domingo, 21 de dezembro de 2014

Os Irmãos Marx


Sempre houve algo diferente, e mesmo estranho, sobre os irmãos Marx, eles pareciam pertencer a um universo totalmente diferente dos outros comediantes, não só do estilo de comédia que faziam, mas também diferentes uns dos outros. Os membros de outras equipas de comediantes, como os Olsen and Johnson ou os irmãos Ritz, eram tão semelhantes que por vezes não se conseguia distingui-los. Outros tinham contrastes físicos bastante aparentes, como Laurel and Hardy ou Abbott and Costello. Os Marx, por outro lado, poderiam ser membros de 3 diferentes equipas: uma visual, uma verbal, e outra étnica e musical. Mas o que realmente unia estes irmãos, era um sentimento comum de realismo subversivo, cada um à sua maneira, anarquicamente absurdos.
Os irmãos Marx estiveram no seu auge na década de 20 do século passado na Broadway, e nos anos 30 em Hollywood, perderam fulgor na década de 40, e foram totalmente esquecidos na década de 50, antes de serem redescobertos na década de 60, por estudantes que apreciavam a sua postura anti-sistema.
Vamos atravessar este Natal, no M2TM com os filmes desta poderosa equipa. Boas gargalhadas, e um Bom Natal.
Os filmes:
- The Cocoanuts (1929)
- Animal Crackers (1930)
- Monkey Bussiness (1931)
- Horse Feathers (1932)
- Duck Soup (1933)
- A Night at the Opera (1935)
- A Day at the Races (1937)
- At the Circus (1939)
- Go West (1940)
- A Night in Casablanca (1946)

sábado, 20 de dezembro de 2014

O Touro Enraivecido (Raging Bull) 1980


Nos créditos iniciais de "Raging Bull" nasce um clássico. Jake La Motta (Robert De Niro) apanhado pela luz da fotografia a preto e branco de Michael Chapman, rodopia em volta de um ringue vazio. O tema de abertura de uma banda sonora operática de  Pietro Mascagni é o único acompanhamento para a solidão de  La Motta. É uma sequência tão lindamente e cuidadosamente composta que parece ficar presa ao nosso cérebro todo o resto do filme.
La Motta é um boxeur peso-médio, respeitado e temido, e conhecido pela sua capacidade de levar e aguentar mais porrada do que qualquer outro pugilista.Ele quer ganhar o título pelo seu próprio mérito, sem a ajuda de qualquer outra figura do underground que habitam o Bronx, em Nova Iorque. O seu irmão Joey, (Joe Pesci) é também o seu treinador, tenta negociar a ascensão de La Motta até ao top da divisão.
Pesci e De Niro - voltariam a reunir-se 10 anos mais tarde, para outra obra prima de Scorsese, "Goodfellas" - parecem ter nascido para estes papéis. A devoção de um actor para um papel nunca tinha sido tão testada como a de De Niro. O seu retrato do paranóico e  profundamente pertrubado La Motta é preparado ao mínimo detalhe em cada cena. Uma interpretação ao nível do  Travis Bickle de "Taxi Driver", mas ainda mais horripilante. Para se preparar para este papel De Niro passou por uma fase de treinos muito dura e longa, tendo mesmo até participado em três combates contra lutadores profissionais, tendo ganho dois. Depois ainda teve de engordar 26 quilos para interpretar um La Motta envelhecido, num período de apenas 4 meses em que não houve filmagens.
Quando o verdadeiro Jake La Motta viu o filme, confessou ter percebido a terrível pessoa que ele realmente foi. Perguntou à sua segunda esposa (Vicki), se era realmente assim, ao que ela respondeu "Eras pior".
De Niro ganhou um mais do que merecido Óscar, para além do prémio da montagem, mas o filme acabaria por perder o prémio de melhor filme, que foi ganho por "Ordinary People", de Robert Redford. 10 anos mais tarde "Raging Bull" era considerado o melhor filme da década de 80, com toda a justiça.

