de animação com silhuetas bastante interessante, mesmo que a sua marcação seja extremamente convencional ao seguir os preceitos do cinema de acção ao vivo e a voz over que narra tudo, mesmo que distanciada (algo evocativo do processo efetivado por Malick em "Badlands").
Realizado pelo australiano Anthony Lucas, foi selecionado para o Festival de Cannes de 2002. Lucas era um nome importante no cinema de animação australiano, e viria a conseguir uma nomeação para os Óscares no seu próximo filme, que também veremos neste ciclo.
Sem legendas, falado em inglês.

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quinta-feira, 20 de junho de 2019

The Hunger Artist (The Hunger Artist) 2002

Curta-metragem baseada no relato homónimo de Franz Kafka, que conta a história de um magro e deteriorado artista, que decide instalar-se numa jaula de circo com o intuito de mostrar e encantar o público com arte autodestrutiva.
Um trabalho de extraordinário recorte expressionista, que interpreta totalmente o cosmos Kafkiano opressivo, povoado por indivíduos infelizes, marginalizados e vitimizados pela sociedade. Filme feito com o uso da técnica de stop.motion pelo americano Tom Gibbons, que trabalhou com Henry Selick em "James and the Giant Peach" e também foi membro do departamento de animação da série televisiva "Kablam", entre outros projectos mais comerciais. Gibbons também trabalhou na equipa de efeitos especiais de "Matrix Revolutions" e nas equipas de animação da trilogia "Twilight", provavelmente era melhor não referir esta última parte. 
Filme sem diálogos. 

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Hing Sees (Hing Sees) 2002

Numa noite gelada dois pequenos irmãos, um rapaz e uma rapariga, discutem uma questão assustadora: ela argumenta que, ao contrário da sua amada boneca Lisa, os soldados do seu irmão carecem de alma, pois nunca fecham os olhos quando morrem. Mas, afinal, o que significa ter alma?
Esta curta-metragem surreal, inspirada na história "Living Dolls" do escritor estoniano Anton Hansen Tammsaare, transporta-nos para a busca insana por uma resposta. A realização está a cargo de Riho Unt, um dos principais animadores da Estónia, com um currículo já de mais de 25 curtas-metragens, todas elas de grande valor entre o cinema de animação da Europa do Leste.
Legendas em inglês.

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terça-feira, 18 de junho de 2019

Fimfárum Jana Wericha (Fimfárum Jana Wericha) 2002


"Fimfárum Jana Wericha" está dividido em cinco histórias independentes, cada uma das quais é derivada de uma lenda Checa. A primeira delas, "Quando caem as folhas do carvalho", conta como um agricultor embriagado faz um pacto com o diabo, a quem posteriormente o homem engana. O segundo, "Fearless Frankie", relata como o pai de um jovem que tem medo de nada manda o seu filho para passar uma noite numa taverna onde os espíritos dos mortos se reúnem para jogar. O terceiro, "Mean Barbara," gira em torno dos esforços de várias pessoas de dispor do corpo de uma mulher velha avarenta. A quarta, "um sonho cumprido", é sobre um agricultor idoso que desperdiça o seu dinheiro a jogar na lotaria, e o último conto, "Fimfárum", centra-se num ferreiro com uma mulher infiel que é forçado a executar uma variedade de impossíveis tarefas.
Um maravilhoso filme animado de marionetas baseado em algumas histórias do actor e argumentista checo Jana Wericha e realizado pela dupla Vlasta Pospísilová e Aurel Klimt. Um filme que demonstra o domínio do povo checo no uso de marionetas, dando vida e expressão a inexpressivos pedaços de madeira. 
Uma narrativa tradicional com uma voz de narrador a dominar o filme, neste caso o próprio Wericha, as histórias são ligadas por imagens reais de Wericha e a sua grande barriga a comentar sobre elas. Os contos são como as antigas fábulas costumavam ser, com uma grande compreensão da natureza humana e os seus vícios sociais. 
Longa metragem legendada em português.

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