domingo, 20 de agosto de 2017

Martin (Martin) 1976

George A. Romero faz dos filmes de vampiros o que ele já tinha feito dos zombies - um tratamento intenso e realista, que segue as aventuras de Martin, que afirma ter 84 anos, e que certamente bebe sangue humano. O rapaz chega a Pittsburg para ficar com o tio, que promete salvar a alma de Martin e destruí-lo, mas a solidão de Martin irá encontrar outros meios de sobrevivência.
Pode parecer irónico, mas ao mesmo tempo típico do grande cinema independente, que um dos mais inteligentes e revisionistas filmes de vampiros modernos pode não ser um filme de vampiros, de todo. É uma pergunta que tem pairado sobre "Martin" desde o seu lançamento, e é fundamental para a narrativa - será Martin Madahas um vampiro de 84 anos de idade, ou uma criança confusa com tendências psicóticas? De qualquer modo, Martin é genuinamente um grande filme de vampiros, que reconheçe e compreende as convenções genéricas e ainda as transforma. Mesmo que tenhamos apenas um relacionamento parcial com o terror, estamos cientes do trabalho do realizador George A Romero. Feito pouco antes de um dos seus sucessos mais influentes, " Dawn of the Dead", "Martin" foi durante algum tempo o mais falado, mas menos visto, filme de Romero, a condição perfeita para o nascimento de um culto, e aquele cujo crescimento tem acompanhado um enorme número de seguidores, além de uma apreciação crítica do horror como um veículo para o comentário social. 
Muito mais do que um dos filmes dos tempos de mudança, Martin foi o primeiro filme de vampiros a agitar completamente as origens do folclore do género e das sombras da novela que efectivamente moldaram os primeiros 50 anos de cinema vampiresco. Reconheceu a natureza inconstante, tanto do público de terror como os medos da sociedade em que vivem, um pós-Charles Manson, pós-Ed Gein em que as pessoas podiam ser mortas sem nenhum motivo, por alguém que morava na mesma rua. Isso é algo reconhecido até mesmo no título do filme. Como Drácula, o mais famoso conto de vampiros de todos, o nome do vampiro é o nome do filme, mas enquanto "Drácula" invoca um sentido de exotismo, o misterioso, o estrangeiro (apropriado para uma época em que as viagens internacionais para a província era para as classes superiores, e quando tudo o que era estrangeiro era considerado tanto com admiração, como suspeita), Martin era deliberadamente um nome comum, um nome como todos os outros, sem quaisquer conotações específicas. 
O desenvolvimento do género de vampiros viu o vampiro deslocar-se constantemente no local e na classe, movendo-se para mais perto da casa das pessoas e descendo na hierarquia social, como o passar dos anos. No Drácula da Universal o vampiro era, como no romance de Bram Stoker, um nobre de terras distantes, uma figura de riqueza e poder sobrenatural com três mulheres à sua disposição. Até ao momento em que a Hammer entregou o seu espírito. Na adaptação de 1958, o vampiro era um conde apenas de nome, vivendo mais como um senhor. Mas Martin trouxe o vampiro para a nossa porta e despojado de nobreza, um rapaz comum que mora num quarto vago na casa do seu primo. Ele não tem noiva, nem namorada, e ao contrário do vampiro sexualmente potente dos filmes do passado, ele realmente tem medo das mulheres e do sexo. Martin é o lado menino, um rapaz solitário e taciturno, o tipo de solitário que a CIA provavelmente prenderia como sendo um potencial terrorista. Ele é, naturalmente, um produto da sua família e do meio ambiente - toda a vida lhe foi dito que ele é mau, e agora acredita e age em conformidade, uma profecia auto-realizável se quisermos...

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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Guerra Ao Vírus Da Loucura (The Crazies) 1973

Um avião cai próximo a Evan´s City, uma pequena cidade do Estado americano da Pennsylvania. Transportava uma carga perigosa, um tipo de arma bacteriológica, de um projeto secreto chamado Trixie. O vírus contagioso de uma vacina experimental criada em laboratório atinge a reserva de água local e chega até aos habitantes da cidade, que foram contaminados e passaram a demonstrar sinais de loucura, com comportamentos violentos. O exército interfere, invadindo a cidade para tentar conter a epidemia, instaurando um estado de quarentena. No meio da imensa confusão e caos que se abateu sobre a cidade dominada pelo exército, um grupo de habitantes tenta entender a situação e escapar ileso.
George A. Romero era um nome "semi-hot" na altura do lançamento deste filme. Se "There’s Always Vanilla" e "Season of the Witch" não tinham causado muito boa impressão, "Night of the Living Dead" tinha-se tornado num êxito das sessões da meia-noite. Depois de um distribuidor lhe ter perguntado se ele tinha mais alguma boa idéia, apareceu um argumento chamado "The Mad People", a partir do qual, depois de algumas alterações, surgiu este "The Crazies". Embora semelhante ao seu primeiro filme, Romero provou que mesmo a partir de um orçamento limitado se podiam fazer bons filmes. 
Olhando de forma directa, "The Crazies" não é mais do que um filme sobre pessoas que ficam loucas. Mas, feito à sombra dos escândalos de Watergate e do Vietname, tem abundância em alegoria: a invasão de uma força militar, o encobrimento e a duplicidade do governo,  a loucura, e o eventual genocídio. Tal como em "Night of the Living Dead", "The Crazies" não oferece nenhuma esperança, conforto, e, com toda a certeza, nenhum final feliz. 

