quinta-feira, 30 de outubro de 2014

House (Hausu) 1977



Oshare está excitada em passar as férias do Verão com pai, até descobrir que a sua bela e estranha namorada também vai. E assim prefere antes ir para a casa da tia, no campo, e leva com ela as suas colegas da escola: Fanta (que gosta de tirar fotos e sonha muito), KunFuu (que tem muito bons reflexos), Gari/Prof (que é uma grande nerd), Sweet (que gosta de limpezas), Mac (que come muito), Melody (que faz musica).As jovens não sabem que a tia de Oshare está na realidade morta, e que a casa é assombrada. Quando chegam a esta casa estranhos eventos começam a acontecer, e as jovens começam a desaparecer uma a uma, à medida que vão descobrindo o segredo por detrás de toda esta loucura.
Para apreciarmos verdadeiramente este bizarro trabalho experimental de Nobuhiko Obayashi temos de saber que fronteiras é que ele derrubou no cinema japonês da altura. Os lendários Toho Studios, que, como os outros grandes estúdios japoneses, estavam num período de transição económica e de muitas incertezas, tinha comprado os direitos do filme dois anos antes, na esperança de poder criar um blockbuster do cinema japonês, mas permaneceu no limbo porque não conseguiam encontrar um realizador à altura para o realizar. Entretanto apareceu Obayashi, que foi apresentando uma série de produtos relacionados com o filme (uma banda sonora, um livro, histórias aos quadradinhos, e uma adaptação para a rádio), para alimentar o desejo público e fazer pressão sobre o estúdio.
Obayashi foi convidado a realizar o filme, apesar de nunca ter realizado um filme de ficção antes (a sua experiência vinha de curtas-metragens experimentais, e de comerciais da televisão, que ele tinha feito ás centenas na década de 70, inclusive alguns com Charles Bronson), e assim que lhe foram entregue as rédeas nunca mais olhou para trás. Ao contrário de outros jovens realizadores, ele foi contra a corrente, recusando-se a seguir os passos de mestres como Akira Kurosawa ou Yasojiro Ozu. A sua abordagem era perguntar-se a si próprio o que estes realizadores iriam fazer, e depois fazer ao contrário, o que o tornava ainda mais radical do que os realizadores da nova vaga japonesa que tinham aparecido na década de sessenta. A aproximação não convencional de Obayashi estende-se tanto à parte visual do filme, um estilo muito artificial, como à banda sonora, da autoria do grupo pop Godiego. Ainda teve a ousadia de dar um nome inglês ao filme, algo que nunca tinha sido feito no cinema japonês.
Obayashi teve o benefício de trabalhar num periodo de muita agitação na indústria de cinema japonesa, onde um grande fluxo de jovens cineastas pretendia mudar o rumo do cinema, no país. Mesmo deste ponto de vista, "House" é uma obra muito bizarra, e em muitos aspectos era um filme muito à frente do seu tempo, levando a narrativa a extremos. Não havia nada que Obayashi não estivesse disposta a tentar, e o resultado final é um compêndio de técnicas cinematográficas excêntricas, projectadas para chamar a nossa atenção para o artifício total, sem sacrificar o nosso envolvimento. É um filme irreverente, ousado na forma como se recusa a tomar qualquer coisa a sério, ao mesmo tempo que impressiona com a sua aura visual assombrosa. Filme de culto.

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Horrors of Malformed Men (Kyôfu kikei ningen: Edogawa Rampo zenshû) 1969



