sábado, 23 de março de 2013

Mandrágora (Alraune) 1928


O famoso geneticista Professor Jakob ten Brinken recruta o seu sobrinho Franz para o ajudar numa experiência. O professor quer provar que a genética não tem influência sobre o desenvolvimento humano. Para tal fim, ele encarrega Franz de trazer uma mulher que seja a escória das ruas para impregna-la com a semente de um assassino enforcado. A criança resultante é chamada de Alraune ou Mandrake. Crescendo como uma jovem mulher, Alraune não tem emoções e é capaz de seduzir e manipular os homens friamente conforme os seus caprichos. Ela foge do colégio de freiras onde o professor a coloca e passa por uma série de amantes. O professor encontra-la a trabalhar como assistente de um mágico no circo, e trá-la de volta para casa. No entanto, quando ela lê as notas e descobre a sua origem, fica determinada a vingar-se do professor.
Alraune (1911) era originalmente um romance escrito por Hanns Heinz Ewers, um actor/escritor alemão que, mais tarde, se tornou num simpatizante do nazismo. Ewers era um argumentista popular e entrou em alguns filmes interessantes - mais notavelmente o argumento de "O Estudante de Praga" (1913) sobre o pacto de um estudante com o diabo, que tem sido re-feito múltiplas vezes. "Alraune" também foi filmado várias vezes durante esta altura. A primeira delas foi uma versão húngara(1918), co-realizada pelo posteriormente famoso, Michael Curtiz.
Esta versão foi dirigida por Henrik Galeen. Galeen era mais conhecido como argumentista, tendo escrito os argumentos para vários clássicos da altura, incluindo o remake de "The Golem" (1920), Nosferatu e Waxworks (1924). Também co-realizou com Paul Wegener a versão perdida de 1914, de "The Golem" e fez um remake de  "O Estudante de Praga" (1926). Para o papel do cientista, Galeen recrutou o seu amigo Paul Wegener, que tinha ganhado nome como ator, como resultado de "The Golem". Como a sedutora do título, Galeen lançou Brigitte Helm, que tinha acabado de ter uma estreia escaldante como a robot Maria de "Metrópolis". Desde "Metrópolis" até meados da década seguinte, Helm, a nossa diva, participou em mais de 30 filmes, tendo depois se aposentado do cinema, irritada com a ascenção nazi, e casado com um rico industrial suíco, com quem teve quatro filhos. Recusou-se depois a dar entrevistas sobre a sua carreira no cinema, nitidamente desgastada.
"Alraune" estabelece muito da essência do cinema do "Cientista Louco", que chegaria a Hollywood numa questão de anos. Paul Wegener é o cientista que persegue de forma imprudente uma experiência, enquanto que todos que lêm as suas notas choram de abominação e horror, e afirmam que é contra a natureza, e tal como o "efeito Frankenstein" a criação revolta-se e determina a ruína do criador. A única coisa que Alraune acrescenta a isso - e algo que o cinema de Hollywood nunca fez - foi a idéia de uma femme fatale, uma mulher escorrendo sexualidade e desejo que arrasta os homens para a sua ruína. Alraune cria uma sensação tão forte que quase temos a impressão de o cientista louco do cinema de Hollywood tinha que fazer qualquer sugestão de sexualidade, por comparação.
Legendas dos intertitulos em inglês.
 
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