segunda-feira, 22 de julho de 2019

Quem Programa Sou Eu: Desporto, por José Oliveira

Estamos de volta com a rubrica "Quem Programa Sou Eu", que tem sido, e continuará a ser, regular, ao longo deste ano, e quem sabe dos próximos, onde os nossos seguidores/leitores são convidados a programar o seu próprio ciclo. Quem quiser participar em futuras edições é favor mandar mail para: myonethousandmovies@gmail.com. Neste momento já temos mais duas listas para os próximos tempos, mas, quem sabe, se a vossa vez será a seguinte.

O convidado desta semana, é um convidado muito especial. O José Oliveira, natural de Braga, mas que tem tido uma presença muito activa no mundo do cinema desde há muitos anos para cá. Ele é blogger, realizador, cineclubista, e muito mais, mas, sobretudo, é alguém com quem o My Two Thousand Movies se identifica muito. A sua presença aqui, é por isso uma honra e para o conhecerem um pouco melhor, e a sua cinefilia, nada melhor do que ler as entrevistas que deu para o site "À Pala de Walsh", aqui e aqui, a segunda em conjunto com o João Palhares, seu colega e co-fundador do Cineclube Lucky Star. "Desporto" foi o tema escolhido, e para dar o pontapé de saída nada como lermos as suas palavras:


"Volto a recuperar Thomas Pynchon e o seu livro mais desprezado porque ligeiro, ligeiro como uma partida de bola, esse elegíaco charro apelidado Inherent Vice: «O que seria « caminhar sobre as águas » senão a maneira bíblica de dizer surfar?»
Jorge Valdano, arcanjo de Diego Armando Maradona aquando da famosa “mão de Deus” e filósofo disponível do genuíno futebol da rua, escreveu que «todos queremos vencer, mas apenas o medíocre não aspira a beleza.» Steve Prefontaine, uma das casualidades mais “estranhas” e fascinantes que a história do desporto deu à luz efémera, outro lamentavelmente “irresponsável” que não soube administrar a vida, nunca quis começar as corridas de fundo no fundo da cauda para atacar no instante decisivo, pois para ele isso era como a cobardia e acreditar em alguma coisa, nem que seja em si mesmo, isso sim, é o milagre acabado.
A beleza… acreditar em alguma coisa… milagres… todo o desporto é equiparável à magia e ao milagre do cinema, à sua razão e à pergunta sempre capital do “porquê?”, e da transfiguração à transcendência, cabe toda a beleza. É por demais evidente que todas as gerações querem que no seu tempo aconteça o incomparável, o “melhor de sempre”, o mito. Por isso tentamos achar o novo Michael Jordan, o novo Maradona, o Joe DiMaggio em Brooklin… o Eusébio do Lumiar…por isso se usam as estatísticas, os recordes, se equipara e se faz a cisão entre as “eras modernas” e as “eras arcaicas”, a tecnologia a matar o primordial, os tecnocratas a fuzilarem a beleza. Jordan não foi só o melhor pelos seus títulos , pela iconografia, pela universalidade; nem também somente pelo seu percurso bigger than life, por ter sido um dos últimos hustlers na sombra e em escala interplanetária, mas porque tudo isso aconteceu inseparável da beleza de um corpo e da inteligência de uma mente em puro movimento concreto e translúcido.
Em puro movimento, ou seja, uma cadência celeste como terrena que nasceu para isso e somente para isso. Assim são os filmes verdadeiramente filmes. O essencial nem que seja num milésimo de segundo a salvar tudo. De John Ford ao Steven Soderbergh de Traffic (o mais belo dos filmes de desporto, explicarei mais à frente no ciclo). A beleza a tomar conta de tudo e escondida num piscar de olhos. Bons abismos."

