segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Os Terroristas (Kong bu fen zi) 1986

Uma jovem escapa de um cerco da polícia. Sentindo-se oprimida e com a sua vida destruída, começa a irradiar as suas perturbações através de telefonemas anónimos. A partir daí, três histórias paralelas começam a se encaixar. O quebra-cabeças envolve, além da jovem terrorista, uma testemunha que fotografa os acontecimentos e um casal em crise.
Um filme profundo e onírico de histórias paralelas, sombrio, confuso e enigmático, onde tudo é magistralmente combinado. Edward Yang co-escreve o argumento com Hsiao Yehand, e cria uma atmosfera intensa, raramente vista num filme americano, que tem algo desagradável a dizer sobre a vida na grande cidade de Taipei, sobre aprender lições da vida da forma mais difícil, através da amarga experiência, que é possível ser terroristas sem realmente o perceber, e muitas vezes a nossa vida não corre tão bem como na ficção. Tudo termina como uma nota de ambiguidade, deixando-nos a nós descobrir se tudo o que realmente aconteceu era um sonho ou uma ficção. Para Yang pouco importa, para ele os personagens envolvidos perderam o equilíbrio e o seu lugar no mundo. 
O ambiente e a estrutura do filme, na forma como estuda a vida na sociedade, é bastante semelhante a um filme de Antonioni. Mostra um país que perdeu o seu equilíbrio espiritual, e está a sofrer de um enorme crescimento económico.Yang usa a movimentada paisagem urbana de Taipei como o terror eminente que confronta os cidadãos. É um olhar moderno sobre a forma como os habitantes da cidade, de todos os sectores da vida, se enganam em acreditar que o seu crescente conforto material tornou a sua vida muito melhor.  
 "The Terrorizer" é talvez a descrição de Yang mais desenvolvida sobre a modernidade urbana. Recebeu um prémio no Festival de Cinema de Locarno de 1986, e foi considerado o "filme mais original do ano" no festival London Film Festival, em 1987. Dos filmes deste ciclo é talvez o mais modernista, e o mais parecido com os filmes de arte europeus, que sem dúvida o influenciaram. Antonioni, por exemplo, é uma influencia óbvia e admitida pelo realizador. 

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domingo, 10 de dezembro de 2017

Poeira no Vento (Liàn Liàn Fengchén) 1986

Ah-Yuan e A-Yun são ambos da pequena cidade mineira de Jio-fen. Durante o dia Ah-Yuan é um estagiário e de noite vai para a escola, enquanto que A-Yun trabalha como ajudante de um alfaiate. Todos acham que eles foram feitos um para o outro, inclusive eles próprios. Contudo, o que não percebem é que não se pode controlar nem o tempo, nem o destino.
Um trabalho um pouco esquecido na filmografia de Hou Hsiao-Hsien, "Dust in the Wind" é o seu terceiro filme na trilogia sobre a adolescência, da qual fazem também parte "Um Verão com o Avô", e "Tempo Para Viver, Tempo Para Morrer", e é baseado nas memórias de infância do argumentista Wu Nien-Jen. É um filme que se apresenta como um tratado de um sociólogo, e uma meditação sombria da sociedade urbana de Taiwan, incluindo críticas severas ao sistema militar do país. 
O filme deixa mensagens visuais profundamente impressionáveis que ficam na nossa cabeça até bastante tempo depois do visionamento. Há imagens cintilantes de um pedaço de poeira, a soprar no túnel do comboio que eventualmente revela uma luz no final do túnel vindo de um comboio de passageiros que se aproxima, um ritual budista em frente a um oceano, e silhuetas de soldados contra um céu escurecido. 
Um solo de guitarra acompanha ocasionalmente o silêncio, infletindo no filme uma sensação de melancolia, ao mesmo tempo que preserva esses preciosos momentos no tempo.  

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quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

