quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Zazie no Metro (Zazie Dans le Métro) 1960



Uma farsa alegre que mostra uma visão satírica sobre a sociedade francesa: Zazie, uma jovem de 12 anos de idade tem de ficar dois dias com os familiares em Paris, para que a mãe possa passar algum tempo com o amante. No entanto, Zazie consegue fugir à custódia do tio, e explorar Paris por ela mesmo...
Demonstrando cedo que era um realizador que não podia ser classificado em termos de história e estilo, Louis Malle escolheu seguir os seus dois primeiros filmes, o tenso "Fim de Semana no Ascensor", e o escandaloso "Os Amantes",  com uma adaptação de Raymond Queneau recentemente publicada, e extremamente popular, chamada "Zazie dans le métro". A história de uma jovem da província explorando Paris num longo fim de semana foi logo considerada infilmável, porque o seu tema era a linguagem. Queneau, um homem renascentista  cujos interesses e educação iam desde a matemática à filosofia escreveu o livro num francês coloquial e encheu-o de curvas cómicas nas frases, neologismos, transições fonéticas, a maioria das quais seriam perdidas no grande ecrã.
Mas isso não impediu Malle, que com a colaboração de Jean-Paul Rappeneau adaptaram o romance de Queneau, usando análogos visuais para o jogo de palavras do autor. O resultado é um filme em live-action que parece uma história em banda desenhada prolongada. Rodado nos arredores e em Paris, em cores brilhantes e vivas que por vezes parecem um pouco irreais, Zazie Dans le Métro é sobretudo um compêndio visual, a rebentar pelas costuras com gags visuais, truques de montagem, e movimentos de câmera distorcidos, que contribuem para um sentimento geral de puro absurdo (no bom sentido). Algures pelo meio das travessuras, encontramos uma crítica à vida parisiense moderna, mas qualquer intenções intelectuais ou filosóficas são derrubadas pelas imagens inquietas do filme, pelo ritmo hiperativo, e pelo sentimento global de anarquia.  

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