Depois de fugir de um asilo de loucos, um jovem estudante de medicina assume a identidade de um homem morto para descobrir a verdadeira identidade de um homem cuja foto ele viu no jornal, e é exactamente o seu duplo. A investigação leva-o a uma ilha isolada, onde ele descobre um estranho laboratório, onde um cientista louco faz experiências horríveis com seres humanos vivos, e a sua própria familia tem uma ligação ao cientista.
Mentes originais fazem filmes originais, esse é o caso do japonês Teruo Ishii, que realizou mais de 80 filmes desde a sua estreia em 1957 até à sua morte em 2005. Embora seja mais conhecido pela sua série de denuncias sobre práticas desprezíveis, o seu catálogo contém alguns filmes de uma ousadia completamente diferente. "The Horror of Malformed Men" é uma das experiências mais singulares, não só do realizador, mas de toda a cinematografia japonesa, combinando um conjunto de influências que vão desde o "Rampo to butoh" a traumas pós-nucleares, que algumas pessoas sofreram depois dos rebentamento das bombas na Segunda Guerra Mundial.
Contar a história deste filme é fútil. Apesar de ter uma natureza narrativa, esta não tem nenhuma lógica aparente. Ishii e o seu co-argumentista, Masahiro Kakefuda, juntaram no mesmo caldeirão variados elementos do escritor Edogawa Rampo, incluindo The Human Chair (Ningen Isu), The Stroller in the Attic (Yaneura no Sanposha), The Twins (Soseiji) e o do título da história, e embrulhou-os à volta de um jovem médico, com amnésia que procurava o seu pai. Rampo era um escritor muito popular no Japão, uma espécie de Edgar Allen Poe para a cultura daquele país, e por isso uma honra para Ishii poder adaptar a sua obra ao cinema.
O filme parece-se muito com um livro passado para o grande ecrã, repleto de estranhos detalhes e reviravoltas peculiares. "Horrors of Malformed Men" é provavelmente um dos filmes mais estranhos que vão ver, mas é precisamente a natureza imprevisível da história que é tão envolvente. Tem algumas alusões (óbvias) para a obra de H.G. Wells, "The Island of Dr. Moreau", mas consegue ter a originalidade de seguir por outro caminho. No momento em que a história atinge o seu climax, o espectador é bombardeado com tantas revelações bizarras, tantas histórias paralelas, que é difícil não aplaudir a audácia do realizador.
Na altura da sua estreia foi banido, e durante várias décadas foi impossível ser visto. Até aparecer em DVD, em 2007.

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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Internato de Raparigas (La Residencia) 1969



Lili Palmer possui e dirige uma escola para meninas rebeldes em França. A sua absoluta disciplina promoveu uma ordem social entre as habitantes da escola, com sexo, lesbianismo e tortura. Palmer também tem um filho jovem, que tenta manter afastado das jovens para não ter relações sexuais, explicando-lhe que ele tem de esperar por uma rapariga tal e qual a sua mãe. Entretanto, as jovens começam a ser assassinadas uma a uma...
Repressão é a ordem do dia em "The House That Screamed", também conhecido como "La Residência" na língua original, um filme de terror do espanhol Narciso Ibáñez Serrador, que influenciou as obras posteriores de Dario Argento, como "Suspiria". No entanto, esta é uma obra-chave bem menor do que esses filmes de Argento, com as paixões ardentes das personagens a deflagrarem intensamente, entrando em erupção em sequências intensas, algumas das quais incluem assassinato. Serrador também foi o autor do argumento.
Narciso Ibañez Serrador já era um realizador muito respeitado no seu país antes do lançamento deste filme, a sua primeira obra para o cinema, sendo ele realizador da popular série para TV “Historias Para No Dormir”, que durou 18 anos na televisão espanhola, e teve um grande impacto na indústria de terror deste país. Embora fosse considerado um dos melhores "auteurs" no seu país, era praticamente desconhecido fora de Espanha, facto que mudou depois do lançamento deste filme.
Era um projecto muito ousado para a sua época, já que era um filme com muita violência gráfica e muitas conotações sexuais. Na altura o país estava sobre a ditadura de Francisco Franco, que manteve uma rigorosa censura durante o seu governo, que já vinha desde 1936 e que se prolongar-ía até 1975. A sexualidade também estaria muito presente, principalmente em insinuações lésbicas, que eram um tabu para aquele tempo.
Controvérsias e importância histórica à parte, "La Residência" é um filme muito bom tecnicamente, talvez dos melhores filmes de terror espanhol de sempre, e uma obra perdida no tempo, pronta a ser descoberta.
 As legendas em português não estão grande coisa, então como alternativa têm uma versão falada em espanhol com legendas em inglês.

