quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A Maçã (Sib) 1998



As circunstâncias que cercam o making of de "The Apple", um filme iraniano cativante, são tão extraordinárias como o próprio filme em si. Em 1997, Samira Makhmalbaf, filha do realizador Mohsen Makhmalbaf, então com apenas 17 anos, viu uma noticia sobre duas gémeas de 12 anos de idade, em Teerão, cujos pai e mãe cega, tinham mantido trancadas em casa todas as suas vidas. 
Em apenas 11 dias, com a ajuda do pai, a jovem Makhmalbaf fez um filme inteiro sobre o acontecimento. Mais surpreendente ainda, ela convenceu as jovens, Massoumeh e Zahra Naderi, o pai e a mãe, e vários vizinhos para interpretarem-se a eles mesmos. Isto apesar do facto de que a jovem realizadora tinha apenas cinco anos a mais do que as duas personagens principais. Para contar a história, os Makhmalbafs inventaram situações, e os Naderis "responderam-lhes" em frente à câmera. 
O resultado não foi exatamente um documentário, na verdade, a realizadora tem sido criticada nos jornais iranianos por colocar os Naderis em situações complicadas, mas isso transposto para o filme era um debate realidade-vs-ilusão transparente. É mais parecido com o princípio da incerteza estendido para a vida diária: Como é que o mundo mudaria se lhe apontássemos uma câmera, e será possível chamar os resultados deste processo tão intrusivos com a verdade? Esta questão é central para os grandes filmes que saíram do Irão nos últimos anos. 
As jovens não são mentalmente retardadas, apenas socialmente atrasadas. Elas têm dificuldade em falar e não têm educação básica. Os seus movimentos são limitados, pelo facto de terem crescido e desenvolvido num espaço confinado. O filme não é um documentário, como Samira coloca as jovens em situações de pré-argumento. A assistente social liberta as raparigas, e elas percorrem as ruas pela primeira vez, aprendem sobre a amizade, crueldade e o dinheiro num curto espaço de tempo. Da mesma forma, o pai tem a hipótese de explicar porque fez aquilo. A esposa dele por ser cega, estava relutante em deixar as meninas saír para a rua, enquanto ele trabalhava. As raparigas não são vistas da mesma maneira como os rapazes são vistos no Irão, por isso elas nunca foram autorizadas a brincar sozinhas. Como o pai diz, elas são como flores que murcham ao sol. O filme termina com a mãe, num quadro congelado de grande poder e beleza.

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