Link
Imdb

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Cidade Viscosa (Fat City) 1972


Um pequeno estudo de personagens sobre dois boxeurs em diferentes fases da carreira. Stacy Keach interpreta Billy Tully, um ex-lutador que perdeu um grande jogo, e desde então nunca mais foi o mesmo, mas anda a tentar um regresso. Jeff Bridges é Ernie, um jovem que tenta alcançar sucesso no ramo do boxe, mas também já se vê numa encruzilhada, porque este mundo não é exactamente o que ele pensava.
"Fat City" não pode ser julgado como um filme típico, porque não tem um argumento tangível, mas sim uma fatia da vida destas duas pessoas, interligadas por um breve período de tempo. É um mergulho num mundo que, provavelmente, de outra forma nunca iríamos conhecer, e a experiência como um todo beneficia muito das caracterizações muito extremas e das situações que desafiam a previsibilidade, em grande parte graças a uma grande dose de realismo.
As interpretações são todas de grande qualidade, com Keach a ter um dos melhores papéis da sua carreira. Grande destaque também para a interpretação de Susan Tyrrell, o interesse romântico de Tully, numa perfomance que é trágica e engraçada ao mesmo tempo, que lhe rendeu uma nomeação ao Óscar de Melhor Actriz Secundária, única nomeação do filme, e também da actriz.
Subtil, mas de muitas formas, "Fat City" é um dos melhores filmes a retratar o mundo do boxe, dando-nos um vislumbre sobre o que leva estes a entrarem no ringue, e darem tudo por tudo em palco. Infelizmente é dos filmes mais esquecidos da carreira de John Huston, já quase na sua fase final. A década de 70 talvez tenha sido das menos gloriosas para o realizador, mas alguns dos seus filmes neste período acabaram por se tornar em obras de culto. Para além deste, falamos de "The Life and Times of Judge Roy Bean", "The MackKintosh Man" ou "The Man Who Would be King".

Link
Imdb

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Um Homem e o seu Destino (Requiem for a Heavyweight) 1962



Mountain Rivera (Anthony Quinn) tem o seu último combate de boxe contra Cassius Clay, e está fora pela contagem depois de 7 rounds. Rivera é arrasado, arriscando a cegueira se lutar de novo. O problema é que o empresário de Rivera Maish (Jackie Gleason), fez uma grande aposta que Rivera seria derrotado não depois do quarto round. Maish tem assim de pagar o dinheiro que perdeu, e está desesperado para vencer uma aposta que cubra a aposta que perdeu, nem que para isso Rivera tenha de vender a alma ao diabo. Junto com Army (Micky Rooney), os três já trabalham juntos há 17 anos.
"Requiem for a Heavyweight" é um grande filme, não apenas pela sua humanidade, mas também pela forma como foi feito. O argumento de Rod Serling é lúcido e profundamente apaixonante, económico, e nunca melodramático. Atrás das câmeras está Ralph Nelson, em estreia absoluta nas longas metragens apesar de já ter bastante experiência na TV, que foi um realizador que nunca conseguiu alcançar a fama, também porque nunca escolheu os caminhos mais fáceis. Dele é, por exemplo, "Soldier Blue", um dos filmes mais violentos a saír de um estúdio americano.
É difícil definir um filme de desporto como algo que valha a pena, num género que já há muito perdeu a originalidade. Dentro do "filme de desporto" o boxe é um movimento à parte, como é o caso deste "Requiem for a Heavyweight". Há um grande uso da fotografia a preto e branco, inclusive para as sequências sem combates, como o jogo de luzes na cena em que Jackie Gleason é encurralado por bandidos. O trabalho de câmera é excelente em todas as áreas, especialmente nos combates, em especial logo no primeiro.
Quinn, que na altura já tinha ganho dois Óscares da Academia, tem uma das suas interpretações mais sólidas da sua carreira. O seu adversário no primeiro combate era Cassius Clay, então um jovem com 20 anos, mas que se tornaria no grande campeão Muhammad Ali.

