sábado, 4 de janeiro de 2014

A Humanidade (L'Humanité) 1999



Numa cidade na costa norte da França, um inspetor de polícia jovem e sensível, Pharaon de Winter, investiga a violação e assassinato de uma menina de 11 anos de idade. Depois da trágica morte da sua esposa e bébé, Pharaon vive sozinho com a mãe e tem dificuldade em lidar com o mal que vê no mundo. Ele é secretamente apaixonado por uma jovem trabalhadora de uma fábrica, Domino, e muitas vezes acompanha-a e ao seu namorado Joseph quando eles saem. Tal como o avô, um artista conhecido localmente, Pharaon olha para a beleza do mundo, mas muitas vezes ele vê as coisas extremamente feias...
Depois do seu impressionante primeiro filme em 1997, La Vie de Jésus, Bruno Dumont era esperado produzir outro trabalho de grande discernimento e originalidade, e os críticos não ficaram desapontados. O seu segundo trabalho, L'Humanité, é um filme notável centrado em volta de um homem que, através de um acontecimento trágico na sua própria vida, ficou afastado do mundo e, como resultado, sofre uma aguda sensibilidade para todos os males que testemunha.
O filme oferece a Dumont a oportunidade perfeita para explorar temas mais humanitários, que aproveita para fazer a provocadora pergunta sobre o que a humanidade realmente é, e faz isso num estilo que nos faz lembrar um dos realizadores mais humanitários do século XX, Robert Bresson.
A convincente fotografia do filme é, ao mesmo tempo visualmente atraente e repulsiva, muitas vezes violenta. O espectador é forçado a ver o mundo através dos olhos de Winter, e enquanto nós ocasionalmente vislumbramos alguma beleza, aqui ela é totalmente eclipsada por um  problema que arruína totalmente a experiência.
Usando atores não profissionais, que inclui o enorme Emmanuel Schotte (o protagonista, que nunca mais entrou em qualquer outro filme), e evitando filmar em estúdio, Dumont claramente aponta para um efeito realista, que reforça constantemente chamando a nossa atenção para detalhes insignificantes, colocando trama principal do filme, a investigação do assassinato, firmemente como pano de fundo. Essa abordagem funciona principalmente por causa da qualidade da fotografia, que por vezes é hipnotizante (embora as cenas de sexo explícito frequentemente recorrentes rapidamente se tornem um pouco irritantes). No entanto, é provável que seja no desempenho do Schotte que o sucesso do filme se baseia. Raramente foi visto um ator a retratar a essência de uma alma ferida de uma forma tão realista, e tão pungente. Ele está perfeitamente moldado para um papel que a maioria dos atores profissionais acharia impossível de fazer.
Não surpreendentemente, o filme conseguiu a aprovação geral dos críticos, especialmente depois de ter vencido o Grande Prémio do Júri no Festival de Cannes em 1999. Emmanuel Schotte e Séverine Caneele também foram recompensados no mesmo festival com os prémios de melhor actor, e melhor actriz. A Palma de Ouro fugiu por pouco...

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