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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Season of the Witch (Hungry Wives) 1972

Joan Mitchell é uma dona de casa infeliz que vive nos subúrbios, que tem um marido empresário pouco comunicativo, e uma filha distante prestes a saír de casa. Pouco satisfeita com a vida que leva procura consolo na feitiçaria depois de visitar Marion Hamilton, uma leitora de tarot e líder de uma seita de artes obscuras chamadas que inspira Joan a seguir o seu caminho. Depois de se divertir um pouco com a feitiçaria, e de acreditar ter-se tornado numa bruxa a sério, mergulha num mundo de fantasia para aprofundar o seu novo estilo de vida, até que a linha entre a fantasia e a realidade se torna muito ténue, correndo o risco de acabar em tragédia.
Por vezes não é bom atingir o sucesso logo no primeiro filme, algo que George A. Romero aprendeu da forma mais dura, depois do enorme fracasso que foi "There’s Always Vanilla" (1971). Depois deste filme ter-se tornado um flop nas bilheteiras Romero voltou ao género de terror com "Season of the Witch", filmado com o título de "Jack’s Wife" mas lançado pelo distribuidor Jack Harris com o nome de "Hungry Wives". Tal como "Night of the Living Dead", "Season of the Witch" era uma parábola de horror que atingiu tumultuosamente a contra cultura da época. Para Romero o filme era apenas um thriller feminista onde o sobrenatural aparecia como uma metáfora da situação em que as mulheres se encontravam actualmente, com as promessas das segunda vaga de feminismo a dissolverem-se lentamente no narcisismo e nas emoções superficiais dos anos setenta. 
A chave do filme, é que Romero nunca deixa completamente claro se a entrada de Joan na feitiçaria tem efeitos sobrenaturais genuínos ou se tudo está na sua cabeça (um tema que seria de novo explorado em "Martin").  Mas o filme é profundamente intrigante, e ajudou a cimentar a tendência de Romero a misturar a ideologia com o horror, o que dá aos seus filmes uma enorme profundidade. 
O baixo orçamento do filme prejudica muito o resultado final, mas é interessante para os mais curiosos adeptos de Romero.

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terça-feira, 15 de agosto de 2017

There's Always Vanilla (There's Always Vanilla) 1971

Chris Bradley é um jovem que regressa à sua cidade natal de Pittsburgh depois de vários anos a viajar e trabalhar em empregos temporários depois de sair do Exército dos EUA. Rejeitando voltar a morar com o pai e não querendo voltar para o negócio da família da fabricação de comida para bébés, Chris conhece e envolve-se com Lynn, uma mulher mais velha que trabalha como modelo em comerciais na TV Local, e que o suporta financeira e emocionalmente, o que acaba por prejudicar a relação dos dois, principalmente quando ela descobre que está grávida e sente que Chris não seria um pai ou marido muito respeitável.
Depois do sucesso monumental de "Night of the Living Dead", seria de esperar que Romero voltasse ao cinema de terror, mas neste caso o terror foi involuntário, de tão mau que era o seu segundo filme. Não querendo ficar para sempre rotulado ao cinema de horror, Romero tentou a sua sorte a dirigir uma comédia romântica, o que acabou por se tornar um gigante erro. O problema deste filme é que parecia estar incompleto. Era como se Romero não tivesse fundos suficientes para terminar o argumento, e fosse obrigado a gravar rápidas sequências de narração para depois colá-las na montagem. 
Dizem que Romero não queria ter nada a ver com este filme depois de completo, e recusou-se a falar sobre ele até ao fim dos seus dias, e percebe-se porquê. Era considerado o "filme Perdido" de Romero, e esteve inacessível durante muitos anos. Rezam as crónicas que Romero embarcou neste projecto depois do seu amigo Rudolph Ricci ter abandonado o filme a meio. Ricci tinha ajudado Romero na criação do universo de "Night of the Living Dead", tendo ficado com um pequeno papel de zombie, e mais tarde faria o papel de líder dos motociclistas em "Dawn of the Dead", grupo do qual também fazia parte Tom Savini. 
Filme bastante raro. Não tem legendas.

