quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

As Boas Mulheres (Les Bonnes Femmes) 1960



Ginette, Rita, Jacqueline e Jane são quatro mulheres que tentam encontrar satisfação nas suas vidas. Rita tem um noivo cuja família é obcecada com a vida social. Jane tem um namorado no exército,  mas não exita em divertir-se em encontros casuais. Ginette tem um segredo que a mantém afastada das amigas à noite. Jacqueline é a mais solitária, mas quem é aquele misterioso motociclista que a persegue constantemente?
Ginette (Stéphane Audran) é a mais misteriosa de todas, a única do grupo que não se define em relação aos homens. De todas elas, é a única que faz algo para si própria, não parecendo pensar em paixão ou homens, apenas se preocupando com aquilo que faz, porque gosta.
Através da observação das outras três mulheres Chabrol explora a natureza das relações entre os homens e as mulheres, e o retrato que pinta não é bonito. É muitas vezes catalogado como comédia, mas debaixo da superfície existe muito cinismo, e muita amargura acerca no sentido do amor ser romântico. Existem três  modelos diferentes sobre o amor nesta película, cada um representado pelas amigas de Ginette.
Quarto filme de Claude Chabrol, mas muitos consideram ser o seu primeiro, já que era o primeiro onde o seu estilo estava claramente visível. Chabrol renuncia aos elementos melodramáticos e narrativas dos seus dois primeiros filmes, assim como a influência Hitchcokiana que foi "À Double Tour". Depois desta grande produção ele volta aos filmes de orçamento menor, ao realismo presente nos seus dois primeiros filmes, adoptando um estilo mais áspero do que nessas duas obras, além de se completar com uma sagacidade imprevisível. 
Embora agora seja considerado um dos filmes mais importantes da Nouvelle Vague enfrentou uma série de críticas negativas na altura que saíu. Hoje, o filme é visto mais como um drama social, e é provavelmente o filme mais realista de Chabrol. Na década de sessenta, mesmo estando longe de ser a representação romântica de como as mulheres lidavam com o vida, resultou numa reacção pública muito feroz, que teve consequências posteriores na carreira do realizador. Nos anos seguintes, Chabrol ficaria preso a assuntos muito mais seguros, tornando-o no menos ousado dos seus compatriotas da Nouvelle Vague.
Hoje em dia, é difícil perceber a controvérsia que o filme gerou. Alguns críticos consideram-no uma obra-prima, um retrato perceptivo sobre jovens mulheres que enfrentam um futuro de tédio conjugal e vidas profissionais não realizadas. Talvez mais ousado do que o filme, é a forma como ele é filmado e montado, muito mais próximo do que é a nossa noção de Nouvelle Vague, e um contraste total com os futuros filmes de Chabrol.
Legendado em inglês.

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