Link
Imdb

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Marcado Pelo Ódio (Somebody Up There Likes Me) 1956


Rocky Graziano (Paul Newman) está a tentar evoluir no mundo do crime quando é finalmente apanhado e preso. Na cadeia, ele é indisciplinado e está sempre a envolver-se em sarilhos. Quando sai passados vários anos decide começar uma nova vida. Rocky descobre que consegue ganhar algum dinheiro a lutar boxe e é rapidamente aclamado como um novo talento do pugilismo.
Esta é a verdadeira história de Rocky Graziano, e segue-o desde a altura em que ele cometia crimes, passando uma temporada temporada na cadeia e no exército, até se tornar campeão do mundo de pesos-médios. Ao contrário do que indica o título do filme, ninguém lá em cima estava a olhar pelo filme. A produção acidentada começou com a morte do primeiro protagonista do filme: James Dean. A história do pugilista Rocky Graziano era da preferência de Dean, que queria muito interpretar o pugilista, e iria voltar a juntá-lo ao seu co-protagonista de "Rebel Without a Cause", Sal Mineo, e colocá-lo ao lado da sua namorada de fora do grande ecrã, Pier Angeli. O novo protagonista era Paul Newman, já com a idade de 31 anos era considerado demasiado velho, e canastrão, para o papel do pugilista. A estreia de Newman em "The Silver Chalice" tinha sido um fracasso, mas este filme iria colocá-lo no mapa.
Newman mergulhou profundamente no papel, e retirou uma interpretação de alto calibre, muito diferente que o público se habituou nos seus filmes mais famosos. O filme foi rodado nas ruas de Nova Iorque, num belíssimo preto e branco, com uma fotografia que acabaria por ganhar um Óscar.
Com dois filmes sobre o mundo do boxe tão importantes, a saírem no mesmo ano, começava-se a adivinhar um grande futuro para os filmes sobre este desporto, que continua a ser o desperto mais bem retratado no cinema. Para além de todos estes pormenores, também era o filme que lançava actores como Steve McQueen, Robert Loggia, ou Robert Duvall, em papéis muito secundários. A realização estava a cargo de Robert Wise, um realizador já com um percurso de respeito em Hollywood, que tinha feito, por exemplo, a montagem de "Citizen Kane". Este filme ganhou 2 Óscares.

Link
Imdb

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A Queda de um Corpo (The Harder they Fall) 1956



Humphrey Bogart interpreta no papel de Eddie Willis, um antigo comentador desportivo que junta forças com um corrupto promotor de boxe chamado Benko (Rod Steiger).Juntos, preparam um plano para enganar Toro Moreno (Mike Lane), um boxeur gigante pobre de espírito com mais de dois metros de altura. Através de uma série de combates forjados preparados cuidadosamente, Toro é levado a acreditar que é um sério candidato ao título...
Este seria último filme de Bogart, onde ele tem um desempenho contundente e fantástico no papel de um jornalista desportivo. Adaptado de um romance de Budd Schulberg com um argumento clínico de Philip Yordan e realizado por Mark Robson, era uma  mistura corajosa entre melodrama e thriller. O filme é baseado na carreira do boxeur Primo Carnera, um gigante italiano que se tornou campeão de pesos pesados em 1933-34. O verdadeiro Carnera processou a Columbia Pictures pelas supostas combinações de resultados retratadas no filme, mas acabou por perder em tribunal. "The Harder They Fall" serve como uma exposição do controle da Máfia sobre o mundo do boxe.
Filme bastante corajoso e potente para a época, o realizador Mark Robson entrega-nos algumas sequências brutais de combate, e até certo ponto mostra-nos um "documentário" realista sobre um lutador cujo corpo já foi tão torturado que já nem está em condições de começar um trabalho real.
Conseguiu uma nomeação ao Óscar de melhor fotografia (Burnett Guffey), e fez parte da selecção oficial para Cannes, em 1956. Estreado em Abril de 1956, Bogart viria a falecer no ínicio do ano seguinte, com 57 anos.

