domingo, 10 de novembro de 2013

A Mosca (The Fly) 1958



Ao longo dos anos, A Mosca tornou-se num clássico camp entre os entusiastas de filmes antigos. Embora escrito e filmado como uma simples parábola de ficção científica sobre os perigos de mexer com a natureza, é quase ridículo, tão exagerado que simplesmente não podia ser levado a sério. 
O filme começa com um mistério. Um guarda noturno numa fábrica industrial apanha um vislumbre de uma mulher atraente a correr de uma prensa hidráulica de aço que ela, aparentemente, usou para esmagar a cabeça de um homem (a visão do sangue vermelho a escorrer pela prensa num pleno CinemaScope deve ter chocado alguns espectadores em 1958). A mulher, Helene (Patricia Owens), posteriormente confessa que foi ela quem acedeu à prensa para esmagar a cabeça do homem, e que o homem era o seu marido, Andre (Al Hedison). Ela admite que o matou, mas não quer usar o termo "assassinato".
Depois de recusar várias vezes explicar a um investigador da polícia (Herbert Marshall) porque matou o marido, Helene é finalmente convencida pelo seu cunhado, François (Vincent Price), para contar a história. Por esta altura, cerca de 30 minutos do filme já passaram, portanto, grandes expectativas foram construídas uma vez que Helene começa a contar a história. E que história...
Acontece que André era um cientista brilhante que tinha secretamente inventado uma máquina capaz de desintegrar a matéria, levá-la através do espaço, e depois reintegrá-la em outro lugar.
Ao testar a máquina em si próprio, uma mosca juntou-se a ele e os seus átomos foram trocados, deixando André com uma cabeça de grandes dimensões e um braço peludo da mosca, enquanto que em algum lugar lá fora, temos uma mosca com a cabeça e o braço de André. O resto do filme narra a tentativa de Helene para apanhar a mosca com cabeça de Andre, na esperança desesperada de que eles possam voltar a entrar na máquina de teletransporte e ter os seus átomos de volta.  
Entretanto, a cabeça da mosca começa a tomar conta de Andre, e a enlouquecê-lo lentamente. Claro que nunca é explicado porque ele teria a cabeça da mosca, mas não o seu cérebro, embora aparentemente parte do seu cérebro tenha-se misturado com o da mosta porque fica-lhe cada vez mais difícil pensar direito e controlar o braço da mosca. Detalhadamente, o argumento é extremamente superficial, mas empurra-nos para a frente com uma energia irresistível que nem ligamos às inconsistências e lacunas da lógica.Não importa como vejamos o filme, A Mosca é um filme extremamente bizarro, mesmo para os padrões da série B dos anos 50. Com a exceção do laboratório de Andre , que consiste principalmente em máquinas gigantes com temporizadores e um monte de tubos de neon que brilham com cores azul e verde, o filme tem um look bastante limpo que faz com que pareça mais caro do que provavelmente foi. As interpretações estão todas bastante boas, mesmo que algumas das cenas mais melodramáticas entre Andre (com a cabeça da mosca escondida atrás de um capuz do estilo O Homem Elefante) e Helene sejam um pouco exageradas. A presença afável do veterano Vincent Price dá ao filme um toque bem requintado.
Realizado por Kurt Neumann, que morreu logo depois do filme ter sido concluído, era um autêntico auteur de filmes de série B, que já tinha dirigido mais de 60 filmes na maioria de baixo orçamento, incluindo quatro filmes de Tarzan. Apesar da sua vasta experiência em cinema, Neumann não era muito mais do que um realizador funcional com pouca imaginação (dele já tinhamos visto neste ciclo, "Rocketship X-M").
No entanto, o filme ainda funciona bastante bem. O argumento escrito por James Clavell , mais conhecido como escritor de épicos históricos como Shogun, foi baseado num conto de George Langelaan que foi publicado originalmente na revista Playboy. 


Link
Imdb 

Um comentário:

ajanelaencantada disse...

Como sabes (e já ajudaste), estou a preparar um ciclo dedicado a Vincent Price, e este filme estará lá, claro.

Embora toda a gente concorde que "A Mosca" de Cronenberg, é superior, há muito de interessante neste filme. Gostei de ver como a ênfase está no mistério sobre o comportamento da esposa. Esse jogo de interpretações (e obsessões) é para mim o melhor do filme.

Abraço, e mais uma vez obrigado. :)