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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

A Noite dos Mortos-Vivos (Night of the Living Dead) 1968

Uma alucinante estreia para o realizador e argumentista George A. Romero, aquele que seria para sempre conhecido como o pai de todos os filmes de zombies, "Night of the Living Dead" teve muita coisa contra ele na altura da sua estreia. Foi uma produção com um orçamento muito baixo (aproximadamente apenas $100,000) apresentando um conceito simplista, muito sangue e gore numa altura em que essas coisas não eram mostradas na tela, e a utilização de um elenco não profissional, que variava do mau ao muito mau. No entanto, Duane Jones, o improvável afro-americano protagonista do filme, consegue uma interpretação muito aceitável, tornando-se o catalisador de todos os eventos principais do filme.
Um alto conceito de enredo, como era o caso, envolvia o regresso à vida dos recém mortos, com apenas uma coisa em mente: a destruição e o consumo dos ainda vivos. A história começa na Pensilvânia rural, com o irmão Johnny (Streiner) e a irmã Barbara (O'Dea) a fazerem a visita anual ao túmulo dos pais, para serem atacados por um estranho homem que derruba Johnny e começa a perseguir Barbara. Durante a fuga Barbara consegue refugiar-se numa pequena quinta que parece desabitada, para descobrir que esta já está ocupada por um grupo de pessoas que se esconde pelas mesmas razões do que ela. A tensão é alta, à medida que estes homens e mulheres começam a disputar o caminho certo para a sobrevivência e a possível fuga, e o número de mortos-vivos começa a multiplicar-se assustadoramente lá fora. 
A maior parte do filme joga, tal como "The Birds" de Alfred Hitchcock realizado 5 anos antes, com entre grupo de mortos vivos a tentar entrar em portas e janelas, para matar e mutilar qualquer coisa que se mexa, sem razão aparente. Muitas análises políticas foram feitas, por causa da raça do protagonista Jones, já que era uma raridade para um afro-americano ser o herói de um filme com um elenco predominantemente branco, mas Romero simplesmente afirmou que o actor era a melhor pessoa disponível para o papel, nada mais. "Night of the Living Dead" causou um grande nervosismo nas audiências do final da década de sessenta, pela afirmação de que por vezes nada pode ser feito contra o mal, e isto numa altura em que líderes mundiais estavam a ser assassinados, e estava a acontecer a guerra do Vietname, deixavam a praça pública ainda mais abalada.
Segundo os padrões de hoje, o gore do filme está muito suavizado, mas para aquela época nunca tinha sido visto algo assim, como órgãos do corpo humano a serem consumidos canibalisticamente. Como Hitch tinha feito com "Psycho", a filmagem do sangue e das vísceras eram a preto e branco, por isso não era tão intensamente gráfico como poderia ser. Mas acabou por empurrar os limites para valores nunca antes vistos, gerando uma enorme controvérsia. 
Muitos consideram "Night of the Living Dead" como o melhor filme de terror de todos os tempos. Embora possa estar longe disso, não há como negar a sua influência sobre um género que foi evoluindo ano após ano. Mesmo visto através de um olhar moderno mantém-se relativamente bem, embora a sua reputação e história o tornem num filme muito melhor em termos de qualidade geral, do que visto através de uma perspectiva crítica.  

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George A. Romero - Para Sempre, Vivo

George A. Romero é o realizador que, nas palavras de Stephen King, tirou o terror para "fora da Transylvania". Antes de "Night of the Living Dead" (1968), o género estava preso num mundo de velhos condes, falsos morcegos, e portas rangendo. Os monstros de Romero não eram mutantes do espaço, ou aristocratas sugadores de sangue, mas sim pessoas normais, "vizinhos que tiveram pouca sorte", nas palavras do próprio realizador. A sua combinação tóxica de efeitos de gore, técnicas de documentário, e subtexto zeitgeist levaram o cinema de terror para novos extremos de realismo, e relevância contemporânea. 
Feito em 1968, o ano do Black Power e dos protestos estudantis, "Night of the Living Dead" era a imagem mais literal possível da américa, a devorar-se a si própria, de acordo com uma review contemporânea.
"Snapshots of the Time", era como Romero gostava de descrever a sua série subsequente de filmes políticos e cerebrais, também chamados de "splatter movies". "Dawn of the Dead" (1978), era uma sátira lacerante ao consumismo, e talvez o ponto mais alto da série. "Day of the Dead" (1985), levou as obsessões de Regan sobre a ciência, e atirou-as para uma história claustrofóbica envolvendo cientistas loucos e experiências sádicas. A guerra do terror de George W. Bush era o foco satírico em "Land of the Dead" (2005), escrito antes dos eventos do 11 de Setembro de 2001, novos diálogos foram adicionados ("we don´t negociate with terrorists"), para lhe dar uma maior importância.
Longe dos devoradores de carne, o trabalho de Romero era uma mistura de falhas e obras primas menores. O seu segundo trabalho, "There´s Always Vanilla" (1971), era uma má experiência no território da comédia romântica, tanto que o filme é quase desconhecido. Já "Hungry Wives" (1973), era uma tentativa de explorar o campo da bruxaria. Com "The Crazies" (1973), Romero estava de volta a terra firme, com um filme sobre um vírus que se está a espalhar pela américa. "Martin" (1977), considerado uma obra menor, mas é o seu melhor filme fora da sua série de zombies...
Romero faleceu no passado dia 16 de Julho, com 77 anos. Nas próximas três semanas vamos fazer aqui uma revisão completa da sua carreira. Recordaremos os seus filmes mais conhecidos, e também daremos espaço aos outros, num ciclo que será integral. Espero que gostem.


domingo, 13 de agosto de 2017

Livros Cyberpunk

Para terminar este ciclo Cyberpunk, que teve lugar por aqui nas últimas semanas, temos uma selecção de nove livros desta categoria. Selecção esta retirada do site Le Livros.
Não tentando ser um best of, nem nada que se pareça, inclui alguns dos títulos mais importantes, quase todos traduzidos para português, do Brasil.
Espero que tenha sido do vosso agrado, amanhã teremos novo ciclo que irá durar até ao final do mês.

