sábado, 25 de maio de 2013

Herói (Ying Xiong) 2002



Ao longo da sua carreira internacional de 15 anos, o chinês Zhang Yimou tem explorado a tensão do cruzamento entre biografias individuais e da história nacional. O mais completo da chamada "Quinta Geração" de cineastas - a primeira turma do Beijing Institute of Film depois da revolução cultural da década de 1970 - os filmes de Zhang têm sido muitas vezes críticos contra as desigualdades sociais na China, ora examinando o papel da classe e do patriarcado na era pré-comunista (Esposas e Concubinas, 1991) ou dramatizando o tumulto da Revolução Cultural (To Live, 1994). Em todos os seus filmes, no entanto, Zhang prefere a humanidade em vez da história, mas a última é muitas vezes a força inexorável pesando sobre a primeira.
O filme seguinte de Zhang, "Herói", é um épico wuxia (kung fu), e representa uma viragem na sua carreira. Por um lado, é um trabalho mais descaradamente comercial de Zhang, depois de uma dúzia de filmes de arte. Apesar de ser um dos filmes mais caros da história chinesa, também é um dos de maior sucesso de sempre no país.
Também é a sua primeira incursão no cinema de género, sem dúvida inspirado no grande sucesso de "O Tigre e o Dragão", de Ang Lee (2000). Enquanto que os dois filmes compartilham o elenco principal e diversos membros da equipa de produção, "Hero" é o primeiro filme de Zhang onde o elemento "humano" é menos significativo, enterrado sob uma produção estilizada.

"Hero" é passado no início da história "moderna" da China, no século II AC, durante o reinado de Qin Shi Huang (Daoming Chen), o primeiro imperador da dinastia da China. As facções de Qin esmagam os seus rivais. Não surpreendentemente, ele era muito odiado e atraía inúmeros assassinos dos estados subjugados. Um gerreiro misterioso, Wu Ming (Jet Li), o seu nome literalmente traduzido quer dizer "sem nome", chega ao palácio real, entregando as armas de três assassinos: Sky (Donnie Yen), Broken Sword (Tony Leung), e Flying Snow (Maggie Cheung). Sentado diante de Qin na sua sala do trono, Wu começa a contar como  adquiriu as três armas, e a maior parte do filme é composto por esses flashbacks. Zhang admite descaradamente ter copiado a estrutura de Rashômon de Akira Kurosawa (1950), ao passo que tal repetição presta-se aos planos artísticos do filme.
Zhang esconde algumas imperfeições sob o brilho de uma reconhecidamente impressionante beleza visual. O diretor de fotografia australiano Christopher Doyle, que trabalhou com Wong Kar Wai em vários filmes e também em "O Tigre e o Dragão", captura a expansiva majestade dos desertos coloridos de Zhao, bem como os detalhes minuciosos de um quadro de pintura. Zhang também salpica baldes de cor em Hero, saturando cada frame.
O retrato de Qin em "Herói" é mais simpático do que a história nos conta (ele era tão despótico que uma revolta camponesa terminou a sua dinastia apenas um ano depois da sua morte). Não está claro qual o propósito de tal revisionismo, a não ser para exaltar (ou talvez mistificar) as origens de um destino manifesto chinês. Numa altura em que o fervor nacionalista unilateral é a fonte de instabilidade considerável no mundo, Hero aparece para justificar a guerra sob a bandeira da paz. 

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