quarta-feira, 7 de maio de 2014

O Carteirista (Pickpocket) 1959



Michel tem um hobby como carteirista. É preso e logo de seguida é-lhe dada a oportunidade de reflectir sobre a moralidade do crime, e chega à conclusão de que é um cidadão privilegiado, e que não precisa de seguir as regras normais da sociedade. Incapaz de encontrar trabalho, ele vira as costas para a sua mãe doente e os poucos amigos que tem, para seguir uma carreira de carteirista profissional. Só que esta profissão depressa se torna num vício perigoso...
Um dos mais intensos filmes de Robert Bresson, "Pickpocket" é um poderoso estudo sobre o pecado e a redenção, que merece estar classificado entre os melhores filmes franceses da década de 50. O filme segue a história de um dos mais famosos romances de Dostoevsky, "Crime e Castigo", onde o personagem central argumenta que o crime é uma actividade justificável para uma certa classe superiora. Tal como em "Journal d'un Curé de Campagne" a narrativa é guiada pela voz interior do protagonista, uma técnica que não só reforça a alienação do personagem, mas também nos dá a única pista para a sua psicologia estranhamente evasiva.
Nada sobre Michel é revelado através das suas expressões faciais, linguagem corporal ou maneirismos de fala. Martin LaSalle era um actor não profissional treinado por Bresson para não mostrar qualquer emoção na sua interpretação. LaSalle mostrou ser um dos melhores actores-modelo de Bresson, e expõe o seu conflito interno de uma maneira muito subtil. Michel não é o tipo de personagem que uma audiência simpatize facilmente, mas de alguma forma LaSalle obriga-nos a indentificar-nos com ele, trazendo ao cimo a bondade que está escondida no fundo da sua personalidade conturbada.
O estilo visual é impressionante, e bem diferente dos restantes filmes franceses do mesmo período, da Nouvelle Vague, sem a austeridade fria que se tinha tornado na marca de Bresson.  Filma-se em exteriores, pelas ruas de Paris, com luz natural para dar um maior realismo. Ao mesmo tempo é um filme muito diferente dos de Godard, Truffaut e companhia, um trabalho mais contemplativo e sombrio. Também há ecos do filme noir, em que o personagem principal, uma espécie de anti-herói solitário, parece estar  excluido do mundo onde habita, com o seu destino a ser regido por forças que estão para lá do seu controle, e por uma mulher por ele se apaixona.

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