Versão legendada em português .
Versão legendada em inglês
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terça-feira, 28 de outubro de 2014

Pacto com o Diabo (Witchcraft) 1964



Desde o século 17, quando um Lanier enterrou viva uma mulher da família Whitlock, que estes andam desejosos de vingança. Contra a vontade das duas familias, Amy Whitlock e Bill Lanier planeiam casar-se. Os Laniers enviaram bulldozers para o terreno dos Whitlock para nivelar a terra e iniciar um projecto de construção. Morgan Whitlock e a sua filha Amy fazem o possível para impedir as máquinas no território do cemitério da familia. Certa noite um caixão abre-se, e de lá sai Vanessa Whitlock, a bruxa falecida séculos atrás. Um por um, os Laniers vão sofrer uma terrível vingança...
Modesto e emocionante pequeno filme de terror, a partir de um argumento de Harry Spalding. Realizado por Don Sharp, veterano realizador no cinema de terror de baixo orçamento, evoca uma atmosfera sinistra a preto e branco, com a ajuda de uma bela fotografia da autoria de Arthur Lavis, que colaborou em i´numeros filmes de terror na década de sessenta. Contando nos principais papéis com um estrela decadente, dos velhos tempos de Hollywood, Lon Chaney Jr, na altura a lutar contra problemas de alcoolismo e já em fase final da sua carreira. Rezam as más linguas que todas as suas cenas e diálogos tinham de ser gravadas antes de almoço, porque depois o actor estava fora de si.
A casa muito antiga em que os Lanier vivem, cheia de passagens secretas e caves subterrâneas, fornecem o aroma gótico necessário para a construção do ambiente. Embora a história não seja original, o filme é muito bem levado a bom porto,
"Witchcraft" foi feito um ano depois de "Kiss of the Vampire", um dos melhores filmes de Don Sharp.

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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Kronos (Captain Kronus - Vampire Hunter) 1974



Captain Kronos (Horst Janson) precorre o século 19 da Europa, acompanhado pelo seu sócio Professor Grost (John Cater), procurando combater o mal. As suas viagens levam-nos para a aldeia de um outro amigo, Marcus (John Carson) que lhe conta que as jovens locais estão a ser misteriosamente encontradas, drenadas, não de sangue, mas de vida. Kronos e Grost imediatamente suspeitam de um vampiro, mas como destruí-lo, e quem será ele?
Para injectar uma vida nova nos filmes da Hammer, foram recrutados o argumentista Brian Clemens e o produtor Albert Fennell, e esta foi a obra em que os dois colaboraram para revitalizar o género "vampiro". Foi planeado para ser o primeiro de uma série, de Kronos, o caçador de vampiros, mas infelizmente este não foi um sucesso de bilheteira, e nunca mais se ouviu falar na personagem. Adicionando um herói de capa e espada a um ambiente familiar parecia ser uma boa idéia, mas mesmo assim tal não resultou.
Kronos era uma personagem muito nova, muito longe do velho Van Helsing dos filmes do Drácula. A personagem equivalente a Van Helsing é a de Grost, um corcunda com muita experiência, para combinar com as habilidades de Kronos. Clemens sabia que tinha uma história banal para trabalhar, mas consegue ultrapassar os clichés com um toque bastante inteligente. O vampiro não tem medo da cruz, e na verdade aparece como uma sombra em forma de cruz, pouco antes de atacar uma vítima na igreja. As flores murcham e morrem quando o vilão passa, e Kronos e Grost vão descobrindo que é muito difícil destruir esta personagem, ao qual estacas, fogo e o enforcamento parecem não ter efeito.
Todas as evidencias apontam para os Durwards, uma familia de nobres que exploram os aldeões. Mas há um twist em cima da mesa, que não é particularmente chocante, mas que nos dará um duelo de espadas que estávamos à espera, e logo um duelo muito bom.
Poderia ter sido uma série de sucesso da Hammer, mas o tema vampiro já estava por demais explorado.