José Oliveira, Julho de 2019


sábado, 20 de julho de 2019

A Canção da Terra (A Canção da Terra) 1938


Em Porto Santo, uma pequena ilha próxima à ilha da Madeira, a seca alastra-se, e Gonçalves, um agricultor local, tenta superar a catástrofe com a a ajuda de Bastiana, a quem ele ama muito. João Venâncio, é outro agricultor, que se recusa a partilhar a água do seu campo com os outros agricultores, e vai entrar na luta pelo coração de Bastiana.
João Bénard da Costa escreveu o seguinte sobre este filme: "À época Jorge Brum do Canto defendeu que "A Canção da Terra" é quase um filme de cowboys (...) tem acima de tudo o mais, aquele ritmo feroz, impressionante e ofegante dos westerns, ritmo que foi o pai de todo o cinema de hoje". A comparação não é despropositada, como o não é a adjectivação do ritmo do filme. Mas, o que mais surpreende, a uma visão actual, é a elevação à máxima sacralidade do décor e da paisagem de Porto Santo. (...) Hoje o que sobreleva é a carga mitológica da obra, o seu animismo crucial a sua sensualidade mórbida e, por vezes, assaz escatológica."
Palavras de Luís de Pina: "Visto à distância de quase cinquenta anos, "A Canção da Terra" não perdeu qualidades, sobretudo naquilo que sempre constituiu o seu forte: o ritmo visual, a sequência sempre dominada pela imagem, a beleza incomparável da terra e do mar, o tom lírico mantido com segurança e sem pieguice. (...) Jorge Brum do Canto soube traduzir essa imagem poética numa forma cinematográfica que muito deve ao seu operador Aquilino Mendes. Mais próximo de Flaherty ou de Epstein que dos russos, sobra-lhe uma sensibilidade e um conhecimento pessoal muito directo daquilo que mostra."

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quinta-feira, 18 de julho de 2019

O Príncipe com Orelhas de Burro (O Príncipe com Orelhas de Burro) 1980

No tempo do rei Leonardo, uma guerra e a peste que a acompanhou despovoaram a Traslândia. Ignorando esses trágicos acontecimentos, a rainha Isménia, a princesa Camila e a aia Narcisa, oriundas de um reino distante, chegam à Traslândia, quando a guerra se aproxima do final…
"Adaptação do romance homónimo de José Régio, O Príncipe com Orelhas de Burro (fotografia de Elso Roque, música de Carlos Zíngaro) corresponde a um projeto acalentado por António de Macedo desde 1957, concretizado numa aproximação subversiva ao material literário que adapta inspirando-se no estilo teatral de António José da Silva (O Judeu): o reino imaginário da Tralândia, um mundo de fantasia mais ou menos medieval, fica quase despovoado devido à guerra e à peste. Ignorando o que se passa, a princesa de um outro reino distante e a sua aia chegam à terra desolada, quase no fim da guerra. Uma sátira ao poder político."
"O Príncipe com Orelhas de Burro" contava com a colaboração de uma companhia teatral chamada "Os Cómicos". É deles o melhor desta obra.
Nota: esta é a versão televisiva do filme.

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quarta-feira, 17 de julho de 2019