Link
Imdb

domingo, 14 de dezembro de 2014

O Boxe e o Cinema


O boxe e o cinema já há muito que gozam de uma relação. O primeiro combate de boxe a ser filmado foi em 1894, quando o protegido de Thomas Edison, William K.L. Dickson, filmou um combate entre Jack Cushing e Mike Leonard, conhecido como o ‘Beau Brummell’ do pugilismo. Apenas 37 segundos do combate foram filmados, e hoje em dia ninguém quer saber que Leonard ganhou, mas o vínculo forjado entre o boxe e o cinema não mais acabou.
O boxeur e o boxe são figuras proeminentes no cinema de Hollywood, com aparições em mais de 150 filmes desde a década de 30. A época entre 1975 e 1985 foi a mais importante para este sub-género, graças ao grande sucesso comercial da saga "Rocky", e ao sucesso crítico de "Raging Bull", de Martin Scorcese, mais tarde considerado o melhor filme da década de 80. 
Nesta pequena homenagem que farei ao boxe durante esta semana, escolhi 5 filmes em que a acção se passa não só dentro, mas também fora dos ringues de boxe. Em alguns casos o boxe é a referência principal do filme, noutros apenas serve de background para a acção principal.
Não são obrigatoriamente os melhores filmes sobre o mundo do boxe, mas aqui fica a minha escolha para esta semana:

Segunda: The Harder They Fall (1956), de Mark Robson

Terça: Somebody Up There Likes Me (1956), de Robert Wise

Quarta: Requiem for a Heavyweight (1962), de Ralph Nelson

Quinta: Fat City (1972), de John Huston

Sexta: Raging Bull (1980), de Martin Scorcese

Boa semana para todos.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

A Mulher Sem Cabeça (La Mujer Sin Cabeza) 2008


Verónica está ao volante do seu automóvel quando, num momento de distracção, atinge qualquer coisa e foge amedrontada. Nos dias seguintes, sente-se como que a desaparecer, indiferente às coisas e às pessoas que a rodeiam. Depois de confessar ao marido que atropelou alguma coisa na estrada, regressam ao local do acidente e descobrem um cão morto. Mas quando a vida parece retomar a normalidade, um cadáver é descoberto...
O que se segue é um retrato de uma pessoa totalmente fora de sincronia com a sua própria existência. Este não é um assunto particularmente novo na história do cinema, especialmente para quem está familiarizado com realizadores como Michelangelo Antonioni ou Luis Buñuel, dois mestres incomparáveis frequentemente invocados na promoção deste filme. No entanto, a realizadora/argumentista Lucrecia Martel, imensamente ajudada pelo trabalho de câmera de  Bárbara Álvarez, cumpre o seu trabalho com esforço confiante e uma expressiva estética dela própria.
Descobrimos que a vida de Verónica não é apenas o que parece. A carreira, a família, e uma infidelidade ou duas começam lentamente a entrar em foco, assim como uma implícita auto-culpa. Mas o título de A Mulher Sem Cabeça não é uma parábola. É mais o retrato psicológico de uma pessoa para sempre condenada a ser um "voyeur" da sua própria vida, algo que a mudança da côr do cabelo pode corrigir apenas exteriormente.
Martel já vinha a revelar-se desde o início da década, e esta era já a sua terceira obra de uma carreira bastante promissora. Concorria a Cannes pela segunda vez, mas ainda não era desta que a realizadora argentina era premiada. Já há muito que deixou de ser uma promessa do cinema Argentino, e passou a ser uma certeza.