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A Mulher-Serpente (The Reptile) 1966



Harry Spalding e a sua esposa Valerie herdam uma casa de campo numa pequena vila, depois do irmão dele morrer misteriosamente. Os habitantes locais são hostis e o seu vizinho Dr. Franklyn (doutor de teologia), sugere que eles se vão embora. Eles decidem ficar, para descobrir que um mal misterioso assola esta comunidade.
O género de terror transborda com monstros masculinos, e demónios machistas, porque monstros no feminino sempre foram uma raridade. A produtora deste filme, a Hammer, sempre tentou contrariar esta tendência com inúmeros filmes de terror gótico, como The Brides of Dracula (1960), The Gorgon (1964), Frankenstein Created Woman (1967), Countess Dracula (1970) and Dr. Jekyll and Sister Hyde (1971). Um dos mais negligenciados e subestimados filmes da Hammer, que contava com uma mulher monstro foi este "The Reptile". Foi filmado ao mesmo tempo que outro filme de John Gilling, usando os mesmos cenários em Cornwall, o clássico The Plague of the Zombies, mas na altura do lançamento acabou por estrear com "Rasputin, the Mad Monk", de Don Sharp, um filme de pequeno orçamento, acabando assim por ficar enterrado no box-office. Merecia melhor sorte este "The Reptile", que hoje é visto como um clássico menor. De certa forma, "The Reptile" faz lembrar os filmes de terror atmosférico de Val Lewton (como I Wlaked With a Zombie ou Cat People), e os clássicos de terror da Universal, pelo menos no que diz respeito a atmosfera.
Jacqueline Pearce foi a única actriz da Hammer a interpretar dois monstros no cinema (em "The Reptile" e o cadáver ressuscitado em "The Plague of Zombies"), era mais conhecida entre os fãs de Sci-fi, pelo seu papel de Servalan na série de TV, "Blake's 7". Em "The Reptile", o seu lado negro, e a beleza sensual são usados para efeitos de arrefecimento, especialmente na sequência em que ela se contorce na cama, em resposta a um estranho cântico de Malay.
"The Reptile" tem uma elegância visual, e uma sensação de morte eminente que o colocam numa posição de destaque em relação a muitos outros filmes de série b. Há ecos de tragédia negra na obscura relação entre o Dr. Franklyn e a sua filha (a terrível maldição é fruto da curiosidade científica do seu pai).Ken Russell presta uma homenagem a este "The Reptile" com "The Lair of the White Worm" (1988).

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domingo, 26 de outubro de 2014

O Palácio Maldito (The Haunted Palace) 1963



No centro do filme temos a presença familiar de Vincent Price, aqui a ter um duplo papel: no prólogo do filme ele é Joseph Curwen, um suposto feiticeiro, condenado a ser queimado na fogueira pelos assustados habitantes de Arkham, uma povoação de New England afectada pela paranóia da bruxaria. Antes da sua carne ser consumida pelas chamas, ele promete voltar para assombrar a cidade. 110 anos depois, o descendente de Curwen, Dexter Ward, chega à cidade, ele que tem uma estranha semelhança com o seu antepassado, facto que não vai passar despercebido pelo habitantes locais que vivem no terror da ressuscitação de Curwen para os assombrar.
Talvez sem surpresa, "The Haunted Palace" é uma adaptação livre de um conto original de Lovecraft, em grande parte por causa do confronto de um homem com o seu antepassado feiticeiro. Mas onde o Ward de Lovecraft é substituido pelo seu antepassado, Roger Corman e Price preferem seguir por um caminho muito mais metafísico, com o espírito de Curwen a exercer a sua vontade através de uma pintura, e dos seus assistentes, Lon Chaney, Jr. e Milton Parsons. O que se segue, deve muito mais a Poe do que a Lovecraft, com toda a gente em volta de Ward - incluindo a sua pobre e confusa esposa (Debra Paget) - sem saber se ele está possuído pelo seu antepassado, que voltou para cumprir a vingança.
Este cenário permite a Price assumir a posição de um trágico conflito interior, uma dupla personalidade que ajudou a construir o lugar do actor no panteão dos ícones do cinema. Como Ward ele é calmo e educado, com a marca da tristeza do actor, quase sentimos que ele já sente o peso do legado da família antes de Curwen ressurgir. Como Curwen ele transforma-se num maníaco sádico, tanto pela sua voz como pelas expressões faciais, tornado-se mais nítidas e mais agressivas.
Um dos melhores filmes de Roger Corman na década de 60, e uma das suas melhores colaborações com Vincent Price.