Livros

Nirvana (Nirvana) 2008

Aborrecida e desiludida com a vida em Moscovo a enfermeira Alisa (Olga Sutulova) muda-se para São Petesburgo onde vai morar num apartamento com duas pessoas bem peculiares, Valera, que tem o apelido de “dead man” (Artur Smolyaninov) e Vel (Marya Shalaeva), também conhecida como “mermaid”. A coisa fica feia quando Alisa começa a ter um caso com “dead man”, namorado de “mermaid”. Mas outros acontecimentos fazem com que as duas acabem grandes amigas, apesar do conflito inicial, principalmente depois de experiências de vida e de morte.
A vida é difícil e confusa, e temos de ser duros se a queremos viver. Esta atitude em relação à vida em "Nirvana" não serve como quadro sociológico, mas como um desafio estético a ser cumprido. "Nirvana" é um drama de amor e dependência de drogas, um thriller de gangsters e um "buddy movie", tudo num só filme. Essencialmente é  uma história convencional sobre a dependência das drogas e o poder redentor da amizade feminina, este filme russo atraí a atenção pelo seu guarda-roupa e maquilhagem, da responsabilidade de Nadezhda Vasiliyeva e Anna Essmont respectivamente. O equivalente a dois milhões de dólares foram gastos não só neste território, mas também na construção dos cenários e decoração.
Filme de estreia de Igor Voloshin,vai buscar muita influência aos filmes cyberpunk dos anos noventa, mais pelo estilo do que propriamente pela temática. Sobre o filme Voloshin escreveu: "Os nossos personagens parecem genuinamente extravagantes. É o resultado do vazio espiritual".
Legendas em inglês.

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sábado, 12 de agosto de 2017

Appleseed (Appurushîdo) 2004

Em 2131, com grande parte da terra destruida e umas poucas cidades remanecentes, onde a humanidade vive junto com uma raça de humanos artificiais chamados "Bioroids" ("Biologic Androids", Androides biológicos), e também com muitas pessoas que devido à guerra, perderam partes do seus corpo que foram resconstituidos, e que com a ajuda da técnologia são agora cyborgs. Deunan Knute foi um soldado nos campos de batalha durante toda a sua vida. Quando a guerra mundial termina, ela é transportada para a cidade de Olympus para viver pacificamente, e descobre, num esforço para proteger a raça humana de futuras guerras, que os humanos criam novas armas.
Uma história complicada com ecos de "Blade Runner", de Ridley Scott, coloca o homem contra a máquina.  "Appleseed", na sua edição de Mangá, foi criado no final da década de oitenta por Masamune Shirow, que também criou "Ghost in the Shell", e foi um estrondoso sucesso no universo destas publicações. Foram precisos mais de dez anos para que alguém resolvesse pegar na história e passá-la para o cinema, e isso viria a acontecer finalmente por Shinji Aramaki, um nome que já era conhecido no campo da animação, mas que se lançava aqui no campo das longas metragens.
O filme utiliza uma tecnologia 3D muito semelhante a Cel Shading (conjunto de técnicas que levam o 3D a parecer 2D, muito usado em jogos de vídeo), e tudo isto impressiona só por observar a sua qualidade gráfica. No entanto, toda esta qualidade visual acaba por interferir no resultado final do argumento, um bocado confuso, distraindo para o objectivo de Aramaki. Ainda assim é um filme a descobrir. 

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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Wonderful Days (Wonderful Days) 2003