Link
Imdb

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Luna de Avellaneda (Luna de Avellaneda) 2004



"Luna de Avellaneda conta a história de um clube desportivo e cultural de um bairro de Buenos Aires que viveu no seu passado uma época de esplendor e cuja existência actualmente se encontra em perigo. A única saída possível parece ser vendê-lo para que se converta num casino, e os descendentes dos seus fundadores terão que debater-se entre a viabilidade do projecto e o reencontro com o sonho idealizado por eles. Róman (Darín) nasceu nesse mesmo clube, no meio de uma noite de festa e foi nomeado sócio vitalício. 45 anos mais tarde, como membro da direcção, ele terá que pesar o papel do clube na sua vida e na vida daqueles que o cercam.
Depois do belíssimo O Filho da Noiva era legítimo ter elevadas expectativas deste Luna de Avellaneda. E nesta história sobre o quotidiano, Campanella dá-nos um filme nada quotidiano, que sendo de entretenimento não abdica da qualidade de realização e interpretação.
O papel de Darín tem algumas semelhanças com o de O Filho da Noiva, especialmente na qualidade da representação de um homem que luta mais facilmente pelos seus valores fora de casa do que dentro dela, dando mais atenção aos estranhos que à sua própria família. Um personagem tão terno e real, na sua imperfeita humanidade, que é impossível não gostarmos dele. A parceria de Darín com Blanco, repetida também neste filme, evidencia uma química pouco comum. Num registo patético e sentimental, Blanco traduz todo o ridículo dos apaixonados numa relação atribulada com uma sonhadora Bertucelli. Morán está deliciosa como mãe divorciada, ressentida e amargurada.
A competência de Campanella revela-se no argumento, na direcção de actores e no desenho da produção, onde planos gerais e de detalhe se alternam, fazendo o contraste entre a conveniência pessoal e o bem comunitário: o eterno dilema.
Um grupo de perdedores que se negam a renunciar à importância das relações humanas no seio de uma comunidade. Apesar da melancolia em que se instalaram, procuram no grupo o consolo de um mundo sem valores, assumindo a culpa do seu fracasso, mas sem perder a esperança de conseguir uma vida melhor.
O clube Luna de Avellaneda, que dá nome ao filme, é aqui a metáfora de uma sociedade que, hoje em dia, apresenta uma saúde muito debilitada. Acredito que os argentinos em particular leiam aqui um relato honesto da sua realidade.
O aviso que este filme nos faz é que a derrota não é provocada pelo passar dos anos, mas pela perda do sonho, essa luz da lua cheia que Don Aquiles (López Vázquez) quer ver antes de morrer. Mas a vida não torna as coisas fáceis, não nos deixando mais remédio que trabalhar, lutar e respeitar as regras de um jogo por vezes perverso.
A exemplo do anterior O Filho da Noiva (2001) e de Nove Rainhas (2000), de Fabián Bielinsky, este Luna de Avellaneda vem confirmar que o cinema argentino está de boa saúde e recomenda-se."- Por Rita, Daqui.

Link
Imdb

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O Abraço Partido (El Abrazo Partido) 2004