Guerra Cívil (Guerra Cívil) 2010


""Guerra Civil", de Pedro Caldas, Melhor Longa Metragem Portuguesa do IndieLisboa 2010, é a primeira longa de um realizador com larga presença no cinema português (director de som nos anos 80 e 90 e autor de várias curtas recentes). "Gostava cada vez menos dos filmes em que trabalhava ou via. Escrevi argumentos, mas apenas agora recebi o apoio para realizar uma longa", diz-nos Caldas. 
A época do filme é a década de 1980, no Verão de um país desfasado entre as expectativas e as desilusões das suas diferentes gerações. Para o realizador, "muito do filme é feito contra o cinema português dessa época e a sua perda, mas também sobre o que se passa agora. Perdeu-se o punk, a liberdade estética e política: é o início do mundo de hoje, em que os valores económicos predominam". Mas o filme vive, sobretudo, pelo comovente retrato das suas personagens: um jovem e solitário rapaz fechado na escuridão da sua imaginação (Francisco Bélard, candidato a melhor Ian Curtis do cinema), o encontro com uma rapariga que reflecte a luz e o calor da estação (Maria Leite, encarnando o brilho da inocência de vida no cinema), e uma geração adulta frustrada no falhanço das suas relações. "Interessava-me fazer um filme sobre várias solidões", explica Caldas. "O Rui [Francisco Bélard] não vê nenhum futuro à sua frente, é um punk tardio. A única personagem que sente a alegria de um futuro é Joana [Maria Leite]. A mãe tem medo de envelhecer, mas quer provar a si própria que ainda é mulher [uma tocante Catarina Wall]."
A sensibilidade do filme passa por um olhar sobre a vida potenciado pelas possibilidades do cinema: uma inovadora montagem que garante um olhar, sem julgamentos, sobre os desejos e falhas de cada um. "Achei justo montar pontos de vista diferentes para nos aproximarmos mais das personagens, dando-lhes o tempo de uma personagem principal", refere Caldas. A solidão de cada um é vista por uma montagem paralela dos mesmos dias de cada personagem, oferecendo uma ponte emocional para a presente (e eterna) forma de vida do país. "Hoje, vemos desencanto nas relações e pouca vontade de viver. Os portugueses tornam-se mais fechados com os problemas, sentem uma falta de alegria de viver que me choca", diz-nos Caldas. Contudo, "Guerra Civil" brilha pelo mais tocante dos sentimentos em cinema: a alegria de filmar. "É um dos maiores prazeres da vida", diz-nos Caldas, "mas, para a maior parte das pessoas com quem trabalhei antes, era um sofrimento. Fiz este filme também contra isso".
"Guerra Civil" remete-nos para um luminoso e desaparecido cinema português - o de "Uma Rapariga no Verão" (1986), de Vítor Gonçalves, obra nunca estreada e na qual Caldas trabalhou. "Guerra Civil" depara-se também com dificuldades em estrear, pairando, assim, a reclusão do cinema dessa época sobre o filme. A sua banda sonora, forte elemento da narrativa (Orange Juice, Joy Division), é o entrave da sua estreia, fazendo desta exibição (hoje, 21h30) uma ocasião especial para ver o filme. 
"Só faz sentido fazer cinema para mostrar às pessoas. E, para o filme não morrer, é preciso exibi-lo", diz o realizador. João Figueiras, o seu produtor, refere que "o filme não pode passar nas salas, excepto nas condições especiais da Cinemateca, por uma questão burocrática: a versão original tem um impedimento nas autorizações de duas músicas. Não é uma questão financeira mas de não-autorização da Sociedade Portuguesa de Autores", diz-nos. "Estamos em contacto directo com o autor e aguardamos uma resposta a qualquer momento. Se se resolver, o filme vai para as salas, pois há interesse para que isso aconteça." O retrato emocional de um país, sedento de cinema, raramente terá encontrado tão sensível forma como em "Guerra Civil". A sua aguardada estreia será a nossa comoção.
* Texto de Francisco Valente para o jornal Público, quando de uma exibição na Cinemateca. 

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Especial Cinema Português

E assim termina o ciclo Festival Stop Motion. Foram perto de de 50 curtas que passaram por aqui nas últimas semanas, de todos os cantos do mundo, todas elas localizadas no tempo entre 2000 e 2009.
E agora, antes de arrancar o ciclo do nosso convidado especial, que será, em principio no Domingo, vamos ter aqui um pequeno especial relativo ao Cinema Português, com um punhado de filmes difíceis de se encontrarem no mercado. Um deles é o aguardado "Guerra Cívil", do Pedro Caldas, que já tinha sido prometido por aqui.
Até já.


Coraline e a Porta Secreta (Coraline) 2009

Uma jovem rapariga, Coraline atravessa uma porta secreta, na sua nova casa, e descobre uma versão alternativa da sua vida. À primeira vista, esta realidade paralela é estranhamente parecida com a vida real – mas muito melhor. Mas quando este maravilhoso conto se torna perigoso e a sua mãe contrafeita tenta ficar com ela para sempre, Coraline dependerá da sua firme determinação, coragem, a ajuda de vizinhos e de um gato que fala, para salvar os seus pais verdadeiros e algumas crianças fantasma, e assim voltar para casa.
Baseado num romance de Neil Gaiman de 2002, trazido para a tela com uma mistura de stop-motion e  CGI, "Coraline", de Henry Selick é um conto de fadas dos tempos modernos, firmemente enraizado numa das fantasias mais primitivas da infância: que existe um muito muito melhor onde nós realmente pertencemos, onde os pais são mais agradecidos e amorosos, a comida é mais saborosa e abundante, e os rituais diários da vida são sobre diversão e excitação, em vez de tédio e solidão. 
De uma perspectiva de narrativa, "Coraline" levanta e retrabalha elementos de centenas de anos de contos de fadas e outras morais de histórias que deveriam assustar as crianças para serem boas, aceitando o que lhes foi dado e não desejando mais. Em certo sentido, o mundo paralelo que Coraline descobre do outro lado da parede da sala é doce para a sua falta de comida, e não podemos culpá-la  de querer e comer mais, mesmo quando percebemos que algo não está certo. 