Num futuro não muito distante, no qual o nosso planeta fora devastado e está coberto pela penumbra das nuvens negras (causadas pela poluição inimaginável do ar), a única cidade que sobreviveu fora Ecoban, e é esta cidade que mantém o planeta com índices de poluição altamente elevados, porque é da poluição que ela se mantém. Uma cidade altamente egocêntrica, que não mede esforços para separar os “puros” dos “impuros” (estes últimos, conhecidos como “Marrians”), e que tem no seu governante um homem imperialista, pouco escrupuloso, intolerante para com a vida humana. Ecoban é gerenciada por completo pelo avançado sistema Delos: é lá que se encontra tudo, absolutamente tudo, sobre a cidade imperialista. Ao redor da cidade de Ecoban existe uma comunidade conhecida como “Marr”. Os habitantes de Marr, conhecidos como Marrians, são utilizados como escravos por Ecoban, e têm como motivação, um dia, conseguirem libertar-se das mãos de Ecoban e, assim, acabar com a poluição no planeta, e têm em Shua a sua maior esperança de liberdade. 
Maravilhosamente distópico este filme sul coerano, rivaliza, por vezes, com o melhor do animé japonês. Realizado por Moon-saeng Kim, as suas paisagens urbanas vertiginosas e os terrestres mortais que a habitam são tratados com a maior atenção ao detalhe. Parte Blade Runner-esque, parte pós-apocalítico, parte história de amor, o filme funciona muito melhor nos seus silêncios. 
Sendo um filme de grande orçamento, o filme mais caro de sempre da animação da Coreia do Sul, era uma tentativa clara de rivalizar a animação do Japão, usando como plano de destaque os visuais impressionantes e uma mistura de 2D com 3D, com uma aparência muito elegante. 
Dois anos depois seria adaptado para o cinema ocidental, numa versão que recebeu o nome de "Sky Blue", mas esta versão aqui presente é a original. 

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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Avalon (Avalon) 2001

Numa sociedade futurista, a dura realidade da população é quebrada pela febre de um jogo de guerra ilegal e perigoso conhecido por Avalon que tanto pode transformar os melhores jogadores em ídolos como pode causar-lhes graves danos cerebrais. Dentro deste universo virtual disputado em rede, destaca-se a solitária Ash, que tenta avançar de nível e ao encontrar um jogador da sua antiga equipa descobre que o seu amigo Murphy permanece preso dentro do jogo, depois de perseguir uma menina fantasma que parece ser a chave para alcançar um nível secreto no mesmo. 
Quando a uma personagem do filme "Avalon" é perguntado se ele é real ou não, a sua resposta é: "isso importa?" Com os videojogos a tornarem-se cada vez mais realistas, os jogadores são capazes de interagir durante horas num mundo virtual, onde é cada vez mais difícil dizer qual é a diferença entre a realidade e realidade virtual. Quando tantas pessoas partilham uma experiência, seja real ou imaginada, ainda é, no entanto, uma experiência compartilhada. Se todos passarem a maior parte das suas vidas interagindo uns com os outros num mundo virtual, não seria o que acontece nesse mundo a primeira realidade?
"Avalon", do reconhecido realizador de anime Mamoru Oshii ("Ghost in the Shell", "Patlabor") é a sua primeira aventura no mundo da "live action", e marca a diferença ao trazer uma visão "do outro mundo", de uma forma que seria impossível de mostrar nas mãos de qualquer outro realizador. Por todas as teorias de alto conceito sobre o que é real e o que é simulação, "Avalon" faz mais pontos como uma experiência visual única do que uma história ricamente detalhada. A marca de Oshii é inerentemente visual, utilizando símbolos, ícones e atmosfera para permitir que o espectador junte tudo o que está a acontecer. 
"Avalon" provavelmente será mais apreciado pelos fãs da cultura "geek", porque tem muita tecnologia, elementos de "role playing" game, teorias abstractas e animé. Também deve despertar o interesse dos fanáticos da ficção científica, particularmente aqueles que gostam de filmes que fazem uma abordagem mais filosófica da acção do tipo realidade virtual, tipo "Tron" ou "The Matrix". 

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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

eXistenZ (eXistenZ) 1999

Jennifer Jason Leigh é Allegra Geller, uma das mais famosas designers de jogos electrónicos do mundo, e está a testar a sua mais recente obra, Existenz, num grupo de utilizadores. A meio da sessão um fan fanático irrompe na sala para a matar, utilizando uma arma orgânica bizarra. O episódio faz parte do próprio jogo o o filme faz-se disso mesmo. De uma época em que os personagens dos jogos electrónicos são humanos que se conectam a terminais orgânicos, feitos de tecidos animais, e são transportados para outra dimensão.
David Cronenberg de volta ao seu estilo tradicional. Embora todos os seus filmes mais recentes - "Naked Lunch", "Dead Ringers", "M. Butterfly", "The Fly", "The Dead Zone" - contivessem um pouco dessa linguagem exclusivamente cronenbergiana, na qual o mundo emocional é trazido à vida em termos de lógica e detalhe visceral, "eXistenZ" é o primeiro filme desde "Videodrome" (1983) que é inteiramente escrito por si, sem recorrer a uma adaptação de um trabalho já existente anteriormente. Tal como "Videodrome", "eXistenZ" coloca o corpo humano como receptáculo e gerador de um mundo sombrio de fantasia e realidade alternativa. Tudo isto não são meras metáforas para Cronenberg. Sexo e horror, prazer e morte, estão intimamente ligados no mundo do realizador. 
Nas mãos de qualquer outra pessoa o filme não seria tão bem sucedido, e mesmo Cronenberg falha a explicar os seus motivos, preferindo dedicar-se a exercicíos surrealistas de lógica sonadora. Mas o seu estilo de horror minimalista evita os efeitos gerados por computador. Isto permite que ignoremos as galhas do filme, enquanto Geller e Pikul mergulham mais profundamente no jogo, ficando sem saber qual das realidades é a sua.