História de Taipei (Qing mei zhu ma) 1985

Lung, um ex-membro da famosa equipa de basebal Little League, trabalha agora como operário numa velha fábrica de tecidos. Apesar do tempo que já passou, ele é incapaz de deixar para trás as memórias das glórias do passado. Um dia, ao reencontrar Ah-chin, um antigo parceiro de equipa que agora é taxista, vai acabar por revirar factos do passado ao falarem sobre a actual mulher de Lung, ex-namorada de infância do amigo. 
No seu segundo filme, Edward Yang escolheu o título em inglês "Taipei Story" para fazer eco na famosa obra prima de Ozu, mas os dois filmes não podiam ser mais diferentes. Enquanto Ozu puxa pelo espectador, convidando-o a simpatizar com os seus personagens, Yang mantém a audiência longe emocionalmente. Tsai Chin e Hou Hsiao-Hsien (o famoso realizador, numa das suas poucas aparições como actor) interpretam Lung e Ah-chin com uma tal reserva num cenário tão austero, que parece que Yang está literalmente a sufocar todo o oxigénio do filme. 
Em "Taipei Story" Yang retrata um mundo muito distante da imagem habitual de Taiwan, caracterizada por um crescimento económico ininterrupto, com harmonia e progresso para qualquer sector da população. As décadas do pós-guerra, particularmente a partir da década de setenta em Taiwan, certamente foram de rápida industrialização, mas tudo isto foi acompanhado por um enorme conflito de classes, e crise. 
Yang, um contemporâneo de Hou, fez apenas sete longas-metragens antes da sua morte por cancro. O trabalho dos dois realizadores foi moldado pelos duros anos da ditadura anticomunista em Taiwan, e de um ponto de vista geralmente oposicionista e dissidente. Alguns criticos sugeriram que "Taipei Story" era uma exposição da classe média taiwanesa, mas Yang responde atribuindo tragédias pessoais às próprias mudanças.

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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Tempo Para Viver, Tempo Para Morrer (Tóngnián wangshì) 1985

"Taiwan nos anos 50: a vida de Ah Xiao, uma criança, é uma sequência, aparentemente interminável, de jogar aos berlindes, correr atrás dos colegas, e ouvir os planos da avó que planeia voltar para a China Continental. Depois de um primeiro e traumatizante contacto com a morte, porém, a vida torna-se mais sombria, e o rapaz transforma-se num adolescente violento, apanhado entre sentimentos de dever filial e a necessidade de afirmar o seu valor entre os bandos de rua.
Em muitos aspectos, o filme autobiográfico de Hou Hsiao-Hsien acerca da entrada na idade madura marca um claro avanço sobre a sua obra anterior, "Um Verão com o Avô" (1984). A película abriu caminho para "Beiqing Chengshi" (1989) e a sua estrutura narrativa mais complexa, com o seu uso de análise de uma personagem individual para explorar as dinâmicas da sociedade taiwanesa num determidado momento. Aquilo que dá forma à infância e adolescência de Ah Xiao é uma comunidade insegura acerca da sua identidade e futuro, desde a sua separação do continente comunista, despoletando emoções contraditórias, que podem potencialmente conduzir à delinquência e crime, ou, como no caso de Hou, a uma idade adulta mais realizada. A direcção de "Tempo Para Viver, Tempo Para Morrer" é não-enfática, mesurada, reflectiva, ao estilo de Ozu, tomando mais poderosos os paroxismos de uma emoção excruciante quando eventualmente se lhes é permitido incendiar o grande ecrã. O filme é um trabalho de assinalável maturidade, desenvoltura e clareza". GA   
Entre os vários festivais que participou, conta-se o Festival de Berlim, onde venceu o Forum of New Cinema.

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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Um Verão com o Avô (Dong dong de jiàqi) 1984

Quando dois jovens irmãos, rapaz e rapariga, passam um verão crucial longe de casa, mudam para sempre. Ting-Ting e Tung-Tung são filhos da cidade, mas quando a mãe fica doente, são obrigados a deixar Taipé para trás para passar o verão com os avôs, no interior. À medida que os dias passam, o mais velho, Tung-Tung, começa a perceber o que é ter responsabilidades, e que está a crescer lentamente para se tornar num adulto. 
Uma espécie de sequela para o seu "The Boys from Fengkuei" (1983), o filme que trouxe Hou Hsiao-Hsien para a ribalta, é uma deliciosa captura da inocência infantil, por um rapaz e a sua irmã mais nova, enquanto visitam os avôs nas férias do Verão. É o primeiro filme de Hou sobre a trilogia da "coming-of-age", que mais tarde incluiria mais dois filmes, "A Time to Live, a Time to Die" (1985) e "Dust in the Wind" (1986). Para estes dois jovens que sempre viveram na cidade, esta viagem permite que conheçam as crianças da aldeia, que se banham à luz do Sol, escalam árvores e nadam no rio, actividades que não são habituais nos jovens da cidade.
Ao manter um diário, Tung-Tung revela os seus pensamentos internos sobre as férias do Verão, o drama que desenvolve com os seus familiares, e as preocupações com a sua mãe doente no Hospital. Todos estes acontecimentos passam de vez em quando pelo filme, numa posição reflexiva que nos diz da posição da criança amadurecida as alegrias e os perigos de crescer, embora nem todas as coisas façam sentido para ele. 
"A Summer at Grandpa's" mostra Hou na sua forma mais gentil, mas também sentimos isso nos dois filmes seguintes, onde ele cria uma narrativa maior, com lívidas lembranças e experiências de infância, que proporcionariam um contraponto para os seus filmes seguintes.

