sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Os Quatrocentos Golpes (Les Quatre Cents Coups) 1959



Um jovem parisiense, Antoine Doinel, negligenciado pelos pais, foge da escola, escapa-se para o cinema, foge de casa, começa a roubar, e tenta (desastrosamente) regressar. Tal como a maioria dos jovens, ele apanha-se em mais sarilhos por coisas que pensa estarem correctas do que pelos seus verdadeiros pecados. Ao contrário da maioria dos jovens, ele leva muita porrada. Habita numa Paris sombria e decadente, uma cidade que parece ser grande e cheia de oportunidades, mas apenas aos olhos de uma criança.
No início dos anos 50, com a ajuda do teórico e critico de cinema André Bazin, um jovem de 20 anos de idade, François Truffaut, começou a escrever regularmente para o jornal "Cahiers du Cinema". Truffaut rapidamente ganhou reputação como um crítico intransigente e cruel, com um sentimento claro de que era grande conhecedor de cinema, embirrando com alguns mestres franceses como Marcel Carné ou René Clair. Depois de casar com Madeleine Morgenstern, filha de um distribuidor de quem Truffaut muitas vezes criticava os filmes, este desafiou-o: "Se sabes tanto, porque não fazes um filme?"
Truffaut aceitou a oferta, e o resultado foi "Les Quatre Cents Coups", um filme que mudaria para sempre a paisagem do cinema francês e mundial. É dificil imaginar como um filme aparentemente tão simples, um retrato autobiográfico de uma juventude em revolta, teria um impacto tão duradouro, mas isso é inegável. Embora teoricamente não tenha sido o primeiro filme da Nouvelle Vague, o sucesso comercial e crítico do filme dava poderes a Truffaut e ao movimento como um todo, de uma forma como nenhum outro filme o fez. Outros filmes o seguiriam, de realizadores como Jean-Luc Godard, Eric Rohmer ou Jacques Rivette, e o cinema nunca mais seria o mesmo. 
"Les Quatre Cents Coups" introduzia-nos ao inesquecível Antoine Doinel, um personagem romântico que se tornaria na figura principal de um quinteto de filmes de Truffaut, durante duas décadas, oferencendo a possibilidade de ver crescer e se tornar adulto um personagem. Doinel seria encarnado em todos os filmes por Jean-Pierre Léaud, ele próprio um rebelde, em quem a personagem foi moldada. 
Fotografado em Widescreen anamórfico a preto e branco, por Henri Decaë, que havia começado com argumentista durante a Segunda Guerra Mundial, e que depois trabalharia com grandes mestres da realização, como Louis Malle, Claude Chabrol ou Roger Vadim, captura o dia a dia da vida de Paris com grande habilidade, no final da década de cinquenta.  Saíu de Cannes com o prémio de melhor realizador, e conseguiu uma nomeação para o Óscar de Melhor Argumento. 

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