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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Cidade Misteriosa (Dark City) 1998

Quando John Murdoch (Rufus Sewell) acorda num estranho quarto de hotel, ele descobre que é procurado por uma série de crimes brutais. O problema é que ele não se lembra de nada. Procurado pela polícia e caçado pelos Estranhos, misteriosos seres que têm a habilidade de parar o tempo e alterar a realidade, ele procura desvendar o enigma da sua identidade. Mas numa cidade onde a realidade é definitivamente uma ilusão, descobrir a verdade poderá ser fatal.
Como seres humanos, as memórias são uma das mais queridas posses. Então, que aconteceria se não pudéssemos confiar nelas como nossas? Não são as nossas memórias que mostram que somos reais? A memória não é a nossa identidade? O que aconteceria se o passado que armazenamos na nossa mente não fosse realmente nosso? Estas são as questões básicas subjacentes a este thriller de Alex Proyas. Parte film noir, parte ficção científica, parte fantasia, e parte cenário de sonhos psicóticos, "Dark City" assume a essência de um pesadelo visceral, onde as imagens inundam e se despejam umas nas outras, num mundo cheio de escuridão.
O filme ocorre numa cidade onde não há luz do dia, e ninguém é o que pensa que é. É o terreno perfeito para Proyas, um realizador nascido na Austrália, especialista em videoclipes, e que tinha impressionado o mundo quatro anos antes com a versão cinematográfica da BD "The Crow". Proyas tinha uma habilidade especial para transformar as vistas mais fantásticas da imaginação na realidade cinematográfica, que é exactamente o que ele faz aqui. "Dark City" assemelha-se a filmes de anime japoneses como "Akira", tanto em estilo como substância. E rapidamente se transformou num dos filmes de culto dos anos noventa.

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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

New Rose Hotel (New Rose Hotel) 1998

Num futuro próximo, um brilhante engenheiro de genética japonês, Hiroshi, é o prémio que disputam 2 mega empresas, uma japonesa e outra alemã. Os revolucionários descobrimentos do cientista têm o poder de transformar o mundo e gerar biliões de benefícios. Hosaka contrata uma equipa de espiões formado por X e Fox, para ganhar a confiança de Hiroshi em prejuízo de Maas. A estratégia destes mercenários consistirá em atrair Hiroshi utilizando os encantos de uma jovem e bela prostituta.
Uma adaptação sombria por Abel Ferrara de uma história curta de William Gibson, o autor de "Neuromancer" e "Johnny Mnemonic", onde o mundo do cyberpunk é acompanhado pela obsessão do realizador por homens de meia idade perdidos em busca da redenção através da cura sexual. "New Rose Hotel" é passado num mundo vagamente futurista cheio de escuridão, neon, espelhos e vidros. Os nossos heróis vão passando por vários bares e quartos de hotel que podem ser localizados em qualquer lugar, desde Nova Iorque a Tóquio. Mas o filme funciona, sobretudo, graças ao desempenho dos seus dois protagonistas: Christopher Walken e Willem Dafoe. Ferrara deixa estes dois gigantes improvisarem em grande parte do diálogo em conjunto, combinando perfeitamente. Asia Argento contracena com eles.
Tal como grande parte dos filmes de Ferrara, teve lançamento limitado, mas foi exibido no festival de Veneza de 1998, onde ganhou dois prémios, e concorreu para o Leão de Ouro.

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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Gattaca (Gattaca) 1997

Num futuro no qual os seres humanos são criados geneticamente em laboratórios, as pessoas concebidas biologicamente são consideradas "inválidas". Vincent Freeman (Ethan Hawke), um "inválido", consegue um lugar de destaque numa corporação, escondendo a sua verdadeira origem. Mas um misterioso caso de assassinato pode expôr seu passado.
Em "Gattaca" os ideais da alma de um homem foram deslocados pela ciência das células. Não interessa o que o homem quer ser, só pode ser aquilo que os cientistas decidirem que ela seja. De certa forma este filme pode ser visto como uma alegoria para os problemas actuais da descriminação racial e ética. No início do filme, Vincent diz-nos em narração off que a côr da pele não interessa mais, que a pele genética se tornou na última forma de descriminação. Como ele próprio diz, a sociedade tornou-se numa ciência, e essa é a idéia mais assustadora de todas.
Escrito e realizado pelo estreante Andrew Niccol, que no ano seguinte escreveria o argumento para "The Truman Show", "Gattaca" tem bastante suspense e ritmo para se safar como "thriller", mas, sobretudo, mais do que suficientes questões filosóficas e morais para o tornarem num filme intelectualmente estimulante. Tem uma componente visual única e memorável que desmente o seu limitado orçamento. Tem dois mestres europeus, o designer de produção Jan Roelfs (habitual colaborador de Peter Greenway), e o director de fotografia Slavomir Idziak (um colaborador frequente de Krzysztof Kieslowski), que juntos criam um retrato convincente de um futuro reconhecível, com uma quantidade limitada de efeitos especiais, e um uso criativo de edifícios já existentes. Em vez de rebocar a tela com a magia digital, o filme depende de uma mistura de arquitectura futurista gótica, filmada com filtros amarelos e azuis, para dar uma tonalidade do outro mundo. 