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domingo, 3 de dezembro de 2017

The Sandwich Man (Er zi de da wan ou) 1983

As primeiras evidências de que a nova vaga de Taiwan compreendia um movimento coerente chegou com duas antologias sobre a sociedade taiwanesa contemporânea. "In Our Time (1982), que já vimos neste ciclo, apresentava quatro curtas metragens por quatro realizadores diferentes, que mais tarde se distinguirão, incluindo Edward Yang. No ano seguinte, chegava-nos outra antologia, chamada "The Sandwich Man", que vai muito mais além na forma como aborda a vida taiwanesa, e constitui um avanço na utilização de técnicas cinematográficas inovadoras para explorar problemas contemporâneos. 
Baseado em histórias de Chun-ming Huang, "The Sandwich Man" uma antologia em três partes que revela a influência do movimento da literatura rural cada vez mais influente de Taiwan, procurando preservar histórias do passado agrário do país, e traçando o modo como a urbanização tem impacto sobre a sociedade taiwanesa. Hou Hsiao-Hsien, e outros realizadores da nova vaga de Taiwan estão profundamente  atraídos por histórias e ambientes rurais, que eles usam para capturar a singularidade e a especificidade da experiência de Taiwan, bem com o os aspectos das suas próprias histórias de vida.
Nesta antologia, as três histórias exploram a sociedade taiwanesa dos anos 60 para retratar alegoricamente o desenvolvimento económico da ilha, e os custos humanos que o desenvolvimento da ilha implica. Os filmes combinam realismo critico com as técnicas estéticas modernas, tentando usar o cinema para explorar os problemas actuais, e desenvolvendo um novo estilo cinematográfico para fazê-lo. 
Legendas em inglês. 

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sábado, 2 de dezembro de 2017

Os Rapazes de Fengkuei (Feng Gui Lai de Ren) 1983

Ah-Ching e os seus amigos acabaram de terminar a escola no sitio onde vivem, uma ilha de pescadores, e passam a maior parte do tempo a beber e a brigar. Decidem partir para a cidade grande em busca de trabalho, mudam-se para um apartamento e todos têm que encarar as dificuldades de se viver numa realidade diferente da que cresceram. 
Para introduzir-mos Hou Hsiao-Hsien neste ciclo, nada melhor do que o filme que o introduziu como "auteur". "The Boys from Fengkuei", também conhecido em várias partes do mundo como "All the Youthful Days", é um filme notável, um raro clássico que também era uma declaração de intenção artística por um cineasta que até então só fazia filmes de género, de estúdio. Sendo a fonte principal desta Nova Vaga do cinema tailandês, Hou chama a atenção por um estilo e estética que estão associados ao realismo natural, com shots longos e amplos, uso de filmagens em exteriores e a utilização de actores não profissionais, além de algumas referencias a Ozu para interpretar o modo de vida em Taiwan. 
Há uma vibração juvenil que atravessa o filme, uma sensação de despreocupação que no entanto está afectada pela realidade de Taiwan, que se moderniza gradualmente. A realidade de que a vida está cheia de incertezas, e de que é preciso trabalhar para sobreviver, tanto no sentido físico como psicológico, que é tratado com bastante positividade por Hou, que nos envolve com histórias humanas que não são diferentes de grandes obras neorelistas de obras de realizadores como Roberto Rosellini ou Vittorio de Sica. 
A acção desenrola-se entre dois cenários, a aldeia portuária de Fengkuei, de onde os jovens são originários, e a urbanização de Kaohsiung, para onde eles vão viver. É uma experiência nova para eles, e através dos seus olhos testemunhamos não só a beleza (e feiura) de viver na Taiwan dos anos oitenta, mas também nos trás a evocação de tempos que nunca mais voltarão atrás. 