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The White Reindeer (Valkoinen Peura) 1952



Passado na Lapónia finlandesa, esta estranha mistura de conto popular, fantasia antropológica e história de terror, recebeu tanto um Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, como um prémio especial em Cannes por "best mythical film".
Num prólogo mudo uma mulher grávida atravessa o vento e a neve para uma aldeia isolada, e morre logo após dar à luz uma filha. Os descendentes da criança serão todos contemplados pela "maldição do sol da meia-noite".
Na actualidade, Pirita (a co-argumentista Mirjami Kousmamen, esposa do realizador Erik Blomberg), mostra as suas habilidades numa corrida de trenós, ganhando o coração de Aslak (Kalervo Nissila). Aslak pede e recebe a sua mão em casamento, mas Pirita logo se cansa da indiferença do seu novo marido, e longas ausências enquanto ele cuida de um rebanho de renas num local distante. Ela apela para um feitiço do shaman Tsalkku-Nilla, para que mantenha Aslak perto, nada que ele não tenha feito anteriormente a dezenas de noivas abandonadas. Ele aconselha-a a sacrificar a corça que Aslak lhe deu como animal de estimação, e misturar o seu sangue com terra do cemitério das renas. Mas Pirita transporta consigo a maldição do Sol da Meia-Noite, e o feitiço vai correr terrivelmente mal.
Passado numa área desolada da Lapónia, o filme pinta um quadro fascinante do que as pessoas fazem para sobreviver num clima extremamente severo. Os residentes desta região dependem severamente da população de renas, para satisfazer as suas necessidades. As renas não só são a sua principal fonte de alimento, como também são usadas para o transporte e o entretimento.Tal como noutras culturas pelo mundo fora, os animais são mantidos em grande conta, porque são essenciais para a vida. Tão importantes que até foram integrados em crenças espirituais das aldeias. Há um santuário construido em sua honra, em frente a um cemitério onde esqueletos e chifres de renas do passado descansam. 
Erik Blomberg, um veterano director de fotografia faz a sua estreia na realização neste filme fora do vulgar, que se desenrola num cenário de neve brilhante, e de árvores carregadas de neve. Embora muitas vezes de forma estranha, o filme inclui uma mão cheia de imagens tão assombrosas que nos continuam na memória muito tempo depois de terminar o filme, em especial o misterioso cemitério de renas, ou o momento em que Pirita se olha ao espelho, e vê os seus dentes transformados. 
Um filme obrigatório para os completistas de cinema de terror, e um dos poucos a explorar as tradições folclóricas do povo Sami.
Legendado em inglês.

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Especial Halloween

Vem aí o Halloween, que, como devem imaginar, é sempre um pretexto para mais um ciclo de terror. Cinema de terror que sempre teve muita preferência por estas bandas, tanto neste como no blog anterior, tendo sido partilhadas algumas dezenas de filmes deste popular género, dos quatro cantos do mundo.
Para a selecção desta semana não usei nenhum critério em especial. Peguei numa série de filmes que nunca tinha partilhado antes, e outros que talvez tenham passado despercebidos nos dois blogues, e organizei uma seleção para esta semana, com especial enfoque no cinema asiático.
Tenho preparados mais do que os cinco filmes da praxe, que vou postando ao longo da semana, conforme as minhas possibilidades. Eis a lista da semana:

- Valkoinen Peura (1952), de Erik Blomberg
- The Reptile (1966), de John Gilling
- The Haunted Palace (1963), de Roger Corman
- Horrors of Malformed Men (1969), de Teruo Ishii
- Let´s Scare Jessica to Death (1971), de John Hancock
- The House that Screamed (1969), de Narciso Ibáñez Serrador
- Witchcraft (1964), de Don Sharp
- Captain Kronos - Vampire Hunter (1974), de Brian Clemens
- House (1977), de Nobuhiko Obayashi
- Nang Nak (1999), de Nonzee Nimibutr
- Suicide Club (2002), de Shion Sono
- Marebito (2004), de Takashi Shimizu

Alguns filmes de culto, como podem ver. Vou tentar publicar isto tudo até ao dia de Halloween, a começar já mais logo. 
Bom ciclo, e até breve.

sábado, 25 de outubro de 2014

Dom Roberto (Dom Roberto) 1962



A vida miserável de João Barbelas, um vagabundo sonhador, a quem os miúdos alcunham "Dom Roberto", por exibir fantoches. Conhece Maria, rapariga com passado triste, julgando inocentemente ter arranjado habitação para ambos. O amor, a alegria de viver... Porém, a felicidade é traiçoeira: João e Maria perdem a casa que nunca for a deles, mas conservam a esperança e a ternura, embora a fome continue a persegui-los.
"Na sua fragilidade, no seu isolacionismo, nas suas condições de produção, nas vagas heranças de que se reclama, na ruptura que pratica em relação ao estado das coisas no cinema português desse início dos anos 60, por tudo isto se não pode negar a Dom Roberto o carácter de augure do que viria a seguir, de João Baptista do Cinema Novo, que iria irromper com as dimensões de movimento cultural de uma geração. Quando este filme chega, o cinema português acabara de atravessar essa década de vileza que havia sido os anos 50. Aparece em pleno pântano, graças ao movimento cineclubista (de onde sai o essencial da organização da Cooperativa do Espectador que produz o filme) que era, recorde-se e sublinhe-se, o grande bastião da resistência cultural cinematográfica desses anos. Dom Roberto fez-se com a emanação dos cineclubes, como cinema pobre de meios, como atitude. Não admira nem o tom negro (tocado por um poético que os anos tornaram irremediavelmente bafiento - deixando o negro como coloração essencial), nem as cruzadas reminiscências neo-realistas, chaplinianas ou de um certo populismo do cinema português dos anos 40 (o pátio como comunidade boa e feliz), ainda menos espanta a mensagem de esperança (sem raiz, nem motivo, porque sim) que o encerra. Porque se há coisa que este filme queira é acreditar que o negro há-de gerar luz - mesmo que não saiba o processo de viragem.
A atitude de mudar não encontra um saber fazer técnico e estilistico que a transforme em cinema eficaz. Há pobreza de conteúdo, estereótipo nos personagens, a carpintaria fílmica é tosca e creio que os anos que passaram erodiram em larga escala Dom Roberto. Quase nada sobra senão Raúl Solnado, desarmado e tocante (o personagem de Glicínia Quartin deixou de ter qualquer ossatura), e essa estranha crença de que é possível construir um automóvel (um filme) à força de vontade. O Cinema Novo português anuncia-se como aquilo que tomo (arbitrariamente?) como metáfora: uma traquitana que é impossível funcionar e, porém, move-se.", por Jorge Leitão Ramos.