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terça-feira, 1 de agosto de 2017

Estranhos Prazeres (Strange Days) 1995

"Um filme que dá novo significado à palavra "impacto", este "thriller" emocionante e violento de Kathryn Bigelow - interessante ainda que por vezes exagerado - passa-se em Los Angeles na noite de Ano Novo de 1999, e tem uma intriga que envolve cassetes de entretenimento que mostram pessoas a serem assassinadas, com várias alusões ao filme de Michael Powell, "A Vítima do Medo" (1960), violência racial e corrupção policial. Por vezes dá ideia de que estes temas foram introduzidos no argumento de James Cameron e Jay Cock mais como questões actuais, e menos como assuntos sobre os quais os cineastas têm muito a dizer, mas não há dúvida de que dão à obra parte do seu impacto. 
Ralph Fiennes faz o papel de Lenny Nero, um ex-polícia caído em desgraça, que entretanto vende cassetes de realidade virtual no mercado negro. É impossível entediar-se com este filme, e o carisma de Angela Bassett como heroína de filmes de acção é patente. Para além do relacionamento interracial refrescante entre Fiennes e Bassett, "Estranhos Prazeres" oferece-nos panorâmicas e sons de uma Los Angeles distópica, padecendo de uma acentuada agitação pré-milénio." 
Texto de JRos

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domingo, 30 de julho de 2017

12 Macacos (12 Monkeys) 1995

No ano de 2035, James Cole (Bruce Willis) aceita a missão de voltar ao passado para tentar decifrar um mistério envolvendo um vírus mortal que levou à morte da maior parte da humanidade. Tomado como louco, no passado, ele tenta provar a sua sanidade a uma médica (Madeleine Stowe), a sua única esperança de mudar o futuro.
Inspirado pela curta metragem que vimos no início deste ciclo, "La Jetée", de Chris Marker, o realizador Terry Gilliam continua a sua examinação do real vs surreal neste já clássico da ficção científica. Num estilo que já era muito próprio de Gilliam, o filme salta pelo tempo à sua vontade, criando com sucesso os seus vários mundos (cada qual com os seus próprios graus de sombras). 
Um dos maiores sucessos comerciais de Terry Gilliam, "Twelve Monkeys" contém a mesma fórmula de realismo mágico, paranoia, e visuais espectaculares que animaram todo o seu trabalho, embora de um forma mais discreta. Há aqui muitos paralelos com o seu filme anterior "Brazil", de 1985, por vezes dando a impressão que é um clone, cirurgicamente alterado para o mainstream. Para além da incerteza do que é real, há a confusão de um inocente com um criminoso, o amigo traiçoeiro, e aquele favorito obscurecimento contra-racional de Gilliam, o destino romântico revelado pelos sonhos.
Foi um dos filmes que revelou Brad Pitt, garantindo-lhe uma nomeação para o Óscar de Melhor Actor Secundário, no ano em que ele também entrou em "Sete Pecados Mortais", de David Fincher.

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sábado, 29 de julho de 2017

Ghost in the Shell: Cidade Assombrada (Kôkaku Kidôtai) 1995

Passado no ano de 2029, onde a existência humana está interligada com a tecnologia e o mundo se tornou numa grande rede, o hacking é o crime do momento. Section 9 é a agência designada para reprimir os hackers, que está ocupada a lutar contra o super-hacker do mundo, The Puppet Master. Para combater a tecnologia, usam a tecnologia, com uma força policial composta por cyborgs e humanos aumentados por partes cibernéticas para ajudá-los nas suas habilidades de investigação e combate contra criminosos que estão a usar a mesma tecnologia para com os seus dispositivos.
O nosso protagonista na Section 9 é um cyborg chamado The Major, Motoko Kusanagi, que descobre que o famoso Puppet Master é assim chamado por causa da sua habilidade em controlar as pessoas com a tecnologia implantada dentro delas, bem como a capacidade de implantar e mudar as suas memórias. A única coisa que separa a humanidade destas réplicas são os "ghosts", ou seja, a consciência ou alma que reside na humanidade.
"Ghost in the Shell" respira a nostalgia de experiências complexas de ficção cientifica, como "The Matrix". Se estiver a ser visionado pela primeira vez, é natural que o espectador não esteja em sintonia com tudo o que o filme tem para oferecer. Tal como nos outros filmes do cyberpunk, a acção é passada num futuro próximo, onde a Terra é dominada pela tecnologia, os computadores comandam tudo o que nos pode levar a algum lugar, e os cyborgs andam misturados com os humanos. Este é o ambiente para um filme de Cyberpunk perfeito, e "Ghost in the Shell" é, sem dúvida, um dos melhores. A complexidade deste filme de anime é enorme. Nada é o que parece. Quando pensamos que temos descoberto o Puppet Master, logo percebemos o quanto estamos enganados.Quanto mais mergulhamos na história, mais assustadoras as coisas se tornam. 
Realizado por Mamoru Oshii, tal como "Akira", teve grande influência sobre os filme de anime posteriores, e também sobre muitos filmes de origem cyberpunk, como "The Matrix" (1999).