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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

In Our Time (Guang yin de gu shi) 1982

Um conjunto de quatro curtas-metragens de quatro realizadores taiwaneses (Tao Te-chen, Edward Yang, Ko I-Chen e Yi Chang), que anunciam o início da chamada "new wave" de Taiwan, e também nos introduz ao cinema de Edward Yang, através do segundo segmento. Colocadas juntas, cada uma destas curtas representa uma década dos anos 50 aos anos 80, e naturalmente nos apresenta uma visão instantânea da vida deste povo ao longo destes quarenta anos. 
Na primeira história temos o universo inocente das crianças, o jovem incompreendido pelos pais, vagueando de canto em canto, sempre acompanhado do seu dinosauro de plástico. A segunda é sobre uma jovem a passar pela idade da puberdade, a olhar curiosa para o peito nú do seu novo inquilino. A terceira história segue pelo caminho da comédia, com a história de um rapaz que não é levado a sério pelos amigos. A quarta história é a mais livre, e conta-nos a história de um homem recém casado que fica fechado do lado de fora do apartamento, com apenas uma toalha a cobrir o corpo, mas tem de enfrentar o cão do vizinho, e um mundo de estranhos das ruas movimentadas de Taipé.
 Os quatro realizadores eram todos estreantes e tinham estudado em escolas de cinema no exterior, onde adquiriram novas ideias e formas de fazer cinema, bem diferentes daquelas dos seus anciões taiwaneses. Cada história passada numa década diferente, avança cronologicamente, com as idades dos seus protagonistas a a evoluir também (passamos de um jovem de 8 anos, para uma adolescente, depois para um universitário, e por último um homem casado de fresco). As histórias são todas curtas, e a caracterização dos personagens principais é muito bem conseguida, todos eles não-actores a quem foi pedido que fossem eles próprios e não encarnassem outra pessoa.
Além disso, é impossível de ignorar o contexto social. Junto com os problemas habituais de crescer, há também a pobreza e a alienação. De repente os filmes em Taiwan tornaram-se arte e comentário social, e não apenas entretenimento. Essas são as grandes vantagens deste filme, o triunfo da juventude sobre a experiência.

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terça-feira, 28 de novembro de 2017

Flowers of Taipei: Taiwan New Cinema (Flowers of Taipei: Taiwan New Cinema) 2014

Para aqueles que não sabem muito sobre o tema deste ciclo, "Flowers of Taipei: Taiwan New Cinema" é um excelente guia para explicar porque a década de oitenta foi tão importante. Durante grande parte da década Taiwan ainda estava sob lei marcial, e politicamente a ilha estava isolada. E foi nestas circunstâncias que os cineastas exploraram a identidade tailandesa. 
Primeira obra de Hsieh Chin-lin, que cresceu a ver filmes de realizadores como Hou Hsiao-hsien ou Edward Yang, este documentário apresenta um olhar nostálgico sobre a razão porque estes realizadores foram tão importantes ao redor do mundo. Ao contrário do cinema de Hong Kong da altura, que era esmagadoramente comercial,  os filmes taiwaneses costumavam ser lentos, orientados por personagens e cuidadosamente enquadrados. Os assuntos retratados nos filmes deram aos espectadores uma visão dos problemas porque os taiwaneses estavam a passar, particularmente depois da ocupação japonesa. 
Este documentário inclui entrevistas com realizadores como Olivier Assayas, Kiyoshi Kurosawa, Jia Zhangke ou Tian Zhuangzhuang, que contam como estes filmes afectaram os seus próprios estilos e a sua percepção de Taiwan. Também apresenta alguns shots longos de passeios em comboios, caminhadas em parques, e composições que tentam ser uma homenagem ao Novo Cinema de Taiwan.
Vamos começar pelo documentário, e depois partiremos para uma viagem pelos filmes.
Legendas em inglês.

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domingo, 26 de novembro de 2017

O Novo Cinema de Taiwan

Desde o início da década de oitenta até ao presente, realizadores de Taiwan produziram uma excelente série de filmes explorando as tensões e os problemas sociais de uma forma bastante atraente, e de um forma bastante original, muitas vezes combinando o realismo social com a inovação modernista. Dentro deste movimento saíram alguns realizadores de classe mundial, como os casos de Hou Hsiao-Hsien, Edward Yang, e Ang Lee, e a série de filmes que fizeram hoje em dia merece a atenção mundial. Mas este movimento merece a atenção antes dos anos oitenta, o cinema taiwanês sofreu uma forte repressão, e antes era constituído como um cinema altamente propagandista, e/ou comercial, com muito poucos filmes ou realizadores de destaque.
Este cinema de Taiwan é "novo" porque traz consigo uma rebelião contra o anterior cinema de género, e tenta produzir um grupo de filmes socialmente críticos e esteticamente inovador, apropriado para explorar a sociedade contemporânea de Taiwan.
Neste ciclo veremos como o cinema de Taiwan é um conjunto de momentos da história, sociedade e identidade taiwanesa, que exploram os conflictos entre tradição e modernidade e que lidam com as preocupações do momento presente - uma conjuntura cheia de problemas e perigos, mas também algumas possibilidades.
Por agora não vou falar dos filmes, iremos conhecê-los um a um nas próximas 3 semanas, mas este ciclo assenta sobretudo nos primeiros filmes de dois realizadores, Hou Hsiao-Hsien e Edward Yang. Serão 13 filmes e um documentário, mas para vos abrir o apetite, aqui fica uma série de livros sobre o cinema de Taiwan, onde poderão tirar algumas notas:





Por hoje é tudo. Iremos começar o ciclo com o documentário "Flowers of Taipei - Taiwan New Cinema", e depois veremos os filmes. A maioria terá legendas em português, em alguns casos foi mesmo impossível de conseguir. Espero que apreciem este ciclo. Até breve.