Em Buenos Aires, um jovem judeu- argentino chamado Ariel Makaroff deixa a universidade de arquitectura e passa o tempo a deambular pela galeria do centro onde a sua mãe tem uma loja de lingerie e o seu irmão gere um negócio importante, tentando obter o passaporte polaco para voltar para a Europa. Ariel nunca percebeu porque o seu pai o deixou, ainda bébé,  para lutar na guerra de Yom Kippur, em 1973. Quando o seu pai regressa a Buenos Aires, Ariel descobre a razão porque o pai deixou a família...
O realizador argentino Daniel Burman é muitas vezes comparado a Woody Allen, e há de facto algumas similaridades: ambos são judeus e preocupam-se com o significado de ser judeu, e ambos têm uma sensibilidade essencialmente cómica, com a qual exploram questões sérias sobre as relações humanas. No entanto, "El Abrazo Partido" não tem muito a ver com a obra de Allen, principalmente porque Burman está interessado em evocar um lugar em particular (uma espécie de centro comercial em Buenos Aires), enquanto os filmes de Allen têm lugar numa Nova Iorque estilizada, que não existe para além da imaginação do realizador. Burman também é menos cómico do que Allen, o seu humor é mais casual e observacional. 
"El Abrazo Partido" introduz-nos a uma Argentina multiétnica de que a maioria dos estrangeiros não estarão cientes. A maior parte do filme passa-se num espaço movimentado, o shopping, e Burman quer que esta seja uma história de pessoas. As personagens secundárias, como alguns lojistas, não são muito bem tratadas, e como Burman estava com receio de fazer um verdadeiro filme de conjunto, retira-se para uma estratégica mais segura, numa narrativa que se concentra num único protagonista.
Filmado em Vídeo Digital, o trabalho de "câmara no ombro" dá uma grande intimidade ao filme. Tal como outros filmes do seu país, correu alguns festivais pelo mundo fora, tendo ganho em Berlim o prémio de Melhor Actor e o Grande Prémio do Juri.
 
Link
Imdb

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Querem ser programadores do M2TM durante uma semana?

Durante este natal vou realizar um passatempo, que dará como prémio ao vencedor organizar um ciclo durante uma semana. Só terão o trabalho de escolher os cinco filmes dessa semana.
Para participarem terão de entrar no grupo do M2TM, aqui, onde uma vez por dia será publicada uma foto de um filme já anteriormente postado no blog, neste e no anterior.
Quem adivinhar mais fotos será o vencedor, e o passatempo irá prolongar-se até dia 10 de Janeiro. Começa na quarta-feira.

Nove Rainhas (Nueve Reinas) 2000


A história de Nove Rainhas, passa-se na Buenos Aires dos dias modernos, começando numa madrugada e terminando na manhã do dia seguinte. Nestas 24 horas ou pouco mais, Marcos (Ricardo Darín) e Juan (Gaston Pauls), os seus protagonistas, passarão pela maior aventura das suas vidas, algo que Marcos insiste em chamar de "uma oportunidade em um milhão". Estes dois golpistas de segunda categoria, que habitualmente "trabalhavam" por poucos pesos, conhecem-se por acaso numa certa madrugada e, de repente, tornam-se sócios numa negociação multimilionária envolvendo uma série falsificada de selos raríssimos, conhecidos como as "Nove Rainhas".
"Nove Rainhas" é muito menos previsível do que o público poderia esperar, porque Bielinsky combina o género do "heist movie", como se tratasse de um "buddy movie". Marcos, como se vê, é uma personagem fria e sem coração, para quem os seus parceiros não passam de presas. Ele seria o pior parceiro que um jovem ingénuo e inexperiente como Juan poderia ter. Se não fosse pelo facto que Juan tem um talento para a improvisação, e um rosto em que as pessoas pudessem confiar, ele estaria condenado a ser um mero ajudante de Marcos. 
"Nove Rainhas" marca a estreia na realização de Fabian Bielinsky, um realizador que vinha lutando para realizar a sua primeira longa metragem até que conseguiu ganhar um concurso para a redação de um argumento, à frente de outros 300 concorrentes. Este filme, "Nove Rainhas", tornou-se um sucesso enorme na sua terra natal, varrendo bilheteiras por completo, tornando Bielinsky num realizador famoso e arrecadando alguns prémios importantes. Mais tarde estreou nos Estados Unidos, e em países da Europa como Espanha, França, e Reino Unido onde também conseguiu um sucesso notável.
Foi premiado em vários festivais pelo mundo fora, inclusivé Portugal, onde em 2002 ganhou o prémio do Argumento no Fantasporto. O seu segundo filme, "Aura", lançado em 2005, foi considerado uma obra-prima do neo-noir, mas a sua carreira terminou cedo, pois ele faleceu em 2006, com apenas 47 anos.

Link
Imdb