sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Sitcom (Sitcom) 1998



 A vida numa respeitável casa de família de classe média toma um rumo bizarro, quando o pai adopta um rato branco de laboratório como um animal de estimação da casa. Todos os que entram em contato com o rato passam por uma súbita mudança de personalidade, perdendo as suas inibições sexuais. Tudo começa quando o filho, Nicholas, admite que é homossexual, durante um jantar. A mãe, horrorizada com a declaração, está preparada para fazer qualquer coisa para curá-lo, mesmo que seja dormir com ele. A filha, para roubar atenção, tenta matar-se. Sobrevive, mas fica aleijada, submete o seu namorado a sessões de sexo sado-masoquistas, ao mesmo tempo que o irmão está hospedando orgias no seu quarto. Aparentemente alheio a estes desenvolvimentos, o pai começa a sofrer a maior transformação de todas...
Tendo feito uma dúzia de curtas e médias metragens polémicas, muitas vezes extremamente imaginativas, François Ozon alcançou a fama generalizada e a notoriedade com a sua primeira longa-metragem, Sitcom, em 1998. Desde então, o jovem realizador (nesta altura nos seus trinta e poucos anos) tem rapidamente adquirido uma reputação como um dos mais radicais, mas também excitantes novos talentos do cinema francês, ganhando elogios da crítica, em especial pelo filme Sous la Sable, de 2000.
Sitcom é menos polido e gratificante do que alguns dos filmes posteriores de Ozon, e a maioria dos espectadores vão ver esta comédia (envolvendo quase todas as permutações de perversão sexual, incluindo bestialidade), como um filme de extremo mau gosto. Apesar disso, é extremamente divertido em alguns aspectos, com alguns momentos de alegria desenfreada e genuína, mas, ao mesmo tempo tem apelo intelectual que outras comédias intencionais não têm. Ozon tem sido grandemente influenciado pela obra de Luis Buñuel, o mestre espanhol do surrealismo, já que ele adopta livremente algumas das técnicas do realizador (como a fusão da realidade com os sonhos), muitas vezes com grande efeito.
O filme funciona como uma sátira sobre a fórmula banal das sitcoms da televisão, com os seus personagens previsíveis e atmosfera acolhedora, como na vida burguesa francesa. Comédia em detrimento das classes médias é quase uma característica recente do cinema francês - exemplos do género podem ser encontrados até as origens do próprio cinema, e alguns dos maiores realizadores do mundo (Buñuel mais obviamente) fizeram carreira batendo nas velas da burguesia. O que é novo, e mais emocionante, é que Ozon adopta o formato da comédia e, de seguida, quebra todas as regras (mais alguns outras), sendo o resultado o oposto total a uma acolhedora comédia familiar.


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