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terça-feira, 16 de julho de 2019

Mary and Max (Mary and Max) 2009

Uma história de amizade entre duas pessoas muito diferentes: Mary Dinkle, uma menina gordinha e solitária, de oito anos, que vive nos subúrbios de Melbourne, e Max Horovitz, um homem de 44 anos, obeso e judeu que vive com Síndrome de Asperger no caos de Nova York. Alcançando 20 anos e 2 continentes, a amizade de Mary e Max sobrevive muito além dos altos e baixos da vida.
""Mary e Max - Uma Amizade Diferente" traz, acima de tudo, uma percepção impressionante sobre um mundo que, embora tenha evoluído tecnologicamente, mantém em sua essência algumas características que parecem difíceis de serem rompidas, sentimentos que soam intrínsecos ao ser humano independente da concepção de grupo que se desenvolva. Em tempos de internet, mensagens virtuais e telefones celulares que nos permitem comunicação instantânea entre dois pontos distintos do mundo, é curioso – e doloroso – constatar que muitas vezes, mesmo tão inseridos, o que precisamos é do contato certo, e que nestes momentos ele pode estar muito distante, ainda inacessível.
É por esta experiência que passam Mary e Max, que em outra época protagonizam exatamente aquilo que muitos de nós, usuários da internet, mantemos hoje em dia: uma amizade exclusivamente dependente de meios de comunicação inumanos. No caso nosso, o meio virtual; no deles, as correspondências em papel. Mary, garota australiana solitária que sofre com a ausência do pai e os excessos da mãe alcoólatra, escolhe aleatoriamente um nome em uma lista telefônica pertencente a um país distante, os Estados Unidos, e por coincidência ou conspiração conhece, através da troca de cartas, Max, um senhor solitário, sem amigos ou namoradas, que sofre de retardo mental e possui um estilo de vida anti-social, assim como o dela. 
Essa amizade acaba se tornando uma grande jornada de compreensão, um do outro, de si mesmos, da vida e do mundo que os cerca, mesmo que distorcido por suas visões quase alienígenas das coisas. Jornada que é marcada por observações peculiares e que mostram em Elliot, que aqui assina roteiro, direção e criação visual, um autor ousado e dotado de um olhar ao mesmo tempo desolador e sarcástico sobre esta realidade que pinta, especialmente por conta dos exageros sempre conotativos da estética que constrói com sua habilidosa técnica de stop motion com argila. Das caricaturas físicas dos personagens e objetos às composições particulares de cada um dos países retratados – Austrália a terra do sépia; Estados Unidos, a do preto-e-branco – existem momentos de imensa criatividade e audácia." Texto de Daniel Dalpizzolo

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segunda-feira, 15 de julho de 2019

O Fantástico Senhor Raposo (Fantastic Mr. Fox) 2009


Sr. Raposo (Clooney) era um antigo ladrão de galinhas, mas quando se encontra numa situação de vida ou de morte, a sua mulher, Sra. Raposa (Streep), anuncia que está grávida, ele promete-lhe nunca mais roubar nada ou colocar a vida dos dois em perigo. Então, o filme avança alguns anos, e  vemos que Raposo conseguiu um trabalho num jornal, que o seu filho cresceu e agora é um adolescente que está sempre a tentar impressionar a família (apesar de nunca conseguir). E o principal, Raposo está tão decepcionado com a sua vida que está a pensar num grande roubo que lhe irá dar comida de primeira para o resto da vida.
Primeiro filme animado de Wes Anderson, o que não deixava de ser engraçado mdado que todos os seus filmes anteriores desde "The Royal Tenenbaums" (2001) eram praticamente filmes de desenhos animados com actores humanos. A ironia é que ao mover-se totalmente para o reino da animação com este "Fantastic Mr. Fox", Anderson faz o seu filme mais humano desde Tenenbaums.
A estética de Anderson sempre foi profundamente enraizada numa nostalgia de estilos, tecnologias e técnicas ultrapassadas, por isso é justo que ele tenha adotado o rigor demorado e imperfeito da animação em stop-motion, contra métodos mais modernos, como o CGI.
Um elenco glorioso a dar vozes às personagens, onde para além de Meryl Streep e George Clooney destacam-se ainda Jason Schwartzman, Bill Murray, Willem Dafoe, Owen Wilson, o próprio Anderson, ou ainda Jarvis Cocker. 