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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Resumo do 5x5

Está assim terminado o primeiro 5x5 deste blog. Espero fazer mais rubricas destas em breve. Vamos ao resumo dos filmes escolhidos:

5 filmes do Rui Alves de Sousa
- Bom dia, de Yasojiro Ozu
- A Oitava Mulher do Barba Azul, de Ernst Lubitsch
- Hana-Bi, de Takeshi Kitano
- O Vento Será a tua Herança, de Stanley Kramer
- O Clã dos Sicilianos, de Henri Verneuil

5 filmes do Nuno Fonseca
- Doze Homens em Fúria, de Sidney Lumet
- Blade Runner, de Ridley Scott
- O Homem Que Matou Liberty Valence, de John Ford
- O Estranho Mundo de Jack, de Henry Selick
- Shane, de George Stevens

 Como veem, é fácil de fazer uma lista destas. Segue-se a "discussão" amigável, no nosso grupo do facebook.
Amanhã ou sábado teremos novidades. Mais um filme português.

Bom Dia (Ohayo) 1957



Uma casa na vizinhança, pertencente a um jovem casal, possui um aparelho de TV. Todas as crianças do bairro se reúnem lá diariamente para assistir ao wrestling. O jovem casal veste o pijama todo o dia, ouve música jazz, tem cartazes de filmes de Hollywood (The Defiant Ones), nas suas paredes. Vivemos no Japão dos anos 50, e escusado será dizer que eles são os excluídos da sociedade.
Durante muitos anos os filmes de Yasujiro Ozu raramente eram vistos fora do Japão. A narrativa mínima, e o estilo idiossincrático assemelhavam-se a poucos filmes, e os distribuidores temiam que eles fossem "demasiado japoneses" para um público internacional. Durante os anos 50 e 60, o seu trabalho era centrado em volta do mesmo motivo: a tentativa de um pai envelhecido de casar a filha obediente, para que ela pudesse viver a sua própria vida. Alguém caracterizou este ponto de vista como "uma tristeza simpática". 
Mas com "Bom Dia", Ozu visitava os subúrbios e regressava uma pessoa mais alegre. Ele leva-nos para um lugar diferente, um novo Japão, mais brilhante, onde a cultura popular americana se infiltra na vida quotidiana do povo local. A história gira à volta dos altos e baixos da vida suburbana da classe média, num pequeno bairro onde as casas estão rodeadas por cercas brancas, e cheias de mobilia colorida e eletrodomésticos. Donas de casa saltando de casa em casa, trocando comida, bebida, bisbilhotices, por vezes cruéis. As crianças entram e saem da casa dos vizinhos, principalmente para verem TV. O senhor Hayashi não quer comprar uma televisão, porque segundo ele, esta já produziu "100 milhões de idiotas. Desesperadamente querendo uma, os seus filhos primeiro praticam uma resistência passiva, mas acabam por fazer uma greve de silêncio. 
Apesar de ser considerado um remake do filme mudo de Ozu, "Nasci, mas...", "Bom Dia" é muito parecido com as Sitcoms americanas do mesmo período. Está cheio de personagens de acção, Mr. Hayashi, o velho e distraído pai (interpretado por Chishu Ryu, quem é dito ser o alter ego de Ozu, presente na maioria dos seus filmes), vizinhos bisbilhoteiros, que causam grande dor para a senhora Hayashi, uma avó corajosa, que não se deixa intimidar nem por parentes nem por vendedores porta a porta. Mas o melhor de tudo são os vizinhos da Boémia.
A critica mais aguda de Ozu, vai directamente para a cultura japonesa. Embora a maior parte dos seus filmes sejam feitos em volta do diálogo banal e comum da vida diária, aqui ele critica a propensão do povo japonês pela vida sem sentido, pelas conversas para preencher o vazio. É o vazio das conversas dos adultos que revolta os jovens que todos dias assistem TV em casa dos vizinhos, e que os transforma em críticos sociais. Não querem crescer num mundo de rituais sem sentido, um mundo onde a conversa de dois jovens apaixonados não pode ir para além do estado do tempo. 
Os filmes de Ozu são meditativos e relaxantes. Revelam-se lentamente e obliquamente, através dos diálogos, de um trabalho de câmera mínimo. A câmera coloca-nos em contacto com os seus personagens, e quando começamos a entender as suas vidas somos convidados a tomar a nossa própria opinião.
Filme escolhido pelo Rui Alves de Sousa.

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