A Loja dos Horrores (The Little Shop of Horrors) 1960

A história é contada pelo detective sargento Joe Fink (Wally Campo), que conta um caso policial envolvendo uma pequena floricultura localizada no bairro pobre de “Skid Row”, onde trabalham o proprietário Gravis Mushnik (Mel Welles), a sua jovem filha Audrey Fulquard (Jackie Joseph) e o empregado nerd Seymour Krelboin (Jonathan Haze). O sonho de Seymour é ser um botânico bem sucedido e casar-se com Audrey, mas é tão incompetente que para continuar no emprego teve que mostrar uma planta carnívora que criou em casa, na tentativa de atrair as pessoas para a loja ao expor o vegetal exótico e melhorar as vendas de flores em geral. Entre os estranhos clientes da floricultura estão um comedor inveterado de flores, Burson Fouch (Dick Miller), e uma mulher fanática por funerais, Sra. Siddie Shiva (Leola Wendorff), tia do detetive Frank Stoolie (Jack Warford), parceiro de Fink, e cujos parentes morrem a todo o momento, justificando a sua obstinação por flores para os enterros.
Uma divertida comédia de humor negro. Muito curta (com apenas 72 minutos), sem grandes efeitos especiais, e uma série de piadas muito subtis, principalmente as envolvendo a criatura carnívora ("feed me!) são absolutamente hilariantes, transformando esta obra numa espécie de filme de culto dos anos 60, e também da contra cultura cinematográfica americana. Vinte seis anos mais tarde foi alvo de uma remake da autoria de Frank Oz, bastante razoável até, e com Rick Moranis no principal papel. Jack Nicholson tem aqui uma das suas primeiras aparições no cinema, embora num papel secundário.
Tal como foi dito anteriormente, este filme foi gravado ao mesmo tempo que "A Bucket of Blood", com um orçamento de apenas 50 mil dólares para os dois filmes em conjunto, gerando quase um milhão e meio de dólares, e sendo hoje considerado um dos melhores filmes do realizador.
Legendas em espanhol.


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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

A Mulher Vespa (The Wasp Woman) 1959

A acenar ao sucesso comercial do ano anterior, "The Fly", de um grande estúdio, Corman realizou e produziu mais um filme de baixo orçamento, desta vez dedicado ao sub-género do insecto mutante. A história começa com as estranhas actividades do cientista Dr. Eric Zinthrop, despedido da Honey Fresh Bee Farm por conduzir experiências pessoais com vespas, na propriedade da empresa. Ele aproxima-se de Janice Starlin da Starlin Enterprises, uma das maiores empresas de cosméticos, por causa das suas recentes descobertas cientificas sobre as propriedades rejuvenescedoras das enzimas das vespas, para desenvolver novos produtos. A Starlin está a sofrer um declínio nas vendas, que os membros da administração culpam ao envelhecimento de Janice, já na casa dos 40 anos. Janice fica ansiosa que o Dr. Zinthrop teste nela um soro juvenil para a juventude, mas as coisas podem não correr bem...
Filmado em apenas duas semanas com um orçamento de 50 mil dólares, "The Wasp Woman" reflecte as tácticas de cortes de custos e a estética de baixo orçamento que o realizador vinha seguindo. Com um período de filmagens tão reduzido, raramente ele fazia mais do que um take para cada cena, a não ser que houvesse algum erro drástico ou algum mau funcionamento. E claro que isso depois acaba por se reflectir na montagem final do filme, com o enquadramento das personagens nem sempre a estar bem alinhado. 
No entanto, apesar do baixo orçamento, os efeitos especiais foram bastante aplaudidos por críticos contemporâneos pela sua mulher moderna, cujas desventuras muitas vezes reflectem problema ou preocupações feministas. 
O filme é muito raro, não tem legendas em qualquer língua.

