quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Os Amantes (Les Amants) 1958



Aborrecida com o marido, aborrecida com o amante jogador de pólo, uma mulher de meia-idade parte com um jovem que lhe deu boleia quando o seu carro avariou, no caminho de volta para a sua casa de campo.
Visto tanto como revolucionário, como escandaloso, quando foi lançado no final dos anos 50 na Europa e nos Estados Unidos, Les Amants, de Louis Malle, foi um filme que não envelheceu bem, e não foi só por causa da sexualidade tão agressiva, mas inofensiva para os padrões actuais. A famosa sequência de amor, que era tão despida a mostrar a sensualidade física que o filme foi proibido nos Estados Unidos, e resultou numa lendária decisão do Tribunal Supremo. É a única sequência que ainda mantém toda a sua vitalidade.
Esta sequência primorosamente filmada e editada, deriva de uma atmosfera onírica, que sugere o esmagamento dos sentidos com paixão. Filmado num Widescreen anamórfico a preto e branco, pelo lendário director de fotografia Henri Decaë, é uma experiência visual intensa (de acordo com o realizador foi inspirado pelo pintor Caspar David Friedrich). No entanto, e apesar de toda a beleza e de tantos momentos de sensualidade, ainda é um filme curto em emoções. Mostra-nos paixão, mas esta é filmada mais como um exercício do que como uma narrativa orgânica.
A personagem de Jeanne Moreau floresce quando se entrega a Bernard, e o seu orgasmo na tela pode ser visto como um momento de puro prazer existencial, e ela é libertada. Por causa disso, o filme tem sido regularmente visto como uma obra sobre a emancipação da mulher, com Jeanne a rejeitar tanto o marido como o amante, embora seja difícil de encontrar essa liberdade, já que ela só pode ser encontrada nos braços de outro homem. Malle não sugere uma fuga simplista para o pôr do sol. Uma voice-over informa-nos do destino ambíguo para Jeanne, que pode ou não encontrar a felicidade.
Mesmo em França "Les Amants" foi escandaloso, principalmente porque reprimiu todas as acções de Jeanne (incluindo ela ter deixado para trás uma filha de oito anos), sem ter deixado o público fazer o seu próprio julgamento. É um conceito ousado (em alguns países não foram os detalhes do encontro sexual que foram censurados, mas sim a cena em que Jeanne deixa a filha), que ainda hoje tem o poder de irritar. É difícil não encontrar a personagem principal ou poderosamente livre ou repugnantemente absorvida, mas Malle pende mais claramente para a primeira.

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