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quinta-feira, 27 de julho de 2017

Até ao Fim do Mundo (Bis ans Ende der Welt) 1991

Num futuro próximo, em 1999, assaltantes de bancos fazem amizade com Claire (Dommartin) e pedem a sua ajuda para levantar uma quantia em dinheiro em Paris. No caminho ela cruza com Sam Farber (William Hurt), um fugitivo da CIA. Sam alega que as acusações contra ele são falsas e os policias querem apoderar-se de um aparelho que o seu pai inventou na tentativa de encontrar a cura para a cegueira da sua mulher.
 Com a máquina em questão, é possível captar as imagens do cérebro e gravar sonhos e visão para reproduzir as imagens em outros cérebros. Agora a fugir dos ladrões e da CIA, o casal passa por vários países e chega à Austrália, onde está o pai de Sam, com a esperança de recuperar as gravações que fez para sua mãe cega. A criação e a operação de tal máquina contrastam com a deterioração da situação do mundo, quando a existência da humanidade é ameaçada por um satélite nuclear que cai na direção a Terra. Uma odisseia para a era moderna que, assim como a Odisseia de Homero, procura restaurar a luz, numa reconciliação espiritual entre um pai obcecado e o seu filho abandonado. 
Wim Wenders cria uma épica meditação visual ressonantemente lírica sobre a ligação, comunicação, sobre as imagens e o significado da visão humana em "Until the End of the World". Desdobrado em três partes, interligadas por uma trilogia narrativa abrangente, o filme reflete a intertextualidade das imagens no processo criativo, desde a invocação de observações e experiências pessoais de Eugene, até aos rascunhos das suas novelas de ficção ao próprio subconsciente do realizador. É um orgulho deste filme ter sido filmado em quase todos os continentes, apenas África, América do Sul e a Antártica ficaram de fora, embora Wim Wenders bem tivesse tentado. A perseguição ao longo de todo o mundo tem um clima alegre e cativante, mantendo os seus segredos ao longo do caminho. 
Wenders foi obrigado a lançar uma primeira versão, bastante incompleta, com um pouco mais de duas horas e meia, que foi bastante mal recebida. Mas o realizador continuou a editar o filme, até que chegou a uma versão com mais de cinco horas, lançada em 2010, essa sim uma obra prima, sendo essa a que podem encontrar nos links em baixo. Lisboa foi uma das várias cidades por onde passam os nossos heróis.

Parte 1
Parte 2
Parte 3
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terça-feira, 25 de julho de 2017

Tetsuo - O Homem de Aço (Tetsuo) 1989

Tetsuo mostra a intersecção do homem e uma tecnologia pós-industrial acompanhada por um espectáculo por parte da banda-sonora e efeitos especiais. Realizado a preto e branco, o que ainda mais acentua o lado obscuro e alucinatório de toda a narrativa, a história começa com um punk a ser atropelado por um motorista que se põe em fuga. Gravemente ferido, o jovem punk reconstrói o seu corpo mutilado com pedaços de metal, tornando-se um bizarro robopunk. A partir daí o contágio metálico só tende a aumentar...
Shinya Tsukamoto era ainda um novato com 29 anos de idade, quando teve a ideia para a sua terceira obra, uma história de terror surreal onde um homem percebe que se está a transformar numa máquina. Com um orçamento muito reduzido, Tsukamoto fez praticamente tudo no filme, desde a produção, argumento, montagem, incluindo algumas sequências em stop motion, para a criação do homem de ferro. O resultado seria um clássico de culto do movimento cyberpunk, que nos levava numa viagem pelo mundo da fantasia, bem como ao lado mais sujo da sociedade japonesa. 
Tal como o seu irmão de sangue David Lynch, Tsukamoto manteve o seu rumo artístico, e recusou-se a fazer filmes mais convencionais, ou comercialmente viáveis. Quando Lynch tentou o mercado mais mainstream com obras como "The Elephant Man" ou "Dune", os resultados ainda foram diferentes de todos os outros, e o mesmo aconteceu com Tsukamoto, em filmes como "Hiruko, the Goblin" ou "Sôseiji". "Tetsuo" não era o primeiro filme do realizador, mas os dois primeiros, uma curta de 1986, "Futsu saizu no kaijin" (A Phantom of Regular Size) e uma média metragem de 1987 "Denchu Kozo no boken" (The Adventures Of Electric Rod Boy) foram filmados com uma câmara de  8 milímetros, e foram vistos por uma audiência muito reduzida". "Tetsuo" foi o primeiro filme a ser pensado para um público cinematográfico, e foi o que colocou o realizador no mapa do cinema de culto. 
 Legendas em inglês, embora o filme tenha muito poucos diálogos.

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