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quinta-feira, 23 de novembro de 2017

O Balde de Sangue (A Bucket of Blood) 1959

Walter Paisley (Dick Miller) é um empregado num café boémio, que vive com ciúmes do talento (e popularidade) dos seus vários regulares artistas. Mas, depois de matar acidentalmente um gato, e cobrir o seu corpo com gesso para esconder as evidências, é aclamado como um escultor brilhante, mas os seus novos amigos querem ver mais do seu trabalho... Sem qualquer talento artístico, Walter deve recorrer a métodos semelhantes para produzir novos trabalhos, e entretanto, várias pessoas começam a desaparecer misteriosamente...
Roger Corman insistiu que esta era a primeira comédia negra em muitos anos, mas decerto que eles não estava a contar com "Monsieur Verdoux" de Chaplin, ou "The Trouble with Harry" de Hitchcock. De qualquer forma, "A Bucket of Blood" tem uma vibração muito própria, passada nos cafés "beatnick" da moda, com o saxofone "free jazz", e poesia "groovy". Foi talvez o primeiro filme de Corman a desenvolver uma atmosfera realmente rica, que só se tornou mais rica nos filmes subsequentes de Poe. E o mais notável ainda é que ele realizou o filme em apenas cinco dias (record pessoal na altura), e não esquecer que ele fez este filme e "The Little Shop of Horrors" (1960) ao mesmo tempo, com apenas 50 mil dólares.
Dick Miller quase em estreia, tornou-se conhecido por interpretar uma série de filmes de série b, e não só, em papéis secundários, mas nunca mais na sua carreira estaria tão bem como aqui. Este filme marcaria-o tanto que continuaria a interpretar personagens com o mesmo nome numa série de filmes, um dos quais "The Howling" de Joe Dante.

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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Teenage Caveman (Teenage Caveman) 1958

Robert Vaughn é um jovem teenager das cavernas, com cabelo estiloso, que procura descobrir o que existe nas selvas inexploradas para além do acampamento da sua tribo. Dizem-lhe que é proibido lá ir, mas ele quebra as regras, e descobre um monstro que mata com o seu toque.
Facilmente nos divertimos com o filme, também por causa do óbvio baixo orçamento, e da descontração do argumento, mas considerá-lo como um épico das cavernas é muito ambicioso, de facto. Na verdade, o filme pretende fazer uma ligeira crítica às leis da natureza e a tradição, e não podemos deixar de admirar a intenção sobre isto. Se o argumento não fosse tão detalhado neste aspecto, talvez tivesse funcionado melhor.
"Teenage Caveman" conta com uma futura estrela de Hollywood em ascenção, Robert Vaughn, aqui a interpretar um jovem primitivo intelectual que resolve desafiar as restrições da sua pequena comunidade de homens das cavernas. Vaughn que estava tão em ascenção que apenas dois anos mais tarde seria nomeado para o Óscar de Melhor Actor Secundário em "The Young Philadelphians", que vimos aqui ainda recentemente no ciclo de Paul Newman. Um destaque também para o actor Beach Dickerson, que interpreta vários papéis.
Foram usadas imagens de vários filmes, tais como: "The Day the World Ended", "The She-Creature", e alguns fatos de "Night of the Blood Beast". A inspiração de Corman foi claramente "One Million B.C.", um êxito do ficção científica dos anos 50.

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domingo, 19 de novembro de 2017

The Saga of the Viking Women and Their Voyage to the Waters of the Great Sea Serpent (The Saga of the Viking Women and Their Voyage to the Waters of the Great Sea Serpent) 1957

Um grupo de mulheres vikings de Stanjold decide partir em busca dos seus homens que não regressaram depois de uma expedição de caça. Constroem um navio viking e partem para o mar. Ao longo do caminho as tensões crescem entre Desir, a líder feminina, e Enger, a religiosa e rival de Desir. As mulheres entram dentro de uma grande tempestade onde encontram o Monstro do Vórtice, uma grande serpente marinha. Entretanto um raio atinge o mastro e destroi o navio.
Filmado em 10 dias com o o título de "Viking Women", um título curto e atraente como era habitual na AIP, mas na verdade, segundo o próprio realizador, não havia título que conseguisse sumarizar o complicado argumento deste filme, acabando por ir parar a "Viking Women and Their Voyage to the Waters of the Great Sea Serpent", idéia do próprio Corman. 
Houve muitos problemas durante a pré-produção e rodagem. A primeira protagonista feminina foi despedida depois de se descobrir que era mais alta do que o protagonista masculino. Foi substituída por Kipp Hamilton que também foi despedida quando pediu mais dinheiro. Finalmente o papel de protagonista foi parar a Abby Dalton, que já estava no elenco, subindo assim todo o elenco feminino para um ponto acima. 
Os efeitos especiais também foram um problema, quando Corman percebeu que não tinha orçamento para executar o filme segundo a visão de Irving Block, o escritor original, por isso foi preciso arranjar alternativas para ocultar as limitações dos efeitos especiais, tais como utilizar uma iluminação discreta.
É um filme muito raro, e não tem legendas. Apesar disso não quís deixa-lo fora deste ciclo.