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sábado, 13 de julho de 2019

Uma pequena pausa no ciclo, voltamos segunda ou terça para os últimos filmes.
Espero que esteja a ser do vosso agrado.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Há Pânico na Aldeia (Panique au Village) 2009

Cowboy e Índio tentam surpreender o amigo Cavalo dando-lhe uma churrascada caseira como presente de aniversário. Mas o plano não dá certo, e eles precisam de descobrir o que fazer com os 50 milhões de tijolos que encomendaram por engano. Mas a tentativa de esconder os tijolos resulta na destruição de uma casa. Quando tentam reconstruí-la, o excêntrico trio combate uma série de obstáculos bizarros: uma viagem ao centro da Terra; uma bola de neve gigante que atira pinguins mecânicos; vacas de paraquedas; criaturas marinhas pontiagudas de um mundo paralelo subaquático; waffles gigantes e lições malucas de música para animais de quinta dadas pela formosa égua vermelha Madame Longray. Até o Pai Natal aparece.
Stéphane Aubier e Vincent Patar são dois escritores e realizadores de animação belga em stop-motion, conhecidos por utilizar várias técnicas de animação: desde o acetato tradicional até à plasticina, passando pelos recortes. Conheceram-se em 1986, quando estudavam no Instituto de Belas-Artes de Saint-Luc, em Liège, e ambos se licenciaram em 1991 na Escola Superior de Artes Visuais da Universidade de La Cambre, em Bruxelas – uma conceituada escola de arte europeia. As suas carreiras estão fortemente ligadas desde esse primeiro encontro: os dois partilham um universo desenvolvido ao longo de muitos anos de colaboração.
"Panique au Village" é o filme mais conhecido desta dupla, fez parte da selecção oficial da Câmara de Ouro, em Cannes, no festival de 2009.

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The Butterfly From Ural (Uralin Perhonen) 2008

O filme conta a história de um antigo presidente da Finlândia, Gustaf Mannerheim, apesar do seu nome nunca ser mencionado, numa viagem à Ásia Central, onde conhece um rapaz do Quirguistão. Mannerheim trá-lo de volta com ele para a Finlândia, e começa a chamá-lo de Butterfly. O rapaz torna-se servo e amante de Mannerheim, mas quando a guerra civil finlandesa começa Mannerheim abandona o amante no campo de batalha.
De acordo com a realizadora Katariina Lillqvist esta curta metragem é baseada num conto de folclore do distrito de Pispala, em Tampere. Na altura da sua estreia, em 2008, causou algum reboliço na comunicação social finlandesa, causando discussões sobre os limites de liberdade de expressão  e a orientação sexual de Mannerheim.
Falado em inglês, e sem legendas.

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quarta-feira, 10 de julho de 2019

My Two Thousand Movies - Próximos Meses

Esta será a ordem dos ciclos a apresentar nos próximos meses:

- Programação de um Convidado (já para a próxima semana)

- Kon Ichikawa - O Essencial

- Programação de um Convidado

- Fantasy Lo-Fi - O Ciclo

- Programação de um Convidado

- Straub and Huillet - O Cinema é uma Arma (com a colaboração do Jorge Saraiva)



Já sabem que o melhor cinema passa pelo My Two Thousand Movies

O Nó da Gravata (Le Noeud Cravate) 2008


“O Nó de Gravata” combina perfeitamente animação de fantoches e desenhos animados. O filme retrata quinze anos da vida de Valentin. Empregado dedicado à sua tarefa, atraído por chefes cheios de poder, Valentin luta com toda sua força contra o absurdo do quotidiano como empregado. 
Um pequeno conto semi-melancólico, contado com uma pitada de humor que nos chega do norte das américas, mais propiamente do Canadá, pelas mãos de Jean-François Lévesque, nascido no Québec, no seu único trabalho conhecido até hoje.
Esta curta metragem é uma mistura interessante de diversos estilos de animação, e reflecte uma experiência que a maioria das pessoas tem na sua vida: o pagamento, senão a erradicação, das alegrias e dos sonhos pela labuta sem sentido do mundo moderno do trabalho. Mas, como o filme aponta, não percamos a esperança, nunca é tarde demais para redescobrir o que nos fez, ou faz feliz.

