sábado, 13 de abril de 2013

O Enviado da Manchúria (The Manchurian Candidate) 1962



Durante a Guerra da Coreia na década de 50, um pelotão de soldados americanos é capturado e levado por três dias, onde aparentemente sofrem uma lavagem cerebral com idéias e instruções que eles têm que cumprir, mas das quais vagamente se lembram. Avancemos para os Estados Unidos, 10 anos depois, onde esses homens têm pesadelos sobre a experiência, alguns dos quais incluíam a morte de dois dos homens às mãos do sargento Raymond Shaw (Harvey), sob ordens, enquanto em hipnose. Shaw, vencedor da Medalha de Honra do Congresso por feitos heróicos que os seus homens foram condicionados a pensar acontecer, é também o enteado de um senador de destaque (Gregory), que será o próximo candidato à vice-presidencia, enquanto que os homens sobreviventes sabem que alguma coisa aconteceu na Coreia do Sul, que levou aos crimes de Shaw, mas que eles parecem não se conseguir lembrar . Os comunistas têm Shaw sob o seu poder, com grandes planos para algo que irá acontecer nos mais altos cargos dos Estados Unidos, e é o Major Marco (Frank Sinatra) que terá de descobrir que trama nefasta está prestes a acontecer, e pará-la antes que seja tarde demais.
Fascinante e cheio de suspense, The Manchurian Candidate é um filme altamente sofisticado e bastante polémico que continua a ser um dos melhores thrillers políticos, mesmo até aos dias de hoje. Baseado no romance de Richard Condon (Prizzi's Honor), o realizador John Frankenheimer tece uma teia de decepção tão bem montada, que não conseguimos adivinhar as voltas que o argumento irá dar. Perfeitamente sincronizado com o medo que se fazia sentir no país nesta altura, também é eficaz na premonição de um dos incidentes mais angustiantes que o país iria enfrentar no ano seguinte, o assassinato de John F. Kennedy. É bem possível que muitas das teorias da conspiração sobre as ligações de Oswald tenham muito a ver com este filme, ainda fresco na psique de muitos norte-americanos na época. As semelhanças com o mundo real levaram o filme a ser arquivado por quase 25 anos.
Tão grave como o assunto que trata, é realmente o humor negro que faz "O Enviado da Manchúria" ser um thriller tão admirável. Os estranhos personagens que povoam o filme e as conversas embaraçosas são muitas vezes divertidas superficialmente, e o sentido satírico acusando tanto o comunismo como macarthismo é feito com subtileza e igual sucesso. Apesar de já ter alguns anos, o filme, no entanto, é atravessado por uma sensação muito moderna, muito mais vibrante e rica textualmente do que muitos outros filmes que saíram na mesma época. Embora o clima político tivesse mudado muito desde então, o assunto ainda tem relevância hoje em dia, ainda mais evidenciada pelo remake de 2004.

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Um comentário:

Andrea Pérez Ulloa disse...

Este é um grande clássico filme no cinema, muitas pessoas podem pensar que nesses anos muitos filmes sobre mágica, ilusão hipnotismo e não são produzidos pela falta de efeitos especiais, mas o talento sempre foi maior. Actualmente existe um número que é chamado O Hipnotizador de capítulos novos proposta. Em cada capítulo o protagonista ajuda a uma pessoa através da hipnose.