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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

The Undead (The Undead) 1957

Um hipnotizador (Val Dufour) de ética questionável envia uma jovem prostituta (Pamela Duncan) para trás no tempo, onde ela reencarna numa mulher que foi erradamente condenada a morrer como uma bruxa, mas logo descobre que pode estar a alterar o rumo da história, e como consequência, a sua própria existência.
Um filme com um orçamento ultra-reduzido, supostamente filmado em menos de uma semana, e que goza de uma reputação muito duvidável, completamente imerecida, em parte por ter sido incluído na famosa série "Mystery Science Theatre 3000", destinada a filmes muito maus. Mas, na verdade, é um óptimo exemplo do que se pode fazer com argumentos muito reduzidos, principalmente quando se tem uma equipa de produção muito boa, e um argumento ambicioso e imaginativo, como este de Charles B. Griffith e Mark Hanna.
Parte do divertimento de "The Undead" é a sua imprevisilidade. O filme anda para trás e para a frente no tempo, entre a idade média e a sessão de hipnose, com vários eventos a acontecerem ao longo do caminho que poderão mudar o rumo da história. Quando as coisas começam a ficar fora de mão, a vida de Diana pode estar em risco. O argumento pode parecer um pouco confuso, mas a história flui de uma forma bastante suave. 
O orçamento de 75 mil dólares não dava para muito, por isso grande parte dos cenários foram construídos dentro de um supermercado fechado. Foi usada uma máquina de fazer nevoeiro, e nunca são vistas mais de uma dúzia de pessoas no ecrã ao mesmo tempo, o que não dava grandes hipóteses para fazer recriar um ambiente medieval. Também foram reutilizados os morcegos que já tínhamos visto em "It Conquered the World" (1956). Gostar deste filme convém perceber estes pequenos pormenores orçamentais, que acabam por valorizar mais o resultado final. 

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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

O Ataque dos Caranguejos Gigantes (Attack of the Crab Monsters) 1957

Um grupo de cientistas viaja para uma ilha isolada para estudar os testes do uso de armas nucleares. Na chegada, o avião explode e os cientistas ficam presos no local. Depressa descobrem que a ilha é habitada por caranguejos gigantes. Além dos monstros inteligentes os seus problemas só aumentam quando percebem que a ilha está a afundar-se lentamente. 
Roger Corman tinha apenas 31 anos em 1957, o ano mais prolífico da sua carreira, ao realizar um total de nove filmes. Foram explorados neste ano vários sub-géneros da exploitation, como o terror ("The Undead"), o Rock N´Roll ("Carnival Rock and Rock All Night"), o drama Havaiano ("Naked Paradise"), a "bad girl" adolescente ("Sorority Girl" e "Teenage Doll") e um filme inclassificável chamado "The Saga of the Viking Women and Their Voyage to the Waters of the Great Sea Serpent". Os filmes mais importantes de Corman neste ano foram o filme que vimos anteriormente, "Not of this Earth", e este "Attack of the Crab Monsters". 
"Attack of the Crab Monsters" também foi escrito por Charles B. Griffith, e estava carregado de boas ideias. Provavelmente tinha ideias para cinco filmes. O cenários é incerto, com a ilha constantemente a desmoronar-se, criando uma sensação de isolamento e medo, bem ajudada por uma partitura musical de Ronald Stein, e uns visuais bizarros e inquietantes, com alguns toques de "gore", como uma mão a ser decepada, mas nada prepara o espectador para o que está por vir. 
Custou apenas 70 mil dólares a ser produzido mas rendeu mais de um milhão nas bilheteiras, tornando-se no filme de Corman mais rentável desta fase da sua carreira. Há quem diga que parte do sucesso se deveu à selvajaria do título: "Attack of the Crab Monsters".