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Prometheus' Garden (Prometheus' Garden) 2008

Inspirado no mito grego Prometheus, um Titã que criou os primeiros mortais de barro e roubou o fogo dos deuses, "Prometheus´Garden" mergulha os espectadores num universo cinematográfico diferente de qualquer outro. As  imagens obscuras e mágicas deste assombroso filme desdobram-se num fluxo onírico de consciência, revelando um improvável elenco de personagens de barro envolvidas em lutas violentas pela sobrevivência.
Curta-metragem com 28 minutos de Bruce Bickford,, um nome já interessante no panorama de animação norte-americano,  que aqui nos apresenta um trabalho que irá intrigar alguém que procure uma realidade alternativa, uma forma de ver o mundo que é visual e substancialmente diferente daquilo que as pessoas estão habituadas a ver. O "real" que se vê no filme está relacionado com ideias e sentimentos, e não com as pessoas.
"Prometheus´ Garden" não tem uma narrativa linear, mas está fundamentado com temas de violência e destruição, combinados com os da transformação e regeneração. 

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segunda-feira, 8 de julho de 2019

$ 9.99 ($ 9.99) 2008

A pergunta filosófica que se segue não é tanto sobre o sentido da vida, mas sobre o preço do sentido da vida. Dave Peck tem 28 anos, é deprimido, desempregado e ainda não deixou a casa dos pais. Quando se depara com um anúncio que marca 9,99 dólares como o preço da felicidade, tudo se perspectiva na sua vida. Agora, animado e com uma esperança renovada, vai querer dividir essa incrível descoberta com o resto do mundo…
Filme excêntrico em stop-motion, feito com marionetes e dirigido pela israelita Tatia Rosenthal, que já era conhecida pela curta "A Buck´s Worth". É baseado numa série de curtas histórias de Etgar Keret, que também colabora no argumento, sobre a vida dos moradores de uma cidade, em busca da sua felicidade, num mundo crivado de dívidas, dependência, suicídios, solidão, e constante mudança. O ponto mais importante é o seguinte: o sentido da vida é diferente de pessoa para pessoa.

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Wallace & Gromit: Dúzia de Pasteleiro (A Matter of Loaf and Death) 2008

Nesta quarta curta-metragem de uma série de sucesso iniciada em 1991 com "A Grand Day Out", mais uma vez, iremos acompanhar a dupla Wallace e Gromit numa embrulhada das antigas condimentada com uma pitada de mistério, desaparecimentos, investigações e, para dar consistência ao conjunto, muita massa de padeiro. Entretanto, iremos descobrir o novo amor de Wallace numa nova personagem, Piella Bakewell e, já era altura, uma cadelinha chamada Fluffles para aquecer o coração de Gromit? make loaf not war.
Nick Park regressa aos seus amados personagens Wallace e Gromit, mais uma vez no formato curta metragem num filme com meia hora de duração. É tão sofisticado como qualquer filme que Park tenha feito até então, mas não oferece nada de novo, é quase uma repetição de "A Close Shave". 
Tal como os outros filmes da série, também foi nomeado para o Óscar de Melhor curta de animação, mas isso já seria de esperar. Também seria o último filme da série, até agora.

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domingo, 7 de julho de 2019

Madame Tutli-Putli (Madame Tutli-Putli) 2007

Madame Tutli-Putli entra no comboio da noite carregada dos mais diferentes objectos, precisamente aqueles que dão um sentido ao seu dia a dia. Inicia uma viagem da luz para as sombras, não apenas com essa pesada parafernália de memórias mas, igualmente, com uma série de fantasmas do passado.
Um filme em stop-motion surpreendente e eficaz, com um grande impacto visual. O shot de abertura detalha uma verdadeira mistura de objectos aleatórios que foram agarrados de uma vida inteira. Eles pertencem a Madame Tutli-Putli, uma esbelta figura de pano, com um rosto tão real que poderia ter sido tirado de qualquer lugar do mundo real. É de tal forma expressiva que custa acreditar tratar-se de uma boneca, e ninguém consegue ficar indiferente ao seu olhar.
Curta-metragem, primeiro filme para dois realizadores canadianos, Chris Lavis e Maciek Szczerbowski, que com a sua obra de estreia conseguiram logo uma grande notoriedade, com o filme a conseguir uma nomeação para Melhor Curta de Animação, dois prémios no festival de Cannes, enre muitos outros. Imperdível.

