terça-feira, 27 de maio de 2014

Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita (Indagine su un Cittadino al di Sopra di Ogni Sospetto) 1970



O arrogante inspector da policia de homicídios (Gian Maria Volonté), corta a garganta da sua sexy namorada (Florinda Bolkan), enquanto faz amor, e, propositadamente, vai deixando pistas que conduzirão os investigadores a ele, apesar de se considerar um cidadão acima de qualquer suspeita. Acabado de ser promovido a novo chefe da polícia, será que o bem sucedido polícia consegue escapar do que crime que cometeu enquanto o realizador da extrema-esquerda Elio Petri nos conta uma história em que o poder corrompe?
Elio Petri era um ativista da esquerda bastante dedicado (e membro do partido comunista italiano), cuja carreira era brilhante para o conjunto de apenas 11 longas-metragens que realizou, mas é dificil de ser julgado porque as suas obras dificilmente eram vistas fora de Itália. O seu filme mais acessivel fora do país é uma sátira de ficção científica chamada "The 10th Victim" (1965), com Marcello Mastroianni e Ursula Andress, um conto sombrio que se transforma numa comédia lúdica.
Este filme de Petri era uma das dissecações mais incisivas sobre a patologia do poder, alguma vez passada para filme, e foi extremamente controverso na altura em que foi lançado, num período bastante volátil depois das convulsões sociais dos anos 60. Ainda com o filme em produção e já os produtores estavam preocupados com as repercussões das autoridades, e antecipando problemas com os censores. Mas, em tempos tão turbulentos, nem mesmo as forças da ordem têm força para levar para a frente a sua autoridade, contra um filme que estava a adquirir uma enorme popularidade, e elogios por todo o lado. Os censores permitiram que o filme fosse mostrado apesar do pedido de várias autoridades para ser proibido, por difamar a polícia.
O filme é dominado pela interpretação hipnotizante de Gian Maria Volonté, o polícia, a quem nunca é dado um nome. Um militante da esquerda, Volonté, que começou a sua carreira nos western spaghetti e se tornou na maior estrela do cinema político italiano no início dos anos 70, era um actor de extraordinária presença. Raramente fora do ecrã, ele atravessa todo o filme elegantemente vestido, carismático, num filme simultaneamente belo e repelente, numa mistura inebriante de Marx, Freud, Wilhelm Reich, e Brecht, com um pouco de Dashiell Hammett.
É um dos filmes italianos mais premiados dos anos 70. Em Cannes ganhou a Palma de Ouro, o Grande Prémio do Júri e o FIPRESCI Prize. Em 1971 ganhou o Óscar de Melhor Filme em Lingua Estrangeira, e em 1972 ainda conseguiu ser nomeado para o Óscar de Melhor Argumento. 
Uma palavra especial para a banda sonora de Ennio Morricone. Uma das minhas preferidas.

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