quarta-feira, 14 de maio de 2014

Atlântida: Do Outro Lado do Espelho (Atlântida: Do Outro Lado do Espelho) 1985

Do isolamento da sua ilha, X, uma personagem sem nome observa , no exterior, uma cena cujo sentido lhe escapa, e o faz partir numa viagem circular pelos percursos da sua memória/imaginação: o homem da espingarda, o estúdio da TV, um estranho passageiro de comboio, a rapariga que entrava por janelas fechadas, a organização misteriosa, o velho que tinha a solução, o homem que sabia o que andava a vender, uma imagem de taxi...
Primeira longa-metragem, como realizador, de Daniel Del-Negro, Do Outro Lado do Espelho - "Atlântida" é quase uma deambulação livre pelos terrenos do imaginário, uma espécie de cinema automático, onde a criação de situações e sensações toma a dianteira sobre o processo narrativo. Em vez de uma história, uma vereda sinuosa e nocturna, um sentido estilhaçado, os corredores da inquietação, onde se aflora um cinema de raíz fantástica. Filme mais curioso que conseguido, mas em que se sente pulsar a vibração encantatória das imagens e dos sons, o que é, pelo menos, estimulante numa primeira obra. - Jorge Leitão Ramos.
Foi o único filme realizado por Daniel Del-Negro, um dos mais promissores directores de fotografia dos anos 80, que participou em filmes como "Uma Rapariga no Verão", "Duma Vez por Todas", "Os Cornos de Cronos", entre outros. Nunca foi exibido comercialmente, apenas teve exibições na Cinemateca.
Uma das raras apostas portuguesas no cinema fantástico, nos últimos 30 anos.

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