sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Pedido de Divórcio (À Double Tour) 1959



Leda, a amante do Monsieur Marcoux é assassinada. A sua esposa e a polícia pensam que o assassino foi o leiteiro, o amigo da empregada, mas o namorado da filha de Marcoux, Laszlo (Jean-Paul Belmondo), acha que as coisas não são assim tão simples...
Terceiro filme de Chabrol, e o primeiro filmado a cores, é um thriller Hitchcockiano extremamente estilizado, que prefigurava as preocupações do realizador de dilacerar as preocupações da unidade familiar burguesa, através do assassínio e do melodrama. É um filme sensacionalista e bizarro, cheio de ângulos difíceis e cores berrantes, com o seu argumento complicado com flashbacks em que os eventos são sempre filtrados pela sensibilidade. Chabrol é violento e divertido em relação à família burguesa, desmanchando-a a partir de dentro, ridicularizando a rigidez e a formalidade que disfarçam tantas verdades sórdidas.
O desempenho de Belmondo como Laszlo é um dos destaques do filme. Um homem perturbador e de espírito livre, uma presença imprevisível, a rasgar os acontecimentos só porque pode. Laszlo é tudo o que a família burguesa não é, indomável e sem restrições em todos os sentidos, especialmente sexualmente. Apesar de estar envolvido com Elisabeth isso não o impede de cobiçar cada rapariga bonita que aparece à sua frente.
"À Double Tour" é muitas vezes esquecido em discussões sobre o início da carreira de Chabrol, talvez porque seja tão diferente dos outros, obras duras, filmadas nas ruas e de baixo profile. Esta seria a primeira produção de grande orçamento do realizador, um tributo brilhante e elegante a Hitchcock, estilisticamente mais perfeito que os filmes que ele faria no final dos anos sessenta e setenta. Status de outsider à parte, "À Double Tour" é um filme rico e cativante, por vezes comparado aos melhores trabalhos do realizador.

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