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Uma Noite na Cidade (Jedné Noci v Jednom Meste) 2007

"Uma Noite na Cidade", cujo argumento combina uma multiplicidade de histórias numa atmosfera de grande intensidade dramática, pode enquadrar-se nas correntes do fantástico, do absurdo e do surrealismo presentes no património cultural da República Checa e em obras cinematográficas como as do mestre Jan Svankmajer.
De um ponto de vista mais prosaico, esta obra pertence ao mundo muito particular da animação de volumes, com utilização de marionetas.
Da sua estrutura narrativa, destacamos o percurso onírico e alucinante das diferentes personagens, quer no interior de um edifício quer nos exteriores de uma cidade, quase sempre concebido a partir da observação do que realmente podia acontecer na vida quotidiana se o bizarro e o grotesco invadissem o espaço urbano. 
Este filme recebeu um dos mais generosos subsídios do governo checo destinados ao cinema, decorria o ano de 1998. Desde essa altura, a equipa liderada pelo realizador mergulhou de cabeça nesta super-produção, estreada no seu país a 23 de Janeiro de 2007. 
O realizador é Jan Balej, um dos autores de "Filmfarum 2"
* Texto de RTP

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sábado, 6 de julho de 2019

Pedro e o Lobo (Peter and the Wolf) 2006

Pedro é um rapaz discreto, solitário, impedido de ir à floresta pelo seu avô protector, tendo como seu único amigo um pato. Quando um lobo ameaça o seu amigo pato – bem como o gato gordo do seu avô e um pássaro com a asa partida de que Pedro se tornou amigo – Pedro corajosamente tenta apanhar o lobo. O Avô, o povo da aldeia e os caçadores que têm antagonizado Pedro figuram todos no desenlace final.
Pedro e o Lobo é uma história infantil contada através da música. Foi composta por Sergei Prokofiev em 1936, com o objectivo pedagógico de mostrar às crianças as sonoridades dos diversos instrumentos. Cada personagem da história (o Pedro, o lobo, o avô, o passarinho, o pato [ou pata, em algumas versões], o gato e os caçadores) é representada por um instrumento diferente. 
Suzie Templeton, de quem já tínhamos visto "Dog" neste ciclo, realizou uma adaptação moderna do conto de Pedro e o Lobo, recorrendo a animação stop-motion. É incomum na sua falta de qualquer diálogo ou narração, sendo a história apresentada unicamente com imagens e som, interrompida por períodos de silêncio sustentado. A banda sonora é executada pela Philharmonia Orchestra de Londres e o filme teve a sua estreia com um acompanhamento ao vivo da orquestra no Royal Albert Hall em Londres. 
Ganhou o Óscar de Melhor Curta de Animação. 

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Fimfárum 2 (Fimfárum 2) 2006

A sequela do filme de sucesso, "Fimfarum", que já passou por aqui neste ciclo, com histórias da autoria de Jan Werich. Quatro novas histórias para crianças inteligentes e adultos espertos.  Bretislav Pojor apresenta-nos a história do Tom Thumb, cheia de reviravoltas e aventuras. Aurel Klimt traz à vida três irmãos, os Corcundas de Damascus, recriando a atmosfera do Médio Oriente, e a variedade da narrativa oriental. Vlasta Pospisilova conta-nos s a história "Três Irmãs e um Anel", um manual rural do Decameron, sobre como encantar os entes queridos com um mero anel, e, por fim, Jan Balej deixa os seus personagens Marek e Kouba reviverem um antigo conto de fadas sobre ganância, demónios e fenómenos naturais.
Mais uma pequena pérola que nos chega da República Checa. Neste segundo filme colaboraram quatro realizadores, com Balej e Klimt a representarem a nova geração do cinema checo, enquanto que Pojar e Pospisilova a representarem os veteranos. 
Legendas em inglês.

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