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terça-feira, 14 de novembro de 2017

Not of This Earth (Not of This Earth) 1957

Um agente extraterrestre chega à Terra do distante planeta Davana, através de um transportador de matéria bastante evoluído. Começa então a aterrorizar o sul da Califórnia, numa tentativa de adquirir sangue para a sua raça moribunda, com o resultado a ser uma devastante guerra nuclear.
"Not of this Earth" embora não seja considerado dos melhores filmes de Roger Corman, é, sem dúvida um dos melhores dos anos cinquenta do realizador, e também um dos melhores de ficção científica para este início de carreira, e o motivo talvez seja porque o filme percorreu vários géneros sem nunca descarrilar. Mais importante, é um "shocker" de baixo orçamento que resulta bastante bem, graças, principalmente, aos argumentistas, onde estava incluído Charles B. Griffith, que já começava a ser uma habitual colaboração de Corman, e ao fantástico elenco, apesar do actor principal, Paul Birch, não se dar bem com o realizador. Talvez isso até tenha sido um factor decisivo para melhorar o seu desempenho, já que o seu desempenho é bastante hostil, e a sua personagem um dos aliens mais assustadores dos anos cinquenta.
Paul Johnson (Birch), sempre no seu fato preto, que o faz parecer o empresário mais sinistro do mundo, e com um discurso que também não aquece nada. Talvez Birch não tenha gostado da personagem, mas não conseguimos imaginar outro actor a ficar com o papel. 
Com apenas 67 minutos de duração, diz-se que foi umas das principais inspirações para "They Live" (1988), de John Carpenter. 

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terça-feira, 7 de novembro de 2017

It Conquered the Earth (It Conquered the Earth) 1956

Um dos vários membros restantes de uma raça de extraterrestres, habitantes de Vénus, é guiado para a Terra por Tom Anderson, um cientista descontente, que lhe diz em que humanos ele deve meter dispositivos de controle mental. Entre eles está o seu antigo amigo e companheiro Paul Nelson. Nelson finalmente persuade o paranóico Anderson que errou ao se aliar a um alienígena determinado a dominar o mundo.
Este filme de série B de Roger Corman é talvez mais conhecido pelo extraterrestre ridículo com aparecia de vegetal criado por Paul Blaisdell, que já tinha criado o mutante do filme anterior de Corman, mas na realidade até é uma entrada bastante decente no sub-género dos filmes de histeria comunista do meio do século, como "Invaders from Mars" (1953), ou "Invasion of the Body Snatchers" (1956).  Lee Van Cleef é estranhamente eficaz (e bem fundamentado) no papel central, de cientista tão desiludido com a humanidade que recorre a um ser extraterrestre para "salvar o mundo de si próprio".  Destaque também para o outro protagonista, Peter Graves, ainda bem longe do seu papel na série "Missão Impossível", e Beverly Garland, bem convincente no papel da esposa de Van Cleef.
O argumento de Charles B. Griffith faz maravilhas com cenários que de outra forma seriam risíveis (como morcegos de borracha a atacarem pescoços de pessoas para lhes removerem todas as emoções), além de outras cenas notáveis. A grande força do filme vem de facto do argumento, com uma profundidade que não é muito habitual encontrar em filmes de baixo orçamento deste período, com discussões filosóficas sobre o poder das emoções humanas. Aliás, o argumento tem a sofisticação de outros filme de Corman deste período, como veremos em breve.

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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O Dia do Fim do Mundo (Day the World Ended) 1955

Depois de uma guerra nuclear, um grupo improvável de pessoas, incluindo um rancheiro, um geólogo, um criminoso e a sua namorada encontram-se presos no meio do nada enquanto lutam contra um mutante criado por Paul Blaisdell. O geólogo e o criminoso também vão lutar pela atenção da filha do rancheiro.
Lançado nos anos cinquenta, em plena era atómica, "Day The World Ended" conta a história do que aconteceu quando o homem finalmente se destrói num holocausto nuclear. Apenas sete pessoas sobrevivem à explosão, e o destino da humanidade está nas mãos deste pequeno grupo, que luta pelo seu destino neste novo mundo mutante.
"Day The World Ended" foi o terceiro filme de Corman como realizador, e o primeiro no domínio da ficção científica. Corman tornou-se num herói de culto, o messias do cinema de baixo orçamento, mas sem dúvida que a sua maior contribuição foi como produtor. 
Uma casa no sopé das montanhas de Hollywood serve de refúgio para este grupo, assim como uma grande lagoa em Sportsman's Lodge. O resto do filme é filmado nas Bronson Caverns em Griffith Park. O filme faz um óptimo trabalho ao mostrar as pressões enfrentadas pelos sobreviventes, principalmente o cientista e o seu irmão radioactivo. A capacidade dos dois em fazer a situação parecer real, ajuda o monstro a parecer menos falso. Enquanto Corman é conhecido por trabalhar rápido e barato, os seus actores não parecem apressados na tela. O gangster é interpretado por Mike "Touch" Connors, antes de se tornar no herói da série "Mannix". 

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